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22 junho 2026

Big Four na Índia e incoerência: crescimento acelerado, mas não comparável.


Do Economic Times 

As unidades indianas das quatro maiores firmas de auditoria encerraram o ano fiscal de 2026 como algumas das operações de crescimento mais rápido dentro de suas redes globais, em um momento em que o crescimento permaneceu lento em mercados maduros, o lucrativo mercado do Oriente Médio desacelerou e algumas regiões continuaram a registrar demissões. No ano fiscal de 2026, a PwC reportou uma receita bruta de cerca de 140 bilhões de rúpias, com crescimento de 21%, a Deloitte registrou 145 bilhões de rúpias, com crescimento de 22%. As receitas da KPMG ultrapassaram 100 bilhões de rupias, incluindo royalties, a venda de um ativo único e a receita da KDN, seu centro global de serviços. Já a EY, cujo ano fiscal termina em 30 de junho, ultrapassou 160 bilhões de rupias, segundo dois sócios seniores que falaram sob condição de anonimato.

Comparar as empresas, no entanto, não é simples. As empresas, que operam como parcerias privadas, estão em uma corrida para parecerem maiores e têm adotado cada vez mais diferentes estilos de divulgação de receita. Alguns incluem despesas repassadas aos clientes, GST (Imposto sobre Bens e Serviços), royalties recebidos pela sede global, trabalho terceirizado, trabalho focado na Índia executado por meio de centros de entrega globais e até mesmo venda de ativos, criando uma variação de 10% a 25% nos valores da receita.

Via aqui. Imagem aqui

CFC busca na Fazenda um apoio para o retorno da obrigatoriedade das normas de sustentabilidade.

Eis a notícia do CFC: 


Diante do impasse (1) provocado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ao tornar facultativos os reportes de sustentabilidade das companhias abertas, o presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim Bezerra, encaminhou (2) na quinta-feira (18) ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, uma proposta técnica que busca destravar o debate regulatório sobre o tema.

A iniciativa é resultado de processo de articulação (3) liderado pelo CFC com as demais entidades integrantes do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), responsável pela emissão dos pronunciamentos técnicos brasileiros de sustentabilidade alinhados às normas internacionais emitidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB). Instituído em 2022, o Comitê reúne entidades representativas da contabilidade, da academia, da auditoria, da governança corporativa, do mercado de capitais, dos investidores e das próprias companhias abertas.

Na manifestação, o CFC propõe um modelo de convergência gradual assistida. Na prática (4), a medida adia por dois anos a obrigatoriedade dos reportes de sustentabilidade, sem eliminar essa exigência. As companhias abertas continuariam podendo aderir voluntariamente ao modelo em 2026 e 2027 e passariam a seguir a regra de forma obrigatória a partir de 2028. Segundo o Conselho, a solução busca equilibrar o tempo necessário para adaptação das empresas com a necessidade de preservar a comparabilidade das informações e a credibilidade do mercado de capitais brasileiro.

O Conselho Federal de Contabilidade destaca ainda que a medida contribui para assegurar previsibilidade regulatória (5) e a segurança jurídica (6) no ambiente de negócios, além de fortalecer a confiança dos investidores e manter (7) a convergência do Brasil aos padrões internacionais de sustentabilidade.

“Trata-se, em essência, de converter um recuo (8) em adiamento qualificado visando preservar a proporcionalidade pretendida pela autarquia sem sacrificar a comparabilidade, a conectividade com as demonstrações financeiras e o capital reputacional do mercado de capitais brasileiro”, justificou Joaquim Bezerra no ofício.

O documento reafirma a disposição do CFC e do CBPS para colaborar tecnicamente com o Ministério da Fazenda, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e demais órgãos envolvidos na construção de soluções que promovam transparência, desenvolvimento sustentável e geração de valor para o mercado e para a sociedade.

Quando se analisa o documento final, constante do link citado, é possível perceber que é um documento bastante razoável, com chance de ser levado em consideração e alguns bons argumentos. Também é louvável que o CFC tenha evidenciado o movimento e o documento. Meus comentários ao texto da reportagem: 

1. Em vez de "impasse", talvez fosse mais preciso dizer que o documento do CBPS não foi endossado pela CVM, que exerceu sua prerrogativa regulatória ao tornar o reporte facultativo. A palavra impasse sugere que nenhum dos lados cedeu, quando, na verdade, há uma decisão tomada — e cabe à CVM tomá-la.

2. O encaminhamento por ofício, em lugar de uma entrega presencial, pode refletir simplesmente a agenda do Ministro. Não seria razoável extrair desse fato qualquer sinalização mais definitiva.

