Aqui está — “nove mais quatro?” e a resposta é “três”.
Três?
Ah, meu Deus…
Acho que não é tão perfeito
quanto eu pensava que seria.
Shel Silverstein - Homework Machine
Via aqui (com tradução de uma IA) (grande ironia, não?)
Sobre débitos e créditos da vida real
Shel Silverstein - Homework Machine
Via aqui (com tradução de uma IA) (grande ironia, não?)
Uma nova busca conduzida pela Ocean Infinity, empresa de robótica marítima com sede no Reino Unido e nos Estados Unidos, havia começado no início deste ano, mas foi interrompida em abril devido ao mau tempo. O Ministério dos Transportes da Malásia anunciou neste mês que a busca no fundo do mar será realizada de forma intermitente ao longo de 55 dias, a partir de 30 de dezembro. A Ocean Infinity firmou com a Malásia um contrato do tipo “no find, no fee” (sem descoberta, sem pagamento), segundo o qual a empresa irá vasculhar uma nova área oceânica de 5800 milhas quadradas (15000 km²) e receberá 70 milhões de dólares (£52 milhões) apenas se destroços forem encontrados. A empresa se recusou a comentar sobre a busca mais recente.
A questão da incerteza está presente tanto nas receitas quanto nas despesas. Caso o avião seja encontrado, a empresa receberá pelo resultado, mas isso também poderá gerar um goodwill relevante, na forma de receitas futuras e ganho de imagem. A receita, contudo, só deveria ser reconhecida ao longo das buscas se houver um grau elevado de certeza quanto ao desfecho positivo.
Já as despesas dependem do princípio da confrontação. Na ausência de receita — caso a busca fracasse —, a despesa deve ser reconhecida imediatamente no resultado. O contador, porém, precisa efetuar o lançamento da despesa no momento em que ela ocorre, não podendo condicioná-lo a um resultado que pode se materializar apenas meses à frente. Nessas situações, a prudência mostra-se útil: reconhecer a despesa de imediato pode ser uma solução adequada. Ou não?
Em tempos de fim de ano, de encerramentos, levantamentos, balanços, expectativas sobre para onde se espera ir, olhamos para o blog em números. Eles não explicam tudo, mas ajudam a iluminar parte do caminho.
Em 2025, até o momento, foram publicadas 1.321 postagens,
mais que o dobro do volume do ano anterior (634). O resultado foi um total de
quase 3 milhões de acessos ao longo do ano. Em meio a esse fluxo, houve uma
anomalia no tráfego entre o fim de outubro e o início de novembro. Não
encontramos uma explicação objetiva, que identifique um fator claro como
motivador, mas fica o registro.
Nas redes sociais, encerramos o período com 3.916 seguidores no Threads, 4.048 no Twitter (X) e 18 mil no Instagram. Como comentamos no registro sobre a 30.000ª postagem, temos experimentado diferentes possibilidades de divulgação, sem transformar isso em uma estratégia pesada a ponto de prejudicar a nossa própria curtição em postar. De todo modo, nosso maior fluxo sempre advém de resultados de pesquisas no Google. Na prática, isso significa que muita gente chega até aqui no meio de uma pesquisa, de um trabalho, de uma dúvida que apareceu no caminho.
Em outros anos, conseguimos detalhar melhor informações referentes a países de origem dos acessos, gênero e faixa etária dos nossos leitores. Porém, ultimamente esses dados deixaram de ser esclarecedores, principalmente em razão ao aumento de acessos por meio de rede virtual privada (VPN).
No fim, os números ajudam a dimensionar o alcance, mas não definem o projeto. O blog segue sendo um espaço de escrita contínua, observação e tentativa de organizar ideias, mesmo quando o contexto, os algoritmos ou o interesse do público mudam.E, apesar de os ganhos existirem e serem muitos, o blog não
é uma tentativa de sermos “influencers”. Ele é, antes, a nossa forma de ver,
registrar, analisar e arquivar acontecimentos. Felizmente, esse exercício também
nos conecta a uma comunidade que compartilha interesses semelhantes aos nossos.
Obrigado por estar com a gente até aqui e seguimos juntos em 2026!
O estudo completo está aqui e foi feito pela empresa internacional de idiomas EF. O Brasil está no 75o. lugar para um total de 123 países. Apesar de uma pequena melhoria, ainda é reduzido o desempenho na língua universal dos negócios e da ciência.
