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18 setembro 2020

Marca e a decisão legal da obra de Banksy


O artista conhecido por Banksy perdeu um processo judicial contra uma empresa de cartões comemorativos, Full Color Black, e a sua marca poderá estar “em risco”, segundo escreve o “The Guardian”, esta sexta-feira, 18 de setembro. 

O Instituto da propriedade intelectual da União Europeia (EUIPO) explicou que escolheu contra o artista por não considerar que Banksy possa ser identificado como o proprietário inquestionável das obras porque sempre manteve o anonimato.

“Banksy optou por permanecer anónimo e, na maioria das vezes, pintar grafites na propriedade de outras pessoas sem a sua autorização, em vez de pintar num quadro ou numa propriedade própria”, frisou o EUIPO.

O caso remonta a 2004, quando a empresa Full Color Black quis registar como marca comercial uma imagem desenhada por Banksy em Jerusalém, a Flower Thrower, onde surge um homem a atirar um ramo de flores.

Para impedir que a Full Color Black conseguisse comercializar a Flower Thrower, Banksy abriu uma loja em Croydon, no sul de Londres. “Uma empresa de postais de felicitações está a contestar a marca registada que atribuo à minha arte”, referiu o artista em comunicado, acrescentando que estavam a tentar “ vender legalmente sua mercadoria falsa de Banksy”.

No entanto, o EUIPO considerou que a loja do artista, que inicialmente vendia apenas através da internet, vendia mercadorias “pouco práticas e ofensivas”. Entre os itens vendidos estavam bolas de discoteca feitas de capacetes ​​da polícia, bem como réplicas do colete esfaqueado usado pelo rapper Stormzy no seu espetáculo em Glastonbury, em 2019.

O painel de três juízes concluiu que “a sua intenção não era usar a marca como marca para comercializar mercadorias. Estas ações são inconsistentes com práticas honestas”.

Aaron Mills, advogado de marcas registadas da Blaser Mills, que representou a Full Color Black , apontou que a decisão pode significar que outras marcas registadas de Banksy estão em risco. “Se não houve intenção de uso, a marca é inválida e também existe a questão da fraude. Na verdade, todas as marcas registadas de Banksy estão em risco, pois todo o portfólio tem o mesmo problema ”, disse ao “World Trademark Review” citado pelo “The Guardian”.

O advogado da Full Color Black, sublinhou ainda à “BBC News” que a empresa que representa está “muito satisfeita com o resultado”. “Banksy sempre considerou que copyright era para perdedores, e se quisesse contestar que alguém utilizasse uma das suas obras, normalmente precisaria contar com o copyright”, afirmou Aaron Mills. (Marques, Bianca. Jornal Econômico. Bansky perde batalha legal e tem marca em risco, 18 de set 2020)

Contabilidade? - A questão legal pode influenciar no reconhecimento de um ativo. Veja que a empresa que registrou a pintura agiu no sentido de aproveitar a legislação, mesmo que isto pareça "estranho". É interessante que a decisão judicial é contra um artista que não gosta da exploração comercial da arte. 

CAPM não funciona

Determining the right price for a business on the auction block can often befuddle even the most experienced valuation professionals.

For decades, the Capital Asset Pricing Model (CAPM) has been used by business school professors, CFOs, and valuation experts to gain valuable information on risk and price. Unfortunately, the method, which predicts the expected return of an asset as a function of its beta, is not always accurate.

While the CAPM’s limits are widely known, new research shows the extent to which using the method can cause significant errors in the valuation of a company that’s up for sale.

By examining 12,000 takeover bids for private companies between 1977 and 2015, the authors of a forthcoming study show that using the CAPM to value targets leads to valuation errors that correspond to an average range of 12% to 33% of deal values.

The researchers arrived at their results by developing a model that assessed the cumulative abnormal return of the bidder’s stock in response to the bid; the value of the target’s equity as assessed by the market; and the price paid by the bidder.


The CAPM formula doesn’t work — it doesn’t give the right price of risk,” saidDavid Thesmar,one of the study’s authors and an MIT Sloan professor of financial economics. “It becomes a problem to actually evaluate businesses when we want to buy them, because we don’t know the price of risk, and we’re using that formula.”

Experts have used the CAPM for years, especially in business schools when introducing ideas of risk and return, portfolio theory, diversification, and other fundamental concepts. The authors estimated in their research that between 73.5% and 90% of CFOs and valuation professionals still use the CAPM.

Dessaint, Olivier and Olivier, Jacques and Otto, Clemens A. and Thesmar, David, CAPM-Based Company (Mis)valuations (October 24, 2019). Rotman School of Management Working Paper No. 3050928.



Rir é o melhor remédio

 

A verdade na nossa época

17 setembro 2020

Enquanto isto, na educação nos tempos atuais....

 



Três casos. Mas outros mais aqui

Deloitte punida na Inglaterra


Uma notícia da Inglaterra: 

A Deloitte foi punida com uma multa recorde pelas “sérias e repetidas falhas” na auditoria à empresa de software Autonomy, reporta a Reuters. A multa de 15 milhões de libras (16,4 milhões de euros) foi decretada esta quinta-feira pelo Conselho de Reporte Financeiro do Reino Unido. 

Em causa estavam as demonstrações financeiras da Autonomy em 2009 e 2010, antes de ser comprada pela Hewlett Packard (HP) em 2011. Depois desta aquisição, que se fez por 11 mil milhões de dólares (9,3 mil milhões de euros), a HP viria a reduzir o valor da empresa em três quartos, alegando ter sido defraudada nas finanças da Autonomy. 

O regulador britânico veio agora dar razão à queixa da HP, tendo também sancionados dois dos sócios da Deloitte envolvidos na auditoria. A empresa e os colaboradores defendem-se dizendo que as suas práticas “evoluíram significativamente desde que esta auditoria foi realizada há mais de uma década”, cita a Reuters. A decisão surge depois de um demorado processo, incluindo um recurso posto pela consultora para os tribunais em julho.

Precisamos da Representação Fidedigna na Contabilidade?

Com o desenvolvimento da estrutura conceitual, a partir do Fasb e mais recentemente com o Iasb, a representação fiel ou fidedigna foi elevada ao patamar de verdade absoluta para a contabilidade. Mas será que efetivamente devemos considerar a representação fiel como um modelo a ser buscado pela contabilidade? 

Antes de responder, vejamos duas figuras, retiradas de um artigo da David Perell. O primeiro é um desenho de Pablo Picasso. Este pintor espanhol foi considerado um dos maiores do século XX. Entretanto, muitas pessoas, quando olham uma das suas pinturas, acredita que seja algo fácil de ser feita. No nosso primeiro exemplo temos o desenho de um touro. 


A primeira tentativa de Picasso apresenta os principais contornos do animal e realmente parece indicar o que esperaríamos de um touro. Os dois desenhos seguintes, no alto da figura, aumenta a complexidade e os detalhes do animal. A partir daí, Picasso começa um processo de reduzir a figura ao que ele entende ser a essência do touro. Ao final de mais quatro tentativas, o animal é desenhado em algumas linhas (figura do canto direito, no meio). O processo de simplificação conduz ao resultado final, onde o touro é desenhado a partir de algumas poucas linhas. 

O que seria um desenho que “qualquer criança” poderia fazer, na realidade é fruto de estudos. É preciso primeiro entender toda complexidade do animal, para entender sua essência. 

