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20 junho 2022

"Divulgação do impacto climático é senso comum"

 Passo a maioria dos dias defendendo ações que possam ser consideradas radicais. Mas hoje estou defendendo o bom senso. Em março, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA propôs uma nova regra que exigiria que empresas de capital aberto divulgassem seus riscos relacionados ao clima e emissões de gases de efeito estufa (GEE). Agora que o período para comentários públicos terminou, a SEC deve adotar a nova regra de divulgação na íntegra.

Conforme escrito, a regra proposta exigiria que as empresas divulgassem dados de emissões de GEE para suas próprias operações, bem como para os produtos que compram e vendem. Seria aplicável a todas as empresas negociadas publicamente nos Estados Unidos e, portanto, a US $ 82 trilhões valor da negociação que a SEC supervisiona a cada ano.

A regra pode parecer abrangente, mas é realmente apenas sobre informação. As empresas devem compartilhar com os investidores como as mudanças climáticas podem afetar seus retornos. As informações são o pão com manteiga dos reguladores financeiros, CEOs, investidores e mercados em geral. Cada negociação está conectada a um investidor que toma decisões com base nas melhores informações disponíveis. Não há nada radical em querer mais.

A ação da SEC chega na hora certa. As empresas tinham uma parcela rígida do US $ 145 bilhões em custos relacionados ao clima e ao clima incorridos nos EUA em 2021. Os riscos climáticos já são substanciais e pode-se esperar que cresçam. É por isso que um comitê bipartidário e pesado em negócios (que incluía o World Resources Institute) recomendou as novas regras de divulgação em um relatório de 2020 à Commodity Futures Trading Commission.

Como as mudanças climáticas afetam os negócios é exatamente o tipo de informação que os CEOs precisam para gerenciar riscos e aproveitar novas oportunidades. Investidores e governos em todo o mundo estão cada vez mais pressionando por maior transparência da informação. A Força-Tarefa apoiada pelo G20 sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD) emitiu suas recomendações em 2017, conquistando o apoio de mais de 3.000 empresas e 92 países ao redor do mundo desde então.

Além disso, do Conselho Internacional de Padrões de Sustentabilidade espera-se novas regras relacionadas ao clima até o final do ano. A China é teste uma política de divulgação obrigatória. E a União Européia está elaborando sua Taxonomia de Finanças Sustentáveis, que vai além da divulgação de riscos climáticos, categorizando a atividade econômica de acordo com critérios claros de sustentabilidade. Todas essas iniciativas exigirão relatórios corporativos de emissões de GEE.

Para muitos líderes empresariais, não há nada de novo aqui. Empresas líderes como Apple, Best Buy, Coca-Cola, Cargill, Ford, Gap, Hilton e Starbucks já estão divulgando riscos relacionados ao clima, incluindo aqueles associados às suas cadeias de suprimentos. Longe da margem, essas empresas representam a América dominante. Até os gigantes do petróleo e gás Shell, TotalEnergies e Equinor ter um longo histórico de relatórios sobre emissões em suas cadeias de valor.

Os CEOs experientes já estão usando divulgações de risco relacionadas ao clima para identificar e buscar novas oportunidades de negócios. Como Presidente e CEO da General Electric, Lawrence Culp colocou em 2020, “Estamos particularmente conscientes dos desafios de engenharia ainda a serem resolvidos para tornar realidade a ambição de zero líquido. ... No entanto, acreditamos que esses desafios também são oportunidades estratégicas importantes para a GE. ” Os CEOs e investidores entendem cada vez mais que a economia do século XXI terá que ser verde, eficiente e resiliente. O fluxo de capital em investimentos com rótulo sustentável subiu para um recorde de US $ 649 bilhões em 2021.

Mas a disponibilidade e a qualidade dos dados permanecem muito desiguais. As empresas seguem abordagens extremamente divergentes para divulgar seus riscos climáticos. Alguns contam suas emissões de uma maneira, outros de outra maneira. Alguns não relatam as emissões do "escopo 3" associadas ao uso de seus produtos (um problema que a regra da SEC corrigiria). E alguns são completamente opacos, sem relatar ou gerenciar suas emissões. Como resultado, muitas empresas - e seus investidores - desconhecem os riscos e oportunidades climáticos que enfrentam. Em vez de clareza, temos confusão.