Os autores analisam o greenwashing digital praticado por grandes empresas de petróleo, com foco no uso de Google Ads nos meses que antecederam a COP30. Globalmente, os anúncios de companhias petrolíferas no Google aumentaram 218% em outubro de 2025, enquanto os anúncios direcionados ao Brasil cresceram 2900%. As maiores usuárias de Google Ads no setor registraram aumentos expressivos: a Saudi Aramco expandiu seus anúncios em 469.2% no mês de outubro, a TotalEnergies em 106.5% e a ExxonMobil em 156.3%. A BP apresentou o maior salto proporcional, de 1369.2%, partindo de uma base baixa. No caso dos anúncios exibidos no Brasil, a Petrobras se destaca, respondendo por quase 70% do total de Google Ads, com 665 anúncios publicados em 2025, um aumento significativo em relação aos quatro meses anteriores à COP30. Para enfrentar a estratégia de desinformação da indústria do petróleo, o texto defende o fortalecimento da intervenção regulatória, incluindo a possível proibição da publicidade de combustíveis fósseis, além do aprimoramento da fiscalização e da transparência e dos dados sobre greenwashing digital.
Fonte : A 2,900% Increase in Greenwash: Big Oil Targeted Brazil With Google Ads To Undermine COP30, Climate Action Against Disinformation, C3DS, and Climainfo. Via aqui
Investimentos significativos são direcionados para melhorar a precisão e a disponibilização antecipada de previsões. No entanto, o valor de prazos mais longos para essas previsões não é claro. Utilizando dados sobre alertas meteorológicos de inverno e acidentes de veículos nos Estados Unidos, demonstro que alertas emitidos com maior antecedência reduzem o número de acidentes, mesmo quando são menos precisos do que alertas divulgados com menor antecedência. Além disso, os benefícios marginais não diminuem à medida que o prazo de antecedência aumenta. Esses benefícios decorrem de respostas individuais e institucionais. Quando os alertas chegam mais cedo, as pessoas reduzem o número de deslocamentos, e as equipes de limpeza de neve intensificam as operações de manutenção das vias. Esses resultados têm implicações de política pública para o fornecimento de previsões mais eficazes.
Does Getting Forecasts Earlier Matter? Evidence from Winter Advisories and Vehicle Crashes Vaibhav Anand - American Economic Journal: Economic Policy, November 2025, Pages 106-134 via aqui, Imagem aqui
É certo que a periodicidade da previsão do tempo é bem diferente da previsão contábil. Assim como a experiência acumulada pela meteorologia. Mas sempre podemos aprender com outras áreas.
Recentemente comentamos sobre uma postagem do Information is Beautiful sobre as senhas mais comuns. A NordPass publica um levantamento anual que detalha o uso de senhas por país e por geração.
A variação geracional se apresentou assim:
Geração Silenciosa (1925-1945): depois de 12345 e 123456,
surgem nomes próprios como Susana, Marta, Margarida, Virginia e Rodolfo.
Baby Boomers (1946-1964): seguem líderes 123456, 123456789
e 12345, acompanhados de nomes como Maria, Susana, Silvia, Graciela,
Monica e Claudia.
Geração X (1965-1980): mantém o padrão numérico, mas ainda
aparecem nomes como Veronica, Lorena e Valentina.
Geração Y (1981-1996) (millenials): também evita nomes, mas
continua presa a sequências numéricas previsíveis.
Geração Z (1997-2007): Também não muito seguras, ou
criativas, apresentam o padrão numérico e a ausência de nomes próprios.
No fim das contas, muda a forma, mas o arquétipo permanece: a maioria das senhas segue padrões fáceis de adivinhar. A tecnologia avança, as gerações mudam, mas a relação com senhas continua simplificada.
O FICG é um grupo recém-criado para apoiar os projetos do IASB relacionados a instrumentos financeiros, por meio do fornecimento de conhecimento técnico especializado e insights práticos. Especificamente, o grupo irá:
assessorar o IASB em projetos relacionados à contabilização de instrumentos financeiros;
fornecer contribuições especializadas que complementem as consultas realizadas com o Global Preparers Forum e o Capital Markets Advisory Committee; e
melhorar a eficiência, a eficácia e a transparência das consultas técnicas do IASB por meio de reuniões públicas regulares.
O FICG é composto por 17 membros, provenientes de diferentes jurisdições e formações profissionais. A composição inclui preparadores de demonstrações financeiras, tanto de instituições financeiras quanto não financeiras, bem como usuários das demonstrações financeiras.
A lista de membros revela que 9 dos 17 integrantes — portanto, a maioria — são da Europa. Quatro representam investidores, sendo dois vinculados a agências de rating, enquanto os demais são preparadores de demonstrações financeiras. Além disso, pelo menos 9 membros atuam em instituições financeiras. Entre os indicados, há um representante do Itaú.
Recentemente divulgamos uma preocupação com a situação financeira da Fundação. Mais uma estrutura não irá aumentar os custos?
