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31 agosto 2026

Remuneração e concentração no final da carreira


O resumo do excelente NBER

Em modelos de monopsônio, reduções salariais induzem perda de bem-estar social e, portanto, são ineficientes. Contudo, reduções salariais também surgem em modelos com remuneração por eficiência concentrada no final da carreira, onde são projetadas para estimular o esforço entre trabalhadores em início de carreira e, assim, são eficientes. Para conciliar — e distinguir empiricamente — esses dois mecanismos, construímos um modelo dinâmico que incorpora poder no mercado de trabalho e esforço endógeno. Estimando um modelo de produção em equipe com dados inéditos de empresas de contabilidade pública dos EUA, encontramos evidências de ambos: reduções salariais para trabalhadores juniores e aumentos para os seniores refletem a concentração da remuneração no final da carreira como incentivo, enquanto o poder de monopsônio induz uma redução salarial "vitalícia" de 15%.

Monopsony and Backloaded Compensation: Theory and Evidence from Public Accountants

Michael Rubens & Bernardo S. Silveira - Working Paper 35474 - DOI 10.3386/w35474

Licenciamento profissional no mundo

Lembrando que a profissão contábil depende da licença do governo para o trabalho. Eis um trecho 

O licenciamento profissional tem sido tradicionalmente estudado principalmente em economias avançadas. Nossos resultados sugerem que essa perspectiva ignora uma parte importante do panorama global.

O licenciamento profissional é generalizado em países de todos os estágios de desenvolvimento. Em diversas economias em desenvolvimento, é substancialmente mais comum do que nos EUA ou na Europa. Além disso, países com licenciamento profissional mais abrangente tendem a apresentar rendimentos mais baixos, setores informais maiores e resultados de governança mais fracos.

Essas relações devem ser interpretadas com cautela. Elas são descritivas, e não causais. No entanto, sugerem que o licenciamento profissional pode ser um componente de ambientes institucionais mais amplos que influenciam a alocação do mercado de trabalho, a mobilidade dos trabalhadores, a participação no setor formal e o desenvolvimento econômico a longo prazo.



À medida que os governos buscam maneiras de melhorar a produtividade e expandir as oportunidades econômicas, a compreensão do papel do licenciamento profissional fora das economias avançadas deve se tornar uma parte cada vez mais importante tanto da economia do trabalho quanto da economia do desenvolvimento.

Origem de Acme


O nome "Acme", a empresa genérica dos Looney Tunes, é uma "piada perdida no tempo". No início do século XX, centenas de empresas adotaram o nome Acme porque ele representava a interseção entre sinalizar qualidade ("acme" vem do grego e significa "ápice") e estar bem no início do alfabeto (o que significava que viria em primeiro lugar na lista telefônica, uma "versão da Grande Depressão do SEO").

Fonte: aqui via aqui

Brancos do Sul dos EUA e a industrialização no Brasil

 


Eu não sabia que:

Este artigo examina os impactos econômicos e culturais de longo prazo da migração de indivíduos brancos do Sul dos Estados Unidos para o Brasil após a Guerra Civil. Após a Guerra Civil Americana, milhares de pessoas da antiga Confederação se estabeleceram em uma região relativamente pobre de São Paulo, contribuindo para sua transformação em uma das áreas mais ricas do Brasil. Demonstro que esses migrantes, embora um pequeno grupo, desempenharam um papel significativo na industrialização regional, particularmente nas indústrias algodoeira e têxtil, e na mecanização da agricultura. Algumas características culturais dos migrantes, como o protestantismo e o uso da língua inglesa, persistiram ao longo do tempo, em grande parte devido à infraestrutura física que estabeleceram. Ao contrário de migrações semelhantes dentro dos EUA, não encontro evidências de legados persistentes em termos de política ou desigualdade racial, enfatizando o papel da infraestrutura local na formação dos resultados econômicos e culturais da imigração.

Southern roots abroad: The long-run impact of the Confederate migration to Brazil - João Tampellini . Mapa aqui

28 agosto 2026

Catástrofe pode ajudar a construir uma cultura de longo prazo

O resumo:


Desastres naturais expõem as sociedades a um ambiente externo que exige adaptação com visão de futuro. Este artigo argumenta que sociedades com maior exposição histórica a desastres naturais têm maior probabilidade de desenvolver normas orientadas para o longo prazo, que enfatizam a preparação, a poupança e o bem-estar futuro. Testamos essa hipótese relacionando a exposição histórica a terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas, de 4360 a.C. a 1980 d.C., com a orientação contemporânea para o longo prazo. A exposição a desastres é representada por uma medida baseada na distância, que agrega a proximidade a grandes eventos catastróficos ao longo de extensos horizontes temporais. A orientação para o longo prazo é examinada utilizando tradições folclóricas em nível étnico e evidências baseadas em pesquisas em nível individual e nacional. Em todos os níveis de análise, constatamos que uma maior exposição cumulativa a desastres está associada a uma orientação para o longo prazo significativamente mais forte. Evidências do folclore e de migrantes de segunda geração sugerem que esses efeitos operam por meio da adaptação cultural e da transmissão intergeracional.

Meng Liu, Jun Wang, James B. Ang, Per G. Fredriksson, From catastrophe to culture: The role of historical disasters in shaping long-term orientation, Journal of Development Economics, Volume 184, 2027

Faz lembrar a narrativa que nosso país não tem desastre natural sério, mas Deus compensou com sua população. Foto da Wikipedia


 Fonte: aqui

Páginas escritas por IA estão predominando na internet

 

Após o surgimento do GPT, uma de cada três páginas são criadas pela IA. Os dados originais são daqui, via aqui

27 agosto 2026

Mortes violentas no Brasil

 

Fonte: aqui

Parece promissor, mas 19 homicídios por 100 mil habitantes é cinco vezes dos Estados Unidos. Em termos históricos, e conforme O Otimista Racional, p93, o valor atual atingido pelo Brasil é o mesmo que existia na Europa em 1550. 

Talvez fosse interessante verificar se há uma relação com os gastos públicos em segurança, mas algo precisa ser feito ainda. 

