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Mostrando postagens com marcador ISSB. Mostrar todas as postagens
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19 setembro 2022

Limites do sistema terrestre (ESB) e a contabilidade

Os limites do sistema terrestre (ESB) está relacionado com a fronteira do planeta. A ideia é tentar encontrar até que ponto o homem pode continuar explorando a terra sem comprometer a sua existência. A mudança climática, por exemplo, pode prejudicar a agricultura e trazer fome. 

Um ponto óbvio, mas ainda sim interessante, deste limite é que a percepção é específica de cada pessoa. O mesmo é válido para cada empresa. Veja o gráfico abaixo:

Na parte de baixo, o acordo de Paris e a estimativa de redução anual de emissão. Quando uma pesquisa focou nas empresas com objetivos baseados em ciência, os valores são menos dispersos. Na parte do meio, o resultado para outras empresas. 

O texto citado fala sobre como parar as cidades e empresas que causam danos planetários. Ao final, os autores defendem "suporte ao monitoramento e prestação de contas":

Empresas e cidades usam uma variedade de plataformas e padrões para definir metas. A maioria não divulga o progresso. Muito trabalho necessita ser feito para apoiar o monitoramento e a prestação de contas. Nos recomendamos que iniciativas, como a do International Sustainability Standards Board engage cientistas multi disciplinares para assegurar que sua proposta de "padrões de divulgação relacionados à sustentabilidade" ligue explicitamente as cidades e as empresas com os ESBs. Sistemas de auditoria independentes também são necessários. 

Isto é bem interessante. Vocês já repararam que não existem cientistas de outras disciplinas no ISSB? 

13 setembro 2022

Criação do Comitê Consultivo de Sustentabilidade por parte da Fundação IFRS


A Fundação IFRS anunciou a criação de um comitê, chamado Comitê Consultivo de Sustentabilidade (SCC). A finalidade é "identificar, informar e aconselhar" o ISSB, o International Sustainability Standards Board, sobre quais as questões que são relevantes para a sustentabilidade. Parece que seria um órgão de aconselhamento.

O SCC terá quatro entidades permanentes: o Fundo Monetário Internacional, a OCDE, as Nações Unidas e o Banco Mundial. Duas destas entidades são tipicamente "financeiras" ou "bancárias". Além destas entidades, foram divulgados outros nomes, que não possuem assento permanente: CDP, TCFC, GSG, GRI, JSE (bolsa de Johannesburg), UNEP e WBCSD. (Veja que interessante, nenhum nome brasileiro.) (Tiveram uma preocupação com a diversidade de gênero, nomeado uma maioria de mulheres) 

A primeira reunião do SCC será agora, nesta semana. 

Entendo que além de ser uma entidade consultiva, o SCC irá garantir uma maior legitimidade as decisões do ISSB. Foi realmente uma decisão positiva da Fundação, uma vez que suas normas serão fatalmente questionadas. 

Foto: Avel Chuklanov

01 setembro 2022

Mais um vice nomeado para o ISSB, com ausência de equilíbrio geográfico

O ISSB, entidade criada pela Fundação IFRS, nomeou um segundo vice-chairman. Trata-se de Jingdong Hua, cujo currículo inclui uma passagem pelo Banco Mundial. Hua deve atuar em Montreal, onde o ISSB tem um escritório, muito embora a sede esteja em Frankfurt, Alemanha. Segundo alguns sites, Hua serviria de vínculo para as economias emergentes e em desenvolvimento (não são iguais?) e com as empresas de menor porte. A outra vice-presidente, Sue Lloyd, faria a supervisão dos trabalhos e a conexão entre o ISSB e o Iasb. 


Um ponto interessante referente a Jingdong Hua é que em nenhum dos sites divulgou sua nacionalidade. O comunicado para imprensa é omisso. Mesmo o site da IFRS, com as fotografias, permite abrir com a descrição, não sendo possível saber sua origem. Mas a Wikipedia tem esta informação: chinês, com estudos nos Estados Unidos. E sua ocupação é ... banqueiro. (vide aqui para uma visão diferente sobre o ISSB)

Isto é bem interessante, pois há um vínculo cada vez mais forte da China com os emergentes. Além disto, agrada aos banqueiros. Mas será suficiente para termos bons padrões? 

