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26 abril 2026

Planilha eletrônica e sua história

Existe alguma ferramenta tão onipresente e, ao mesmo tempo, tão pouco amada? Não seria exagero dizer que o Microsoft Excel, o produto que hoje define a categoria das planilhas, é o software de aplicação mais bem-sucedido já fabricado, contando com cerca de um sexto da humanidade entre seus usuários e decidindo os termos nos quais trilhões de dólares em capital são alocados. E, no entanto, você terá dificuldade em encontrar pessoas que amem a planilha. Você encontrará pessoas que falam poeticamente sobre a beleza e a elegância de certas peças de software — sobre Linux, ou Rust, ou gerenciadores de pacotes Python particularmente rápidos. Mas será difícil encontrar um verdadeiro admirador do Excel. 

(...) Mas não se pode entender realmente a transformação da economia americana ao longo das últimas décadas sem entender a planilha. 

É por isso que, no mundo pré-moderno — quando processar informações e coordenar ações eram tarefas extraordinariamente caras, pois a comunicação era lenta e a coordenação fora de grupos de parentesco relativamente pequenos era difícil — as firmas tendiam a ser negócios locais, centrados em famílias ou redes de alta confiança semelhantes, como mosteiros. Quase todo negócio no mundo era uma empresa familiar. 

Isso mudou com a ascensão da máquina a vapor. O poder mecânico que a máquina a vapor permitiu que as pessoas dominassem trouxe uma aceleração dramática na velocidade, volume e complexidade da vida econômica: expandiu enormemente as oportunidades de lucro, mas — devido à sua periculosidade e complexidade inerentes — também exigiu um controle rigoroso. Era preciso ser capaz de processar toda a complexidade que a fábrica gerava. Assim, entre as décadas de 1840 e 1920, vemos o surgimento de tecnologias projetadas para comunicar informações e coordenar ações em escala — o telégrafo, a impressora rotativa, o arquivo de aço, a máquina de escrever, o telefone, o processador de cartões perfurados e o bloco de papel colunar (columnar pad). 

Esta foi a "revolução do controle". Com essa nova capacidade de processar informações e coordenar atividades, vemos o surgimento da corporação moderna: muito maior, mais ambiciosa e mais centralizada do que qualquer firma do período pré-moderno. Era uma entidade burocrática, operada por gerentes profissionais, projetada para coordenar trabalho e capital em escala massiva.

E, como tantas outras coisas, esse equilíbrio foi abalado pela Lei de Moore. Era inevitável que, conforme os microprocessadores se tornassem mais baratos e potentes ao longo das décadas de 1960 e 1970, alguém descobrisse como representar as funções contábeis do mundo corporativo em um computador. E esse alguém, no final das contas, foi um engenheiro de 27 anos chamado Dan Bricklin.

Bricklin havia estudado ciência da computação no MIT e passara alguns anos criando softwares de processamento de texto para a Digital Equipment Corporation (DEC), a empresa pioneira do minicomputador; mas ele se sentia atraído pelo lado dos negócios e, no final da década de 1970, decidiu deixar a DEC para estudar na Harvard Business School. Sentado em uma sala de aula de Harvard em 1978, observando um professor usar o quadro-negro para resolver os cálculos complexos e interligados envolvidos na avaliação (valuation) de uma empresa, Bricklin percebeu que era possível fazer tudo aquilo em um computador. Ele poderia simplesmente criar, como disse, “um processador de texto que funcionasse com números”. E assim nasceu a ideia da planilha eletrônica.

Bricklin decidiu que essa ideia valia ouro e representaria sua incursão no empreendedorismo. Ele se juntou a um amigo do MIT chamado Bob Frankston, fundou uma empresa chamada Software Arts e passou a maior parte de 1978 e 1979 dando vida à visão da planilha eletrônica.

