Este artigo examina as visitas de Friedrich Hayek ao Brasil durante a ditadura militar, contrastando-as com suas experiências no Chile e na Argentina. Fontes primárias, incluindo correspondências e registros jornalísticos, são utilizadas para reconstruir as atividades de Hayek no Brasil e analisar a fria recepção que ele recebeu das autoridades governamentais. O artigo argumenta que, diferentemente do Chile e da Argentina, onde Hayek foi recebido por altos funcionários e suas ideias foram utilizadas para apoiar políticas econômicas, no Brasil sua presença foi ignorada pelo governo. Os autores atribuem essa diferença à estratégia de desenvolvimento nacional adotada pelo regime militar brasileiro, que favorecia uma forte intervenção estatal na economia. O artigo conclui que a utilidade de economistas renomados para regimes autoritários depende da compatibilidade de suas ideias com as políticas econômicas vigentes. As viagens dos economistas devem ser compreendidas não apenas pela perspectiva da oferta, ou seja, sua motivação para conhecer e influenciar o mundo, mas também pela demanda por suas ideias por parte de grupos ligados ao governo.
O texto completo pode ser encontrado aqui.
O seminário planejado em Brasília não aconteceu, o que representa um forte contraste com as viagens de Hayek ao Chile e à Argentina. Enquanto nesses países ele foi recebido por seus mais altos líderes, na capital brasileira as maiores autoridades que encontrou foram José Carlos Azevedo, reitor da Universidade de Brasília (UnB), e diversos chefes de departamento.Ele chegou a visitar o Congresso Nacional, mas a recepção foi constrangedora. Um jornal local destacou o contraste entre a recepção festiva dada à atriz holandesa Sylvia Kristel, estrela do filme Emmanuelle, e a dada ao ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1974 ( Correio Braziliense , 3 de dezembro de 1977).
e
Hayek foi então a Brasília para ministrar dois seminários; o conteúdo de um deles, juntamente com a sessão de perguntas e respostas conduzida por Maksoud, foi publicado em Hayek 1981. Mais uma vez, Hayek encontrou-se com José Carlos Azevedo, que ainda era reitor da UnB. Azevedo tentou intermediar um encontro entre Hayek e Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil. Ele enviou uma mensagem a Heitor Ferreira, secretário de Golbery, em 5 de maio de 1981, informando-o da chegada de Hayek à capital e afirmando: “Se o senhor ou o Ministro Golbery estiverem interessados em encontrá-lo, digam-me o que devo fazer”. Heitor encaminhou a mensagem a Golbery, que respondeu: “Heitor, acho que valeria a pena encontrá-lo. Infelizmente, não tenho tempo. Consulte minha agenda”
Era estudante na UnB nessa época e a universidade promovia grandes palestras com pessoas relevantes da ciência mundial. Mais sobre Hayek aqui e aqui

Nenhum comentário:
Postar um comentário