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04 agosto 2022

50 anos de uma reportagem fundamental para pesquisa científica

 São poucas as vezes que uma reportagem pode alterar os rumos da ciências. Aconteceu há cinquenta anos com Jean Heller, da AP (foto abaixo).

A repórter recebeu de um colega uma dica sobre um experimento realizado pelo governo dos Estados Unidos desde 1932 em uma comunidade pobre do Alabama. O governo recrutava homens negros e indicaram que eles seriam tratados de doenças como anemia, fadiga e sífilis. Em troca da participação, homens receberiam exames médicos gratuitos, refeições gratuitas e seguro funerário. Mas o governo poderia fazer uma autopsia em caso de falecimento. 

Mais de 600 homens participaram (foto), mas um terço nunca receberam tratamento, mesmo existindo a penicilina desde os anos 40 para o tratamento de sífilis. O absurdo é que o experimento só parou após a publicação da reportagem, em 1972, ou décadas depois do início. 

A história ganhou diversos prêmios jornalísticos e ainda hoje tem seus efeitos. Recentemente, durante a pandemia, muitos negros recusaram a vacinação, lembrando a triste história de Tuskegee. 

28 junho 2022

EY é multada em US$100 milhões por trapaça em exame de ética

A notícia do dia na contabilidade: a empresa de auditoria Ernst & Young – que gosta de ser chamada de EY – irá pagar cem milhões de dólares para encerrar as acusações da SEC sobre a trapaça cometida por seus auditores na obtenção do CPA.


Quando uma empresa resolve pagar uma multa para encerrar um processo, usualmente reconhece as acusações. No caso da EY, é a maior multa contra uma empresa de auditoria. Além da multa, a EY afirmou que irá adotar medidas para corrigir os problemas éticos.

A SEC descobriu que empregados da EY obtiveram ou distribuíram gabaritos para os exames do CPA, além de trapacear no quesito de educação profissional. O irônico é que a trapaça ocorreu no tema “ética”. A SEC chamou a atenção de que profissionais responsáveis por detectar fraudes de clientes trapacearam em exames de ética. Além disto, a própria EY parece ter dificultado as investigações da SEC. Em uma resposta à SEC, a EY não informou sobre uma denúncia interna da trapaça, mesmo após uma investigação interna da auditoria ter comprovado a trapaça e discutido o assunto com a gestão superior da empresa.

Esta não é a primeira empresa multada por questões éticas. Em 2019 a KPMG foi multada em 50 milhões pelo mesmo motivo de trapacear nos exames. Em comunicado, a EY disse que “nada [na empresa] é mais importante que nossa integridade e nossa ética."

Leia mais aqui e aqui

15 janeiro 2021

Auditor deveria olhar a ética do negócio do auditado?


Eis uma questão interessante. Um auditor é contratado para fazer seu trabalho em uma entidade que atua em um setor pouco recomendável. Além disto, algumas das atitudes do auditado não são "razoáveis". O auditor deveria fechar os olhos e somente limitar a verificar se a empresa está seguindo as normas contábeis?

A empresa de auditoria é a Grant Thornton. A empresa que possui uma ética questionável é a Pornhub, um dos sites mais acessados do mundo. Durante anos a GT fez a auditoria da empresa canadense. Mas recentemente, uma série de investigação mostrou que o site tem hospedado filmes com crianças, o que levou as empresas Visa e Mastercard a bloquearem o uso do cartão como forma de pagamento. 

Durante anos, a empresa não adotou nenhuma política contra crimes sexuais filmados, mas a reação contra o site fez com que a Pornhub retirasse muitos dos vídeos existentes ali. Mesmo assim, mulheres estão processando a empresa por conta de filmes realizados sem seu consentimento. 

Diante de tanta denúncia, a empresa de auditoria achou que não ficava bem ter seu nome associado a abuso sexual de criança, pornografias de vingança, postagens de vídeos ilegais etc. Assim, anunciou que não seria mais o auditor a MindGeek, o grupo que é proprietário do site. Atuava na empresa desde 2012 e somente agora descobriu os negócios estranhos do décimo site mais acesso do mundo. 

