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05 maio 2022

Desonestidade

Pesquisa sobre a desonestidade, publicada pela American Psychological Association, no Psychological Bulletin deste ano. 

Although dishonesty is often a social phenomenon, it is primarily studied in individual settings. However, people frequently collaborate and engage in mutual dishonest acts. We report the first meta-analysis on collaborative dishonesty, analyzing 87,771 decisions (21 behavioral tasks; k = 123; nparticipants = 10,923). We provide an overview of all tasks used to measure collaborative dishonesty, and inform theory by conducting moderation analyses. Results reveal that collaborative dishonesty is higher (a) when financial incentives are high, (b) in lab than field studies, (c) when third parties experience no negative consequences, (d) in the absence of experimental deception, and (e) when groups consist of more males and (f) younger individuals. Further, in repeated interactions, group members’ behavior is correlated—participants lie more when their partners lie—and lying increases as the task progresses. These findings are in line with the justified ethicality theoretical perspective, suggesting prosocial concerns increase collaborative dishonesty, whereas honest-image concerns attenuate it. We discuss how findings inform theory, setting an agenda for future research on the collaborative roots of dishonesty

Os autores citam explicitamente um estudo brasileiro: 

Groups of three observe the same die-roll on a computer screen, and each group member is asked to report the outcome. Before making their reports, the group can chat for several minutes (via a computer chat). If all group members report the same outcome, they get paid based on the reported outcome. If group members report different outcomes, they get nothing.

A controvérsia é se o grupo influencia ou não:

The honest-image concern perspective suggests no effect for payoff alignment, because people’s concerns about viewing themselves, and others viewing them, as honest individuals, should not vary according to whether incentives are aligned or not. Initial results are mixed, finding that payoff alignment increases (Weisel & Shalvi, 2015), does not change (Beck et al., 2020), and decreases (Bonfim & Silva, 2018) collaborative dishonesty, rendering it especially worthy for meta-analytical examination

24 dezembro 2021

Desonestidade em grupo


Afinal, o grupo pode afetar a desonestidade? Uma pesquisa mostrou que sim. Eis o abstract:

News of dishonest acts has become increasingly frequent, either in politics or daily life, as well as in cases of scandals involving corruption schemes in companies. To explain the dishonesty process, the Maneuver Margin Theory states that the individual performs internal "maneuvers", balancing the benefits that they will receive from the act and the self-concept that they have of themselves. Thereby, the objective of this research is to verify if there is more dishonesty when decisions are taken in the group when compared to the individual ones., For this, we did an experiment with 250 accounting students, in the state of Rio de Janeiro (average age = 23; 51% male; 49% female), where they should observe the die-rolling game and then report the number seen, for example, if the respondent reported that the dice presented the number 3 (three), they would earn 3 (three) points, although the number seen had been 1 (one). The participant’s reward was linked to the number reported and not the number displayed, thus enabling them to be dishonest. Additionally, participants should be divided into two groups, one where they should enter the same number to receive. Otherwise, they would not win anything, and, in the other, where the combination of the same number was not necessary for remuneration. The experiment was programmed and conducted through software specially created for this research and the McNemar statistical test was performed to compare the two samples and to verify if individuals are more dishonest when making group decisions than individual ones. The results of the research corroborated that individuals are more dishonest when making decisions in a group (36% of participants) comparing to decisions taken individually (23%). These findings corroborate previous research and begin work on group dishonesty in Brazil, showing that individuals behave dishonestly when making group decisions rather than individually. The results presented in this paper reinforce the idea that, both in groups and individually, internal considerations are important when making decisions about dishonesty. This can help to understand the motivations that lead people to be dishonest as well as to seek mechanisms that are capable of inhibiting this behavior. For future researches, it is recommended that this same experiment be expanded not only in other courses but also in universities from different regions in order to provide an overview of the dishonest behavior of Brazilian students (future decision-makers in companies), especially when they interact in a group. Another suggestion is also to increase the number of people in each group so that the experiment might resemble the decisionmaking in real-life companies because, in real life, the number of people engaging in dishonest acts can vary greatly.