Outro aspecto importante é que o ISSB preencheu todas as cadeiras. Sem a presença brasileira. E vamos unir alguns pontos. Também no último dia agosto os três principais nomes da Fundação IFRS, o presidente dos curadores, do Iasb e do ISSB, estiveram na Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu.

As perguntas do encontro estavam voltadas para o ISSB e sua relação com a Comunidade Européia. A relação entre as normas já existentes na Comunidade e as normas que estão em processo de produção no ISSB foram discutidas. Foi afirmado que o ISSB irá respeitar a soberania da Comunidade e isto não é uma novidade, já que o ISSB é uma entidade do terceiro setor, sem autoridade de impor regras. Mas o ISSB entende que o alinhamento global é algo que vale a pena, mesmo existindo jurisdições com desenvolvimento mais avançado que o atual. 

Ainda sobre este encontro, o ISSB afirma que é "quase" equilibrado em termos de gênero (6 mulheres versus 8) e o IASB está no caminho. E o histórico das pessoas seria diverso. Gostei deste trecho:

Um aspecto adicional que a IFRS Foundation deve considerar é o equilíbrio geográfico. Nesse contexto, foi apontada a nomeação de hoje do segundo vice-presidente do ISSB, que terá uma responsabilidade especial pelas economias emergentes e pelo sul global. 

Traduzindo: para obter o equilíbrio geográfico vamos nomear uma pessoa que irá fazer a ligação com os excluídos. 

28 agosto 2022

ISSB completando seus assentos

 

As cadeiras do ISSB já possuem treze assentos ocupados, com a indicação de mais três membros recentemente. Parece que há uma preocupação com a presença de mulheres, já que seis já foram indicadas. O perfil parece ser do "executivo" que trabalhou nas empresas na área de sustentabilidade. A experiência pode contar aqui, mas talvez seja preciso escutar o que a ciência tem a dizer sobre o assunto. 

Alguns dos indicados só começarão a trabalhar no futuro. Como o Brasil tem sempre um boa presença nos órgãos consultivos - e o país tem um importância natural óbvia - parece faltar o membro brasileiro. 

25 agosto 2022

A Academia se opõe ao caminho escolhido pelo ISSB


Um texto da Accounting Today sobre a consulta pública realizada sobre o relatório de sustentabilidade da Fundação IFRS.

Quando os curadores da Fundação IFRS divulgaram seus Consultation Paper on Sustainability Reporting, a comunidade científica contábil respondeu com números incomumente altos. Isso reflete a falta de alinhamento das propostas [da Fundação] com a pesquisa acadêmica no campo.

Trinta e nove respostas à consulta vieram de 104 signatários acadêmicos em 74 organizações ou redes científicas e 20 países. A maioria (72%) desses 39 envios se opôs às propostas, e essa maioria contrária possui registros substanciais de pesquisa nos relatórios de sustentabilidade, em contraste com o grupo a favor. Mas mesmo entre os apoiadores, foram levantadas preocupações.

A pesquisa contábil convencional destacou a natureza política das práticas contábeis. A contabilidade não é simplesmente uma ferramenta técnica que fornece a resposta "correta", mas uma ferramenta à mercê dos poderosos, que pode ter conseqüências não intencionais. Quando se trata de relatórios de sustentabilidade, uma gama enorme de interpretações do que significa uma “perspectiva do investidor”, o que é financeiramente material e o período de tempo.

A própria Fundação IFRS não tem, a nosso conhecimento, informações deste ramo da academia de contabilidade. De fato, afirma [a Fundação] a importância da tomada de decisões com base em evidências, embora não tenha consultado acadêmicos ou se baseado em pesquisas ao desenvolver seu Documento. No entanto, alguns de seus apoiadores rotularam os acadêmicos nesse campo como extrema esquerda, rabugentos e mal-humorados.

