Translate

Mostrando postagens com marcador depreciação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador depreciação. Mostrar todas as postagens

01 março 2021

Balanço de 1937 da Cia Antarctica

 

Eis o balanço da Companhia Antarctica Paulista, referente ao dia 31 de dezembro de 1937, publicado no O Observador Economico, ed. 027, de 1938. A empresa foi uma fabricante de cerveja conhecida, até ser adquirida pela Brahma para dar origem a Ambev. Há alguns pontos interessantes neste balanço:

(1) a ordem do ativo e do passivo (não tinha a terminologia "passivo e patrimônio líquido) é inversa. No caso do ativo, inicia-se com os valores imobiliários e a conta caixa está no final. No caso do passivo, inicia-se com Capital e Fundo de Reserva, do grupo Capital e Reservas, e finaliza com Porcentagem da Directoria. Em ambos os lados, as "contas compensadas"

(2) no ativo, o principal grupo são os imobiliários, com destaque para a instalação em São Paulo, no bairro da Mooca. Mais de 10% do ativo. O valor das instalações e máquinas neste imóvel também é elevado. Há a contabilização de "animais". Lembremos que estamos em 1937 e os animais eram usados 

(3) O valor de mercadorias é expressivo e há valores em caixa e selos dos impostos. Existe o grupo de Devedores em Conta Corrente e Títulos, que corresponderia aos Clientes dos dias atuais. Há um grupo chamado de "Valores Aleatórios", com subgrupo de Depósitos para Recursos Fiscais. O valor não é expressivo. 

(4) Do lado do passivo, metade do patrimônio líquido é capital. Boa parte do passivo é oriundo das operações, existindo um financiamento via Debêntures. 

(5) Junto, o Certificado dos Auditores - esta palavra "certificado" dá muita credibilidade, não? Moore Cross, Chartered Accountant, assinam que o balanço "demonstra a verdadeira situação financeira da Companhia naquela data". 

Não é divulgado uma demonstração de resultado ou algo próximo. Mas o relatório da diretoria é bastante amplo. A primeira página encontra-se a seguir:

O primeiro item do Relatório é "impostos". A empresa reclama da carga tributária e afirma que pagou mais imposto que o próprio capital da Companhia. Mais ainda, os impostos pagos em cinco anos foi mais de 10 vezes o volume de dividendos distribuídos. (Parece uma versão antiga da DVA). A página seguinte do relatório trata de outros assuntos:
Os títulos desta página são: Cultivo de Cevada e Lúpulo, Leis Sociais, Empréstimos por debêntures, Negócios em Geral e Distribuição dos Lucros. Com respeito a isto há um texto indicando um lucro bruto, que deduzida "despesas e encargos", inclusive "depreciação, ficou a sobra de (...)". Por sinal, o lucro líquido é bastante adequado: 7/61. [Achei bem interessante a presença da depreciação]

Na página seguinte, na continuação, a empresa apresenta a distribuição deste lucro, entre dividendos, provisão para liquidações. E o item chamado "O Malogro de Tentativas Manhosas", onde a diretoria descreve uma tentativa de um inventariante de ocupar um cargo na direção da empresa. 

20 novembro 2018

Reduzindo imposto com a Depreciação

Em outubro deste ano, o jornal New York Times publicou o resultado de uma investigação sobre os negócios de Jared Kushner, o marido da filha do presidente Donald Trump. O resultado foi que Kushner (foto com Trump) pagou poucos impostos entre 2009 a 2016. Achei bastante curioso o seguinte trecho destacado no Business Insider:

They found that he and his family's New York real-estate firm used a common tax deduction known as depreciation, which is designed to protect property owners from an asset's gradual decline in value.


Para um contador, a depreciação parece algo tão natural e normal. Espanta ver uma investigação jornalística chamar a atenção para seu uso para fins de dedução do imposto de renda. Mas pensando em termos históricos, o uso da depreciação não é tão antigo assim.