Vamos passar para o segundo exemplo apresentado por Perell. Eis o mapa do metrô de Nova York, com as suas estações.


Este mapa foi produzido para que o usuário possa usar o transporte e saber sua estação. Para isto, quem fez o mapa produziu diversas distorções. Este mapa não representa, de maneira fidedigna, as estações e o entorno do metrô: ele não mostra todas as ruas e o Central Park está representado de maneira que parece mais um quadrado do que um retângulo. São alguns dos exemplos das distorções do mapa. Seguramente o desenho seria reprovado por um rigoroso desenhista. Mas mesmo assim, este é o mapa usado pelo metrô para orientar os passageiros. É ele que tem a função de indicar a melhor estação para quem deseja chegar ao seu destino. Provavelmente deve servir ao seu propósito.

Estes dois exemplos mostram que nem sempre a representação fiel é o desejável em outras áreas. Por que isto também não seria verdadeiro na contabilidade? Pegue qualquer demonstração contábil, de qualquer empresa. A partir da representação fiel feita pelo contador, o usuário tem uma boa noção do que é relevante? Provavelmente não. Tanto é assim que algumas empresas aperfeiçoam o desenho feito pelo contador (talvez o quarto, no canto direito, da figura do touro) e apresentam sua configuração sob a forma de transparências na apresentação para os investidores (talvez os desenhos do meio da figura do touro). 

Rir é o melhor remédio

 

corte orçamentário 

16 setembro 2020

Quando os pareceristas não olham o Background Studies


Uma das razões da revisão pelos pares é que os especialistas na sua área deveriam conhecer as principais referências. E saberiam dizer se os estudos que suportam as hipóteses de um estudo (ou a expectativa de resultado), também conhecido como Background ou Revisão de Literatura, realmente expressam isto. 

Tem muito, muito, mas muito comum um autor usar Garrison - autor de custos - para falar sobre a importância da informação para decisão ou Hendricksen para afirmar que os estudos atuais de história ... Nada contra Garrison ou Hendricksen, mas o primeiro é autor de um bom livro de custos para graduação e o segundo escreveu um bom livro de Teoria nos anos 80 (traduzido no Brasil nos anos 90). É muito comum usar o CPC para falar sobre o usuário da contabilidade (a Estrutura Conceitual é rasa neste ponto). E assim por diante. 

O Retraction Watch - um site muito bom sobre problemas de pesquisa na ciência em geral - publicou um texto sobre uma retratação dos autores quando algumas referências não suportavam as conclusões. Parece básico e que deveria ter sido observado pelos pareceristas. Mas não foi. 

Eis um trecho da retratação: "Fomos notificados de possíveis discrepâncias entre três artigos citados na seção Background Studies do artigo publicado. Os artigos citados não aparecem relacionados aos dados que estavam sendo usados para descrever."

Ah, sim, já tive experiência diversas com esta questão do Background. Em algumas poucas delas eu deixei registrado minha discordância; em outras, confesso que me acomodei, pois geralmente a Revisão é a parte mais "chata" de um artigo; no último grupo, deixei de dar atenção para este ponto. Mea culpa

Imagem aqui

Presidente mundial da EY manifesta arrependimento pela Wirecard

 Demorou um pouco, mas...

En una carta dirigida a sus clientes, el presidente mundial de EY ha expresado su pesar por el hecho de que los auditores de su empresa no descubrieran antes el fraude cometido por la empresa alemana de tecnología financiera Wirecard, que ha quebrado

Para aqueles que não lembram, a empresa alemã Wirecard foi auditada muitos anos pela EY. Os auditores fizeram uma barbeiragem e não perceberam que a empresa estava manipulando a conta bancos. O arrependimento é um pouco tardio, já que jornalista do FT já tinham notado problemas com 

Caridade com o bolso alheio


Recentemente comentamos um ranking das empresas que mais fizeram caridade:

Realmente não sei se faz sentido uma instituição ficar fazendo doação. O executivo aparece como "mocinho", mas o dinheiro é do acionista. Parece hipocrisia. Mas quando imagina que uma doação pode gerar uma imagem favorável da empresa perante seus clientes, talvez a decisão não seja tão inadequada assim. Talvez.

Nos 50 anos do famoso artigo de Milton Friedman (postamos há dois dias), eis um argumento neste sentido de Oliver Hart:

Um exemplo que acho que Friedman estava certo foram as contribuições de caridade. Este é um exemplo famoso. Não acho que as empresas tenham uma vantagem comparativa em doar para instituições de caridade. Seria muito melhor para eles pegar o dinheiro que dariam para a caridade, entregá-lo aos acionistas e deixar que cada um deles decida quanto dar à sua instituição de caridade favorita

Mas quando se trata de coisas como a pegada de carbono, as empresas estão, na verdade, em uma posição muito melhor para ajudar nas mudanças climáticas do que os indivíduos. E se você perguntar aos acionistas individuais: Você estaria disposto a abrir mão de algum lucro, algum dinheiro, algum valor de longo prazo para os acionistas e, em troca, sua empresa se tornará mais verde? Muitos acionistas, os mesmos que instalam painéis solares ou compram carros elétricos, podem muito bem dizer "sim". E, nesse caso, se a maioria pensa assim, acho que a empresa deveria fazer a coisa verde.

Imagem: aqui

Escreva de manhã


Um conjunto de dicas sobre escrita, preparada pelo Grammarly, a segunda dica é Escreva de Manhã. Eis o que diz a dica: 

Para muitas pessoas, escrever é mais fácil logo após uma boa noite de sono. A pesquisa da Grammarly também mostra que os madrugadores cometem menos erros de escrita. 

30 Writing Tips to Make Writing Easier - Karen Hertzberg

Será? 

Rir é o melhor remédio


 Preocupações quando se tem um bom contador

Consequências da Precificação via Algoritimos

 Resumo:

Increasingly, pricing algorithms are supplanting human decision makers in on-line markets. To analyze the possible consequences, we study experimentally the behavior of algorithms powered by Artificial Intelligence (Q-learning) in a workhorse oligopoly model of repeated price competition. We find that the algorithms consistently learn to charge supra-competitive prices, without communicating with one another. The high prices are sustained by classical collusive strategies with a finite phase of punishment followed by a gradual return to cooperation. This finding is robust to asymmetries in cost or demand, changes in the number of players, and various forms of uncertainty.


Calvano, Emilio and Calzolari, Giacomo and Denicolo, Vincenzo and Pastorello, Sergio, Artificial Intelligence, Algorithmic Pricing and Collusion. American Economic Review.



15 setembro 2020

Mesmo erro há 300 anos


Os contemporâneos de Newton o viam como o homem mais inteligente do mundo. Se ele podia dar tão errado - arriscar algo como metade de sua riqueza de uma forma imprudente - o mesmo poderia acontecer com qualquer pessoa. A pesquisa publicada no ano passado pelo matemático Andrew Odlyzko sobre as ações de Newton durante a bolha do Mar do Sul ilumina não apenas os erros antigos do grande pensador, mas também um padrão de loucura humana que se repete continuamente. Quando os mercados financeiros oferecem a tentação de valores sempre crescentes, nem mesmo as pessoas mais inteligentes conseguem resistir.

