Translate

31 março 2026

Fundação IFRS: Fit mesmo?

A publicação das demonstrações financeiras de 2025 da Fundação IFRS traz, à primeira vista, números que inspiram confiança. O superávit de £1,5 milhão e a robusta posição de caixa de £43,6 milhões parece indicar uma instituição financeiramente saudável. Mais do que isso: o relatório foi produzido sob o pressuposto da continuidade operacional (going concern), endossado sem ressalvas pelo parecer dos auditores independentes. O tom da gestão é de otimismo, celebrando as conquistas.

Contudo, o otimismo de curto prazo não deve ocultar os desafios de médio e longo prazo. Recentemente, autoridades reguladoras nos EUA insinuaram que a questão financeira da Fundação — e especificamente do seu braço de sustentabilidade, o ISSB — exige atenção.

É preciso contextualizar aqui: o ISSB nasceu sob um modelo de seed funding (financiamento semente), garantido por doadores e jurisdições para os primeiros anos de operação. Esse financiamento está chegando ao fim. Embora o relatório destaque a conquista de novas promessas, sendo "prudente", como gosta de escrever a Fundação, podemos afirmar que isso não garante o futuro do projeto ISSB.

O ISSB precisa provar que pode ser sustentável quanto o IASB. Até agora, o conselho oriundo da COP entregou duas normas principais (IFRS S1 e S2). Embora o relatório aponte trabalhos em andamento, a produção normativa — que gera receita por meio de licenciamento de dados e publicações — ainda é tímida se comparada ao IASB.

A "vibe" da sustentabilidade, que impulsionou o mercado há poucos anos, enfrenta hoje resistência. Isso expõe uma vulnerabilidade que sempre esteve presente no orçamento da Fundação: a alta concentração de doadores. Enquanto a Europa continua sendo o aliado de peso, parceiros como China e Japão mantêm uma amizade cordial, porém cautelosa, e os EUA preservam uma distância respeitosa que impede uma adesão financeira em larga escala. Os outros países, como o Brasil, são, sem qualquer pudor, "caronas" do esforço realizado pela Fundação.

Há o problema da rigidez das despesas. Apesar dos cortes recentes que reduziram o quadro para 321 funcionários, a Fundação quase dobrou de tamanho nos últimos anos para acomodar a nova estrutura e em diferentes lugares. Grande parte dessas despesas é fixa, composta por salários de alto nível da cúpula e especialistas técnicos.

Sem um novo aliado de peso ou uma adesão global massiva que transforme o ISSB em uma máquina de receita recorrente, a Fundação IFRS terá que equilibrar uma estrutura de custos pesada com um financiamento que ainda depende da boa vontade de poucos. A continuidade imediata está garantida; a sustentabilidade do modelo, no entanto, permanece em questão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário