30 abril 2026
29 abril 2026
Agenda da Fundação IFRS
Li aqui que, na agenda futura da Fundação IFRS, há um projeto de pesquisa sobre Capital Humano em análise. Isso parece interessante, se resultar em algo inovador para as demonstrações das empresas. Há também trabalhos envolvendo sustentabilidade e equivalência patrimonial, ambos com objetivo de elaboração de normas. Já na parte de manutenção, normas de pequenas e médias empresas e, novamente, equivalência patrimonial.
Reclame aqui para o contador? Ainda não...
O cidadão ganhou novo reforço para confiar ainda mais no trabalho e garantias oferecidas pelos profissionais de contabilidade. Já estão em vigor as alterações da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nº 1.589, de 19 de março de 2020. As mudanças que tratam de denúncias relativas ao exercício da profissão contábil foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) neste mês de abril.
(...) Entre as alterações, destaque para o Artigo 1º, que cita: “Qualquer pessoa física ou jurídica poderá apresentar ao Conselho Regional de Contabilidade (CRC) denúncia ou comunicação de irregularidade relativa ao exercício da profissão contábil, à conduta ética do profissional da contabilidade ou à exploração da atividade contábil".
As denúncias de pessoas físicas ou jurídicas devem ser encaminhadas ao Conselho Regionais do local onde ocorreu o fato, por e-mail, pelo sistema de denúncias do CRC local ou por documentos protocolados no CRC, contendo a descrição dos fatos denunciados e todos os documentos comprobatórios que o denunciante tiver.
Se você recebeu um serviço ruim de um profissional — médico, contador, advogado etc. —, faria uma denúncia à entidade da profissão? Talvez a resposta típica do contratante seja “não”, mas uma nota baixa no Google, um texto no Reclame Aqui ou o uso de outros canais pode ocorrer. Talvez o problema da norma seja justamente este: ela não incorpora os canais tradicionais de denúncia disponíveis que são, efetivamente, utilizados pelas pessoas. Uma resolução no sentido de permitir que uma investigação seja aberta em casos em que há muitas avaliações negativas no Reclame Aqui ou no Google Maps talvez fosse mais interessante.
Claude identifica o nome de uma autora em um texto inédito
O texto traz, com espanto, que o Claude Opus 4.7 conseguiu identificar o nome de uma autora de um texto inédito. Eis o texto:
Kelsey Piper, redatora da Future Perfect, da Vox, colou 125 palavras de uma coluna política inédita no Claude Opus 4.7 na semana passada e recebeu seu próprio nome como resposta. Ela não estava logada; o teste foi feito em modo anônimo, confirmado pela API e repetido no computador de um amigo. O mesmo resultado apareceu todas as vezes.
O mesmo modelo a identificou a partir de um relatório escolar que ela havia escrito sobre redações de um aluno sobre Pokémon — um gênero totalmente fora de seus textos publicados — e de uma crítica de cinema sobre uma comédia da Segunda Guerra Mundial de 1942 que ela nunca havia resenhado publicamente. Foram necessárias 500 palavras de ficção inédita para chegar à mesma conclusão. Foi necessária uma redação de candidatura à faculdade escrita 15 anos antes. ChatGPT e Gemini, em sua maioria, erraram os palpites, enquanto o Opus 4.7 acertou.
Piper escreve no The Argument que qualquer pessoa que tenha escrito de forma prolífica usando seu nome real provavelmente já perdeu um grau significativo de anonimato. Ela testou amigos com presença online mínima, e Claude não conseguiu identificá-los — mas chegou perto ao sugerir amigos em comum do mesmo círculo social, captando tiques estilísticos que se espalham por comunidades. O limiar para a desanonimização provavelmente cairá à medida que os modelos melhorem e os dados de treinamento aumentem.
Fonte: aqui
28 abril 2026
Um quarto dos jovens não possui emprego e não estuda
Da pesquisa citada na postagem anterior
Em 2024, quase um quarto dos jovens de 18 a 24 anos no Brasil não estava empregado, nem estudando, nem em treinamento (NEET), percentual superior à média da OCDE, de 14% (Tabela A2.2). Essa proporção diminuiu seis pontos percentuais entre 2019 (30%) e 2024 (24%). Observa-se uma diferença significativa de gênero no Brasil: em 2024, 29% das mulheres e 19% dos homens estavam na condição de NEET, enquanto, na maioria dos demais países da OCDE, as taxas de NEET entre homens e mulheres tendem a ser semelhantes.
Salário do professor no Brasil
Se você acha que um professor é algo digno e que deveria ser valorizado em termos de salário, a figura mostra os países onde a profissão é mais valorizada:
Luxemburgo, Alemanha, Suíça, México (!), Noruega, Austria e Espanha estão no topo. O salário inicial de Luxemburgo é de quase 100 mil anuais em dólares. Depois de 15 anos de labuta, chega a 137 mil. E no topo é de 173 mil. A tabela só traz alguns países, mas na parte debaixo temos: Apesar do resultado depender da taxa cambial usada, é óbvio que a posição do salário mostra a fraqueza do nosso sistema educacional.Mais uma evolução da IA
Então, agora todo mundo pode gerar cartazes de pesquisa como o acima com um rápido prompt. Dia abençoado. Embora os robôs vão eventualmente fazer todo o trabalho para nós de qualquer maneira, então eu não tenho certeza de qual é o ponto.
Norma estável é desejável
Nova pesquisa mostrando que uma nova norma não agradou.
