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28 agosto 2026

Catástrofe pode ajudar a construir uma cultura de longo prazo

O resumo:


Desastres naturais expõem as sociedades a um ambiente externo que exige adaptação com visão de futuro. Este artigo argumenta que sociedades com maior exposição histórica a desastres naturais têm maior probabilidade de desenvolver normas orientadas para o longo prazo, que enfatizam a preparação, a poupança e o bem-estar futuro. Testamos essa hipótese relacionando a exposição histórica a terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas, de 4360 a.C. a 1980 d.C., com a orientação contemporânea para o longo prazo. A exposição a desastres é representada por uma medida baseada na distância, que agrega a proximidade a grandes eventos catastróficos ao longo de extensos horizontes temporais. A orientação para o longo prazo é examinada utilizando tradições folclóricas em nível étnico e evidências baseadas em pesquisas em nível individual e nacional. Em todos os níveis de análise, constatamos que uma maior exposição cumulativa a desastres está associada a uma orientação para o longo prazo significativamente mais forte. Evidências do folclore e de migrantes de segunda geração sugerem que esses efeitos operam por meio da adaptação cultural e da transmissão intergeracional.

Meng Liu, Jun Wang, James B. Ang, Per G. Fredriksson, From catastrophe to culture: The role of historical disasters in shaping long-term orientation, Journal of Development Economics, Volume 184, 2027

Faz lembrar a narrativa que nosso país não tem desastre natural sério, mas Deus compensou com sua população. Foto da Wikipedia


 Fonte: aqui

Páginas escritas por IA estão predominando na internet

 

Após o surgimento do GPT, uma de cada três páginas são criadas pela IA. Os dados originais são daqui, via aqui

27 agosto 2026

Mortes violentas no Brasil

 

Fonte: aqui

Parece promissor, mas 19 homicídios por 100 mil habitantes é cinco vezes dos Estados Unidos. Em termos históricos, e conforme O Otimista Racional, p93, o valor atual atingido pelo Brasil é o mesmo que existia na Europa em 1550. 

Talvez fosse interessante verificar se há uma relação com os gastos públicos em segurança, mas algo precisa ser feito ainda. 

Disfluência da fala gerencial


 Eis o resumo:

Com base na literatura que demonstra que a disfluência da fala transmite informações sobre a incerteza do falante, criamos uma medida de incerteza da empresa com base na disfluência da fala gerencial em teleconferências sobre resultados e examinamos seu impacto sobre os analistas. Mostramos que, quando os gestores exibem maior disfluência (que denominamos “incerteza acústica gerencial”) em suas respostas às perguntas dos analistas, a dispersão das previsões dos analistas aumenta, mesmo após considerar as características da linguagem utilizada por gestores e analistas. Além disso, constatamos que a associação positiva entre incerteza acústica e dispersão das previsões dos analistas se concentra em teleconferências nas quais as respostas gerenciais exibem maior especificidade e informações prospectivas, e para empresas com notícias de resultados mais negativas e ambientes de informação mais fracos. Nossos resultados são consistentes com a incerteza expressa nas características acústicas da fala gerencial que afetam os participantes do mercado e sugerem que nossa medida captura um aspecto único da incerteza da empresa.

The Sound of Uncertainty: Examining Managerial Acoustic Uncertainty in Conference Calls - Journal of Accounting and Economics (forthcoming) - Daniela De la Parra e John Gallemore

Imagem aqui

Rir é o melhor remédio

 

Fonte: /reddit/accounting

26 agosto 2026

Usando IA para fazer previsões na contabilidade

Scott Alexander é um articulista influente e que vale a pena acompanhar e ler. Em julho, ele publicou um texto questionando se os sistemas de inteligência artificial seriam capazes de fazer previsões tão boas quanto os melhores humanos. Alexander não está falando de GPT ou Claude, mas de um modelo de IA que foca no processo preditivo. E esse modelo é raro e não está acessível gratuitamente.


Em torneios preditivos, como os da Metaculus, os melhores humanos ainda possuem pontuações superiores às dos sistemas especializados, mas a diferença é relativamente pequena e podemos dizer que haveria um empate nessa disputa, embora ele acredite que a IA vença em finanças, além de ter uma vantagem em rapidez e custo. E isso pode permitir que os produtos de previsões sejam incorporados pelas empresas e governos nas suas atividades rotineiras.

A questão de modelos de previsão de IA poderem ultrapassar os seres humanos merece uma ressalva, já que parte desse desempenho ocorre em itens bem definidos, verificáveis e de curto prazo. Não temos ainda evidências de que sejam bons em questões abertas, de longo prazo e com situações complexas. Mas só o fato de que uma IA consiga chegar próximo, nas suas previsões, aos melhores humanos, com baixo custo e uma escala quase que ilimitada, já traz consequências enormes, segundo Alexander.

Foquemos na contabilidade. Parte dela depende de previsões, como o tempo de vida útil de um carro elétrico ou a chance de recebimento de um valor devido por outra entidade. O profissional que lida com isso precisa de modelos preditivos ou então confiar em regras, em um argumento de autoridade, na palavra do fabricante ou em regras simplórias. A existência de modelos de inteligência artificial pode facilitar muito esse tipo de trabalho. Mas muitas das atividades da contabilidade que exigem previsão não possuem um histórico de informações suficiente para construir um modelo de decisão para uma inteligência artificial. Ou não possuem o feedback necessário para calibrar o processo. Talvez o impacto da IA fazendo previsões seja residual na contabilidade, mas pode ser um prenúncio para melhorar as previsões. Quem saberia dizer se essa previsão é adequada?