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Mostrando postagens com marcador futebol. Mostrar todas as postagens
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05 agosto 2022

Futebol e contabilidade: Barcelona


Aqueles que gostam de futebol e estudam contabilidade sabem que esta época do ano também é o momento em que os clubes fazem as grandes transações com seus atletas. Os clubes europeus estão voltando de férias e o anúncio de reforços mantém as colunas esportivas. Um caso chama a atenção neste momento: o clube Barcelona. 

No ano passado, o clube tinha anunciado que não conseguia cumprir o Fair Play Financeiro, com uma dívida de 1,35 bilhão e uma folha de pagamento que representava 103% da receita. Isto terminou por provocar a saída do seu maior ídolo, Lionel Messi. 

Mas eis que um ano depois o clube começa a fazer contratações de forma surpreendente. Como conseguiu superar isto em menos de um ano? O Barcelona está usando uma forma alternativa de financiamento. Para obter 540 milhões, o clube vendeu  25% dos direitos de televisão. Os direitos, para os próximos 25 anos, foram vendidos para fundos, CVC e Sixth Street. 

En concreto, Sixth Street se ha llevado el 10% de los derechos de televisión del Barça por 207,5 millones de euros durante 25 años. Un préstamo que se ha calculado sobre la base de ingresos actual en este concepto que es de 166 millones. Es decir, 16,6 millones anuales de pago de intereses, que en 25 años serán 414 millones. El doble del dinero del préstamo. Un acuerdo nefasto.

Laporta  [presidente do clube] ha fiado todo al mundo especulador, y ha vendido lo mejor que tiene un club de esta categoría: sus derechos. Eso es algo que crece siempre y siempre va a dar rentabilidad. Todo para poder pagar salarios, deudas y fichar estrellas.

05 abril 2022

Futebol mais previsível

 

Um trabalho usando mais de 87 mil jogos, 26 anos de competição europeia, entre 1993 a 2019, concluiu algo que provavelmente o amante do futebol já sabia: o esporte está se tornando mais previsível.

Entre os esportes existentes, o futebol era um daqueles onde o “favorito” não significava necessariamente o ganhador de uma disputa. Isto estava no livro O Nome do Jogo que resenhamos no passado.

Entretanto, parece que nos últimos anos algo mudou. Eliminando os jogos empatados – não concordo com esta decisão – os autores verificaram que os jogos de dez anos atrás eram mais disputados, com uma grande vantagem para o tipo da casa.

Agora, a vantagem do campo diminuiu, sendo que o time mais forte tem uma maior chance de vencer, seja no seu estádio ou do adversário. Mas os autores alertam que isto não ocorreu, ainda, com o futebol feminino.

Veja, anteriormente, no blog, sobre este artigo. Eu e Thais Crabbi fizemos uma pesquisa para o Brasil sobre o tema, que apresentamos no Congresso da UnB. Basicamente a proxy de despesa de salário é um bom preditor da vitória; ou seja, no campeonato brasileiro, os vencedores possuem um folha salarial maior que os perdedores. Isto já tinha sido evidenciado lá fora e agora é uma realidade no nosso país. 

21 fevereiro 2022

Ativo Intangível em um clube de futebol português

 

A entidade que fiscaliza o mercado de capitais de Portugal, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) determinou que o time de futebol Porto mudasse sua contabilidade de ativo intangível.

O valor registrado como ativo intangível seria de 14,1 milhões de euros, sendo a contrapartida no resultado do clube. O registro foi considerado, pela CMVM, como uma troca de ativos, conforme a IFRS 38 (parágrafo 45-48). Veja o detalhe a seguir:

Nas contas apresentadas a 30 de junho, o clube [Porto] contabilizou mais-valias de 14,1 milhões de euros com a venda dos jogadores Francisco Ribeiro (11 milhões, mais-valia de 10,33 milhões) e Rafael Pereira (4 milhões, mais-valia de 3,76 milhões) ao Vitória de Guimarães. Mas, no mesmo período, o FC Porto comprou igualmente dois jogadores ao mesmo clube (Romain Correia e João Mendes), avaliando o negócio pelos mesmos montantes.

Com esta alteração relevante, “as rubricas relacionadas com passes de jogadores tiveram um saldo líquido negativo, agora de 19,825 milhões uma vez que as vendas de direitos desportivos de jogadores efetuadas neste 1º semestre foram valorizadas por montantes não relevantes, dado que a FC Porto – Futebol, SAD decidiu rever a política contabilística aplicável a transações de aquisição e alienação de direitos desportivos de jogadores com a mesma contraparte”, lê-se no comunicado.

Assim os resultados consolidados do primeiro semestre 2021/2022 passam a ser negativos em 10,329 milhões, devido à inexistência de mais valias relacionadas com a venda de direitos desportivos de jogadores. 

Leia mais aqui

17 janeiro 2022

Clubes de Futebol da Europa e desempenho financeiro


Segundo uma reportagem do Accountancy Daily o desempenho financeiro dos clubes de futebol da Europa na temporada encerrada em maio de 2021 teve influencia da pandemia. Eis alguns destaques:

* A estrutura de custos rígida - elevados custos fixos - fez com que a maioria dos clubes tivesse prejuízo. Os maiores prejuízos em termos absolutos foram da Inter de Milão (245 milhões de euros) e Atlético de Madrid (112 milhões). O resultado da Inter é recorde entre os clubes italianos. 

* Parte do prejuízo é explicado pela queda da receita. O Manchester City é uma exceção, pois teve um crescimento da receita para 644 milhões de euros e pela primeira vez este número é maior que seu rival, o Manchester United (557 milhões). Parte do aumento é resultado do prêmio por chegar na final da Champions: 96 milhões

* O Bayern é o único clube, da análise realizada, que teve lucro, embora menor. O desempenho do Bayern merece destaque pois o clube manteve um valor baixo dos custos com pessoal em relação ao total da receita: 58%. Além disto, pela 29a vez o Bayern obteve lucro. 

