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18 fevereiro 2026

Milhas aéreas como um ativo


No livro Teoria da Contabilidade, Niyama e Silva discutem a questão das milhas aéreas. Acontece que a discussão é sob a ótica do passivo, da empresa que lança o plano de bonificação. E, sob a ótica de quem recebe as milhas, a discussão também é interessante. Mas, como geralmente não acontece nas empresas, o assunto não tem tanta relevância para a contabilidade financeira.

(Aqui um parêntese: muitas empresas exigem que seus funcionários repassem as milhas para a própria empresa, que irá usá-las no futuro. Estamos assumindo que não é essa a situação, mas que a empresa paga para seu funcionário e este coloca as milhas em sua conta pessoal. Isso também cabe discussão.)

Se, na companhia aérea, as milhas correspondem a um passivo, do lado de quem está usando o serviço — uma empresa ou uma pessoa — as milhas seriam um ativo. Mas o reconhecimento depende não somente de satisfazer a definição, mas também da mensuração. Se um passageiro ganha as milhas, mas isso não é suficiente para resgatar sob a forma de um bilhete extra, não devemos considerar como um ativo. É o caso do passageiro que viaja pouco por uma empresa e as milhas expiram com o tempo. Mas, caso exista chance de ocorrer o resgate das milhas, estas serão um ativo.

Em um mundo ideal, as milhas contabilizadas no passivo da empresa aérea deveriam ser iguais à soma das milhas existentes nos ativos das pessoas, físicas ou jurídicas. Na prática, não acontece por uma série de razões. De pronto, muitas pessoas não “reconhecem” as milhas em seus ativos, inclusive por não terem uma “contabilidade” adequada, como é o caso das pessoas físicas. Outra razão é que, para muitas empresas aéreas, o custo da milha é somente o custo variável, já que o custo fixo não depende do passageiro extra proveniente dos programas de fidelidade. Em alguns casos, a obtenção de pontos para serem trocados por milhas pode ser feita em transações fora do transporte aéreo, como é o caso do cliente que usa o cartão de crédito em uma compra em uma loja.

Para os consumidores que consomem seus recursos visando obter os bônus que darão direito à troca por milhas — e muitas vezes o fazem só por essa finalidade — as milhas podem ter um impacto negativo e não deveriam ser, rigorosamente, um ativo.

Foto aqui 

Orgulho de um país

Olha que interessante. Uma pesquisa perguntou a mais de 30 mil pessoas em 25 nações o que faz se sentir orgulhoso do país. Cada respondente explicou seus motivos, como pessoas, diversidade, governo, economia, cultura, estilo de vida e outras coisas mais.

Entre os países, o Brasil e 25% afirmaram ser um país acolhedor, o que significa um clima social positivo. Fatores naturais, como paisagem e geografia, abrangeram 17% das respostas, o que inclui a falta de desastres naturais. Mas um de cinco mencionaram algo negativo na sua resposta. 

Você pode consultar no link as respostas dos outros países.  

Rir é o melhor remédio


 Grande Maurício. Fechado para Balanço. 

17 fevereiro 2026

Cartel no Cafe nos anos 30


Investigamos como um cartel de commodities é criado ao estudar as negociações entre Colômbia e Brasil para estabilizar o mercado internacional de café na década de 1930. Mostramos como diferenças entre os atores envolvidos na indústria dentro dos países negociadores — em termos de propriedade da terra e do tipo de café produzido — impediram acordos iniciais de cartelização. A cartelização só foi alcançada quando quatro fatores convergiram: capacidade financeira e de infraestrutura para armazenar a produção excedente, conhecimento aprofundado da indústria por parte dos negociadores, pleno apoio governamental e presença de um terceiro agente fiscalizador. Combinamos uma abordagem inovadora de teoria dos jogos com fontes arquivísticas anteriormente inexploradas.

Link aqui 

Robles-Baez C, Medina LF, Bucheli M. The Political Economy of Commodity Cartel Formation: The Case of Coffee, 1930–1940. The Journal of Economic History. 2025;85(4):1066-1100. doi:10.1017/S0022050725100831
 

Resistência à IA e repugnância

 