Como se viu, era um problema intensamente difícil. Bricklin e Frankston estavam projetando seu pacote para o Apple II, que tinha centenas de milhares de vezes menos memória do que um laptop moderno. As demandas de recursos para o processamento de texto eram gerenciáveis, já que um documento é, em última análise, um fluxo de caracteres armazenados sequencialmente na memória; mas as planilhas eram um jogo inteiramente diferente. Cada célula carregava um valor, uma fórmula, formatação e informações de dependência, e a memória necessária para armazenar tudo isso acumulava-se rapidamente; uma grade de qualquer tamanho útil ameaçava esgotar totalmente a capacidade da máquina.

Por isso, Bricklin e Frankston tiveram que ser extraordinariamente precisos na forma como usavam cada byte. Eles escreveram todo o pacote em linguagem assembly para o microprocessador 6502 do Apple II, armazenaram as células em blocos fixos de 32 bytes para minimizar o processamento excedente (overhead) e representaram os valores em formatos de comprimento variável com indicadores de tipo, de modo que valores pequenos consumissem apenas alguns bytes. Mesmo após toda essa engenhosidade, as planilhas resultantes eram pequenas para os padrões modernos: a grade do VisiCalc estendia-se a apenas 63 colunas e 254 linhas — uma tela minúscula comparada ao que um usuário de planilhas hoje considera garantido, mas o suficiente para transformar o trabalho de qualquer um que se sentasse diante dela. Cada decisão de design era, no fundo, uma decisão sobre como economizar memória.


E a atenção aos detalhes valeu a pena. Eles chamaram o pacote de software que produziram de “VisiCalc” — o calculador visível (visible calculator) — e o lançaram para o Apple II no final de 1979. E era realmente uma maravilha da engenharia de software. Era uma fusão brilhante da metáfora organizacional do bloco colunar com a interatividade do processamento de texto e a velocidade do microprocessador. Agora era possível calcular e recalcular coisas instantaneamente; podia-se executar fórmulas complexas de forma programática em vez de manual; e tarefas que antes levavam horas agora levavam alguns minutos. O VisiCalc era uma ferramenta extraordinariamente poderosa. E transformou o Apple II, que até então era um dispositivo para entusiastas, em uma máquina de negócios útil. De fato, o VisiCalc era tão potente que o Apple II era vendido, como escreveu o jornalista John Markoff, principalmente como um “acessório do VisiCalc”. Foi o primeiro software tão convincente que as pessoas compravam o hardware especificamente para executá-lo: o primeiro dos “killer apps”.

(...) (Mitch) Kapor já fora instrutor em tempo integral de meditação transcendental antes de trabalhar como chefe de desenvolvimento na VisiCorp, a empresa que comercializava e distribuía o VisiCalc; ao perceber a oportunidade no mercado de planilhas eletrônicas, decidiu abrir um concorrente. No início de 1983, sua empresa, a Lotus, lançou a planilha eletrônica Lotus 1-2-3, construída especificamente para a máquina da IBM. O Lotus 1-2-3 era uma melhoria significativa em relação ao VisiCalc — oferecia gráficos e uma funcionalidade rudimentar de banco de dados junto com a planilha básica, e conseguia lidar com grades vastamente maiores, oferecendo 256 colunas e mais de oito mil linhas — e, assim, Kapor rapidamente superou Bricklin e Frankston. (...)

Mas a era de domínio da Lotus também não durou muito. O VisiCalc e o Lotus 1-2-3 eram ambos programas baseados em texto e acionados por teclado, navegados com as teclas de seta; mas o futuro, como reconhecido por uma ambiciosa empresa de software de Seattle chamada Microsoft, estava na interface gráfica do usuário, a GUI. Com a GUI, você podia substituir comandos digitados e toques de tecla pela manipulação visual direta, de modo que interagir com a planilha parecia trabalhar com um documento físico: e esta foi a aposta que a Microsoft fez com sua oferta de planilha, o Microsoft Excel. Agora você podia apontar e clicar com um mouse, e ver suas fontes e formatação na tela exatamente como apareceriam quando impressas.

