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02 dezembro 2022

EY irá pagar uma multa de US$ 100 milhões por trapaça no exame profissional

Quando a notícia surgiu, o primeiro pensamento era: não é possível que uma empresa deste porte, que tem o nome como seu principal ativo, tenha feito esta besteira. Foi o que ocorreu com a Ernst Young, onde alguns dos auditores trapacearam nos exames de certificação profissional.  A empresa admitiu a culpa e concordou em pagar à SEC, a entidade reguladora do mercado de capitais, uma elevada multa. 



Além disto, a EY deve adotar medidas corretivas. Segundo a investigação da SEC, foram 49 profissionais que obtiveram ou distribuíram gabaritos do exame de CPA. O valor da multa: 100 milhões de dólares. 

Foto: Nguyen Dang Hoang Nhu

CVM deseja regular cripomoedas

Conforme divulgamos, nesta semana tivemos a aprovação de normatização sobre as criptomoedas. O projeto ainda aguarda a assinatura do presidente de república. 

Na quarta, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgou que pode ser a entidade responsável pela regulação das criptomoedas. O projeto aprovado não determina a responsabilidade pelo assunto e no Brasil, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, a entidade saiu na frente. 

O projeto de lei 4401/2021 aprovado esta semana traz em em seu artigo 1º uma disposição que retira da alçada da CVM a atribuição de regular quaisquer criptoativos ao postular que “o disposto nesta lei não se aplica aos ativos representativos de valores mobiliários sujeitos ao regime da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e não altera nenhuma competência da Comissão de Valores Mobiliários."


O teor da nota divulgada deixa subentendido que o órgão pode sugerir ao presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) que vete o referido artigo. Nesse caso, caberia à CVM assumir a responsabilidade pela regulação dos criptoativos qualificados como valores mobiliários e ao Banco Central àqueles que possam ser enquadrados como commodities:

"A CVM está atenta à sua zona de competência e, nos limites do Mercado de Capitais, quando cabível, trabalhará em uma regulação adequada e não invasiva do assunto, com o objetivo de garantir maior previsibilidade e segurança, a fim de fomentar ambiente favorável ao desenvolvimento dos criptoativos, com integridade e com aderência a princípios constitucionais e legais relevantes."

Foto: Guillermo Latorre

Isabel dos Santos é caçada pela Interpol

A empresário angolana Isabel dos Santos já esteve em várias postagens aqui no blog. Nascida em 1973, a filha do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, chegou a ser listada como a mulher africana mais rica do mundo. Seu pai foi presidente durante longos anos, entre 1979 a 2017 e isto certamente ajudou em obter uma fortuna acima de 2 bilhões de dólares. 

Mas desde que seu pai perdeu o poder - recentemente faleceu - a empresária também começou a ter dificuldades em manter sua riqueza. Em janeiro de 2021 sua riqueza em Angola, Portugal e Holanda foram confiscadas. 

O governo de Angola tenta cercar Isabel dos Santos, sob acusação de corrupção. Atualmente a empresária deve estar residindo nos Emirados Árabes Unidos. Não sabemos ao certo, já que a há uma solicitação de prisão e a Interpol confirmou na quarta que estaria buscando sua captura. Na verdade, tecnicamente, a Interpol emitiu um aviso vermelho, o que não corresponde a um mandado de prisão, mas a uma aplicação da lei em todo o mundo para" localizar e prender provisoriamente uma pessoa pendente de extradição, rendição ou ação legal semelhante”. Entre os crimes temos peculato, fraude, tráfico de influência e branqueamento de capitais.

A empresária defende das acusações, mas é difícil imaginar que seja inocente. Este é um daqueles casos onde uma pessoa toma conta de recursos que deveriam ser da sociedade por ter ligações políticas com os poderosos. 

Sobre o papel da revisão de livros

Sobre o papel da revisão de livros ao longo do tempo: 

estudei vários milhares de resenhas de livros do século XX.  (...) Os resultados da minha pesquisa, cobrindo o período entre 1900 e 1940, foram publicados recentemente; outro artigo próximo (em co-autoria com Kim Hajek e Herman Paul) abordará o período pós-guerra. Ambos os artigos sublinham que o valor e o impacto da revisão acadêmica de livros foram muito maiores do que se costuma perceber: as resenhas de livros realmente tiveram um papel importante na formação do conhecimento, comunicação e avaliação, não apenas nas ciências sociais, mas também nas ciências humanas e até nas ciências naturais, muito menos orientadas para livros. As revisões de livros também foram de vital importância nos processos sociais de guardião disciplinar e construção de comunidades, bem como na avaliação pessoal dos pesquisadores. Os revisores de livros não apenas articularam o tipo de conhecimento que estava sendo valorizado em sua disciplina; eles também deixaram claro que tipo de pessoas consideravam capazes de obter esse conhecimento.



Esse foco no pessoal era visível em todo o espectro acadêmico. Por exemplo, historiadores americanos do início do século XX e físicos consideraram as qualidades pessoais dos autores dos livros uma questão relevante. Ao revisar livros, eles aplicaram categorias como "paciência", "honestidade" e "objetividade" como normas para avaliar pessoalmente os autores. Eles elogiavam alguns autores - especialmente colegas do sexo masculino - por exibirem essas qualidades, enquanto cobravam outros - especialmente pesquisadores do sexo feminino e estrangeiro, além de não acadêmicos - por mostrar a falta deles.  (...)

Como leitor, sempre considero a revisão um ponto importante na decisão de compra de um livro. Dos três últimos que acabei de comprar, dois deles foram frutos de comentários em artigos que li ou de revisão de livro. 

No passado, as editoras encaminhavam exemplares para revisores famosos, na esperança que dedicassem algumas linhas de comentário sobre o assunto. 

Pintura: Georges Lemmen, Retrato de Jan Toorop (domínio público)

Finanças pessoais: divórcio de celebridades

O divórcio do rapper Kanye West com a empresária Kim Kardashian chegou ao fim nesta semana. Por determinação do Tribunal Superior de Los Angeles, nos Estados Unidos, o músico deverá pagar uma pensão alimentícia de US$ 200 mil, cerca de R$ 1 milhão, para pagar as despesas dos quatro filhos do casal.

Em comum acordo, West e Kardashian vão manter a custódia conjunta de seus quatro filhos e vão dividir igualmente o custo da escola particular, da educação universitária e as despesas com segurança privada.

Em relação aos bens do casal, ficou decidido que todas as propriedades serão divididas com base no acordo pré-nupcial assinado na época da união.