Investidores têm cometido o mesmo erro há 300 anos. Imagem da Wikipedia

Precificação do risco e sua relevância


Sobre os incêndios na costa do pacífico dos Estados Unidos, eis uma observação interessante da The Economist:

A Califórnia está agravando seus problemas ao minar a correta precificação do risco, o que seria essencial para encorajar os proprietários de imóveis a se mudarem das áreas mais perigosas. O Estado impôs regras novas e mal concebidas às seguradoras, impedindo-as temporariamente de rejeitarem a renovação de apólices em áreas de alto risco. E os reguladores estão desencorajando o setor de usar o risco de incêndio como razão para recusar negócios em qualquer região do Estado.

Foto aqui

(Desastre ambiental da Califórnia é produzido por ela mesma - 15 set 2020 - publicado no Estado de S Paulo)

Quando o regulador atua, isto pode terminar criando incentivos errados. A precificação do risco errada gera problemas graves como este. 

Contabilidade? - as vantagens e desvantagens da regulamentação, mesmo em outras áreas, merece atenção da contabilidade. Além disto, normas como esta podem influenciar as demonstrações contábeis das seguradoras. 

Rir é o melhor remédio

 

Ignorando a tarefa de casa

14 setembro 2020

Herbalife, China e Trump


 Há semanas, o presidente dos Estados Unidos ameaçou as empresas chinesas com ações negociadas na bolsa de valores do seu país. O motivo foi a falta de supervisão das entidades de fiscalização dos trabalhos dos auditores dos EUA, o PCAOB. Parecia o típico imperialismo ianque, mas os problemas de falta de controle da qualidade do trabalho dos auditores chineses é sério. 

Michael Rapoport, em Herbalife Nutrition is in hot water again (The Digg, 11 de set de 2020), conta que os auditores chineses não perceberam nenhum problema nas atividades da Herbalife em território chinês. A empresa foi condenada a pagar uma multa por suborno de autoridades do país asiático: 

That’s why the recent U.S.-China showdown over corporate audits is so important for investors. The Trump administration is threatening to boot Chinese companies out of U.S. markets if U.S. regulators aren’t able to monitor Chinese audit firms.

The Herbalife case shows what might happen if a U.S.-listed company’s Chinese business is being vetted by an auditor whose performance and objectivity are big question marks. It suggests the lack of oversight over Chinese audit firms poses real risks for investors - risks that are likely to continue unless something is done to fix the problem.

Outras empresas dos EUA, que possuem uma grande operação na China, como WalMart e 3M, também podem ter problema. O que ocorre na contabilidade chinesa, só os chineses podem indicar se está correto ou não. 

Redes Sociais e Contabilidade


Episódio da Série Ciência Aberta, conversando sobre a pesquisa de tese de doutorado do PPGCont/UnB: Uso de mídias sociais para divulgação voluntária: sentimento na UGC do Facebook e geração de valor para empresas de capital aberto. Pesquisadora: Profa. Dra. Ilka Gislayne de Melo Souza (UFBA). Orientador: Prof. Dr. César Augusto Tibúrcio Silva (UnB). Apresentador: Pedro Henrique Nascimento (Graduando em Ciências Contábeis/UnB).

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50 anos da doutrina da responsabilidade social de Friedman


Há 50 anos Milton Friedman publicava um artigo no New York Times Magazine sobre a responsabilidade social dos negócios. Trata-se de um manifesto onde Friedman afirmava que a responsabilidade é aumentar os lucros. Trata-se, talvez, da frase mais citada, da ideia econômica mais relevante do século XX. Influenciou a política econômica de Ronald Reagan e Margaret Thatcher. 

Friedman foi professor da Universidade de Chicago, prêmio Nobel de Econômica e faleceu em 2006, aos 94 anos de idade. O jornal NY Times preparou uma edição especial com artigos sobre o tema. Para quem recebe a newsletter de Andrew Sorkin por e-mail é possível ter um bom resumo dos artigos. Alguns dos artigos não concordam com os argumentos de Friedman, como o artigo de Schulz (Starbucks). 

Eis um trecho interessante:

A visão de primazia do acionista da corporação - que dá pouca voz aos trabalhadores, clientes e comunidades que são impactados pelas decisões corporativas - tem sido o modus operandi do capitalismo dos Estados Unidos. Por que essa visão se tornou tão dominante? Uma justificativa era prática. Em vez de ser solicitado a equilibrar vários interesses, muitas vezes conflitantes, entre as partes interessadas, o gerente recebe uma função objetiva simples. Mais importante, porém, era a crença ingênua, dominante na escola de Chicago na época, de que o que é bom para os acionistas é bom para a sociedade - uma crença que se apoiava no pressuposto de mercados em perfeito funcionamento. Infelizmente, esses mercados perfeitos existem apenas em livros de economia. (Marianne Bertrand, da Universidade de Chicago)

De Daniel Loeb:

O ensaio atemporal de Friedman ressoa hoje à medida que a América corporativa abraça o "capitalismo das partes interessadas", um conceito popular que é inconsistente com a lei. O capitalismo das partes interessadas distorce o incentivo que leva os investidores a arriscar seu capital: a promessa de lucro em seu investimento. Portanto, compartilho da preocupação de Friedman de que um movimento em direção à priorização de "partes interessadas" mal definidas pode permitir que alguns executivos busquem agendas pessoais - ou simplesmente camuflem sua própria incompetência (até que seja claramente revelada por baixos retornos para os acionistas). [Isto faz lembrar a confusão da Estrutura Conceitual em definir o usuário principal da contabilidade. Será válida a crítica de Loeb?]

Erika Karp tenta conciliar as duas visões (crítica de Bertrand e apoio de Loeb) com uma ressalva: impor o termo "longo prazo" na frase de Friedman. 

Há uma ponto de ciúme na análise de Stiglitz quando diz: 

Eu dei uma palestra na Universidade de Chicago por volta dessa época, apresentando uma versão inicial da minha pesquisa estabelecendo que, na presença de mercados de risco imperfeitos e informações incompletas - isto é, sempre - as empresas que buscam a maximização do lucro não levam à maximização da sociedade bem-estar. Expliquei o que havia de errado com a conjectura da mão invisível de Adam Smith, que dizia que a busca do interesse próprio levaria, como se por uma mão invisível, ao bem-estar da sociedade. Durante o seminário, e em longas conversas posteriores, Friedman simplesmente não podia ou não queria aceitar o resultado; mas tampouco, é claro, ele poderia refutar a análise - já se passou meio século e minha análise resistiu ao teste do tempo. Sua conclusão, por mais influente que tenha sido, não foi.

Hubbard lembra que o argumento de Friedman foi polêmico e ainda é polêmico. Mas é mais ou menos correto. 

No ProMarket, Oliver Hart, nobel de Economia, faz uma análise do ensaio de Friedman.


Rir é o melhor remédio

 

Contador é como Deus

13 setembro 2020

Fraude Eleitoral na Rússia

Eis alguns trechos de um texto bem interessante sobre as eleições russas:

Examinemos los resultados del referéndum que tuvo lugar este Junio para eliminar el límite de mandatos, permitiendo la reelección de Putin hasta el año 2036. Si echamos un ojo a los resultados electorales por colegio electoral (fuente oficial y datos en formato electrônico) llama la atención que el porcentaje de votos a favor de la reforma propuesta por Putin tiende a ser prácticamente idéntico en muchos colegios electorales de cada distrito electoral. Por ejemplo, en el distrito de Akushinsky, que cuenta con unos 52 colegios electorales de unos 500 votantes cada uno, votó a favor de la propuesta de Putin exactamente el 93% de los votantes en la práctica totalidad de los colegios electorales.