Este estudo investiga a adoção e as implicações da norma de contabilização de arrendamentos Accounting Standards Codification (ASC) 842 em contratos privados de empréstimo. Ao analisar uma amostra abrangente de contratos de empréstimo materiais de 2011 a 2023, documentamos uma relutância generalizada em adotar a ASC 842. Especificamente, constatamos que, para empréstimos emitidos antes da data de vigência da norma, mas com vencimento posterior a ela, apenas 41% dos empréstimos adotam a norma. Para empréstimos emitidos após a data de vigência da norma, apenas 46% dos empréstimos adotam a norma. Nossas análises dos determinantes revelam que, para empréstimos emitidos antes da data de vigência, a relutância em adotar a ASC 842 está associada a: (1) uma preferência pelo uso de classificações de arrendamentos consistentes ao longo do tempo; (2) preocupações com o oportunismo do tomador; e (3) os custos de negociação ou renegociação de termos de empréstimos relacionados a arrendamentos dentro de sindicatos de credores. Em contraste, para empréstimos emitidos após a data de vigência, apenas os custos de negociação estão associados à relutância em adotar a norma. Nossos achados sugerem que os custos de adoção da ASC 842 em contratos privados de empréstimo frequentemente superam os benefícios e que as partes contratantes preferem um ambiente de normas contábeis estável.
Grifo nosso.
Cheng, L., J.Jaggi, M. Y.Yan, and S.Young. 2026. “Loan Contracting and Changes to the Accounting for Leases: Implications of Accounting Standards Codification 842.” Contemporary Accounting Research1–28. https://doi.org/10.1111/1911-3846.70050.
Rir é o melhor remédio
Da revista New Yorker. Tente reduzir seu nível de estresse e, se você de alguma forma conseguir, por favor me diga como — em nome de Deus — você fez isso.
27 abril 2026
Liberdade acadêmica
A liberdade acadêmica está em declínio em todo o mundo, de acordo com a atualização mais recente do Índice de Liberdade Acadêmica (AFI) de 2026, com dezenas de países apresentando piora e apenas nove registrando melhora nos últimos anos. O relatório conclui que os EUA estão em situação crítica, com uma "deterioração rápida e acentuada" na autonomia institucional. "O declínio da liberdade acadêmica nos Estados Unidos começou por volta de 2020, impulsionado em grande parte por ações em nível estadual em diversos estados, e realizadas majoritariamente por autoridades alinhadas ao movimento MAGA", conclui o relatório. "Em 2025, sob a segunda administração Trump, os ataques à liberdade acadêmica em nível estadual intensificaram-se, apoiados por uma série de medidas federais. Esses ataques minam não apenas as liberdades individuais ao visar docentes, funcionários e estudantes, mas também, e de forma mais proeminente, a autonomia das instituições de ensino superior. A interferência política na governança universitária, nas decisões curriculares, nas práticas de contratação e nas agendas de pesquisa tornou-se cada vez mais uma característica do ensino superior contemporâneo dos EUA." O AFI utiliza um modelo bayesiano revisado por pares, baseando-se em mais de um milhão de pontos de dados e avaliações de 2.357 acadêmicos de 157 países.
O Reino Unido e algumas outras democracias ocidentais também caíram no ranking, que mede cinco "pilares" de liberdade: pesquisa/ensino, intercâmbio acadêmico, autonomia institucional, integridade do campus e expressão acadêmica. O relatório constatou que as liberdades individuais e a integridade do campus estão diminuindo mais rapidamente do que a autonomia institucional.
Multa para PwC por conta da Evergrande
A incorporadora chinesa Evergrande era a segunda maior empresa imobiliária da China em vendas. Chegou a estar entre as maiores empresas do mundo nesse setor. Mas, a partir de 2021, a empresa começou a ter problemas financeiros e entrou com pedido de falência em 2023, seguido de liquidação ordenada a partir de janeiro de 2024. Chegou a ter um time de futebol, negócios em painéis solares e agronegócios, entre outros.
O elevado endividamento (300 bilhões de dólares de passivo) e os boatos sobre a dificuldade da empresa fizeram com que as suas ações recuassem no mercado de Hong Kong.
As investigações concluíram que a empresa inflou suas receitas entre 2019 e 2020 em mais de 78 bilhões de dólares, sob os olhares, nem sempre atentos, da PwC. A auditoria falhou em detectar os sinais de fraude.
Agora, surge um novo capítulo da história. Os reguladores de Hong Kong puniram a auditoria por conta dos problemas da Evergrande. O acordo talvez seja um dos maiores da história do setor, incluindo cifras de 166 milhões de dólares americanos. A maior parte do valor irá para os minoritários, através de um fundo gerido pelo regulador de mercado de capitais de Hong Kong, totalizando 128 milhões. O restante é uma multa regulatória da Accounting and Financial Reporting Council (AFRC), de 38 milhões de dólares. E, por um prazo de seis meses, a PwC não poderá aceitar nenhum novo cliente entre as empresas com ações na bolsa.
Dois antigos sócios da PwC também foram multados em algo em torno de 1 milhão pelo trabalho que não foi realizado adequadamente.
Como compensação, a PwC não admite responsabilidade e evita processos adicionais.
26 abril 2026
Planilha eletrônica e sua história
Esta foi a "revolução do controle". Com essa nova capacidade de processar informações e coordenar atividades, vemos o surgimento da corporação moderna: muito maior, mais ambiciosa e mais centralizada do que qualquer firma do período pré-moderno. Era uma entidade burocrática, operada por gerentes profissionais, projetada para coordenar trabalho e capital em escala massiva.
