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31 maio 2022

As múltiplas camadas de proteção

 Olá, durante minhas férias subestimei minha capacidade de leitura e o interesse pelo livro Helifort Sky, de Clayton Mello. As páginas da aventura juvenil escrita pelo doutor de Ciências Contábeis e professor da UFRN foram vencidas rapidamente. A aventura do herói prendeu a atenção e fez com que o único livro físico que levei na viagem fosse consumido em alguns poucos dias. Tentei preencher meus dias com algumas leituras acumuladas, mas precisava de outro livro. No app do Kindle tinha Sem Esforço, de Greg McKeow, uma obra pequena, que dá dicas sobre como fazer algumas coisas consumindo menos energia do que fazemos. E para finalizar, também li A Premonição, de Michael Lewis - de Moneyball e O projeto desfazer.


É sobre este último livro que surgiu a ideia desta postagem. Lewis conta a história de alguns personagens da pandemia. Seu foco está Bob Glass, que construiu um modelo matemático para entender o processo de contaminação da sociedade por parte de um vírus; em Charaty Dean, uma agente de saúde, que luta contra a visão estreita do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) (1); Carter Mecher, um conselheiro da área de saúde (2), e Richard Hatchett, que desenvolveram uma parceria e discutiram o assunto antes da doença alastrar; Joe DeRisi, um cientista que desenvolveu um chip para identificar um vírus.

O que achei interessante foi a ideia de Carter Mecher de camadas múltiplas como estratégia para combater um problema de saúde grave, como ocorreu em 2020. Segundo a estratégia, Targeted Layered Contention (Contenção Dirigida em Camadas), uma medida isolada não seria suficiente para resolver uma doença. A abordagem era combinar estratégias em razão das características de um problema sério de saúde pública e ao comportamento da população. Isto estava previsto no modelo de Bob Glass. Antes de março de 2020, Glass tinha mostrado, em uma simulação, que medidas poderiam funcionar. Mais ainda, que nenhuma medida isolada seria capaz de resolver o problema. O isolamento social, proposto por Lisa Koonin (3), era apenas uma das medidas. Sobre o isolamento social, os opositores desta medida usaram a gripe de 1918 como um argumento; o livro “definitivo” sobre esta gripe, de John Barry (4), afirmava que o isolamento social não tinha funcionado na Filadélfia.

O livro de Barry foi lido pelo então presidente Bush, que forçou a criação de uma estratégia de contenção de uma doença. Mas a afirmação sobre a questão do isolamento social estava baseada em dados fragéis. Uma pesquisa de Hatchett, Carter e Lipsitch, publicada em 2007 (5), mostrava que uma realidade diferente, onde o isolamento social foi implantado de forma tardia e inadequada.

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A ideia de camadas múltiplas é bastante interessante e pode ter sua aplicação na contabilidade. Vamos pensar em um dos papéis que a contabilidade pode ajudar na gestão de uma empresa: permitir sua continuidade. Ao criar mecanismos de registro e acompanhamento do que está ocorrendo com e na entidade, a contabilidade é importante para que a sobrevivência seja mais provável.

Se considerarmos bons relatórios sobre a situação de uma entidade como sendo um aspecto importante para as decisões, a noção das camadas múltiplas pode ser interessante. Existe uma expectativa que o relatório do auditor externo seja suficiente para assegurar a qualidade da informação. Mas ao longo do tempo, os mecanismos em uma entidade moderna foram além. Há o conselho de auditoria, o conselho de administração, a própria auditoria interna, os canais de denúncia, a área de controladoria, o supervisor do mercado e até o próprio mercado. Cada um pode ser uma maneira de proteger a empresa de gestores com ética inadequada.

Mas assim como na área médica, nenhum deles sozinho, por si só, seja suficiente. É bem verdade que isto não é uma garantia para a continuidade. Afinal, as decisões ruins podem ser tomadas e comprometer a entidade sem que existam problemas de falcatruas. E até mesmo pode não impedir estas falcatruas, mas realmente reduz a chance. Isto é o aspecto mais interessante.

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Um ponto interessante nas camadas múltiplas (6) na contabilidade é que isto não apareceu de forma proposital e ordenada. Se antes o auditor interno era suficiente, o acesso ao mercado de capitais fez surgir a necessidade de também termos um auditor externo. E grandes corporações não poderiam depender somente destes dois profissionais e por isto o surgimento dos conselhos, dos reguladores e das outras camadas.

Mas há um aspecto irracional neste modelo. Em muitos casos, duas ou mais pessoas estarão fazendo a mesma função. Isto consome recursos, aumenta os custos da estrutura administrativa. Esta poderia ser uma daquelas situações para o cálculo da análise do custo e do benefício do modelo de múltiplas camadas. Mesmo que algumas das camadas sejam condições exigidas em lei para o funcionamento da entidade, isto não impede que isto seja feito.