Um grande ponto de discórdia entre os acadêmicos que se opunham foi o enquadramento conceitual - a conversa sobre materialidade financeira, fluxos de caixa e valor da empresa. (...) Um enquadramento conceitual que não atenda ao desenvolvimento sustentável e às fronteiras planetárias será interpretado como "negócios, como de costume".E isso terá um impacto negativo nos retornos de longo prazo. Isso incentivará a falta de responsabilidade pelos impactos de uma organização na consecução do desenvolvimento sustentável - isto é, em vez de ser reduzida, a lavagem verde florescerá. Os acadêmicos não questionaram a necessidade de requisitos obrigatórios de relatórios; longe disso, eles os pedem há décadas - mas para responsabilizar as empresas por seus impactos. A maioria das empresas sabe que seus stakeholders querem e entregam de qualquer maneira, mas sob um regime voluntário, a qualidade sofre.

Os acadêmicos questionaram a relevância global dos padrões de relatórios de sustentabilidade que adotam uma perspectiva de materialidade financeira.

Esse enquadramento conceitual da Fundação pode ser tolerado pela comunidade científica, não fosse a abordagem desdenhosa dos padrões da Global Reporting Initiative (GRI). Vinte e três das 39 submissões acadêmicas elogiaram o trabalho da GRI para a Fundação IFRS. Um memorando de entendimento (MOU) foi assinado pela IFRS Foundation e pela GRI, mas ainda não se sabe até que ponto ele irá abordar as preocupações da comunidade científica. É provável que a abordagem de várias partes interessadas da GRI não seja algo que a Fundação IFRS esteja confiante para replicar, dando o devido peso a, digamos, organizações da sociedade civil.

Apenas cinco das 39 respostas concordaram com a primeira abordagem climática, com 26 argumentando por uma cobertura mais ampla, principalmente porque enfraqueceria ainda mais a responsabilidade por uma ampla gama de impactos corporativos.

Outras críticas às propostas da IFRSfeitas por acadêmicos e informadas por evidências incluíram:

= > A suposição de que a IFRS possui a melhor estrutura de governança sem analisar o que mais existe ou o que é apropriado para os relatórios de sustentabilidade;

= > A IFRS Foundation carece de legitimidade para estabelecer padrões de relatórios de sustentabilidade e o que está sendo proposto não é um relatório de sustentabilidade;

= > A IFRS Foundation não possui os conhecimentos técnicos necessários;

= > As propostas não são compatíveis com os compromissos assumidos pelos governos nacionais em relação às mudanças climáticas e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas ;

= > As propostas não são de interesse público mais amplo; e,

= > A falta de evidências que apóiam as propostas e o corpo de evidências indicando que elas não terão as conseqüências desejadas. (...)

Concluímos que a voz acadêmica oposta em relação às propostas dos curadores da IFRS Foundation sobre relatórios de sustentabilidade era credível e apoiada por evidências de pesquisa. No entanto, isso não foi levado em consideração. Assim como o documento de consulta dos curadores da IFRS Foundation não forneceu análises ou evidências para apoiar suas propostas, em grande parte, nem as submissões acadêmicas que os apoiavam.

Carol Adams - Professora de Contabilidade, Durham University Business School; Frank Mueller - Professor De Prestação De Contas, Organizações E Estratégia, Durham University

Foto imagem aqui

19 agosto 2022

Consulta pública ISSB trouxe um problema: muito feedback


Do site do CFC:

O International Sustainability Standards Board (ISSB, na sigla em inglês) recebeu mais de 1.300 comentários referentes às suas duas minutas de exposição referentes às normas de divulgação de sustentabilidade propostas. A minuta de Divulgação de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade (IFRS S1) obteve 700 apontamentos e a minuta de Divulgação Relacionada ao Clima (IFRS S2) recebeu aproximadamente 600 respostas.

Para que o padrão tenha legitimidade, os comentários devem ser analisados com cuidado. Mas será possível fazer isto sem atrasar muito o prazo? Creio que o ISSB deverá fazer uma opção: fazer uma triagem prévia pode ser uma opção, mas não é adequado. 