Se as empresas fossem obrigadas a aderir a um conjunto uniforme de divulgações, os investidores seriam muito mais capazes de discernir para onde o dinheiro deveria fluir. Depois que os investidores puderem ver as divulgações todos empresas, eles podem tomar melhores decisões para seus clientes, e as empresas estarão em condições equitativas, permitindo uma concorrência virtuosa.

A mudança global em direção à divulgação obrigatória está bem encaminhada. Ao agir agora, a SEC pode fornecer uma base muito mais forte para os mercados se manterem, e os EUA podem permanecer um tomador de regras global, em vez de se tornarem um tomador de regras. Todos os atores financeiros - empresas, investidores, governos e cidadãos com 401Ks - devem enfrentar os riscos das mudanças climáticas, algumas das quais já se materializaram. Exigir que as empresas divulguem esses riscos não é radical; é prudente. 

 Fonte: aqui

22 dezembro 2021

Teste de Stress Climático


Testes Stress Climático

Sofia Santos, Professora no ISEG 17 Dezembro 2021, 00:14

Entre Março e julho de 2022 os bancos que pertencem à lista do BCE referente a instituições significantes, terão de realizar o teste de stress climático. Os restantes bancos, sob supervisão direta do Banco de Portugal, poderão também vir a ter de efetivar este teste, se forem convidados e estimulados para tal por parte desta entidade.

Entre Março e julho de 2022 os bancos que pertencem à lista do BCE referente a instituições significantes, terão de realizar o teste de stress climático. Os restantes bancos, sob supervisão direta do Banco de Portugal, poderão também vir a ter de efetivar este teste, se forem convidados e estimulados para tal por parte desta entidade.

Este teste tem como objetivo compreender a vulnerabilidade dos bancos e a sua exposição aos riscos climáticos provenientes dos empréstimos concedidos, uma vez que os bancos centrais a nível mundial reconheceram, em 2019, que o clima constitui uma fonte de risco financeiro e, como tal, deve ser minimizado em prol da estabilidade das instituições financeiras.

É preciso der consciência de que o BCE considera este teste como sendo um exercício de aprendizagem para os bancos e supervisores, tendo como objetivos identificar as vulnerabilidades, melhores práticas e os desafios enfrentados pelos bancos. Os resultados deste exercício ajudará a aumentar a disponibilidade e a qualidade dos dados, permitindo aos supervisores compreender melhor as estruturas que os bancos estão a desenhar para avaliar o risco climático.

Nenhum impacto direto sobre o capital, por via das Orientações para o Pilar 2, está previsto. Um possível impacte a existir será indireto, através das pontuações do Supervisory Review and Evaluation Process (SREP) nos Requisitos do Pilar 2.

Estes testes, não sendo de simples realização, também não são a grande confusão que muitos pensam ser. Na realidade, este teste consiste na resposta ao módulo 1 e módulo 2 de questões, sendo que apenas alguns terão de responder ao módulo 3. O módulo 1 é um questionário qualitativo, com 78 perguntas, que tem como objetivo avaliar como os bancos estão a incorporar o clima na sua gestão de risco. O módulo 2 consiste na quantificação das emissões de CO2 associadas aos empréstimos concedidos pelos bancos a um conjunto especifico de atividades NACE também relacionadas com a taxonomia da EU, o que permitirá compreender a sensibilidade das receitas dos bancos aos riscos de transição. O cálculo das emissões de CO2 dos empréstimos pode ser complexo, e por isso o Crédito Agrícola foi o primeiro banco português a aderir à iniciativa internacional PCAF – Partnership for Carbon Accounting Financials – que disponibiliza uma metodologia usada a nível internacional por 183 bancos que ajuda a calcular essas emissões. Por fim, o módulo 3 requer que alguns bancos (não todos) realizem cenários para as seguintes situações ao nível do risco de transição: um aumento brusco do preço do carbono em 2022 e as consequências que isso trará nos próximos 3 anos; num contexto temporal até 2050 compreender o impacte para o rendimento do banco i) no caso de uma redução suave das emissões de CO2 atingindo-se a neutralidade carbónica em 2050; ii) no caso de uma transição não suave onde as emissões não descem o suficiente até 2030 mantendo-se a ambição da neutralidade carbónica em 2050; e iii) no caso de a neutralidade carbónica não ser atingida e de existir um confronto real com os riscos físicos climáticos que reduzem o PIB. Requer também a realização de cenários com base nos riscos físicos, de forma a calcular o impacte no banco de: i) existir uma situação de grandes inundações e ii) existir uma seca e ondas de calor significativas.