Os valores são tão homogêneos que a justificativa mais plausível é a fraude eleitoral. O texto faz uma simulação considerando uma distribuição binomial, com média de 93% e de maneira aleatório chega ao seguinte resultado (simulado):


Veja que o resultado é bem mais inconstante que a realidade. 

La inverosímil distribución de los resultados ofciales refleja tanto la dificultad que tienen los burócratas rusos para simular procesos de generación de datos con algún componente estocástico como, sobre todo, la impunidad con la que se comete el fraude electoral. Otros regímenes autoritarios, como la Bielorrusia de Lukashenko, evitan divulgar datos desagregados de voto que podrían resultar muy embarazosos. Sin embargo, el régimen de Putin no tiene pudor en seguir utilizando burdos métodos de manipulación electoral y publicar datos que son manifestamente falsos. Por desgracia, en Rusia sigue siendo cierto aquel dicho de Stalin: lo que cuenta no es quien vota, sino quien cuenta los votos.

Contabilidade? - Uma das áreas mais relevantes é a fraude. Aprendemos com exemplos como este que "dados" fabricados podem ser recusados quando analisados de maneira adequada. 

Fonte: Manuel Bagues, 11 de set 2020, Nada es Grátis, Estadística y fraude electoral: lo que el teorema central del límite nos revela acerca del régimen de Putin

Quando somente medir o custo de um processo não resolve


Após ficar congelado por mais de 20 anos, o valor autorizado para dispensa de licitação foi reajustado em 2018, quando passou de R$ 8 mil para R$ 17,6 mil. À época, a CGU alegou que o processo licitatório era excessivamente custoso, em especial, para gastos de baixo valor. O novo estudo revela, porém, que, mesmo com a dispensa de licitação, essas contratações continuam dando prejuízo ao erário.

O problema principal é o custo operacional dessas operações e o grande volume de transações de baixo valor. Elas representam 61% do total de processos de aquisição feitos pelo governo, mas, em termos financeiros, a participação é irrisória: 0,54% do total. “O cúmulo da ineficiência é fazer eficientemente o que não precisa ser feito”, ironiza Sérgio Neiva, coordenador-geral de auditoria da CGU. 

Atualmente, se um setor do governo precisa comprar um simples “pen drive” (em inglês, armazenador de arquivos digitais), o pedido tem que ser encaminhado a várias áreas da administração. Se a compra é aprovada, o ato de dispensa de licitação tem que ser publicada no “Diário Oficial da União”.

Cálculo feito pela própria CGU concluiu que, considerando as horas trabalhadas pelos servidores envolvidos, o “pen drive” custaria, em média, R$ 4,4 mil à União. (Camarotto, Murillo, Compras sem licitação custaram 183% a mais, Valor, 8 de setembro de 2020)

Dois problemas sérios na análise. Em primeiro lugar é necessário que a comparação seja feita entre "compras com o Cartão de Pagamento do Governo Federal" versus "compra com licitação" e isto não foi feita. O segundo ponto é que a proposta da CGU só trará economia nas despesas se os valores forem evitáveis. Imagine que no atual processo de compra tenha um funcionário que exerça uma determinada função. Se no novo processo esta atividade for eliminada, mas o funcionário continuar recebendo seu salário, agora não fazendo nada, a proposta não trouxe benefício global para o setor público. 

(Foto: aqui)

Rir é o melhor remédio

 

Esta frase é bastante divulgada: não recuse uma oportunidade. Aprenda como fazer depois. Embaixo, "como pilotar um avião". 

12 setembro 2020

Incerteza Política e Avaliação de Propriedades


Um novo artigo estuda a ligação entre a contínua incerteza política e os direitos de propriedade de longo prazo em Hong Kong. O artigo conclui que propriedades sujeitas a incertezas políticas são vendidas com um desconto significativo e que o desconto é maior quando a confiança das pessoas diminui e os residentes se sentem mais incertos quanto ao futuro. 

Evidências recentes (por exemplo, Pastor e Veronesi, 2013; Baker et al., 2016; Hassan et al., 2019) mostram que a incerteza política desempenha um papel significativo na avaliação de ativos, bem como na atividade econômica em economias desenvolvidas, normalmente associadas a e ambientes políticos estáveis. Seria de se esperar que essa força econômica universal prevalecesse mais nas economias de mercado emergentes, especialmente aquelas que lutam contra a indeterminação prolongada em sistemas políticos complicados pela história colonial.

Isso pode ser particularmente verdadeiro para os mercados imobiliários. Em qualquer mercado imobiliário, o valor do ativo de longo prazo - o valor presente dos fluxos de caixa líquidos esperados no futuro - depende da perpetuidade e continuidade da propriedade da terra. Os participantes do mercado, tanto famílias quanto instituições financeiras, estão expostos a riscos políticos substanciais quando a posse da terra termina no final de seus prazos fixos. (...)

How Does Political Uncertainty Axect the Valuation of Long-Term Property Rights? Lessons From Hong Kong - ZHIGUO HE, MAGGIE HU, ZHENPING WANG, VINCENT YAO September 3, 2020 - ProMarket

Marcas mais valiosas

 Um novo ranking das marcas mais valiosas. Agora da Brand. O resultado final é o seguinte:


Veja que o ranking é por empresa, não por produto. Como é feito o cálculo? A revista Exame, local da publicação, explica:

1. Calcula a força da marca. É um índice de zero a 100 que leva em consideração gasto com marketing, percepção dos consumidores e como está o desempenho nos negócios. Veja que é um índice calculado pela Brand

2. Faixa de royalties do setor. É um número percentual e corresponde a taxa de licenciamento praticada. Novamente o cálculo é da própria empresa.

3. Taxa de royalties, obtida pela força da marca vezes a faixa de royalties. 

4. A partir da receita total da empresa, calcula-se a receita que é específica da marca. Trata-se de uma proporção, também estimada pela Brand

5. Estimativa de receitas futuras. Provavelmente será a receita da marca. Utiliza a previsão de analistas e crescimento da economia

6. Multiplica a taxa de royalties pela receita futura estimada. 

7. Retira do valor acima o imposto e calcula o valor presente líquido, que corresponde ao valor da marca. (nada é dito sobre a taxa de desconto)

Óculos para evitar a procrastinação

 Saiu na Superinteressante:

Agendas, planners e aplicativos de organização podem até ajudar com prazos, mas executar a tarefa é outra história. Quando você está prestes a começar seu trabalho, surge aquela voz dizendo “por que não checar o Instagram uma última vez?” e pronto: lá se vão 30 minutos (ou mais) do seu dia.

Mas a startup canadense Auctify pode ter a solução para isso: óculos anti-procrastinação, projetados para monitorar a rotina dos usuários e avisá-los quando perderem o foco em suas atividades. 

Os óculos – batizados como Specs – são equipados com inteligência artificial, que usa aprendizado de máquina para monitorar o que você está olhando e dizer se aquilo é produtivo ou não. Todos os dados gerados pela ferramenta podem ser acessados por um aplicativo próprio que, ao longo do dia, vai montando um gráfico com todas as suas atividades como forma de feedback.  

[...]

Os desenvolvedores explicam que, ao perder o foco, a pessoa leva em média 23 minutos para restabelecê-lo e voltar totalmente a tarefa. Além disso, parte da população acaba recorrendo ao café ou medicamentos para manter a atenção em suas atividades. Os óculos e seu aplicativo seriam uma forma saudável de evitar a procrastinação. Apesar de já haver aplicativos de gerenciamento de tempo no mercado, a Auctify afirma que sua ferramenta usa metodologias psicológicas clinicamente comprovadas que incentivam o usuário a se manter produtivo, sem que ele se sinta mal ou cobrado.  

