O apoio público a intervenções políticas depende das crenças dos cidadãos sobre os seus efeitos prováveis. Examinamos como os indivíduos formam tais crenças ao estudar suas previsões de resultados experimentais em um cenário relevante para políticas públicas, e por que suas previsões diferem dos referenciais dos especialistas. Obtivemos previsões de 127 economistas profissionais e de uma amostra representativa de 6.200 famílias alemãs sobre um experimento comportamental de larga escala em política educacional (N=3.133). Os não especialistas preveem tanto os resultados médios quanto os efeitos do tratamento com muito menos precisão do que os especialistas. A precisão das previsões melhora com priors calibrados, esforço autorrelatado e o uso de raciocínio estruturado, mas permanece bem abaixo dos níveis dos especialistas. Demonstramos que características de design escaláveis — incluindo o fornecimento de âncoras numéricas bem calibradas e incentivos monetários para aumentar o esforço — melhoram as previsões dos não especialistas, com efeitos de magnitude comparável ao ensino superior ou ao raciocínio estruturado. Nossas descobertas têm implicações importantes para reduzir a 'lacuna de expertise' no discurso público.
Imagem: Verbete Prediction, Wikipedia24 março 2026
Plágio, ciência ruim e a recusa em reconhecer o problema: o caso da Management Science
Alguns meses atrás, publicamos um post: 'Este artigo na Management Science foi citado mais de 6.000 vezes. Executivos de Wall Street, altos funcionários do governo e até um ex-vice-presidente dos EUA já o referenciaram. Ele possui falhas fatais, e a comunidade acadêmica se recusa a fazer algo a respeito', que tratava de um artigo fatalmente falho, porém muito influente, na Management Science.
O artigo em questão afirmava ter descoberto que 'empresas de alta sustentabilidade superam significativamente suas contrapartes no longo prazo, tanto em termos de mercado de ações quanto de desempenho contábil'. Eu conjecturo que uma das razões para o grande sucesso do artigo foi o fato de ele promover uma mensagem reconfortante que seria popular em todo o espectro político: para a esquerda, é uma evidência a favor da sustentabilidade ambiental e social; para a direita, é um exemplo do sucesso do livre mercado, sugerindo que, se você se preocupa com a sustentabilidade, pode obtê-la sem regulamentação governamental; e, para o centro, é uma mensagem de que o sistema funciona. Ele se encaixa perfeitamente na ideologia presunçosa de base das escolas de negócios de que as empresas prosperam ao fazer o bem.
Discussão de Gelman sobre a dificuldade de inibir casos de plágio. O artigo em questão já foi citado quase 7 mil vezes, segundo o Scholar, e teve uma influência muito expressiva.
Infelizmente, o método descrito no artigo não é o método que os autores realmente utilizaram. Os autores finalmente reconheceram isso em setembro de 2025, após dois anos de pressão. No entanto, eles se recusaram a enviar uma errata.
Entrei em contato com o periódico, Management Science, mas as políticas deles permitem apenas que os autores solicitem correções. Eles me permitiram enviar um comentário para revisão, já que julgaram que os autores não estavam respondendo, mas isso deve passar por um longo processo de análise.
Também entrei em contato com Escritórios de Integridade em Pesquisa, pois acredito que isso constitua uma violação contínua: os autores estão se recusando conscientemente a corrigir um erro admitido em seu estudo.
London Business School (Ioannou) alega que não há violação porque ele não realizou a análise. (Para mim, isso parece irrelevante para a questão de corrigir um erro de relato).
Harvard Business School (empregadora de Serafeim) recusou-se a divulgar a existência ou o resultado de qualquer revisão interna.
Oxford (onde Eccles está afiliado atualmente) alega que Harvard é responsável pelas ações de Eccles, já que a pesquisa ocorreu quando ele estava na HBS.
Entrei em contato com o UK RIO, mas eles dizem que não têm poder de atuação.
O texto prossegue com citações para Dan Ariely e Freakonomics. E outros. Uma boa leitura
Relatório do FSB
Enquanto aguardamos o relatório anual da Fundação IFRS, o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) divulgou o seu de 2025. No texto, o destaque para os trabalhos em promover a resiliência do sistema financeiro global em situação de aumento da dívida soberana, presença da volatilidade dos criptoativos e na presença da intermediação financeira não bancária.