Foto: Unuabona

08 janeiro 2022

Evidenciação e o mundo nebuloso da transferência de jogadores de futebol

 

Usando dados do site Transfermarkt, o Jornal Econômico fez um levantamento curioso: as transferências de jogadores do Benfica e do Porto vinculados ao treinador português José Mourinho. Este é um mundo nebuloso, que envolve interesses de técnico de futebol, lavagem de dinheiro e gestão do futebol.

Segundo o levantamento realizado, em 18 anos, José Mourinho foi responsável por transações envolvendo valores de 243 milhões de euros com os dois clubes portugueses. Por este motivo, quando em 2020 o treinador Jorge Jesus tornou-se treinador do Benfica, uma conversa entre um conhecido empresário de futebol e Mourinho, ambos tinham uma preocupação com tal fato. Entre as transações estão a negociação de Tiago Mendes (15 milhões, 2004), di Maria (33 milhões, 2010), Coentão (30 milhões, 2010), Ricardo Carvalho (30 milhões, 2004) e Paulo Ferreira (20 milhões, 2004). 

Atualmente os jornais portugueses estão cobrindo com destaque alguns problemas do Benfica (foto), mas a investigação do jornal econômico é interessante por mostrar o poder de um técnico de futebol.

P.S. Lembro de um conhecido técnico de futebol brasileiro que foi indicado para seleção brasileira. Em uma das convocações, ele relacionou um jogador pouco conhecido. Logo a seguir, o referido jogador foi vendido por uma valor bem razoável e ninguém falou mais dele.

20 dezembro 2021

Futebol mais previsível?


A resposta parece ser sim, para o futebol inglês e de outros países europeus. Eis o abstract (via aqui):

In recent years, excessive monetization of football and professionalism among the players have been argued to have affected the quality of the match in different ways. On the one hand, playing football has become a high-income profession and the players are highly motivated; on the other hand, stronger teams have higher incomes and therefore afford better players leading to an even stronger appearance in tournaments that can make the game more imbalanced and hence predictable. To quantify and document this observation, in this work, we take a minimalist network science approach to measure the predictability of football over 26 years in major European leagues. We show that over time, the games in major leagues have indeed become more predictable. We provide further support for this observation by showing that inequality between teams has increased and the home-field advantage has been vanishing ubiquitously. We do not include any direct analysis on the effects of monetization on football’s predictability or therefore, lack of excitement; however, we propose several hypotheses which could be tested in future analyses.

(Artigo com estrutura interessante, onde a conclusão aparece antes da seção "dados e métodos")

26 outubro 2021

Análise financeira da Copa do Mundo Bianual

Recentemente surgiu uma proposta de fazer a Copa do Mundo um evento a cada dois anos. Christina Philippou, Professora de Contabilidade e Gestão Financeira, da Universidade de Portsmouth faz uma análise 


(...) Mas, como a maioria das decisões tomadas no mundo dos negócios, seja bancário ou esportivo, não se trata apenas de prós e contras. É sobre benefícios e custos financeiros.

Para a FIFA, o maioria de sua receita vem das taxas de transmissão, dos direitos de licenciamento e da venda de ingressos do torneio masculino da Copa do Mundo, realizado a cada quatro anos desde 1930. De fato, existe um ciclo financeiro claro no qual as perdas se acumulam em três em cada quatro anos. Mais Copas do Mundo poderiam gerar mais renda.

Então, por que a Uefa não está interessada em fazer o mesmo? (...) A principal diferença é que a Uefa simplesmente não depende tão financeiramente de um único evento. Em vez disso, tem algo que a Fifa não tem: mais de um grande evento que gera dinheiro. Isso inclui as competições da Liga dos Campeões (masculina e feminina) e da Liga Europa.

Como resultado, a Uefa ganha muito mais dinheiro do que a Fifa. Nos últimos quatro anos, as receitas da UEFA, de US $ 12,5 bilhões (£ 9,4 bilhões), foram quase o dobro dos da FIFA, que arrecadou US $ 6,4 bilhões (£ 4,6 bilhões).

É também uma receita muito mais suave ano a ano, enquanto a Fifa depende mais de um grande impulso a cada quatro anos. Claramente, a FIFA precisa mais da Copa do Mundo masculina do que a Uefa precisa dos Euros.

De fato, a maioria da receita anual da Uefa vem de competições de clubes, que eles não gostariam de atrapalhar. (...)

Quanto aos clubes, há custos potencialmente graves de disponibilizar seus jogadores para mais tarefas internacionais, como os riscos de fadiga e lesão dos jogadores. É mais provável que os grandes clubes tenham vários jogadores da equipe nacional e, portanto, mais propensos a enfrentar um risco geral maior para sua equipe. Clubes menores podem ter um jogador nacional como ator principal.

Mas o que as emissoras pagam por direitos depende da demanda do público em potencial. Quanto mais as pessoas querem assistir a algo, mais estão dispostas a pagar para superar seus concorrentes.

Tornar um evento importante menos raro (e, portanto, talvez menos importante), ocorrendo duas vezes mais e colidindo com outros eventos esportivos que as pessoas querem assistir (como as Olimpíadas) pode facilmente diluir o valor para as emissoras, tornando-as menos dispostas a pagar.

Esta é a aposta. Com mais eventos, mas potencialmente menos dinheiro por evento, o efeito geral será positivo para a renda da Fifa? E vale a pena arriscar qualquer dinheiro extra que arrisque a ira da Uefa, alguns dos maiores clubes do mundo e, crucialmente, os fãs?

Talvez o custo de preparação seja alto e isto não interessa. O que seria isto? Quando há uma Copa do Mundo, a convocação e o treinamento dos jogadores para atuarem juntos demanda alguns dias. Com a mudança na periodicidade, isto não afetaria este custo?