Foto: K8

09 agosto 2022

Uma visão diferente do ISSB


Eis uma visão diferente sobre o esforço de construir relatórios de contabilidade que contemplem o meio ambiente, a governança e as questões sociais. Selecionei alguns trechos e mantive os links do artigo original. Tradução do navegador Vivaldi.

Destruir o capitalismo de livre mercado em favor de um novo modelo de "participação", no qual as elites globais detêm todo o poder tem sido seu objetivo há anos. Um único sistema ESG os aproxima muito desse objetivo e será significativamente mais eficaz em corroer a soberania nacional, contornar os processos democráticos, coagindo as empresas a cumprir. e finalmente restringindo a escolha individual. No início da sessão, a presidente da Bolsa de Hong Kong, Laura Cha, foi direto ao ponto. Ela revelou: "Para que as divulgações [ESG] sejam significativas, precisamos ter um padrão harmonizado. ... Seria muito bom em termos do trabalho que o ISSB [International Sustainability Standards Board] está realizando para promover algumas medidas globais padronizadas." (...)

Ele [Emmanuel Faber, presidente do ISSB] havia declarado anteriormente: "Não podemos permanecer nos níveis de taxonomia de nenhuma jurisdição. Porque eles estão ligados a um certo consenso político e podem estar mudando amanhã. Então, se você olhar para o longo prazo, você precisa ir mais fundo do que as taxonomias.”

Lendo nas entrelinhas Faber parece estar dizendo que pretende institucionalizar um sistema de cima para baixo que se infiltrará em todas as fronteiras nacionais e será impermeável à tomada de decisões políticas, o que tornaria impotente a idéia de democracia [grifo no original]. (...)

Primeiro, a crescente aliança entre grandes governos e grandes empresas - com uma pequena ajuda da mídia - carrega conotações fascistas substanciais[grifo no original].

Segundo, o consumidor que você refere não tem escolha livre, Alan [Jope, CEO da Unilever, que ameaçou os fornecedores da empresa]. O que você espera fazer é semelhante a tirar um candidato popular de uma votação eleitoral - como acontece em autocracias eleitorais como a Rússia - e forçar as pessoas a escolher entre opções limitadas que dificilmente serão sua preferência.

Há uma razão para existir um mercado natural para esses produtos; há demanda do consumidor, que por sua vez é atendida pelos produtores. Essas pessoas estão tentando alterar fundamentalmente a demanda alterando as preferências do consumidor, enquanto altera fundamentalmente a oferta destruindo produtores que não se juntam à sua equipe.

Faber enquadra esses esforços como "Não vamos dizer o que é bom ou o que é ruim. Estamos apenas fornecendo as informações para as pessoas tomarem decisões."

Simplificando, isso é mentira.[grifo no original]

Como foi claramente afirmado pelos membros deste painel do WEF, o que essas elites estão realmente fazendo é afastar o investimento de empresas que não se alinham à sua visão para o mundo, e rompendo relacionamentos com empresas—causando uma redução lenta na escolha para o resto do mercado—que não embarca.

Não se trata de informações; é sobre controle e poder.

04 julho 2022

ONU e Sustentabilidade


Algumas organizações subordinadas à ONU soltaram um comunicado sobre os esforços do ISSB relacionados com a evidenciação convergida sobre a sustentabilidade. O comunicado expressa uma preocupação com o futuro do assunto e uma possível "perdade de oportunidade" pelo escopo escolhido por parte dos padrões que serão emitidos pelo ISSB:

(i) a narrow interpretation of enterprise value (and the factors that affect it) would mean that ISSB standards could leave out important sustainability risks and opportunities; and

(ii) the ISSB standards could result in selective disclosure by reporting companies.

O texto usa o termo "holístico", o que me gera uma certa desconfiança. (Não gosto da forma como se usa o termo, e o documento parece estar na mesma direção. Mas isto é um opinião pessoal): 

 While the financial materiality of some sustainability issues might not be immediately visible, multiple recent events have shown how quickly and unpredictably things can shift and how interlinked our societies and economies are (e.g., covid-19, ‘me too’ movement, war in Ukraine, climate-related disasters).