Rir é o melhor remédio

 

Estamos todos no mesmo barco? 

11 setembro 2020

Exemplo de não Sinergia: Autolatina


Quando estou explicando o conceito de sinergia em sala de aula, este é um dos exemplos preferidos: a junção da Ford e Volks, nos anos 80, que resultou na Autolatina. Parecia a típica "sinergia", que todo executivo gosta de falar. O Jornal do Carro resumiu alguns dos pontos desta sinergia:

O mercado brasileiro “batia pino” nos anos 80 e a Ford pensava em fechar suas fábricas no Brasil. Na prática, iria deixar o país, pois as importações ainda estavam proibidas. 

A solução “genial” foi se associar à Volkswagen para compartilhar recursos, projetos e competências. Surgiu então a Auto Latina, holding responsável pelas duas marcas. Ambas manteriam áreas comerciais, de marketing, produtos e concessionárias distintas. Cada uma com seu “presidente” e respectiva equipe, ambos subordinados ao chefão geral da holding.(...)

1. Culturas diferentes - Reunir sob mesmo teto duas culturas opostas como a norte-americana e a germânica era o mesmo que montar um time de futebol mesclando jogadores brasileiros e argentinos. Os embates internos foram amenizados com as finanças sob o comando da Ford, comercialização e marketing pela VW

2. Engenharia única - A engenharia era única, para reduzir custos no desenvolvimento de projetos. Aplataforma do Escort deu origem ao Ford Verona. E também a três modelos VW: Apollo, Logus e Pointer. O sedã Santana e perua Quantum da VW se fantasiaram de Ford Versailles e Royale. Carros da VW produzidos pela Ford e vice-versa.

3. Compartilhado, mas nem tanto - Desenvolver projetos conjuntos significava trocar figurinhas entre as duas engenharias. Mas a parceria não ia além do Brasil e Argentina e as matrizes negavam revelar segregods industriais e de manufatura para o concorrente. A rigor, o maior intercâmbio foi de motores (CHT da Fort, AP da VW) entre as marcas. 

4. Vias de Fato - (...) Executivos quase chegavam às vias de fato nas reuniões da holding…

5. Qualidade questionável - A qualidade dos “filhotes da AutoLatina" começou a ser questinada. O VW Apollo era o mesmo Ford Verona com variações no painel e acabamento, sem problemas técnicos. Mas Logus e Pointer eram novos modelos VW (na plataforma do Ford Escort) com carrocerias tão mal projetadas que, ao subir com duas rodas no passeio, costumavam “cuspir” o vigia (vidro traseiro) por problemas torcionais.

A Auto Latina não durou mais que sete anos pois as marcas não obtiveram a sinergia imaginada. Nem os carros originados da parceria vingaram: o VW Apollo, por exemplo, não durou dois anos. E a rigorosa auditoria da matriz da VW jogou uma pá de cal em todos eles.

Cartas aos estudantes de contabilidade

 A editora Gen lançou um livro intitulado "cartas aos estudantes de contabilidade", tendo como coautores os professores Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e José Carlos Marion.

Esta semana a editora disponibilizou uma seção do capítulo do Iudícibus, disponível: aqui.

Vide trecho:

Contabilidade segue a Economia? Certamente, grande parte das transações registradas pelo sistema contábil é de natureza econômica. Entretanto, na Contabilidade de Custos o sistema contábil realiza apropriações do que, em um primeiro momento, representou gastos para o sistema de produção. Hoje em dia, todavia, o campo dos stakeholders aumentou bastante, apesar de a estrutura conceitual inicial do IASB dar clara preferência aos acionistas ou cotistas e aos credores, incluindo fornecedores, trabalhadores da empresa, governo, instituições ambientais e outros interessados. O relato integrado nada mais é do que a face escrita dessas preocupações ampliadas com vários usuários da informação. Historicamente, a Contabilidade sempre se adequou aos desenvolvimentos econômicos e sociais nas várias épocas, desde os rudimentares desenhos nas paredes das cavernas dos homens pré-históricos, pintando principalmente animais, uma espécie de inventário rudimentar, passando pelas antigas civilizações sumério-babilonense, egípcia, grega, romana, medieval, luzindo extraordinariamente na renascença italiana, revolução industrial, surgimento das grandes potências econômicas da Europa, Estados Unidos e mais recentemente Ásia. Note-se que a Contabilidade não apenas serviu para contabilizar os fenômenos econômicos das várias épocas, bem como, em um efeito circular, facilitou os progressos econômicos e civilizatórios nos vários países e continentes citados! Se fosse, a Contabilidade, apenas um sistema de contabilização e de controle, seria o caso de atribuir-lhe uma importância secundária. Na verdade, as empresas e nações, a economia em geral, se nutrem das melhores decisões que a Contabilidade proporciona aos que tomam tais decisões! Aliás, segundo o historiador econômico Schumpeter, não teria sido possível escrever a história da Economia se não existissem os livros diários dos comerciantes de vários países europeus, principalmente das repúblicas da Renascença italiana! Assim, em alguns casos, Contabilidade e Economia estão interligadas, mas são campos de conhecimento distintos. E, sem dúvida, a Contabilidade é a mais antiga, nas suas raízes históricas, com relação a publicações.


Rir é o melhor remédio

 

O que é melhor: o dia ou a noite? 

10 setembro 2020

Concorrência na produção da norma ESG


Eis um tema interessante. Com o aumento da relevância da informação sobre o ambiente, a questão da governança e informações (ESG na sigla em inglês) há um interesse sobre com evidenciar isto. Segundo um artigo de Durão (Mercado cobra critérios ESG mais claros de companhias e gestoras de fundos e recursos, Estado de S Paulo, 10 de setembro de 2020) há uma questão importante:

Fink [um investidor] prega a adoção das diretrizes do Sustainability Accounting Standards Board (SASB), organização que fornece padrões para relatar informações de sustentabilidade que tenham maior potencial de afetar a performance financeira de uma companhia. Para avaliar e relatar riscos relacionados ao clima e questões de governança essenciais para gerenciá-los, menciona as recomendações da Força Tarefa Sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD).

A sopa de letrinhas dá uma ideia da complexidade do tema. A Organização Internacional das Comissões de Valores (Iosco) – que reúne reguladores do mercado de capitais – mapeou mais de 50 iniciativas diferentes de padronizações de dados. [grifo do blog]

Veja que esta divergência pode ser saudável. Diversas iniciativas podem ajudar a produzir um padrão que seja saudável. Atualmente na contabilidade financeira temos um monopólio na produção de normas. Isto pode facilitar o preparador, que irá obedecer a somente uma sigla, mas é ruim para inovação da informação. Competição é uma palavra importante. 

Lembrando o capítulo 1 do livro de Teoria da Contabilidade: quem regula o regulador? Na contabilidade financeira não temos isto. Na área de ESG isto pode surgir naturalmente. (Imagem: aqui)

Pandemia e Segurança Digital

A falta de comunicação entre o departamento de tecnologia e as áreas de negócio é um problema conhecido nas empresas, mas a covid-19 aumentou muito os riscos decorrentes dessa lacuna. (...) A pandemia acelerou a escalada dos ataques, que já vinha se intensificando. (Com pandemia, falta de diálogo agrava riscos à segurança digital - Valor Econômico - João Luiz Rosa — 09/09/2020)


O texto é interessante por alertar que a falta do diálogo pode agravar os riscos digitais. Mas vejo outro problema que o texto não indica: o funcionário que trabalha em casa não tem, muitas vezes, a mesma estrutura de "defesa" digital do equipamento do seu escritório. 

