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27 dezembro 2025

Determinação da depreciação de GPU e discussão sobre vida útil

Recentemente um investidor, Michael Burry, acusou a empresa Nvidia de adotar uma política contábil agressiva. O foco de Burry foi a depreciação, que na sua visão deveria adotar uma vida útil estimada de dois ou três anos, em lugar dos cinco ou seis que a empresa estaria adotando. 

Sabemos que maior vida útil, menor a depreciação e maior o lucro.  Recentemente a Amazon reduziu a vida útil dos GPU e a Meta aumentou a vida útil, em movimentos opostos. 


Eis a nota explicativa da Amazon sobre o assunto: 

Com vigência a partir de 1º de janeiro de 2025, alteramos nossa estimativa da vida útil de uma parte de nossos servidores e equipamentos de rede de seis anos para cinco anos. A redução da vida útil decorre do ritmo acelerado de desenvolvimento tecnológico, especialmente nas áreas de inteligência artificial e machine learning. O efeito dessa mudança de estimativa no terceiro trimestre de 2025, com base nos servidores e equipamentos de rede incluídos em “Imobilizado, líquido” em 30 de junho de 2025 e naqueles adquiridos nos três meses encerrados em 30 de setembro de 2025, foi um aumento de US$ 392 milhões nas despesas de depreciação e amortização e uma redução de US$ 298 milhões no lucro líquido, ou US$ 0,03 por ação básica e US$ 0,03 por ação diluída, impactando principalmente o segmento AWS. Já o efeito dessa mudança de estimativa nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2025, com base nos servidores e equipamentos de rede incluídos em “Imobilizado, líquido” em 31 de dezembro de 2024 e naqueles adquiridos nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2025, foi um aumento de US$ 889 milhões nas despesas de depreciação e amortização e uma redução de US$ 677 milhões no lucro líquido, ou US$ 0,06 por ação básica e US$ 0,06 por ação diluída, impactando principalmente o segmento AWS.

A determinação da vida útil é uma estimativa contábil, baseada em julgamento. Assim, uma eventual mudança faz parte da estimativa e pode inclusive acontecer que uma empresa reduza a vida útil de um ativo (Amazon, no caso da GPU) e outra aumente (Meta, idem), sem que seja algo próximo a fraude ou erro. Parte da estimativa é fruto do aprendizado e conhecimento de uma tecnologia, que no caso inclui uma nova geração de Chip. 

E o surgimento de uma nova tecnologia, como um novo tipo de chip, pode alterar esse conhecimento.  

Imagem aqui 

14 maio 2014

Curso de Contabilidade Básica: Vida útil do ativo

Uma das grandes preocupações que o usuário da informação contábil deve ter ao analisar uma indústria é certificar a vida útil do ativo. Quando uma empresa possui ativos novos, a vida útil será longa. Isto pode resultar numa tranquilidade em termos de novos investimentos. Neste caso, os investimentos serão realizados somente se houver uma expansão. Já quando a vida útil é baixa, torna-se necessário fazer investimentos nos ativos de longo prazo, em particular máquinas e equipamentos. A expansão pode representar uma redução de pagamento de dividendos.

O cálculo da vida útil pode ser apresentado pela empresa nas notas explicativas ou pode ser obtida pelo usuário, desde que tenha acesso a informação da despesa de depreciação e do valor líquido do ativo. Para ilustrar este cálculo, considere o exemplo da Companhia Industrial Cataguases no seu relatório de final de 2013. A empresa informa, na página 21, que a vida útil de máquinas e equipamentos é de 11,1 anos:

Para verificar estes valores, vamos observar o quadro resumo do imobilizado, geralmente publicado nas notas explicativas. A figura a seguir apresenta os valores:

A depreciação do ano de máquinas e equipamentos foi de R$4476 mil, para um ativo líquido de 52722 mil. Para determinar a vida útil estimada de máquinas e equipamentos, basta dividir o ativo líquido pela despesa de depreciação. No nosso exemplo:

52722 / 4.476 = 11,78 anos

Que é um valor bastante aproximado daquele informado pela empresa. Podemos fazer o mesmo com edificações:

24321/1631 = 14,91

Que é um valor um pouco menor do que aquele informado pela empresa (18,2 anos).