Como você está? Bem, espero, apesar de tudo. E, se estiver, então você é como todos os amigos e colegas que me enviaram mensagens no Natal, todos afirmando que também estavam muito bem, também apesar de tudo.
(...) Pode ser que meus amigos sejam todos pessoas afortunadas, protegidas das misérias da realidade, e pode ser que estejam mantendo uma aparência corajosa diante de um sofrimento secreto. Mas pode ser também que exista um curioso descompasso entre nossa satisfação com a própria vida e nosso desespero em relação à vida dos outros.
Seria útil ter dados mais sistemáticos sobre esse descompasso e, uma década atrás, os pesquisadores do Ipsos MORI reuniram alguns. Eles perguntaram a pessoas em 40 países quantos de seus concidadãos diriam estar “razoavelmente felizes” ou “muito felizes”, e depois compararam esses palpites com a realidade medida pela World Values Survey.
A diferença foi marcante. A maioria das pessoas disse ao Ipsos MORI que estava preocupada com o bem-estar de seus compatriotas, e, no entanto, a maioria das pessoas que respondeu à World Values Survey mostrou-se bastante otimista em relação à própria felicidade.
Há também a questão do controle. O economista Johannes Spinnewijn certa vez estudou as crenças e o comportamento de pessoas em busca de emprego e constatou que, em geral, elas eram otimistas demais quanto às suas perspectivas e pessimistas demais quanto à própria capacidade de mudar essas perspectivas. (...)
Nossas vidas digitais nos empurram na direção oposta. A destruição do jornalismo local e a ascensão das redes sociais significam que nosso consumo de notícias está cada vez mais concentrado em eventos nacionais e globais — precisamente as esferas da vida em que somos mais pessimistas. Isso é corrosivo. Passe 16 horas rolando o feed em busca de desgraças e você pode facilmente concluir que o fim dos tempos chegou; passe 16 horas vivendo sua própria vida e talvez as coisas não pareçam tão ruins.
De Tim Harford. Como esperar uma contabilidade baseada no julgamento e crença do preparador, como deseja os reguladores, se a perspectiva pode ser tão enviesada? Há solução para esse dilema? Talvez deixar para o usuário as conclusões, pode ser um mantra. Ou evitar tantas informações?

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