Múltiplo para IPO da construção


Existem dois grandes métodos de avaliação de uma empresa (e de uma unidade de negócio também): múltiplo e fluxo de caixa descontado. O problema do múltiplo é que muitos usam, mas muitas vezes não revelam o segredo. Por isto é importante destacar quando surge exemplos de múltiplos. Veja um caso

Na avaliação de Luís Largman, que foi diretor financeiro e de relações com investidores da Cyrela e responsável pela concepção e estruturação do IPO da companhia, boas incorporadoras listadas têm apresentado, em média, o múltiplo de duas vezes o preço sobre valor patrimonial. Com base nesse valor, ele considera que as empresas com ofertas em curso se tornam atrativas com múltiplo de 1,5 vez.

(Falhas do passado pesam sobre IPOs de construtoras - Por Chiara Quintão — Valor Econômico - 08/09/2020)


Rir é o melhor remédio

 


09 setembro 2020

IFRS 9 e a recessão


 

Eis um trecho de um artigo da PwC (grifo do blog):

Até agora, bilhões foram contabilizados em provisões incrementais, enquanto a inadimplência ainda está para aumentar. Em muitos casos, a inadimplência nem mesmo ocorreu graças aos feriados de pagamento e ao enorme apoio governamental. Tão enorme, na verdade, que alguns indivíduos se descobriram melhor do que antes. Para os bancos, isso significa algumas coisas. Em primeiro lugar, é provável que haja perdas. As provisões retiradas serão consumidas à medida que as inadimplências atrasadas se concretizarem. Em segundo lugar, o risco continuará a ser muito difícil de medir. Simplificando, as regras normais não se aplicam. Estar desempregado ou não lucrativo geralmente reduz a capacidade de pagamento, o que leva à inadimplência e, em última instância, à inadimplência - não é verdade (imediatamente, pelo menos) quando o dinheiro está de graça e os reembolsos estão em espera.

(Imagem: aqui)

Precificar ou Avaliar?


Precificar ou Avaliar? Depende da situação. Veja um exemplo (‘O valor da Amazônia tem de ser precificado’, diz Rubens Ometto - Entrevista com Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração do Grupo Cosan - O Estado de S.Paulo, 9 set 2020)

Em tempos de ‘novo normal’ – que nem sabemos o que é – como a Cosan reage às novas prioridades?

Estamos no agronegócio e na energia renovável. O Brasil tem grandes vantagens nos dois setores. Temos a matriz energética mais limpa do mundo, por meio de hidrelétricas, energia solar, energia eólica, do etanol que você adiciona à gasolina, do álcool que se usa diretamente nos carros flex fuel. Outra coisa marcante é a produção de grãos, somos o celeiro do mundo. E o Brasil tem solo, ótima qualidade da terra, chuva na hora correta. E temos a Amazônia. O mundo está pendurado na Amazônia. Ela é o maior sequestrador de carbono do planeta e produtora de oxigênio. Tem de ser muito valorizada.

De que forma?

O Brasil tem de montar campanha. E não cair na armadilha de alguns países e empresas. Claro que você tem maus empresários, que praticam crimes na Amazônia, mas não é tudo isso que sai na imprensa. Eu vivi isso há 20 anos atrás, quando o etanol começou a crescer e o setor sucroalcooleiro foi muito atacado. Diziam que ele ia invadir a Amazônia – e nada disso aconteceu. Hoje, as empresas que fazem agronegócio em outras partes do mundo tentam arrumar uma taxação pra proteger seus produtores. Acho que temos de contra-atacar. Essa Amazônia vale ouro para o mundo e isso precisa ser precificado. Tem muita gente lá fora que depende disso pra trabalhar e se sustentar.

O mais adequado seria "avaliado". Mas certamente "precificar" parece mais culto. Imagem: aqui

Quando a análise incremental não é usada ...


Uma das lições básicas da disciplina de custo é que a análise da decisão é feita sob a ótica incremental (ou marginal). Assim, na decisão de continuar ou parar uma obra, a análise deveria ser feita verificando os custos de cada uma das situações. Aqueles valores que não se alteram, não deve ser levado em consideração. Básico. 

Mas em alguns casos percebemos como esta lição não foi apreendida (ou esquecem de forma proposital). Em uma reportagem sobre a usina Angra 3, o Estado de S Paulo toma a opinião de várias pessoas, incluindo o presidente da Eletronuclear. Eis o trecho que provoca calafrios:

A decisão de prosseguir com a obra justifica-se, em boa medida, pelo alto custo que teria a decisão de desistir de Angra 3. Guimarães [presidente da Eletronuclear] confirma que para abandonar o projeto a Eletronuclear teria de arcar com uma fatura da ordem de R$ 12 bilhões, somando financiamentos já sacados e contratos firmados com dezenas de fornecedores.

Ora, o financiamento irá existir, independente se a obra irá ou não continuar. Ou seja, é irrelevante para decisão. 

Rir é o melhor remédio

 

Quando Putin oferece chá e você é alérgico a cianeto

08 setembro 2020

Co-autoria sem permissão

Recentemente o Retration Watch publicou um caso de uma pesquisa que foi retratada por uma motivo aparentemente insólito: a retirada de co-autoria de uma artigo, que foi publicado sem autorização de alguns pesquisadores (veja o caso aqui). 

Esta situação é mais comum que imaginado. Há alguns dias, atuando como diretor do Congresso da UnB, recebi uma solicitação parecida de um professor: retirada de seu nome de um artigo que foi submetido por sua orientanda, em conjunto com ele e outro professor. Este professor não tinha autorizado a inclusão do seu nome.  

Qual a razão disto ocorrer? Várias possíveis respostas. Em primeiro lugar, a inclusão de um nome "conhecido" pode dar mais visibilidade para a pesquisa que está sendo publicada. Este é um motivo forte e talvez seja a grande razão para isto ocorrer, em qualquer área. 

A segunda razão é uma falha de comunicação. Em muitos processos colaborativos, não fica claro as fronteiras. No passado recebi uma proposta de um pesquisador e seu orientando de incluir meu nome na pesquisa por já ter feito orientação sobre o assunto. Achei que isto não era motivo suficiente e recusei [o artigo acabou sendo publicado em um periódico de bom nível]. Aqui a comunicação foi clara. Mas parece que isto nem sempre ocorre. No caso citado do congresso, a orientanda do professor sequer mandou uma comunicação para seu orientador dizendo que estava fazendo a submissão e quais os nomes que constariam do trabalho. 

A terceira razão são algumas regras que criamos. Aqui as situações são diversas, mas limito a tratar de regras que são construídas em alguns programas de pós-graduação (inclusive o que coordeno), que induzem a produção conjunta entre orientador e orientando. Em muitos casos, só é possível a defesa com a co-autoria. 

Mesmo que estas regras são estejam explicitas, ainda assim são fortes o suficiente para induzir a situação como esta. Veja o caso de um aluno de graduação que fez o trabalho sob orientação (e grande sugestão) do seu orientador. O trabalho foi submetido e aprovado no congresso, somente com um autor. Logo depois, este aluno aparece para o processo seletivo e o seu orientador da graduação, que seria o orientador natural, recusa este encargo. Sabe ele que o trabalho conjunto com o aluno não será reconhecido como tal. Ou seja, seu esforço não será recompensado com a produção. 