E, como tantas outras coisas, esse equilíbrio foi abalado pela Lei de Moore. Era inevitável que, conforme os microprocessadores se tornassem mais baratos e potentes ao longo das décadas de 1960 e 1970, alguém descobrisse como representar as funções contábeis do mundo corporativo em um computador. E esse alguém, no final das contas, foi um engenheiro de 27 anos chamado Dan Bricklin.
Bricklin havia estudado ciência da computação no MIT e passara alguns anos criando softwares de processamento de texto para a Digital Equipment Corporation (DEC), a empresa pioneira do minicomputador; mas ele se sentia atraído pelo lado dos negócios e, no final da década de 1970, decidiu deixar a DEC para estudar na Harvard Business School. Sentado em uma sala de aula de Harvard em 1978, observando um professor usar o quadro-negro para resolver os cálculos complexos e interligados envolvidos na avaliação (valuation) de uma empresa, Bricklin percebeu que era possível fazer tudo aquilo em um computador. Ele poderia simplesmente criar, como disse, “um processador de texto que funcionasse com números”. E assim nasceu a ideia da planilha eletrônica.
Bricklin decidiu que essa ideia valia ouro e representaria sua incursão no empreendedorismo. Ele se juntou a um amigo do MIT chamado Bob Frankston, fundou uma empresa chamada Software Arts e passou a maior parte de 1978 e 1979 dando vida à visão da planilha eletrônica.
Como se viu, era um problema intensamente difícil. Bricklin e Frankston estavam projetando seu pacote para o Apple II, que tinha centenas de milhares de vezes menos memória do que um laptop moderno. As demandas de recursos para o processamento de texto eram gerenciáveis, já que um documento é, em última análise, um fluxo de caracteres armazenados sequencialmente na memória; mas as planilhas eram um jogo inteiramente diferente. Cada célula carregava um valor, uma fórmula, formatação e informações de dependência, e a memória necessária para armazenar tudo isso acumulava-se rapidamente; uma grade de qualquer tamanho útil ameaçava esgotar totalmente a capacidade da máquina.
Por isso, Bricklin e Frankston tiveram que ser extraordinariamente precisos na forma como usavam cada byte. Eles escreveram todo o pacote em linguagem assembly para o microprocessador 6502 do Apple II, armazenaram as células em blocos fixos de 32 bytes para minimizar o processamento excedente (overhead) e representaram os valores em formatos de comprimento variável com indicadores de tipo, de modo que valores pequenos consumissem apenas alguns bytes. Mesmo após toda essa engenhosidade, as planilhas resultantes eram pequenas para os padrões modernos: a grade do VisiCalc estendia-se a apenas 63 colunas e 254 linhas — uma tela minúscula comparada ao que um usuário de planilhas hoje considera garantido, mas o suficiente para transformar o trabalho de qualquer um que se sentasse diante dela. Cada decisão de design era, no fundo, uma decisão sobre como economizar memória.
E a atenção aos detalhes valeu a pena. Eles chamaram o pacote de software que produziram de “VisiCalc” — o calculador visível (visible calculator) — e o lançaram para o Apple II no final de 1979. E era realmente uma maravilha da engenharia de software. Era uma fusão brilhante da metáfora organizacional do bloco colunar com a interatividade do processamento de texto e a velocidade do microprocessador. Agora era possível calcular e recalcular coisas instantaneamente; podia-se executar fórmulas complexas de forma programática em vez de manual; e tarefas que antes levavam horas agora levavam alguns minutos. O VisiCalc era uma ferramenta extraordinariamente poderosa. E transformou o Apple II, que até então era um dispositivo para entusiastas, em uma máquina de negócios útil. De fato, o VisiCalc era tão potente que o Apple II era vendido, como escreveu o jornalista John Markoff, principalmente como um “acessório do VisiCalc”. Foi o primeiro software tão convincente que as pessoas compravam o hardware especificamente para executá-lo: o primeiro dos “killer apps”.
(...) (Mitch) Kapor já fora instrutor em tempo integral de meditação transcendental antes de trabalhar como chefe de desenvolvimento na VisiCorp, a empresa que comercializava e distribuía o VisiCalc; ao perceber a oportunidade no mercado de planilhas eletrônicas, decidiu abrir um concorrente. No início de 1983, sua empresa, a Lotus, lançou a planilha eletrônica Lotus 1-2-3, construída especificamente para a máquina da IBM. O Lotus 1-2-3 era uma melhoria significativa em relação ao VisiCalc — oferecia gráficos e uma funcionalidade rudimentar de banco de dados junto com a planilha básica, e conseguia lidar com grades vastamente maiores, oferecendo 256 colunas e mais de oito mil linhas — e, assim, Kapor rapidamente superou Bricklin e Frankston. (...)
Mas a era de domínio da Lotus também não durou muito. O VisiCalc e o Lotus 1-2-3 eram ambos programas baseados em texto e acionados por teclado, navegados com as teclas de seta; mas o futuro, como reconhecido por uma ambiciosa empresa de software de Seattle chamada Microsoft, estava na interface gráfica do usuário, a GUI. Com a GUI, você podia substituir comandos digitados e toques de tecla pela manipulação visual direta, de modo que interagir com a planilha parecia trabalhar com um documento físico: e esta foi a aposta que a Microsoft fez com sua oferta de planilha, o Microsoft Excel. Agora você podia apontar e clicar com um mouse, e ver suas fontes e formatação na tela exatamente como apareceriam quando impressas.