Disfluência da fala gerencial


 Eis o resumo:

Com base na literatura que demonstra que a disfluência da fala transmite informações sobre a incerteza do falante, criamos uma medida de incerteza da empresa com base na disfluência da fala gerencial em teleconferências sobre resultados e examinamos seu impacto sobre os analistas. Mostramos que, quando os gestores exibem maior disfluência (que denominamos “incerteza acústica gerencial”) em suas respostas às perguntas dos analistas, a dispersão das previsões dos analistas aumenta, mesmo após considerar as características da linguagem utilizada por gestores e analistas. Além disso, constatamos que a associação positiva entre incerteza acústica e dispersão das previsões dos analistas se concentra em teleconferências nas quais as respostas gerenciais exibem maior especificidade e informações prospectivas, e para empresas com notícias de resultados mais negativas e ambientes de informação mais fracos. Nossos resultados são consistentes com a incerteza expressa nas características acústicas da fala gerencial que afetam os participantes do mercado e sugerem que nossa medida captura um aspecto único da incerteza da empresa.

The Sound of Uncertainty: Examining Managerial Acoustic Uncertainty in Conference Calls - Journal of Accounting and Economics (forthcoming) - Daniela De la Parra e John Gallemore

Imagem aqui

Rir é o melhor remédio

 

Fonte: /reddit/accounting

26 agosto 2026

Usando IA para fazer previsões na contabilidade

Scott Alexander é um articulista influente e que vale a pena acompanhar e ler. Em julho, ele publicou um texto questionando se os sistemas de inteligência artificial seriam capazes de fazer previsões tão boas quanto os melhores humanos. Alexander não está falando de GPT ou Claude, mas de um modelo de IA que foca no processo preditivo. E esse modelo é raro e não está acessível gratuitamente.


Em torneios preditivos, como os da Metaculus, os melhores humanos ainda possuem pontuações superiores às dos sistemas especializados, mas a diferença é relativamente pequena e podemos dizer que haveria um empate nessa disputa, embora ele acredite que a IA vença em finanças, além de ter uma vantagem em rapidez e custo. E isso pode permitir que os produtos de previsões sejam incorporados pelas empresas e governos nas suas atividades rotineiras.

A questão de modelos de previsão de IA poderem ultrapassar os seres humanos merece uma ressalva, já que parte desse desempenho ocorre em itens bem definidos, verificáveis e de curto prazo. Não temos ainda evidências de que sejam bons em questões abertas, de longo prazo e com situações complexas. Mas só o fato de que uma IA consiga chegar próximo, nas suas previsões, aos melhores humanos, com baixo custo e uma escala quase que ilimitada, já traz consequências enormes, segundo Alexander.

Foquemos na contabilidade. Parte dela depende de previsões, como o tempo de vida útil de um carro elétrico ou a chance de recebimento de um valor devido por outra entidade. O profissional que lida com isso precisa de modelos preditivos ou então confiar em regras, em um argumento de autoridade, na palavra do fabricante ou em regras simplórias. A existência de modelos de inteligência artificial pode facilitar muito esse tipo de trabalho. Mas muitas das atividades da contabilidade que exigem previsão não possuem um histórico de informações suficiente para construir um modelo de decisão para uma inteligência artificial. Ou não possuem o feedback necessário para calibrar o processo. Talvez o impacto da IA fazendo previsões seja residual na contabilidade, mas pode ser um prenúncio para melhorar as previsões. Quem saberia dizer se essa previsão é adequada?

25 agosto 2026

Hayek na UnB

Este artigo examina as visitas de Friedrich Hayek ao Brasil durante a ditadura militar, contrastando-as com suas experiências no Chile e na Argentina. Fontes primárias, incluindo correspondências e registros jornalísticos, são utilizadas para reconstruir as atividades de Hayek no Brasil e analisar a fria recepção que ele recebeu das autoridades governamentais. O artigo argumenta que, diferentemente do Chile e da Argentina, onde Hayek foi recebido por altos funcionários e suas ideias foram utilizadas para apoiar políticas econômicas, no Brasil sua presença foi ignorada pelo governo. Os autores atribuem essa diferença à estratégia de desenvolvimento nacional adotada pelo regime militar brasileiro, que favorecia uma forte intervenção estatal na economia. O artigo conclui que a utilidade de economistas renomados para regimes autoritários depende da compatibilidade de suas ideias com as políticas econômicas vigentes. As viagens dos economistas devem ser compreendidas não apenas pela perspectiva da oferta, ou seja, sua motivação para conhecer e influenciar o mundo, mas também pela demanda por suas ideias por parte de grupos ligados ao governo.


O texto completo pode ser encontrado aqui

O seminário planejado em Brasília não aconteceu, o que representa um forte contraste com as viagens de Hayek ao Chile e à Argentina. Enquanto nesses países ele foi recebido por seus mais altos líderes, na capital brasileira as maiores autoridades que encontrou foram José Carlos Azevedo, reitor da Universidade de Brasília (UnB), e diversos chefes de departamento.Ele chegou a visitar o Congresso Nacional, mas a recepção foi constrangedora. Um jornal local destacou o contraste entre a recepção festiva dada à atriz holandesa Sylvia Kristel, estrela do filme Emmanuelle, e a dada ao ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1974 ( Correio Braziliense , 3 de dezembro de 1977).

e

Hayek foi então a Brasília para ministrar dois seminários; o conteúdo de um deles, juntamente com a sessão de perguntas e respostas conduzida por Maksoud, foi publicado em Hayek 1981. Mais uma vez, Hayek encontrou-se com José Carlos Azevedo, que ainda era reitor da UnB. Azevedo tentou intermediar um encontro entre Hayek e Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil. Ele enviou uma mensagem a Heitor Ferreira, secretário de Golbery, em 5 de maio de 1981, informando-o da chegada de Hayek à capital e afirmando: “Se o senhor ou o Ministro Golbery estiverem interessados ​​em encontrá-lo, digam-me o que devo fazer”. Heitor encaminhou a mensagem a Golbery, que respondeu: “Heitor, acho que valeria a pena encontrá-lo. Infelizmente, não tenho tempo. Consulte minha agenda”

Era estudante na UnB nessa época e a universidade promovia grandes palestras com pessoas relevantes da ciência mundial. Mais sobre Hayek aqui e aqui

Trabalhe mais


De um depoimento dado pelo CEO da PwC

Os colaboradores podem sair do trabalho na sexta-feira, aproveitar o fim de semana e voltar na segunda-feira. Ou podem dedicar um tempo nos fins de semana para pesquisar e entender melhor um problema, de modo a chegarem mais bem preparados na segunda-feira.

Essa pessoa realiza o trabalho extra por curiosidade, não porque lhe pediram para fazê-lo, afirmou o sócio sênior e CEO nos EUA.