Fortuna de U$ 2,1 bilhões

O divórcio do casal começou no início de 2021, depois de sete anos de casamento. Na época, o casal tinha uma fortuna acumulada em U$ 2,1 bilhões, cerca de R$10,5 bilhões.

Kanye West era o mais rico dos dois, com um patrimônio líquido de US$ 1,3 bilhão, enquanto Kardashian tinha um patrimônio líquido de US$ 780 milhões.


Desde então, ambos viram suas fortunas mudarem dramaticamente.

Com a KKW Beauty e a empresa de modeladores Skims, Kim Kardashian se tornou bilionária em abril de 2021. De acordo com a Forbes, seu patrimônio líquido atual é de US $ 1,8 bilhão.

Kanye West, que se envolveu em várias controvérsias nos últimos meses, perdeu seu status de bilionário no mês passado, depois que a gigante de roupas esportivas Adidas cortou relações com o rapper. O patrimônio líquido atual de West é de US$ 400 milhões.

Em fevereiro do ano passado, West e Kardashian detinham US$ 70 milhões em ativos conjuntos, incluindo várias casas, obras de arte, veículos, joias e até gado. O status desses ativos não é claro.

Fonte: Exame. Foto: Jens Lelie

01 dezembro 2022

Valor não evidenciado das empresas reduziu no último ano

 

Os dados são de um relatório da Brand Finance. Os valores estão em dólares trilhões e na área cinza está o valor não evidenciado pela contabilidade. Ou seja, reduziu a diferença entre o ativo contábil e o valor da empresa.

(É importante salientar que este é um cálculo da empresa Brand, fortemente baseado no valor de mercado das empresas) 

O gráfico a seguir fica mais claro o valor do intangível no tempo:


Entretanto, a discrepância pode variar conforme o setor. Empresas de tecnologia, por exemplo, possuem um grande valor do intangível que não aparece na contabilidade. 

O gráfico com a participação por países é interessante por trazer o Brasil na parte inferior. É possível perceber que o intangível das nossas empresas não é tão substancial. Provavelmente, culpa do nosso mercado acionário. E não há nenhuma empresa brasileira entre as 100 maiores do mundo




Fintechs ajuda na redução da taxa de juros

A palavra mais relevante é "concorrência": 


Usando dados de praticamente todos os empréstimos de capital de giro sem garantia para empresas no Brasil, este trabalho identifica que as plataformas de empréstimos Peer-to-Peer (P2P) se concentram em firmas menores e mais arriscadas, e que já são atendidas por bancos. Essas plataformas penetram relativamente mais em municípios distantes dos principais centros financeiros, onde os mercados bancários são oligopolistas. Os tomadores de crédito de P2P obtêm taxas de juros mais baixas em comparação aos bancos tradicionais. Além disso, uma vez que tomam empréstimos de P2Ps, eles encontram uma taxa mais baixa nos empréstimos bancários subsequentes, indicando que os bancos tentam recapturar os seus clientes. Usando a implementação escalonada da internet de fibra óptica de alta velocidade, que permite a entrada P2P, como um quase-experimento, descobre-se que os bancos estabelecidos reduzem suas taxas de empréstimo em 2,5 pontos percentuais, e expandem o crédito para mais empresas em resposta à entrada P2P. Racionalizamos esses resultados em um modelo estrutural de Organização Industrial do setor bancário, onde bancos e plataformas P2Ps têm diferentes funções de lucro e competem por clientes com risco heterogêneo. Com o modelo estimado, calcula-se os ganhos de bem-estar. As plataformas de P2Ps aumentam significativamente o bem-estar social em mercados oligopolistas, oferecendo taxas de juros mais baixas para tomadores de empréstimos mais arriscados e forçando os bancos a fazer o mesmo. Os ganhos de bem-estar variam de 10% da produção local em municípios com apenas um banco incumbente a 1% naqueles com cinco bancos.


Rir é o melhor remédio: Expectativa e Realidade

De uma série expectativa e realidade 












e agora nossa contribuição



Risco da cadeia de suprimento: caso da Apple

 A Apple é um exemplo de empresa que aproveita a estrutura global de suprimento para fazer seus produtos. Os problemas recentes na China - que inclui a guerra Rússia e Ucrânia e os protestos em algumas cidades - fez com que o risco de fazer negócios por lá aumentasse. Recentemente surgiram notícias que parte da produção da empresa seria transferida para o Vietnam. A tabela abaixo mostra o nível de risco por país que faz parte da cadeia de produção da empresa.

A China, que abriga parte da produção, tem um nível de risco bem superior aos demais países. 

30 novembro 2022

Moedas Virtuais e Milhas aéreas sob supervisão do Bacen: só falta a sanção

 A PL 4401, de 2021, foi aprovada e trata da inclusão das moedas virtuais e programas de milhagem aéreas na definição de "arranjos de pagamento", sujeitas a supervisão do Banco Central

O processo começou em 2015. E agora só falta a assinatura do presidente da república para ser uma lei. 

Em resumo:

Brazilian lawmakers have approved a complete regulatory framework for the trading and use of cryptocurrencies in the country...

Contágio

 

Logo após os problemas da FTX, o preço do Bitcoin e outras criptomoedas desabaram e ainda não recuperaram. 

"Mais simples nas palavras, maior o salário"

Quando o presidente da SEC, Arthur Levitt, defendeu a escrita em "inglês simples" nos anos 90, ele argumentou que divulgações financeiras mais simples ajudariam os investidores a tomar decisões com mais informações. Desde então, também aprendemos que isso pode ajudar as empresas a ganhar mais dinheiro. 


Os pesquisadores confirmaram que, se você escrever de maneira simples e direta em divulgações como 10-Ks, poderá atrair mais investidores, reduzir o custo da dívida e do capital próprio e até economizar dinheiro e tempo nas auditorias.  

A experimento de Kristina Rennekamp, professora de contabilidade da Cornell, documentou algumas das consequências da má redação corporativa. Trabalhando com leitores de comunicados de imprensa corporativos, ela mostrou que as empresas perdem leitores devido ao péssimo "processamento de fluência" de seus documentos. "Processamento da fluência" é uma medida da legibilidade usada por psicólogos e neurocientistas. 

Rennekamp pediu às pessoas em um experimento que avaliassem duas versões dos comunicados financeiros. Um foi o lançamento real de uma empresa de refrigerantes. O outro foi uma versão, usando linguagem simples defendida pelo Manual de Inglês Simples da SEC. O Manual, essencialmente um guia para uma melhor fluência, contém princípios que agora servem como um padrão pelo qual os pesquisadores medem a legibilidade. 