16 agosto 2021

Futebol e lavagem de dinheiro


Uma reportagem da Al-Jazeera mostra como o futebol pode ser usado para lavagem de dinheiro. Os repórteres centraram na figura de Christopher Samuelson, denominado de The Magician, que é especializado no assunto. Samuelson tem entre seus clientes ricos do Oriente Médio, oligarcas russos e chineses interessados em usar um clube de futebol para lavagem de dinheiro.

Nos últimos anos Samuelson intermediou negócios com os clubes Reading e Aston Villa. E no passado esteve envolvido com o Everton, o Chelsea e outros clubes. Cobrando 3% do valor da venda, a equipe de Samuelson inclui até ex-policial. 

No texto, uma história interessante: quando estavam negociando o Aston Villa, a equipe de Samuelson estava também monitorando a Liga de Futebol para saber o que estava acontecendo nos bastidores. Depois, Samuelson desconfiou que alguém estava falando com a imprensa. Obtendo os registros telefônicos, uma atividade ilegal, ele descobriu o nome de quem estava falando demais. 

10 julho 2021

Ex-presidente do Benfica é preso


Um escândalo envolvendo o "quase" eterno presidente do Benfica, o empresário Luis Felipe Vieira. Vieira foi presidente do clube português por 17 anos, entre 2003 a 9 de julho de 2021. Na presidência do clube, Vieira foi eleito e reeleito por vários mandatos. Mas renunciou diante uma série de investigações sobre operações "estranhas", algumas delas envolvendo o clube de futebol.

Juntamente com Vieira, estão sendo investigados um empresário conhecido como "rei dos frangos", um advogado e o filho de Vieira. 

As acusações incluem "abuso de confiança, burla qualificaca, falsificação, fraude fiscal e branqueamento". Do Benfica, Vieira pode ter desviado 2,5 milhões de euros. 

Uma das formas de desvio era o aumento na comissão de venda de jogadores, onde parte do dinheiro era repassada para Vieira. Já o dinheiro desviado seria para pagar dívidas de Vieira. Além disto, Vieira pagou um ex-desembargador com vantagens, incluindo ingressos para jogos do Benfica; o juiz foi demitido em uma operação policial. 

As ações do clube caíram quase 4% na bolsa.

29 abril 2021

As lições do fracasso da Superliga


A recente tentativa de criação de uma Superliga, com alguns dos maiores times europeus, trouxe algumas reflexões sobre a questão do dinheiro e o futebol. Os clubes tentaram impor um torneio sem rebaixamento, da forma como ocorre na liga de basquete profissional dos Estados Unidos, mas uma reação negativa fez com que voltassem na sua decisão. O jornal Estado de S Paulo traz uma entrevista com Simon Kuper, co-autor de Soccernomics. 

Como fazer o futebol ser mais lucrativo? 
Nós sabemos que no Brasil os clubes sempre tiveram dívidas e alguns até foram à falência. Mas são recriados. Um time de futebol nada mais é do que ter uma camisa e um nome. Um exemplo: se o Flamengo for à falência, você recria um Flamengo amanhã de manhã com as mesmas cores e terá a mesma torcida. Se você analisar os clubes mais antigos da Inglaterra, os quase os mesmos que existiam em 1921 continuam existindo hoje. Os clubes sobrevivem a todas as recessões, crises, suportaram tudo. Vale lembrar do exemplo da Fiorentina, na Itália. O clube faliu e voltou. Muitos dirigentes falam da importância de se dirigir um clube como se fosse uma empresa. 

Por que isso é tão difícil de se concretizar? 
Porque as pessoas dos clubes e a mídia não estão interessados em processos. Se você está em uma companhia, você tem de obter lucro e resultados para se manter. No futebol, a imprensa, a torcida, os jogadores e os dirigentes não se importam se vai ter lucro. Se você vende um jogador por 50 milhões de euros, o clube pode considerar que teve essa quantia como lucro, certo? Mas não. A torcida e a mídia vão querer que esses 50 milhões de euros sejam gastos em reforços. A cultura é de gastar todo centavo que tiver em jogadores, porque quanto mais você gastar, mais você terá atletas de qualidades e mais poderá vencer. É impossível afastar o dinheiro do futebol. A cultura é de gastar todo centavo que tiver em jogadores, porque quanto mais você gastar, mais você terá atletas de qualidades e mais poderá vencer. É impossível afastar o dinheiro do futebol 

Nos últimos anos, empresas como Red Bull e o City Football Group adquiriram e montaram vários clubes pelo mundo comandados pelos mesmos donos. Como você vê esse processo? 
A lógica do Red Bull não faz isso para ter lucro. Faz como propaganda. Você quase não vê a marca deles em ações publicitárias na TV, mas sim associada a eventos esportivos e a times. É um tipo de marketing. No caso do City Football Group, eles compraram um time no Uruguai, onde é barato. É importante relembrar o quanto o futebol traz fama. Você pode ser um bilionário, mas ninguém se importa com isso. A partir do momento que você compra um time de futebol, todo mundo sabe quem você é. 

É possível apostar que um dia o futebol terá gestão 100% profissional? 
Na Europa isso tem melhorado nos últimos dez anos. Porém, quando alguém assume o clube, recebe uma herança do passado financeiro. Muitas vezes você tem na diretoria ex-jogadores e outras pessoas que trazem para o comando seus amigos. O processo de seleção é muito ruim. E você pode manter o negócio dessa maneira porque o clube não vai falir. Você pode assumir o Flamengo e fazer uma má gestão que continuará sendo o Flamengo. O clube sempre existirá. Agora, se você tiver um mercado e não cuidar da gestão, ele vai fechar. 

A pandemia e a Superliga deixam algum legado de aprendizado? 
Eu acho que a Superliga será abandonada por algum tempo, o que é de certa um aprendizado. Futebol envolve negócios com direitos de transmissão e também com o segmento de eventos, como um teatro ou um concerto musical. O coronavírus matou esse segmento de eventos ao vivo. E com certeza isso vai acabar, é temporário. Isso não vai afetar a forma como é operado o negócio do futebol. Isso vai voltar ao normal.