“Na segunda-feira, os dois voltam, e você sabe o que acontece”, disse Griggs. “A pessoa que fez a pesquisa aprende as coisas um pouco mais rápido. E o que acontece então? Essa pessoa acaba com mais trabalho”, completou Griggs.

Educativo. 

24 agosto 2026

Custo para ir ao espaço

 ... que o custo médio de envio de um quilograma para a órbita caiu de 87.023 USD em 1960 para 3.868 USD em 2025. Usando a estrutura da Lei de Wright, estimamos que, para cada duplicação da carga útil cumulativa enviada para a órbita, o custo médio de envio de um quilograma para a órbita diminui em 21,2%...

Isso é economia de escala na prática. O texto original está aqui. Mas foi no Managerial Economics que li esse trecho. Eis o gráfico



Uma fraude de 1600 anos


Arqueólogos encontraram em Estratoniceia, no oeste da atual Turquia, inscrições em pedra que ajudam a reconstruir um grande esquema de fraude tributária ocorrido no Império Romano há cerca de 1.600 anos. A partir de aproximadamente 465 d.C., autoridades começaram a receber denúncias de que coletores de impostos em regiões da Ásia Menor entregavam recibos sem registrar corretamente os valores pagos. Depois, informavam ao Tesouro imperial quantias menores e apropriavam-se da diferença. 

O problema persistiu por cerca de 15 anos e chegou a envolver propriedades ligadas à família imperial. Em 480 d.C., o prefeito pretoriano Flavius Illus Pusaeus Dionysius adotou medidas mais duras e determinou que os envolvidos no esquema poderiam ser condenados à morte. Historiadores acreditam, porém, que a ameaça tinha forte caráter simbólico: mais do que proteger a arrecadação, pretendia reafirmar a autoridade do imperador diante de funcionários que desobedeciam suas ordens. Não há evidências de que a pena tenha sido efetivamente aplicada.

Leia mais em Popular Science

23 agosto 2026

Uma história de sustentabilidade


Um estudo realizado em fazendas de cacau na Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau, revelou que o monitoramento da sustentabilidade pode ser vulnerável à manipulação de dados. Os pesquisadores afirmam que suas descobertas levantam sérias questões sobre a confiabilidade com que empresas e sistemas de certificação podem verificar as alegações referentes aos padrões ambientais e sociais de produtos como o chocolate.

As auditorias de sustentabilidade deveriam dar às empresas de alimentos e bebidas a confiança de que as alegações que fazem sobre suas cadeias de suprimentos resistem ao escrutínio. No entanto, a pesquisa da ETH Zurich sobre o cultivo de cacau sugere que o próprio processo de auditoria pode criar um incentivo para produzir a resposta "certa".

As conclusões podem ter especial relevância para as empresas que se preparam para cumprir o Regulamento da UE sobre o Desflorestamento, que exige que as empresas demonstrem que as mercadorias, incluindo o cacau, vendidas na UE não estão ligadas ao desflorestamento ou à degradação florestal em todo o mundo.

Via aqui. Original aqui

21 agosto 2026

Proposta de alteração na "constituição" da Fundação IFRS

Em uma semana com novidades, a Fundação IFRS anunciou uma consulta pública para mudar sua "constituição":

Dimensão do Conselho: O tamanho proposto para os Conselhos seria "entre oito e doze membros".

Equilíbrio geográfico do Conselho: O equilíbrio proposto seria de dois membros de cada uma das seguintes regiões: Ásia-Oceania, Europa e Américas, e um membro da África. As vagas restantes poderiam ser preenchidas por membros de diferentes regiões, desde que o equilíbrio geral não fique distorcido.

Mecanismos de votação: As alterações propostas exigiriam maioria simples mais um voto adicional para aprovar minutas de exposição e normas, com um mínimo de cinco votos afirmativos; para outras decisões — incluindo a publicação de um documento de discussão ou um pedido de informação — o limite de votação existente de maioria simples seria mantido e seria introduzida uma disposição de votação mínima que exigiria pelo menos quatro votos afirmativos.

Outras alterações propostas dizem respeito à duração dos mandatos dos membros do conselho [de 8 anos até no máximo 10 anos], ao cronograma das consultas sobre o plano de trabalho, à exigência de que sempre haja uma fundamentação para as conclusões que acompanham uma norma ou uma minuta para consulta pública, ao título e à descrição do Diretor-Geral e à remoção das disposições temporárias para o ISSB. 



Genebra será sede do ISSB


Eis o trecho

Além disso, os membros do Conselho anunciam que reafirmaram o modelo de múltiplas localizações em vigor para o ISSB desde a sua criação em 2021. Atualmente, existem escritórios em Pequim, Frankfurt, Montreal e Tóquio. Os membros do Conselho informam que irão expandir o modelo, estabelecendo um escritório em Genebra, que servirá como sede do ISSB.

Nada mais razoável escolher a sede em Genebra, uma cidade com um elevado custo de vida, para uma entidade que precisa de recursos para seu financiamento. 

20 agosto 2026

Mudança no foco dos artigos

Eis a conclusão (via aqui)


Em termos proporcionais, a pesquisa sobre teoria econométrica, política monetária e governança corporativa diminuiu drasticamente. Enquanto isso, os artigos sobre desenvolvimento, crime e gênero estão em ascensão. Isso talvez se deva a mudanças nos interesses intelectuais ou, possivelmente, a pressões do lado da demanda, como as prioridades dos formuladores de políticas e o financiamento externo.

Uma pesquisa de Prashant Garg, pesquisador de pós-doutorado na Universidade Bocconi, e Thiemo Fetzer, professor de economia na Universidade de Warwick, constatou um aumento significativo nas afirmações causais em economia. Em 1990, 7,7% das afirmações feitas na literatura eram causais. Em 2023, esse número chegou a 32,6%. Além disso, a pesquisa sugere que artigos com mais afirmações causais têm maior probabilidade de receber citações e serem publicados em periódicos de alto impacto.

Algo similar pode estar ocorrendo também na contabilidade. Mas afirmações causais são mais propensas a estarem erradas. Imagem aqui

Emojis mais usados do mundo

 Eis a notícia:

O emoji mais popular do mundo em 2025 foi o de expressão de choro intenso (😭), segundo dados do Google divulgados ao jornal The New York Times (NYT). O levantamento indica que o emoji tem uma expressão multiuso, podendo ser usado quando algo é engraçado, emocionante e até constrangedor.