De alimentos geneticamente modificados a veículos autônomos, a sociedade frequentemente resiste a tecnologias que, de outro modo, seriam benéficas. A resistência pode surgir de preocupações baseadas no desempenho, que diminuem à medida que a tecnologia melhora, ou de objeções baseadas em princípios, que persistem independentemente da capacidade. Utilizando uma pesquisa em larga escala nos Estados Unidos, com cotas compatíveis à demografia do censo e avaliando 940 ocupações (N = 23.570 avaliações de ocupações), distinguimos essas fontes no contexto da inteligência artificial (IA). Apesar da ansiedade cultural sobre a substituição de trabalhadores humanos pela IA, constatamos que os americanos demonstram surpreendente disposição em ceder a maioria das ocupações às máquinas. Dadas as capacidades atuais da IA, o público já apoia a automação de 30% das ocupações. Quando a IA é descrita como superando humanos a um custo menor, o apoio à automação quase dobra, chegando a 58% das ocupações. Ainda assim, um subconjunto restrito (12%) — incluindo cuidado, terapia e liderança espiritual — permanece categoricamente fora de cogitação, pois tal automação é vista como moralmente repugnante. Essa mudança revela que, para a maioria das ocupações, a resistência à IA está enraizada em preocupações de desempenho que desaparecem conforme suas capacidades melhoram, e não em objeções de princípio sobre quais trabalhos devem permanecer humanos. As ocupações que enfrentam resistência pública ao uso de IA tendem a oferecer salários mais altos e empregar desproporcionalmente trabalhadores brancos e mulheres. Assim, a resistência pública à IA corre o risco de reforçar desigualdades econômicas e raciais, ao mesmo tempo em que mitiga parcialmente desigualdades de gênero. Esses achados esclarecem a “economia moral do trabalho”, na qual a sociedade protege certos papéis não por limitações técnicas, mas por crenças duradouras sobre dignidade, cuidado e significado. Ao distinguir objeções baseadas em desempenho daquelas baseadas em princípios, fornecemos um arcabouço para antecipar e lidar com a resistência à adoção de tecnologias em diferentes domínios.

O artigo foi publicado na HBR, mas pode ser também lido aqui . Não há uma citação específica ao contador, mas a pesquisa trabalhou com tarefas próximas a nossa profissão

16 fevereiro 2026

Celular é um vício para os idosos

Ouço muito dizer que os jovens de hoje são menos esforçados e não querem nada com o trabalho sério e árduo. Logo em seguida, mencionam o celular — dizem que eles só querem ficar no aparelho. Mas parece que pesquisas recentes mostram que algo novo está ocorrendo: os 'viciados' em celular não são os mais jovens, mas sim os mais velhos.


Tudo bem que o 'tempo de tela' é uma métrica questionável. Quando coloco o temporizador no relógio, o relatório semanal acusa que usei a tela naqueles minutos, quando, na verdade, era apenas um alerta para interromper uma tarefa. Além disso, os dados são específicos de apenas um país. No entanto, a evolução do uso de celular mostra que as pessoas estão usando o aparelho cada vez mais.

O que surpreende é que adultos com mais de 36 anos usam mais o dispositivo do que jovens entre 17 e 25 anos. A diferença de tempo médio é pequena, mas o resultado não deixa de ser uma surpresa. O que explica esses dados? Primeiro, há um esforço dos jovens para se desconectarem. Eles realizam atividades onde o celular é proibido, como em certas aulas, ou onde o uso é menos frequente, como em baladas. Já os mais velhos adotaram de vez a tecnologia, que hoje é muito mais amigável para quem não nasceu no mundo conectado.

Professores universitários e a lista de Epstein


Um texto do Inside Higher Education chama a atenção para professores que tiveram ligação com Jeffrey Epstein. Tais professores geralmente atuavam em universidades de ponta e eram conhecidos por sua influência no campo de pesquisa. A divulgação dos arquivos de Epstein comprova que os nomes são realmente influentes.

A consequência é que alguns deles foram afastados da sala de aula ou tiveram centros de pesquisa fechados. Alguns renunciaram a seus postos; outros estão sendo investigados. Eventos foram cancelados e apurações estão sendo realizadas.

Apesar de alguns alegarem contatos apenas acadêmicos ou filantrópicos, a associação com o criminoso gerou pressão institucional em razão desse vínculo indevido. O texto cita vários professores, incluindo, por exemplo, Gelernter (foto), professor de computação em Yale, que correspondeu com Epstein entre 2009 e 2015. Os documentos mencionam visitas e mulheres, sendo que Gelernter recomendou uma aluna para uma posição, ressaltando que era uma loura bonita.

Outro, Mark Tramo, da UCLA, na área de neurologia, chegou a receber dinheiro de Epstein. Com as revelações, Tramo afirmou que não tinha ideia de que Epstein era um pervertido. Contudo, há mensagens que mostram que ele sabia da condenação de Epstein em 2007.

Outros nomes que estão na lista: Dan Ariely, Edward Boyden, Noam Chomsky, George Church, Richard Dawkins, Stephen Hawking, Jack Horner, Stephen Kosslyn, Martin Nowak, Steven Pinker, Lisa Randall, Larry Summers, Corina Tarnita, Robert Trivers e Nathan Wolfe.