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(1) Ver, por exemplo, o verbete da Wikipedia sobre a entidade e suas decisões durante a pandemia: https://en.wikipedia.org/wiki/Centers_for_Disease_Control_and_Prevention . Na mesma Wikipedia você pode encontrar um pequeno verbete sobre Charaty: https://en.wikipedia.org/wiki/Charity_Dean

(2) Ao contrário de Charity, a Wikipedia traz uma pequena citação de Mecher. O livro considera que Mecher foi uma espécie de guru para um pequeno grupo que sabia dos perigos da pandemia. Já Richard Hatchett https://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Hatchett, citado a seguir, ocupou cargos no governo federal e é mais conhecido do público externo. DeRisi é bastante elogiado no livro e um resumo também aparece na enciclopédia em https://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_DeRisi

(3) Veja sobre ela em https://en.wikipedia.org/wiki/Lisa_M._Koonin

(4) O livro tem uma tradução para o português, A Grande Gripe, com quase mil avaliações na Amazon.

(5) Esta pesquisa, com o título Public health interventions and epidemic intensity during the 1918 influenza pandemic, foi importante para derrubar o argumento. Mas a influência do livro ainda persiste: Hatchett, Richard J., Carter E. Mecher, and Marc Lipsitch. "Public health interventions and epidemic intensity during the 1918 influenza pandemic." Proceedings of the National Academy of Sciences 104.18 (2007): 7582-7587. O livro mostra também alguns “vilões”, como Sonia Angell https://en.wikipedia.org/wiki/Sonia_Y._Angell, que seria considerada inadequada e atrapalhou a implantação de medidas mais efetivas.

(6) O livro não usa o termo “camadas múltiplas” mas somente camadas ou camadas sobrepostas.

Desdobramento da EY

Big Four accounting firm Ernst & Young is considering a world-wide split of its audit and advisory businesses amid regulatory scrutiny of potential conflicts of interest in the profession, according to people familiar with the matter.

A split would be the biggest structural change at a Big Four firm since Arthur Andersen fell apart some 20 years ago.

The potential move would create two giant professional firms. EY last year had global revenue of $40 billion, of which $13.6 billion came from audit work.

How exactly the restructuring would work isn’t clear. The split could bolt some services, such as tax advice, onto the pure audit functions, one of the people familiar with the discussions said. The breakaway firm could then offer consulting and other advisory services to nonaudit clients.

[...]

Fonte: aqui



27 maio 2022

Culto da Siginificância Estatística

 

Se você prometer que não vai espalhar para todo mundo, vou contar um segredo sobre uma das técnicas principais usadas na ciência econômica moderna, o "teste estatístico de significância". Esse teste é usado em boa parte da ciência econômica, finanças, sociologia, psicologia e medicina modernas.

É difícil explicar. Em 1966, quando eu estava fazendo um exame oral no curso de pós-graduação em Harvard, me pediram para explicar. Não consegui. Eu já havia feito três cursos de econometria e dominado provas impressionantes de todos os tipos. Mas errei as balizas do gol por uns três metros.

Deixe-me tentar.

Não podemos perguntar a cada brasileira, todos os meses, se ela está empregada ou não. Custaria muito caro. Então fazemos a pergunta a uma amostra aleatória de brasileiros, possivelmente mil, e aplicamos o resultado à nação. Para uma pessoa não quantitativa, isso já soa absurdo. Mas eu fiz três semestres de economia e adoro números, de qualquer maneira.

Será que a estimativa é correta? O economista do Ministério do Trabalho responde: "É claro que sim. O tamanho da amostra é mil, então há uma probabilidade baixíssima de a estimativa estar muito errada em função de erro de amostragem". E então ele conclui com um sorrisinho satisfeito: "A estimativa é estatisticamente significativa".


Deixemos de lado certas preocupações quantitativas avançadas sobre se a amostra é de fato aleatória ou se erros de arredondamento nos programas de computador estão rendendo resultados incorretos. O problema fundamental é que o economista pensa que esse cálculo indica que a taxa de desemprego é importante, que ela tem importância. Entretanto, a precisão, nesse sentido estrito do termo, não significa nada desse tipo..

Para que algo seja importante, para que faça diferença, precisamos responder à pergunta filosófica sobre o que significa o desemprego e qual dimensão do desemprego o levaria a ter importância.

Sim, eu sei. É difícil de entender. Tão difícil que a ciência econômica e a medicina estatística não entendem.

Mais uma tentativa e então deixarei a seu cargo pesquisar a "controvérsia do teste da significância" na estatística econômica e médica. Faça um Google por David Rothman ou Stephen Ziliak, por exemplo. Artigo esta aqui.