O pódio ficou com a expressão de choro😭 no topo, deixando o rosto rolando de rir 🤣 em segundo e o rosto com lágrimas de alegria 😂 em terceiro na classificação.

A pesquisa se baseia em uma amostra anônima de 665 milhões de emojis usados no mundo todo no Gboard, o teclado do Google integrado a grande parte dos dispositivos Android.

Imagine se o contador pudesse usar Emoji na demonstração contábil, qual seria o Emoji mais usado? 


ou esse?


ou esse? 

Mas poderia ser o de choro ou riso também. 

Aumenta o papel do auditor na fraude

 


O Auditing Standards Board (ASB) do AICPA aprovou uma nova norma destinada a reforçar a atuação dos auditores na identificação de fraudes ou suspeitas de fraude nas demonstrações financeiras. A SAS nº 151 – The Auditor’s Responsibilities Relating to Fraud in an Audit of Financial Statements substitui orientações anteriores e será obrigatória para auditorias de períodos encerrados a partir de 15 de dezembro de 2028, admitindo adoção antecipada. A norma mantém a responsabilidade primária da administração e da governança pela prevenção e detecção de fraudes, bem como o objetivo do auditor de obter segurança razoável sobre distorções relevantes. Entretanto, amplia exigências relacionadas ao ceticismo profissional, avaliação de riscos, documentação e comunicação. Entre as novidades, os auditores deverão compreender os programas de denúncia existentes na entidade e como alegações são tratadas. Também permanecem presumidos riscos de fraude relacionados ao reconhecimento de receitas, exigindo análise mais específica das transações e afirmações envolvidas.

Fonte: aqui. Imagem aqui

Crescimento da dívida


A dívida total dos EUA ultrapassou os US$40 trilhões pela primeira vez, informou o Departamento do Tesouro nesta quarta-feira, gerando novos alertas de que uma crise fiscal está se formando, à medida que os custos crescentes dos programas de proteção social e os pagamentos de juros superam em muito as receitas, prejudicadas pelos cortes de impostos.

Fonte: Forbes

Em dez anos, a dívida mais que dobrou e boa parte do crescimento ocorreu durante a pandemia. Com aumento da dívida, cresceu a parcela dos juros, atualmente em 1 trilhão. Foto: aqui

19 agosto 2026

Intangíveis pelo regulador britânico


O fato de serem estudos de casos pode comprometer a extrapolação das conclusões, mas um estudo do UKEB mostrou os problemas com a questão do intangível ainda merece melhorias por parte dos reguladores. O interessante é que UKEB destaca que há implicações possíveis até para a Estrutura Conceitual. 

1. Sumário Executivo

1.1 Este relatório apresenta as conclusões do programa de pesquisa baseado em estudos de caso do UKEB sobre itens intangíveis. Por meio de quatro estudos de caso cobrindo custos de treinamento, pesquisa e desenvolvimento (P&D), créditos de carbono e dados, o projeto explorou a visão das partes interessadas (stakeholders) sobre a dinâmica econômica dos itens intangíveis e os desafios contábeis correlatos.

1.2 O relatório sintetiza essas visões dos stakeholders. O seu objetivo principal é subsidiar análises adicionais e deliberações do Conselho em relação ao Projeto de Pesquisa de Intangíveis mais amplo do UKEB. Ele não apresenta conclusões nem recomendações sobre futuros requisitos contábeis.

1.3 Embora os estudos de caso tenham abordado diferentes tipos de itens intangíveis, os participantes retornaram frequentemente a questões semelhantes ao discutir a economia subjacente e os respectivos resultados contábeis.

1.4 Nos quatro estudos de caso, os participantes levantaram questões recorrentes relativas à identificação do ativo subjacente, ao papel do modelo de negócios, ao controle e à unidade de conta, à incerteza em relação ao reconhecimento e à mensuração, à comparabilidade entre recursos adquiridos e gerados internamente, e à relação entre reconhecimento e divulgação (disclosure).

1.5 Tomados em conjunto, os comentários destacaram dúvidas recorrentes sobre como a dinâmica econômica dos itens intangíveis é refletida nas demonstrações financeiras. Nos estudos de caso, os participantes descreveram atividades que frequentemente exigem um alto investimento inicial, geram benefícios ao longo do tempo e envolvem variados graus de incerteza.

1.6 Os participantes também ressaltaram as dificuldades na aplicação dos requisitos contábeis existentes quando o valor se desenvolve ao longo do tempo, é criado por meio da combinação de recursos, capacidades e atividades, ou permanece incerto. Muitos participantes enfatizaram a importância de se compreender o modelo de negócios de uma entidade, a natureza do ativo subjacente e as questões de controle e unidade de conta antes de avaliar os resultados contábeis.

1.7 Os participantes apoiaram, em geral, o aprimoramento das divulgações e destacaram a importância de informações sobre premissas, julgamentos, riscos e modelos de negócios. No entanto, muitos questionaram se as divulgações isoladamente seriam capazes de resolver as preocupações relativas ao reconhecimento, à mensuração e à comparabilidade — especialmente onde recursos economicamente significativos permanecem não reconhecidos ou onde recursos semelhantes recebem tratamentos contábeis diferentes dependendo de serem adquiridos ou desenvolvidos internamente.

1.8 Essas observações deram origem a uma série de questões abrangentes e transversais sobre como os requisitos contábeis existentes identificam, reconhecem, mensuram e prestam informações sobre recursos intangíveis. Tais questões vão além dos fatos específicos dos estudos de caso individuais e refletem problemas recorrentes identificados em uma ampla gama de intangíveis.

1.9 O fato de temas semelhantes terem surgido em todos os quatro estudos de caso sugere que eles não se limitam a transações ou cenários específicos. Pelo contrário, essa consistência de temas aponta para questões mais amplas de relatos financeiros associados a recursos intangíveis e às fontes modernas de criação de valor. Este relatório resume os temas comuns e as questões contábeis identificadas durante as consultas públicas com os stakeholders. Trabalhos adicionais serão necessários para determinar como essas questões devem ser endereçadas.

1.10  As conclusões detalhadas, juntamente com os temas transversais e as questões abrangentes identificadas ao longo das consultas, subsidiarão os trabalhos futuros do UKEB, incluindo o engajamento com o IASB em seu próprio projeto sobre Ativos Intangíveis.

