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Mostrando postagens com marcador pesquisa. Mostrar todas as postagens
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27 junho 2021

Jargão

Muitas vezes, na discussão em torno da comunicação acadêmica, vemos pedidos para os autores escreverem em linguagem mais clara e minimizarem o uso de jargões. Embora eu entenda a motivação por trás disso, querendo que não especialistas sejam capazes de entender a pesquisa, para mim ela trabalha contra o principal objetivo do trabalho de pesquisa publicado - servir como uma conversa de alto nível entre especialistas. Um trabalho de pesquisa deve assumir algum nível de conhecimento prévio; caso contrário, por exemplo, um biólogo molecular teria que iniciar cada artigo com uma explicação da estrutura do DNA e transformar cada relatório de pesquisa em um livro didático. 

Explicar seus resultados de uma maneira bastante simples que qualquer pessoa que não seja versada em campo é uma coisa muito boa para poder fazer, mas não é uma habilidade fácil de entender (é por isso que valorizamos tanto os comunicadores científicos eficazes como Carl Sagan ou Neil DeGrasse Tyson). E, como na maioria das sugestões sobre como mudar a maneira como a pesquisa é relatada, é melhor pensar em termos de coisas novas serem aditivas, em vez de substituídas. Pode-se adicionar um "resumo do leigo" a um artigo sem denegrir o valor que o documento oferece ao especialista?

Independentemente disso, um amigo enviou recentemente o glorioso vídeo cheio de jargões abaixo. Não tenho ideia do que ele está vendendo, mas parece ótimo!  
 (Fonte: aqui)

11 março 2021

Concentração de citações


Uma análise de mais de 26 milhões de estudos científicos publicados por mais de 4 milhões de pesquisadores entre 2000 e 2015 descobriu que, em 2015, os 1% dos autores mais citados representavam 21% de todas as citações. 

  Essa desigualdade de citações tornou-se mais extrema com o tempo, e a participação de cientistas nos Estados Unidos nas citações está caindo. 

 (...) Nielsen e Andersen também encontraram uma diminuição na participação de citações dadas a artigos de autoria dos Estados Unidos e um aumento nas citações de artigos de autoria da Europa Ocidental e Australásia. As maiores concentrações de pesquisadores de 'elite de citações' estavam na Holanda, Reino Unido, Suíça e Bélgica.

Um problema da pesquisa é que os autores só levaram em consideração os pesquisadores que tinham mais de cinco publicações na base de dados. Mas esta limitação é compreensível, já que a qualidade dos dados pode piorar. 

15 janeiro 2021

Ciência e Big Tech

Do New York Times um texto sobre os esforços que as grandes empresas de tecnologia estão fazendo para restringir os reguladores europeus. A Europa tem discutido normas contrárias aos interesses destas empresas e a reação foi um grande volume de dinheiro em lobistas. O jornal comenta de um documento com planos detalhados do Google (empresa dona do Blogger, que hospeda este site) contra as normas de publicidade digital. Um ponto de chamou a atenção:

“Aliados acadêmicos” levantariam questões sobre as novas regras. O Google tentaria reduzir o apoio da Comissão Europeia para complicar o processo de formulação de políticas. 

O que seria os aliados acadêmicos? São pesquisadores que conduziriam seus projetos com o patrocínio destas empresas:

Na Europa, as empresas estão gastando mais do que nunca, contratando ex-funcionários do governo, escritórios de advocacia e consultorias bem relacionados. Eles financiaram dezenas de think tanks e associações comerciais, investiram em posições acadêmicas nas principais universidades do continente e ajudaram a publicar pesquisas amigáveis ​​à indústria por outras empresas.

Estas empresas seriam Apple, Amazon, Google e Facebook. 