Você me pergunta se está um dia bonito em Chicago. Eu respondo: "Seis". Você diz: "O que isso quer dizer?". Eu respondo, irritada: "Como assim, ‘o que quer dizer’. É seis. Você não acredita em números?".

Os números, assim como as palavras, não encerram um significado próprio. Pesquisadores econômicos e médicos pensam que sim. É um desastre científico.



Fonte: aqui

16 maio 2022

Bitcoin não tem futuro

 como rede de pagamentos, segundo Sam Bankman-Fried.

Bitcoin has no future as a payments network because of its inefficiency and high environmental costs, according to one of crypto’s most influential chief executives.

 Sam Bankman-Fried, founder of the digital asset exchange FTX, said the proof of work system of validating blockchain transactions, which underpins Bitcoin, is not capable of scaling up to cope with the millions of transactions that would be needed to make the crypto token an effective means of payment.

 “The Bitcoin network is not a payments network and it is not a scaling network,” said Bankman-Fried. His comments came as the fast-growing cryptocurrency market was hit by a punishing sell-off that left Bitcoin down by more than 35 per cent since January, at its lowest level since late 2020. Bitcoin is still seen by some crypto enthusiasts

Fonte: aqui



Transmissão Global da Política Monetária

Resumo:

We quantify global US monetary policy spillovers by employing a high-frequency identification and big data techniques, in conjunction with a large harmonised dataset covering 30 economies. We report three novel stylised facts. First, a US monetary policy tightening has large contractionary effects onto both advanced and emerging economies. Second, flexible exchange rates cannot fully insulate domestic economies, due to movements in risk premia that limit central banks’ ability to control the yield curve. Third, financial channels dominate over demand and exchange rate channels in the transmission to real variables, while the transmission via oil and commodity prices determines nominal spillovers.


Degasperi,Riccardo & Hong, Seokki Simon & Ricco, Giovanni, 2020. "The Global Transmission of U.S. Monetary Policy," The Warwick Economics Research Paper Series (TWERPS)1257, University of Warwick, Department of Economics.



05 maio 2022

Desonestidade

Pesquisa sobre a desonestidade, publicada pela American Psychological Association, no Psychological Bulletin deste ano. 

Although dishonesty is often a social phenomenon, it is primarily studied in individual settings. However, people frequently collaborate and engage in mutual dishonest acts. We report the first meta-analysis on collaborative dishonesty, analyzing 87,771 decisions (21 behavioral tasks; k = 123; nparticipants = 10,923). We provide an overview of all tasks used to measure collaborative dishonesty, and inform theory by conducting moderation analyses. Results reveal that collaborative dishonesty is higher (a) when financial incentives are high, (b) in lab than field studies, (c) when third parties experience no negative consequences, (d) in the absence of experimental deception, and (e) when groups consist of more males and (f) younger individuals. Further, in repeated interactions, group members’ behavior is correlated—participants lie more when their partners lie—and lying increases as the task progresses. These findings are in line with the justified ethicality theoretical perspective, suggesting prosocial concerns increase collaborative dishonesty, whereas honest-image concerns attenuate it. We discuss how findings inform theory, setting an agenda for future research on the collaborative roots of dishonesty

Os autores citam explicitamente um estudo brasileiro: 

Groups of three observe the same die-roll on a computer screen, and each group member is asked to report the outcome. Before making their reports, the group can chat for several minutes (via a computer chat). If all group members report the same outcome, they get paid based on the reported outcome. If group members report different outcomes, they get nothing.

A controvérsia é se o grupo influencia ou não:

The honest-image concern perspective suggests no effect for payoff alignment, because people’s concerns about viewing themselves, and others viewing them, as honest individuals, should not vary according to whether incentives are aligned or not. Initial results are mixed, finding that payoff alignment increases (Weisel & Shalvi, 2015), does not change (Beck et al., 2020), and decreases (Bonfim & Silva, 2018) collaborative dishonesty, rendering it especially worthy for meta-analytical examination

Perda do poder de compra

 



Nos últimos cinco anos, a inflação oficial do Brasil cresceu de forma cada vez mais intensa. Em 2018, o IPCA registrado no país foi de 3,75% – taxa que saltou para 10,06% em 2021. Já nos 12 meses até março deste ano, chegou a 11,30%, indicando mais um ano de preços em disparada.

Fonte: aqui


04 maio 2022

Consequências econômicas da precificação de carbono

Resumo:

This paper studies how carbon pricing affects emissions, economic aggregates and inequality. Exploiting institutional features of the European carbon market and high-frequency data, I identify a carbon policy shock. I find that a tighter carbon pricing regime leads to a significant increase in energy prices, a persistent fall in emissions and an uptick in green innovation. This comes at the cost of a temporary fall in economic activity, which is not borne equally across society: poorer households lower their consumption significantly while richer households are barely affected. Not only are the poor more exposed because of their higher energy share, they also experience a larger fall in their income. These indirect effects play a crucial role in the transmission, accounting for over 80 percent of the aggregate effect on consumption. My results suggest that targeted fiscal policy can reduce the economic costs of carbon pricing without compromising emission reductions.