Toda esta abordagem de cenarização é nova para os bancos, mas também ela vai fazer parte do reporte obrigatório que as instituições financeiras e não financeiras terão de realizar em 2024 referente a 2023 no âmbito da Diretiva de Reporte Corporativo de Sustentabilidade, pelo que faz mais sentido todos os bancos, grandes e mais pequenos, iniciarem desde já este exercício, e começarem a preparar a informação que terão de reportar no âmbito da Taxonomia já em 2022.

Fonte: aqui. Foto: Buscher

13 outubro 2021

Risco Financeiro Climático é uma bobagem

O texto a seguir é de John Cochrane, de julho de 2021, com observações pertinentes sobre o risco climático.


A ideia de que as mudanças climáticas representam uma ameaça ao sistema financeiro é absurda, até porque todos já sabem que o aquecimento global está acontecendo e que os combustíveis fósseis estão sendo eliminados. O novo impulso para a regulamentação financeira relacionada ao clima não é realmente sobre risco; trata-se de uma agenda política.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, a Securities and Exchange Commission e o Departamento do Tesouro estão se preparando para incorporar a política climática à regulamentação financeira dos EUA, seguindo etapas ainda mais audaciosas na Europa. A justificativa é que o "risco climático" representa um perigo para o sistema financeiro. Mas essa afirmação é absurda. A regulamentação financeira está sendo usada para contrabandear políticas climáticas que, de outra forma, seriam rejeitadas como impopulares ou ineficazes.

"Clima" significa a distribuição de probabilidade do clima - a variedade de condições climáticas potenciais e eventos, juntamente com suas probabilidades associadas. "Risco" significa o inesperado, não as mudanças que todos sabem que estão em andamento. E "risco financeiro sistêmico" significa a possibilidade de todo o sistema financeiro derreter, como quase aconteceu em 2008. Isso não significa que alguém, em algum lugar, possa perder dinheiro porque algum preço dos ativos cai, embora os banqueiros centrais estejam aumentando rapidamente sua competência nessa direção.

Em linguagem simples, então, um “risco climático para o sistema financeiro” significa uma mudança repentina, inesperada, grande e generalizada na distribuição de probabilidade do clima, suficiente para causar perdas que explodem através do patrimônio e amortizações de dívida de longo prazo, provocando uma execução em todo o sistema de dívida de curto prazo. Isso significa o horizonte de cinco ou no máximo dez anos em que os reguladores podem começar a avaliar os riscos nos balanços das instituições financeiras. Os empréstimos para 2100 ainda não foram feitos.

Esse evento está fora de qualquer ciência climática. Furacões, ondas de calor, secas e incêndios nunca chegaram perto de causar crises financeiras sistêmicas, e não há possibilidade cientificamente validada de que sua frequência e gravidade mudem tão drasticamente para alterar esse fato nos próximos dez anos. Nossa economia moderna, diversificada, industrializada e orientada a serviços não é tão afetada pelo clima - mesmo por eventos de manchete. As empresas e as pessoas ainda estão se mudando do frio Rust Belt para o Texas e a Flórida, propensos a furacões.

Se os reguladores estão preocupados, de maneira imparcial, com os riscos prontos para uso que colocam em risco o sistema financeiro, a lista deve incluir guerras, pandemias, ataques cibernéticos, crises de dívida soberana, colapsos políticos e até ataques de asteroides. Todos, exceto os últimos, são mais propensos que o risco climático. E se estamos preocupados com inundações e custos de incêndio, talvez devêssemos parar de subsidiar a construção e reconstrução em áreas inundáveis e propensas a incêndios.