Isso apareceu na Forbes, indicando as 10 empresas mais valiosas do mundo. É olhar e descobrir erros grosseiros na lista.
O cimento de secagem mais rápida no mundo dos negócios neste ano foi a certeza de uma bolha de IA e dos danos que advirão quando ela estourar. As grandes empresas de tecnologia gastaram mais de $400 bilhões em IA, número que analistas da Bloomberg esperam que chegue a $630 bilhões no próximo ano. Investidores já começam a se afastar dos elos percebidos como mais frágeis do setor, como Oracle e CoreWeave, enquanto a dívida avança em todos os níveis. Desempenhos públicos lamentáveis dos principais porta-vozes da indústria tampouco inspiram confiança.
A grande questão é onde se concentrará o valor criado pela IA. Por ora, ele está com os desenvolvedores de grandes modelos de linguagem. No entanto, ciclos anteriores mostram que os vencedores de longo prazo tendem a estar a montante (os fornecedores de “pás e picaretas”) e a jusante (os criadores de aplicações que traduzem LLMs em negócios lucrativos). As ações da Constellation, empresa de energia elétrica que apostou pesado em abastecer data centers, superaram com folga as da Nvidia neste ano.
Fonte: Semafor newsletter
No livro Underground Empire (2023), os cientistas políticos Henry Farrell e Abraham Newman descrevem como o mundo moderno depende de sistemas baseados nos Estados Unidos, que outras nações tratavam como plataformas neutras, e como isso está entrando em colapso.
Pense nos cabos de fibra óptica do mundo: durante grande parte da história da internet, era um fato que a maioria dos cabos transoceânicos terminaria nas costas dos EUA. As empresas de telecomunicações americanas pagavam para interconectar essas extremidades de fibra — até mesmo entre costas opostas dos EUA — com links extremamente confiáveis e de alta velocidade.
Isso fazia sentido: puxar fibra por um oceano é caro e difícil. Em vez de executar cabos entre cada nação, os países poderiam conectar-se aos EUA e, em um salto único, conectar-se a qualquer outro lugar.
Isso funciona, desde que você confie que os EUA sirvam como um intermediário honesto para o tráfego global de internet. Em 2013, no entanto, os vazamentos de Snowden revelaram que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) estava espionando praticamente todo mundo no mundo.
Desde então, o mundo passou por um boom de novos cabos transoceânicos, a maioria deles ligações ponto a ponto entre dois países. Apesar das vantagens logísticas de um modelo “hub and spoke”, não existe mais uma nação em quem se possa confiar como ponto central único para o tráfego mundial de informação.
Conectar cada país a todos os outros é caro. Nosso planeta tem 205 países soberanos, e ligar cada um dos outros exigiria 20.910 ligações. Na teoria da complexidade, isso é um problema de “ordem N²” — cada novo país adiciona um número que quadruplica as conexões necessárias.
Na segunda parte, o autor amplia o argumento para além dos cabos, mostrando que o mesmo problema estrutural afeta o dólar, a computação em nuvem e as plataformas digitais. Serviços essenciais — armazenamento de dados, processamento, software corporativo — estão concentrados em empresas sediadas nos Estados Unidos, que operam como infraestruturas “neutras” apenas enquanto há confiança política.
O problema que o autor observa na tecnologia parece não existir na contabilidade. É bem verdade que durante muitos anos a contabilidade mundial olhava de perto as normas do Fasb, o responsável pela emissão de normas nos Estados Unidos. As inovações do Fasb eram observadas, estudadas e implementadas em outros sistemas contábeis. Mas a criação das normas internacionais e seu fortalecimento, com a adoção por parte da Europa, tenta resolver o problema da ordem N2 regulatória, através de um padrão único.
As normas internacionais permitem escalabilidade e comparabilidade, retirando a dependência de um país hegemônico. Talvez a contabilidade seja um exemplo contrário ao descrito pelo autor. Desde que consiga, realmente, implantar um conjunto de normas supranacionais.
O ano de 2025 foi marcado pela perda de Stephen Kanitz. Quando esse blogueiro foi realizar seu doutorado na Universidade de São Paulo, percebi que Kanitz era o professor mais original e genial de todos — e olhe que tive a oportunidade de conviver com Eliseu Martins, Sérgio de Iudícibus, Ari e outros grandes nomes da área.
No meio de uma aula, Kanitz lançava uma ideia que, à primeira vista, parecia não fazer sentido, mas que escondia uma lógica rigorosa e profunda. Quem leu seus textos publicados na revista Veja sabe bem do que estou falando. Ao trazer o modelo de Altman para o Brasil, em pleno regime inflacionário, o nome de Kanitz passou a ser associado à insolvência e, por muito tempo, esse foi o trabalho de contabilidade mais conhecido na área acadêmica. Lembro-me também de suas críticas à proposta de simplificação do sistema tributário por meio do imposto único — um modismo no passado — e de seu argumento de que, quanto maior o número de impostos, melhor. Sim, soa contraintuitivo, mas assim eram suas ideias. Após alguma reflexão, o leitor perceberá que faziam, de fato, muito sentido.