RAU - v19 n5 setembro – dezembro, 2021 - Foto: Sukoff

15 dezembro 2021

Contágio de desonestidade?

Parece que sim. Uma pesquisa (via aqui) mostrou que quando surge notícia de algum escândalo de corrupção, as pessoas ficam mais desonestas:



Los resultados muestran que en los días siguientes a la noticia de un escándalo de corrupción, los clientes que viven en el municipio del escándalo tienen 2,3 puntos porcentuales más de probabilidad de no declarar que los compradores que viven en los otros municipios. Dado que, por término medio, el 14% de los compradores no declaran, esto implica un aumento del 16% en la probabilidad de no declarar.

Em outras palavras:

Las pruebas presentadas anteriormente demuestran que la corrupción no solo genera costes económicos al malgastar los recursos públicos, sino que también tiene efectos negativos mucho más amplios en la sociedad. Entre ellos, la erosión de la confianza en los demás y la reducción del estigma que conlleva el comportamiento antisocial.

03 fevereiro 2021

Desonestidade e Mentiras

Um artigo pergunta qual a razão de mentirmos tão pouco. Alguns trechos sobre a questão de desonestidade, a partir de um experimento:

(...) os resultados mostram que menos da metade das pessoas mentem, de acordo com um meta estudo recente; participantes que dizem a verdade o fazem mesmo que percam. Este mesmo estudo conclui que existem duas razões predominantes pelas quais as pessoas se recusam a mentir; o primeiro é o custo intrínseco da mentira: muitas pessoas se sentem mal e culpadas se não falam a verdade, mesmo que ninguém possa acusá-las, e por isso não o fazem; o segundo motivo é o custo social: embora ninguém possa provar que determinada pessoa mentiu, o participante sabe que, se disser que obteve um seis, há uma certa probabilidade (maior que zero) de o pesquisador suspeitar que ele mentiu. A soma do custo intrínseco e do custo social é suficiente para que a proporção de pessoas que preferem não mentir seja alta.

Junto com dois alunos do terceiro ano do Yale-NUS College (Cingapura), nós perguntamos como o comportamento dos participantes mudaria se os benefícios do engano fossem deixados para uma ONG de sua própria escolha (esse envolvimento pessoal é importante). Estariam mais propensos a mentir porque essa ação repreensível seria compensada com uma doação para uma boa causa? Ou, ao contrário, estariam mais relutantes em mentir porque o benefício altruísta não compensaria o sentimento de culpa? Para responder a essas perguntas, o experimento foi realizado com 500 alunos da Universidade Nacional de Cingapura. Fizemos 100 deles (selecionados ao acaso) jogarem dados sendo o dinheiro dado a cada participante. Dissemos a 100 outros, antes de lançar os dados, que o dinheiro iria para a ONG que cada um escolhesse. Assim que o dado foi lançado, a doação foi feita online antes (para garantir que a doação não fosse falsificada). Os prêmios variaram de um a seis dólares, conforme o número que o participante alegou ter sorteado, além de cinco dólares por ter participado do experimento. Para colocar essas quantias em contexto, com seis dólares você pode comer um jantar mais do que decente em qualquer lugar de Cingapura.

Fomos um pouco mais longe e fizemos mais três grupos de cem pessoas, cada um com uma distribuição diferente dos lucros entre o participante e a ONG escolhida pelo participante: 90% -10% no primeiro grupo, 50% -50% no segundo. e 10% -90% no terceiro. Queríamos saber se houve algum tipo de descontinuidade ou se a transição entre os dois grupos extremos (tudo para o participante e tudo para a ONG) é contínua (...)