1.11 Pesquisas futuras do UKEB pretendem adotar uma abordagem dedutiva (top-down) para identificar princípios fundamentais que sejam relevantes para o reconhecimento, a mensuração e a divulgação de itens intangíveis. A pesquisa considerará as implicações mais amplas deste relatório para os relatos financeiros e sua interação com os requisitos contábeis existentes, a Estrutura Conceitual do IASB e outros desenvolvimentos na normatização contábil. Análises adicionais e a deliberação do Conselho fundamentarão quaisquer visões, prioridades ou recomendações futuras decorrentes deste trabalho.

Banco Central Europeu alerta sobre bolha

Mais um alerta sobre uma possível bolha em IA. Agora é de economistas do Banco Central Europeu, que consideram altamente provável uma correção de mercado e que pode ter alcance de longo prazo no mundo. 


A análise , elaborada por economistas e pesquisadores financeiros do BCE, examinou duas explicações para a bolha financeira da IA.

A primeira, denominada "visão racional", é que investimentos tecnológicos sem precedentes se justificam pela "extrema incerteza" sobre os efeitos de uma tecnologia em desenvolvimento na produtividade. Por exemplo, em outubro do ano passado, a gigante dos chips Nvidia se tornou a primeira empresa avaliada em US$ 5 trilhões com base na mera possibilidade de que algum salto quantitativo nas capacidades da IA ​​pudesse surgir. Se isso acontecer, a Nvidia seria a vendedora de "picaretas e pás" na corrida do ouro da indústria de IA (é claro que esse tipo de mina de ouro da IA ​​ainda não emergiu da lama do rio).

“Na pior das hipóteses, em um cenário como esse, os investidores perdem seu investimento”, escrevem os autores. “Mas, na melhor das hipóteses, os ganhos são grandes e realmente difíceis de superar. Esse 'valor da opção' aumenta a avaliação das ações dos primeiros investidores, fazendo com que seus índices preço/lucro subam acentuadamente.”

A segunda explicação é a “visão comportamental”. Essa interpretação sustenta que os investidores “excessivamente confiantes” e “excessivamente otimistas” estão essencialmente se deixando levar pela euforia em torno da IA, ignorando a possibilidade racional de perdas financeiras devastadoras ou ganhos sem precedentes, em favor de uma atitude de viver o momento.

Quando esse tipo de excesso de confiança em relação às novas tecnologias desaparece, argumentam os autores, as perdas decorrentes de uma correção de mercado podem ser rápidas e severas, muito maiores do que em um cenário racional.

É difícil dizer qual dos dois cenários está se concretizando agora — e provavelmente é uma mistura complexa de ambos. 

Planos para o Iasb e o ISSB

Ao mesmo tempo de indicou o próximo chefe da Fundação IFRS e do Iasb, o regulador internacional anunciou um plano de cinco anos. A notícia saiu no Accounting Today e foi resumida pelo GPT da seguinte forma:


A IFRS Foundation anunciou um plano de cinco anos para fortalecer sua estrutura financeira e operacional, envolvendo tanto o IASB quanto o ISSB. A estratégia busca diversificar as fontes de financiamento, ampliar contribuições de jurisdições e participantes do mercado e explorar receitas de licenciamento, após o déficit recente do IASB. Também estão previstas mudanças de governança: IASB e ISSB deverão ter apenas dez membros cada a partir de 2028. No campo da sustentabilidade, o ISSB terá financiamento assegurado até 2031 e ganhará um novo escritório em Genebra em 2027. A Fundação também propôs alterações em sua Constituição, atualmente em consulta pública.

A questão do financiamento do ISSB era algo que preocupava, conforme postamos aqui. A redução do número de pessoas no Board também já era esperado. Mas os números divulgados sobre 2025 mostram uma Fundação em cortar custos. Mas é estranho que assim que recebeu a garantia de recursos, anuncia-se a abertura de mais um escritório, em uma cidade onde o custo de vida é elevado. Mas Genebra irá fazer com que o ISSB fique mais perto dos banqueiros. 

Hillary Salo irá assumir o Fasb em 2027


Está é Hillary H. Salo, a próxima presidente do Financial Accounting Standards Board. Seu mandato vai de julho de 2027 até 2034. Ela não é nova sobre o assunto, ocupando o cargo de vice-presente do próprio Fasb e irá ocupar o cargo que atualmente é de Richard R. Jones. A sua origem é a KPMG, onde chegou ao cargo de sócia. Também trabalhou na SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. 

Sua graduação foi em administração, tendo feito o mestrado na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. A foto é daqui.

Interessante que nos últimos dias tivemos algumas mudanças nos principais reguladores contábeis mundiais. 

O Iceberg dos gastos em IA

 

Nove das principais empresas de tecnologia tinham cerca de US$ 3 trilhões em compromissos fora do balanço patrimonial, a maioria relacionada à inteligência artificial, de acordo com uma análise do Wall Street Journal baseada em notas explicativas de seus registros mais recentes junto à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC). Essas obrigações estão crescendo mais rapidamente do que o investimento de capital tradicional (capex), que totalizou cerca de US$ 600 bilhões no último ano, e representa aproximadamente o triplo do que as empresas devem em seus contratos de arrendamento e empréstimos de longo prazo.

É do WSJ, via aqui. O levantamento é só de algumas empresas. Na parte debaixo da figura, o que não foi contabilizado. 

18 agosto 2026

Rir é o melhor remédio

 

Fonte: aqui

Contador e a cultura popular

Este artigo examina como a literatura acadêmica tem estruturado o estudo das representações do contador na cultura popular. O objetivo é organizar um campo ainda disperso, marcado pela variedade de mídias, temporalidades, contextos culturais e abordagens metodológicas. Para isso, realizou-se uma Revisão Estruturada da Literatura com base em um corpus de 39 estudos publicados entre 1958 e 2024, identificados em periódicos nacionais e internacionais. A análise foi conduzida a partir de seis dimensões, período histórico, mídia principal, arquétipo predominante, tom da análise, contexto cultural e estratégia e desenho metodológico. Os resultados mostram concentração da produção em contextos anglófonos, predomínio da literatura e do cinema, recorrência do arquétipo do contador mecânico ou beancounter e prevalência de abordagens qualitativas, com presença expressiva de pesquisa histórica ou arquivística. A síntese analítica indica que as representações do contador variam conforme a articulação entre contexto sociotemporal, dispositivo cultural, função narrativa e atributos simbólicos, em meio a tensões recorrentes ligadas à visibilidade, à moralidade e ao protagonismo profissional. Como contribuição, o estudo propõe uma estrutura analítica integradora e sistematiza uma agenda de pesquisa orientada por lacunas empíricas, culturais e metodológicas.