(É bem verdade que o texto destaca que o uso da depreciação é permitido por lei)

02 maio 2017

Curso de Contabilidade Básica: O significado da Taxa de Depreciação

Os ativos imobilizados de uma empresa sofrem depreciação ao longo da sua vida útil. Este é um caso de despesa diferida, conforme estudamos no livro “Curso de Contabilidade Básica”, capítulo 4 do primeiro volume. O lançamento no ajuste, debitando despesa de depreciação e creditando depreciação acumulada, permite reconhecer no resultado o uso do imobilizado ao longo do período e, ao mesmo tempo, revelar o impacto sobre o ativo, reduzindo o montante existente no balanço patrimonial.

Por ser uma despesa relevante, a depreciação é registrada no balanço patrimonial numa conta específica. Isto permite que o analista tenha uma ideia da idade do imobilizado. Se uma empresa possui as seguintes informações em seu balanço:

Máquinas e Equipamentos 25.000
( - ) Depreciação Acumulada (5.000)

Sabendo que a despesa de depreciação no exercício foi de 2.500, podemos fazer os seguintes cálculos:

Idade Prevista para o Ativo = 25.000 / 2.500 = 10 anos
Idade Remanescente para o Ativo = 10 anos - (5.000/2.500) anos = 8 anos

Assim, neste exemplo hipotético, o imobilizado possui 10 anos de idade prevista, sendo que a idade que falta para que o imobilizado seja substituído é de 8 anos. Em outras palavras, daqui a 8 anos a empresa deverá substituir suas máquinas e equipamentos.

Outra forma de apresentar o dado é através da taxa de depreciação, expressa em percentual. No exemplo apresentado, a taxa é de 10% ou

Taxa de Depreciação = 2.500 / 25.000 = 10%

A partir desta informação é possível calcular a idade prevista:

Idade prevista para o Ativo = 1 / 10% = 10 anos

Vamos agora calcular isto para uma empresa real. Considere o balanço da Eldorado Brasil. As informações divulgadas pela empresa são as seguintes:

Prédios e Edificações
Taxa anual de depreciação = 3,84%
Custo = 1.094.689 mil
Depreciação Acumulada = 126.718 mil
Líquido = 967.971 mil

Neste caso, para os ativos da Eldorado poderemos obter as seguintes informações:

Idade prevista = 1 / 3,84% = 26,04 anos
Despesa de Depreciação Anual = 3,84% x 1.094.689 = 42.036
Idade Remanescente = 26,04 anos - (126.718 / 42.036) = 26,04 - 3,01 = 23,03 anos

Perceba também que não houve informações sobre valores residuais. Valor residual é o valor que se obteria em uma venda do ativo, após o período de utilização na empresa. Quando você adquire um veículo, estima-se que você irá utilizá-lo durante alguns anos e depois revende a outra pessoa. O valor que você obtém na venda do seu veículo usado é o valor residual. Ou seja, ao final dos 23 anos, infere-se que a Eldorado provavelmente deverá aposentar esses ativos (e não vendê-los), dado que seu valor residual seria zero.

24 fevereiro 2017

Dois pontos na contabilidade de uma seguradora

Dois pontos chamaram a atenção nas demonstrações da Assurant Seguradora. Primeiro, a honestidade de admitir que utilizam as taxas de depreciação da receita. A questão do uso da taxa fiscal sempre foi um exemplo de como a contabilidade de “sujeitava” as normas da receita federal. Na introdução das normas internacionais, imaginava-se que as empresas iriam passar a utilizar suas próprias taxas e que isto aproximaria o valor contábil de uma mensuração mais adequada. O problema é que a mensuração da depreciação é muito cara e, ao mesmo tempo, imprecisa. Vale a pensa gastar dinheiro para fazer uma mensuração deste tipo ou não seria melhor usar um valor que ninguém questionaria, mesmo sendo da receita federal? A resposta é óbvia: usa-se a taxa de depreciação fiscal. A Assurant fez isto e disse com todas as letras:

