Com um índice h de 75, o cientista da computação Thippa Reddy Gadekallu figura entre os pesquisadores mais citados do mundo. Mas a rapidez e os meios pelos quais ascendeu a esses elevados patamares acadêmicos foram tão notáveis quanto a própria conquista. Em menos de uma década, Gadekallu, professor da Universidade Agrícola e Florestal de Zhejiang, na China, conseguiu sair da obscuridade científica por meio da colaboração com colegas do mundo todo, que citam o trabalho uns dos outros de maneiras que levantam questionamentos. Em alguns anos, Gadekallu recebeu mais citações do que Yoshua Bengio , pioneiro em inteligência artificial e o cientista da computação mais bem avaliado no Google Acadêmico.
Estudos anteriores revelaram uma rede de revisores de artigos editados por Gadekallu que frequentemente sugeriam a inclusão de citações em seus trabalhos. Uma análise mais detalhada feita pelo Retraction Watch mostra o impacto dessa estratégia no índice h de Gadekallu e revela outros possíveis colaboradores nessa rede.
“Cara, isso é uma loucura”, disse Vincent Larivière, cientista da informação da Universidade de Montreal, a quem pedimos para analisar as métricas. “Esses números são definitivamente suspeitos.”
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Já tive uma experiência interessante publicando no Brasil. Um artigo em co-autoria ficou travado em um parecerista, implicado com a revisão da literatura. Uma conversa entre os autores e chegou-se a conclusão que alguém que pesquisou na área estava impondo obstáculo. A desconfiança cresceu quando resolvemos citar essa pessoa e, voilá, o artigo foi aceito.
Conheço uma pessoa que toda vez que participa de congresso ou discussão científica faz questão de dizer que já publicou sobre o assunto. Talvez não seja tão grave, mas incomoda. Desconfio dessa pessoa e sua intenção.