08 setembro 2020

Co-autoria sem permissão

Recentemente o Retration Watch publicou um caso de uma pesquisa que foi retratada por uma motivo aparentemente insólito: a retirada de co-autoria de uma artigo, que foi publicado sem autorização de alguns pesquisadores (veja o caso aqui). 

Esta situação é mais comum que imaginado. Há alguns dias, atuando como diretor do Congresso da UnB, recebi uma solicitação parecida de um professor: retirada de seu nome de um artigo que foi submetido por sua orientanda, em conjunto com ele e outro professor. Este professor não tinha autorizado a inclusão do seu nome.  

Qual a razão disto ocorrer? Várias possíveis respostas. Em primeiro lugar, a inclusão de um nome "conhecido" pode dar mais visibilidade para a pesquisa que está sendo publicada. Este é um motivo forte e talvez seja a grande razão para isto ocorrer, em qualquer área. 

A segunda razão é uma falha de comunicação. Em muitos processos colaborativos, não fica claro as fronteiras. No passado recebi uma proposta de um pesquisador e seu orientando de incluir meu nome na pesquisa por já ter feito orientação sobre o assunto. Achei que isto não era motivo suficiente e recusei [o artigo acabou sendo publicado em um periódico de bom nível]. Aqui a comunicação foi clara. Mas parece que isto nem sempre ocorre. No caso citado do congresso, a orientanda do professor sequer mandou uma comunicação para seu orientador dizendo que estava fazendo a submissão e quais os nomes que constariam do trabalho. 

A terceira razão são algumas regras que criamos. Aqui as situações são diversas, mas limito a tratar de regras que são construídas em alguns programas de pós-graduação (inclusive o que coordeno), que induzem a produção conjunta entre orientador e orientando. Em muitos casos, só é possível a defesa com a co-autoria. 

Mesmo que estas regras são estejam explicitas, ainda assim são fortes o suficiente para induzir a situação como esta. Veja o caso de um aluno de graduação que fez o trabalho sob orientação (e grande sugestão) do seu orientador. O trabalho foi submetido e aprovado no congresso, somente com um autor. Logo depois, este aluno aparece para o processo seletivo e o seu orientador da graduação, que seria o orientador natural, recusa este encargo. Sabe ele que o trabalho conjunto com o aluno não será reconhecido como tal. Ou seja, seu esforço não será recompensado com a produção. 

Ao longo da minha trajetória, já tive casos onde fui co-autor sem merecer, mas já tive casos que não apareci como participante da pesquisa, apesar de ter feito parte dela. Da minha parte, eu percebo que os primeiros casos são mais difíceis de serem lembrados; mas o segundo grupo, quando participamos da pesquisa e não somos considerados, são inesquecíveis. 

Acho que esta discussão cabe em uma aula de ética. Ou de metodologia. Mas o ponto fundamental é a comunicação franca entre as pessoas que estão fazendo a pesquisa. 

23 fevereiro 2020

Quando o Poder quer o Acadêmico (por plágio)

Eis alguns exemplos de políticos que cometeram algum tipo de fraude acadêmica em diversos países do mundo:

Barão Karl-Theodor, Maria Nikolaus, Johann Jacob Philipp Franz, Joseph Sylvester Buhl-Freiherr von und zu Guttenberg (foto) - ex-ministro da defesa da Alemanha. Completou o doutorado em direito na Universidade Alemã de Beyrouth. Seria um provável sucessor de Angela Merkel, quando descobriram, em 2011, que Guttenberg era mais “Googleberg”, já que plagiou muitas seções do seu trabalho.