Os resultados são mostrados na Figura 1. Ela representa para cada grupo a frequência com que cada número supostamente surgiu. Se ninguém mentisse, a distribuição seria relativamente uniforme (cada número de um a seis pareceria ter surgido 16,6% das vezes). Se todos mentissem, teríamos apenas a coluna de seis, que acumularia uma frequência de 100%. O que descobrimos é que em todos os grupos existem pessoas honestas (...) e que em todos os grupos existem pessoas que mentem. O valor não deixa dúvidas: os participantes mentem tanto mais quanto maior for a parte dos lucros que acumulam. No grupo em que todo o lucro foi revertido para a ONG (grupo e), 24,5% dos participantes afirmam ter obtido seis (50% a mais do que o esperado). Essa frequência cresce gradativamente à medida que aumenta a fração dos lucros que vai para o participante, até chegar a 32,4% das pessoas que afirmam ter obtido um seis no grupo em que guarda todo o dinheiro (grupo a), que é o dobro do esperado, se ninguém mentiu. É importante notar que o comportamento do grupo em que guardam tudo é muito semelhante ao do outro estudo quase parecido realizado em Cingapura apenas dois anos antes, bem como semelhante a centenas de experimentos com dados feitos em todo o mundo. Isso indica que nosso estudo não teve variações desconhecidas de comportamento.


Figura 1: Frequência de pessoas que afirmam ter sorteado cada número nos diferentes grupos do experimento.

O que esses resultados nos dizem? Que parece mais fácil mentir para si mesmo do que para os outros, por mais louvável que seja o final, e isso se mantém mesmo quando a pessoa se beneficia apenas parcialmente da mentira. Existem estudos anteriores ( aqui e aqui) que mostram que quando os ganhos são divididos igualmente entre o participante e outro participante anônimo, há uma tendência maior para mentir do que quando os ganhos são apenas para si mesmo. Porém, observamos que a proporção de mentiras é maior quando os lucros são exclusivamente para si. Qual é o motivo desta discrepância? Uma razão pode ser que poucas pessoas querem dar dinheiro “sujo” (obtido por engano) para uma causa nobre, como uma ONG, mas essa objeção ética não surge se o dinheiro for para outro participante. Isso também explicaria por que há menos pessoas mentindo no grupo em que todos os lucros foram dados a uma ONG do que em qualquer outra. Também pode ser que uma contribuição de poucos dólares seja vista como trivial para uma ONG (não vale a pena mentir por tão pouco),

De qualquer forma, o resultado mais interessante foi obtido graças a um pequeno questionário que passamos no final do experimento, depois de entregar o dinheiro ou, se for o caso, fazer a doação. Uma das dúvidas era se haviam mentido e descobrimos que, quanto maior a frequência de mentiras, menor a frequência de pessoas admitirem não ter falado a verdade. Em outras palavras: os mais relutantes em admitir que haviam trapaceado (apenas 3% deles) eram aqueles que ficavam com todo o dinheiro para si. Em contraste, calculamos que aproximadamente um em cada quatro participantes que mentiram admitiu para todos os outros grupos. Isso nos leva a supor que algum tipo de perdão social é concedido à mentira quando uma ONG se beneficia, mesmo com muito pouco, dela.

Embora existam estudos ( aqui , aqui e aqui ) que mostram quais características socio-demográficas podem explicar a inclinação para mentir, não identificamos que sexo, idade, escolaridade ou religião prediziam comportamento (nem outros: aqui , aqui e aqui ). Ainda temos algumas dúvidas em aberto, como, por exemplo, se esses resultados se repetem em outros países e culturas, ou se, ao contrário, são específicos de Cingapura. Alguém se atreve?

04 julho 2019

Desonestidade

Como as pessoas reagem quando acham uma carteira de alguém? A reação varia conforme o local e também o conteúdo da carteira explica o comportamento das pessoas. Um estudo, publicado na Science tratou deste assunto. Alain Cohn, Michael André Marechal, David Tannenbaum e Christian Lukas usaram assistentes que “acharam” uma carteira em 355 cidades de 40 países do mundo. E verificaram a honestidade das pessoas. No total foram 17 mil carteiras, a um custo de meio milhão de dólares.