Publicado sob Levitt, o Manual esclareceu os requisitos de Artigo 421, que, a partir de 1998, exigia que todos os prospectos (e em 2008 todos os prospectos de resumo dos fundos mútuos) aderissem aos princípios do Manual. Entre eles: use frases curtas, atenha-se à voz ativa, procure palavras concretas,  minimize o jargão e evite várias negativas na mesma frase. 

O experimento de Rennekamp, usando o chamado Índice Fog, uma medida de legibilidade baseada nos padrões do manual, forneceu evidências de que as empresas se sairiam melhor em atrair leitores se simplesmente facilitassem a leitura da escrita. "Processando a fluência de uma divulgação mais legível", escreveu ela em 2012, depois de medir a maior confiança dos leitores em textos bem escritos, "age como uma sugestão heurística e aumenta as crenças dos investidores de que eles podem confiar nas informações da divulgação. ..." 

Os estudos subsequentes quantificaram os danos associados à escrita excessivamente complicada nos mercados no mundo real. Em 2017, Byoung-Hyoun Hwang em Cornell e Hugh Hoikwang Kim na Universidade da Carolina do Sul, comparou o valor de mercado versus o valor do ativo líquido dos fundos de investimento fechados (CEFs). Eles descobriram que os fundos com relatórios anuais sobrecarregados por problemas na legibilidade tinham uma redução de 2,5% no valor de mercado.  

“Nossa análise”, escreveu os professores, “sugere que um aumento de 10 pontos percentuais no número de falhas de escrita por frase [com base nos padrões da SEC], em média, faz com que os CEFs sejam negociados com um desconto de 2,7 pontos percentuais. ."   

Hongkang Xu na Universidade de Massachusetts e colegas da Universidade de Illinois e da Universidade de Toledo examinaram a relação entre a capacidade das empresas de garantir crédito comercial ou prazos de pagamento atrasados e a legibilidade de seus formulários 10-Ks da SEC. Examinando 4.754 empresas, de 2004 a 2016, a equipe de Xu descobriu que fornecedores com 10 K menos legíveis normalmente recebem menos crédito. 

Uma equipe liderada por Hatem Rijba na Escola de Negócios de Paris constatou em 2021 que os relatórios menos legíveis do formulário 10-K da SEC estavam associados a custos mais altos de patrimônio. O custo do patrimônio líquido foi ainda maior quando as divulgações tiveram um tom negativo ou ambíguo. A equipe analisou as empresas no período de 1995 a 2017. Seus dados sugerem que o custo médio agregado do capital para empresas com altas (pobres) pontuações de legibilidade é de 57 pontos base. 

Os estudos desse tipo continuam se acumulando. Um sugere que, quando você escreve documentos complexos, você aumenta o custo da dívida em 77 pontos base. Outro descobriu que a complexidade dos formulários 10K aumenta as taxas e a duração das auditorias. Um terceiro sugere que essa complexidade reduz os prêmios para as empresas adquiridas durante fusões e aquisições. Um quarto estudo indica que as empresas incorrem em a diminuição de "retornos anormais cumulativos" quando anunciam uma aliança com empresas com 10-Ks difíceis de ler. 

O custo da escrita incorreta decorre da maneira como o cérebro funciona. Pesquisas de ciências mostra que se você não der à mente um estímulo atraente - um bom artigo neste caso - ela não responderá com neuroquímicos agradáveis, que motivam as pessoas a ler mais. Se o fizer, você aciona uma liberação de dopamina e outros produtos químicos, que engajam os leitores - e os mantém lendo. 

Certamente, os cientistas não conhecem todos os segredos de uma melhor motivação para os leitores. A maioria das pesquisas sobre fluência depende de correlação. A correlação entre legibilidade e ganho financeiro pode sugerir uma relação de causa-efeito, mas não confirma. A atual safra de estudos teve uma vantagem a esse respeito. Três deles estudaram a atualização anual das divulgações, quando a regra da SEC entrou em vigor em 1998. Esse evento anterior tendia a isolar a legibilidade como um fator e os dados para esse período fez sugerir que a fluência causa ganho financeiro. 

Infelizmente, as empresas estão ignorando o poder da escrita clara. Jeremiah Bentley, da Universidade de Massachusetts, e seus colegas, informaram que as divulgações para o período de 2003 a 2019, com base nas normas da regra 421, se tornaram mais complicadas. 

Se você deseja melhorar a legibilidade de suas próprias divulgações, não consegue encontrar um guia melhor para começar do que o sugestões do Manual da SEC. As dicas do manual são auxílios perenes para motivar leitores e investidores a consumir seu idioma. Você também pode prestar atenção a outras táticas que decorrem do que estamos aprendendo rapidamente sobre o processamento de idiomas no cérebro. Aqui estão alguns que eu destaque no meu próximo livro

Menos anúncios: Use verbos e substantivos fortes. Adverbos e adjetivos geralmente interrompem a clareza, como alguém tossindo na ópera.  

Quebre isso: Divida pensamentos e frases carnudos. Como um profissional disse uma vez: “O período nunca chega em breve." 

Cortar advertências: Todo argumento tem exceções. Todo tópico exige contexto. Ainda assim, a menos que você esteja citando especificamente isenções de responsabilidade, minimize as folhas de figueira da cobertura. 

Limpe o resíduo: A cada novo rascunho, você refina, reforça, reitera e reafirma. Volte e retire a redação estranha. 

Mantenha-o curto: Não escreva mais do que o seu público precisa.   

Quando você se senta para escrever, lembre-se de tudo isto. É o que podemos chamar de princípio Levitt: quanto mais simples as palavras, maior o seu salário. 

Fonte: aqui

Aqui no Brasil já temos diversas pesquisas que mostraram que isto também é válido para língua portuguesa e na contabilidade. 

Negócios e Futebol, na Copa de 2022

Sobre negócios e futebol, da newsletter DealBook:

A FIFA surpreendeu o mundo do futebol em 2010 quando seus membros executivos votaram no Qatar como anfitrião em 2022, derrotando os EUA. Em 2015, Loretta Lynch, então Procuradora-Geral dos EUA, indiciou 14 funcionários e executivos de marketing da FIFA, alegando corrupção "desenfreada, sistêmica e profundamente enraizada", incluindo US$ 150 milhões em subornos pagos para fechar acordos de marketing da Copa do Mundo durante um período de 24 anos. As batidas e prisões do F.B.I. levaram ao quase colapso do órgão dirigente do futebol, e Sepp Blatter, seu presidente de longa data, renunciou. Então, em 2020, o Departamento de Justiça disse que um punhado de executivos votantes da FIFA havia recebido milhões de dólares em subornos para garantir os direitos de sediar a Copa do Mundo de 2018 para a Rússia, e os do Qatar quatro anos depois.