3. O termo "articulação" merece uma nota: o CBPS é coordenado pelo CFC, e o ofício traz apenas a assinatura do seu presidente. A participação das demais entidades do Comitê na elaboração da proposta não fica explícita no documento.

4. A expressão "na prática" pode criar uma expectativa equivocada de que a proposta já seria adotada. Trata-se, até o momento, de uma sugestão encaminhada ao Ministério.

5. A questão de previsibilidade é genuína: uma norma foi aprovada, amadurecida por anos e depois revertida. Isso cria incerteza para as companhias que já haviam iniciado processos de adaptação.

6. A menção à "segurança jurídica" parece um pouco além do que o caso comporta. Não há propriamente insegurança jurídica — a CVM agiu dentro de suas competências. O ponto mais preciso seria falar em instabilidade regulatória.

7. Vale distinguir: a decisão da CVM não rompe com os padrões técnicos do ISSB — quem reportar continua obrigado a seguir o CBPS/ISSB. O que se perdeu foi a obrigatoriedade universal, não a convergência para quem adere.

8. A palavra "recuo" no ofício é uma escolha retórica que coloca o CFC no papel de guardião da agenda, quando o protagonismo da decisão — em qualquer sentido — é da CVM. É um recurso compreensível em um documento de advocacy, mas o leitor deve ter isso em mente.A grande questão é que não sabemos a razão efetiva para a mudança de posição da CVM. Pode ser uma pressão das próprias empresas de capital aberto, que sabem do custo de produção da informação. 

19 junho 2026

Faz sentido o valor da Anthropic?


Sobre a avaliação da empresa do Claude:

Então, a Anthropologie vai abrir capital ! A empresa está avaliada em quase US$ 1 trilhão, então este será um dos maiores IPOs da história — o único concorrente é a SpaceX, que também deve abrir capital em breve. Será um dos maiores eventos de criação de riqueza da história — os sete fundadores da empresa terão um patrimônio líquido de quase US$ 20 bilhões cada , e os funcionários comuns terão patrimônio líquido na casa dos milhões ou dezenas de milhões. Adeus, minhas chances de comprar uma casa em São Francisco!

Se a Anthropic vale essa avaliação não é o tema deste post, mas acho interessante mencionar. A Anthropic está apresentando um crescimento de receita mais impressionante do que qualquer outra empresa na história, tendo recentemente ultrapassado a OpenAI para uma taxa anualizada de cerca de US$ 45 bilhões. As preocupações de que a empresa não fosse lucrativa foram dissipadas por esse crescimento exponencial — a Anthropic está prestes a obter seu primeiro lucro operacional .

Na verdade, acho que o preço oferecido pela Anthropic é bastante conservador. Um múltiplo de 20 vezes a receita anualizada não é tão caro para uma empresa que cresce 130% por trimestre . Obviamente, esse crescimento vai se estabilizar em breve, mas bastaria pouco mais de um ano desse ritmo para que a Anthropic fosse precificada como uma ação de valor. A cautela na precificação provavelmente reflete o perigo da concorrência, tanto da OpenAI quanto dos modelos chineses de código aberto baratos que estão sempre à espreita dos líderes .

O motivo da ascensão meteórica da Anthropic, é claro, reside no sucesso de seus agentes de programação. Durante anos, a OpenAI lutou para encontrar um mercado para seus chatbots de última geração; todos estavam impressionados com a tecnologia e todos a utilizavam, mas ninguém conseguia descobrir como gerar valor econômico significativo com ela. A Anthropic basicamente resolveu esse problema ao ser a primeira a inventar agentes de programação utilizáveis ​​— IAs que escrevem software por conta própria. O Claude Code, software de agentes da Anthropic, ganhou enorme valor de marca, mesmo que o produto Codex da OpenAI seja competitivo em termos de qualidade.

Isso representava um verdadeiro encaixe produto-mercado. A IA já havia provado seu funcionamento em termos da tecnologia subjacente — provavelmente por volta de 2024, quando os modelos de raciocínio reduziram o problema das alucinações. Agora, ela havia encontrado seu aplicativo matador — o equivalente ao comércio eletrônico e às buscas na internet, ou às planilhas e aos processadores de texto para computadores. De repente, todo mundo no mundo estava “ maximizando tokens ” — tentando usar agentes de codificação o máximo possível.

Noé Smith e a newsletter de 2 de junho. Parece existir uma grande tendência das empresas gastarem dinheiro em Tokens, mas sem ter uma ideia sobre o uso. Ou seja, boa parte do uso de IA não está sendo feito em produtos reais, que serão lançados no mercado. 

Smith lembra que "apenas 18% dos gastos com tokens se traduzem em produtos de programação entregues que chegam a usuários reais". Isso não seria uma ameaça para as receitas da Anthropic? 