O risco regulatório climático é um pouco mais plausível. Os reguladores ambientais podem se tornar tão incompetentes que danificam a economia a ponto de criar uma corrida sistêmica. Mas esse cenário parece absurdo até para mim. Novamente, porém, se a questão é de risco regulatório, os reguladores imparcial devem exigir um reconhecimento mais amplo todos riscos políticos e regulatórios. Entre as novas interpretações do governo Biden da lei antitruste, as políticas comerciais do governo anterior e o desejo político generalizado de "quebrar a grande tecnologia", não há falta de perigo regulatório.

Certamente, não é impossível que algum evento terrível relacionado ao clima nos próximos dez anos possa provocar uma corrida sistêmica, embora nada na ciência ou na economia atual descreva esse evento. Mas se esse é o medo, a única maneira lógica de proteger o sistema financeiro é aumentando drasticamente a quantidade de capital social, que protege o sistema financeiro contra qualquer tipo de risco. A medição de risco e a regulamentação tecnocrática dos investimentos climáticos, por definição, não podem proteger contra incógnitas desconhecidas ou “pontos de inflexão não modelados”."

E quanto aos "riscos de transição" e "ativos ociosos"? As empresas de petróleo e carvão não perderão valor na mudança para energia de baixo carbono? De fato eles vão. Mas todo mundo já sabe disso. As empresas de petróleo e gás perderão mais valor apenas se a transição ocorrer mais rapidamente do que o esperado. E os ativos herdados de combustíveis fósseis não são financiados por dívidas de curto prazo, como as hipotecas ocorreram em 2008, portanto as perdas por seus acionistas e detentores de títulos não colocam em risco o sistema financeiro. "Estabilidade financeira" não significa que nenhum investidor jamais perca dinheiro.

Além disso, os combustíveis fósseis sempre foram arriscados. Os preços do petróleo ficaram negativos no ano passado, sem consequências financeiras mais amplas. O carvão e seus acionistas já foram martelados pela regulamentação climática, sem um indício de crise financeira.

De maneira mais ampla, na história das transições tecnológicas, os problemas financeiros nunca vieram de indústrias em declínio. O crash da bolsa de 2000 não foi causado por perdas na máquina de escrever, filme, telégrafo e indústrias de régua de cálculo. Foram as empresas de tecnologia um pouco à frente de seu tempo que faliram. Da mesma forma, a quebra do mercado de ações em 1929 não foi causada pela queda na demanda por carruagens puxadas por cavalos. Foram as novas indústrias de rádio, cinema, automóvel e eletrodomésticos que entraram em colapso.

Se alguém está preocupado com os riscos financeiros associados à transição energética, novos queridinhos com valor astronômico, como Tesla, são o perigo. O maior perigo financeiro é uma bolha verde, alimentada como booms anteriores por subsídios do governo e incentivo ao banco central. Os passageiros altos de hoje são vulneráveis a mudanças de caprichos políticos e novas e melhores tecnologias. Se os créditos regulatórios secarem ou se as células a combustível de hidrogênio deslocarem as baterias, a Tesla está com problemas. No entanto, nossos reguladores desejam apenas incentivar os investidores a se amontoarem.

A regulamentação financeira climática é uma resposta em busca de uma pergunta. O objetivo é impor um conjunto específico de políticas que não podem ser aprovadas por meio de legislações democráticas regulares ou de legislações ambientais regulares, o que requer pelo menos uma pretensão de análise de custo-benefício.

Essas políticas incluem o desembolso de combustíveis fósseis antes da substituição, subsidiando carros elétricos movidos a bateria, trens, moinhos de vento, energia fotovoltaica - mas não nuclear, captura de carbono, hidrogênio, gás natural, geoengenharia ou outras tecnologias promissoras. Mas, como os reguladores financeiros não têm permissão para decidir para onde o investimento deve ir e o que deve estar sem fundos, o "risco climático para o sistema financeiro" é sonhado e repetido até que as pessoas acreditem, a fim de incluir essas políticas climáticas nos reguladores financeiros. mandatos legais limitados.