E a Microsoft estava certa de que a GUI era o futuro. O paradigma da GUI conquistou gradualmente o mercado de computação pessoal no final dos anos 80 e início dos 90, e consolidou seu domínio com a ascensão do sistema operacional Windows. Assim que a Microsoft agrupou o Excel em sua oferta do Microsoft Office, junto com seu processador de texto Word e sua ferramenta de apresentações PowerPoint, o destino da Lotus estava selado. Fatalmente presa ao paradigma baseado em texto, a Lotus nunca se recuperou e foi vendida para a IBM em 1995. E assim, o Excel venceu as guerras das planilhas.

(...) Não é exagero imaginar que a introdução da planilha eletrônica terá um efeito semelhante ao provocado pelo desenvolvimento das partidas dobradas durante o Renascimento. Como a nova planilha, o livro-razão de partidas dobradas, com sua separação de débitos e créditos, deu aos mercadores uma visão mais precisa de seus negócios e permitiu que vissem — ali, na página — como poderiam crescer podando aqui e investindo ali. A planilha eletrônica está para a partida dobrada como uma pintura a óleo está para um esboço."

Leia o texto completo aqui

11 janeiro 2026

Viva o Excel!


Na década de 1990, alguns jogos de computador tinham uma “tecla de chefe” (boss key), que permitia aos funcionários abrir rapidamente uma planilha do Excel caso precisassem parecer que estavam trabalhando.

Hoje, chefes podem torcer o nariz ao flagrar um funcionário mergulhado em uma planilha. O Excel, pertencente à Microsoft, tem 40 anos e, para alguns líderes de tecnologia, é visto, na melhor das hipóteses, como um obstáculo a fluxos digitais mais eficientes e à adoção de IA e, na pior, como um acidente à espera de acontecer.

Ainda assim, o Excel é inegavelmente onipresente no mundo corporativo. Segundo uma pesquisa da Acuity Training, dois terços dos trabalhadores de escritório usam o Excel ao menos uma vez por hora.

A persistência do Excel deve-se em parte ao fato de ele permanecer enraizado na educação em tecnologia, ao lado do Word e do PowerPoint, afirma Tom Wilkie, diretor de tecnologia da empresa de visualização de dados Grafana.

O Excel é simplesmente uma ferramenta muito boa. Se você quer analisar um conjunto pequeno de dados, testar uma ideia ou criar rapidamente um gráfico para uma apresentação, não há nada melhor para uma análise rápida e simples”, diz ele.

De um artigo da BBC (Excel: The software that's hard to quit, Joe Fay), que constata que ainda hoje o Excel é uma ferramenta amplamente usada e difícil de abandonar. O texto critica os limites da planilha, o que inclui riscos de erros. O texto destaca a vantagem da flexibilidade e fato de ser dominada por profissionais de várias áreas. 

Como alguém que viu o nascimento das planilhas eletrônicas, sempre é bom lembrar que Excel apareceu depois do SuperCalc e Lotus123. E que hoje temos diversos produtos similares e talvez melhor que o Excel. 

Dois aspectos complementares, um presente no texto e outro não. O Excel ainda será usado por muitos anos e parece claro que texto. Mas é bom lembrar que sua origem ocorreu nas corporações que precisavam de um instrumento computacional para fazer o controle financeiro e contabilidade.  

19 dezembro 2025

Usar Excel no setor público é um problema?

Parece que sim: 

Li essa manchete e ficou a pergunta: qual o problema de usar o Excel para controlar prazo? No texto da denúncia:

Um dos trechos mais críticos da auditoria revela o amadorismo no controle do dinheiro público. Técnicos do TCU detectaram que o monitoramento de prazos de prescrição (quando a dívida caduca) é feito em “uma planilha em Excel alimentada manualmente”.

A ferramenta foi considerada inútil pelos auditores, pois a planilha ignora notificações e andamentos que reiniciam a contagem do prazo. Ou seja: o sistema pode apontar que a dívida caducou, quando na verdade o governo ainda teria tempo legal para cobrá-la. 

Bom não é o fato de usar o Excel, mas na forma como está sendo usado. Mas a denúncia joga com a impressão que usar Excel é amadorismo. Não, Excel poder ser útil, desde que usado adequadamente. 