Em cada carteira tinham listas de compras, em língua local, e cartões com o nome da pessoa que perdeu (incluindo o e-mail). Em algumas carteiras, nenhum dinheiro. Em outras, cerca de 13 dólares em moeda local. Os assistentes entregaram as carteiras para funcionários de bancos, hotéis, agências dos correios, museus e delegacias de polícia. Afirmavam que tinham encontrado a carteira e estavam com pressa para entrar em contato com o dono. E deram a responsabilidade para que recebeu a carteira. Nas carteiras sem dinheiro, o índice de devolução foi de 40%. Nas carteiras com dinheiro, a devolução foi de 51%.

Este índice variou conforme o país: na Dinamarca o percentual de devolução foi de 82%, mas nos Estados Unidos foi de 57%.



Além disto, os pesquisadores também aumentaram a quantidade de dinheiro em três países (EUA, RU e Polônia) e uma grande surpresa: o percentual de devolução aumentou, em lugar de diminuir. Pela teoria formulada por Gary Becker deveria ser o oposto, já que o comportamento desonesto é uma especie de análise do custo benefício.

Outro fato interessante: algumas carteiras não tinham dinheiro, mas tinha um chave. A presença da chave também aumentou o índice de devolução.

O gráfico mostra em amarelo o percentual de devolução com a carteira sem dinheiro; de vermelho, com dinheiro. Países escandinavos são honestos; China foi o mais desonesto. O Brasil ficou em 26o lugar; nada mal, para quem tem a fama de ser um país dos desonestos.

Um estudo realizado no Brasil mostrou também que os grupos sociais podem afetar esta honestidade das pessoas. Trata-se da tese de doutorado de Mariana Bonfim.

Fonte: Civic honesty around the globe. Science 20 JUN 2019. DOI: 10.1126/science.aau8712

15 janeiro 2019

É importante combater a corrupção?

Um capítulo do livro de Clayton Christensen (foto) foi publicado pela Época. Trata de corrupção. Inicialmente ele constata que o problema da corrupção é generalizado, sendo necessário enxergar sob outra ótica. (Na verdade, a abordagem dele não é tão inovadora, mas sintetiza pensamentos que não são dominantes sobre o assunto). A questão da corrupção não é moral e o combate à corrupção deveria ser repensado, já que se gasta muita energia.

A corrupção não é recente e muitos países considerados exemplos de retidão, mas que eram pobres no passado, também eram corruptos. Além disto, os programas de combate à corrupção são falhos pois não reconhecem que “a corrupção é o melhor caminho, um atalho, uma utilidade em lugares onde há poucas opções melhores”.

Segundo Christensen há três motivos que justifica o fato de uma pessoa adotar a corrupção: (1) é uma forma de facilitar as pessoas progredirem na vida (2) a estrutura de custos não é compatível com a receita (ou seja, o salário da pessoa não é suficiente para o seu sustento); (3) é uma forma de subverter as estratégias para se beneficiar. Este último motivo é como se fosse a aplicação da relação custo e benefício.

A partir daí, o autor classifica um país em três fases: fase 1, onde a corrupção é escancarada e imprevisível; fase 2, onde é encoberta e previsível; e fase 3, da transparência. A situação da fase 3 refere-se, por exemplo, a Lei de Práticas Corruptas Estrangeiras dos Estados Unidos. “Walmart, Siemens, Avon e Alstom, um grupo industrial francês, e muitas outras companhias burlaram a FCPA e em consequência pagaram centenas de milhões de dólares em multas.”

O que garante a mudança seria, segundo Christensen, o desenvolvimento econômico do país. Os Estados Unidos, no século XIX, era um país corrupto. A Coréia do Sul de Park Geun-hye também.

A solução seria: parar de concentrar os esforços no combate à corrupção:

Em vez de continuar combatendo agressivamente a corrupção com seus recursos muito limitados, o que aconteceria se governos zelosos de países pobres se empenhassem em fomentar a criação de novos mercados que ajudassem os cidadãos a resolverem seus problemas cotidianos? Com a criação de mercados suficientes, as pessoas terão interesse no êxito desses mercados. Governos começarão a gerar mais receita para melhorar seus tribunais, o cumprimento das leis e os sistemas legislativos. Além disso, os mercados criam empregos que dão às pessoas uma alternativa viável a acumular fortuna com meios corruptos. Pedir às pessoas que rejeitem a corrupção sem lhes dar um substituto viável não é muito realista e, conforme os dados mostram, nem sempre funciona.