(Além disto, o imobilizado da empresa é de 3.7 milhões para um ativo de 794 milhões; em outras palavras, é pouco expressivo)

O segundo ponto que chamou a atenção foi uma nota explicativa. Geralmente a empresa detalha na nota explicativa aquilo que foi apresentado no balanço e demonstração do resultado. E a empresa colocou um nota 6 no item Disponível, do ativo circulante. Na nota explicativa aparece o seguinte:


13 agosto 2014

Curso de Contabilidade Básica: Depreciação

A taxa de depreciação deve ser determinada pela empresa conforme o tipo de ativo e a maneira como a empresa o utiliza. Para evitar exageros, e com isto reduzir muito imposto de renda que seria pago pelas empresas, a Secretaria da Receita Federal já chegou a estimar a taxa de depreciação máxima. Como a taxa de depreciação é importante na determinação do resultado da empresa, em geral as empresas apresentam nas notas explicativas a taxa usada.
Veja o caso da Riachuelo, referente às informações do segundo trimestre de 2014. Nas notas explicativas a empresa informa a vida útil considerada para cada um dos grupos do imobilizado: veículos = 5 anos; móveis e utensílios = 5 ou 10 anos; máquinas = 16,6 anos; instalações = 20 anos; imóveis, exceto terrenos = 25 anos. Para obter a taxa de depreciação utilizada basta dividir a unidade pelo número de anos. Assim, a taxa de veículos é de 20% ou 1/5.


Esta taxa não precisa ser constante ao longo do tempo. A própria Riachuelo utilizou taxas diferentes para os edifícios: até 2012 era de 4% e após esta data 2,1277%.

(É interessante que a empresa comenta que contratou, em 2013, uma empresa especializada em reavaliação e que já utilizou, a partir do dia 1/1/2013 uma nova taxa). (Até as informações trimestrais de 2013 a empresa informava que a última revisão do imobilizado tinha ocorrido em 2012 e que não tinha ocorrido alterações na vida útil adotada em 2012. Mas no relatório anual, a informação anterior aparece: será que a revisão ocorreu no último trimestre? Se sim, o efeito foi retroagido para todo o ano de 2013?) 

23 maio 2014

Curso de Contabilidade Básica: Depreciação e Investimento

No longo prazo, uma empresa deve fazer investimentos pressupondo a continuidade dos negócios. Isto significa, entre outras coisas, que os aportes de recursos em ativos de longo prazo devem ser em quantidade suficiente para cobrir a redução na sua capacidade de gerar benefícios econômicos. Esta regra é difícil de ser acompanhada pelo usuário, mas existem dois atalhos interessantes.

O primeiro é verificar a vida útil estimada dos ativos. Se esta vida útil está diminuindo ao longo do tempo, a empresa deverá fazer um grande volume de investimento num futuro próximo. O segundo é fazer uma comparação entre o total de depreciação anual e os investimentos realizados no ano. Se a depreciação for consistentemente superior ao investimento é um sinal de que será necessário fluxo de caixa futuro com as atividades de investimentos.

Veja o caso da Cristal Pigmentos. Em 2013 o valor da depreciação e amortização foi de 30 milhões de reais, aproximadamente o mesmo valor de 2012. Como o imobilizado líquido era de 127 milhões, isto significa dizer que em 4 anos o imobilizado da empresa estaria todo depreciado (neste valor deveria ser retirado o montante de Terrenos e Obras em Andamento, mas isto teria pouco impacto). Em 2012 este valor era de 4,7 anos. Antes disto, era de 5,7 anos em 2011 e 6,1 anos em 2010.

Ou seja, claramente a empresa não está fazendo investimentos em máquinas, edifícios, instalações e outros itens do seu permanente.