14 abril 2021

Valor e Futebol

 

Eis que saiu a relação dos clubes de futebol com maior valor, segundo opinião da Forbes. Os dois espanhóis lideram o ranking, seguindo pelo Bayern e cinco clubes ingleses. 

(Interessante que a Champions, talvez o mais charmoso torneio de futebol do mundo em termos de clubes, classificou para as semifinais o Real (2o.), o City (6o.), o Chelsea (7o.) e o PSG (9o.). Se for pelo valor de mercado, o Real Madrid é o favorito para ser o campeão deste ano.)

Apesar da metodologia de cálculo do valor não estar ligada à receita, quando se calcula a correlação entre as duas variáveis temos um valor de 0,96. Isto mostra que o grande direcionador do valor, na estimativa da Forbes, é a receita. 

No passado, a relação entre as duas variáveis era um multiplicador de 3,9. Para este ano, neste grupo de clubes, este multiplicador é agora de 5,5. Ou seja, a capacidade de gerar valor para cada unidade monetária de um clube aumentou nos últimos anos. Achei isto estranho, especialmente quando consideramos a incerteza dos clubes com a pandemia. 



O gráfico mostra em "x" cada clube e a reta com a relação entre as duas variáveis. Veja que alguns pontos ficaram acima da curva e outros ficaram abaixo da curva. O que significa isto? Quando eu uso a receita do Barcelona, de 792 e multiplico por 5,5, o resultado é de 4,356. Mas a Forbes estimou em 400 milhões a mais o valor do clube espanhol. A Forbes fez isto com os grandes clubes, mas penalizou os "pequenos". 

Veja no gráfico que os pontos na parte à direita estão abaixo da reta. São os "grandes" clubes que receberam um "bônus" na avaliação da Forbes. E os clubes do final da lista estão na parte acima da reta. 

Há um ponto de chama a atenção e está marcado na figura com um círculo vermelho. É o PSG. Com uma receita de quase 600 milhões, aplicando o múltiplo de 5,5 temos um valor de 3,3 bilhões. Mas a Forbes entende que o clube francês tem um valor de 2,5 bilhões, 800 milhões a menos. A Inter é outro clube "subavaliado" pela Forbes, em 1 bilhão. 

15 fevereiro 2021

Balanço Patrimonial impõe dúvidas sobre o futuro do Barcelona


Clubes de futebol são geralmente mal administrados. Não somente aqui, mas também na Europa. O Barcelona é um caso onde a crise financeira pode significar o fracasso futuro. O texto a seguir faz uma vinculação entre a questão do futebol e a questão contábil. 

Barcelona e o preço impagável do sucesso: clube mais rico do mundo enfrenta grave crise financeira 

Executivos culpam a pandemia, mas muitos de seus maiores problemas, incluindo sua enorme dívida com Lionel Messi, são culpa sua 

 Tariq Panja e Rory Smith, The New York Times 15 de fevereiro de 2021 | 12h00  

O cuidadoso plano traçado pelo Barcelona, o clube de futebol mais rico do mundo, desmoronou assim que seus negociadores entraram na sala. Em uma tarde sufocante de final de verão, os executivos do Barcelona foram a um dos hotéis mais exclusivos de Monte Carlo para fechar um acordo com o clube alemão Borussia Dortmund para um dos jovens candidatos mais incríveis da Europa: o atacante francês Ousmane Dembélé.  

Messi contesta multa de R$ 4,3 bi e indica que vai insistir para deixar Barcelona Messi permaneceu no Barcelona para temporada 2020-21, mas ainda pode deixar o clube em breve Foto: Albert Gea/Reuters LEIA TAMBÉM Jornal revela contrato 'faraônico' de Messi com o Barcelona de R$ 3,6 bilhões Jornal revela contrato 'faraônico' de Messi com o Barcelona de R$ 3,6 bilhões  

O Barcelona havia decidido sua estratégia e seu preço: Dembélé, aos olhos do clube, valia US$ 96 milhões e nem um centavo a mais. Por mais que o Dortmund pressionasse por uma taxa mais alta, os homens do Barcelona iriam se manter firmes. Os dois executivos se prepararam enquanto se dirigiam para a suíte que os alemães tinham reservado. Eles se abraçaram antes de bater na porta. E então eles entraram, apenas para descobrir que os executivos do Dortmund também tinham um plano em mente.  

Os alemães disseram aos convidados que precisavam pegar um avião. Eles não tinham tempo para conversar sobre trivialidades e não estavam ali para negociar. Se o Barcelona quisesse Dembélé, teria que pagar quase o dobro da avaliação dos espanhóis: US$ 193 milhões. O preço faria do francês de 20 anos o segundo jogador de futebol mais caro da história.  

O presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, ficou chocado. Mas ele não foi embora. Ele rapidamente concordou em pagar quase todo o valor, estabelecendo uma taxa inicial de US$ 127 milhões, com mais US$ 50 milhões em bônus de desempenho facilmente alcançáveis. Apesar de todas as suas intenções de fazer jogo duro, ele sentia que não tinha escolha.  

Apenas algumas semanas antes, o Barcelona vira um de seus valiosos jogadores, Neymar, ser levado pelo Paris Saint-Germain. Bartomeu não podia arriscar decepcionar uma base de fãs que ainda se recuperava do golpe e voltar para casa de mãos vazias. Ele precisava contratar uma estrela, um troféu, uma joia de pequeno valor. Ele teve que pagar o preço.  

O CLUBE DE UM BILHÃO DE DÓLARES 
Durante grande parte da última década, o Barcelona teve a imagem de um colosso esportivo e comercial. Neste século, seu sucesso em campo e sua riqueza fora dele atiçaram a inveja até de seus rivais mais acirrados. É a primeira (e única) equipe a ultrapassar US$ 1 bilhão em receita anual. Ele emprega indiscutivelmente o melhor jogador da história, Lionel Messi. Nos dias de jogos, o cavernoso e icônico estádio que ele chama de lar fica lotado com quase 100 mil sócios do clube que pagam suas taxas como associados.  