O professor esteve envolvido em diversas polêmicas, algumas das quais podem ser encontradas no blog (aqui e aqui, por exemplo).
Nota: Este ano registramos o maior número de postagens desde a pandemia — mais de 1300. Ainda assim, o blog passou por alguns momentos de instabilidade, como em novembro, quando publicamos apenas 40 textos. Infelizmente, foi nesse período que deixamos de registrar aqui a notícia da perda de Stephen Kanitz, uma ausência que simboliza, de certa forma, a falta que sua originalidade e inquietação intelectual continuam a nos fazer.
É difícil chegar a um consenso sobre uma forma consistente de avaliar o desempenho dos grandes modelos de linguagem (LLMs). A organização de pesquisa sem fins lucrativos Model Evaluation & Threat Research (METR) propôs uma métrica intuitiva: acompanhar quanto tempo um ser humano levaria para realizar as tarefas que a IA consegue executar. De acordo com essa métrica, as capacidades dos LLMs estão dobrando a cada sete meses. Se essa tendência continuar, até 2030 os modelos mais avançados poderão lidar rapidamente com tarefas que hoje exigem um mês inteiro de trabalho humano.
No entanto, por enquanto, a IA nem sempre realiza um bom trabalho: para as tarefas mais longas e desafiadoras, a probabilidade de que o resultado esteja correto é de cerca de 50%. A questão que se coloca, então, é: quão útil é um funcionário rápido e barato que produz lixo em cerca de metade das vezes?
Fonte: aqui
O sentido do autor parece ser confirmado na obra Imperfect Oracle, de Cass Sunstein. Para quem não se lembra, Sunstein é coautor de Nudge (com Richard Thaler) e Noise (com Daniel Kahneman e Olivier Sibony). No livro, Sunstein trabalha os limites da IA, mas de forma curiosa usa a ferramenta para "responder" algumas questões.
Foto: aqui
Do 1440
O tribunal considerou Najib, de 72 anos, culpado por abuso de poder e lavagem de dinheiro envolvendo o 1MDB, um fundo soberano criado por ele após assumir o cargo em 2009. As autoridades alegam que Najib e seus associados desviaram mais de $4.5 bilhões do 1MDB entre 2009 e 2014, transferindo recursos por países como Estados Unidos, Singapura e Suíça. Parte do dinheiro teria sido usada para financiar filmes de Hollywood, incluindo o indicado ao Oscar “O Lobo de Wall Street”, e o Goldman Sachs enfrentou bilhões em multas por seu envolvimento com o 1MDB. Najib, que governou a Malásia até 2018, está preso desde 2022 por acusações relacionadas. A nova pena de 15 anos começará a valer após o término da atual, em 2028.
Najib afirma que foi enganado pelo empresário malaio Low Taek Jho, que permanece foragido.
Imagem aqui
Notícia do início do mês, mas com algumas atualizações importantes do caso Itau x Broedel:
O Banco Central do Brasil abriu um processo sancionador contra Alexsandro Broedel Lopes, executivo do Santander acusado de envolvimento em um suposto esquema de fraude enquanto atuava no Itaú Unibanco, informou o Financial Times nesta sexta-feira (5). A abertura do procedimento ocorreu em outubro, segundo documento obtido pelo jornal.
Broedel, ex-CFO do Itaú, ingressou no Santander no ano passado. O banco planejava torná-lo chefe global de contabilidade e membro do conselho de administração, mas recuou em junho após o surgimento das acusações. Mesmo assim, ele permaneceu na instituição e, em setembro, foi nomeado vice-presidente executivo na área de estratégia. Uma fonte ouvida pelo FT afirmou que o executivo foi deslocado para uma função “não crítica”.
As acusações foram feitas pelo Itaú, que afirma que Broedel desviou recursos por meio de um arranjo com um consultor externo contratado em nome do banco. O Ministério Público pediu a abertura de uma investigação criminal, que segue em andamento, segundo pessoa familiarizada com o caso ouvida pelo FT.
O processo sancionador do BC é aberto quando há indícios de violações legais ou regulatórias por pessoas físicas ou instituições financeiras. As possíveis punições incluem advertência, multas e impedimento para atuar no setor.
O Santander não explicou por que desistiu da nomeação de Broedel para o cargo de contador-chefe, mas manteve o executivo no quadro. Uma pessoa próxima ao processo de recrutamento disse ao FT que o banco tinha obrigação contratual enquanto as acusações “permanecem alegações”.