E a Microsoft estava certa de que a GUI era o futuro. O paradigma da GUI conquistou gradualmente o mercado de computação pessoal no final dos anos 80 e início dos 90, e consolidou seu domínio com a ascensão do sistema operacional Windows. Assim que a Microsoft agrupou o Excel em sua oferta do Microsoft Office, junto com seu processador de texto Word e sua ferramenta de apresentações PowerPoint, o destino da Lotus estava selado. Fatalmente presa ao paradigma baseado em texto, a Lotus nunca se recuperou e foi vendida para a IBM em 1995. E assim, o Excel venceu as guerras das planilhas.
(...) Não é exagero imaginar que a introdução da planilha eletrônica terá um efeito semelhante ao provocado pelo desenvolvimento das partidas dobradas durante o Renascimento. Como a nova planilha, o livro-razão de partidas dobradas, com sua separação de débitos e créditos, deu aos mercadores uma visão mais precisa de seus negócios e permitiu que vissem — ali, na página — como poderiam crescer podando aqui e investindo ali. A planilha eletrônica está para a partida dobrada como uma pintura a óleo está para um esboço."
Leia o texto completo aqui
25 abril 2026
Vinho e Fraude
“Vinho e fraude andam de mãos dadas”
Lider como ativo: caso de Cook da Apple
14 abril 2026
Deloitte no espaço
Eu até fui verificar se não era notícia de primeiro de abril:
Deloitte-2 e Deloitte-3 foram lançados em 29 de março de 2026 a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg para ampliar a presença orbital da Deloitte. Os novos satélites transportam cargas úteis projetadas para aumentar a capacidade de coleta de dados espaciais e ajudar a atender às crescentes necessidades dos clientes por dados e insights baseados no espaço.
Atenção no mundo moderno
A capacidade média de atenção humana encolheu em cerca de dois terços entre 2004 e meados da década de 2010, com a queda mais acentuada por volta de 2012. Essa constatação vem da pesquisadora Gloria Mark, da UC Irvine, e serve de base para um artigo de opinião no New York Times escrito por Cal Newport — professor de Ciência da Computação em Georgetown e autor de Deep Work —, no qual ele argumenta que a capacidade cognitiva coletiva está declinando de maneiras que agora podem ser medidas por dados.
A proporção de adultos nos Estados Unidos com dificuldade em leitura básica ou matemática aumentou na última década. Também cresceu o percentual de jovens de 18 anos que relatam dificuldade para pensar ou se concentrar. Uma meta-análise associou plataformas de vídeo curto — como TikTok e Instagram Reels — a pior desempenho cognitivo. Segundo o Work Trend Index 2025 da Microsoft, trabalhadores de escritório são interrompidos a cada 2 minutos. O Financial Times chegou a perguntar se os seres humanos já ultrapassaram o “pico do poder cerebral”.
Newport chama o TikTok de “Doritos digitais” — conteúdo ultraprocessado, projetado para consumo, não para nutrição. Um experimento de 2023 constatou que um smartphone, mesmo parado e sem uso em um cômodo, ainda assim reduzia a capacidade de concentração dos participantes. Um estudo de janeiro encontrou uma “correlação negativa significativa entre o uso frequente de ferramentas de IA e as habilidades de pensamento crítico”, e outro estudo separado verificou que a conectividade cerebral foi “sistematicamente reduzida” quando as pessoas escreviam com ajuda de LLMs.
A recomendação dele é simples: ler algumas dezenas de páginas de um livro por dia e deixar o celular na cozinha durante a noite. As proibições do uso de celulares nas escolas oferecem uma prévia do que acontece quando os padrões mudam: um working paper do NBER constatou melhorias significativas nas notas dos testes após a entrada em vigor dessas proibições, e três quartos de 317 escolas de ensino médio na Holanda relataram maior foco dos estudantes.
Fonte: aqui
13 abril 2026
Muitos anos depois...
20 de julho de 1969
"Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade."
— Neil Armstrong
ARTEMIS II
2 de abril de 2026
"Eu tenho dois Microsoft Outlooks, e nenhum dos dois está funcionando."
— Reid Wiseman
Quando a transparência atrapalha
Li um texto sobre o processo de contratação do Duolingo:
No Duolingo, as entrevistas de emprego começam no momento em que o candidato entra no carro. Luis von Ahn, cofundador bilionário e CEO do aplicativo de aprendizado de idiomas, revelou no podcast The Burnouts, de Phoebe Gates e Sophia Kianni, que a forma como um candidato trata o motorista no trajeto do aeroporto até o escritório pode determinar se ele será contratado ou não — independentemente de quão impressionante seja seu currículo ou de quanto agrade aos entrevistadores durante o processo.
É óbvio que tudo não se resume ao tratamento ao motorista, mas ao revelar que a empresa leva isso em consideração, não estaria a empresa perdendo o critério para as futuras contratações?
Moro num país do homicídio
Monopólio da Ticketmaster em discussão
Em alguns dias haverá a decisão sobre um polêmico caso de monopólio, com impacto indireto no Brasil. A empresa Ticketmaster/Live Nation, responsável pela venda de ingressos de grandes espetáculos no mundo, está sendo julgada. A wikipedia brasileira traz hoje as polêmicas relacionadas com o vazamento de dados de clientes, mas sugiro a consulta ao verbete em língua inglesa, onde a lista de problemas é enorme.
Fundada em 1976, a empresa cresceu através da aquisição da concorrência, estratégias de preços e exclusividade na venda de ingressos. Recentemente, a empresa chegou a ser multada, com um valor de 3 milhões de dólares. O processo atual começou em maio de 2024.
É interessante lembrar que um processo judicial de monopólio, no final do século XIX, gerou desdobramentos até na contabilidade da época.
11 abril 2026
Influenciadores e sua influência
O estudo investiga a capacidade de influenciadores digitais de interferirem na opinião dos usuários das informações contábeis, especialmente no contexto das escolhas contábeis relacionadas ao reconhecimento de ganhos e perdas. Por meio de um experimento com estudantes, os resultados evidenciam que a opinião de influenciadores pode afetar significativamente os julgamentos dos usuários, mesmo quando estes têm acesso às informações contábeis originais.
Uma empresa em transformação
A empresa Apple completou 50 anos de idade. Nos primeiros anos, a empresa comercializava computadores e periféricos. Somente depois de uma grande crise é que a empresa diversificou e passou a ganhar dinheiro com outros produtos. Primeiro foi o iPod, depois o iTunes Music Store, sendo que em 2006 mais da metade das receitas era oriunda desse, então, novo negócio. Em 2007 surge o iPhone que, dez anos depois, já respondia por 2/3 dos negócios da empresa.
Mesmo hoje, a empresa consegue nos celulares boa parte da sua receita, mas há um esforço no sentido de reduzir essa dependência através dos negócios de serviços, que inclui App Store, publicidade, Apple TV+ e outros.
09 abril 2026
IA e segurança
A empresa Anthropic desenvolveu um sistema capaz de verificar os erros existentes nos softwares atuais. É um problema de segurança:
A ironia é que a empresa que desenvolveu um modelo de fronteira capaz de infiltrar e minar praticamente qualquer sistema de computador no mundo é a mesma que foi proibida de trabalhar com o governo dos EUA. É como se uma empresa privada tivesse desenvolvido armas nucleares e o governo americano se recusasse a trabalhar com eles por serem "lacradores" demais. Okey dokey.
O segundo artigo sobre riscos de IA é o AI Agent Traps, do Google DeepMind. Eles apontam que agentes de IA na web são vulneráveis a todo tipo de ataque vindo de coisas como textos em HTML nunca lidos por humanos, comandos ocultos em PDFs, comandos codificados nos pixels de imagens usando esteganografia e assim por diante.
Somando tudo isso, temos a combinação preocupante de que IAs muito poderosas são também muito vulneráveis. A IA resolverá os problemas da IA? Eventualmente, o software será tornado seguro, mas coisas estranhas acontecem em corridas armamentistas e a jornada será turbulenta.
Máfia, gerenciamento e contadores
O resumo:
Investigamos a qualidade do monitoramento de contadores com ligações com a Máfia em seu papel como auditores de empresas "limpas" — aquelas sem vínculos conhecidos com o crime organizado. Utilizando um banco de dados governamental proprietário, identificamos empresas italianas com supostas ligações com a Máfia por meio de seus executivos, diretores ou acionistas. Definimos "contadores suspeitos" como aqueles que atuam como auditores para essas empresas conectadas à Máfia, reconhecendo suas potenciais associações com entidades criminosas. Prevemos e encontramos evidências de que clientes "limpos" (grupo de tratamento) monitorados por contadores suspeitos são mais propensos a se envolver em práticas de gerenciamento de resultados que reduzem o lucro tributável, em comparação com uma amostra de controle de empresas "limpas" monitoradas por contadores sem ligações conhecidas com a Máfia (grupo de controle). Nossos achados sugerem que contadores com vínculos com a Máfia atuam como monitores de baixa qualidade na economia "limpa".
Do JAR, Monitoring Quality of Mafia-Connected Accountants - Pietro A. Bianchi, Jere R. Francis, Antonio Marra, Nicola Pecchiari. Imagem aqui
"Auditor" do sorteio da Caixa
Lendo aqui sobre os sorteios de loteria:
Todas as noites, dois auditores independentes acompanham os sorteios presencialmente para conferir se tudo está sendo feito de maneira correta. Os auditores são voluntários que representam o público.
Eles são escolhidos diariamente entre as pessoas que estão na plateia, com prioridade para quem ainda não participou. Por isso, a cada noite há pessoas diferentes desempenhando a função.
Quem deseja ser auditor voluntário não precisa se inscrever previamente: basta estar presente e atender aos seguintes critérios:
- ser alfabetizado;
- ser maior de idade;
- apresentar documento de identificação;
- apresentar condição física e psíquica adequada para realizar as atribuições;
- não ser empregado das Loterias CAIXA, da CAIXA ou empresário lotérico.
A complexidade do trabalho do auditor ficou resumida a conferir se as coisas estão ocorrendo de maneira correta. Mas ao ler o texto, em lugar de ficar "tranquilo", o procedimento trouxe preocupação. Será que o auditor voluntário estaria preparado para o papel? Se um profissional é muitas vezes enganado, imagine alguém que é voluntário.
08 abril 2026
Falácia McNamara
A Falácia de McNamara é a crença em métricas quantitativas fáceis de medir, em detrimento de fatores qualitativos difíceis de mensurar.
Robert McNamara foi presidente da Ford Motor Company e, mais tarde, Secretário de Defesa dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã. Era extremamente inteligente e se destacava por lidar com dados e utilizá-los para orientar a estratégia.
Criada pelo cientista social Daniel Yankelovich, a Falácia de McNamara, também chamada de Falácia Quantitativa, envolve:
priorizar métricas quantitativas mais fáceis de medir; e
desconsiderar métricas qualitativas difíceis de medir como se não fossem importantes.