A pesquisa foi publicada na 

REPRESENTAÇÕES DO CONTADOR NA CULTURA POPULAR. RAFAEL TODESCATO CAVALHEIRO, ANDRÉIA MARIA KREMER e RÉGIO MARCIO TOESCA GIMENES, todos da
Universidade Federal da Grande Dourados

Pedalada e Banguela na área pública

 Eis o resumo:

Este estudo investiga como a folga orçamentária dos fundos públicos, em anos eleitorais, influencia o fluxo de caixa financeiro dos estados brasileiros, considerando as práticas de gerenciamento financeiro adotadas no setor público. Foram utilizados dados de 2013 a 2024 extraídos do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), aos quais se aplicou análise de regressão com dados em painel para testar duas hipóteses: (H1) gestores estaduais utilizam os fundos públicos para constituir folgas orçamentárias em anos não eleitorais; e (H2) intensificam essa prática em anos eleitorais. A proxy de gerenciamento financeiro foi construída a partir do desvio proporcional absoluto entre os valores orçados e executados nos fundos públicos. Os resultados indicam que as variáveis: anos eleitorais, variação de caixa e folga orçamentária dos fundos apresentam associação significativa com o gerenciamento financeiro, corroborando ambas as hipóteses. As evidências apontam para práticas estratégicas de gestão fiscal, tanto pela ação ativa (a “pedalada”), voltada a melhorar indicadores em contextos de escassez ou pressão política, quanto pela inércia (a “banguela”), observada em cenários de liquidez confortável. As conclusões dialogam com a Teoria dos Ciclos Políticos, Teoria da Sinalização e Teoria Comportamental, destacando que o uso político das folgas orçamentárias pode comprometer a transparência, a accountability e a sustentabilidade fiscal

Revista de Administração e Contabilidade - Volume 18, Ano 2026 - Entre a pedalada e a banguela: gerenciamento financeiro e folgas orçamentárias nos fundos públicos estaduais
Rômulo Benício Lucena Filho
Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Lauro Vinicio de Almeida Lima
Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Achei estranho, mas a hipótese H2 foi confirmada. 

16 agosto 2026

Woods e Maijoor no comando da contabilidade internacional


Duas mudanças importantes na Fundação IFRS: a presidência do International Accounting Standards Board, IASB, e a presidência dos Trustees da Fundação IFRS. Vamos para o novo futuro presidente do IASB, Sam Woods (foto abaixo). Ele é neozelandês de nascimento, filho de diplomatas britânicos, e construiu toda a sua carreira no Reino Unido. Sua área de especialização é bancos, já que atuou no Banco da Inglaterra por mais de 15 anos. Também trabalhou na Prudential Regulation Authority (PRA). Woods conhece de perto o trabalho de regulação contábil, já que trabalhou como supervisor de mais de 600 empresas de seguros. Ele irá substituir o alemão Andreas Barckow, que saiu do cargo em meados do ano. Seu mandato deverá ter a duração de cinco anos. De certa forma, parece manter a tradição de trazer para esse posto um europeu, homem e com um pé no sistema financeiro. Desde a criação do IASB, a entidade teve como presidentes um britânico, um holandês e um alemão.

Já para o cargo de presidente dos Trustees, substituindo o finlandês Erkki Liikanen, foi anunciado o holandês Steven Maijoor (foto acima), nascido em Hong Kong. Maijoor tem doutorado pela Universidade de Maastricht, onde foi professor e dean, e atualmente é diretor do De Nederlandsche Bank (DNB), o banco central dos Países Baixos. Também foi presidente da ESMA. Sua tese de doutorado é sobre a economia da regulação. Maijoor deve começar seu trabalho no primeiro dia de 2027. Por sinal, essa também é a área de especialização de Woods.


Uma nova habilidade para um trabalhador

O resumo:

Com o advento da inteligência artificial generativa, as habilidades de elaboração de prompts estão se tornando cada vez mais relevantes no ambiente de trabalho. Utilizando um experimento de escolha discreta (DCE), este estudo examina as preferências de contratação dos empregadores e sua disposição a pagar (WTP) por habilidades de prompting, bem como se essas habilidades podem complementar as competências sociais ou compensar lacunas em competências específicas da ocupação. No DCE, responsáveis por decisões de contratação em empresas alemãs de todos os setores da economia são convidados a escolher entre candidatos a emprego com diferentes combinações de competências. Os perfis dos candidatos variam em cinco atributos: habilidades de prompting, lacunas em competências específicas da ocupação, habilidades sociais, gênero e expectativas salariais. Constatamos que as habilidades de prompting aumentam em 4% a probabilidade de contratação dos candidatos, e que os empregadores estão dispostos a pagar 2% acima do salário médio de um trabalhador qualificado em sua empresa por essas habilidades. Essa disposição a pagar é modesta em comparação com aquela associada à adequação das competências específicas da ocupação ou a um alto nível de habilidades sociais. No entanto, em grandes empresas, assim como em empresas que já adotaram ou planejam adotar IA, um nível elevado de habilidades de prompting aumenta em 9% a probabilidade de contratação do candidato. Além disso, as habilidades de prompting têm algum potencial para compensar níveis baixos a intermediários de habilidades sociais. Contudo, níveis mais elevados de habilidades de prompting não compensam lacunas em competências específicas da ocupação. Em vez desse efeito compensatório, a demanda por habilidades de prompting parece elevar os requisitos de competências exigidos nos empregos.


Olha que interessante que o gênero deu significativo. 

Crescimento econômico da Dinamarca

 

O gráfico (aqui) mostra que metade do crescimento econômico da Dinamarca deve-se a indústria farmacêutica. Leia-se basicamente Novo Nordisk, uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo. É a empresa responsável pelos medicamentos mundiais para diabetes e obesidade, como o Ozempic. 

10 agosto 2026

Grokipedia deixa de ser atualizada


Grokipedia, enciclopédia lançada pela xAI de Elon Musk como alternativa à Wikipedia, aparentemente deixou de ser atualizada. Uma investigação da Lawfare (via aqui) não encontrou alterações em verbetes por mais de três meses; o sistema de registro de edições também teria parado de funcionar e mais de 13 mil sugestões de usuários permaneciam pendentes. Mesmo atualizações factuais simples não foram incorporadas. O problema é relevante porque o site continua recebendo milhões de visitas e sendo citado por centenas de milhares de páginas. A reportagem vê o episódio como evidência do fracasso de uma enciclopédia fortemente baseada em IA sem um processo robusto de edição humana. Veja mais aqui e aqui.