A defesa de Broedel afirmou ao jornal que ele “nega veementemente todas as alegações feitas pelo Itaú Unibanco” e que move uma outra ação contra o ex-empregador. Também destacou que a abertura do processo administrativo “não implica presunção de responsabilidade” e que o BC agiu com base em “alegações não comprovadas”.
Broedel havia recebido todas as aprovações necessárias para assumir o posto senior no Santander, incluindo o teste de idoneidade do Banco Central Europeu. Segundo o FT, as acusações só vieram à tona depois de sua contratação.
Procurado pelo FT, o Santander disse que não comentaria o caso.
Não é a primeira vez que isso ocorre. Auditores da Holanda foram condenados por tentar burlar os exames e a KPMG teve que pagar uma multa de 25 milhões de dólares. A SEC também multou da empresa em 50 milhões, também por motivo semelhante, em 2019. Também há notícia de que algo semelhante ocorreu na Austrália com a ... KPMG.
Imagem aqui
Recentemente um investidor, Michael Burry, acusou a empresa Nvidia de adotar uma política contábil agressiva. O foco de Burry foi a depreciação, que na sua visão deveria adotar uma vida útil estimada de dois ou três anos, em lugar dos cinco ou seis que a empresa estaria adotando.
Sabemos que maior vida útil, menor a depreciação e maior o lucro. Recentemente a Amazon reduziu a vida útil dos GPU e a Meta aumentou a vida útil, em movimentos opostos.
Com vigência a partir de 1º de janeiro de 2025, alteramos nossa estimativa da vida útil de uma parte de nossos servidores e equipamentos de rede de seis anos para cinco anos. A redução da vida útil decorre do ritmo acelerado de desenvolvimento tecnológico, especialmente nas áreas de inteligência artificial e machine learning. O efeito dessa mudança de estimativa no terceiro trimestre de 2025, com base nos servidores e equipamentos de rede incluídos em “Imobilizado, líquido” em 30 de junho de 2025 e naqueles adquiridos nos três meses encerrados em 30 de setembro de 2025, foi um aumento de US$ 392 milhões nas despesas de depreciação e amortização e uma redução de US$ 298 milhões no lucro líquido, ou US$ 0,03 por ação básica e US$ 0,03 por ação diluída, impactando principalmente o segmento AWS. Já o efeito dessa mudança de estimativa nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2025, com base nos servidores e equipamentos de rede incluídos em “Imobilizado, líquido” em 31 de dezembro de 2024 e naqueles adquiridos nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2025, foi um aumento de US$ 889 milhões nas despesas de depreciação e amortização e uma redução de US$ 677 milhões no lucro líquido, ou US$ 0,06 por ação básica e US$ 0,06 por ação diluída, impactando principalmente o segmento AWS.
A determinação da vida útil é uma estimativa contábil, baseada em julgamento. Assim, uma eventual mudança faz parte da estimativa e pode inclusive acontecer que uma empresa reduza a vida útil de um ativo (Amazon, no caso da GPU) e outra aumente (Meta, idem), sem que seja algo próximo a fraude ou erro. Parte da estimativa é fruto do aprendizado e conhecimento de uma tecnologia, que no caso inclui uma nova geração de Chip.
E o surgimento de uma nova tecnologia, como um novo tipo de chip, pode alterar esse conhecimento.
Imagem aqui
Um artigo publicado em abril continha pelo menos 19 referências fabricadas que não existem em bases acadêmicas, de um total de 29, conforme descobriu a pesquisadora independente Erja Moore ao tentar localizar os trabalhos citados. Muitas ligações no Google Scholar retornaram vazias, e algumas supostas obras referenciadas não correspondiam aos títulos ou autores reais. Os autores admitiram ter usado ChatGPT para gerar as referências, embora afirmem que os dados reais da pesquisa sejam legítimos. O caso evidencia um problema mais amplo de “alucinações” em que grandes modelos de linguagem inventam citações falsas, levantando preocupações sobre a integridade da literatura científica.
O fato de ser interessante é o nome do periódico: Journal of Academic Ethics
Rinsch se beneficiou de um contexto de forte competição entre plataformas de streaming, como Netflix e Prime, o que teria motivado o adiantamento dos recursos. No entanto, ele desviou o dinheiro para a compra de drogas, investimentos arriscados e bens pessoais de luxo. O resultado foi que nenhum produto audiovisual chegou a ser entregue.
