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26 agosto 2026

Usando IA para fazer previsões na contabilidade

Scott Alexander é um articulista influente e que vale a pena acompanhar e ler. Em julho, ele publicou um texto questionando se os sistemas de inteligência artificial seriam capazes de fazer previsões tão boas quanto os melhores humanos. Alexander não está falando de GPT ou Claude, mas de um modelo de IA que foca no processo preditivo. E esse modelo é raro e não está acessível gratuitamente.


Em torneios preditivos, como os da Metaculus, os melhores humanos ainda possuem pontuações superiores às dos sistemas especializados, mas a diferença é relativamente pequena e podemos dizer que haveria um empate nessa disputa, embora ele acredite que a IA vença em finanças, além de ter uma vantagem em rapidez e custo. E isso pode permitir que os produtos de previsões sejam incorporados pelas empresas e governos nas suas atividades rotineiras.

A questão de modelos de previsão de IA poderem ultrapassar os seres humanos merece uma ressalva, já que parte desse desempenho ocorre em itens bem definidos, verificáveis e de curto prazo. Não temos ainda evidências de que sejam bons em questões abertas, de longo prazo e com situações complexas. Mas só o fato de que uma IA consiga chegar próximo, nas suas previsões, aos melhores humanos, com baixo custo e uma escala quase que ilimitada, já traz consequências enormes, segundo Alexander.

Foquemos na contabilidade. Parte dela depende de previsões, como o tempo de vida útil de um carro elétrico ou a chance de recebimento de um valor devido por outra entidade. O profissional que lida com isso precisa de modelos preditivos ou então confiar em regras, em um argumento de autoridade, na palavra do fabricante ou em regras simplórias. A existência de modelos de inteligência artificial pode facilitar muito esse tipo de trabalho. Mas muitas das atividades da contabilidade que exigem previsão não possuem um histórico de informações suficiente para construir um modelo de decisão para uma inteligência artificial. Ou não possuem o feedback necessário para calibrar o processo. Talvez o impacto da IA fazendo previsões seja residual na contabilidade, mas pode ser um prenúncio para melhorar as previsões. Quem saberia dizer se essa previsão é adequada?

25 agosto 2026

Hayek na UnB

Este artigo examina as visitas de Friedrich Hayek ao Brasil durante a ditadura militar, contrastando-as com suas experiências no Chile e na Argentina. Fontes primárias, incluindo correspondências e registros jornalísticos, são utilizadas para reconstruir as atividades de Hayek no Brasil e analisar a fria recepção que ele recebeu das autoridades governamentais. O artigo argumenta que, diferentemente do Chile e da Argentina, onde Hayek foi recebido por altos funcionários e suas ideias foram utilizadas para apoiar políticas econômicas, no Brasil sua presença foi ignorada pelo governo. Os autores atribuem essa diferença à estratégia de desenvolvimento nacional adotada pelo regime militar brasileiro, que favorecia uma forte intervenção estatal na economia. O artigo conclui que a utilidade de economistas renomados para regimes autoritários depende da compatibilidade de suas ideias com as políticas econômicas vigentes. As viagens dos economistas devem ser compreendidas não apenas pela perspectiva da oferta, ou seja, sua motivação para conhecer e influenciar o mundo, mas também pela demanda por suas ideias por parte de grupos ligados ao governo.


O texto completo pode ser encontrado aqui

O seminário planejado em Brasília não aconteceu, o que representa um forte contraste com as viagens de Hayek ao Chile e à Argentina. Enquanto nesses países ele foi recebido por seus mais altos líderes, na capital brasileira as maiores autoridades que encontrou foram José Carlos Azevedo, reitor da Universidade de Brasília (UnB), e diversos chefes de departamento.Ele chegou a visitar o Congresso Nacional, mas a recepção foi constrangedora. Um jornal local destacou o contraste entre a recepção festiva dada à atriz holandesa Sylvia Kristel, estrela do filme Emmanuelle, e a dada ao ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1974 ( Correio Braziliense , 3 de dezembro de 1977).

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Hayek foi então a Brasília para ministrar dois seminários; o conteúdo de um deles, juntamente com a sessão de perguntas e respostas conduzida por Maksoud, foi publicado em Hayek 1981. Mais uma vez, Hayek encontrou-se com José Carlos Azevedo, que ainda era reitor da UnB. Azevedo tentou intermediar um encontro entre Hayek e Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil. Ele enviou uma mensagem a Heitor Ferreira, secretário de Golbery, em 5 de maio de 1981, informando-o da chegada de Hayek à capital e afirmando: “Se o senhor ou o Ministro Golbery estiverem interessados ​​em encontrá-lo, digam-me o que devo fazer”. Heitor encaminhou a mensagem a Golbery, que respondeu: “Heitor, acho que valeria a pena encontrá-lo. Infelizmente, não tenho tempo. Consulte minha agenda”

Era estudante na UnB nessa época e a universidade promovia grandes palestras com pessoas relevantes da ciência mundial. Mais sobre Hayek aqui e aqui

Trabalhe mais


De um depoimento dado pelo CEO da PwC

Os colaboradores podem sair do trabalho na sexta-feira, aproveitar o fim de semana e voltar na segunda-feira. Ou podem dedicar um tempo nos fins de semana para pesquisar e entender melhor um problema, de modo a chegarem mais bem preparados na segunda-feira.