Em outubro, o Centro Europeu de Economia Política Internacional publicou um relatório que dizia que os novos regulamentos de tecnologia custariam à economia europeia dois milhões de empregos e € 85 bilhões em perda de produto interno bruto. O Centro Europeu de Economia Política Internacional é um dos pelo menos 36 grupos comerciais, associações e grupos de reflexão que o Google financia, de acordo com o Corporate Europe Observatory.
“As pessoas sempre reivindicarão sua independência política, acadêmica ou intelectual - elas rejeitariam que foram influenciadas”, disse Marietje Schaake, ex-membro do Parlamento Europeu que agora leciona na Universidade de Stanford. “Mas a questão então é: por que as empresas estão gastando tanto dinheiro em Bruxelas?”

Outro exemplo:

Paul Hofheinz, um ex-repórter do Wall Street Journal que co-fundou o Lisbon Council, um grupo de pesquisa em Bruxelas que tem enfrentado críticas de grupos de vigilância por aceitar dinheiro do Google, disse que ter parceiros corporativos garantiu que a pesquisa fosse mais completa.
“Nossas opiniões são independentes. Ponto final ”, disse Hofheinz por e-mail. “Não sei por que essas organizações em campanha pensam que somos idiotas que não conseguem raciocinar sozinhos. Há algo muito insultuoso nessa ideia. E muito errado.”

03 junho 2020

Estudo controverso sobre Covid-19

Já fizemos diversas postagens sobre retratação em pesquisa científica. Recentemente até na área contábil, no prestigioso The Accounting Review. Isto é algo comum na pesquisa científica. Mas o caso da The Lancet parece bastante grave.

Este periódico foi criado há quase duzentos anos (foto ao lado) e tem publicado pesquisas na área médica. Este periódico já fez besteira no passado, sendo que o estudo ligando o autismo com vacina foi talvez seu pior erro.

No dia 22 de maio, o The Lancet publicou um artigo sobre a Hidroxicloroquina e o tratamento do Covid-19. O artigo fez um revisão de quase cem mil pacientes de 671 hospitais, entre final de dezembro e abril. Com base neste artigo, a OMS decidiu interromper os estudos sobre o uso deste medicamento.

Quatro dias depois da publicação, pesquisadores australianos descobriram um erro nas mortes registradas no país. Doi dias depois, 180 pesquisadores de vários países escreveram ao editor sobre o artigo. No dia seguinte, o The Lancet publicou uma revisão com correções, sem alterar os resultados. Ontem, o The Lancet publicou uma “preocupação” sobre o trabalho e afirmou que fará uma auditoria sobre o mesmo. A própria OMS reviu sua posição sobre o tema. O artigo está sendo colocado em dúvida pela comunidade.

Há muitos indícios os dados usados são de baixa qualidade (ou foram inventados). Há problemas de análise estatística dos dados.

(Grato Alexandre Alcântara que chamou a atenção para o tema)

(A contabilidade pode aprender muito com casos como este; afinal, trata-se de uma fraude e isto é de nosso interesse)

30 maio 2020

Menos pesquisas

O gráfico mostra que o número de pesquisas com mulheres que foram submetidas diminuiu com a pandemia. Culpa da jornada de trabalho em casa?

27 maio 2020

Pesquisa científica sobre o Covid-19

No domingo encerrou o prazo para submissão de um breve artigo para o Congresso da USP de 2020. O prazo para submissão dos artigos regulares já tinha terminado, mas a organização do congresso resolveu abrir um prazo adicional para submissão, desde que o tema fosse Covid-19 e, naturalmente, a contabilidade.

Creio que diversos pesquisadores submeteram suas pesquisas. E o pequeno círculo com quem conversei, parece que vários deles reclamaram do número de caracteres, reduzido demais para a pesquisa que estava sendo feita.

O interesse pela pesquisa sobre o Covid é comum a toda ciência. Nós postamos aqui que o NBER está publicando muita pesquisa sobre o assunto, um mês depois do Covid ser considerado uma pandemia. E note que esta entidade preocupa com a pesquisa econômica.

Um texto do Nada es Grátis mostra que o efeito contágio do Covid na pesquisa. Usando dados do Scholar, mais de 50 mil artigos sobre o tema foram publicados este ano. Uma base mais restrita, o Web of Science, tem 12 mil artigos. O volume de artigos cresce 21,7% por semana. Ou, a cada 25 dias, o número de artigos é multiplicado por dois.