O Catar negou qualquer ato ilícito, e a FIFA diz que purgou a organização de maus atores.

Ainda assim, as maiores marcas, incluindo Visa, Sony e McDonald's, se inscreveram rapidamente e mostraram poucos sinais de saltar de navio em meio à controvérsia. Quando a Bloomberg entrou em contato com 76 patrocinadores e equipes da FIFA este mês, nem um deles disse que estava reconsiderando sua participação. A Adidas espera um aumento de até 400 milhões de euros nas vendas do torneio.

No entanto, mesmo depois de terem gasto dezenas de milhões, as regras podem mudar e as empresas são impotentes para fazer muito a respeito. Dois dias antes do início do torneio, o Qatar proibiu o álcool nos oito estádios do evento. AB InBev, o grupo de bebidas que paga US$ 75 milhões à FIFA por cada ciclo de quatro anos da Copa do Mundo para que sua marca Budweiser possa ser um patrocinador de cerveja, teve que retirar seus produtos dos locais e cancelar uma série de eventos de marketing. A resposta da Budweiser agora esgotada no Twitter: "Bem, isto é embaraçoso". Menos embaraçoso: A Budweiser estará de volta como patrocinadora na Copa do Mundo de 2026, embora alegadamente esteja buscando um desconto da FIFA.

O mercado falou: Não houve boicote comercial detectável e, como aponta a FIFA, os patrocínios estão esgotados, com parceiros de longa data como a Coca-Cola e a Adidas aparecendo ao lado de recém-chegados como Crypto.com.


De volta para casa, muitas dessas empresas são rápidas em anunciar suas credenciais ambientais, sociais e de governança, ou E.S.G., e comercializar seu compromisso com causas como os direitos L.G.B.T.Q. No entanto, mesmo em uma época em que um passo em falso corporativo no Qatar pode ser ampliado nas mídias sociais, o torneio está mostrando que as empresas estão dispostas a arriscar um backlash que elas apostam que será perdoado (ou esquecido) enquanto o mundo estiver se sintonizando. O pagamento potencial é enorme. O futebol é o esporte mais popular do mundo, e a FIFA espera que cinco bilhões de pessoas assistam ao torneio (pense-se que o telespectador do Super Bowl vezes cerca de 50). A FIFA espera que o evento gere cerca de 4,7 bilhões de dólares. A organização parece ter sacudido o escândalo e está inundada de dinheiro e com todo o poder que o acompanha.


Gianni Infantino, 52 anos, um suave executivo do futebol suíço, prometeu erradicar a corrupção e limpar a imagem manchada da FIFA quando assumiu o cargo em 2016. Ele ainda empurra essa mensagem. Pouco antes do início do torneio, ele defendeu vigorosamente a decisão de entregar a Copa do Mundo ao Qatar e disse que sua organização havia sido transformada. "O dinheiro simplesmente não desaparece mais na FIFA", disse ele. "O dinheiro vai para onde tem que ir, e vai para o desenvolvimento do futebol". (Blatter, enquanto isso, agora afirma que o Qatar não deveria ter ganho. "É um país que é muito pequeno", disse ele a um grupo de jornais suíços).

foto: Peter Glaser

Orçamento público, pandemia e corrupção

Nesse contexto, este estudo teve por objetivo analisar os créditos extraordinários abertos no orçamento federal de 2020 destinados ao enfrentamento da pandemia do Covid-19, capturando dados da execução orçamentária e promovendo análises em busca de sinalizações para atos de corrupção nos municípios. Para tanto, foram utilizados métodos quantitativos e qualitativos, suportados pela análise de redes sociais e mineração de grafos. Os resultados indicam o potencial da abordagem com grafos na identificação de localidades mais suscetíveis à existência de atos de corrupção, uma vez que o estudo das relações entre empresas e municípios oferece insights investigativos que provavelmente não seriam alcançados por meio de modelos tradicionais de investigação. Como contribuição, os achados da pesquisa podem ser úteis para pesquisadores e profissionais que buscam métodos para fortalecer as atividades dos órgãos de fiscalização e controle, contribuindo com o aperfeiçoamento da gestão pública.

Fonte: aqui

O próprio texto indica, na conclusão, algumas limitações do estudo: está restrito a uma ação orçamentária somente, a corrupção é muito mais "sugestiva" do que comprovada, os dados de casos e óbitos é questionável, há uma variação grande dos dados e a análise é basicamente visual. 

Mas há um avanço aqui na investigação de finanças públicas. 

Frase

 “Existem apenas quatro tipos de oficiais.

Primeiro, existem os preguiçosos e estúpidos. Deixe-os em paz, eles não fazem mal.

Segundo, existem os inteligentes que trabalham duro. Eles são excelentes funcionários, garantindo que todos os detalhes sejam considerados adequadamente.

Terceiro, existem os trabalhadores e estúpidos. Essas pessoas são uma ameaça e devem ser demitidas de uma só vez. Eles criam um trabalho irrelevante para todos.

Finalmente, existem os preguiçosos inteligentes. Eles são adequados para o cargo mais alto."

― Erich von Manstein

Adaptado daqui

29 novembro 2022

Trump e o valor dos ativos

Do Accounting Today

Um juiz de Nova York agendou um julgamento em outubro de 2023 no processo de fraude civil do estado, alegando que o ex-presidente Donald Trump e sua ampla empresa imobiliária inflaram o valor de seus ativos por anos.


O juiz Arthur Engoron estabeleceu um cronograma para o caso de alto risco em uma audiência na terça-feira em Manhattan, com um julgamento que deve começar em outubro de 2023. O juiz disse que os depoimentos de todas as partes no caso devem ser concluídos até 20 de março.

O calendário legal de Trump está ficando lotado no próximo ano, já que demandantes e investigadores pretendem agendar julgamentos ou resolver investigações antes que Trump comece a fazer campanha a sério por sua terceira corrida na Casa Branca em 2024.

Europa e a Sustentabilidade

Tentando atingir o objetivo de ter uma Comunidade Européia neutra até 2050, o Conselho de Relatórios de Sustentabilidade (SRB, no original) entregou um primeiro conjunto de relatórios de sustentabilidade. Isto é um avanço e um caminho percorrido, apesar da recente criação do ISSB por parte da Fundação IFRS. 