Victor Ponta - primeiro-ministro da Romênia, também acusado de plágio em 2012. Seu trabalho foi feito em 2004. Ele negou, dizendo que somente não colocou as referências. Deixou o cargo em 2015 por sonegação fiscal e outros problemas

Vladimir Putin - presidente russo, escreveu seu trabalho em 1997, com o título de "Recursos minerais e de matérias-primas e a estratégia de desenvolvimento para a economia russa". Das 200 páginas, 16 eram cópia. E existe uma acusação de que o trabalho foi escrito por Vladimir Litvinenko, orientador acadêmico de Putin e reitor da Universidade de Mineração de São Petersburgo.

Arseniy Yatsenyuk, presidente da Ucrânia, acusado de ter contratado alguém para escrever seu trabalho.

28 maio 2019

A ética dos professores de ética

Isto me lembrou os professores que ensinam ética contábil (disciplina obrigatória na graduação): um estudo com 417 professores, publicado no Philosophical Psychology, sendo 151 com professores de ética, encontrou que não existe muita diferença entre eles. O estudo, feito por um estudante europeu, perguntou aos professores sobre diversos tópicos (doação de órgãos, caridade e outras atitudes) e como eles se comportavam em cada categoria. As perguntas exigiam respostas de 1 (muito imoral) a 9 (muito moral).

There were some differences in views—ethicists had more stringent expectations than other professors on donating to charity, but were more lenient on the immorality of theft, and staying in touch with their mothers. But the researchers found no significant difference in moral behavior. For example, ethicists on average said a professor should donate 6.9% of their annual income to charity per year, versus non-philosophers’ recommendation of 4.6%, and other philosophers’ suggestion of 5.1%. But when it came to following through on this moral guidance, there was no gap: Ethicists reported donating 4.6% of their annual salary to charity in the past year, compared to non-ethicist philosophers’ 4.6% and non-philosophers’ 4.4%.


Fonte: Aqui

16 fevereiro 2019

Código de ética

Foi publicado (aqui e aqui) um novo código de ética da profissão contábil. Na divulgação da informação, o Conselho Federal de Contabilidade indica os motivos da nova atualização:

Segundo o presidente do CFC, Zulmir Breda, entre os principais objetivos, a atualização busca combater a mercantilização da profissão contábil. “Queremos combater a publicidade que deprecie e desmereça a atuação do profissional da contabilidade. Em qualquer modalidade ou veículo de comunicação, dos serviços contábeis, ela deve primar pela sua natureza técnica e científica, sendo vedada a prática da mercantilização”, disse.

No dia 7 de fevereiro, o texto foi aprovado pelo plenário do Conselho Federal de Contabilidade. As alterações foram realizadas por uma comissão, criada em 2017, que, em 2018, avaliou mais de 100 sugestões enviadas pela classe contábil, fruto de audiência pública promovida em fevereiro do ano passado.

Durante a Reunião Plenária, o vice-presidente Técnico do CFC, Idésio Coelho, apresentou as alterações e também explicou que as mudanças alinham o Código de Ética aos padrões internacionais de ética. O Código se aplica, também, às prerrogativas profissionais dos técnicos em contabilidade.

O texto entrará em vigor a partir de 1º de junho de 2019.


Não sou especialista em ética ou ética contábil. Mas alguns itens do novo Código me pareceram fora do escopo.

(o)cumprir os Programas de Educação Profissional Continuada de acordo com o estabelecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC);
(p)comunicar imediatamente ao CRC a mudança de seu domicílio ou endereço, inclusive eletrônico, e da organização contábil de sua responsabilidade, bem
como informar a ocorrência de outros fatos necessários ao controle e fiscalização profissional; (...)

Basicamente o código é composto por deveres (18), vedações (24) e quatro permissões.