Fonte: aqui



03 maio 2022

Criptomoedas segundo o EFRAG


O IASPlus lembra o documento do EFRAG sobre criptomoedas:

In July 2020, the European Financial Reporting Advisory Group (EFRAG) published a discussion paper (DP) 'Accounting for Crypto-Assets (Liabilities): Holder and Issuer Perspective'. The DP provided possible approaches to address the gaps in crypto-assets (liabilities) requirements. EFRAG has now reviewed the feedback received and derives recommendations for the IASB.

Based on the feedback received, EFRAG recommends clarifying or amending existing standards using a two-step approach. As a first step, EFRAG recommends addressing the accounting requirements for holders of crypto-assets by amending IAS 38 Intangible Assets to allow measuring crypto-assets or other intangibles within the scope of the standard at fair value through profit and loss and to develop disclosure requirements for issuers. As a second step EFRAG considers that it is important to also address issuer accounting in more detail and determine the appropriate accounting requirements for issuers, given the challenges that arise from the ambiguity on the nature of rights and obligations associated with the issuance of the novel and fast-moving crypto transactions.

O documento, de 41 páginas, pode ser encontrado aqui

02 maio 2022

A nova Governança Corporativa

 Resumo:

In the last few years, there has been a dramatic increase in shareholder engagement on environmental and social issues. In some cases shareholders are pushing companies to take actions that may reduce market value. It is hard to understand this behavior using the dominant corporate governance paradigm based on shareholder value maximization. We explain how jurisprudence has sustained this criterion in spite of its economic weaknesses. To overcome these weaknesses we propose the criterion of shareholder welfare maximization and argue that it can better explain observed behavior. Finally, we outline how shareholder welfare maximization can be implemented in practice. 


The New Corporate Governance . Oliver D. Hart and Luigi ZingalesApril 2022 




Rir é o melhor remédio

 


01 maio 2022

Volta ao trabalho


Qual a razão de estar sendo tão difícil de voltar ao trabalho? Antes da pandemia, eu ficava na minha sala na universidade o dia inteiro. Gostava dos meus poucos metros, onde podia trabalhar, tomar café e ler. 

No início de junho terei que voltar as minhas atividades na universidade. Em dois anos, estive uma vez na minha sala, há duas semanas. Confesso que não senti muita saudade. Uma pesquisa de 2010 ajuda a entender a razão da dificuldade que temos em voltar para nosso espaço no local de trabalho. Tim Harford resumiu esta pesquisa no seu blog:

Em 2010, os psicólogos Alex Haslam e Craig Knight montaram um experimento no qual os participantes foram solicitados a executar tarefas administrativas simples em vários espaços de escritórios. Eles testaram quatro layouts de escritório diferentes. Um foi despojado: mesa nua, cadeira giratória, lápis, papel, nada mais. O segundo layout foi suavizado com plantas de vaso e imagens florais quase abstratas. Os trabalhadores desfrutaram desse layout mais do que o minimalista e fizeram um trabalho melhor lá.

O terceiro e o quarto layouts foram superficialmente semelhantes, mas produziram resultados dramaticamente diferentes. Em cada um, os trabalhadores foram convidados a usar as mesmas plantas e imagens para decorar o espaço, antes de começarem a trabalhar, se assim o desejarem. Mas em um deles, o pesquisador entrou depois que o sujeito terminou de decorar e depois reorganizou algo. A diferença física foi trivial, mas o impacto na produtividade e na satisfação no trabalho foi dramático. Quando os trabalhadores tiveram o poder de moldar seu próprio espaço, eles fizeram mais e melhor trabalho e sentiram muito mais conteúdo. Quando os trabalhadores foram deliberadamente destituídos, seu trabalho sofreu e, é claro, eles o odiavam. "Eu queria bater em você", admitiu um participante mais tarde.

Não era o ambiente em si que era estressante ou perturbador - era a falta de controle.

Em nossa casa temos uma percepção de controle maior. O espaço que trabalho é quase do mesmo tamanho da minha sala na universidade. Mas posso trazer uma cadeira de outro local, ir ao banheiro sem topar com um desconhecido ou ter que escutar o discurso que sai de um carro.

Foto: Nick Morrison

Emissão de carbono e IFAC

 O IFAC - entidade que congrega os profissionais contábeis mundiais - publicou o relatório da pegada de carbono. 

Para 2021, o Ifac, em parceria com a ClimatePartner mediram a Corporate Carbon Footprint (CCF) da empresa. A medida foi baseada no Greenhouse Gas Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard (GHG Protocol).

O principal resultado encontra-se a seguir