No comunicado, do dia 23 de novembro, o SRB enfatiza a necessidade de alinhamento com os padrões do ISSB - da Fundação IFRS - e do GRI. Eis a relação dos documentos:



Gráfico

 

O que você quer ser quando crescer? Bom, 29% das crianças nos EUA optaram por ser "influenciador" e depois professor. Somente 11% astronauta. No Reino Unido, respostas similares. Mas na China, 52% citaram "professor" e uma percentagem maior astronauta. Somente 18% escolheram influenciador. 

Deloitte Comercial: positivo ou negativo?

A Deloitte, aproveitando o final de uma série sobre zumbis, fez um comercial relacionado com a contratação de pessoas. Controverso: criativo e inovador ou revelador que o contratado para trabalhar em uma Big Four é um zumbi?

28 novembro 2022

Credit Suisse e o socorro do regulador

Os leitores lembrarão isso em meados de outubro nós relatamos que o Fed estava transferindo silenciosamente valores cada vez maiores em dólares para o Banco Nacional Suíço - que acabou chegando a cerca de US $ 11 bilhões semanalmente - que, por sua vez, estava usando essas linhas de swap em dólares para preencher buracos de financiamento em um ou mais bancos comerciais suíços.


Não era preciso ser cirurgião de foguetes para descobrir que o banco em questão era o Credit Suisse, que viu seu estoque cair em meio a uma incansável enxurrada de escândalos, erros corporativos e fraudes ocasionais (que conhecemos) e o que dissemos provavelmente estava sofrendo com uma dolorosa corrida bancária nos bastidores.



(...) nesta manhã o segundo maior banco suíço confirmou nossa especulação de pior caso, admitindo que havia acabado de passar por uma corrida bancária impressionante na qual os clientes retiraram até 84 bilhões de francos suíços, ou US $ 88,3 bilhões, do seu dinheiro do banco durante as primeiras semanas do trimestre, sublinhando as preocupações contínuas sobre os esforços de reestruturação do banco após anos de escândalos. 

Em outras palavras:

se os fundos não chegassem, o Credit Suisse provavelmente teria falido!

Fonte: aqui

Impairment e Normas internacionais: fica tudo como está

 Notícia do site do CFC:

O International Accounting Standards Board (Iasb) decidiu, nesta quinta-feira (24), manter a abordagem de impairment apenas para reconhecimento e mensuração do ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill). Essa decisão provisória culmina a avaliação completa que começou com a Revisão Pós-implementação (PIR) da IFRS 3 - Combinações de Negócios, em 2014.


Ao tomar sua decisão, o Iasb considerou o feedback das partes interessadas do PIR da IFRS 3, o documento de discussão que o Iasb publicou em março de 2020 e pesquisas subsequentes. A entidade concluiu que a extensa evidência coletada não demonstrou um caso convincente para mudar sua decisão anterior sobre a contabilização do ágio.

Em setembro de 2022, o Iasb também votou para adicionar requisitos de divulgação ao IFRS 3 que trata de informações sobre o desempenho subsequente de uma aquisição, em resposta ao feedback dos investidores sobre o PIR. Ao elaborar esses requisitos de divulgação, o Iasb também respondeu ao feedback das empresas sobre os desafios de fornecer essas informações.

Em seguida, a entidade irá considerar se publicará essas propostas em uma minuta de exposição. Nesse caso, o Iasb finalizará os detalhes de suas propostas para exigir uma melhor divulgação sobre o desempenho subsequente das aquisições e explorará possíveis melhorias e simplificações no teste de redução ao valor recuperável antes de publicar tal minuta de exposição.

É bom lembrar que Lev faz críticas à contabilidade e a distância entre o valor real de uma empresa e o ativo contábil. Para o autor, a distância entre a contabilidade e o mundo real estaria nos intangíveis. Pelo visto, o Iasb adotou a postura de Bartleby e sua famosa frase: "I would prefer not to."

FTX e a auditoria

O AccountingWeb traz um texto relacionando o colapso da FTX com a auditoria. Mas como lembra Philip Fisher, o autor do texto, nenhuma das Big Four estava envolvida no problema. O que talvez seja algo estranho em razão dos últimos escândalos contábeis de grande porte, com a excesso de Madoff. 

Entre os problemas contábeis encontrados na empresa FTX destaca-se a questão da entidade. Parece que o executivo maior da empresa tratava o dinheiro da FTX como seu, usando o dinheiro para comprar imóveis na Bahamas e nas apostas em criptomoedas da Alameda Research. 


A responsabilidade pela auditoria era da Armanino e Prager Metis. Não é um nome conhecido no mercado. Mas assim como o auditor de Madoff era desconhecido, a presença desta empresa pode ter facilitado a fraude. Afinal um empresa com ativos de bilhões de dólares poderia ser auditada por alguém sem reputação? Mas seria isto mesmo? Veja o que diz o texto:

Armanino é uma das 25 maiores empresas independentes de consultoria em contabilidade e negócios nos Estados Unidos, com 21 escritórios geralmente pequenos em todo o país, mas principalmente na Califórnia.

Eis o que diz a empresa:

Com Armanino pode-se pensar estrategicamente e fornecer informações sólidas que levem a uma ação positiva. Abordamos não apenas seus problemas de conformidade, mas também seus desafios comerciais subjacentes.

Já a Prager Metis “é uma empresa internacional de consultoria e contabilidade com mais de 100 parceiros e diretores, mais de 600 membros da equipe e 24 escritórios em todo o mundo”. 

Não eram tão pequenos assim os auditores da FTX. 

(É interessante notar que no verbete da FTX na Wikipedia a palavra "audit" não era citada até o dia de hoje)

Medidas para evitar investimento em uma nova FTX

A empresa de capital de risco Sequoia Capital foi um dos investidores que perderam muito dinheiro com a falência da FTX. A estimativa é de 150 milhões de dólares na aposta realizada. Para evitar que apostas tão arriscadas aconteçam novamente, a empresa afirmou que irá melhorar o processo de decisão futura. 


Se no passado a empresa apostou na Apple, no Google e no Airbnb, a aposta na FTX foi um fracasso. Uma das medidas adotadas será a exigência de demonstrações financeiras de startups em estágio inicial que sejam auditadas por uma Big Four. 

Pelos relatos atuais, a FTX não tinha sequer contabilidade. 

FTX pode virar série

A Amazon está finalizando um acordo com os irmãos Joe e Anthony Russo, conhecidos pela direção de filmes da Marvel, para criar uma série sobre o colapso da FTX, a gigante das criptomoedas que faliu em meio a inúmeros escândalos internos.

A produção está prevista para iniciar em meados de 2023 e deve trazer David Weil, da séries Hunters, para escrever o piloto.(...)