Essa pessoa realiza o trabalho extra por curiosidade, não porque lhe pediram para fazê-lo, afirmou o sócio sênior e CEO nos EUA.

“Na segunda-feira, os dois voltam, e você sabe o que acontece”, disse Griggs. “A pessoa que fez a pesquisa aprende as coisas um pouco mais rápido. E o que acontece então? Essa pessoa acaba com mais trabalho”, completou Griggs.

Educativo. 

24 agosto 2026

Custo para ir ao espaço

 ... que o custo médio de envio de um quilograma para a órbita caiu de 87.023 USD em 1960 para 3.868 USD em 2025. Usando a estrutura da Lei de Wright, estimamos que, para cada duplicação da carga útil cumulativa enviada para a órbita, o custo médio de envio de um quilograma para a órbita diminui em 21,2%...

Isso é economia de escala na prática. O texto original está aqui. Mas foi no Managerial Economics que li esse trecho. Eis o gráfico



Uma fraude de 1600 anos


Arqueólogos encontraram em Estratoniceia, no oeste da atual Turquia, inscrições em pedra que ajudam a reconstruir um grande esquema de fraude tributária ocorrido no Império Romano há cerca de 1.600 anos. A partir de aproximadamente 465 d.C., autoridades começaram a receber denúncias de que coletores de impostos em regiões da Ásia Menor entregavam recibos sem registrar corretamente os valores pagos. Depois, informavam ao Tesouro imperial quantias menores e apropriavam-se da diferença. 

O problema persistiu por cerca de 15 anos e chegou a envolver propriedades ligadas à família imperial. Em 480 d.C., o prefeito pretoriano Flavius Illus Pusaeus Dionysius adotou medidas mais duras e determinou que os envolvidos no esquema poderiam ser condenados à morte. Historiadores acreditam, porém, que a ameaça tinha forte caráter simbólico: mais do que proteger a arrecadação, pretendia reafirmar a autoridade do imperador diante de funcionários que desobedeciam suas ordens. Não há evidências de que a pena tenha sido efetivamente aplicada.

Leia mais em Popular Science

23 agosto 2026

Uma história de sustentabilidade


Um estudo realizado em fazendas de cacau na Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau, revelou que o monitoramento da sustentabilidade pode ser vulnerável à manipulação de dados. Os pesquisadores afirmam que suas descobertas levantam sérias questões sobre a confiabilidade com que empresas e sistemas de certificação podem verificar as alegações referentes aos padrões ambientais e sociais de produtos como o chocolate.

As auditorias de sustentabilidade deveriam dar às empresas de alimentos e bebidas a confiança de que as alegações que fazem sobre suas cadeias de suprimentos resistem ao escrutínio. No entanto, a pesquisa da ETH Zurich sobre o cultivo de cacau sugere que o próprio processo de auditoria pode criar um incentivo para produzir a resposta "certa".

As conclusões podem ter especial relevância para as empresas que se preparam para cumprir o Regulamento da UE sobre o Desflorestamento, que exige que as empresas demonstrem que as mercadorias, incluindo o cacau, vendidas na UE não estão ligadas ao desflorestamento ou à degradação florestal em todo o mundo.

Via aqui. Original aqui

21 agosto 2026

Proposta de alteração na "constituição" da Fundação IFRS

Em uma semana com novidades, a Fundação IFRS anunciou uma consulta pública para mudar sua "constituição":

Dimensão do Conselho: O tamanho proposto para os Conselhos seria "entre oito e doze membros".

Equilíbrio geográfico do Conselho: O equilíbrio proposto seria de dois membros de cada uma das seguintes regiões: Ásia-Oceania, Europa e Américas, e um membro da África. As vagas restantes poderiam ser preenchidas por membros de diferentes regiões, desde que o equilíbrio geral não fique distorcido.

Mecanismos de votação: As alterações propostas exigiriam maioria simples mais um voto adicional para aprovar minutas de exposição e normas, com um mínimo de cinco votos afirmativos; para outras decisões — incluindo a publicação de um documento de discussão ou um pedido de informação — o limite de votação existente de maioria simples seria mantido e seria introduzida uma disposição de votação mínima que exigiria pelo menos quatro votos afirmativos.

Outras alterações propostas dizem respeito à duração dos mandatos dos membros do conselho [de 8 anos até no máximo 10 anos], ao cronograma das consultas sobre o plano de trabalho, à exigência de que sempre haja uma fundamentação para as conclusões que acompanham uma norma ou uma minuta para consulta pública, ao título e à descrição do Diretor-Geral e à remoção das disposições temporárias para o ISSB.