A falácia pode evoluir da seguinte forma:
medir o que pode ser medido;
desconsiderar o que não pode ser medido;
presumir que o que não pode ser medido não é importante;
concluir que o que não pode ser medido não existe.
Nas palavras de Yankelovich:
“A falácia é a seguinte: se você se depara com um problema complexo, repleto de elementos intangíveis, decide medir apenas os aspectos do problema que se prestam a uma quantificação fácil, seja porque considera os outros aspectos difíceis de medir, seja porque presume que eles não podem ser muito importantes ou sequer existem.” …
“Há um passo curto, mas fatal, entre a afirmação ‘Há muitos intangíveis e fatores imponderáveis que não conseguimos colocar em nossos computadores’ e a afirmação ‘Vamos medir o que conseguimos e esquecer os intangíveis.’”
Yankelovich menciona seu trabalho com a Ford na época de McNamara e relata ter compartilhado pesquisas que incluíam fatores quantitativos e qualitativos. Quando a pesquisa foi analisada, os dados qualitativos sobre os significados que as pessoas atribuíam aos carros pequenos foram descartados, enquanto os dados quantitativos e demográficos, menos significativos, foram mantidos.
Exemplos da Falácia de McNamara
Tomei conhecimento dessa falácia pela primeira vez em um artigo de um leitor sobre um dos aspectos mais fáceis de medir em uma bicicleta: seu peso. Mantidas iguais as demais condições, provavelmente preferiríamos uma bicicleta mais leve, mas outros aspectos, como manutenção, confiabilidade e dirigibilidade, também são importantes, embora mais difíceis de medir, relatar e comparar. Como resultado, o peso frequentemente ganha destaque em detrimento dos demais fatores.
Outros exemplos podem incluir:
- Talvez o seu tempo de contratação tenha diminuído, mas como está a adequação das pessoas que você está trazendo?
- Talvez mais pessoas estejam visitando o seu site, mas elas podem não ser as pessoas certas para o seu serviço.
- Podemos calcular o PIB de um país, mas o PIB não considera o trabalho humano sem transação monetária — como uma refeição feita em casa — nem o trabalho vital realizado pela natureza, como filtrar a água, sequestrar carbono ou elevar o ânimo das pessoas.
- Se a comida enlatada lhe fornece todos os nutrientes de que você precisa, o que você perde ao abrir mão das refeições em família?
Um exemplo frequentemente citado da Falácia de McNamara é a abordagem dos militares dos Estados Unidos para medir o progresso na Guerra do Vietnã.
A Falácia de McNamara e a Guerra do Vietnã
Como Secretário de Defesa dos Estados Unidos entre 1961 e 1968, McNamara empregou técnicas semelhantes às que havia utilizado com sucesso em contextos empresariais para avaliar o progresso da guerra no Vietnã.
Se guerras fossem vencidas por infligir danos ao inimigo, então métricas que medissem esses danos deveriam funcionar como bons indicadores indiretos. Em particular, a contagem de corpos passou a ser a principal medida de progresso.
A dependência de métricas puramente quantitativas apresentava deficiências significativas. Nesse contexto, a contagem de mortos do inimigo era mais fácil de quantificar do que seu moral, apoio político ou determinação para se defender. Por causa do interesse nessa medida, muitos oficiais acreditavam também que ela era frequentemente inflada.
Medir as toneladas de explosivos lançados é mais fácil do que medir a redução de capacidade que eles provocaram. Saber o número de tropas que você possui é mais fácil do que medir as capacidades dessas tropas.
De acordo com os números, os Estados Unidos estavam vencendo a guerra, mas não conseguiram superar a resistência do Vietnã do Norte.
Ideias relacionadas à Falácia de McNamara
Uma dependência excessiva de métricas quantitativas rapidamente leva a vários outros problemas correlatos:
Lei de Goodhart
Quando uma medida se torna uma meta, ela deixa de ser uma boa medida.
Por exemplo, avaliar o progresso da guerra pelo número de inimigos mortos pode levar ao aumento de mortes apenas para inflar os números.
Lei de Campbell
Quanto mais uma métrica conta para decisões reais, maior a pressão para corrupção, e mais ela distorce a situação que pretende medir.
Por exemplo, se a redução das taxas de criminalidade é importante para os cargos na aplicação da lei, isso cria um incentivo para subnotificar casos ou reclassificar crimes para categorias menos graves.
Efeito do Poste de Luz
Procurar onde é mais fácil olhar, em vez de onde realmente importa. Também conhecido como a busca do bêbado ou procurar debaixo do poste, o Efeito do Poste de Luz recebe esse nome de uma piada dos economistas sobre uma pessoa tateando o chão em busca das chaves do carro sob a luz de um poste. Quando lhe perguntam onde as perdeu, a pessoa responde que foi “ali adiante”, mas que a luz é muito melhor aqui.
Por exemplo, otimizar um produto existente porque ele é conhecido e já apresenta bom desempenho, em vez de trabalhar em um novo produto incerto.
Você obtém aquilo que mede
O instrumento que você usa para medir afeta aquilo que você vê.
“Por exemplo, na escola é fácil medir o treinamento e difícil medir a educação, e, por isso, tende-se a ver, nas provas finais, uma ênfase na parte do treinamento e uma grande negligência da parte da educação.” — Richard Hamming
O Efeito Cobra
Quando uma política implementada produz efeito contrário ao resultado pretendido. O nome vem de uma tentativa britânica de reduzir o número de cobras em Délhi, oferecendo recompensa por cobras mortas. Diante da recompensa lucrativa, as pessoas passaram a criar cobras, aumentando assim sua quantidade.