“Esta é uma das fraudes mais descaradas já cometidas. Atravessa muitos setores – celebridades, política, academia, tecnologia, criminalidade, sexo, drogas e o futuro das finanças modernas”, disseram os irmãos Russo a série. “No centro de tudo está uma figura extremamente misteriosa com motivações complexas e potencialmente perigosas. Queremos entender o porquê".

Empresas como matéria prima de séries



As plataformas de streaming descobriram que empresas, empreendedores e suas jornadas mirabolantes podem ser uma fonte quase inesgotável de roteiros originais.

Os espectadores já possuem uma lista vasta de histórias recentes para acompanhar: a queda da WeWork foi contada em WeCrashed, da Apple TV+; já a fraude Elizabeth Holmes, da Theranos, pode ser vista em Dropout, da Hulu; e o controverso CEO Travel Kalanick, da Uber, em Super Pumped, da Netflix. 

Fonte: Exame

Anteriormente comentamos que Michael Lewis estaria escrevendo um livro sobre o assunto. Aqui é possível ler sobre Caroline Ellison, provável namorada do executivo da FTX, com opiniões controversas sobre diversos assuntos. 

Foto: Jonathan Borba

25 novembro 2022

América Latina e sustentabilidade

Um ano após o lançamento da IFRS Foundation, o Conselho Internacional de Padrões em Sustentabilidade (ISSB) na COP26 em Glasgow, está em andamento o trabalho para estabelecer uma verdadeira base global para a disseminação de informações financeiras sobre sustentabilidade, com o objetivo de atender às necessidades do mercado de capitais.


Na COP27, no Egito, em novembro, o ISSB anunciou uma estrutura colaborativa para o desenvolvimento de capacidade que integra totalmente todas as jurisdições igualmente ao desenvolvimento contínuo e à adoção global de alta qualidade do IFRS sobre Sustentabilidade, para garantir a escalabilidade e proporcionalidade que incluem as PME, especialmente no desenvolvimento. economias.

Essa iniciativa é baseada no reconhecimento de que a adoção antecipada dessas normas pode desempenhar um papel fundamental na liberação dos fluxos financeiros necessários para uma transição justa e um desenvolvimento resistente ao clima, de acordo com os objetivos da COP27.

O Grupo Latino-Americano de Emissores de Normas Financeiras (GLENIF) apoiou esta iniciativa da IFRS Foundation como "associada desde o início" e trabalha ativamente na divulgação, estudo e discussão de projetos de Sustentabilidade do IFRS.

Fonte: aqui. Foto: micheile dot com

24 novembro 2022

Sistema financeiro tradicional e a FTX

O texto a seguir, do site Money and Banking tem uma análise parecida com um artigo de Paul Krugman sobre o mesmo assunto publicado no dia 20, no Estadão. A seguir um resumo (versão traduzida via Vivaldi):

Todo sistema financeiro é baseado na confiança. Além dos riscos que você conscientemente assume, você só está disposto a investir em alguém se estiver confiante de que receberá seus fundos de volta. Alguém que faz um depósito em um banco tradicional espera ter acesso a todos os seus fundos quando demandar. Alguém que compra uma ação especulativa através de um corretor acredita que pode vendê-la rapidamente a um preço, obtendo a receita, mesmo que isso represente uma perda considerável. 

Com o colapso da FTX nós aprendemos mais uma vez que os participantes de grande parte do mundo das criptos não podem fazer nenhuma dessas coisas. A compra de instrumentos de criptografia por meio de trocas que estão além do perímetro regulatório é muito menos segura do que negociar ações especulativas, por meio de um corretor registrado ou troca regulamentada. Os investidores criptográficos que detêm seus fundos nesses intermediários não podem contar com o acesso aos ativos que acreditam possuir.

A falência da FTX reflete uma perda clássica de confiança. Isto é não extraordinário. Em vez disso, exemplifica os problemas que afetam um sistema financeiro na ausência de proteções legais e supervisão pública. É importante ressaltar que essas dificuldades de estabelecer e manter a confiança existem no mundo das finanças há séculos. Como resultado, praticamente todos os sistemas financeiros tradicionais hoje os abordam através de extensas regras legais e aplicação, além de regulamentação, de supervisão detalhadas. 

Se precisássemos de um lembrete sobre a importância da confiança nas finanças, a confluência de falhas da FTX proporciona um excelente momento de aprendizado. Ironicamente, o movimento de criptografia surgiu do desejo de criar um sistema financeiro que não exige regras legais ou intervenção do governo para estabelecer confiança. Deixando de lado os crentes obstinados, a história do FTX (assim como outros desastres de criptografia no início deste ano) deve expor a fantasia deste mundo.

Antes de chegar aos detalhes, como mostramos no gráfico a seguir, a capitalização de mercado do mundo das criptos atingiu o pico em novembro de 2021 em mais de US $ 2 trilhões e agora é de aproximadamente US $ 800 bilhões. (Os números exatos dependem da fonte.) Se removermos o moedas estáveis (sombreado em vermelho), o declínio é ainda mais precipitado - uma queda de mais de 75%. Recebemos duas mensagens disso. Primeiro, as pessoas estão perdendo o interesse em criptografia. Segundo, a catástrofe de criptografia não tem praticamente nenhum impacto no sistema financeiro tradicional, onde a estrutura legal e reguladora continua a sustentar a confiança.

Voltando a FTX, os relatórios dos eventos da semana passada destacam as seguintes falhas fundamentais (qualquer uma das quais poderia ter resultado em uma corrida na FTX) :

Falta de transparência. Sediada nas Bahamas, a empresa-mãe FTX não está sujeita aos princípios contábeis (GAAP) e às regras de divulgação geralmente aceitos nos EUA. De acordo com seu site, a FTX passou por uma auditoria do GAAP dos EUA em 2021 "e planeja continuar passando por auditorias regulares", mas os resultados não aparecem em seu site. 

Complexidade organizacional. O Pedido de falência da FTX incluiu 134 afiliadas em várias jurisdições. A complexidade geralmente ajuda na ocultação de atividades arriscadas. 

Negociações com partes relacionadas. Entre suas atividades extremamente arriscadas, a FTX concedeu empréstimos grandes e não divulgados a afiliadas controladas por seus executivos. Por exemplo, a Alameda, uma empresa comercial afiliada, declaradamente pegou emprestado até US $ 10 bilhões da FTX, alguns dos quais eram fundos de clientes. Esses empréstimos relacionados contribuíram para muitos episódios de falências bancárias ao longo do tempo e das geografias (veja, por exemplo, La Porta, Lopez-de-Silanes e Zamarripa).