Mas o Barcelona tem vivido no limite durante grande parte de sua história recente, uma consequência de anos de administração impulsiva, decisões precipitadas e contratos imprudentes. Durante anos, o aumento das receitas ajudou a esconder seus piores erros, mas agora o novo coronavírus mudou a matemática.  

Um ex-integrante da diretoria acredita que a pandemia acabará custando ao time mais de meio bilhão de dólares em receita. Sua folha de pagamento é a mais cara da Europa. Ele já quebrou as cláusulas de dívidas que fez com seus credores, o que quase certamente significará maiores custos com juros no futuro.  

O resultado é que o clube que arrecada mais dinheiro do que qualquer outro no futebol mundial agora enfrenta uma crise: não apenas um aperto financeiro esmagador, mas uma eleição presidencial controversa e potencialmente até a perda de sua joia da coroa, Messi. Sua busca precipitada por Dembélé, entre outros, é apenas uma parte de como chegou até aqui.  

Mesmo quando Bartomeu finalizou a negociação, em agosto de 2017, o Barcelona sabia que havia sido ferido. O clube arrecadou US$ 222 milhões com a venda de Neymar semanas antes e agora precisava de uma contratação chamativa para mudar a conversa. Todo negociante na Europa, entretanto, sabia que Barcelona era rico em dinheiro e pobre em tempo. “Você tem uma posição de negociação mais fraca”, disse Jordi Moix, ex-vice-presidente de Bartomeu para assuntos econômicos. "Eles estão esperando por você."  

Se algum clube podia pagar a mais, porém, era o Barcelona. Na década anterior, ele havia se transformado não apenas no melhor time do mundo - o vencedor de três títulos da Champions League em sete anos -, mas também na sua maior máquina de fazer dinheiro.  

Suas receitas então se aproximavam cada vez mais da meta de 1 bilhão de euros estabelecida por Bartomeu em 2015. Ele atingiu a marca - em dólares, pelo menos - em 2019, dois anos antes do previsto. Os planos para um distrito elegante de entretenimento e lazer ao redor do estádio do time e o lançamento do Barcelona Innovation Hub manteriam o fluxo de dinheiro.  

Ao mesmo tempo, porém, o clube caminhava em uma corda bamba financeira cada vez mais delicada. Há outro marco financeiro de um bilhão de dólares que ele ultrapassou: sua dívida total, incluindo o valor devido a bancos, autoridades fiscais, times rivais e seus próprios jogadores, aumentou para mais de 1,1 bilhão de euros.  

Mais de 60% disso é considerado dívida de curto prazo - mais do que qualquer time da Europa -, mas isso não impediu os gastos extravagantes no mercado de transferências: não apenas o preço pago por Dembélé, mas, alguns meses depois, os US$ 145 milhões comprometido pela contratação de Philippe Coutinho do Liverpool - outra negociação em que o Barcelona desistiu e concordou com um preço que não podia pagar.  

O fardo de pagar aos jogadores que já estão nas contas do clube também continuou a crescer. De acordo com Carles Tusquets, seu presidente interino desde que Bartomeu foi deposto no ano passado, o gasto anual com salários do Barcelona de US$ 771 milhões agora consome 74% da receita anual do clube, uma fatia muito maior do que outros clubes, muitos dos quais pretendem manter essa porcentagem não superior a 60. “É uma quantidade absurda”, disse Tusquets.  

De certa forma, o Barcelona foi vítima de seu próprio sucesso. Quanto mais seus jogadores ganhavam, maiores eram os números que eles poderiam exigir nas negociações salariais. O fato de grande parte de sua equipe - como Messi, mas também Gerard Piqué, Sergio Busquets e Jordi Alba - serem vistos como a alma do clube, uma prova visível do caminho desde a academia La Masia até o time principal, deu aos jogadores, não ao clube, vantagem.  

“É evidente que a falta de liderança, a liderança da diretoria com medo de dizer não, é uma das principais coisas que deve ser evitada no futuro”, disse Víctor Font, um dos candidatos a se tornar o próximo presidente do clube quando as eleições forem realizadas em março. “Os salários subiram demais.”  

Mas quando o clube podia contar com receitas de US$ 1 bilhão todos os anos, pagar quase US$ 700 milhões em salários era "um estresse, mas suportável", disse Moix, acrescentando: "Isso não nos deu muito espaço para economizar, mas eles eram a espinha dorsal da equipe. Se não tivéssemos feito os acordos, eles teriam ido embora.”  

Com a previsão de receita para o próximo ano revisada para baixo em US$ 250 milhões, os salários dos jogadores podem em breve representar até 80 centavos de cada dólar trazido para o clube. A mesma equipe que trouxe ao Barcelona tanta glória no passado recente parece, agora, dar sinal do trabalho árduo no futuro imediato.  

E não há exemplo mais claro disso do que o jogador que - acima de tudo - veio a simbolizar este Barcelona, o jogador em cujos ombros repousou a sua ascensão à superioridade global e cujo salário, agora, representa o seu maior compromisso financeiro: Lionel Messi.  

FARAÓ 
O contrato que Messi assinou com o Barcelona - no outono de 2017, logo após a saída de Neymar - tem 30 páginas, segundo um jornal espanhol que vazou uma cópia do documento. Ele contém uma série de custos de fazer chorar: um bônus de assinatura de US$ 139 milhões. Um bônus de “fidelidade” de US$ 93 milhões. Um valor total, se Messi cumprir todas as cláusulas e todas as condições, de quase US$ 675 milhões.  

No mês passado, o jornal que divulgou seu conteúdo, o El Mundo, o descreveu como “faraônico”, um negócio que estava “arruinando Barcelona”. O fato de Messi ser o jogador mais bem pago do mundo não foi uma surpresa: foi relatado na época em que o contrato foi fechado que ele ganharia um salário anual de cerca de US$ 132 milhões.  