Aumento no número de municípios pode ser interessante

Há muita crítica à expansão dos municípios no Brasil. Uma pesquisa publicada na prestigiosa American Economic Journal mostra que o pensamento precisa ser revisto. O resumo didático publicado encontra-se a seguir:

 Entre 1988 e 1996, o Brasil adicionou mais de 1.300 novos municípios, um aumento de 34% nas menores unidades governamentais com poder de decisão. A Constituição de 1988 havia concedido aos estados a autoridade para estabelecer suas próprias regras para a criação de municípios, e essas regras tendiam a ser permissivas. Diversos distritos — subdivisões administrativas sem autonomia política própria — solicitaram a separação dos municípios que os governavam. Em 1996, o Congresso fechou essa porta com uma emenda constitucional.

Em um  artigo publicado no American Economic Journal: Applied Economics , os autores Ricardo Dahis e Christiane Szerman mostram que essas divisões voluntárias estimularam a atividade econômica a longo prazo nos novos municípios.

Como os distritos que apresentaram petições eram mais pobres, mais remotos e frequentemente negligenciados pelas prefeituras que os administravam, compará-los com distritos que não fizeram solicitações incluiria fatores de confusão, dificultando a identificação de impactos causais. Para contornar essa dificuldade, os autores obtiveram registros de arquivo digitalizados de solicitações divididas em onze estados e, em seguida, compararam distritos cujas solicitações foram ratificadas com distritos cujas solicitações foram rejeitadas por razões não relacionadas às condições econômicas locais — incluindo vetos do governador, rejeições de comissões e o prazo final de 1996 antes que uma votação pudesse ser realizada. A amostra final abrangeu 448 municípios e 1.259 distritos.

O painel A da Figura 6 do artigo dos autores mostra os efeitos das divisões para os distritos que solicitaram a divisão ("requerentes"); os distritos que não solicitaram a divisão, mas estavam em um município onde alguns distritos a solicitaram ("demais"); e os distritos que serviram como sedes em municípios onde pelo menos um distrito solicitou a divisão ("sedes"). Um "município bem-sucedido" é definido como aquele em que pelo menos um distrito foi dividido com sucesso.

Com base na luminosidade noturna, os autores traçaram o gráfico da diferença média na atividade econômica entre (a) os requerentes cujos pedidos foram ratificados e aqueles cujos pedidos foram rejeitados; (b) os distritos restantes nos municípios bem-sucedidos e malsucedidos; e (c) os distritos das sedes dos municípios bem-sucedidos e malsucedidos.

O gráfico mostra os coeficientes do estudo de eventos ao longo de aproximadamente duas décadas, com o ano da divisão em zero, indicado pela linha vertical vermelha.

Os losangos azuis representam os distritos candidatos. A variação na atividade dos candidatos aprovados em comparação com os reprovados aumentou acentuadamente após a divisão dos aprovados, atingindo um pico próximo a 40 pontos percentuais e estabilizando-se em torno de 34 pontos percentuais quinze anos depois. Os quadrados verdes mostram que a atividade nos distritos-sede dos municípios aprovados aumentou cerca de 6% em relação aos seus pares. Os triângulos vermelhos mostram os distritos restantes, cuja atividade permaneceu próxima de zero.

O padrão sugere que os ganhos se concentraram principalmente nos distritos que solicitaram a separação e se tornaram, com sucesso, novos municípios. Segundo os autores, o aumento da atividade econômica provavelmente resultou de dois mecanismos distintos. Primeiro, a receita municipal aumentou cerca de 15%, impulsionada por transferências federais alocadas por meio de uma fórmula que favorecia os municípios menores. E, segundo, a autonomia fiscal e política local levou a melhores serviços públicos.

Os resultados comprovam a ideia de que delegar mais controle às autoridades locais pode trazer benefícios econômicos significativos para as economias locais.

04 agosto 2026

Futuro da contabilidade?


Do IasPlus:

Em 1º de maio de 2026, a CPA Australia reuniu organismos emissores de normas, reguladores, investidores, acadêmicos e profissionais para discutir como os relatórios corporativos podem refletir melhor a criação de valor em um mundo cada vez mais impulsionado por softwares, dados, inteligência artificial e outros ativos intangíveis. Foi agora publicado um relatório com os principais insights do “CPA Australia Intangible Summit 2026”.

O relatório observa que, em uma economia global na qual o valor das empresas é cada vez mais determinado por dados, inteligência artificial, softwares e outras capacidades viabilizadas pela tecnologia, os relatórios financeiros tradicionais podem deixar de evidenciar importantes indicadores de criação de valor. Os participantes da conferência discutiram por que essa lacuna é relevante, como a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado está aumentando, por que os requisitos atuais não foram concebidos considerando os ativos intangíveis gerados internamente e interconectados, e como uma melhor divulgação, desagregação e conectividade das informações poderia proporcionar dados mais úteis a investidores, elaboradores das demonstrações e outros usuários.

O relatório também apresenta diversas recomendações importantes identificadas durante a conferência.

Principais recomendações

Adoção, pelo International Accounting Standards Board (IASB), de uma abordagem gradual para aprimorar a divulgação e o reconhecimento de ativos intangíveis relacionados à tecnologia: o IASB deveria começar pelas necessidades dos usuários, pela divulgação e pela desagregação das informações, enquanto continua examinando, no longo prazo, questões de reconhecimento e mensuração relacionadas à computação em nuvem, ao software como serviço — software as a service (SaaS) —, ao desenvolvimento de softwares, aos dados e às capacidades viabilizadas pela inteligência artificial.

Priorizar melhorias na divulgação: melhorar a qualidade, a consistência e a comparabilidade das informações divulgadas sobre ativos intangíveis relacionados à tecnologia, incluindo a maneira como os investimentos sustentam os modelos de negócios, as capacidades organizacionais e os fluxos de caixa futuros.

Aprimorar a conectividade entre os relatórios financeiros, os relatórios de sustentabilidade e outros relatórios narrativos: assegurar que as informações sobre ativos intangíveis apresentadas nas demonstrações financeiras, nos relatórios de sustentabilidade, nos comentários da administração e em outros relatórios corporativos estejam alinhadas, de modo a garantir a conexão entre as rubricas das demonstrações financeiras, as divulgações não financeiras e, sempre que possível, as evidências de resultados concretos.