03 novembro 2023

Emprego, Inteligência Artificial e Contabilidade

Com as previsões de um abalo no mercado de trabalho por conta a Inteligência Artificial, talvez olhar para o passado seja interessante. Em um texto, a Insider usa o exemplo da planilha Excel: 


Vamos pegar as planilhas eletrônicas como exemplo. Elas surgiram pela primeira vez no final dos anos 70, e sua adoção acelerou com a introdução do Microsoft Excel no final dos anos 80.

Aqui está o que o Morgan Stanley diz:

"À medida que a adoção dessa tecnologia cresceu rapidamente ao longo da década de 1980, especialmente após a introdução do Microsoft Excel em 1987, vimos uma redução no número de americanos trabalhando como escriturários de contabilidade (de cerca de 2 milhões em 1987 para um pouco mais de 1,5 milhão em 2000) - mas também vimos um aumento significativo no número de americanos empregados como contadores/auditores (subindo de cerca de 1,3 milhão em 1987 para cerca de 1,5 milhão em 2000) e analistas de gestão e gerentes financeiros (de cerca de 0,6 milhão em 1987 para cerca de 1,5 milhão em 2000)."

Ou seja, qualquer declínio em um tipo de emprego foi mais do que compensado pela criação de novos empregos relacionados.

Algo semelhante aconteceu com a introdução do caixa eletrônico, que previa o fim do trabalho do caixa de banco. Em vez disso, os caixas eletrônicos tornaram mais barata a operação de uma agência bancária, enquanto a demanda por agências bancárias aumentou, criando ainda mais empregos para os caixas do que antes.

Vamos fazer um salto no texto e ir para seu final, novamente citando a Morgan Stanley:

Disrupções no mercado de trabalho geradas pela GenAI (inteligência artificial generalizada) podem prenunciar uma demanda sem precedentes por reciclagem profissional. Embora parcerias público-privadas possam atenuar a perturbação da GenAI, acreditamos que a extensão das perturbações no mercado de trabalho provavelmente exigirá um aumento significativo na capacidade de reciclar um grande número de trabalhadores nos Estados Unidos.

28 dezembro 2022

Excel ainda é importante

Na postagem anterior há uma discussão sobre R e Python. A questão da tecnologia parece ser uma demanda enorme das empresas. Veja um trecho de uma postagem da AAT:


88% das empresas concordam que um entendimento da tecnologia é importante para os contadores, de acordo com uma pesquisa recente da agência de marketing PracticeWeb. E 66% pagariam mais a um contador experiente em tecnologia - o que significa que aprimorar suas habilidades em TI também pode aumentar seu poder aquisitivo nos estágios iniciais de sua carreira.

A postagem comenta cinco maneiras de obter conhecimento técnico: online (seminários, fóruns, cursos, entre outros), Excel avançado (isto inclui as funções de organizar e manipular dados), Inteligência Artificial e aprendizado de máquina, nuvem (79% das empresas no Reino Unido estão migrando para nuvem) e segurança cibernética. 

Particularmente achei interessante o foco em Excel. 

14 outubro 2021

Planilha e outros usos


 Ainda Tim Harford:

As planilhas originais em papel foram projetadas para nos ajudar a não perder o rumo, e pode-se imaginar naturalmente que a planilha digital não é apenas mais rápida, mas mais precisa. É isso? Uma pista vem de um maravilhoso estudo realizado por Felienne Hermans, uma cientista da computação. Alguns anos atrás, Hermans percebeu que havia uma fonte abundante de planilhas que ela poderia estudar. Essa fonte era a Enron, a empresa de energia falida.

Depois que a Enron entrou em colapso em 2001 em meio a um escândalo contábil épico, os reguladores extraíram um cache de meio milhão de e-mails dos servidores da empresa. Esses e-mails estão agora disponíveis ao público e foram estudados por pesquisadores que tentam entender tudo, desde a evolução da linguagem escrita informal até a maneira como as pessoas usam pastas de e-mail. Hermans estava interessado no que foi anexado a alguns desses e-mails: planilhas.

Ela começou a vasculhá-los, sem procurar fraudes, mas por planilhas com erros óbvios, como referências ausentes ou circulares. Observando quase 10.000 planilhas com cálculos, ela descobriu que um quarto tinha pelo menos um desses erros. Os erros pareciam se multiplicar. Se uma planilha tivesse algum erro, em média ela continha mais de 750.