Do ponto de vista contábil, os US$ 11 milhões configuram um adiantamento feito pela Netflix, ou seja, um ativo. Contudo, a partir do momento em que ficou claro — conforme exposto no tribunal — que os recursos foram utilizados de forma indevida, a empresa deveria reconhecer a perda por meio de um teste de impairment. Caso o diretor venha a restituir parte do valor, esse montante deverá ser considerado contabilmente. Evidentemente, o episódio também evidencia a necessidade de correções na governança corporativa da empresa e no controle sobre a aplicação dos recursos.
Sim, o diretor está sendo processado e pode ser condenado.
Nas palavras de Kurt Hohl, chefe de contabilidade da SEC
"Recentemente, como a maioria das pessoas sabe, [a IFRS Foundation] incorporou o International Sustainability Standards Board à sua estrutura. Quando se analisa o financiamento, a maior parte dos recursos destinados à IFRS Foundation vai para o ISSB, para o desenvolvimento de normas de sustentabilidade, e não de normas contábeis. Há uma preocupação sobre se manter o ISSB dentro da IFRS Foundation não faz com que se perca o foco naquilo que é realmente prioritário para nossos mercados de capitais, que é o desenvolvimento de normas contábeis de alta qualidade. Portanto, precisamos analisar a governança e o financiamento.”
Imagem aqui
Este estudo examina a capacidade do ChatGPT (GPT-4o), um sistema de IA baseado em modelos de linguagem de grande porte, de avaliar projetos de concursos de arquitetura. Investiga-se como as informações fornecidas pelo júri influenciam as avaliações do modelo e quão eficazmente ele integra dados multimodais (texto + imagens). A análise concentra-se em oito projetos premiados (três vencedores e cinco menções honrosas) do Concurso Nacional de Projeto Arquitetônico para o Novo Edifício de Serviços da Prefeitura de Kadıköy, realizado em 2025. O ChatGPT avaliou os projetos em dois cenários: com acesso aos relatórios do júri (avaliação influenciada pelo júri) e sem qualquer dado do júri (avaliação independente). Em ambos os casos, os projetos foram pontuados em uma escala de 0 a 5 em seis categorias temáticas definidas no edital do concurso. Os resultados mostram que, quando os relatórios do júri estavam disponíveis, as avaliações do ChatGPT apresentaram forte alinhamento com as do júri humano (r ≈ 0,87). Na ausência das informações do júri, os rankings dos projetos e as ênfases temáticas se alteraram, indicando a capacidade do modelo de gerar interpretações alternativas com base em informações textuais e visuais. O estudo contribui para a pesquisa em avaliação arquitetônica, metodologicamente ao introduzir um arcabouço de dois cenários, teoricamente ao revelar como a IA espelha ou diverge do julgamento humano, e, na prática, ao demonstrar seu potencial como ferramenta de apoio à decisão. Embora a IA possa enriquecer os processos avaliativos, a expertise humana permanece essencial para decisões nuançadas e sensíveis ao contexto.
Dois comentários aqui. O primeiro é que projetos de arquiteturas são bastante complexos de serem analisados, pois incluem nuances que talvez a IA não esteja preparada para captar. Segundo, na medida que a IA for sendo treinada, o grau de precisão dos seus resultados podem convergir com do júri, desde que formado por especialistas; entretanto, o elemento de originalidade, que o ser humano poderia captar, pode não ser considerado pelo GPT.
Fiquei pensando se o modelo de sistema poderia influenciar no resultado. Mas a ideia de que a IA pode escolher entre diferentes projetos é interessante e tentadora.
Imagem aqui
A partir do blog do Alexandre Alcântara temos que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou parecer favorável ao Projeto de Lei (PL) 3.951/2019, que estabelece limites e condições para o uso de dinheiro em espécie no Brasil, com o objetivo central de reforçar o combate à lavagem de dinheiro e crimes conexos. O texto aprovado autoriza que o Conselho Monetário Nacional (CMN), após consultar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), fixe valores máximos para transações e pagamentos em espécie, incluindo cheques e boletos, e proíbe o uso de dinheiro físico em transações imobiliárias de qualquer valor. O projeto ainda precisa passar por diversas instâncias.
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Parece loucura isso. Pesquisas usando IA no lugar de seres humanos. Eis um trecho da discussão
No início deste ano, comecei a prestar atenção em propostas que sugerem o uso de LLMs para simular participantes em surveys e experimentos comportamentais. A ideia é que os LLMs possam ser instruídos por meio de prompts que incluam as instruções do experimento ou do questionário e uma persona de participante (por exemplo, uma descrição demográfica), tornando possível simular amostras humanas-alvo sem os custos e as dificuldades de recrutar pessoas reais. Diversos artigos têm apontado resultados promissores — como situações em que os resultados obtidos com LLMs apresentam correlação moderada a alta com os resultados de estudos com humanos — para argumentar que essa abordagem poderia transformar as ciências comportamentais: aumentando tamanhos amostrais, gerando contrafactuais ausentes, permitindo aprender sobre populações de difícil acesso ou sobre situações eticamente sensíveis, entre outros benefícios.
O elefante óbvio na sala é a validação: como estabelecer que conclusões sobre o comportamento humano, derivadas de análises que substituem ou complementam dados humanos com saídas de LLMs, são válidas? Em outras palavras, como garantir que o uso de LLMs não introduz vieses sistemáticos na estimação do parâmetro humano de interesse (efeitos médios, coeficientes de regressão etc.)? Muitos artigos sobre esse tema lidam com essa questão de maneira frouxa e heurística. Por exemplo, os autores demonstram uma replicação parcial de alguns resultados humanos com LLMs e, em seguida, passam a argumentar que os LLMs poderiam ser usados para aproximar o comportamento humano de forma mais ampla naquele domínio. Alguns trabalhos tentam formalizar esse tipo de validação heurística.
Então decidimos escrever algo especificamente sobre a validação de participantes de estudos baseados em LLMs: como é o panorama das abordagens que vêm sendo adotadas e, dentre elas, quais atendem aos requisitos mínimos para produzir estimativas válidas de parâmetros em análises posteriores.
O texto completo pode ser encontrado aqui. Em resumo, devemos ter cuidado (feito pelo GPT):
O uso de LLMs para substituir participantes humanos não é, em geral, válido quando o objetivo é produzir inferências confiáveis sobre o comportamento humano. Embora LLMs possam reproduzir padrões aparentes de respostas humanas e apresentar correlações elevadas com dados reais, isso não garante validade inferencial. A principal limitação está no risco de vieses sistemáticos: erros dos LLMs podem estar correlacionados com variáveis de interesse, comprometendo estimativas de médias, efeitos causais ou coeficientes de regressão, mesmo quando o viés médio parece pequeno.
O uso de LLMs pode ser aceitável em contextos exploratórios, como geração de hipóteses, testes preliminares de desenho experimental ou identificação de possíveis efeitos, desde que haja cautela na interpretação dos resultados. Para pesquisas confirmatórias, a substituição direta de humanos por LLMs só seria defensável se acompanhada de procedimentos rigorosos de validação e calibração estatística, com dados humanos auxiliares e ajustes explícitos para vieses residuais. Sem isso, LLMs devem ser vistos como ferramentas complementares — e não substitutos — da pesquisa com participantes humanos.
O prefeito Roberto Gualtieri disse a jornalistas que o novo sistema de pagamento deve começar em 1º de fevereiro, acrescentando que a medida deve arrecadar 6,5 milhões de euros por ano.
“Dois euros não é muito… e levará a fluxos turísticos menos caóticos”, disse Gualtieri, enfatizando que cidadãos de Roma continuarão a ter acesso gratuito à fonte.
Os turistas terão que pagar se quiserem subir nos degraus de pedra que cercam a bacia da fonte, enquanto a pequena praça ao redor, que oferece uma vista do imponente monumento, permanecerá aberta para todos.
A Fontana di Trevi, onde a tradição determina que se jogue uma moeda na água para garantir seu retorno a Roma, há muito tempo é uma grande atração turística, até mesmo para líderes mundiais em visita.
Concluído em 1762, o monumento é uma obra-prima do barroco tardio que retrata Oceanus, o deus de todas as águas, e simboliza os diferentes estados de espírito dos mares e rios do mundo.
Ele recebeu nove milhões de visitantes até o momento neste ano, disse Gualtieri.
Pessoas que visitavam o ponto turístico nesta sexta-feira disseram que estariam dispostos a pagar se o dinheiro fosse bem utilizado.
Gualtieri disse que cinco outros locais relativamente desconhecidos em Roma, atualmente gratuitos, começarão a cobrar cinco euros pelo acesso a partir de fevereiro, dando continuidade à tendência recente de obter lucro a partir do patrimônio cultural da Itália.
Em 2023, foi introduzida uma taxa de entrada de cinco euros para o antigo Panteão de Roma. Como resultado, a praça do lado de fora costuma ficar lotada de pessoas esperando sua vez de pagar e entrar.
Veneza introduziu um sistema de taxa de entrada para turistas durante a alta temporada, enquanto Verona começou a cobrar neste mês pelo acesso à sacada na cidade do norte da Itália associada à peça “Romeu e Julieta”, de Shakespeare.
Fonte: Forbes
Pagamento de atração turística pode ser interessante para arrecadar fundos para manutenção do ativo patrimonial. Mas também, como uma consequência não programada, permitir uma mensuração do seu real valor.
A desvantagem é que cria uma expectativa de ser uma atração diferenciada.
No meio da disputa entre a Paramount e a Netflix, um fato parece que passou desapercebido. No final da história, o executivo David Zaslav (foto) irá receber uma indenização de 567 milhões de dólares ao deixar a Warner Bros. Discovery. Zaslav tem sido considerado um executivo incompetente, mas irá receber um pacote generoso em dinheiro e ações.
Em sua gestão, a Warner perdeu valor de mercado, aumentou o passivo, cortou projetos e foi inconstante com marca histórica. Decisões de corte de custos, demissões e outras prejudicaram a empresa.
A explicação entre o dinheiro que ele vai receber e o seu desempenho está, obviamente, na governança corporativa fracassada.
Os Correios reduziram de maneira irregular um passivo judicial trabalhista de R$ 1 bilhão para apenas R$ 18 no balanço de 2023, de acordo com auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU).
O órgão de fiscalização fez uma auditoria nas demonstrações contábeis de 2023 dos Correios. A empresa passa por uma crise financeira com prejuízos crescentes e agora terá um empréstimo de R$ 12 bilhões de cinco bancos com garantia da União.
Os passivos trabalhistas na Justiça afetam negativamente o resultado contábil da empresa. As provisões, como são chamadas tecnicamente, atingiram R$ 3,4 bilhões nos Correios em 2023, segundo a CGU. Além disso, havia “passivos contingentes”, ou seja, riscos judiciais com possibilidade de perda, que não são registrados contabilmente, mas podem virar passivos reais no futuro, no montante de R$ 4,8 bilhões.
As ações judiciais dizem respeito ao pagamento do Adicional de Atividade de Distribuição e Coleta (AADC) com o Adicional de Periculosidade (AP) aos carteiros motorizados. Em fevereiro de 2024, os Correios reduziram o saldo trabalhista dessas ações nas demonstrações contábeis do ano anterior. Até então, o custo de cada ação variava de R$ 199,7 mil até R$ 362,9 milhões no balanço, conforme o tamanho do grupo de funcionários e o Estado de origem. Eram 18 ações no total e todas tiveram o custo reduzido a R$ 1,00 cada.
A empresa adotou uma manobra contábil baseada na tese jurídica da compensação, segundo a CGU, aplicando um entendimento que poderia abater os débitos com valores a receber de outra ação judicial movida pelos Correios. É como se uma dívida fosse considerada paga por causa de um pagamento futuro que a empresa teria direito a receber. Nesta última ação, os Correios obtiveram uma decisão liminar, em janeiro de 2024, que suspendeu os efeitos de uma portaria do Ministério do Trabalho que regulamentava o Adicional de Periculosidade. Segundo a estatal, essa vitória na Justiça reduziu os valores devidos pela empresa. A companhia usou então essa decisão favorável para gerar “créditos” no balanço e compensar o passivo relacionado à ação trabalhista movida pelos carteiros, de acordo com a CGU. Os auditores identificaram que a estatal efetivou a compensação “baseada em eventos futuros com nível de incerteza, o que é vedado pelas normas contábeis.”
Em resposta à própria CGU no âmbito da auditoria, os Correios afirmaram que reduziram o valor para refletir “a melhor estimativa com base em fatos novos e evidências objetivas”. A empresa justificou que atendeu as normas legais e que não houve compensação indevida entre ativos e passivos, seguindo “um processo decisório técnico e documentalmente suportado, com validação interna e externa”. Ainda segundo os Correios, a redução “não se configura como compensação indevida, mas como revisão legítima da estimativa contábil.”
Os argumentos dos Correios, porém, não convenceram os auditores da CGU. Os técnicos observam que a redução do passivo se deu na expectativa de vitória em um processo judicial que questiona a portaria do Ministério do Trabalho, que reduziria os valores pagos pela estatal a título de adicional de periculosidade.
“Embora a unidade afirme que essa tese foi acolhida pelo TST em decisão específica, o fato é que se trata de teses jurídicas pendentes de julgamento definitivo, cuja efetiva materialização depende do trânsito em julgado dessas ações, o que caracteriza incerteza relevante”, diz a auditoria. Conforme a CGU, os Correios classificaram a vitória na Justiça como “não contingenciável”, ou seja, seus efeitos não deveriam ser refletidos diretamente na mensuração de passivos ou ativos, na medida em que não há, até o momento, “geração de um recurso econômico presente, certo e controlável pela entidade”.
A CGU recomendou aos Correios ajustes nos registros contábeis e a reapresentação do balanço em relação às ações judiciais, considerando as normas contábeis vigentes. Além disso, será preciso revisar a memória de cálculo das compensações para demonstrar o saldo de cada empregado de forma individualizada, garantindo que os valores adotados na liquidação das obrigações e na compensação sejam correspondentes.