Em 2005, uma dupla de marido e mulher do instituto japonês RIKEN realizou um experimento com um camundongo: cloná-lo, depois clonar o clone, depois clonar esse novo clone — e assim sucessivamente. Teruhiko Wakayama e Sayaka Wakayama mantiveram o experimento por 20 anos — atravessando mudanças de laboratório, o terremoto de 2011 e a pandemia — exigindo 30.947 tentativas de clonagem para produzir 58 gerações sucessivas, conforme resumido pela Metacelsus.
Por um tempo, tudo correu bem. Um relatório intermediário de 2013 mostrou 25 gerações saudáveis, sem queda na eficiência da clonagem ou na saúde dos animais. No entanto, mutações estavam se acumulando silenciosamente. Na geração 57, os camundongos apresentavam mais de 3.400 alterações pontuais no DNA em comparação com o original — uma taxa de mutação 3,1 vezes maior do que na reprodução natural da mesma linhagem. Animais que se reproduzem sexualmente conseguem eliminar mutações prejudiciais por meio da recombinação, quando os cromossomos se reorganizam e cópias defeituosas são descartadas. Clones não possuem esse mecanismo, então cada erro permanece.
Os problemas mais graves foram estruturais. Entre as gerações 25 e 45, um cromossomo X inteiro desapareceu e nunca foi recuperado. Deleções, inversões e translocações cromossômicas se acumularam junto às mutações pontuais. Na geração 58, as células já não conseguiam produzir clones viáveis, e o projeto foi encerrado. Os camundongos nascidos em cada etapa tiveram vidas normais — o processo não gerou animais doentes, mas sim um DNA progressivamente mais frágil, que acabou incapaz de suportar o próprio processo de clonagem.
Que diabos isso tem relação com a contabilidade? Veja, a natureza é sábia e criou um mecanismo que ajusta as mutações, o que não temos na clonagem. A nossa sobrevivência depende do mecanismo de correção, como governança corporativa, alterações nos sistemas contábeis, entre outras coisas.
Sistemas que apenas replicam o passado, sem mecanismos de correção e confronto externo, inevitavelmente acumulam distorções até colapsarem.

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