Para quem está fora do Barcelona, ver a escala da negociação preto no branco foi mais impressionante. Para quem está dentro do clube, porém, o problema não são os números, mas o fato de eles terem sido revelados ao público. Ronald Koeman, o treinador do Barcelona, pediu a cabeça de quem quer que tenha sido responsável pelo vazamento do contrato. O clube ameaçou entrar com uma ação legal. Messi também ficou furioso com o que considerou uma tentativa de sabotar sua reputação no clube.  

A relação de Messi com o Barcelona está tensa há algum tempo. Mas no verão passado, após uma terceira temporada consecutiva de decepções e um histórico 8-2 de humilhação na Champions League, sua frustração transbordou e ele deu ao clube uma notificação formal de que pretendia encerrar seu contrato e ir embora.  

Bartomeu se recusou até a aceitar a ideia. Se algum pretendente quisesse contratar Messi, declarou ele, teria que pagar uma taxa. Embora Messi tenha visto isso como uma quebra não apenas de uma promessa, mas de uma obrigação contratual, ele acabou desistindo, não querendo levar o clube que representa desde os 13 anos ao tribunal para forçar sua saída.  

Seis meses depois, seu futuro não é mais certo. Seu acordo expira em junho. Desde 1º de janeiro, ele está livre para concordar com uma mudança neste verão para qualquer clube fora da Espanha. Em uma entrevista à televisão no mês passado, ele disse que “esperaria até o fim da temporada” antes de tomar qualquer decisão. “Se eu for embora”, disse ele, “quero partir da melhor maneira possível”.  

Embora seja um tabu para ser dito em público - e embora ninguém fique à vontade para isso -, há quem dentro do Barcelona acredite que a saída de Messi possa ser um mal necessário. No verão passado, alguns falaram pelos cantos que fazia sentido lucrar com Messi enquanto o clube ainda podia, e não apenas porque a taxa de transferência e a economia em seu salário de nove dígitos poderiam adicionar mais US$ 250 milhões ao balanço final do time.  

QUEIMA DE ESTOQUE 
À medida que a eleição presidencial do clube se aproxima, cada candidato tenta se posicionar como o único homem - e são todos homens - com uma solução para a crise financeira. Mas o charme do Barcelona, em certo sentido, também é sua maldição: cada movimento do clube deve ser feito não apenas com o apoio de quem quer que ganhe a eleição em 7 de março, mas também com o apoio de seus 140 mil ferrenhos associados.  

“Isso torna a situação um pouco mais difícil de gerenciar”, disse Moix. “Mas esse fato também é um dos diferenciais que usamos para tentar atrair patrocinadores e negócios. Os associados são os verdadeiros proprietários.”  

No passado, isso contribuiu para a generosidade do clube: Bartomeu poderia não ter ficado tão desesperado para conseguir Dembélé, qualquer que fosse seu preço, se ele não temesse uma revolta de fãs caso falhasse. Font, um de seus sucessores em potencial, está convencido de que a falta de experiência profissional entre as diretorias anteriores levou a algumas das tomadas de decisão equivocadas.  

Assim como o Borussia Dortmund percebeu que o Barcelona, em 2017, não estava em condições de pechinchar, o futebol europeu - devastado pela pandemia - sabe muito bem que agora ele é, na verdade, um negociante em apuros. É improvável que seus jogadores exijam preços premium, se os compradores em posição de pagar salários distorcidos por estrelas envelhecidas puderem ser encontrados em primeiro lugar.  

Isso obrigou os executivos a examinar outras medidas para tentar aliviar a pressão financeira. Alguns dos custos - como um pagamento anual de 5 milhões de euros ao Atlético Madrid, um suposto rival, pela primeira recusa de qualquer um de seus jogadores - fazem pouco sentido. Outros, como pagamentos de sete dígitos por contratações anteriores, já estão incluídos.  

Por enquanto, o clube tem se esforçado para renegociar parte do que deve a seus credores, mas é provável que qualquer tentativa signifique fazer isso em condições piores. Claro, existe uma outra opção. Permitir a saída de Messi pode resolver muitos dos problemas no balanço patrimonial de uma só vez e dar ao clube algum espaço para respirar. Mas, embora todos os candidatos falem da necessidade de restaurar a sanidade financeira, esse é um caminho que ninguém está disposto a seguir.  

“O melhor jogador da história desse esporte gera muito valor comercial”, disse Font. Ele está tão determinado a garantir a permanência de Messi que lhe ofereceria um contrato vitalício, que ligaria o jogador ao clube mesmo depois de ele se aposentar. Afinal, seria uma recompensa adequada para o jogador que - mais do que qualquer outro - trouxe o Barcelona até aqui. 
/ TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

03 novembro 2020

Quando alguém contrata IA para camera man

 

Em uma partida pelo campeonato escocês de futebol, o clube Caledonian resolveu substituir o operador de câmera humano pela Inteligência Artificial. O resultado está no vídeo acima. O software estava programado para seguir a bola nas transmissões. Mas no jogo contra o Ayr a IA manteve a transmissão longe da bola, focando na careca do bandeirinha. Era a única forma dos torcedores assistirem a partida. Fonte: Aqui

Contabilidade? Alguém acha que a IA irá substituir o profissional no futuro próximo?

30 outubro 2020

Separando os efeitos da pandemia nos resultados: caso do United

 


As demonstrações financeiras do Manchester United, time de futebol da Inglaterra, mostra o que devemos considerar e o que não devemos considerar ao analisar o efeito da Covid em uma empresa. É importante esclarecer que o United é um clube e, ao mesmo tempo, uma empresa. Assim, sua gestão é “profissional”, o que inclui demonstrações contábeis de melhor qualidade do que aquelas preparadas por um time de futebol tradicional. O exercício social do United, encerrado em 30 de junho, incluiu uma grande parte das atividades normais de um clube e um breve período onde os efeitos da pandemia. Uma reportagem da BBC traz alguns elementos interessantes, mas gostaria de destacar dois pontos. 