04 junho 2018

Jensen e o milagre da multiplicação

O economista Michael Jensen, um dos grande nomes de finanças e fundador do SSRN, foi acusado de usar o mesmo artigo três vezes em diferentes periódicos. A publicação ocorreu em 2001 e 2002, com “more or less simultaneously vetting versions of the Jensen article.” Segundo o denunciante

In my view, duplicate publications harm researchers by creating inefficiencies. Time is wasted when researchers wade through various iterations of the same work. Duplicate publications also take valuable space in journals, displacing original work by others that might otherwise have been published. This practice can create an illusion of productivity for authors, distort future meta-analyses, and violate copyright, in addition to wasting the time of manuscript reviewers and resources of publishers. When editors of journals issue retractions or EOCs for duplicate publications, they correct the scholarly record and let readers know that undisclosed duplicate publication is professionally unacceptable.


Jensen tem trabalhos conhecidos sobre remuneração com opções e a teoria da agência. Seus artigos possuem mais de 37 mil citações, sendo que “Theory of firm – managerial behavior, agency costs and ownership structure,” foi citado mais de 14 mil vezes.

11 dezembro 2017

Uber e a ética


A Uber se envolveu em mais uma polêmica nos Estados Unidos nesta terça-feira, 28. Um ex-funcionário da empresa disse que ela tinha uma equipe especialmente dedicada a roubar e esconder dados roubados de rivais.

A informação foi divulgada em uma carta assinada por Richard Jacobs, ex-membro do grupo de inteligência da Uber. A carta foi entregue à promotoria pública dos EUA durante uma investigação criminal que envolve a companhia.

Segundo Jacobs, o grupo era uma espécie de força-tarefa secreta que atuava no departamento de marketing e analytics da Uber. Como explica o Gizmodo, o objetivo do grupo era rastrear motoristas de serviços rivais e até funcionários de concorrentes.

Entre as atribuições dessa equipe estava a de invadir a conta do GitHub dos programadores das empresas rivais da Uber para tentar descobrir códigos secretos dos apps concorrentes. Além disso, eles também coletavam dados dos motoristas de outras empresas, incluindo a localização e trajeto dos carros.

O ex-funcionário diz que recebeu instruções de Craig Clark, executivo que foi recentemente demitido da Uber por ajudar a esconder um grande vazamento de dados. Mais de 57 milhões de contas de usuários da Uber foram roubadas por hackers, que receberam US$ 100 mil da empresa para manter a invasão em segredo. (...) 


Fonte: Aqui

15 setembro 2017

Compra de autoria

O site Retraction Watch divulgou que alguns periódicos estão vendendo autoria em artigos por um valor. Numa pesquisa feita por Pravin Bolshete, o escritor perguntou a centenas de periódicos se concordariam em adicionar um autor num artigo. 16% dizeram que sim.

Um dos e-mails enviados por Bolshete era assim:

Devido à minha agenda ocupada e à sobrecarga de trabalho, não consigo escrever / publicar nenhum artigo, mas agora isso é necessário para minha promoção. Um dos meus colegas me disse que sua revista pode me ajudar com isso. Ficarei feliz se você puder me adicionar como co-autor em qualquer artigo relacionado com medicamentos ou se alguém escrevesse um artigo em meu nome e me ajudasse na publicação de alguns artigos.

Um dos periódicos não somente respondeu como convidou para ser membro do corpo editorial.

02 dezembro 2016

Desculpas

A empresa Odebrecht publica, hoje, nos principais jornais do país um comunicado chamado de "Desculpe, a Odebrecht errou". Em quase 500 palavras, a empresa pede desculpas e assume um compromisso adotar uma postura diferente. A principal palavra do comunicado é o nome da empresa, seguido de "compromisso".
O texto começa da seguinte forma:

A Odebrecht reconhece que participou de práticas impróprias em sua atividade empresarial.
Não importa se cedemos a pressões externas. 
Ou seja, a empresa participou por ter cedido a pressão. Como se a entidade não tivesse tido uma participação ativa nos problemas de corrupção ocorridos no Brasil nos últimos anos. É difícil de acreditar que isto seja verdade, vindo de uma empresa que tinha inclusive um departamento para pagamento de propina e onde seus dirigentes estão presos. 
A empresa não afirma, no documento, que os executivos que estão sendo investigados, serão afastados dos seus cargos, sem direito a indenização. Ela certamente não fará isto, já que implicaria em tirar do poder o atual chefe, que está fazendo a delação premiada e que é herdeiro do fundador. 
No item cinco, "Assegurar transparência nas informações" dá a entender que a empresa não era transparente. Será que as próximas demonstrações contábeis apresentarão claramente o valor pago a título de propina nos últimos meses/anos? Ou irá optar pela desculpa da Petrobras, que não é possível fazer uma previsão deste valor? Teremos também uma análise dos benefícios obtidos com "as práticas até então vigentes na relação público-privada, que são de conhecimento generalizado"? 
A empresa fez um comunicado com validade questionável. A tentativa de transformar a entidade em vítima não funciona se o leitor tiver um mínimo de senso crítico. Talvez a melhor forma da Odebrecht se desculpar é agir, pagando as multas pelos atos praticados, afastando os executivos que acostumaram a trabalhar de forma inadequada e evidenciando as transações relacionadas com as "práticas impróprias" da atividade empresarial. Para a sociedade, isto talvez seja mais relevante que o pedido de desculpas e o reconhecimento que errou. 

17 setembro 2014

Ética e Hábito

Sobre uma pesquisa referente a ética, conforme o Valor Econômico

David Welsh e Lisa Ordóñez descobriram que as pessoas que se deparam com oportunidades crescentes de comportamento antiético estão muito mais propensas a racionalizar essa conduta do que aquelas que se veem às voltas com uma mudança abrupta. E trapaceiam um pouco no primeiro “round”, trapacearão um pouco mais no segundo e muito mais no terceiro.

Isso é precisamente o que encontraram: diante de uma série de problemas a ser solucionados, 50% da amostra trapaceou para ganhar US$ 0,25 por problema no primeiro “round”, e 60% trapacearam para obter US$ 2,50 na rodada final. Contudo, as pessoas que não podiam trapacear nas duas primeiras rodadas foram menos propensas a fazê-lo para ganhar US$ 2,50 no “round” final – apenas 30% o fizeram.

Para piorar a situação, as pessoas tendem a negligenciar o comportamento antiético dos outros quando ele se deteriora gradualmente com o passar do tempo. Francesca Gino e seu colega Max Bazerman descobriram que as pessoas que desempenharam o papel de auditor em uma tarefa de auditoria simulada estavam muito menos propensas a reportar aqueles que gradualmente inflacionavam seus números ao longo do tempo que os que faziam mudanças abruptas de uma só vez, mesmo que o nível de inflação fosse eventualmente o mesmo.


Qualquer pesquisa deve ser considerada com cuidado nas suas conclusões. Mais ainda uma pesquisa sobre hábito. No caso, o hábito somente poderia ser apurado após diversas rodadas, com um intervalo temporal. Assim, o experimento estaria mais próximo da situação real. Finalmente, isto parece contradizer algumas das conclusões existentes no último livro de Dan Ariely, sobre desonestidade.

08 agosto 2014

Sexo, Mentiras e Economistas

Uma pesquisa realizada com economistas pela European Economic Association mostra que um número bastante expressivo de pesquisadores já tiveram um comportamento pouco científico. A pesquisa será publicada brevemente no periódico Policy Research. Isto inclui comportamentos como trocar sexo por co-autoria, problemas com dados, aceitar ou receber presentes em troca de autoria ou acesso aos dados e até cópia de trabalho anterior sem citação.

Fonte: Aqui

03 julho 2014

Pesquisa com Facebook

O Facebook autorizou uma pesquisa para saber como as pessoas reagem a emoções. Mais especificamente, se as emoções são contagiosas. Para isto, encaminhou postagens positivas para alguns usuários e postagens negativas para outros. O resultado é: as pessoas são influenciadas pelas postagens.