Boa parte dos artigos possuem como procedência os países que são produtores de ciência nos dias atuais. Mas há um claro destaque para os países que sofreram "na pele" o efeito da doença. No caso dos artigos do Web of Science, a ordem procedência é: Estados Unidos, China, Inglaterra, Itália, Índia, Canadá, Alemanha, Austrália, Irã e Suíça.

Apesar do tema ser tipicamente de saúde, muitas áreas estão pesquisado sobre o assunto. Depois da tecnologia e ciências da vida, as ciências sociais possuem o maior número de pesquisas publicadas. Certamente há controvérsias se ainda é possível publicar boas pesquisas sobre o tema: a amostra certamente é enviesada e os dados ficam defasados rapidamente são duas das dificuldades. Mesmo assim é impressionante saber que 2 mil artigos já foram depositados no SSRN e já temos um periódico sobre o Covid e a Economia.

Este esforço traz dois problemas. O primeiro é a dificuldade de separar os avanços de uma pesquisa das demais. Ninguém consegue ler tanto artigo sobre o tema. E provavelmente muitos deles podem ser "esquecidos", quando representam um avanço, em detrimento de outros, que não seriam pesquisas sérias. Uso de inteligência artificial pode ajudar aqui, mas não resolve o problema.

O segundo aspecto é o custo de oportunidade. O foco da ciência agora é o Covid. Outras frentes de pesquisas relevantes, com malária e câncer, perderam seu status. O Nada es Grátis mostra que o número de publicações no Web of Science sobre malária diminuiu 36%, embora o número de mortos anuais desta doença seja de 405 mil (versus 300 mil do Covid. Ok, esta comparação é inadequada, mas destaca o argumento que não é possível deixar de lado a pesquisa sobre malária). A pesquisa sobre câncer caiu 21%.

26 abril 2020

Concurso CAF de ensaios universitários: ideias para o futuro


O CAF — banco de desenvolvimento da América Latina — abriu as inscrições para o concurso de ensaios universitários "Ideias para o futuro", que tem como objetivo reunir a visão dos jovens universitários sobre os desafios para o desenvolvimento da América Latina e o Caribe.

O concurso premiará o melhor ensaio em âmbito nacional para, posteriormente, escolher os três melhores ensaios ao nível ibero-americano. Os ganhadores ao nível ibero-americano apresentarão seus ensaios na Conferência CAF, que será realizada na Cidade do México em novembro de 2020, e poderão receber os seguintes prêmios:

Prêmio Guillermo Perry: USD 3.000 (três mil dólares dos Estados Unidos).
Segundo colocado: USD 2.000 (dois mil dólares dos Estados Unidos).
Terceiro colocado: USD 1.000 (mil dólares dos Estados Unidos).

Temática:
A temática dos ensaios deve ser centrada nos desafios de desenvolvimento enfrentados pela América Latina e o Caribe. Seguem algumas perguntas que servem de orientação para elaborar os ensaios:
  • Como podemos preparar nossos países para combater e recuperar-se, com maior rapidez, diante de crises sociais, econômicas ou de saúde?
  • Como os países da América Latina e do Caribe podem evitar cair na armadilha da renda média?
  • Como equilibrar a agenda social com a estabilidade econômica?
  • Como estabelecer mecanismos adequados para a expressão do descontentamento social?
  • Quais são as áreas mais urgentes para acelerar o desenvolvimento da América Latina?
  • Como conseguir que as PME latino-americanas sejam mais competitivas e ofereçam emprego de melhor qualidade?
Critérios para participação:
  • Idade entre os 18 e 29 anos (nascidos estritamente entre 31 de dezembro de 1990 e 1º de janeiro de 2002).
  • Jovens estudantes universitários de graduação e pós-graduação de qualquer disciplina, inscritos em uma universidade de qualquer dos 19 países da CAF, com comprovante de matrícula (comprovante de aluno regular ou equivalente).
  • Não poderão participar desta convocação funcionários, estagiários, consultores, ex-funcionários e ex-consultores, seja da CAF ou dos Bancos Centrais, nem familiares de até segundo grau de consanguinidade dos funcionários da CAF e dos Bancos Centrais.
  • Os autores deverão apresentar, no máximo, um ensaio. A participação é estritamente individual.
  • Os participantes deverão enviar seus ensaios pela página caf.com/pt, preenchendo todos os campos expressamente declarados obrigatórios.
Fonte: http://ideasparaelfuturo.caf.com/pt, enviado por Jaqueline Sales, a quem agradecemos.