A primeira situação importante é a da receita. A receita do clube teve uma redução de 627 milhões de libras para 509 milhões e teve o efeito da pandemia. A redução de 118 milhões decorreu da sua não classificação para Liga dos Campeões também. Existia uma expectativa de receita de 580 milhões. 

Todas as áreas de receita da United foram afetadas, mas as receitas de transmissão foram especialmente afetadas, reduzindo 41,9% de £ 240,2 milhões para £ 141,2 milhões. Parte da redução da despesa ocorreu pela realização dos jogos com portões fechados, redução das vendas de camisas e produtos do clube e descontos concedidos para as emissoras. Estima-se que estes três itens corresponda a 40 milhões de libras. 

Mas algumas das receitas do clube, como aquelas decorrentes dos jogos, somente foram postergadas. Um jogo que seria transmitido no exercício ficou postergado para alguns meses depois. Mas os portões fechados representam realmente uma perda de receita que não será recuperada. A redução no fluxo de caixa originário dos patrocinadores, que também estão com dificuldade de caixa, poderá ocorrer em futuro próximo. Mas isto cria um descasamento entre caixa e competência. 

O segundo aspecto é a questão do endividamento. Sendo um clube-empresa, seus gestores optaram por trabalhar com um elevado endividamento. Um resultado desta opção é que a dívida líquida duplicou, para 474 milhões de libras. As despesas financeiras aumentaram para 26 milhões, com redução do caixa. Como dívida líquida corresponde a dívida bruta menos caixa, o que ocorreu no clube foi que a dívida bruta manteve constante. Veja que este fato decorre de uma decisão de financiamento, que ocorreu antes da pandemia. Assim, não se pode colocar este fato na conta da Covid. 

O caso do United mostra que é importante separar os efeitos da pandemia das outras decisões. Este clube de futebol teria resultados ruins, mesmo com a paralisação das atividades do futebol na Inglaterra. A pandemia somente agravou a situação. (Fonte da foto aqui)

15 agosto 2020

Não há como vencer

“Não há como vencer. Só uma maneira de perder mais devagar.”

Robert Mitchum no filme noir Out of the Past. Esta frase foi pinçada do texto Como o capitalismo mudou o futebol para pior, de Alex Hess, sem muito números contábeis (vício de um contador) e muita lamentação contra os novos tempos no futebol inglês. Provavelmente esta análise poderá ser feita, quem sabe em alguns anos, com o futebol brasileiro, que caminha para uma concentração em alguns poucos grandes clubes. 

10 agosto 2020

Futebol, visitante e desempenho

A questão do desempenho é importante para contabilidade, especialmente para contabilidade gerencial. A pesquisa interessa em tentar entender como o desempenho é influenciado por variáveis como dinheiro, recompensa não monetária, pressões externas etc. Em muitos casos, não temos condições de fazer uma verificação adequada em uma empresa. Mas o que acontece em outras atividades coletivas, praticadas em grupos, pode ajudar a entender algumas das questões relacionadas com o desempenho. 

Este é o caso do esporte. Com a pandemia, algumas partidas de futebol (e de outros esportes) estão sendo disputadas em estádios sem torcidas. O fator campo pode ser estudado através desta situação prática. Pesquisa anterior mostrou que o fator campo proporcionava uma vantagem para o dono da casa. A razão disto nunca foi claramente esclarecida. 

E, no entanto, a fonte dessa vantagem nunca foi realmente identificada. Os analistas atribuíram isso a uma variedade de fatores. Alguns dizem que a equipe visitante sofre por causa do cansaço das viagens. Outros acham que é porque o time da casa tem certa familiaridade com o campo - a superfície de jogo no futebol ou as dimensões do parque no beisebol. Alguns afirmam que é porque os árbitros e árbitros são influenciados pela multidão e, portanto, são tendenciosos a favor do time da casa, ou que os sons do estádio e a zombaria da multidão podem entrar na cabeça dos jogadores adversários. 

Os pesquisadores da psicologia também ficaram intrigados com a causa da vantagem do campo doméstico. 

O psicólogo Robert Zajonc propôs uma teoria chamada facilitação social, em que a "excitação" de um artista aumenta na presença de outras pessoas. Nesse contexto, excitação significa que você se preocupa mais com o que está fazendo quando está sendo observado. Para os atletas, significa que eles ficarão mais motivados quando houver multidão. E se a torcida apoiar, isso pode “facilitar” um melhor desempenho do atleta. Mas, desde então, outros relataram que os efeitos da facilitação social nos estudos dos esportes tendem a ser fracos. E há quem acredite que a multidão nada tem a ver com o desempenho.

Fonte: The Conversation. Imagem aqui

09 julho 2020

Quanto vale um técnico de futebol?


  • O Jornal Econômico usou o valor das transferências passadas de atletas 
  • Isto não é adequado pois (a) é passado (b) venda de atletas não é uma boa medida de valor e (c) nem sempre o técnico é o responsável pela decisão

Pergunta difícil e resposta ainda mais. Eis que o Jornal Econômico tenta responder a esta questão, fazendo uma análise comparativa entre três técnicos de futebol que no passado comandaram o clube Benfica. Um deles é o aclamado técnico Jorge de Jesus. O critério usado pelo jornal foi bem interessante e original e chegou a um resultado favorável ao técnico:

Transações: Quanto vale Jorge Jesus?

Numa altura em que o treinador lisboeta parece estar de volta ao futebol português, importa perceber o que valeu Jorge Jesus em compras e vendas nas seis épocas em que representou (1) o SL Benfica. De acordo com o site ‘Transfermarkt’, nesta meia dúzia de temporadas, o clube ‘encarnado’ vendeu (2) jogadores num total de 358,38 milhões de euros e gastou 229,49 milhões de euros em contratações. Assim, o balanço entre vendas e aquisições é positivo nestas seis temporadas em 128,89 milhões de euros para o técnico que pode estar de regresso à Luz na época de 2020/21.