14 maio 2014

Curso de Contabilidade Básica: Vida útil do ativo

Uma das grandes preocupações que o usuário da informação contábil deve ter ao analisar uma indústria é certificar a vida útil do ativo. Quando uma empresa possui ativos novos, a vida útil será longa. Isto pode resultar numa tranquilidade em termos de novos investimentos. Neste caso, os investimentos serão realizados somente se houver uma expansão. Já quando a vida útil é baixa, torna-se necessário fazer investimentos nos ativos de longo prazo, em particular máquinas e equipamentos. A expansão pode representar uma redução de pagamento de dividendos.

O cálculo da vida útil pode ser apresentado pela empresa nas notas explicativas ou pode ser obtida pelo usuário, desde que tenha acesso a informação da despesa de depreciação e do valor líquido do ativo. Para ilustrar este cálculo, considere o exemplo da Companhia Industrial Cataguases no seu relatório de final de 2013. A empresa informa, na página 21, que a vida útil de máquinas e equipamentos é de 11,1 anos:

Para verificar estes valores, vamos observar o quadro resumo do imobilizado, geralmente publicado nas notas explicativas. A figura a seguir apresenta os valores:

A depreciação do ano de máquinas e equipamentos foi de R$4476 mil, para um ativo líquido de 52722 mil. Para determinar a vida útil estimada de máquinas e equipamentos, basta dividir o ativo líquido pela despesa de depreciação. No nosso exemplo:

52722 / 4.476 = 11,78 anos

Que é um valor bastante aproximado daquele informado pela empresa. Podemos fazer o mesmo com edificações:

24321/1631 = 14,91

Que é um valor um pouco menor do que aquele informado pela empresa (18,2 anos).

13 maio 2014

Alteração na depreciação e amortização

O Iasb promoveu duas alterações nas normas IAS 16 (Property, Plant and Equipment) e IAS 38 (Intangíveis), no aspecto sobre depreciação e amortização. As alterações tendem a explicar que o padrão esperado de consumo dos benefícios econômicos futuros de um ativo é o princípio para a depreciação e amortização, informou o Journal of Accountancy.

16 março 2014

Idade da Estrutura

A figura mostra a idade média de algumas infraestrutura de Nova Iorque. O terminal de La Guardia possui 50 anos; as pontes, 63 anos; e alguns itens do metrô, quase cem anos. Depreciados?

06 janeiro 2014

História da Contabilidade: Depreciação e Fisco na década de 60


Estamos tão acostumados com o nosso padrão atual de contabilidade que estranhamos quando deparamos com informações antigas. Isto também é válido para as normatizações. A depreciação é uma prática contábil que mereceria um estudo mais aprofundado da sua evolução no tempo. Parte significativa de sua utilização se deve a norma fiscal e aos benefícios em termos de pagamento de imposto resultante de seu reconhecimento. Tanto é assim que usamos, quase que automaticamente, as taxas de depreciação recomendadas pelo fisco.

Outro aspecto curioso refere-se a sua localização dentro do balanço patrimonial. Nos dias atuais a depreciação acumulada é considerada uma conta redutora do permanente. Em termos contábeis, trata-se de uma conta de ativo, com saldo credor. No passado, entretanto, a depreciação chegou a ser considerada uma conta do passivo. Veja o que diz uma norma do fisco de 1965:

A depreciação acumulada deverá figurar no passivo não exigível, em correspondência com as contas ou subcontas de ativo imobilizado. (1)

É interessante notar que neste período, as taxas de depreciação deveriam ser determinadas pelo Instituto Nacional de Tecnologia, conforme esta norma de 1958:

O Instituto Nacional de Tecnologia fixará os critérios para determinação da vida útil das máquinas e equipamentos, para cada tipo de indústria, subsistindo os critérios atuais até que sejam fixados os atos competentes do referido Instituto. (2)

Um aspecto também relevante é que a depreciação já incidia sobre o valor corrigido do bem, conforme esta legislação:

No cálculo das quotas anuais de depreciação ou amortização para efeitos do Impôsto de Renda, considerar-se-á o valor da aquisição o valor original dos bens (3)

Referências
(1) O Estado de S Paulo, 10 de fevereiro de 1965, ed 27549, p. 19.
(2) Lei 3470, de 28 de novembro de 1958
(3) Lei 4357, de 16 de julho de 1964. Vide também a Lei 4.506, de 30 de novembro de 1964. Note o leitor que ambas as leis são posteriores a mudança de governo ocorrida em 1964.