Como uma planilha pode adquirir tantos erros? Matt Parker, o autor de Humilde Pi, um livro sobre contratempos matemáticos e suas conseqüências, observa que a funcionalidade do Excel combinada com as suposições equivocadas dos usuários geralmente introduz erros.

Digite um número de telefone internacional no Excel, por exemplo, e o programa retira os zeros principais, que são redundantes em um número inteiro matemático, mas não em um número de telefone. Se você digitar um número de série de vinte dígitos, o Excel decidirá que esses 20 dígitos são uma quantidade enorme e os arredondará, transformando os últimos dígitos em zeros.

Ou diga que você é um pesquisador de genética digitando o nome de um gene como "Dinger 1 associado ao anel associado à membrana" ou 1 de março, ou talvez o gene 1 de setembro. Você pode imaginar o que o Excel faz a seguir. Transforma esses nomes de genes em datas. Um estudo estimou que 20% de todos os artigos de genética tiveram erros causados pela autocorreção do Excel.

A defesa da Microsoft é bastante simples: as configurações padrão devem funcionar nos cenários diários. Qual é a maneira educada de dizer: Gente, o Excel não foi projetado para pesquisadores de genética. Foi projetado para contadores. (grifo do blog)

Mas é compreensível que os cientistas tenham escolhido o Excel e tenham começado a usá-lo. É poderoso, é flexível. É onipresente. Pode não ser a ferramenta certa, mas é a ferramenta que está ali.

Quando usado por um contador treinado para realizar a contabilidade de entrada dupla, um sistema estabelecido há muito tempo com detecção de erros embutida, o Excel é uma ferramenta perfeitamente profissional. Mas quando pressionado a serviço por pesquisadores de genética ou rastreadores de contatos, é como usar o canivete suíço para caber em uma cozinha, porque é a ferramenta que você tem mais próximo. Não é impossível, mas dificilmente aconselhável.

E, no entanto, quando a comunidade de pesquisa genética estava lutando com a questão dos genes que corrigia a autocorreção, eles se resignaram à dura verdade de que nunca afastariam as pessoas do Excel. Em vez disso, os responsáveis - o Comitê de Nomenclatura de Gene - decidiram mudar os nomes dos genes em questão.

A decisão é compreensível. Mas também ilustra claramente as contorções pelas quais passamos como resultado do tratamento de dados como uma reflexão tardia, apenas algo para bater juntos em uma planilha. Isso é uma pena, porque a história sugere que informações bem gerenciadas podem ser transformadoras.

Foto: aqui

Contabilidade e a história da planilha eletrônica


Eis que Tim Harford conta que o surgimento da planilha eletrônica ocorreu em uma aula de contabilidade. 

Quase quinhentos anos depois, em 1978, um estudante chamado Dan Bricklin estava sentado em uma sala de aula na Harvard Business School. Enquanto observava seu professor de contabilidade preenchendo linhas e colunas no quadro-negro, uma idéia surgiu sobre ele. Cada vez que o professor fazia uma mudança, ele precisava trabalhar de um lado para o outro da grade, apagando e reescrevendo outros números para fazer tudo somar. Bricklin sabia que essa exclusão e reescrita acontecia todos os dias, milhões de vezes por dia, em todo o mundo, quando os funcionários da contabilidade ajustavam as entradas no que chamavam de planilhas: grandes folhas de papel se espalhavam por duas páginas de um livro contábil.

Bricklin era um nerd e ex-programador que imediatamente pensou: “Eu posso fazer isso em um computador." Como Steven Levy descreveu em um clássico longa-metragem dos anos 80, o resto era história. Bricklin e um amigo chamaram seu programa de planilha de VisiCalc. Foi colocado à venda em 17 de outubro de 1979. Foi um sucesso, logo seguido pelo Lotus 1-2-3 e depois, no devido tempo, pelo Excel.