Por exemplo, o Efeito Streisand é um caso bem documentado de efeito cobra: quando Barbara Streisand tentou suprimir imagens do litoral que incluíam sua casa, a atenção gerada por essa tentativa fez com que milhares de pessoas fossem vê-las, embora de outra forma talvez nunca pensassem nisso.
E todos esses são exemplos da Lei das Consequências Não Intencionais, que decorre da tentativa de regular um sistema complexo com um sistema simples.
Mais ideias relacionadas à Falácia de McNamara
Se as ideias acima não forem suficientes, você também pode encontrar:
Na teoria, a prática é igual à teoria, mas na prática não é
Todos os modelos estão errados, mas alguns são úteis
Confiabilidade versus validade: você pode acertar o alvo, mas errar o ponto
Maturidade analítica
O que é medido melhora
O mapa não é o território (sem esboço!)
Para uma excelente discussão sobre a mensuração de todo tipo de coisa, incluindo riscos agudos (ser atropelado por um ônibus) e riscos crônicos (fumar), recomendo o divertido episódio de podcast: Microlives & The Art of Uncertainty, com Sir David Spiegelhalter.
O artigo sobre o peso das bicicletas é: The McNamara Fallacy and Bikes, de Peter Verdone.
Daniel Yankelovich, que deu nome à Falácia de McNamara, fez questão de frisar que não pretendia desrespeitar “um dos nossos cidadãos mais distintos”, Robert McNamara, “um homem brilhante e dedicado, que aplica ao seu trabalho uma intensidade vital”.
Algumas das complexidades da guerra e de McNamara são abordadas no documentário vencedor do Oscar The Fog of War, uma obra fascinante e, às vezes, desconfortável de assistir.
Fonte: aqui
07 abril 2026
Auditoria e processo
Tradicionalmente os auditores sempre ficaram isentos de punições por falhas cometidas no seu trabalho. Mas os prejudicados deixaram de acreditar na conversa que o papel do auditor não é descobrir fraude e iniciaram uma longa jornada de solicitar indenizações em processos judiciais. Agora a conta está começando a chegar e a justiça tem, cada vez menos, confiado no argumento usado pelos profissionais e suas empresas.
A Deloitte & Touche LLP concordou, em março, em concluir um dos maiores acordos de uma ação coletiva contra auditores em uma década. O pagamento de US$ 34 milhões aos acionistas da Scana encerra uma disputa judicial de seis anos sobre as auditorias da Deloitte relacionadas a um projeto abandonado de usina nuclear na Carolina do Sul.
Isso veio na sequência de um caso em Nova York em que investidores de um hedge fund, que questionaram o trabalho dos auditores, processaram a BDO, hoje conhecida como BDO USA P.C., depois que o fundo entrou em colapso. Os investidores receberam cerca de US$ 9 milhões em indenização por meio de um painel arbitral. Em janeiro, um juiz estadual manteve a decisão, e o caso segue em grau de recurso.
Imagem aqui
IA e Auditoria
Uma orientação do regulador inglês Financial Reporting Council tratou da questão da inteligência artificial na auditoria. De uma forma resumida seria: os auditores são responsáveis pelo que a IA produz. Eis um exemplo de como isto está ocorrendo nos dias atuais:
A equipe de liderança global da EY teve, no fim do mês passado, uma prévia das poderosas ferramentas de IA que estão prestes a ser implementadas em toda a sua área de auditoria. Os tecnólogos da firma apresentaram uma versão reformulada da plataforma de auditoria EY Canvas, com recursos que aceleram drasticamente a avaliação de riscos corporativos usada para planejar uma auditoria, enviam orientações contábeis relevantes à equipe enquanto ela trabalha e pré-preenchem os papéis de trabalho que documentam seu progresso.
A EY afirma que, quando a atualização do Canvas entrar no ar neste mês, o trabalho de auditoria não será apenas mais rápido, mas também mais minucioso, com maior probabilidade de detectar fraude e de garantir a precisão das demonstrações financeiras das quais dependem os mercados de capitais.
Agora é sentar e esperar a primeira falha acontecendo.
Regras de licenciamento
O resumo traduzido
Estudamos o efeito de exigências educacionais específicas da ocupação, induzidas por licenciamento, sobre a mobilidade ocupacional e os rendimentos dos trabalhadores. Examinamos essa questão no contexto das regras de licenciamento dos Certified Public Accountants (CPAs), explorando a introdução escalonada, entre os estados, de uma mudança no número e na composição das exigências educacionais desses profissionais. Constatamos que um aumento na carga horária obrigatória de créditos específicos em contabilidade leva a mais tempo em empregos contábeis, menor troca de emprego entre ocupações diferentes e redução do prêmio salarial associado ao licenciamento. Análises suplementares indicam que esses efeitos representam uma especialização das habilidades dos trabalhadores, e não uma queda geral no desempenho contábil dos CPAs. Os achados, em conjunto, sugerem que, ao impor exigências curriculares específicas da ocupação, os regimes de licenciamento podem gerar capital humano menos transferível, reduzindo tanto a mobilidade ocupacional quanto o prêmio salarial do licenciamento.