Noruega muda sua maneira de fazer normas
O jeito viking de fazer normas:
A organização norueguesa responsável pela definição de normas, Norsk RegnskapsStiftelse (NRS), lançou uma consulta pública sobre uma proposta de nova estratégia para a elaboração de normas contábeis na instituição. O contexto dessa consulta é o fato de que a NRS foi, pela primeira vez, incluída no orçamento nacional, recebendo uma subvenção de quatro milhões de coroas norueguesas para fortalecer seu trabalho em normas nacionais de contabilidade e escrituração.
Este recurso permite que a NRS retome, de forma mais ativa, o trabalho de normatização. Em 2015, o Ministério das Finanças da Noruega publicou uma minuta de uma nova Lei de Contabilidade e sugeriu a substituição das atuais normas norueguesas por requisitos baseados no IFRS para PMEs. No entanto, em 2017, o governo recuou desse plano ambicioso e, desde então, foram feitas apenas as atualizações mínimas necessárias. Diversas normas existentes precisam urgentemente de atualização, e certas áreas carecem totalmente de regulamentação, incluindo reconhecimento de receita, ativos imobilizados e a distinção entre capital próprio e dívida.
A nova estratégia sugerida agora não foca no IFRS para PMEs, mas sim na busca por possíveis soluções para questões contábeis dentro das IFRS completas. A consulta sugere os três pilares a seguir para a atualização das normas existentes e o desenvolvimento de novos padrões de relatórios financeiros:
Garantir a conformidade com os marcos legais e as práticas norueguesas;
Avaliar soluções internacionais reconhecidas (IFRS);
Equilibrar a necessidade de relatórios financeiros de alta qualidade com os custos de conformidade.
A NRS planeja começar com tarefas que exijam recursos moderados (normas finais com necessidade limitada de atualização), ao mesmo tempo em que lançará pelo menos um novo projeto em 2026.
Imagem: Wikipedia23 março 2026
Meta anuncia o fim do Metaverso
Devo confessar solenemente minha ignorância: nunca entendi direito para que usar o Metaverso da Meta. O anúncio do encerramento do projeto, que projetava um bilhão de usuários, significou uma queima de 80 bilhões de dólares.
O número de usuários ficou muito distante da promessa e a parte gráfica sempre foi muito criticada. E muitos rejeitaram ou ignoraram. Os óculos de realidade virtual eram desconfortáveis.
O que terminou com a experiência foi a IA. Diante desse novo mundo, a Meta decidiu priorizar seus recursos para o desenvolvimento e incorporação da inteligência artificial nos seus produtos. Nem a mudança de nome funcionou.
Normas do Setor Público publicadas no Diário Oficial
O Conselho Federal de Contabilidade publicou, na semana passada, no Diário Oficial da União, 31 normas aplicadas ao setor público. Ainda que aprovadas recentemente, diversas delas já passaram por revisões, em consonância com os Handbooks 2024 e 2025 do IPSASB.
Chama atenção, contudo, o intervalo entre aprovação e oficialização: aprovadas entre meados de novembro e dezembro, as normas somente foram publicadas no DOU cerca de três meses depois. Em um ambiente que demanda tempestividade normativa, esse hiato merece reflexão.
Observa-se, ainda, a ausência da Estrutura Conceitual no conjunto divulgado. Considerando que a publicação ocorreu de forma dispersa, seria oportuno que o CFC organizasse uma edição consolidada em PDF, à semelhança do que faz o IPSASB, facilitando o acesso e a aplicação das normas.
O link das normas pode ser encontrado aqui
IA será CEO da Meta?
Parece loucura, mas a fonte é o The Wall Street Journal (via aqui). O presidente executivo da Meta (leia-se Instagram e Whatsapp), Mark Zuckerberg, estaria construindo uma IA de si próprio, ou seja um clone digital de Zuckerberg, para ajudá-lo no trabalho.
A IA ajudaria o executivo a obter informações mais rapidamente e tudo leva a crer que ele acredita no projeto a ponto de lhe delegar algumas funções. Recentemente, a empresa Meta reconheceu que a construção do Metaverso foi um grande fracasso e que perdeu 80 bilhões de dólares com o projeto. Podemos então imaginar a IA cometendo erros desse tamanho nas suas decisões.
Obviamente, a proposta também visa reduzir os 78 mil empregados da empresa.





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