22 abril 2020

Pedido de desculpas

Depois de analisar um artigo elaborado por pesquisadores de Stanford, Gellman (induzido por Rushton) foi duro:

Eu acho que os autores do artigo acima devem um pedido de desculpas. Perdemos tempo e esforço discutindo este artigo, cujo principal ponto de venda eram alguns números que eram essencialmente o produto de um erro estatístico.

Estou falando sério sobre o pedido de desculpas. Todo mundo comete erros. Eu não acho que os autores precisam se desculpar só porque estragaram tudo. Eu acho que eles precisam se desculpar, porque essas eram bobagens evitáveis . Eles são o tipo de confusão que acontecem se você quiser sair com uma descoberta empolgante e não prestar muita atenção no que pode ter feito de errado. (...)


Os autores deste artigo dedicam muito trabalho porque se preocupam com a saúde pública e desejam contribuir para uma tomada de decisão útil. O estudo obteve atenção e credibilidade em parte por causa da reputação de Stanford. É justo: Stanford é uma ótima instituição. Coisas incríveis são feitas em Stanford. Mas Stanford também pagou um pequeno preço pela divulgação deste trabalho, porque as pessoas vão se lembrar de que "o estudo de Stanford" foi elogiado, mas teve problemas. Portanto, há um custo aqui. O próximo estudo de Stanford terá um pouco menos desse banco de credibilidade para emprestar. Se eu fosse professor de Stanford, ficaria meio irritado. Então, acho que os autores do estudo devem um pedido de desculpas não apenas a nós, mas a Stanford.



Caramba. Foi pesado.

05 janeiro 2020

Retratações

O RetractionWatch é um site especializado em monitorar as retratações na pesquisa científica. É um trabalho notável e já usamos algumas das notícias do site aqui no blog (aqui, aqui e aqui). Ao fazer um levantamento de 2019, o site computou mais de mil retratações. Na verdade, mais de 1.433 (até meados de dezembro).

O site também fez uma lista de dez casos interessantes, que foi publicado na The Scientist. Entre eles selecionamos os seguintes:

a) A retratação de Eric Potts-Kant tem um valor específico: 112 milhões de dólares. O pesquisador, quando vinculado a Duke University, usou dados falsos nas suas pesquisas. E estas pesquisas foram usadas para pedir ajuda pública para a escola. O governo não gostou e cobrou da universidade.

b) O periódico Journal of Fundamental and Applied Sciences teve 434 retratações. Em maio, a Clarivante tirou o periódico do Web of Science.

c) O coreano Cho Kuk publicou em 2009 um artigo no Korean Journal of Pathology em co-autoria com sua filha, que era primeira autora.O detalhe que sua filha estava no ensino médio. Tempos depois, a filha de Cho Kuk estudou na Pusan National University, onde foi reprovada por duas vezes nos exames e recebeu 10 mil dólares de auxílio financeiro.  

d) Em 2017 dois indianos publicaram um artigo no CrystalEngComm. O artigo tinha uma grande semelhança com um manuscrito submetido em outro periódico, Dalton Transactions, onde um dos autores tinha sido parecerista.

28 novembro 2019

Quando a amostra pode

Um artigo sobre o uso de denuncia por parte dos reguladores em valores mobiliários mostrou que estas denúncias terminam por gerar uma punição mais elevada para as empresas e funcionários envolvidos, além de prisões mais longas. Além disto, o processo no regulador é mais ágil. Assim, as denúncias são relevantes para a investigação de fraudes financeiras.