A pesquisa está sendo muito comentada por diversos motivos: pelo resultado, pela questão “ética” de fazer uma pesquisa sem consentimento do usuário, pela manipulação do e pela qualidade intrínseca do método. Aqui um resumo das críticas. 

21 março 2014

A empresa mais ética do mundo é...

O Ethisphere Institute premiou o Old National Bank com o prêmio de empresa mais ética do mundo de 2014. O Ethisphere é uma entidade independente que promove práticas de governança e ética. A avaliação baseia-se num quociente de ética que foi desenvolvido ao longo do tempo para avaliar as entidades. São cinco categorias: ética e compliance, reputação de liderança e inovação, governança, cidadania corporativa e responsabilidade e cultura de ética.

Entre as empresas premiadas, acredite o leitor, o Banco do Brasil (pela primeira vez) e a Natura (a quarta vez).

15 janeiro 2014

É possível ensinar ética?



Nos últimos anos tivemos uma grande pressão para o ensino de ética nos cursos universitários, incluindo pós-graduação. O ensino geralmente ou é focado no código de ética da profissão ou representa uma discussão teórica, mais próxima da filosofia do que da realidade. A primeira opção é uma perda de tempo, pois basta que o aluno leia o código de ética; o segundo caso também não ajuda muito as pessoas a serem mais éticas.

Jonathan Haidt, da Universidade de Nova Iorque, num longo texto escrito para o Washington Post (Can you teach bussinessmen to be ethical?) trava uma longa discussão sobre o assunto. Haidt também é cético e afirma que

As escolas de negócios, o maior gasoduto para os futuros líderes de bancos e grandes corporações, não sabem realmente o que fazer para tornar os líderes éticos.

A resposta dos dias de hoje é oferecer cursos de ética empresarial e responsabilidade social corporativa. Haidt afirma que

Ainda tenho que encontrar alguma evidência de que uma única aula de ética, por si só, pode melhorar o comportamento ético após o término do curso.

Isto talvez seja um indicio de que obrigar o aluno a estudar ética serve muito mais para aplacar a consciência dos gestores educacionais, não sendo uma estratégia que se deva levar a sério na prática. Em lugar de trabalhar o código de ética ou usar livros filosóficos sobre o assunto, os alunos aprenderiam mais se lessem o último livro de Dan Ariely, que trata do assunto de maneira prática e divertida.

Haidt lembra que a própria forma de condução dos cursos de MBA induz ao comportamento antiético. Especificamente, estes cursos valorizam a participação dos extrovertidos e promove a competição, não a colaboração. Mas Susan Cain mostrou, em O Poder dos Quietos que isto é injusto.

Mas mesmo se usarmos métodos mais modernos e pesquisas recentes sobre o assunto, talvez não seja a solução. O trabalho clássico de Milgram mostrou como as pessoas normais podem agir de maneira inadequada em razão da pressão social. Milgram fez um experimento onde os indivíduos eram incentivos a aplicar choques elétricos em outras pessoas e o faziam em razão da determinação de uma autoridade.

(Charge: aqui)

05 agosto 2013

Frase

O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como sendo seu maior patrimônio.

Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal

11 junho 2013

Falta ética entre funcionários brasileiros

Uma pesquisa sobre ética nas empresas revelou dados com potencial para gerar, no mínimo, um desconforto nas organizações. Mais da metade dos profissionais das companhias brasileiras tendem a conviver sem restrições com a falta de ética. Pior: 80% dos funcionários poderiam cometer algum ato antiético. São pessoas que não têm a ética como um princípio inabalável independentemente da situação. Segundo a pesquisa, 69% dos funcionários demonstram alguma flexibilidade em sua aderência aos princípios éticos e normas de conduta da organização. Ou seja, sob pressão ou diante de alguma oportunidade com baixo risco de um flagrante, eles seriam lenientes ou mesmo participariam de uma fraude, desvio de informações ou qualquer tipo de situação eticamente inadequada.

