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25 março 2026

Uma contabilidade existencial: (Re)centralizando a natureza


Eis o trecho final

Com o perdão de Heidegger: a essência da contabilidade para a natureza não é um relatório (account). Ou, pelo menos, uma pré-condição para recentralizar a natureza na pesquisa contábil é revelar a relação entre a consciência humana e a natureza na qual tais relatórios emergem. Ao rastrear a marginalização da natureza até as condições sob as quais ela é ocultada ou revelada, Marcuse e Heidegger oferecem diagnósticos pessimistas das patologias da era moderna, mas também, de forma mais otimista, destacam o potencial inimitável dos seres humanos de habitar o mundo de uma nova maneira.

A abordagem existencial que proponho busca recentralizar a natureza no pensamento acadêmico contábil, articulando ideais tanto críticos quanto construtivos. O principal argumento crítico afirma que a contabilidade é, ao mesmo tempo, mais e menos cúmplice da degradação ambiental do que sugere a literatura fundamental anterior. Como tecnologia moderna par excellence, a contabilidade é cúmplice de modos de ser no mundo que inscrevem lógicas humanas ou, mais sutilmente, prejudicam a atenção aos processos naturais. Ao mesmo tempo, essa perspectiva existencial implica que os modos tecnológicos de ser no mundo são mais profundos do que as práticas contábeis; portanto, reformar apenas as práticas contábeis é insuficiente para enfrentar as crises ecológicas contemporâneas.

De forma mais construtiva, proponho um papel essencial para a pesquisa em contabilidade crítica: lutar por espaço para que outros modos de ser no mundo surjam, circunscrevendo as lógicas contábeis. Adaptando a terminologia de Hines (1991), esta abordagem existencial "recusa-se a falar" da natureza apenas na linguagem contábil, para que outras vozes possam ser ouvidas.

 

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