Occupation-Specific Education Requirements and Occupational Silos: Evidence from CPA Licensing Rules Anthony Le & Parth Shah
University of Chicago Working Paper, January 2026
06 abril 2026
Custo de oportunidade, crime e Uber
Uma pesquisa realizada na França encontrou um efeito positivo das plataformas de entrega, como a Uber. As empresas que atuam no setor são criticadas por precarizar o trabalho e não conceder certos benefícios sociais aos trabalhadores. No entanto, a descoberta pode influenciar políticas públicas, no sentido de fazer com que o legislador pense duas vezes antes de inibir a atuação dessas empresas.
Analisando a chegada das empresas em certas localidades, os pesquisadores descobriram que há um aumento na procura por trabalho por parte de indivíduos que antes enfrentavam restrições no mercado formal, seja por discriminação ou por falta de qualificação.
Uma consequência não prevista foi a redução no desemprego entre jovens, especialmente imigrantes, a diminuição da dependência de auxílios sociais e, surpreendentemente, a redução na criminalidade. A explicação reside no custo de oportunidade, um conceito que Gary Becker já utilizava para explicar a questão criminal. Quando uma pessoa comete um crime, corre o risco de ser presa e perder sua fonte de sustento. O trabalho de entregador eleva esse custo de oportunidade, inibindo a prática criminosa.
Impacto do uso da IFRS na Índia
O resumo Abacus:
Este estudo investiga se a implementação das International Financial Reporting Standards (IFRS) tem impacto sobre o valor para os acionistas e a participação de investidores institucionais estrangeiros no mercado acionário doméstico da Índia. O estudo explora especificamente o contexto da delimitação regulatória na implementação das IFRS com base em um limiar de patrimônio líquido das empresas e emprega uma abordagem de estudo de eventos, combinada com um desenho de diferença-em-diferenças, para elucidar os efeitos das IFRS. Os resultados revelam uma reação positiva do mercado aos anúncios relacionados às IFRS, levando a um aumento expressivo de 4,26% no preço das ações das empresas obrigadas a adotar esse padrão contábil. Notavelmente, em termos de valor para os acionistas, observa-se um aumento sustentado de longo prazo apenas para as empresas que migraram para as IFRS. Esse incremento reforça a valorização proporcionada pelas IFRS no mercado indiano. Além disso, o estudo também encontra evidências convincentes de um aumento significativo na participação acionária de investidores institucionais estrangeiros em empresas em conformidade com as IFRS após a implementação. De modo geral, o estudo enfatiza a importância dos frameworks IFRS tanto para investidores domésticos quanto estrangeiros e produz implicações relevantes para diversos stakeholders envolvidos no processo de divulgação corporativa, incluindo empresas, órgãos reguladores e normatizadores contábeis.
Saravanan, R. and Firoz, M. (2026), Does IFRS Matter in the Indian Capital Market? A Domestic and Foreign Investor Perspective. Abacus. https://doi.org/10.1111/abac.70036
Isso parece de acordo com as pesquisas recentes sobre o uso de normas internacionais de contabilidade pelo padrão IFRS quando o país tem uma qualidade contábil inferior aos padrões.
05 abril 2026
Apocalipse do Software como um serviço afeta a Microsoft
O termo SaaSpcalypse é a junção de SaaS (sofware as a service) com apocalypse. É um termo muito novo, desse ano ainda, e mostra o medo de que a IA reduza o valor das empresas tradicionais de software por assinatura.
Antes da IA, as empresas pagavam por ferramentas SaaS para executar certas tarefas. Mas os investidores estão entendendo que a IA consegue fazer esse trabalho, o que irá reduzir preço e margens dos softwares existentes. E uma das empresas que poderia com esse apocalipse seria a Microsoft. E as ações da empresa recentemente sofreram impacto com essa crença, mesmo com o crescimento das receitas.
Como a Microsoft vende o Copilot, um produto que ainda não compete com outras ferramentas de IA. E a Microsoft deixa de ter produtos vendáveis para seus clientes, que agora estariam usando os concorrentes GPT, Claude e outros. Para compensar, a empresa precisa de grandes gastos em infraestrutura. A responsabilidade do Copilot é manter os clientes na Microsoft.
Com o mercado ansioso, a queda no preço das ações.
03 abril 2026
Análise custo-benefício de plantar árvore em São Paulo
E se o prefeito da cidade de São Paulo resolvesse plantar 3 milhões de árvores? Há um custo na tarefa e manutenção que pode atingir 5,4 bilhões de dólares, ou cerca de 1.800 dólares por árvore. Só que esse custo seria distribuído ao longo do tempo, tornando o investimento de aproximadamente 245 dólares por residente mais suportável para o contribuinte.
Plantar árvores significa melhorar as condições de vida, combater as ilhas de calor que causam até 70% da mortalidade em ondas de calor na capital, melhorar a saúde e reduzir mortes. Temos um custo, mas precisamos entender o que significam, em termos numéricos, os benefícios.
Há uma métrica chamada Valor de uma Vida Estatística (VSL) para determinar se um investimento tão elevado vale a pena. Para São Paulo, o VSL é estimado em 2,035 milhões de dólares por vida. Considerando um horizonte de 20 anos, isso corresponde a um retorno econômico de 11,4 bilhões de dólares, baseado na estimativa de que 280 vidas seriam salvas anualmente com essa ação. Assim, embora o custo per capita seja relevante, os benefícios totais seriam superiores ao dobro do investimento.
A lógica originou-se de uma análise comparativa global feita pelo Claude e os detalhes do cálculo para outras cidades do mundo estão documentados.















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