Se calcularmos a média de vendas e de compras neste período, é possível concluir que o SL Benfica de Jesus alienou jogadores para outros emblemas num valor médio de 59,73 milhões de euros por temporada e gastou 38,24 milhões de euros por época em contratações. Assim, e falando em valores médios, o SL Benfica de Jesus apresentou um saldo positivo de 21,49 milhões de euros por temporada.


Eis alguns comentários:
(1) como o valor refere-se ao futuro, o uso de transações ocorridas no passado não é a melhor alternativa para quem deseja determinar este valor. Este é um problema.
(2) a medida de "venda de jogadores" é usada como o grande critério de determinação do técnico. Se o contrata atletas por um montante e vende por outro, a diferença seria de responsabilidade do técnico, não de outros fatores. Isto certamente é questionável, já que um clube de futebol europeu não deve ter na venda de jogadores como o seu principal foco. Veja que títulos, vitórias, aumento de arrecadação e outras variáveis são desconsideradas aqui. Se um clube tem um bom plantel de jogadores no início da carreira do técnico e vende estes jogadores, o técnico teria mais valor.
(3) a outra simplificação que é considerar que o técnico de futebol é o único responsável pela contratação e venda de atletas. Em grandes clubes isto nem sempre é verdade. Klopp conta a história de como influenciou em negociações dos atletas, mas assessorado por uma equipe, nos clubes que passou. 

07 abril 2020

Futebol e Covid-19

Enquanto em Portugal o Belenenses entrou em "lay-off", no Brasil a situação também será (é) crítica para os clubes. Eis uma análise inicial:

O principal player está suspendendo os pagamentos de campeonatos regionais pela ausência de jogos. Muitos patrocinadores estão rompendo contratos visto que não há exposição da marca e o futebol não é o foco prioritário para o momento. A bilheteria afeta imediatamente o caixa e receitas dos clubes. Os royalties são afetados pois não há venda física dos produtos licenciados dos clubes. Mesmo na venda virtual, não há nesse momento grandes motivações para que os torcedores comprem produtos.

Pensando nos impactos de médio e longo prazo, temos inicialmente a possibilidade de revisão de contratos de transmissão. A principal competição do Brasil (Campeonato Brasileiro) e a mais rentável (Copa do Brasil) podem ter os prazos encurtados e consequente redução dos valores a serem pagos conforme os jogos não se iniciarem até o mês de junho/20.

Há ainda a possibilidade de duplo impacto na negociação de atletas. Primeiro pela falta de exibição e exposição dos jogadores para viabilizar as contratações, segundo pelo fato que o mercado europeu que atualmente renegocia a redução dos salários milionários dos atletas, certamente irá rever a política de contratações até que as contas se ajustem. No aspecto custo, alguns clubes tem e terão dificuldades para honrar salários atrasados, agora com a crise do COVID 19, pagar o corrente, com os encargos e com as receitas reduzindo, o risco de inadimplência é iminente. E pela falta de caixa, há o risco de não pagamento das parcelas do PROFUT e consequente eliminação do maior programa de parcelamento fiscal das dívidas dos clubes.


12 março 2020

Futebol, custos e Corona

O ministro do Esporte da Itália, Vincenzo Spadafora, ordenou que todos os jogos da Série A sejam disputados a portas fechadas por 30 dias, até 3 de abril.

A medida foi decidida em 4 de março com um decreto de emergência emitido pelo governo, na tentativa de atrasar a disseminação do COVID-19 em todo o país.

A grande maioria das equipes era contra jogar a portas fechadas, temendo as conseqüências econômicas que advêm da perda de ingressos.

Um estudo realizado pelo 'Calcio e Finanza', um site italiano especializado em finanças do futebol, estima que jogar a portas fechadas resultaria em uma perda na região de US $ 34 milhões.

A soma foi calculada "assumindo que os clubes reembolsarão totalmente os ingressos normais e de temporada e que os jogos adiados até agora serão remarcados até 3 de abril".


(Fonte: aqui)

A tabela mostra o efeito por clube.

29 fevereiro 2020

Salários e desempenho

No livro Soccernomics, Stefan Szymanski e Simon Kuper demonstraram uma relação entre os salários pagos pelas equipes e sua classificação ou desempenho. As equipes que podem pagar salários melhores, conseguem atrair os melhores jogadores; melhores jogadores significa mais vitórias, embora esta não seja a única explicação.

Uma coluna da Forbes analisou esta relação para a temporada 2019-2020 para duas ligas: a inglesa (Premier League) e a alemã (Bundesliga). Os dados de salários foram obtidos no relatório Global Sport Salaries.


Na liga inglesa, o City é o clube com maior folha salarial: US$220 milhões. O time com pior folha é o Sheffield, com US$23 milhões. O gráfico mostra esta discrepância.

Além de calcular a relação entre salário e desempenho, o resíduo da expressão pode expressar os clubes que estão acima do desempenho esperado (quando o valor previsto é superior ao que está pagando) ou abaixo (são ineficientes, já que pagam mais do que o desempenho).


O Liverpool, líder da competição, é o mais eficiente, com um desempenho de 82 milhões de dólares acima do esperado pelos salários pagos. O Sheffield United, em 7º lugar, mas com um folha reduzida, e o Leicester, em 3º também são destaques. Os clubes menos eficientes são Norwich, United e West Ham. Estes três times possuem 27 pontos abaixo do esperado pela folha salarial.

Na liga alemã temos os seguintes resultados:
Os timesFreiburg e RB Leipzig são os mais eficientes.O Bayer, que liderava o campeonato, está muito ruim na eficiência. Pela sua folha, ele deveria ter mais 7 pontos em relação ao que conquistou até agora. O maior desvio na folha da Premier League faz com que o campeonato alemão pareça mais equilibrado. Mas é importante lembrar que o salário não explica todo sucesso, mas cerca de 50%.

Eu e Thais Crabbi fizemos uma análise para o campeonato brasileiro de futebol e mostramos que esta relação é válida para o Brasil. O trabalho foi apresentado no Congresso de Contabilidade da UnB no final de 2019.