Fraca governança corporativa. O Wall Street Journal relata que "o conselho da FTX consistia em [seu executivo-chefe] Bankman-Fried, alguém que trabalha na FTX e um advogado em Antígua, cujo site diz que é especialista em jogos." 

Usar seus próprios passivos como garantia para empréstimos.  Alguns dos empréstimos relacionados da FTX declaradamente foi garantido por outro passivo da FTX conhecido como FTT. Aceitar sua obrigação como garantia expôs o FTX a “risco errado" porque uma perda de confiança na posição financeira da FTX ou de suas afiliadas prejudicaria o valor da garantia, comprometendo ainda mais a saúde financeira da FTX.

Falha na segregação dos ativos do cliente. Em forte contraste com um corretor licenciado e regulamentado dos EUA, a FTX não salvaguardou os ativos do cliente mantendo contas separadas com terceiros. Como resultado, os clientes que depositaram seus fundos na FTX agora par,ecem indiferenciados de outros credores da empresa falida.

Permissão para alavancagem substancial. A troca de derivativos da FTX tinha um limite de alavancagem de 20 vezes, o que significa que um cliente pode postar US $ 5 em margem para comprar um derivado de criptografia com valor nocional de US $ 100. Dada a volatilidade dos preços da criptografia, isso significava que os empréstimos aos clientes da FTX eram extremamente arriscados. Além disso, quando o valor do ativo caiu, ele poderia acionar uma chamada de margem que poderia resultar na liquidação da posição, reduzindo ainda mais o valor do ativo. 

Em nossa opinião, cada das falhas poderia ter sido individualmente suficiente para fazer com que os clientes perdessem a confiança no FTX. Por que alguém faria negócios com um intermediário financeiro amplamente não monitorado que não tem transparência, com estruturas opacas, que se envolve em práticas de empréstimo extremamente arriscadas (incluindo empréstimos relacionados e aceitando seus próprios passivos como garantia), governança fraca, ou falha em segregar as contas? Todas essas são violações das práticas básicas de segurança e solidez que são a base da regulamentação e supervisão financeira na maior parte do mundo. (...)

COP e pela primeira vez a questão financeira

Talvez não aconteça nada, mas a COP 27 já produziu uma alteração importante:

pela primeira vez, há um item oficial da agenda dedicado a discutir as obrigações financeiras por perdas e danos climáticos. Isto é, para dizer o mínimo, absurdo. (...) Há 30 anos, os países em desenvolvimento pedem aos países industrializados que compensem os custos de tempestades e secas devastadoras causadas pelas mudanças climáticas. Enquanto isso, as nações ricas que geraram a poluição que aquece perigosamente o planeta resistiram a esses apelos. (...)

No final do terceiro dia da conferência, vários países europeus haviam prometido dinheiro para um novo fundo de perdas e danos.


Perda e dano referem-se aos custos econômicos e não econômicos irreversíveis de eventos climáticos extremos, como furacões, ondas de calor, secas e incêndios florestais e desastres climáticos de início lento, como aumento do nível do mar e derretimento das geleiras. Trata-se de responsabilizar os maiores poluidores de combustíveis fósseis pela dor e sofrimento já causados pela crise climática, separadamente e além de garantir financiamento climático para mitigação e adaptação, a fim de ajudar os países em desenvolvimento a se prepararem para o que está por vir.

Os custos econômicos incluem vidas, meios de subsistência, casas, sistemas alimentares e território irreversivelmente perdidos, enquanto os mais difíceis de quantificar os custos não econômicos se referem à perda de cultura, identidade, soberania, dignidade humana, biodiversidade e bem-estar psicológico. As perdas e danos mais graves estão sendo sentidos pelos países mais pobres - em geral aqueles que menos contribuíram para o aquecimento global.

Notavelmente ausente dos países que se comprometem com esse fundo de perdas e danos? Os Estados Unidos da América.

Foto: micheile dot com

Valor da caridade revelada na separação

A separação do casal Tom Brady e Gisele Bundchen revelou não somente os ativos do casal mas também as despesas. Entre 2007 e 2019, o casal destinou para Luz Foundation 0,1%. Em 2015, Gisele afirmou que sua vida era "dedicada" a Fundação. 


A maioria das doações naquela década foi para grupos de ioga e meditação, incluindo uma doação de US $ 25.000 para a David Lynch Foundation em 2017. (Psst, celebridades, ioga e meditação são ótimas e tudo, mas eu imploro que você considere doar algum dinheiro para alimentar e abrigar pessoas.) No total, a Luz Foundation recebeu US $ 640.402 entre 2007 e 2019. Esse valor, generosamente arredondado, é de 0,1% do seu patrimônio líquido.

Tecnologia e Educação

La revolución digital también ha invadido el ámbito educativo (también discutido en este blog aquí), donde el uso de la tecnología no ha hecho sino aumentar en los últimos años, si bien este aumento no está exento de debate, especialmente durante el cierre de los centros educativos tras la llegada de la Covid-19. La pandemia ha puesto sobre la mesa dos cuestiones clave: la primera es que el acceso a la tecnología por parte de los estudiantes es, aún, desigual, si bien esta brecha ha disminuido en los últimos años (particularmente en las economías y sociedades más avanzadas) (Vassilakopoulou y Hustad, 2021); la segunda es que el uso de la tecnología puede tener efectos diversos sobre el desempeño académico, una cuestión para la cual no existe respuesta unánime en la literatura. 

(...) Más allá del caso particular del usuario muy intensivo, este análisis descriptivo evidencia una tendencia común entre países: se observa una relación de “U” invertida entre grado de uso de las TIC y la puntuación en matemáticas, ciencias y lectura, lo que sugiere que cierto uso de la tecnología (un uso por semana, por ejemplo) podría asociarse con mejores calificaciones en comparación con un uso nulo o casi nulo, aunque esto no se podrá afirmar hasta la consecución del análisis empírico, como se detalla a continuación.


Fonte: aqui

Transparência salarial

(...) Em muitos países, incluindo os EUA, a opacidade salarial é um princípio cultural essencial do mercado de trabalho, que tradicionalmente beneficia os empregadores. Isso permitiu que as empresas mantivessem a compensação estagnada mesmo diante da inflação, ou quando as taxas de mercado de talentos aumentaram, e impediram que indivíduos acessassem pontos de referência quando se trata da justiça de seu próprio cheque de pagamento. 

Mas algumas empresas não têm mais escolha no assunto. Daniel Zhao, economista líder da Glassdoor, uma empresa com sede em São Francisco que coleta e analisa dados de pagamento para empresas em todo o mundo, explica que o recente aumento da legislação sobre transparência salarial faz parte de uma onda de pressão de longo prazo para aumentar a transparência - e, portanto, a justiça - no mercado de trabalho.