O levantamento foi feito pela primeira vez pela ICTS, uma consultoria brasileira de gestão de riscos de negócios que presta serviços como estruturar sistemas de controle, análise e investigação. O estudo levou em consideração as respostas dadas por 3.211 profissionais em 45 empresas. Entre 2010 e 2012, eles responderam um questionário com 140 perguntas e passaram por uma entrevista. Metade dos participantes ocupava um cargo de gestão, e a outra metade um cargo técnico e operacional. Cerca de 45% tinham uma remuneração maior que R$ 3 mil. E o restante, um salário menor.

Segundo Marcelo Forma, sócio-diretor da empresa, a metodologia da pesquisa demandou mais do que questionamentos simples do tipo "você receberia suborno?" ou "furtaria um laptop da empresa?". Cada uma das conclusões foi resultado do cruzamento de algumas dezenas de perguntas feitas seja via questionário ou entrevista.

Os resultados mostraram que a falta de alinhamento e aderência à ética da empresa pode acontecer em todos os grupos. Homens, mulheres, executivos, empregados do nível operacional: todos têm potencial para, de alguma forma, descumprir as regras de governança. Há apenas uma diferença. As mulheres, mais do que os homens, e os funcionários da operação tendem ao comportamento antiético mais no sentido de descobrirem algo errado e não denunciarem e menos no sentido de cometerem um delito. "Os motivos para a leniência são vários, como não saber para quem denunciar ou mesmo por terem medo de serem demitidos", diz Renato Santos, executivo da área de análise de aderência à ética empresarial da ICTS e responsável técnico da pesquisa.

Por outro lado, gestores homens tendem a apresentar maior disposição em assumir atalhos questionáveis para atingir metas ou para ter algum benefício. Além disso, 33% dos gestores usariam dados confidenciais da companhia para tirar proveito próprio ou favorecer terceiros em prejuízo da empresa.
Sem citar nomes por uma questão de confidencialidade contratual, Forma e Santos contam um episódio que surpreendeu o presidente de uma empresa há algum tempo. Um rombo de milhares de reais nas contas da companhia havia sido protagonizado pelo executivo de sua maior confiança na área financeira: o próprio diretor financeiro. O golpista era viciado em jogo e havia furtado a empresa para sanar as dívidas com um agiota.

Forma e Santos afirmam que a fragilidade da empresa estava no fato de o presidente confiar totalmente no diretor e não exercer nenhum controle externo sobre o que ele fazia. "Sob uma pressão situacional, o ser humano pode cometer atos antiéticos", diz Forma.

Exemplos como esse evidenciam, segundo os consultores, que as empresas precisam ter um ambiente de trabalho com regras, processos e sistemas de controle. Afinal, a maioria tende a incorrer em alguma fraude, furto, desvio de informações, corrupção ou qualquer outro ato que transgrida os princípios da organização dependendo das circunstâncias. Entre essas regras, está a elaboração de um código de ética e de conduta para as posições mais críticas - como, por exemplo, os departamentos de compra e vendas. "Um exemplo clássico são os brindes dos fornecedores. Por exemplo, uma caneta, geralmente, pode ser aceita. Mas e se for uma Mont Blanc?", diz Forma. Ele e Santos afirmam que o ideal é que eles nunca cheguem a um valor tão alto que gere algum impacto na vida do funcionário.

Santos, doutorando e pesquisador em ética e fraudes corporativas, afirma que é essencial estabelecer regras claras e criar mecanismos de controle. "Não basta confiar no bom senso. A pesquisa derrubou aquele mito de que ética se aprende quando criança. As empresas precisam estabelecer os limites", diz. Ele explica que, nas entrevistas, veio à tona a crença de que suborno é um crime sem vítima e que, portanto, não tem problema de, eventualmente, ser aceito. Numa outra ocasião, um empresário contou a ele que jamais oferecera propina, apenas presentes. O mais caro havia sido de R$ 20 mil. Em dinheiro

(Valor)

02 junho 2013

Ah se não fosse um poema de 1o de abril



[April 1, 2013 Special Edition] Corporate leaders from across the country today gathered on Wall Street for the first ever display of business support for honest financial statements.