Ao longo da minha trajetória, já tive casos onde fui co-autor sem merecer, mas já tive casos que não apareci como participante da pesquisa, apesar de ter feito parte dela. Da minha parte, eu percebo que os primeiros casos são mais difíceis de serem lembrados; mas o segundo grupo, quando participamos da pesquisa e não somos considerados, são inesquecíveis. 

Acho que esta discussão cabe em uma aula de ética. Ou de metodologia. Mas o ponto fundamental é a comunicação franca entre as pessoas que estão fazendo a pesquisa. 

Guerra de espionagem no desenvolvimento da vacina e o elo fraco das universidades

 As universidades em todo o mundo estão no esforço do desenvolvimento de uma vacina para o Covid. A espionagem dos países sabe que a proteção dos dados nestes entidades não é tão forte assim. Diversos serviços de inteligência estão tentando descobrir o que cada país tem em termos do avanço para a descoberta da vacina. Eis um trecho de um reportagem do Estado de S Paulo (Corrida pela vacina contra o coronavírus cria duelo entre agências de espionagem - Julian E. Barnes e Michael Venutolo-Mantovani, The New York Times , O Estado de S.Paulo, 7 set 2020):

Oficiais de inteligência chineses estão focados nas universidades em parte porque consideram as proteções de dados dessas instituições menos robustas do que as das empresas farmacêuticas. Mas o trabalho de espionagem também está se intensificando à medida que os pesquisadores compartilham mais candidatos a vacinas e tratamentos antivirais no processo de revisão por pares, dando aos adversários uma chance melhor de obter acesso às formulações e estratégias de desenvolvimento de vacinas, disse um funcionário do governo americano informado sobre a inteligência.

Eis o infográfico do jornal:


Contabilidade? - parte da proteção dos dados passa pelo processo de governança corporativa e controles internos. A possibilidade dos dados das pesquisas serem roubados pode significa uma grande perda para as entidades que estão fazendo pesquisa. 

Economia na pandemia e o mercado acionário


Spence apresenta uma explicação sobre o descolamento entre o que está ocorrendo na economia (uma recessão brutal) e a euforia do mercado de capitais em diversos lugares do mundo:

Muitos concluíram que o mercado está desvinculado da realidade econômica. Mas, visto de outra forma, os mercados de ações de hoje podem estar parcialmente refletindo poderosas tendências subjacentes amplificadas pela "economia pandêmica". Os preços das ações e os índices de mercado são medidas de criação de valor para os proprietários de capital, o que não é a mesma coisa que criação de valor na economia em geral, onde trabalho e capital tangível e intangível desempenham um papel.

Além disso, os mercados refletem os retornos reais esperados do capital no futuro. Quando se trata de medir o valor presente da renda do trabalho, simplesmente não existe um índice prospectivo comparável. Em princípio, então, se houver uma recuperação econômica antecipada significativa, as perspectivas para a renda do capital e do trabalho poderiam ser semelhantes, mas apenas o futuro esperado do capital seria refletido no presente.

Mas há mais para a história. As avaliações de mercado são cada vez mais baseadas em ativos intangíveis, principalmente na propriedade e controle de dados, o que confere seus próprios meios de criação de valor e monetização. De acordo com um estudo recente do S&P 500, as ações de empresas com altos níveis de capital intangível por funcionário registraram os maiores ganhos neste ano, e quanto menos capital intangível por funcionário as empresas tiveram, pior foi o desempenho de suas ações.

Para o nobel de economia, esta é uma tendência que só fez acelerar com a pandemia:

Em outras palavras, a criação de valor incremental nos mercados e no emprego é divergente. E embora isso fosse verdade mesmo antes da pandemia, a tendência agora se acelerou. Existem pelo menos duas razões para isso. Um é a rápida adoção de tecnologias digitais como parte da resposta às medidas de bloqueio.

A segunda é que muitos setores intensivos em mão de obra (que normalmente agregam valor principalmente com mão de obra e capital tangível) foram parcial ou totalmente desligados como resultado de bloqueios, distanciamento social e aversão ao risco do consumidor.

No caso do Brasil, há um fator adicional: a baixa taxa Selic. Veja o trecho explicativo da Exame:

A diferença deste ciclo de IPOs e ofertas de ações em relação à euforia de 13 anos atrás é a taxa básica de juros — sempre ela. Em 2006, a Selic iniciou o ano estimada em mais de 17% ao ano e, após um ciclo de cortes, terminou 2007 pouco acima de 11%. Em termos conceituais, uma companhia precisava oferecer uma perspectiva de retorno acima de dois dígitos para competir com o investimento no chamado ativo livre de risco, os títulos públicos.

Agora, com a Selic a 2% ao ano, um ativo não precisa de tanto esforço para ser competitivo e mais interessante, o que abre espaço para um número cada vez maior de companhias. 

Rir é o melhor remédio

 

Espere um pouco que 2020 está acabando

07 setembro 2020

Corinthians e o nome do estádio

 Recentemente comentamos sobre a dívida do Corinthians. Ilustramos o texto com a seguinte figura:


Logo depois, o clube anunciou que tinha conseguido comercializar o nome do seu estádio com a empresa Hypera Pharma. Logo após o anúncio, as ações da empresa tiveram um aumento no preço:


Aparentemente o mercado entendeu que houve um ganho para a empresa. Basicamente:

O acordo com a Hypera Pharma renderá R$ 300 milhões pelos próximos 20 anos [para o Corinthians], R$ 15 milhões por ano, reajustados pelo índice IGP-M anualmente. O estádio deixa de ser Arena Corinthians para ser batizado como Neo Química Arena, laboratório do grupo. (Felipe Lobo, Trivela, 4 set 2020)

Talvez o fim não esteja tão próximo assim. Para o Corinthians. 

Exame de suficiência de 2020

 O Conselho Federal de Contabilidade informou que os resultados do exame de suficiência de 2020 estão disponíveis:

A Consulplan divulgou, nesta quarta-feira (2), o resultado preliminar da primeira edição do Exame de Suficiência de 2020 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). A prova reuniu cerca de 40 mil candidatos, no dia 16 de agosto, e foi realizada na modalidade “a distância”. Desse total, 38,19% dos candidatos foram aprovados. O resultado final do exame sairá no prazo de até 50 dias, contados após a aplicação das provas.

A prova deste ano, em razão da pandemia, foi modificada para não presencial. Ocorreram reclamações com respeito ao seu andamento. Veja a relação de aprovação dos últimos anos (coleta da orientanda Luana Oliveira):

O percentual deste ano não apresenta uma grande divergência dos anos anteriores. 


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Contratando alguém pela metade do preço

06 setembro 2020

Rotten Tomatoes e Desempenho de um filme nas bilheterias

 A site Rotten Tomatoes é conhecido por agregar as críticas - positivas e negativas - dos filmes. Nos Estados Unidos, o site é um grande poder sobre a audiência. De uma maneira geral, um parcela bem expressiva das pessoas que gostam de cinema usam o Rotten para consultar sobre a qualidade dos filmes. Mas isto significa que o Rotten afeta o desempenho financeiro dos filmes? 