Para os contadores, as planilhas digitais foram revolucionárias, substituindo horas de trabalho meticuloso por algumas no teclado. Mas algumas coisas não mudaram. Os contadores ainda tinham treinamento profissional e o sistema de dupla entrada. O resto de nós não, mas isso não impediu o Excel de se tornar onipresente. Afinal, era facilmente acessível e flexível, uma ferramenta como um canivete suíço para números, sentado no bolso de trás digital. Qualquer idiota poderia usá-lo. E Deus, nós fizemos.

Foto: Mika Baumeister

03 setembro 2021

Planilha Excel faz mudança importante na Genética - 2

 No ano passado postamos sobre um problema que a utilização da planilha Excel, por parte dos cientistas da área de saúde, estavam tendo:

Os cientistas que estudam o genoma humano resolveram fazer uma mudança por conta da planilha Excel. Cerca de 27 genes humanos foram renomeados. Tudo isto porque a planilha interpreta de forma errada os símbolos como datas. Parece um problema pequeno, mas não é.

O Excel é muito usado pelos cientistas (e pelos contadores). O problema é que suas configurações são ajustadas para aplicações mais comuns. Assim, quando um cientista insere

um símbolo alfanumérico de um gene em uma planilha, como MARCH1 - abreviação de " Membrane Associated Ring-CH-Type Finger 1 " - o Excel converte isso em uma data: 1 de março

Apesar da mudança do nome, para evitar este problema, parece que o problema persiste:

Com dados científicos, o simples ato de abrir um arquivo no Excel com as configurações padrão pode corromper os dados devido à correção automática. É possível evitar a correção automática indesejada se as células forem pré-formatadas antes de colar ou importar dados, mas essa e outras dicas de higiene de dados não são amplamente praticadas.

(...) Vários anos atrás, detectamos esse erro em arquivos de dados suplementares anexados a um artigo de jornal de alto impacto e ficamos interessados em quão difundidos esses erros são. Nosso artigo de 2016 indicou que o problema afetava periódicos de nível médio e alto a taxas aproximadamente iguais. Isso nos sugeriu que pesquisadores e periódicos desconheciam amplamente o problema de autocorreção e como evitá-lo.

Como resultado de nosso relatório de 2016, o Human Gene Name Consortium, o órgão oficial responsável pela nomeação de genes humanos, renomeou os genes mais problemáticos. MARÇO1 e SEPT1 foram alterados para MARÇO1 e SEPTIN1 respectively, e others had similar changes.

No início deste ano nós repetimos nossa análise. Neste tempo, nós expandimos [a análise] para cobrir uma maior seleção de periódicos (...)

Ficamos chocados ao descobrir no período de 2014 a 2020 que 3.436 artigos, cerca de 31% da nossa amostra, continham erros de nome de gene. [gráfico]



Acreditamos que os erros são importantes porque levantam questões sobre como esses erros podem se infiltrar em publicações científicas. Se os erros de correção automática de nomes de genes puderem passar a revisão por pares sem serem detectados nos arquivos de dados publicados, que outros erros também podem estar à espreita entre os milhares de pontos de dados?

Catástrofes de planilhas

Nas finanças e de negócios, existem muitos exemplos de erros de planilha perdas caras e embaraçosas.

Em 2012, o JP Morgan declarou uma perda de mais de US $ 6 bilhões, graças a uma série de erros comerciais possibilitados erros de fórmula em suas planilhas de modelagem. Análise de milhares de planilhas na Enron Corporation, antes de sua queda espetacular em 2001, mostra quase um quarto continha erros.

Um artigo, agora infame, das economistas de Harvard, Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, foi usado para justificar cortes de austeridade após a crise financeira global, mas a análise continha um erro crítico do Excel, isso levou a omitir cinco dos 20 países em sua modelagem.

Apenas no ano passado, a erro de planilha na Public Health England levou à perda de dados correspondente a cerca de 15.000 casos positivos de COVID-19. Isso comprometeu os esforços de rastreamento de contatos por oito dias, enquanto os números de casos estavam crescendo rapidamente. No ambiente de saúde, erros de entrada de dados clínicos em planilhas pode chegar a 5%, enquanto um separado estudo de planilhas de administração hospitalar mostrou 11 de 12 falhas críticas.(...)