Essa tendência, diz ele, foi acelerada pela tecnologia e, principalmente, por sites de compartilhamento de salários, como a Glassdoor, que reúne informações de trabalhadores de indústrias, geografias e níveis de antiguidade. Essas plataformas, diz Zhao, "ajudaram a promover uma expectativa e uma cultura de transparência, especialmente entre os trabalhadores mais jovens que ingressam na força de trabalho hoje".

A dinâmica do mercado de trabalho atual - baixo desemprego e escassez de mão-de-obra em muitos setores - provavelmente também contribuíram para pressionar por maior transparência. Os trabalhadores se sentem mais encorajados a falar, enquanto as empresas estão tendo que trabalhar mais para atrair talentos. Mas Pavlina Draganova, que trabalha para a Organise, uma plataforma on-line sediada no Reino Unido que defende a transparência salarial e condições de trabalho justas, diz que, independentemente do clima econômico, o argumento da transparência salarial é claro. "Nas últimas décadas, houve evidências crescentes de que a transparência salarial pode ser uma ferramenta essencial para fechar as disparidades salariais entre homens e mulheres, tornando essa uma opção cada vez mais atraente para os legisladores", diz ela. 

Em maio, por exemplo, os acadêmicos publicaram um artigo analisando o impacto da legislação de transparência salarial na Dinamarca em 2006 isso exige que empresas com mais de 35 funcionários relatem dados salariais discriminados por gênero para grupos de funcionários grandes o suficiente para que o anonimato de um indivíduo seja protegido. Eles descobriram que a disparidade salarial entre os sexos nas empresas afetadas pelas novas leis diminuiu como resultado da legislação, enquanto a lucratividade das empresas permaneceu inalterada. Estudos realizados em Canada e no Reino Unido tiveram conclusões similares. 

Zhao ressalta que existem outras vantagens potenciais da transparência salarial além da redução das disparidades salariais. Ao contratar, por exemplo, ser aberto sobre remuneração erradica assimetrias de informações - situações em que as expectativas de pagamento de um possível funcionário diferem bastante das de um empregador. "A transparência do pagamento pode ajudar a tornar a busca de emprego mais eficiente para candidatos a emprego e empregadores, permitindo que ambos os lados pulem entrevistas quando as expectativas sobre remuneração estão muito distantes", diz ele.

No curto prazo, ele acredita, o aumento da transparência salarial pode levar a uma maior rotatividade, mostrando aos funcionários quanto realmente valem suas habilidades no mercado aberto; pode dar a alguns trabalhadores que descobrem que recebem menos confiança para desistir. Mas, a longo prazo, acrescenta Zhao, um mercado menos opaco provavelmente levará a menos rotatividade e mais estabilidade devido às taxas de retenção mais altas, o que beneficiará a todos.

Nenhuma bala de prata 

Apesar de toda a vantagem potencial da regulamentação da transparência salarial, os especialistas também alertam que ela não deve ser considerada uma panaceia para tornar o mercado de trabalho mais justo.

Por um lado, a publicação de faixas salariais ainda pode levar alguns grupos de candidatos - como minorias - a receber um salário na parte inferior de uma faixa declarada e outros candidatos - como homens brancos - negociando salários de primeira linha. No Reino Unido, onde desde 2017 todas as empresas com 250 funcionários ou mais são obrigadas a publicar um relatório anual de disparidades salariais entre homens e mulheres algumas instituições têm explorado lacunas para subestimar as suas disparidades salariais.

Também não há evidências conclusivas de um relacionamento causal: que todas as empresas que relatam com precisão suas disparidades salariais são necessariamente mais eficazes para tornar seus locais de trabalho mais justos e mais equitativos. "Para organizações, isso pode ser um catalisador para mudanças positivas", diz Mabel Abraham, professora associada de negócios da Columbia Business School, em Nova York. Mas a realidade, acrescenta ela, é que não levará uniformemente ao fechamento de todas as disparidades salariais e à erradicação da desigualdade. Além disso, o fechamento de uma disparidade salarial nunca deve ser considerado um proxy perfeito para criar uma força de trabalho mais equitativa.

A pesquisa em andamento de Abraham mostra que um dos principais preditores sobre se uma empresa fechará uma lacuna salarial ou não é se os líderes realmente se dedicaram a entender por que existe uma lacuna em primeiro lugar. "Aqueles que o fazem têm uma probabilidade consideravelmente maior de melhorar - ou reduzir - a diferença", diz ela.

Draganova concorda. "[A transparência salarial é] um passo na direção certa, e pode muito bem ajudar a resolver questões de longa data de igualdade salarial e equidade entre os trabalhadores," ela diz, "[mas é] apenas uma peça do quebra-cabeça - por si só, não pode garantir um bom local de trabalho para os funcionários ou um negócio próspero para os empregadores."

"Genie fora da garrafa" 

Por enquanto, mesmo que a transparência salarial seja uma solução imperfeita para as desigualdades salariais no local de trabalho, especialistas estão otimistas de que a decisão da Califórnia [de exigir a trans poderia incentivar outras pessoas a seguir o exemplo, simplesmente por causa do número de grandes empresas - como a Meta, mãe do Facebook, Alfabeto pai do Google e The Walt Disney Company - domiciliados no estado.

Sarah Russell, advogada de emprego do Reino Unido, diz que as mudanças que ocorrem na Califórnia e Nova York são particularmente influentes por causa dos setores que dominam esses lugares. "Qualquer coisa que se torne prática de trabalho normalizada no setor de tecnologia da Califórnia ou no setor bancário de Nova York se torna uma prática de trabalho normalizada em todos esses setores internacionalmente, diz ela. Russell também acredita que mesmo as empresas que ficam abaixo do limite de tamanho por terem que fornecer faixas salariais e dados salariais inevitavelmente sentirão a pressão para fazê-lo se quiserem atrair talentos.

Em um mercado de trabalho em que as vagas de emprego permanecem perto de um recorde competição por talentos ainda é feroz. Se a lei de Nova York for aprovada ainda este ano, quase um quarto da população dos EUA viverá em um estado com algum tipo de requisito de divulgação de salário. Se as empresas não estiverem fornecendo as informações que os funcionários e potenciais funcionários esperam deles, eles se perguntarão o que essas empresas estão tentando esconder, diz Zhao. 

"A próxima geração de trabalhadores já espera cada vez mais transparência no local de trabalho, inclusive mediante pagamento", diz ele. “O gênio da transparência salarial está fora da garrafa."

Fonte: BBC