Ou seja, juntaram guerra na Ucrânia com covid-19 e movimento "Me too". O documento também alerta para a evidenciação seletiva, incluindo o fato de que empresas do mesmo setor podem relatar diferentes tópicos se a materialidade for diferente. Realmente esta crítica parece ser estranha e confesso que não consigo entender.

Foto: marianne bos

ISSB e GRI


Do site IASplus, da Deloitte: 

Em março de 2022, o International Sustainability Standards Board (ISSB) e a Global Reporting Initiative (GRI) anunciaram um Memorando de Entendimento que visa coordenar os programas de trabalho e as atividades de definição de padrões das duas organizações. Ideias mais detalhadas de como isso poderia ser alcançado foram publicadas.

Essas ideias são o resultado de uma primeira reunião de representantes técnicos de ambas as organizações, onde foram discutidas atividades que poderiam fornecer os esclarecimentos e o alinhamento necessários. Entre as iniciativas discutidas estavam: Um cronograma acordado de reuniões e roteiro para promover aspectos técnicos da colaboração; um exercício de mapeamento para estabelecer esses requisitos na literatura de ambas as organizações equivalentes; o desenvolvimento de uma metodologia para fazer referência cruzada entre as respectivas orientações; um exame de prioridades futuras; e o desenvolvimento de uma articulação completa das maneiras pelas quais os respectivos padrões são complementares ou divergem.

Foto: Clay Banks

04 abril 2022

ISSB trabalhando


Ao contrário do que esperava, o ISSB não esperou sua composição estar definida para começar a trabalhar. Na semana passada, a entidade criada recentemente publicou o primeiro "conjunto de diretrizes globais". O International Sustainability Standards Board (ISSB) foi constituído em novembro, como um braço da Fundação IFRS. Em janeiro e fevereiro foram anunciados os nomes para comandar a entidade, mas as pessoas que irão produzir os documentos seriam selecionadas até meados do ano.

Mas parece existir uma urgência neste assunto. A SEC já divulgou alguma coisa há algumas semanas. O EFRAG tem divulgado um grande conjunto de documentos. O CEO do ISSB considera que a divulgação atende a um alinhamento entre diferentes interessados:

“Raramente governos, formuladores de políticas e o setor privado se alinham atrás de uma causa comum. No entanto, todos concordam com a importância de informações de sustentabilidade comparáveis globalmente e de alta qualidade para o mercado de capitais ”, disse Emmanuel Faber, CEO da ISSB, em comunicado preparado. “Essas propostas definem quais informações divulgar, onde e como divulgá-las."

São duas minutas. A primeira, estabelece os requisitos gerais de divulgação. O segundo detalha "requisitos específicos de divulgação relacionados ao clima e é dividido no escopo 1 (emissões diretas de dióxido de carbono de uma empresa em toneladas), no escopo 2 (emissões indiretas da energia que comprou) e no escopo 3 (todas as outras emissões indiretas, como de fornecedores)".

Haverá um prazo para comentários do público, até 29 de julho. A partir daí, o ISSB emitirá um documento final. O IOSCO, a entidade que reune as Comissões de Valores Mobiliários, reagiu de forma favorável. Isto pode significar que a norma tem potencial para ser adotada no Brasil.

O curto prazo de tempo entre a constituição do ISSB e a divulgação do documento tem uma explicação: os rascunhos se baseiam na " Financial Stability Board’s Task Force on Climate-Related Financial Disclosures (TCFD) e incorporam requisitos de divulgação baseados no setor derivados de padrões desenvolvidos pela Sustainability Accounting Standards Board". No site do CFC há a informação que a norma deve ser emitida até o final do ano.

No site da Deloitte há um bom resumo dos documentos.

28 março 2022

ISSB + GRI

 

A IFRS Foundation e a Global Reporting Initiative (GRI) assinaram um acordo de colaboração sobre os padrões de sustentabilidade. Em termos práticos, poderá existir programas de trabalho e padrões conjuntos entre o International Sustainability Standards Board (ISSB), o braço de trabalho da IFRS para o assunto e o Global sustainability Standards Board (GSSB).