Desenvolver denominações padronizadas e requisitos mais claros de desagregação e divulgação: reduzir as inconsistências na terminologia utilizada para os ativos intangíveis relacionados à tecnologia, incluindo ativos de software, gastos com pesquisa e desenvolvimento e outros ativos intangíveis correlatos gerados internamente, para que os usuários possam comparar informações entre entidades e períodos de maneira mais confiável.

Desenvolver requisitos mais claros de desagregação e divulgação: possibilitar o fornecimento de informações mais claras, nas demonstrações financeiras primárias, sobre a natureza dos gastos com pesquisa e desenvolvimento — Research & Development (P&D) — e dos gastos relacionados a softwares. Exemplos de informações desagregadas poderiam incluir pesquisa aplicada; custos de desenvolvimento reconhecidos na demonstração do resultado ou no balanço patrimonial; infraestrutura de dados; desenvolvimento de modelos de software; e investimentos em capacidades de inteligência artificial.

Rir é o melhor remédio

 

Música deprimente

Empresas controlam gastos com IA

Alguns estão pensando que IA não tem custo. As empresas estão descobrindo que funcionários tem a tendência a consultar demais a ferramenta para resolver problemas do trabalho. O resultado é que o gasto com IA tem aumentado. Eis uma situação típica


A EY afirma que seu roteador de IA "invisível" ajudou a reduzir o consumo de tokens em até 60% [ Business Insider ]. A EY não permite que todas as consultas de funcionários sejam direcionadas diretamente para o modelo de IA mais inteligente disponível. A empresa, uma das quatro maiores do setor, introduziu um roteador "invisível" para ajudar a gerenciar seus gastos internos com IA, disse Dan Diasio, líder global de IA para consultoria da EY, ao Business Insider. Implementado globalmente em abril, o roteador fica por trás de algumas das ferramentas de IA especializadas da EY e atua como intermediário para direcionar os funcionários ao melhor modelo de IA para a tarefa em questão. O roteador, juntamente com estratégias de treinamento e governança, ajudou a reduzir o consumo de tokens em 60% desde sua implementação em abril, afirmou a EY.

IA e auditoria

Em um recente pedido de comentários públicos, o conselho perguntou aos participantes se deveria prosseguir com a definição de padrões e pesquisas nessa área. Espero que a pergunta tenha sido retórica, porque a resposta é um sonoro sim, e isso deveria ter começado ontem.


O conselho tomou algumas medidas em relação à IA. No mês passado, formou um conselho de modernização das inspeções para melhorar a qualidade das auditorias. Entrou em contato com empresas para discutir o uso de IA generativa em auditorias e monitorou o uso de IA pelos auditores. A ex-presidente do PCAOB, Erica Williams, enfatizou que a adoção da IA ​​não substitui o conhecimento e o julgamento do auditor.

É um bom começo, mas insuficiente, pois se trata basicamente de aplicar padrões existentes a um novo paradigma. O PCAOB precisa estabelecer diretrizes claras sobre o uso aceitável de IA antes que tenhamos uma reprovação em auditoria resultante do uso inadequado de IA. É provável que já tenhamos tido uma, mas ainda não sabemos.

Nos últimos dois anos, três das quatro maiores firmas de contabilidade globais tiveram que retratar relatórios devido a alucinações da IA. É apenas uma questão de tempo até que uma firma seja forçada a retratar um relatório de auditoria porque a IA alucinou evidências de auditoria ou porque os auditores não revisaram ou supervisionaram adequadamente os agentes de IA que coletavam e analisavam as evidências de auditoria.

Grifo meu. De Jack Castonguay, Bloomberg Tax, via aqui. Imagem aqui

03 agosto 2026

O caso de um Picasso rifado

A notícia de abril de 2026 estava guardada para uma postagem. O caso é bem interessante e pode ser usado em sala de aula ou pelos amantes da contabilidade que procuram um assunto para conversa. A notícia é a seguinte: uma fundação vinculada à pesquisa sobre Alzheimer fez uma rifa para arrecadar fundos, sorteando, entre os compradores dos bilhetes, um quadro, Cabeça de Mulher, do pintor Pablo Picasso.


O preço de cada bilhete era de 100 euros, e o quadro tinha um valor de avaliação de 1 milhão de euros. O valor arrecadado foi de 12 milhões de euros, deixando uma diferença de 11 milhões para uso da fundação. Os detalhes estão no texto de Bia Cardoso, publicado no Estado de S. Paulo em 16 de abril, ou disponível on-line aqui.

Vamos imaginar a contabilidade da fundação que promoveu a rifa, de um comprador de um bilhete e do comprador do bilhete vencedor. E considerar dois momentos distintos: antes e depois do sorteio.

Na fundação, antes do sorteio, o quadro fazia parte do ativo (1). O valor registrado poderia ser de 1 milhão de euros, mas é provável que fosse bem menor, já que poderia estar registrado pelo custo histórico. Ao longo do sorteio, a fundação teria que registrar a receita arrecadada com a rifa, tendo como contrapartida o débito em caixa. Quando do sorteio seria necessário dar baixa no quadro, retirando-o do ativo e registrando seu custo no resultado.

E quanto a um comprador do bilhete? Na sua contabilidade pessoal, haveria a possibilidade de um ganho potencial correspondente ao quadro. Aqui temos uma controvérsia teórica e normativa interessante. Fazendo uma conta simples, foram arrecadados 12 milhões de euros, e cada bilhete custava 100 euros. Foram vendidos 120 mil bilhetes, o que implica uma chance muito reduzida de ganhar o quadro. Eu entendo que, nesse caso, ao comprar o bilhete, deveria ser registrada uma saída de caixa e uma despesa; ou seja, ter o bilhete não configuraria um ativo para um comprador típico da rifa. Assim, após o sorteio, nada seria registrado, exceto pelo vencedor.

O vencedor deveria ter registrado, ao comprar o bilhete, a despesa e sua contrapartida, a saída de caixa. Mas, ao receber a notícia, o dono do bilhete passa a possuir um ativo de 1 milhão de euros. E qual seria a contrapartida? Algo na sua demonstração do resultado, que a contabilidade talvez chamasse de “ganho” ou de receita não recorrente.

(1) Rigorosamente, o quadro era da Opera Gallery, que recebeu 1 milhão do quadro. Fiz uma simplificação do caso aqui.