09 janeiro 2012

Teste 537

Nem tudo que está na internet é de boa qualidade. Eis um exemplo: no Yahoo Respostas alguém perguntou: “Quantos anos de depreciação de uma imóvel?”. A resposta, escolhida por votação, foi a seguinte: “Imóvei são bens que não se calcula Depreciação. Somente pode aconteçer casos raros de desvalorização em local isolado. Por algum motivo inesperado.”

Está certo ou errado?

Resposta do Anterior: Entidade

22 dezembro 2011

Efeito Sêneca

Sêneca foi um intelectual romano, que viveu no tempo de Nero. Por ordem deste, foi obrigado a cometer suicídio, cortando os pulsos.

O efeito Sêneca tem sua origem numa frase do próprio que afirmou: o crescimento é lento, mas o caminho para ruína é rápido.

Em 1956 Marion Hubbert descreveu um modelo para projeção da produção de petróleo. O modelo se mostrou bastante prático para descrever o que acontecia com as reservas de recursos minerais, bem como recursos não renováveis.

Uma possível explicação para o efeito Sêneca decorre do fato de que uma empresa que extrai um recurso mineral inicialmente utiliza as melhores reservas, ou seja, aquelas mais rentáveis em termos dos custos de extração. Com o esgotamento destas reservas, passa-se a exploração das áreas mais custosas. Entretanto, como o lucro cai, reduz a capacidade de investimento nas reservas de maior custo de exploração. Isto pode explicar a redução da produção.

Para contabilidade é interessante compreender estes modelos preditivos para estimar, por exemplo, a carga de exaustão de um recurso mineral. Neste sentido, ao invés de um modelo linear seria interessante o desenvolvimento de modelos mais adequados. Lembrando, no modelo linear a capacidade de produção de uma mina é exaurida proporcional a quantidade produzida em cada período. Entretanto, o efeito Sêneca parece indicar que isto não funciona desta forma.

Leia mais em The Seneca effect: why decline is faster than growth 

06 dezembro 2011

IFRS

Um texto do Valor Econômico de ontem comentava sobre a influência fiscal existente ainda nos balanços das empresas:

Passado praticamente um ano da adoção completa do padrão contábil internacional IFRS pelas companhias abertas do Brasil, prossegue a resistência de se aplicar o preceito da essência sobre a forma nos balanços. "Ainda se nota a influência fiscal nas práticas contábeis", diz Alexsandro Broedel, diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), citando como exemplo o prazo de depreciação de máquinas e equipamentos das empresas.


Mesmo sendo explícito que a perda de valor desses bens deva ser registrada conforme sua vida útil econômica, a maior parte das empresas optou por manter as antigas taxas fornecidas pela Receita Federal. Veículos passam a valer zero no balanço após cinco anos, máquinas e equipamentos duram de cinco a dez anos e imóveis são depreciados a uma taxa anual de 4%. Broedel destaca que a prática foi mantida mesmo com o Fisco tendo deixado claro que as empresas poderiam seguir usando sua tabela só para fins tributários. (...)

Balanços (ainda) pro forma - Fernando Torres - Valor Econômico - 05/12/2011

Apesar do assunto ser interessante é importante ressalvar que o termo "pro forma", em contabilidade, está associado a um tipo de demonstração contábil que não se enquadra nos princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP), mas que a empresa divulga por achar que reflete melhor seu desempenho. Entretanto, com o uso excessivo, as demonstrações pro forma passaram a ter um sentido negativo, próximo a manipulação.