Se por um lado a IFRS tem como foco o mercado de capitais e o investidor, através de padrões relacionados com as demonstrações contábeis, o GRI procura atender um público mais amplo. Assim, haveria uma complementação no trabalho dos reguladores, o que pode ajudar na redução – ou no aumento, sendo mais cínico – no volume de relatórios para as empresas.

Em 2020 havia um grande número de entidades que se propunham emitir normas para os relatórios de sustentabilidade. A demanda por um sociedade mais preocupada com a questão ambiental, de governança e social – denominada de ESG - foi captada pela IFRS Foundation como uma oportunidade de ocupara um espaço precioso entre as empresas. Em 2021 a Fundação construiu um projeto onde seria possível também lidar com a emissão de padrões, através de uma entidade, a ISSB, oportunisticamente lançada durante o encontro de Glasgow, no final do ano. No lançamento, a ISSB já anunciou que pelo menos três entidades fariam parte do novo comitê.

Enquanto o ISSB juntava forças com outras entidades previamente estabelecidas, era necessário mostrar serviço e, ao mesmo tempo, legitimar com a principal entidade para emissão de normas na área ESG. Enquanto a Europa continua seu trabalho de normatização, através do EFRAG, e os Estados Unidos anunciam um plano para área, via sua Comissão de Valores Mobiliários (SEC), o acrodo pode ajudar na legitimação. Um outra medida, que envolve apressar a divulgação de novas normas, também está sendo utilizada pela ISSB (vide postagem a seguir).

Ao mesmo tempo, as denúncias de manipulação das informações ambientais – denominada de “lavagem verde” – trouxe a preocupação de alguns investidores. Aliado a isto, a Organização Internacional de Comissões de Valores Mobiliários (IOSCO), entre outras, está buscando o alinhamento dos padrões.

É bom lembrar que o propósito de uma entidade como a IFRS Foundation é a emissão de normas. E estas medidas são coerentes com esta finalidade. Pode não ser a melhor finalidade para o usuário. 

 Foto: Aaron Burden

(Repararam a sopa de letrinhas na postagem? É isto...)

Apressem as normas


Uma norma, antes de ser publicada, geralmente segue um certo ritual. Para que a norma seja legitimada é necessário que seja debatida pelo público, especialmente àqueles que serão afetados pela regra. Isto inclui um período de debate, com possibilidade de até retornar para prancheta caso a norma não agrade. Isto já ocorreu antes, por exemplo, com a norma de leasing (aqui).

Já comentamos aqui que a Fundação IFRS criou um braço somente para normatizar a área de sustentabilidade. Isto foi anunciado em novembro. Em janeiro foi escolhido o comandante para nova entidade. E o quadro deve ser completado até meados do ano. Mas enquanto isto outros atores estão se movimentando. A SEC mudou sua atitude de ser contrária ao assunto recentemente. E o EFRAG está produzindo documentos a pleno vapor. 

Na tentativa de não ficar atrás, o Comitê de Supervisão do Processo (DPOC) confirmou que é válido o presidente e o vice do ISSB divulgarem rascunhos de exposição. Segundo o IasPlus "a definição de padrões nessas áreas é percebida como urgente e, embora o processo de nomeação de membros do ISSB tenha começado, ainda pode demorar um pouco até que o ISSB tenha quorum". 

Veja como é um caso de "concorrência" na área de emissão. O próprio IasPlus indica isto ao afirma que "como várias jurisdições pretendem expor seus próprios requisitos específicos juridicionais nos próprios meses (por exemplo, União Européia e os Estados Unidos", a divulgação do rascunho seria interessante. 

Foto: John Cameron

04 março 2022

Mais um passo para colocar o ISSB em funcionamento


A International Financial Reporting Standards Foundation está se aproximando do estabelecimento de um Conselho Internacional de Padrões de Sustentabilidade, assinando um memorando de entendimento na quarta-feira para estabelecer um escritório do ISSB em Frankfurt, Alemanha [foto].

Os curadores da IFRS Foundation assinaram o Memorando de Entendimento com instituições do setor público e privado alemão para formalizar parcerias e acordos de financiamento para o novo conselho, que reunirá alguns dos normatizadores existentes na área ambiente, social e governança (ESG) para concordar com um conjunto comum de padrões.

