Pedi para a IA fazer um resumo do texto do Pluralistic, e o resultado pareceu quase uma vingança contra o que Doctorow disse sobre o assunto — e contra o fato de que tantas pessoas lhe enviam produções do Chat.
A comparação é bastante divertida: ninguém gosta de ouvir o sonho dos outros. Textos que recebemos produzidos por uma IA são um pouco isso.
No diálogo entre alguém que escreveu algo e alguém que discorda, mas não entende suficientemente para rebater, a única pessoa qualificada para avaliar a resposta do chatbot é o autor original — ou seja, o estranho para quem você acabou de enviar a transcrição do chat.
Enviar a um desconhecido um bloco de texto de IA não verificado não é uma forma de diálogo — é uma tentativa de coagir um estranho a realizar trabalho não remunerado em seu nome. Desconhecidos não são seu “humano no circuito”, cujo tempo valioso estaria disponível para revisar cuidadosamente, de graça, as frases plausíveis que um chatbot produziu para você.
Acredito que a IA é muito boa para traduzir rapidamente um texto em língua inglesa (italiana, francesa, espanhola...) e fará isso de forma mais rápida e melhor do que eu conseguiria. Ao contrário de Doctorow, não tenho aversão ao texto produzido por IA. Mas, de fato, é estranho ficar lendo textos com “cara de IA”, feitos por IA e que qualquer pessoa poderia gerar na sua própria ferramenta.
Estamos aprendendo a lidar com tudo isso. Mas certamente não será lendo os sonhos dos outros. O blog usa IA? Sim — na tradução ou na produção de imagens. Os textos são destacados como tal. O trecho acima, em itálico, foi traduzido por uma IA. Também usamos a ferramenta para alguma ideia pontual. Fora isso, é o ser humano aqui falando.

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