Mudança climática e estabilidade financeira são problemas prementes. Eles exigem respostas políticas coerentes, inteligentes e cientificamente válidas e prontamente. Mas a regulamentação financeira do clima não ajudará o clima, politizará ainda mais os bancos centrais e destruirá sua preciosa independência, ao mesmo tempo que forçar as empresas financeiras a criar avaliações de risco climático absurdamente fictícias arruinará a regulamentação financeira. A próxima crise virá de alguma outra fonte. E nossos reguladores obcecados pelo clima mais uma vez falharão totalmente em prever isso - assim como uma década de testadores de estresse nunca considerou a possibilidade de uma pandemia.

(grifo no original. Fonte: Project Syndicate, via aqui)

09 março 2021

Clima e relatório para instituições financeiras


Duas semanas depois da eleição do presidente Joe Biden, o Partnership for Carbon Accounting Financials (PCAF) lançou o primeiro Global Greenhouse Gas Emissions Accounting and Reporting Standard for the Financial Industry.

Com estes padrões, as instituições financeiras podem medir e divulgar suas emissões em razão dos empréstimos e financiamentos (e investimentos) que fizeram. 

Aqui um relatório de um funcionário das Nações Unidas sobre a questão do clima e as instituições financeiras.

A Febraban, uma entidade que reuni as instituições financeiras brasileiras, está apoiando este esforço e foi citada em um relatório de um Força-Tarefa sobre Divulgações Relacionadas com o Clima (TCFD).

11 janeiro 2021

FSB apoia a divulgação de informação sobre o clima

O Financial Stability Board (FSB, não confundir com o Federal Security Service, a agência de inteligência russa) divulgou, no final de dezembro, uma nota em que incentiva a Fundação IFRS e outras entidades a usar as recomendações do TCFD. 

Em 2015, o FSB criou uma força-tarefa sobre informação relacionada com o clima, com esta sigla. Esta força-tarefa deveria desenvolver recomendações de divulgações voluntárias que fossem relevantes para a decisão dos investidores, credores e seguradoras sobre a questão do clima. As recomendações foram publicadas em 2017 e desde então quase 1700 organizações apoiaram as recomendações. 

O FSB, portanto, acolhe com satisfação a abordagem recomendada pelos curadores da Fundação IFRS de focar inicialmente nos padrões para divulgações financeiras relacionadas ao clima, conforme estabelecido no documento de consulta IFRS de setembro de 2020 sobre relatórios de sustentabilidade. O foco inicial em informações relacionadas ao clima seria apropriado dado o crescente interesse dos investidores no tema para gestão de risco financeiro e a importância da consistência global nas ações que já estão começando a ser tomadas por autoridades nacionais e regionais para desenvolver requisitos e orientações nesta área.

(...) O FSB incentiva fortemente a Fundação IFRS a desenvolver o trabalho do TCFD, usando as recomendações do TCFD como base para normas para divulgações financeiras relacionadas ao clima. As recomendações do TCFD estabelecem uma estrutura abrangente que foi desenvolvida por, e responde diretamente às necessidades dos, usuários e preparadores de registros financeiros em uma variedade de setores financeiros e não financeiros em todo o mundo. As recomendações do TCFD atraíram amplo apoio de usuários e preparadores.

Veja mais aqui

18 dezembro 2020

Clima e Contabilidade


Duas notícias de novembro relacionam a questão do clima com a contabilidade. A primeira é a junção anunciada entre o International Integrated Reporting Council (IIRC) e o Sustainability Accounting Standards Board (SASB). Será criada a Value Reporting Foundation, cuja finalidade é ajudar as empresas nos relatórios corporativos abrangentes. A nova entidade irá promover o uso dos padrões do IIRC e do SASB. O número de padrões é elevado e há um desejo de reduzir um sistema alinhado em todo o mundo. 

A segunda notícia é que a Fundação IFRS publicou um documento onde mostra "que os requisitos IFRS existentes exigem que as empresas considerem questões relacionadas ao clima quando seu efeito é relevante para as demonstrações financeiras". Nesta publicação há exemplos de normas IFRS que tratam do assunto.

(Imagem aqui)

30 agosto 2020

Cisne Verde e a questão do clima na contabilidade

 


Um documento oriundo da Austrália chama a atenção para o cisne verde. (Green swans: Why climate change is unlike any other financial risk). Ao contrário do cisne negro de Taleb, que aponta para eventos raros e que só pode ser entendido depois que ocorreu, o cisne verde tem características específicas. 