Fonte: aqui. Imagem Reddy

25 fevereiro 2022

Longo caminho para ESG/DEI


James Peterson, sobre a nova entidade de regulação ISSB, indica questões que devem ser exploradas e são, realmente, relevantes:

a – os relatórios ESG e DEI (diversidade, equidade e inclusão) devem ser obrigatórios ou voluntários – bom, a rigor, nenhum relatório da Fundação IFRS é obrigatório, pois trata-se de uma entidade do terceiro setor, sem o poder de tornar compulsória um pronunciamento. Entretanto, a entidade poderia recomendar a adoção e isto ser considerado algo obrigatório por uma entidade governamental, como uma agência pública

b – Deveria haver garantia de especialista, se sim, por quem? - este é um ponto que podemos confundir “especialista” com uma profissão específica. O espectro dos relatórios são tão amplos que seria difícil restringir. Além disto, a ISSB – assim como o Iasb – não é uma entidade profissional, como o IFAC

c – Qual a melhor forma de medir a não conformidade? - bom …

d – Quem dever ser responsável e com que sanções? - imagino que se refere a qual área da empresa, mas será possível antever sanções?

Além destas, o que se qualifica como padrão? E qual a chance que existe para que os padrões sejam coerentes, comparáveis e credíveis?

Ele parece bem cético sobre o assunto...

Foto: Rouichi

23 fevereiro 2022

Desafios do ISSB


Sobre os padrões de sustentabilidade, um texto expõe alguns dos desafios do ISSB:

(...) Apesar de seu otimismo geral, Watson [da KPMG] ressalta que um desafio crítico surge na forma de garantir a comparabilidade global.

"Há muito a sugerir que isso será impactante - ele [ISSB] tem o apoio da IOSCO e muitos países estão por trás disso - mas é preciso que os países realmente a adotem", diz ela.

Enquanto o Reino Unido diz planeja usar os padrões ISSB quando estiverem disponíveis, esse pode não ser o caso em outras jurisdições.

Por exemplo, os reguladores dos EUA relutaram notoriamente em adotar padrões globais de relatórios no passado, e continua a especulação sobre se as próximas propostas estarão alinhadas com o ISSB

A Comissão Europeia está atualmente avançando na produção de seu próprio conjunto de padrões. Atualmente, o trabalho está sendo realizado pelo Grupo Consultivo Europeu para Relatórios Financeiros (EFRAG), de acordo com um mandato de 2020.

(...) Por outro lado, o ISSB está focado em atender às necessidades de informações dos investidores e, portanto, adota uma abordagem que seria mais semelhante à "materialidade única". Em outras palavras, procurará medir apenas a importância financeira.

"Nada é uma bala de prata que vai consertar tudo", diz Watson, dando um certo grau de reserva sobre os recentes desenvolvimentos do IFRS.

(...) "É tudo diplomacia daqui em diante. Quanto maior o número de empresas que adotam os padrões ISSB, maior a pressão dos mercados para ser comparável a eles."[Watson, da KPMG]

10 fevereiro 2022

Resista à cultura de esclarecimentos


Sempre achei estranho uma entidade emitir uma norma e logo a seguir soltar um documento esclarecendo o que escreveu. Se isto estava ocorrendo a razão era simples: a norma não estava bem escrita. Os últimos anos isto tornou-se uma praga. Achei alguém que pensa da mesma forma:

A SEC e o FASB passam muito tempo "esclarecendo" seus padrões anteriores. Esses esclarecimentos geralmente são procurados por empresas com grandes orçamentos de conformidade. Os esclarecimentos acabam criando uma cultura de atendimento a esses "clientes". É melhor que auditores e executivos exerçam julgamento profissional para aplicar os padrões ao seu conjunto único de circunstâncias. 

Mais ainda:

regras complexas criam seus próprios incentivos perversos: privam o investidor não técnico e desinformado e criam uma porta giratória entre montadores ou reguladores e empresas de consultoria. 

