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Mostrando postagens com marcador sabedoria da multidão. Mostrar todas as postagens
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16 março 2026

Mercado de previsão para diversificar carteiras

Tenho escrito muito sobre o mercado de previsão nas últimas postagens (aqui e aqui, por exemplo). Agora, um texto de Paul Kedrosky traz uma visão diferente sobre o tema. O foco são as apostas no Oscar e, segundo a informação apresentada, antes da cerimônia 100 milhões de dólares foram negociados em contratos. Somente na categoria de melhor filme o volume de apostas chegou a 30 milhões. É pouco, mas está crescendo.

Os apostadores usam dicas, como premiações anteriores e conversas de bastidores, para fazer seus lances.


O gráfico mostra as apostas para melhor ator, em que o então favorito Chalamet perdeu o favoritismo para Jordan quase na véspera da entrega do prêmio. Considerando que as votações foram encerradas no início do mês, o mercado fez uma correção bem rápida da projeção.

Mas o aspecto talvez mais importante do texto é que esses mercados estão atraindo a atenção de investidores por causa de uma palavra mágica: correlação. Tradicionalmente, quem investe em ações sabe que uma ação da empresa Alfa provavelmente terá correlação com a da empresa Beta. Desde que não seja uma correlação perfeita — algo muito raro na prática —, essa relação pode ajudar a reduzir o risco de uma carteira.

Correlação mais baixa é cada vez mais difícil de encontrar pelos investidores, em razão, entre outras coisas, da globalização dos mercados. Alguns investidores gostam de ter aplicações com correlação reduzida ou até negativa.

É aí que entra o mercado de apostas: trata-se de um investimento pouco correlacionado com ativos tradicionais.

23 fevereiro 2026

Mercado de aposta expande para questões geopolíticas


O mercado de apostas está crescendo e incorporando temas geopolíticos, constatou um texto da Rest of World. A principal plataforma de apostas, a Polymarket, mostra isso, conforme o gráfico da postagem. Se inicialmente era interessante consultar o site para saber a chance do Brasil ganhar a Copa do Mundo de futebol (9% de chance, hoje), hoje eventos como chance do Banco Central reduzir a taxa de juros em março (94%), um ministro do STF ser removido do cargo antes de 2027 (21%), Lula ser reeleito (53%) ou a inflação de 2026 estar entre 3,5 a 4% (49%) predominam. 

Em muitos casos, o contador precisa de dados objetivos e fontes razoáveis para sustentar suas previsões. Sabendo que a taxa de juros irá diminuir em março, isso pode alterar os valores usados no teste de impairment, por exemplo. Mesmo não usando os dados, é legal dar uma olhada. Agora o Polymarket está dizendo que a chance do Clube Atlético Mineiro ganhar do Grêmio na quarta, dia 25, é somente 29%, o mesmo percentual para o empate. 

23 dezembro 2022

Qual o próximo a falir?

Um site que criou apostas sobre a próxima empresa de cripto que irá falir. Eis parte do texto da Exame:

(...) O Vegas Odds, especializado em plataformas de apostas online, criou uma lista de probabilidades com os "favoritos" a serem os próximos a entrar em colapso entre as maiores empresas do mercado cripto, em especial as corretoras.


No mundo das apostas, as probabilidade, chamadas pelo termo em inglês “odds” em sites deste segmento, são as métricas utilizadas para medir as chances de algo acontecer e, claro, os potenciais ganhos para quem apostar nisso.

Na análise do Vegas Odds, a corretora cripto com maiores chances de falir é a Crypto.com, com odds de +200, o que significa que quem apostar R$ 100 nesta possibilidade, ganharia R$ 200 de lucro caso ela de fato se concretizasse. Depois, aparece a plataforma eToro, com odds de +275 (R$ 275 de lucro para cada R$ 100 apostados).

Nos sites de apostas, eventos com maior chance de acontecer pagam prêmios menores, enquanto aqueles mais improváveis, como a vitória de um time azarão, têm prêmios muito maiores.

Confira a lista com as probabilidades de ganho caso fosse possível apostar na próxima grande falência entre as principais corretoras cripto do mundo, segundo o site especializado:

• Crypto.com +200

• eToro +275

• KuCoin +350

• Bitfinex +400

• Gemini +500

• Robinhood +900

• Binance US +1200

• Kraken +1500

• Binance +2000

• Coinbase +2500

Meu comentário: isto é muito bom. Sites de apostas podem trazer informações privadas para o conhecimento geral. Para quem interessar, a leitura sobre a Sabedoria das Multidões, de James Surowiecki, pode ser uma boa indicação. 

16 dezembro 2021

Starups podem ajudar na lavagem verde?


Segundo Parmy Olson, da Bloomberg, a resposta seria sim. O aumento do interesse pela questão ambiental fez surgir a possibilidade de manipular os resultados ambientais de uma empresa, de um fundo ou de uma cadeia produtiva. Isto recebeu o nome de "lavagem verde". 

Como há muita manipulação sobre esta informação, alguns parâmetros começaram a surgir. Um dos mais relevantes é o nível do escopo. Uma poluição do escopo da própria empresa, nas suas fábricas ou nos seus escritórios, estão classificadas como sendo do escopo 1 e 2. Geralmente as empresas divulgam estas emissões. Entretanto, uma empresa também pode ser responsável por emissões de outras entidades que fazem parte da sua cadeia de valor e isto estaria no escopo 3. Veja um exemplo: a empresa deixa de fabricar um produto poluente e passa a terceirizar sua produção. A emissão pela produção vai para o escopo 3, não aparecendo nos relatórios ambientais. 

Segundo dados da Bloomberg, cerca de 75% das emissões mundiais estão no escopo 3. Por um lado, o fato do escopo 3 não está sendo evidenciado faz com que algumas empresas possam anunciar, com orgulho, que conseguirão ter negócios "limpos". Isto inclui empresas de petróleo, como BP e Shell, que não divulgam - ou não conseguem rastrear - o  escopo 3. Mesmo quando um funcionário da empresa usa o avião para fazer uma viagem, a emissão geralmente não aparece nos relatórios. Ou seja, mesmo o escopo 1 e 2 estão sujeitos a manipulação. 

Onde entra a starup? Sendo uma oportunidade de negócio, alguns empreendedores estão conseguindo desenvolver softwares para verificar a emissão do escopo 3 de uma empresa. É o caso da Normative, com sede na Suécia, ou a Persefoni, dos Estados Unidos. 

Mesmo com os esforços, o texto faz uma ressalva:

Ian Thomson, professor de contabilidade e sustentabilidade da Universidade de Birmingham, que pesquisa a contabilidade de carbono há 30 anos, desconfia de uma única grande empresa de consultoria ou empresa de nuvem, como a Salesforce, que vende software de contabilidade de carbono chamado Sustainability Cloud, dominando o mercado para contabilidade de carbono. "Você precisa da sabedoria da multidão", diz ele, por que há muitos detalhes complexos para resolver ao medir o carbono do escopo 3. "Vai ser difícil encontrar uma única solução. O diabo está nos detalhes".