O próprio autor mostra alguns exemplos onde as soluções propostas parecem simplórias: Napster é um caso.

Ao examinar as crenças muito difundidas de que estabelecer instituições sólidas e extinguir a corrupção são pré-requisitos para o desenvolvimento de uma economia, constatamos continuamente que as inovações, especialmente aquelas que criam mercados, podem ser um catalisador crucial para a mudança. Inovações que criam mercados conseguem introduzir aquilo que é necessário, independentemente da existência de instituições firmes ou do grau de corrupção. Isso virá na sequência, assim como a peça mais visível do quebra-cabeça do desenvolvimento: a infraestrutura.
(grifo no original)

Aqui uma tese sobre desonestidade em grupo. Aqui outra sobre desonestidade com tributos.

07 janeiro 2019

Crime e castigo

Um argumento comum é que uma forma de combater o crime é através do aumento da punição. Isto seria uma forma de reduzir os potenciais benefícios do crime, dentro da lógica de Garry Becker. Uma pesquisa mostrou, a princípio, que isto pode não ser verdadeiro (via aqui):

Esse aumento na duração do encarceramento é impulsionado por sentenças mais longas, tanto para crimes violentos quanto para crimes de propriedade, e se traduz em um aumento persistente do encarceramento. Essas melhorias de sentenciamento e encarceramento não diminuem o crime no nível do condado, indicando que, em termos de segurança pública, o retorno marginal à postura duradoura do crime pode ser próximo de zero.

29 novembro 2018

Futebol e trapaça

Um time de futebol da Irlanda usou um artifício “criativo” para não jogar uma partida contra seu adversário. O Ballybrack soltou um comunicado afirmando que seu jogador, Fernando Nuno La-fuente, tinha falecido em uma acidente rodoviário. A liga adiou a partida que o Ballybrack faria no final de semana, organizou um minuto de silêncio e publicou uma nota. (A fotografia é da rede social do adversário, o Liffey, no seu minuto de silêncio)

Na verdade o jogador estava vivo e afirmou que estava jogando videogame quando descobriu a notícia da sua morte.

Fonte: Aqui

17 setembro 2014

Ética e Hábito

Sobre uma pesquisa referente a ética, conforme o Valor Econômico

David Welsh e Lisa Ordóñez descobriram que as pessoas que se deparam com oportunidades crescentes de comportamento antiético estão muito mais propensas a racionalizar essa conduta do que aquelas que se veem às voltas com uma mudança abrupta. E trapaceiam um pouco no primeiro “round”, trapacearão um pouco mais no segundo e muito mais no terceiro.

Isso é precisamente o que encontraram: diante de uma série de problemas a ser solucionados, 50% da amostra trapaceou para ganhar US$ 0,25 por problema no primeiro “round”, e 60% trapacearam para obter US$ 2,50 na rodada final. Contudo, as pessoas que não podiam trapacear nas duas primeiras rodadas foram menos propensas a fazê-lo para ganhar US$ 2,50 no “round” final – apenas 30% o fizeram.

Para piorar a situação, as pessoas tendem a negligenciar o comportamento antiético dos outros quando ele se deteriora gradualmente com o passar do tempo. Francesca Gino e seu colega Max Bazerman descobriram que as pessoas que desempenharam o papel de auditor em uma tarefa de auditoria simulada estavam muito menos propensas a reportar aqueles que gradualmente inflacionavam seus números ao longo do tempo que os que faziam mudanças abruptas de uma só vez, mesmo que o nível de inflação fosse eventualmente o mesmo.


Qualquer pesquisa deve ser considerada com cuidado nas suas conclusões. Mais ainda uma pesquisa sobre hábito. No caso, o hábito somente poderia ser apurado após diversas rodadas, com um intervalo temporal. Assim, o experimento estaria mais próximo da situação real. Finalmente, isto parece contradizer algumas das conclusões existentes no último livro de Dan Ariely, sobre desonestidade.