Já postamos que normas são negócios, que há um problema na regulação contábil, entre outros pontos. O ISSB poderia aprender com os erros do passado e começar uma nova era na normatização contábil. 

02 fevereiro 2022

Fortalecendo o ISSB


Em meados do ano passado, a Fundação IFRS anunciou que estava interessada em criar uma entidade que pudesse trabalhar, de forma exclusiva, com a questão da sustentabilidade. A oficialização desta entidade aconteceu durante o encontro ocorrido em novembro, na Escócia, quando foi anunciada a criação da ISSB. 

Um dos pontos sobre o processo de criação é que a nova entidade parecia ser mais uma, dentre as dezenas existentes, que trabalham com a regulação de evidenciação na área ambiental, social e de governança. Assim, um dos desafios era a legitimação da entidade e, por consequência, do seu trabalho. A nova entidade conseguiu resolver em parte este problema: duas entidades prometeram se juntar ao trabalho da ISSB. A primeira entidade é a Value Reporting Foundation, cuja associação está marcada para meados de 2022. A segunda entidade é a Climate Disclosures Statements Board (CDSB), menos conhecida, mas que oficializou o matrimônio com a ISSB agora. Uma das vantagens para o ISSB é que a entidade pode usar o trabalho já realizado pelo CDSB e VRF, enquanto não produz suas próprias normas. Previsto para começar a funcionar na metade do ano, a produção de normas para áreas tão complexas pode demorar um pouco. 

Somente no final do ano é que o Chairman foi escolhido. Em janeiro, a vice também foi anunciada e neste mês, fevereiro, começam as entrevistas para preencher as cadeiras que faltam. 

Foto: Sandy Millar

Climate Disclosure Standards Board (CDSB)

27 janeiro 2022

Novos membros do ISSB

Após a nomeação do chairman do ISSB, o francês Emmanuel Faber, a Fundação IFRS anunciou a nomeação de Sue Lloyd (foto) para ocupar o cargo de vice-presidente na nova entidade. 

Lloyd é uma figura muito conhecida na área contábil, atuando na Fundação desde 2014. Atualmente é vice-presidente do Iasb e presidente do comitê de interpretações. Além dela, a Fundação anunciou Janine Guillot como assessora especial da presidência da ISSB. Guillot é originária da VRF, uma entidade que atua na área de sustentabilidade e que será absolvida pela ISSB. 

O mandato de Lloyd será de quatro anos. Naturalmente que ainda faltam os demais membros 

11 janeiro 2022

Recrutamento do ISSB


O ISSB - entidade criada dentro da Fundação IFRS para cuidar da questão ambiental - promoveu um anúncio de recrutamento de novos membros. Isto ocorre logo após a decisão de escolher Emmanuel Faber, no final de 2021, como seu presidente, e perto da escolha do vice-presidente da entidade, que poderá ser mais de um. 

O mandato dos membros terá a duração de cinco anos, renovável por mais três anos, para um trabalho integral ou de meio período. Haverá um período de entrevista em fevereiro e talvez a primeira reunião seja no segundo trimestre de 2022. A sede da entidade é em Frankfurt. 

No comunicado não consta o salário que cada membro irá receber.

27 dezembro 2021

"Batalha" dos padrões de sustentabilidade ainda não está decidida


Segundo Howard Davies ainda existe uma batalha na definição dos padrões relacionados com a sustentabilidade. Apesar dos esforços do Iasb, os Estados Unidos ainda não adotaram, efetivamente, os padrões contábeis internacionais e parece improvável que isto ocorra no futuro próximo. Há oposição interna dos profissionais contábeis e provavelmente no congresso. 

Mas mesmo na Europa, a criação do ISSB não implica em apoio incondicional. Segundo Davies:

Também há hesitação do outro lado do Atlântico, onde a Comissão Europeia tem trabalhado em sua própria taxonomia de ativos verdes. 

Logo após o anúncio do ISSB no encontro de Glasgow, a COP26, o diretor de serviços financeiros da Comissão, John Berrigan, continuou a discussão da taxonomia sem mencionar o ISSB. 

Foto: Gios