Durante décadas, essa
empresa viveu um mundo de sonho: era quase monopólio de um produto que as pessoas compravam para demonstrar status e riqueza. Com isso, podia impor preços e controlar gostos.
Os últimos anos trouxeram um banho de realidade. O presente e o futuro não serão iguais aos anos dourados. Tudo isso em razão de uma série de fatores estratégicos e, especialmente, de uma mudança tecnológica.
Um diamante não é mais para sempre, e a De Beers está vivendo essa fase. Entre os fatores estratégicos, destaca-se a redução do mercado de luxo na China, além da situação da Índia, onde os diamantes são negociados e lapidados, que tem sofrido a pressão dos Estados Unidos. Mas o ponto crucial é uma inovação tecnológica que permitiu que a produção de pedras passe a ser feita em laboratório, com qualidade bastante aceitável.
No cenário atual, a situação exige a revisão dos valores que constam no balanço da Anglo American, que detém a unidade De Beers. Em termos contábeis, faz-se necessário que o teste de recuperabilidade reflita esse ambiente. E a Anglo American acaba de anunciar uma baixa de 2,3 bilhões de dólares, com consequência no resultado da empresa: prejuízo líquido de 3,7 bilhões.
Antes disso, a empresa buscou diversificação. Os negócios hoje estão voltados para o cobre e o ferro. Há também um plano de vender a De Beers a sócios, incluindo governos de dois países africanos.