Esta é uma questão bem interessante que uma reportagem do The Ringer, "Has Rotten Tomatoes Ever Truly Mattered?" (Ben Lindbergh e Rob Arthur, 4 de setembro de 2020) mostra. O gráfico abaixo é bem importante para a análise:

De um lado, a margem de lucro de um filme e do outro a nota do Rotten Tomatoes. O gráfico levou em consideração o orçamento do filme e o resultado parece indicar que maiores notas, melhores retornos. Mas veja que os autores do artigo não dizem que existe uma relação de causalidade (nota melhora a bilheteria). Um filme ruim pode ter um desempenho de bilheteria ruim não pela nota, mas pelo fato de ser ruim. Mas parece que a nota exerce um poder maior em alguns tipos de filmes, como comédias ou dramas. Veja o mesmo gráfico, somente para os dramas:
Veja que a curva é mais acentuada. Isto indicaria que dramas com boas notas (acima de 70 ou 80%) conseguem um salto substancial no desempenho financeiro. Isto não ocorre, por exemplo, nos filmes de ação. Enquanto um filme de ação com nota máxima pode ter uma rentabilidade de duas vezes o orçamento, uma comédia isto pode significa quatro vezes. Ou um filme de terror, que pode ter seu desempenho multiplicado por 10 ou 20 vezes. 

Contabilidade?  - Temos uma situação onde o gosto de "críticos" pode afetar o desempenho da empresa. Isto pode ocorrer em qualquer setor. Considere uma empresa que fabrica aspirador de pó; um site especializado em análise de produto pode fazer uma avaliação ruim do produto e isto refletir diretamente nas vendas e lucro da empresa. 


Valor do aluno de medicina


Quanto vale um aluno de medicina? Para os grandes grupos do ensino superior privado, o cheque fica em torno de R$ 1,4 milhão. Esse foi o preço médio por vaga pago em 13 aquisições de faculdades médicas no Brasil nos últimos 12 meses até agosto.

O dado compõe um estudo da Ondina Investimentos, boutique de fusões e aquisições e dívida estruturada, no Recife. Ele reflete a corrida das companhias educacionais para consolidar os cursos de medicina, caracterizados por baixíssimas evasão e inadimplência - e elevadas mensalidades.

O múltiplo milionário parece alto à primeira vista, mas fica ainda mais assombroso quando comparado ao que tem se pagado por vaga de aluno em aquisições de outros cursos privados [1]. A partir da derrocada do Fies, de 2015 para cá, os compradores desembolsaram apenas R$ 13 mil, na média, por vaga de curso superior (excluindo medicina), mostra levantamento com 15 transações [2].

Segundo estimativa da Ondina, cada vaga de medicina representa cerca de R$ 2,9 milhões do valor de mercado dos grupos educacionais na bolsa de valores [3]. O cálculo considerou o montante de R$ 20 mil para cada vaga dos demais cursos na B3.

A maior parte da transações recentes (70%) na área médica ocorreu no Norte e Nordeste. “São regiões em que há um déficit de médicos, especialmente no interior”, afirma Arthur Machado, sócio-fundador da Ondina.

Embora concentre 27,6% da população brasileira, o Nordeste conta apenas com 17,8% dos médicos do país. No Norte, onde vive 8,6% da população, a quantidade de médicos é 4,6% do total nacional. Enquanto isso, o Sudeste tem, sozinho, mais da metade dos médicos (54,1%) brasileiros e 42% da população. A região tem, com isso, 2,8 médicos para cada 100 mil habitantes. No Nordeste, esse múltiplo é de apenas de 1,4 para cada 100 mil habitantes e, no Norte, de 1,2. Para Machado, por conta da escassez de médicos, a tendência é que o MEC priorize a abertura de vagas no Norte e Nordeste. Mas o processo pode ser lento: nos últimos anos, a liberação de novos cursos de medicina demorou, na média, 11 anos, conta um empresário do setor. [4]

As mensalidades nas faculdades médicas giram em torno de R$ 8 mil, com diferenças pouco significativas entre as regiões. “São negócios com boa margem e resilientes”, diz Machado. [5]

Especializada em educação para o setor de saúde, a Afya comprou no último ano 691 vagas de medicina, em cinco transações, sendo duas no Pará e as outras em Rondônia, Paraíba e Rio. A empresa, que captou R$ 1,1 bilhão em IPO na Nasdaq um ano atrás, é a que tem sido mais agressiva nas ofertas. No mês passado, a Afya chegou a pagar R$ 2,4 milhões por vaga de medicina na aquisição da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, em transação de R$ 380 milhões. "Variáveis como valor da mensalidade e maturação do curso refletem diretamente no preço de aquisição", afirma Machado

Na maratona de aquisições do último ano, a Ânima veio logo atrás da Afya, com a compra de 522 vagas, em quatro transações: duas na Bahia, uma em Santa Catarina e outra em Minas Gerais. No mesmo período, a Yduqs adquiriu 410 vagas no Piauí, Acre, Rondônia e Mato Grosso, enquanto a Ser Educacional comprou 75 vagas em Rondônia. 

Em março, a Cruzeiro do Sul comprou a Universidade Positivo, no Paraná, que atua no ramo, mas o número de vagas de medicina não foi divulgado. 

Com relativo atraso, a Cogna (dona da Kroton), maior empresa do setor educacional no Brasil, passou a olhar ativos de medicina. A empresa já atua na graduação de médicos, com quatro faculdades, mas sua exposição ao segmento é baixa em relação ao seu tamanho.

Por conta da disparada nas provisões para inadimplência, a Cogna reportou prejuízo de R$ 454 milhões no segundo trimestre. Negociadas abaixo do valor patrimonial atualmente, as ações da empresa refletem a descrença dos investidores em um modelo de negócio dependente do Fies.

O presidente da companhia, Rodrigo Galindo, disse a investidores e analistas que a empresa vai avaliar a aquisições de cursos “premium” em 15 áreas, incluindo, além de medicina, odontologia e medicina veterinária. Paralelamente, a Cogna vai reduzir sua operação de ensino presencial nos demais cursos, migrando os mais básicos para ensino a distância, onde obtém melhores margens. 

Aluno de medicina vale R$ 1,4 milhão - Sem Fies, companhias buscam aquisição de faculdades médicas de olho na resiliência do negócio - Por Marina Falcão — Do Recife - Valor Econômico - 4 de setembro de 2020

[1] Sobre isto, vide um estudo de Silva e Fernandes aqui

[2] O Fies não é a única variável que afeta o número. 

[3] Esta frase não ficou claro. Parece que cada nova aquisição de vagas em cursos de medicina, o valor da empresa aumenta neste montante. Mas em alguns casos, a aquisição de uma instituição de ensino significa mais de um curso; como foi feita a separação entre os montantes? Mais, há sempre outros fatores que podem afetar o valor. 

[4] Isto torna a venda da instituição bem atrativa. Recentemente, o MEC tentou abrir editais em localidades sem o curso de medicina. O processo foi coordenado pela FGV [leia-se, foi contratada por muito dinheiro] e incluía uma análise econômico-financeira das empresas. Foi um problema, já que isto tornou o resultado controverso em razão da qualidade do modelo usado. O caso chegou ao TCU, que pediu esclarecimentos ao MEC. 

[5] Veja que isto é um diferencial. Corresponde ao ticket médio do aluno. Além disto, o nível de abandono deste curso é muito reduzido. Outro ponto, a pressão do CRM impede a abertura de cursos novos, valorizando ainda mais as vagas existentes.