31 outubro 2011

Preço de Veículos 2

Em postagem anterior fizemos um comparativo sobre o preço de veículos, Para finalizar, tomei os preços dos automóveis usados em 2010 em relação a 2011 e fiz a comparação com o percentual de desvalorização em cinco anos.

Existe uma relação de 0,211 entre o índice de desvalorização do primeiro ano e o índice de desvalorização em cinco anos. Ou seja, o veículo que se desvaloriza mais no primeiro ano tem mais chance de ser aquele mais desvalorizado em cinco anos. Entretanto, apesar de significativa, a relação realmente não é tão forte quanto esperava.

Além disto, esperava que o índice de desvalorização no primeiro ano fosse maior que a média dos cinco anos. Isto realmente ocorreu para 61% dos cados (73 em 119), mas indica que nem sempre a desvalorização maior ocorre nos primeiros anos.

28 outubro 2011

Preço de Veículos


Fiz uma análise na tabela de preços de veículos usados do jornal Estado de São Paulo (edição de 23 de outubro de 2011). Nestes cálculos considerei somente o preço de 2011 e o preço de 2007, o último disponibilizado pelo jornal. Somente os automóveis com os dois preços foram considerados nos cálculos abaixo. A amostra totalizou 120  veículos de diferentes marcas e valores. O automóvel de maior preço inicial tem um valor de 270 mil reais para o comprador: um BMW X5 Sport. O de menor preço custa 21.600, um Uno Mile sem muito luxo.

Inicialmente o meu interesse era verificar qual seria a taxa de depreciação mais adequada para este tipo de ativo. Comparando o preço em 2011 e o preço em 2007 teria uma aproximação desta informação. O valor médio obtido foi de 31%. Considerando que temos quatro anos de uso, isto significa uma desvalorização média anual de 7,72%. Isto corresponde a uma vida útil estimada de 13 anos, aproximadamente. (Esta informação deve ser tomada com um certo cuidado, já que existem outros fatores que não foram levados em consideração. Por exemplo, o preço de um automóvel tende a reduzir mais nos primeiros anos. Irei comentar sobre isto em outra postagem)

O problema é que esta taxa sofre muita variação. Um Celta, da Chevrolet, teve uma desvalorização de 16,73% no período de quatro anos, a menor da relação. Já o Accord EX sofreu uma desvalorização de 57%, o que é um valor bastante expressivo. Além disto, a desvalorização também variou conforme a marca. Assim, os automóveis da General Motors desvalorizaram 24% em média, um pouco abaixo da Ford, Fiat e Volkswagen (em torno de 28%), mas distante da Honda (39%). Nesta estatística só considerei as empresas com mais de cinco automóveis na amostra.

Um aspecto interessante é que o valor da desvalorização possui uma relação estatística forte com o preço inicial (R2 = 0,508, vide gráfico a seguir). Ou seja, automóveis mais caros são aqueles que mais se desvalorizam.

Além da correlação, fiz um teste simples para verificar isto. Selecionei os trinta automóveis mais baratos e o trinta com o preço inicial mais elevado. Enquanto os veículos com preços menores sofriam uma desvalorização média de 23,36%, aqueles com maiores preços têm uma perda de 36,26%. Para ter certeza que os valores são diferentes, fiz um teste estatístico bem simples chamado teste de média. O resultado mostrou que realmente os valores são diferentes.

Observe que como o valor médio dos automóveis mais caros é de quase 140 mil reais, a desvalorização adicional, de 18 mil reais, corresponde a quase um automóvel Mille.

A razão para esta perda é fácil de ser explicada: os veículos usados mais caros geralmente não possuem um mercado comprador expressivo. Assim, a diferença na desvalorização pode ser explicada pela baixa liquidez do automóvel mais caro.

Assim, na próxima compra do seu automóvel, pense que um carro de maior preço possui uma perda na desvalorização.