Sobre isto, o BIS aponta três características relevantes do cisne verde: 1) há uma incerteza contínua sobre a força e eficácia das políticas públicas sobre a questão do clima; 2) as catástrofes climáticas são potencialmente mais graves do que as crises financeiras sistêmicas, pois representam uma ameaça existencial para as economias e a humanidade 3) a complexidade é de uma ordem muito mais elevada. 

05 julho 2020

Covid ajuda ou piora o aquecimento global?

Um argumento bem difundido é que a pandemia tem ajudado o ambiente. Basicamente o argumento é o seguinte:

Covid-19 => redução da atividade econômica => redução da emissão de CO2 => redução do aquecimento global.

Mas o clima é bem mais complexo. Alguns pesquisadores estão indagando se o Covid não estaria provocando um AUMENTO no aquecimento global. Recentemente notou-se que ocorreu um aumento na temperatura do mar Ártico. Uma possível justificativa estaria no aerossol de sulfato. Este produto cria uma nuvem e mascara o aquecimento global, reduzindo o impacto nas regiões mais geladas. Assim, a lógica acima talvez seja a seguinte:

Covid-19 => redução da atividade econômica => redução dos aerossóis de sulfato => aumento do aquecimento global.


26 fevereiro 2020

Contadores do mundo, uni-vos - 1

Diversos líderes da profissão contábil resolveram se unir, pedindo que os profissionais ajudem as empresas a combater as mudanças do clima. Foram 14 entidades das mais importantes entidades. Veja a lista:

Association of Accounting Technicians (AAT).
Association of Chartered Certified Accountants (ACCA).
Association of International Certified Professional Accountants (AICPA e CIMA)
Chartered Accountants Australia and New Zealand (CAANZ).
Chartered Accountants Ireland (CAI).
Consiglio Nazionale dei Dottori commercialistie degli Esperti Contabili (CNDCEC).
CPA Australia.
CPA Canada.
Institut der Wirtschaftsprüfer in Deutschland e.V. (IDW).
Institute of Chartered Accountants in England and Wales (ICAEW).
Institute of Chartered Accountants of Scotland (ICAS).
International Federation of Accountants.
Japanese Institute of Certified Public Accountants (JICPA).
Regnskap Norge/Accounting Norway

Os líderes pedem:

Integre o risco de mudanças climáticas na estratégia organizacional, finanças, operações e comunicações.
Apoiar a tomada de decisão sustentável.

Fornecer bons conselhos e serviços.

Obviamente Iasb e Fasb não são entidades profissionais. Mas poderiam apoiar. O mesmo seria válido para o nosso CFC, não?

02 fevereiro 2020

Clima e Contabilidade

O Fórum Econômico Mundial trouxe um documento com o título Toward Common Metrics and Consistent Reporting of Sustainable Value Creation. Este documento foi escrito em colaboração com as Big Four  (Deloitte, EY, KPMG e PwC) e dividiu as métricas/reporting em quatro grupos

Pilar 1 - Princípios de Governança
Pilar 2 - Planeta
Pilar 3 - Pessoas
Pilar 4 - Prosperidade

O documento possui 48 páginas, sendo 25 de textos e o restante no anexo. Um bom número de métricas já foram consideradas por outras entidades ou relatórios (GRI, por exemplo).

O link do relatório está aqui

11 dezembro 2019

Auditoria de Clima

A questão do reconhecimento dos efeitos do clima nas demonstrações contábeis volta a ser um assunto. Agora, investidores querem que as auditorias tratem isto de forma mais séria:

Investidores europeus que administram ativos no valor de mais de 1 trilhão de libras (1,28 trilhão de dólares) estão pressionando os principais auditores a tomarem medidas urgentes com relação aos riscos relacionados ao clima, alertando que o não cumprimento dessas medidas pode causar mais danos do que a crise financeira.

O argumento para uma auditoria mais rigorosa foi reforçado por declarações públicas de órgãos reguladores e vigilantes contábeis, destacando os riscos potencialmente sistêmicos que as mudanças climáticas podem representar.

Em uma carta enviada em janeiro às chamadas Big Four - EY, Deloitte, KPMG e PwC - os investidores disseram estar preocupados com o fato de as mudanças climáticas estarem sendo "ignoradas" em contabilidade e auditorias. A carta foi vista pela Reuters e seu conteúdo está sendo divulgado pela primeira vez.