Isto foi publicado no Journal of Accounting Research, um dos melhores periódicos contábeis. Este periódico disponibilizou os dados dos autores, como é cada vez mais comum no periódicos de melhor nível.

Usando os dados, outro pesquisador, Kuvvet (2019) fez algo interessante. Como denúncias de fraudes não são eventos normais nas empresas - aparece em 20% da amostra do trabalho original - ele observou que eliminando as 11 principais empresas, ou menos de 1% da amostra, mas com maiores penalidades, o efeito obtido por Call et al no trabalho original desaparecia. Isto é bastante interessante. Kuvvet mandou sua crítica para o JAR que não publicou. Mas o argumento de Kuvvet pode ser encontrado aqui.

O assunto para este blogueiro em um comentário encaminhado à Andrew Gelman, um especialista em estatística.

21 novembro 2019

Custo de Formatação de um artigo - Parte 2

Anteriormente divulgamos uma pesquisa sobre o custo de formatação de um artigo:

Uma pesquisa realizada por cientistas canadenses encontrou o tempo que se gasta para fazer este trabalho. Usando mais de 300 respondentes, o pesquisadores descobriram o tempo por artigo submetido e a quantidade de artigos. Além disto, solicitaram o valor da renda anual. Considerando uma carga de trabalho anual de 1950 horas, a pesquisa obteve que o custo anual de formatação de artigos é de ...1.908 dólares. Por artigo, o custo seria perto de 500 dólares ou 477 dólares.

Outra pesquisa (via aqui) mostra que o custo de reformatação de um artigo é de 1,1 bilhão de US$ por ano. Para isto, os autores usaram 203 autores e multiplicaram o número de horas pelo salário/hora e o número de submissões. Isto inclui alteração dos resumos, das figuras, contagem de palavras, inserção de dados, entre outros. Um outro problema é que a reformatação também atrasa a publicação do artigo - de três meses ou mais, em 1/5 dos artigos e um atraso de um a três meses em mais de 1/3 dos artigos.

E muitos artigos são rejeitados. Assim, a formatação não "agrega valor". E qual o benefício disto? Veja que isto também se aplica aos congressos.

05 fevereiro 2019

Como maximizar sua pesquisa: submeta na terça. Nunca aos domingos.

Em 2016, uma pesquisa verificou se existia relação entre o dia da submissão de um artigo em um periódico e a sua aceitação. Usando dados da Serbian Chemical Society de 596 artigos, a pesquisa concluiu que a maioria dos trabalhos era submetida na quarta, mas a melhor proporção de aceitação ocorria com os trabalhos submetidos na terça. Os trabalhos submetidos no sábado ou no domingo geralmente eram rejeitados.

No ano passado, uma pesquisa examinou mais de 70 mil artigos aceitos na revistas Physica A , PLOS ONE, Nature e Cell. Em todos os quatro periódicos existia o efeito do dia da semana. Os artigos submetidos no final de semana era aprovados em uma proporção de 6%; os submetidos durante a semana tinham uma taxa de aceitação de 17,5%.

Qual a razão? Ainda não está claro se o efeito religioso afeta. Será que o pesquisador que submete no sábado ou domingo observa mais o custo de oportunidade entre trabalhar mais no artigo versus assistir a partida de tênis na televisão?

Adaptado daqui

24 dezembro 2018

A importância dos resultados nulos

Um trabalho publicado na plataforma PsyArXiv indica que a proporção de pesquisas que não conseguem confirmar hipóteses formuladas por seus autores é maior do que se calculava – e sugere que o expediente de descartar ou omitir esses resultados negativos por considerá-los irrelevantes sobrevaloriza os achados positivos e pode produzir vieses. Os psicólogos Chris Allen e David Mehler, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, avaliaram pela primeira vez uma prática que vem ganhando espaço para dar mais transparência ao processo científico: a publicação em revistas especializadas dos chamados relatórios registrados, um tipo de paper que apresenta métodos e planos de análise de uma pesquisa ainda não iniciada, mas que foram avaliados por pares. Posteriormente, essas revistas se comprometeram a publicar os resultados, mesmo que sejam nulos ou inconclusivos, o que permite comparar a ambição do projeto com o seu desfecho.

