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03 março 2026

Catástrofe do seguro


Com as mudanças climáticas recentes, um grande número de regiões estão se tornando inseguráveis pelo setor privado:  

As seguradoras sobrevivem ganhando mais dinheiro ao cobrir riscos do que perdem com esses mesmos riscos. Por isso, preferem clientes menos propensos a acionar o seguro (na medida em que conseguem prever o risco envolvido) e exigem franquias elevadas para desencorajar pedidos de indenização. Quando os pagamentos superam o valor arrecadado em prêmios, as seguradoras aumentam esses prêmios ou se retiram do mercado. Porém, quando o risco é considerado catastrófico — podendo afetar dezenas de milhares de clientes, como nos casos das tempestades na Flórida ou dos incêndios na Califórnia — são as resseguradoras que recuam primeiro, pois acabarão arcando com a maior parte dos custos.

As resseguradoras agregam padrões de sinistros para estimar a probabilidade de terem que realizar pagamentos massivos decorrentes de futuras catástrofes naturais. Fazem isso reunindo dados de exposição das seguradoras que atuam em determinada área geográfica e analisando modelos de catástrofe (simulações computacionais que estimam perdas potenciais causadas por desastres naturais). Ao combinar essas informações com uma análise detalhada das condições locais, chegam a uma estimativa de sua perda total potencial caso um evento catastrófico ocorra.

Os furacões, as inundações e os incêndios estão aumentando em frequência e intensidade, seguradoras e resseguradoras estão se retirando de áreas de alto risco, reduzindo crédito imobiliário e depreciando valores de propriedade. Este processo pode levar ao abandono de territórios inteiros. 

Para contabilidade, essa nova realidade requer uma atenção, seja nas notas explicativas, informando claramente aonde a empresa não conseguiu uma cobertura de seguro, ou até mesmo na constituição de passivos.  

Esta é uma razão para o crescente interesse das instituições financeiras, e dos bancos centrais, na questão ambiental. Mas, ao contrário do que defendem alguns, não sei se a regulamentação pode ajudar aqui.  

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