"O principal é que não queremos outra crise financeira, e isso pode ser muito pior", disse Natasha Landell-Mills, chefe de administração da Sarasin & Partners, gerente de ativos, que está liderando a campanha por 29 investidores.

(...)Eles querem que os auditores contestem as premissas sobre preços de petróleo e gás a longo prazo, que sustentam os retornos dos acionistas.

"Desta vez, precisamos que nossos auditores estejam atentos e dêem alarme quando os executivos falharem em refletir perdas ou responsabilidades previsíveis", disse Landell-Mills à Reuters.

O International Accounting Standards Board (IASB) disse (...) que seus padrões IFRS tratam de questões relacionadas ao risco de mudanças climáticas, mesmo que não sejam explicitamente abordados.

"Esperamos que a administração relate sobre questões ambientais e sociais na medida necessária para que os usuários principais das demonstrações financeiras formem sua própria avaliação das perspectivas de longo prazo da empresa e da administração dos negócios pela administração", disse Nick Anderson (*), membro do conselho do IASB. (...)


Este membro tem um texto sobre a questão da mudança climática que pode ser acessado aqui

06 setembro 2018

Ar condicionado e mudança climática

A urbanização também está empurrando a demanda por ar condicionado mais alto. (...) Ao mesmo tempo em que o ar-condicionado está resfriando os espaços interiores, está aquecendo o ar externo, o que aumenta o trabalho necessário para o resfriamento interno, o que aumenta as temperaturas do exterior. É um círculo vicioso urbano, para não mencionar seus efeitos na mudança climática.

A tabela a seguir mostra a distribuição desigual do número de aparelhos pelo mundo, para alguns países selecionados:

Isto me faz lembrar um dilema interessante que ocorre na minha instituição de ensino. Em comparação com as universidades do Nordeste, a UnB possui poucos aparelhos de ar condicionado. Mas a demanda por instalar esses aparelhos tem crescido com passar do tempo. Tem existido demanda até em salas onde a simples abertura de janelas resolve o problema na maior parte do ano. A decisão de comprar os aparelhos tem um impacto importante no longo prazo sobre a conta de energia elétrica. Ou seja, aumenta o custeio e reduz a verba para as atividades mais relevantes.

01 outubro 2017

Custo do aquecimento global

Um relatório divulgado pelo National Geographic estimou que nos últimos dez anos a economia dos Estados Unidos teve um custo de 240 bilhões de dólares por ano em razão das mudanças climáticas devido a queima de combustíveis fósseis. Nesta estimativa não está incluso os três últimos furacões e 76 incêndios florestais.

24 março 2016

Clima e Exxon

A Securities and Exchange Commission, entidade que regula o mercado de capitais dos EUA, solicitou que a Exxon Mobil incluísse no seu relato a informação que sua rentabilidade pode ser afetada pela mudança no clima. A empresa era contra a proposta, que foi apresentada em dezembro, por um grupo de investidores.

A empresa tem resistido a reconhecer os problemas do clima, seja nas suas informações contábeis ou nos outros informes.

13 novembro 2015

Má conduta

A justiça de Nova Iorque está investigando a empresa Exxon por fraude. Ao longo dos últimos anos a empresa questionou as mudanças climáticas utilizando, para isto, pesquisas financiadas pela empresa. A justiça está verificando se a empresa está enganando o público com estas pesquisas.

Já se sabe que a empresa contrata pesquisadores para reforçar sua posição ou para criar dúvidas sobre pesquisas científicas. Em algumas empresas as técnicas incluem ataques aos pesquisadores por “má conduta”.