Ruta Crumwell led off with an emotional call for death to all who betray the public trust.

CFOs then marched en masse to a traders pit, sawed off their pinocchio length noses, and lit a bonfire visible at the SEC.

Richard Foldover, beloved leader of defunct Lehman Sisters and the featured speaker at the event, then spoke at length on the evil of Repo 105.

The evening ended with auditors wiping up with clean audit opinions.

Debit and credit – - David Albrecht

A Nose for Honest Financial Statements

06 outubro 2012

Aumento de estudos científicos fraudulentos

Segundo um novo estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, a fraude é um verdadeiro problema em publicações científicas e tem aumentado no decorrer das décadas.

O estudo analisou 2.047 artigos sobre pesquisas biomédicas (desde 1973) que foram mais tarde desacreditadas e retiradas de publicações científicas - constatou-se que a principal razão para a retratação não foram erros honestos (não propositais), mas sim fraude.

Mais de 40% das retratações foram devido à descoberta de fraude e 23% de plágio. A taxa de retratações de artigos publicados, apesar de pequena em porcentagem (cerca de 2.000 entre dezenas de milhões publicados nas últimas quatro décadas), está crescendo: aumentou cerca de 10 vezes nos últimos 37 anos.

Essa tendência é preocupante, porque mesmo um número muito pequeno de artigos fraudulentos pode acarretar enormes danos. A maior fraude mencionada no estudo é do Dr. Andrew Wakefield, um inimigo de vacinação. Seu trabalho científico falso relatava uma ligação entre autismo e vacinas, o que teve um impacto devastador sobre a saúde e o bem-estar de bebês e crianças de todo o mundo, pois as mães entraram em pânico e não quiseram vacinar seus filhos com medo deles ficarem doentes. Apesar do artigo ter sido retratado e desacreditado, muitos ainda continuam achando que Wakefield estava certo.

Recentemente, um médico britânico, Benjamin Goldcare, denunciou uma prática da indústria farmacêutica de omitir resultados negativos de novos remédios para vendê-los como se fossem eficazes. A cada ano, são testados e lançados uma infinidade de novos medicamentos. O sistema de teste e aprovação desses remédios coloca controle excessivo nas mãos dos fabricantes, de forma que eles quase sempre podem definir qual o veredicto sobre qualquer medicamento em fase de experimentos. Em busca de proteger os próprios interesses econômicos, os laboratórios farmacêuticos nem sempre liberam os remédios ao mercado com a garantia de que farão bem aos pacientes. Esse mecanismo coloca uma série de medicamentos no mínimo ineficazes no mercado. Além de não surtirem o efeito esperado, podem ocasionar novos problemas no organismo.

Com tudo isso, nos perguntamos: até que ponto devemos confiar em pesquisas científicas e na indústria farmacêutica?

Arthur Caplan, chefe da Divisão de Ética Médica do Centro Médico Langone da
Universidade de Nova York (EUA), acredita que denúncias são um grande passo para acreditarmos nos médicos e cientistas. A capacidade de admitir que há fraudes e “maçãs podres”, significa que o meio está alerta e consciente da necessidade de mais esforços para mudar esse cenário.

Caplan suspeita que a natureza cada vez mais competitiva da ciência, o desejo de garantir mais subsídios, patentes e patrimônios, a proliferação de revistas que não estão fazendo um bom trabalho de revisão também são culpados pelo aumento das fraudes. Segundo ele, a biomedicina tem de agir para deter essa tendência crescente. Mais educação para jovens investigadores científicos, sanções mais duras para fraude, e aumento dos recursos e recompensas para revisão científica podem ajudar a interromper essa onda.

Fontes: dth media, BBC News e HyperScience