O patrimônio oculto de Messina Denaro


O italiano Matteo Messina Denaro nasceu em 1962 e faleceu em 2023. Conhecido como Diabolik, um personagem dos quadrinhos, foi chefe da máfia italiana e fugitivo desde os anos 90. Filho de um mafioso, levava uma vida fora dos padrões tradicionais de valores familiares e conservadores da organização criminosa, mas isso não o impediu de chegar ao topo da organização.

Em 1993, um atentado matou dois procuradores italianos, o que levou a uma campanha do governo italiano para coibir a ação da máfia. A prisão do importante membro Salvatore Riina e a introdução de um regime prisional mais duro fizeram com que a Cosa Nostra, um dos nomes da organização criminosa italiana, começasse uma campanha com ataques a bomba, incluindo na famosa Galeria Uffizi. Em 1999, recebeu a sua primeira sentença de prisão perpétua, à revelia, pela morte de um guarda prisional.

Na clandestinidade, Messina Denaro construiu um grande patrimônio. Alguns dos seus ativos foram apreendidos em 2008 pelas autoridades italianas e estavam avaliados em 700 milhões de euros. Incluíam empresas, prédios, terrenos, entre outros. Mais ativos foram confiscados em 2010, avaliados em 550 milhões de euros. Isso mostra o poder econômico de Messina Denaro. Ainda em 2010, foram apreendidos 1,5 bilhão de um testa de ferro. A estratégia da polícia era reduzir o poder financeiro do mafioso. Ao longo dos anos seguintes, novos ativos foram apreendidos.

Mesmo com todo o cerco, a polícia tinha dificuldade de capturar o mafioso. Somente em 2021 foi divulgado o primeiro vídeo do criminoso, em que ele aparece dentro de um automóvel. Sua prisão ocorreu no início de 2023. Messina Denaro passou 30 anos foragido e foi capturado em uma clínica privada onde recebia tratamento para um câncer. Morreu meses depois. Mesmo com todas as apreensões, os ativos dele estavam estimados em 4 bilhões de euros.

Três anos depois, o governo italiano ainda busca os ativos do mafioso. No final de maio, foram apreendidos 232 milhões de dólares, incluindo 12 quilos de barras de ouro, dinheiro vivo, relógios de luxo e 20 imóveis em nove países. Combater o crime organizado é retirar sua força financeira, que financia políticos corruptos, pressiona pessoas corretas e mina o sistema como um todo.


18 junho 2026

Normas ambientais: SEC recua

Em junho de 2026, a SEC, entidade que monitora o mercado de capitais dos Estados Unidos, propôs revogar integralmente suas regras de divulgação climática adotadas em 2024. Essas normas exigiam relatórios detalhados sobre emissões de gases de efeito estufa e riscos climáticos nas demonstrações financeiras. Quando da aprovação, as normas provocaram polêmica por dois motivos. Primeiro, que a SEC estava fugindo da sua competência. Segundo, que os custos das informações era elevado demais. 

Apesar da aprovação, as normas nunca entraram em vigor e o motivo foram as contestações legais. Se forem revogadas, as empresas continuarão adotando as normas de divulgação de 2010. 

Mudanças na evidenciação da DR nos Estados Unidos


Os Estados Unidos aprovaram, recentemente, uma mudança na norma referente a despesas na demonstração do resultado. A mudança, de final de 2024 e que entra em vigor no final de 2026, não altera o reconhecimento, mensuração ou classificação, mas muda a desagregação de itens de despesas, através das notas explicativas. 

O ponto central das mudanças é a palavra desagregação. Em muitas empresas, alguns grandes itens são divulgados sem muito detalhamento. Um exemplo típico é o custo das vendas, que geralmente é um valor expressivo. Assim, será necessário divulgar as compras de insumos, salários de empregados, depreciação, depleção e amortização. Além do custo das vendas, a desagregação atinge também despesas gerais e administrativas e pesquisa e desenvolvimento. 

As exigências são válidas para empresas com ações negociadas no mercado de capitais. 

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Contabilidade de Data Center


O Fasb começou uma discussão emergente relacionada com a contabilidade de data center. Segundo a newsletter do Fasb, a discussão, ainda dentro do IAC - o braço responsável por analisar novas questões contábeis, observa

que estruturas complexas envolvendo data centers incluem arrendamentos, garantias, compromissos de fornecimento de energia e transações circulares. Essa complexidade pode obscurecer as obrigações e a exposição ao risco de uma companhia, pois os detalhes aparecem em múltiplas notas explicativas. Além disso, mudanças rápidas na infraestrutura de inteligência artificial podem encurtar ou alterar a vida útil dos ativos e dificultar a previsão da depreciação.