Leia mais aqui

30 outubro 2014

Listas: Os Países que mais estão contribuindo com o clima


4 – Dinamarca
5 - Reino Unido
6 - Portugal
7 - Suécia
8 - Suíça
9 - Malta
10 - França

Fonte: GermanWatch

(Os três primeiros lugares não foram considerados, pois nenhum país merece esta distinção). Agora os piores

61) Arábia Saudita
60) Cazaquistão
59) Irã
58) Canadá !!!
57) Austrália !!!
56) Rússia
55) Estônia
54) Turquia
53) Coréia do Sul !!!
52) Taiwan
51) Malásia

A posição do Brasil é intermediária:



A seguir, o mapa do mundo (de vermelho, os países que não ajudam o clima do mundo):

17 janeiro 2013

Brasil na Antártida


Há 30 anos, em dezembro de 1982, o navio oceanográfico W. Besnard levou a primeira equipe oficial de pesquisadores brasileiros para a Antártida, numa missão de grande significado político e científico para o País. Apesar da relevância inegável desse projeto, a efeméride serve menos para celebrar seus resultados até aqui, muito aquém do desejável, e mais para lembrar que o Brasil, em áreas críticas como educação e ciência, não consegue transformar sua vontade de ombrear-se com as grandes potências em realidade.
Embora aos leigos pareça apenas uma aventura de cientistas num lugar remoto e gelado do planeta, o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) é fundamental sob vários aspectos. O principal deles é o estudo do clima, porque é na Antártida que surgem as frentes frias que atingem a agricultura em várias partes do País, além de sua relação com outros fenômenos meteorológicos - alguns especialistas sustentam que a Antártida tem mais importância para o clima no Brasil do que a Amazônia, que, no entanto, recebe muito mais atenção. Ademais, os estudos sobre a cadeia alimentar de peixes e animais marinhos feitos na região têm utilidade imediata para o Brasil. E as pesquisas geológicas são relevantes porque, conforme prevê o Protocolo de Madri, assinado em 1959 por todos os países com reivindicações sobre o continente, o aproveitamento econômico dos recursos naturais da Antártida começará a ser debatido a partir de 2048.
Apesar disso, o Proantar recebe muito menos recursos do que deveria, sem mencionar que a disponibilidade da verba oscila de modo acentuado de ano para ano, dificultando qualquer planejamento. O orçamento era de R$ 2,7 milhões em 2002, passou para R$ 30 milhões em 2009 e caiu para R$ 10,7 milhões em 2012. A previsão para 2013 é de R$ 29 milhões. Para efeito de comparação, a China, que sente muito menos que o Brasil os efeitos climáticos originados na Antártida, investe dez vezes mais e tem três centrais de pesquisa no continente gelado. Já o orçamento dos EUA é mais que o dobro do chinês. Não se pode falar em "competição" observando números como esses.
Ademais, os R$ 29 milhões previstos para 2013 não cobrem os custos da reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, consumida num incêndio em fevereiro. Segundo cálculos de especialistas, seriam necessários R$ 100 milhões, dos quais R$ 34 milhões somente para desmontar a estrutura danificada. O próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação considera insuficiente o aporte de recursos e, em razão disso, projeta uma demora de até 10 anos para concluir o trabalho de reparação da estação.
O incêndio da base Comandante Ferraz foi a nota mais triste desses 30 anos de trabalho na Antártida - nele morreram dois militares e foi consumida parte considerável do trabalho científico lá desenvolvido. Mesmo essas pesquisas, no entanto, eram limitadas pelo fato de que os cientistas trabalhavam apenas na costa do continente, cujo clima é pouco representativo da Antártida em geral. Somente em 2012, os pesquisadores conseguiram instalar um módulo de estudos no interior da Antártida, permitindo a realização de investigações mais aprofundadas sobre geologia, química e astronomia, como já fazem outros países há muito tempo.
Pode-se argumentar que há outras prioridades para o investimento dos recursos públicos - se tiver de escolher entre comprar equipamentos militares para policiar fronteiras e financiar estudos científicos, o governo certamente fará a primeira opção. No entanto, não é incomum observarmos a alocação de polpudas verbas para rubricas de importância duvidosa, ainda que sempre se possa inventar algum "interesse nacional". Ou seja: o problema não é falta de dinheiro, mas de prioridades. A situação do Proantar é, portanto, uma marca da enorme distância que há entre as pretensões do governo, a respeito da capacidade do Brasil de rivalizar com as nações desenvolvidas, e a realidade de um país que investe muito pouco em áreas essenciais para tornar seu desenvolvimento efetivamente sustentável, e não assentado num amontoado de bravatas ufanistas.
Fonte: aqui