06 outubro 2020

Perda de informações por usar formato antigo do Excel


Parece comédia, mas uma entidade da Inglaterra cometeu uma grande barbeiragem com o uso da planilha Excel e perdeu informações relevantes sobre resultados do Covid-19. Os dados estavam armazenados em uma planilha com formato XLS. Como cada planilha possui um número limitado de linhas e cada caso da doença ocupava mais de uma linha, a partir de um determinado número de caso, estimado em 1.400, começaram a ocorrer omissão de informações. 

O formato XLS, do Excel, existe desde 1987, mas foi substituído em 2007 pelo XLSX. Ainda há esperança que os resultados dos testes não foram realmente perdidos por conta da falha. 

Contabilidade? - A planilha Excel é muito usada na contabilidade. Assim, o uso do formato XLS pode comprometer as informações, por conta dos limites de linhas. 

18 agosto 2020

Planilha Excel faz uma mudança importante na Genética

Esta é uma notícia curiosa. Os cientistas que estudam o genoma humano resolveram fazer uma mudança por conta da planilha Excel. Cerca de 27 genes humanos foram renomeados. Tudo isto porque a planilha interpreta de forma errada os símbolos como datas. Parece um problema pequeno, mas não é. 

O Excel é muito usado pelos cientistas (e pelos contadores). O problema é que suas configurações são ajustadas para aplicações mais comuns. Assim, quando um cientista insere

um símbolo alfanumérico de um gene em uma planilha, como MARCH1 - abreviação de " Membrane Associated Ring-CH-Type Finger 1 " - o Excel converte isso em uma data: 1 de março

Isso é extremamente frustrante, até mesmo perigoso, pois corrompe dados que os cientistas precisam separar manualmente para restaurar. É também surpreendentemente difundido e afeta até mesmo trabalhos científicos revisados por pares. Um estudo de 2016 examinou dados genéticos compartilhados com 3.597 artigos publicados e descobriu que cerca de um quinto havia sido afetado por erros do Excel.

Também não há solução fácil. O Excel não oferece a opção de desativar essa formatação automática e a única maneira de evitá-la é alterar o tipo de dados de colunas individuais . Mesmo assim, um cientista pode corrigir seus dados, mas exportá-los como um arquivo CSV sem salvar a formatação. Ou outro cientista pode carregar os dados sem a formatação correta, transformando os símbolos do gene em datas. O resultado final é que, embora usuários experientes do Excel possam evitar esse problema, é fácil introduzir erros.

A ajuda chegou, porém, na forma do corpo científico encarregado de padronizar os nomes dos genes, o HUGO Gene Nomenclature Committee, ou HGNC. Esta semana, o HGNC publicou novas diretrizes para nomeação de genes, incluindo para “símbolos que afetam o manuseio e recuperação de dados”. De agora em diante, dizem eles, os genes humanos e as proteínas que eles expressam serão nomeados com um olho na formatação automática do Excel. Isso significa que o símbolo MARCH1 agora se tornou MARCHF1, enquanto SEPT1 se tornou SEPTIN1 e assim por diante. Um registro de símbolos e nomes antigos será armazenado pelo HGNC para evitar confusão no futuro.

Fonte: aqui

23 fevereiro 2020

Erro de planlha

O The European Spreadsheet Risks Interest Group (sim, é uma organização real, dedicada da examinar os momentos quando as planilhas estão erradas) estima que mais de 90 por cento de todas planilhas contém erros. Cerca de 24 por centro das planilhas que usam fórmulas contém um erro direto de matemática nos seus cálculos. (Matt Parker, Humble Pi, Riverheard Books, 2020)

No site da organização você pode encontrar alguns erros em planilhas. O livro de Parker descreve algumas situações interessantes, como a pesquisa feita com os e-mails da Enron, que encontrou um grande número de planilhas. Parker mostra que o uso de planilhas não está restrito ao mundo financeiro. Parker cita uma pesquisa com artigos publicados em periódicos de genética que usaram planilhas.