Ao analisar 113 desses relatórios, que envolviam experimentos em ciências biomédicas e psicologia, a dupla de pesquisadores contabilizou 296 hipóteses formuladas – e observou que 61% delas não foram confirmadas pelos resultados alcançados. De acordo com os dois autores, a literatura científica considerava uma proporção em um patamar bem inferior, entre 5% e 20% de resultados negativos. Existem hoje cerca de 140 periódicos que registram previamente objetivos de pesquisas e depois divulgam os resultados, sejam eles quais forem. Boa parte dessas revistas cataloga protocolos de ensaios clínicos de medicamentos e novas terapias, que, por imposição da legislação dos Estados Unidos, precisam ser registrados antes de sua realização. O cuidado em oficializar os objetivos de um experimento científico previne práticas viciadas, como a modificação extemporânea de hipóteses para adaptá-las a dados já encontrados, ou ao menos evita que resultados negativos sejam esquecidos.


Continue lendo aqui

27 setembro 2018

Pesquisa online é representativa

Nos dias atuais é muito comum as pesquisas acadêmicas serem realizadas pela internet. A grande vantagem é a facilidade de aplicação dos instrumentos de pesquisa e o baixo custo. O grande problema é saber se os resultados podem ser inferidos para a população. Em especial, existe um universo de pessoas que não estão online e que não são alcançadas por estas pesquisas. Um pesquisa aponta que este problema é real:

A general concern with the representativeness of online surveys is that they exclude the “offline” population that does not use the internet. We run a large-scale opinion survey with (1) onliners in web mode, (2) offliners in face-to-face mode, and (3) onliners in faceto-face mode. We find marked response differences between onliners and offliners in the mixed-mode setting (1 vs. 2). Response differences between onliners and offliners in the same face-to-face mode (2 vs. 3) disappear when controlling for background characteristics, indicating mode effects rather than unobserved population differences. Differences in background characteristics of onliners in the two modes (1 vs. 3) indicate that mode effects partly reflect sampling differences. In our setting, re-weighting online-survey observations appears a pragmatic solution when aiming at representativeness for the entire population.

Observe que os pesquisadores apresentaram uma possível sugestão para resolver este problema de representatividade, através de uma ponderação.

GREWENIG, Elisabeth et al. Can Online Surveys Represent the Entire Population?, Set, 2018. Iza Papers

22 setembro 2018

Autores prolíferos

Um artigo da Nature investiga autores que publicam muito. Por publicar muito isto equivale a ter 72 artigos em um ano ou um artigo para cada 5 dias. Usando a base Scopus, o texto tem algumas conclusões interessantes:

* Entre 2000 e 2016, mais de nove mil pessoas conseguiram atingir esta meta;
* Deste total, 86% publicaram em física. Nesta área, é muito comum a publicação com grandes equipes internacionais de projetos, algumas delas com mais de mil pessoas. Retirando esta área, sobraram 909 autores.
* Em razão dos nomes chineses e coreanos similares, foram excluídos, restando 265. Este número representa um crescimento de 20 vezes, entre 2001 a 2014.
* Do que sobrou, metade eram das ciências médicas e da vida
* O cientista de materiais Akihisa Inoue, ex-presidente da Tohoku University no Japão e membro de várias academias de prestígio, se destaca: detém o recorde. Ele este classificado como hiperprolífico entre 2000 e 2016. Desde 1976, seu nome aparece em 2.566 artigos completos.
* O país com maior número de autores é os EUA, com 50. Destaque para Malásia (13) e Arábia Saudita (7).
* A Erasmus University Rotterdam, na Holanda, teve nove autores hiperprolíficos

29 junho 2018

Pesquisando artigos

A seguir, um conjunto de links que um pesquisador pode usar para pesquisar artigos:

Google Acadêmico
1Findr
Dimensions
Microsoft Academics
World Cat 
My Science Work 
Science Open
Semantic Scholar
Unpaywall 
Lean Library
Anywhere access

Baseado aqui 

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Scopus
Sci Hub (Este site, por não respeitar as leis de direitos autorais, pode mudar seu link)

05 junho 2018

Golpe do artigo a ser publicado

O site Retraction Watch revela uma série de golpes contra pesquisadores interessados em publicar suas pesquisas. Os pesquisadores geralmente recebem um e-mail fraudulento de alguém anunciando serviços para aqueles que estão com problemas. Um dos e-mails era de alguém que se dizia amigo do editor. Outro, cobrando uma taxa de submissão e publicação. Em outro, comentários de revisores falsos e em seguida um e-mail de aceitação com um contato.

Os problemas são agravados pelo fato dos pesquisadores não revelarem que caíram no golpe: vergonha ou medo de uma retaliação de um comitê de ética. Muitos dos problemas ocorreram no Irã, China, Rússia ou Ucrânia. A solução para o problema, segundo o site, é “os editores forem mais explícitos sobre o que acontecerá durante o processo de submissão e revisão por pares, os autores terão uma melhor compreensão de quando as promessas são boas demais para ser verdade.

18 maio 2018

Excesso de informação científica

Nos dias de hoje não podemos reclamar do acesso as informações de pesquisas publicadas recentemente. Entretanto, em muitos casos, estas informações são mera distrações para o que é realmente importante. Um texto de Anne-Wil Harzing oferece alguns conselhos para se manter atualizado nas novas publicações relevantes, aproveitando o que a internet tem de melhor a oferecer.

Harzing começa lembrando do tempo onde a sobrecarga de informação não era um problema expressivo. As pesquisas envolviam ir à biblioteca e folhear os periódicos disponíveis. E no caso de interesse, tirar cópia dos artigos. E somente dos artigos relevantes, já que o custo era elevado.

Nos dias atuais, estamos estressados com medo de perder a última novidade. Entre as dicas citadas, gostei da discussão sobre “redes sociais”. De pronto, não confunda vida pessoal do cientista com pesquisa científica. Muitas vezes seguir um pesquisador em uma rede social não garante que você tenha acesso as novidades da ciência. Pelo contrário, talvez você fique sabendo que o professor gosta de vinho ou que estava na praia lendo um livro. Veja o que Harzing diz sobre o ResearchGate:

“Não acompanho quase ninguém no ResearchGate e desabilitei 95% dos alertas, incluindo os alertas de seguidores que informam quando alguém lê ou cita seu artigo, bem como o tipo de alerta gratuito “você / seu papel é / é o melhor”. Mas mesmo assim, ainda recebo vários e-mails por semana, pois eles não têm uma função de "resumo". Os alertas de mídia social normalmente fornecem informações de baixa qualidade que desviam sua atenção de qualquer pesquisa em que você esteja trabalhando e o tenta a fazer login novamente para verificar toda a atividade. Isso é bom se sua intenção é distração e diversão, mas não se for para manter-se atualizado com pesquisas sérias.

01 fevereiro 2018

Quantidade x Qualidade na pesquisa científica

O bom pesquisador deve deixar de lado a quantidade e focar na qualidade? Uma pesquisa mostra que isto depende da área. Mas em geral,

há um retorno de qualidade positivo do aumento da produtividade. Um número maior de documentos resulta em números ainda maiores de artigos citados. Em outras palavras, estimular a produção de artigos importa e parece ser um incentivo positivo e não negativo aos pesquisadores. Sendo assim, os níveis de produção devem ser levados em consideração na avaliação de pesquisadores e organizações. Isso, é claro, não implica que a produção seja o único critério de avaliação relevante; mas que é relevante parece indiscutível.

O gráfico abaixo resume a relação por área: