No final dos anos de 1860 o Brasil possuía mais estudantes em contabilidade do que temos atualmente. E estamos falando de valores absolutos, não de valores relativos. Isto pode parecer estranho, já que temos a ideia de que as pessoas no segundo reinado eram incultas e o avanço do ensino da contabilidade aconteceu a partir dos anos 1990, com a expansão das faculdades particulares.
Vejamos os números. Segundo um relatório publicado pelo Ministério do Império, em 1869, existiam no país 3.378 escolas particulares e públicas de instrução primária. Deste total, mais de 2/3 eram para meninos e o restante para as mulheres. Do total, 15% estavam localizados na província de Minas Gerais, 10,7% em Pernambuco, quase 9% em S. Pedro do Rio Grande do Sul, 8,5% em São Paulo e percentual próximo na Bahia e Rio de Janeiro. Estas seis províncias, mais Ceará, tinham 2.252 estabelecimentos ou 66,7% das escolas do Brasil.
Em termos de alunos, eram 106.624, sendo que 12,3% estavam em Minas Gerais, 10,5% em Pernambuco, 9,8% no Ceará e 9,4% na Bahia, que eram as províncias com maior número de alunos. Do total, 70% eram do sexo masculino, o que mostra um elevado grau de exclusão das mulheres no ensino.
O relatório do Ministério do Império mostra também o orçamento público de cada província para educação: o Rio de Janeiro tinha o maior orçamento, seguido de Minas e, mais distante, a Bahia. O relatório comenta também dos baixos salários, da melhor qualidade das professoras (e não dos homens) e da evasão elevada.
Na página 43 do relato temos uma informação relevante:
Como já afirmamos neste blog várias vezes, o ensino de contabilidade ocorria juntamente com as primeiras noções de matemática. Assim, como em quase todas as províncias era ensinado a contabilidade no primeiro grau, podemos dizer que existiam mais de 100 mil estudantes de contabilidade no império. É bem verdade que o nível do ensino (talvez) fosse menos aprofundado que o ensino superior de contabilidade. Mas como não existia “conselhos” e amarras da legislação, o aluno que aprendesse contabilidade poderia obter emprego de caixa, escriturário ou guarda-livros.
26 dezembro 2016
25 dezembro 2016
24 dezembro 2016
Fato da Semana: Relatório do Departamento de Justiça dos EUA
Fato: Relatório do Departamento de Justiça dos EUA
Data: 22 de dezembro
Histórico
2014 = Início da operação Lava Jato, que investiga a corrupção na empresa Petrobras. A empresa estatal participava como acionista da Braskem. Diversas empresas estão sendo investigadas por corromper funcionários da estatal, incluindo a Braskem e a Odebrecht.
2015 = No meio do ano o principal executivo da Odebrecht é preso, sendo condenado, menos de um ano depois, a 19 anos de cadeia.
2016 = Por ser uma empresa com ações na Bolsa dos EUA, o problema da Braskem interessa as autoridades daquele país. Já o Odebrecht tem diversos projetos no exterior. Com o apoio das autoridades do Brasil, o Departamento de Justiça produz um relatório destacando o esquema de corrupção. Em conjunto com o Brasil e Suíça, divulgam-se as multas aplicadas as empresas. Para Braskem, a não cooperação na investigação significou o aumento no valor a ser pago.
Relevância
A divulgação de diversos países onde a Odebrecht pagou propina pode trazer diversas implicações legais no futuro, ameaçando os negócios da empresa.
A evidenciação de solicitação de dinheiro por parte de autoridades brasileiras para a campanha presidencial também pode trazer implicações, incluindo a possibilidade das ex-autoridades serem presas quando estiverem nos EUA e em outros países.
Um aspecto interessante é a ausência da CGU. Onde está a controladoria geral da união? Outro ponto é que tudo está ocorrendo mais rápido do que o normal para nossa justiça.
Notícia boa para contabilidade?
"Não. Novamente a questão de controles internos merece uma discussão nas grandes empresas brasileiras. A forma de fazer negócios no país, baseado em acordos "privados", precisa mudar e a contabilidade deveria ter um papel relevante na mudança."
O texto acima é da semana passada, mas ainda é válido. Que tal repensar o papel da CGU e da justiça superior do país?
Outro aspecto que consta do relatório é a participação de um amigo do ex-presidente, um doutor em contabilidade, que foi um grande incentivador da adoção de custos no setor público.
Desdobramentos
O relatório do Departamento de Justiça não apresentou explicitamente o nome das pessoas envolvidas, mas já se sabe quem é quem. O processo contra estas pessoas deve seguir adiante.
Os países citados onde a empresa Odebrecht atuou através de propinas devem realizar suas investigações. Proibições de negócios futuros, pedido de congelamento de bens da empresa e solicitações de cooperação com a justiça brasileira devem ocorrer nos próximos dias.
Mas a semana só teve isto?
Não. A emissão de novas instruções da CVM, incluindo reconhecimento da receita e instrumentos financeiros, também é um destaque da semana.
Data: 22 de dezembro
Histórico
2014 = Início da operação Lava Jato, que investiga a corrupção na empresa Petrobras. A empresa estatal participava como acionista da Braskem. Diversas empresas estão sendo investigadas por corromper funcionários da estatal, incluindo a Braskem e a Odebrecht.
2015 = No meio do ano o principal executivo da Odebrecht é preso, sendo condenado, menos de um ano depois, a 19 anos de cadeia.
2016 = Por ser uma empresa com ações na Bolsa dos EUA, o problema da Braskem interessa as autoridades daquele país. Já o Odebrecht tem diversos projetos no exterior. Com o apoio das autoridades do Brasil, o Departamento de Justiça produz um relatório destacando o esquema de corrupção. Em conjunto com o Brasil e Suíça, divulgam-se as multas aplicadas as empresas. Para Braskem, a não cooperação na investigação significou o aumento no valor a ser pago.
Relevância
A divulgação de diversos países onde a Odebrecht pagou propina pode trazer diversas implicações legais no futuro, ameaçando os negócios da empresa.
A evidenciação de solicitação de dinheiro por parte de autoridades brasileiras para a campanha presidencial também pode trazer implicações, incluindo a possibilidade das ex-autoridades serem presas quando estiverem nos EUA e em outros países.
Um aspecto interessante é a ausência da CGU. Onde está a controladoria geral da união? Outro ponto é que tudo está ocorrendo mais rápido do que o normal para nossa justiça.
Notícia boa para contabilidade?
"Não. Novamente a questão de controles internos merece uma discussão nas grandes empresas brasileiras. A forma de fazer negócios no país, baseado em acordos "privados", precisa mudar e a contabilidade deveria ter um papel relevante na mudança."
O texto acima é da semana passada, mas ainda é válido. Que tal repensar o papel da CGU e da justiça superior do país?
Outro aspecto que consta do relatório é a participação de um amigo do ex-presidente, um doutor em contabilidade, que foi um grande incentivador da adoção de custos no setor público.
Desdobramentos
O relatório do Departamento de Justiça não apresentou explicitamente o nome das pessoas envolvidas, mas já se sabe quem é quem. O processo contra estas pessoas deve seguir adiante.
Os países citados onde a empresa Odebrecht atuou através de propinas devem realizar suas investigações. Proibições de negócios futuros, pedido de congelamento de bens da empresa e solicitações de cooperação com a justiça brasileira devem ocorrer nos próximos dias.
Mas a semana só teve isto?
Não. A emissão de novas instruções da CVM, incluindo reconhecimento da receita e instrumentos financeiros, também é um destaque da semana.
23 dezembro 2016
Planeta
Planeta Corporación, la matriz del grupo Planeta, cerró el ejercicio 2015 con unas pérdidas de 25,8 millones de euros, según las cuentas individuales depositadas en el Registro Mercantil. Sin embargo, el auditor advierte en su informe de que la sociedad registró con cargo a reservas un deterioro bruto de 35,7 millones por su inversión en Jaipur Investment SL que en realidad “debería haber sido registrado” en la cuenta de pérdidas y ganancias, lo cual hubiera aumentado los números rojos registrados.
La matriz de Planeta recibió un toque del auditor en sus cuentas del ejercicio 2015, en este caso KPMG. Fuentes del grupo recalcaron que Planeta Corporación es la sociedad holding, tenedora de acciones y de los servicios corporativos y que no son las cuentas consolidadas del mismo. Esas cuentas aún no están disponibles en el Registro Mercantil. Ese año el grupo salió de números rojos y ganó 15,6 millones de euros, mientras que la facturación creció el 8%, hasta los 2.364 millones.
Sin embargo, en las cuentas de la matriz, consta que en 2015 el grupo vio cómo su inversión financiera en la sociedad Jaipur Investment SL —a través de la cual vehicula sus participaciones en Banco Sabadell— se deterioraba por un importe de 35,7 millones de euros.
La sociedad —editora de La Razón y propietaria de Antena 3 y La Sexta— explica que ese valor se estimó “en base a la diferencia” que se puso de manifiesto el 31 de diciembre de 2015 entre “el valor recuperable y el valor contable” de la inversión realizada. Ese deterioro se llevó al epígrafe “otras reservas” del balance por un importe de 26,8 millones, correspondiente al valor neto de la pérdida, es decir, una vez descontado el efecto impositivo.
Salvedades
El auditor, en su informe sobre las cuentas, difiere de esa actuación y hace constar una salvedad. KPMG constata que esa dotación se ha llevado al epígrafe “reservas” del balance por 26,8 millones, pero advierte de que debería haberse llevado a la cuenta de pérdidas y ganancias.
“Debido a que dicho deterioro se ha puesto de manifiesto en el ejercicio 2015, el mismo debería haber sido registrado con cargo al epígrafe Pérdidas netas por deterioro de la cuenta de pérdidas y ganancias del ejercicio 2015 adjunta, en lugar de con cargo al epígrafe reservas”.
Planeta Corporación cerró 2015 con unas pérdidas de 25,8 millones, lo cual supone más que triplicar los números rojos del año anterior, cuando fueron de 7,8 millones. El grupo presidido por José Creuheras tiene a través de Jaipur Investments y Hemisferio —la sociedad patrimonial— una participación del 2,6% de Banco Sabadell, según consta en la última comunicación a la Comisión del Mercado de Valores.
El País
La matriz de Planeta recibió un toque del auditor en sus cuentas del ejercicio 2015, en este caso KPMG. Fuentes del grupo recalcaron que Planeta Corporación es la sociedad holding, tenedora de acciones y de los servicios corporativos y que no son las cuentas consolidadas del mismo. Esas cuentas aún no están disponibles en el Registro Mercantil. Ese año el grupo salió de números rojos y ganó 15,6 millones de euros, mientras que la facturación creció el 8%, hasta los 2.364 millones.
Sin embargo, en las cuentas de la matriz, consta que en 2015 el grupo vio cómo su inversión financiera en la sociedad Jaipur Investment SL —a través de la cual vehicula sus participaciones en Banco Sabadell— se deterioraba por un importe de 35,7 millones de euros.
La sociedad —editora de La Razón y propietaria de Antena 3 y La Sexta— explica que ese valor se estimó “en base a la diferencia” que se puso de manifiesto el 31 de diciembre de 2015 entre “el valor recuperable y el valor contable” de la inversión realizada. Ese deterioro se llevó al epígrafe “otras reservas” del balance por un importe de 26,8 millones, correspondiente al valor neto de la pérdida, es decir, una vez descontado el efecto impositivo.
Salvedades
El auditor, en su informe sobre las cuentas, difiere de esa actuación y hace constar una salvedad. KPMG constata que esa dotación se ha llevado al epígrafe “reservas” del balance por 26,8 millones, pero advierte de que debería haberse llevado a la cuenta de pérdidas y ganancias.
“Debido a que dicho deterioro se ha puesto de manifiesto en el ejercicio 2015, el mismo debería haber sido registrado con cargo al epígrafe Pérdidas netas por deterioro de la cuenta de pérdidas y ganancias del ejercicio 2015 adjunta, en lugar de con cargo al epígrafe reservas”.
Planeta Corporación cerró 2015 con unas pérdidas de 25,8 millones, lo cual supone más que triplicar los números rojos del año anterior, cuando fueron de 7,8 millones. El grupo presidido por José Creuheras tiene a través de Jaipur Investments y Hemisferio —la sociedad patrimonial— una participación del 2,6% de Banco Sabadell, según consta en la última comunicación a la Comisión del Mercado de Valores.
El País
Similaridade na contabilidade
Management reports (MR) are used as companies’ communication tool for broadcasting a message or image to its shareholders. This study presents an investigation of the structure of MR with the purpose of verifying if there is a repetition of data. The aim of the study was to identify which variables explain the similarity between the MR that were published by companies listed in the Brazilian stock market. The results signalled that most of these companies had only specific modifications at their reports. The fact that other independent variables were not shown as explanatory at the obtained model may suggest that the maintenance of similar reports’ structures is a usual practice, regardless of their characteristics.
Via aqui
Via aqui
22 dezembro 2016
Novas normas
Deliberação CVM 760 = que aprova o Documento de Revisão de Pronunciamentos Técnicos nº 09 referente aos Pronunciamentos CPC 02 (R2), CPC 26 (R1), CPC 39 e Interpretação Técnica ICPC 09 (R2), emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Foram promovidas alterações decorrentes das seguintes mudanças: i. CPC 02 (R2) – ajuste do texto para ficar alinhado ao correspondente IAS; ii. CPC 26 (R1) e CPC 39 – correção do texto por erro de transcrição; iii. CPC 39 – correção do texto por erro de transcrição; e iv. ICPC 09 (R2) - itens de divulgação nas demonstrações contábeis consolidadas e individuais sobre aquisições adicionais de participação societária após a obtenção de controle.
Deliberação CVM 761, que aprova o Documento de Revisão de Pronunciamentos Técnicos nº 10 referente aos Pronunciamentos CPC 03 (R2) e CPC 32, emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. As alterações foram promovidas em virtude de esclarecimentos feitos pelo IASB sobre passivos decorrentes de atividade de financiamento
Deliberação CVM 762 = que aprova o Pronunciamento Técnico CPC 47 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, referente à receita de contrato com cliente. Substitui o CPC 30 – Receita e outros documentos do CPC correlacionados ao reconhecimento de receitas.
Deliberação CVM 763, que aprova o Pronunciamento Técnico CPC 48 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, referente a instrumentos financeiros.
Fonte: Aqui
Deliberação CVM 761, que aprova o Documento de Revisão de Pronunciamentos Técnicos nº 10 referente aos Pronunciamentos CPC 03 (R2) e CPC 32, emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. As alterações foram promovidas em virtude de esclarecimentos feitos pelo IASB sobre passivos decorrentes de atividade de financiamento
Deliberação CVM 762 = que aprova o Pronunciamento Técnico CPC 47 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, referente à receita de contrato com cliente. Substitui o CPC 30 – Receita e outros documentos do CPC correlacionados ao reconhecimento de receitas.
Deliberação CVM 763, que aprova o Pronunciamento Técnico CPC 48 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, referente a instrumentos financeiros.
Fonte: Aqui
21 dezembro 2016
Punição para corrupção
Os jornais informam que hoje deverá ser anunciado o acordo entre a Odebrecht, Braskem e os governos dos Estados Unidos e Suíça. Segundo o Valor, o acordo deverá ser de R$1,4 bilhão, sendo metade para cada uma das empresas. O Estado de S Paulo comenta em 1,6 bilhão de reais. O NYT aposta que o valor pode chegar a 3 bilhões de dólares.
Trata-se de uma das maiores punições para uma empresa envolvida em práticas de corrupção. Recentemente a empresa divulgou um pedido de desculpas, dizendo que não participaria mais de atividades ilícitas. Cerca de 77 executivos da empresa estão fazendo delações, numa estrategia de defesa que poderá prorrogar a lava-jato por anos, impedindo a punição dos corruptores e corrompidos. Além disto, em nenhum momento, a empresa anunciou a retirada dos executivos da gestão da empresa.
É interessante notar que se a multa da Braskem for de 700 milhões de reais, um valor de três dígitos será da Petrobras.
Trata-se de uma das maiores punições para uma empresa envolvida em práticas de corrupção. Recentemente a empresa divulgou um pedido de desculpas, dizendo que não participaria mais de atividades ilícitas. Cerca de 77 executivos da empresa estão fazendo delações, numa estrategia de defesa que poderá prorrogar a lava-jato por anos, impedindo a punição dos corruptores e corrompidos. Além disto, em nenhum momento, a empresa anunciou a retirada dos executivos da gestão da empresa.
É interessante notar que se a multa da Braskem for de 700 milhões de reais, um valor de três dígitos será da Petrobras.
Duas notícias sobre a Deloitte
Primeira notícia: O gráfico acima é do Valor Econômico, que divulga uma reportagem sobre a qualidade das auditorias realizadas pelas Big Four nos Estados Unidos e fora dos EUA. Quanto maior a diferença entre o trecho mais escuro e o gráfico mais claro, pior a qualidade das auditorias realizadas fora dos EUA. É inegável a discrepância de qualidade na empresa Deloitte.
Segunda notícia: Um memorando interno de duas páginas da empresa Deloitte vazou em novembro na Inglaterra. O assunto era a saída do país da Comunidade Européia, ou Brexit. O documento indicava que o governo de Theresa May não estava preparado para o Brexit, o que teria ofendido o governo britânico. A empresa perderá contratos com o governo britânico por um período de seis meses.
Segunda notícia: Um memorando interno de duas páginas da empresa Deloitte vazou em novembro na Inglaterra. O assunto era a saída do país da Comunidade Européia, ou Brexit. O documento indicava que o governo de Theresa May não estava preparado para o Brexit, o que teria ofendido o governo britânico. A empresa perderá contratos com o governo britânico por um período de seis meses.
20 dezembro 2016
Espionagem
"Nosso trabalho era espionar a Ernst & Young, a PriceWaterhouseCoopers, a KPMG e alguns dos concorrentes de consultoria", disse uma pessoa que trabalhou na unidade. "Estávamos tentando roubar seus modelos de preços, como eles determinavam descontos e, especialmente, novas linhas de produtos ou linhas de serviços".
Tratava-se de uma unidade operada por um ex-agente da CIA, a agência de espionagem dos EUA, numa empresa de auditoria. Advinha qual empresa era? Isto mesmo, a Deloitte. Depois da multa recorde, dos problemas na filial do México e na da Holanda, agora se descobre que a Deloitte criou um grupo para fazer espionagem nos concorrentes. Isto envolvia ouvir conversas nos banheiros para escutar conversas que interessavam a empresa.
Tratava-se de uma unidade operada por um ex-agente da CIA, a agência de espionagem dos EUA, numa empresa de auditoria. Advinha qual empresa era? Isto mesmo, a Deloitte. Depois da multa recorde, dos problemas na filial do México e na da Holanda, agora se descobre que a Deloitte criou um grupo para fazer espionagem nos concorrentes. Isto envolvia ouvir conversas nos banheiros para escutar conversas que interessavam a empresa.
Resenha: Sapiens
Sapiens é um livro de história que se transformou, conforme expresso na capa, num best-seller internacional. Com um título de Sapiens – Uma breve história da humanidade, o seu autor, Harari, percorre duzentos mil anos da nossa vida na terra. Harari divide a história em três fases. A primeira é a revolução cognitiva, que fez com que o sapiens começasse a aprender uma linguagem e a se comunicar. A revolução agrícola é considerada a “maior fraude da história”. Harari defende que esta fase contribui para muitos dos males da humanidade: doença, alimentação ruim, guerras etc. A última fase apareceu na península ibérica e foi denominada de revolução científica.
A razão do sucesso é logo percebida nas primeiras páginas: leitura fácil, sem muitas datas e fatos, teses interessantes e bons argumentos. Quando o autor faz uma análise das descobertas espanholas e portuguesas, ele questiona a razão de ter ocorrido na Europa. Segundo Harari, tanto a China quanto a Arábia tinham conhecimento suficiente para promover as aventuras marítimas e dominar o mundo até então desconhecido. O que fez com que a Europa tomasse a dianteira na economia mundial? O autor salienta que até o século XVIII a China ainda era a maior economia do mundo, mas que foi rapidamente suplantada pela Inglaterra e outras nações ocidentais. Ele mostra que a diferença ocorreu nas instituições, que promoveram o desenvolvimento do capitalismo na Europa e algumas nações de colonização europeia.
Tome o exemplo da Índia. Antes da chegada do imperialismo britânico existia um aglomerado de povos. A exploração da Índia pela Inglaterra trouxe junto a ciência. Ao contrário dos romanos, persas, mongóis, os imperialistas ocidentais tinham um real interesse em conhecer os povos subjugados. Foram os britânicos que fizeram descobertas arqueológicas importantes na Índia (e também no Egito, lembre-se). Assim, a terceira fase da história do sapiens caracteriza-se pela utilização da ciência. Mas não somente isto. Segundo Harari, o sapiens moderno difere das tradições anteriores em três aspectos: a disposição para admitir a ignorância (!!!), o centro na observação e na matemática (!!!) e a aquisição de novas capacidades (tecnologias, teorias etc).
Vale a pena? Sim. É um bom livro de história, com teses interessantes e leitura agradável (exceto talvez a parte final do mesmo).
HARARI, Sapiens – Uma breve história da Humanidade. LPM, 2016
Evidenciação: o exemplar lido foi adquirido com os recursos financeiros do autor da postagem.
A razão do sucesso é logo percebida nas primeiras páginas: leitura fácil, sem muitas datas e fatos, teses interessantes e bons argumentos. Quando o autor faz uma análise das descobertas espanholas e portuguesas, ele questiona a razão de ter ocorrido na Europa. Segundo Harari, tanto a China quanto a Arábia tinham conhecimento suficiente para promover as aventuras marítimas e dominar o mundo até então desconhecido. O que fez com que a Europa tomasse a dianteira na economia mundial? O autor salienta que até o século XVIII a China ainda era a maior economia do mundo, mas que foi rapidamente suplantada pela Inglaterra e outras nações ocidentais. Ele mostra que a diferença ocorreu nas instituições, que promoveram o desenvolvimento do capitalismo na Europa e algumas nações de colonização europeia.
Tome o exemplo da Índia. Antes da chegada do imperialismo britânico existia um aglomerado de povos. A exploração da Índia pela Inglaterra trouxe junto a ciência. Ao contrário dos romanos, persas, mongóis, os imperialistas ocidentais tinham um real interesse em conhecer os povos subjugados. Foram os britânicos que fizeram descobertas arqueológicas importantes na Índia (e também no Egito, lembre-se). Assim, a terceira fase da história do sapiens caracteriza-se pela utilização da ciência. Mas não somente isto. Segundo Harari, o sapiens moderno difere das tradições anteriores em três aspectos: a disposição para admitir a ignorância (!!!), o centro na observação e na matemática (!!!) e a aquisição de novas capacidades (tecnologias, teorias etc).
Vale a pena? Sim. É um bom livro de história, com teses interessantes e leitura agradável (exceto talvez a parte final do mesmo).
HARARI, Sapiens – Uma breve história da Humanidade. LPM, 2016
Evidenciação: o exemplar lido foi adquirido com os recursos financeiros do autor da postagem.
19 dezembro 2016
História da Contabilidade: Relatório aos Acionistas da Cia União e Industria de 1861
Mariano Procópio foi um engenheiro e político brasileiro, nascido em Barbacena em 1821. Depois de estudar na Europa, com 33 anos ele recebeu uma concessão para construção de uma estrada partindo de Petrópolis até Minas Gerais. Ele constituiu uma empresa que recebeu o nome pouco criativo de Companhia União e Indústria, que iniciou os trabalhos em 1856. Dois anos depois, o primeiro trecho é inaugurado e em 1861 o trecho de 144 quilômetros era percorrido pelo imperador numa diligência, fazendo a viagem de Petrópolis a Juiz de Fora.
A estrada foi muito importante para o desenvolvimento da cidade mineira e representou a primeira rodovia que utilizou a técnica de pavimentação Macadame na América Latina. Para construir a estrada, Ferreira Lage contou com empréstimo externo (decreto 1.045 de 1859) e empréstimo externo (Decreto 2505. de 1859). Da estrada sobraram várias construções, incluindo pontes, viadutos e estações. A estrada faz parte dos sistemas rodoviários estaduais e federais: RJ 134, BR 393, RJ 131, RJ 151, MG 874, BR 267 e BR 040 (ex- BR3).
O projeto de financiamento do empreendimento incluía empréstimos externos, aportes do tesouro e obras executadas por fazendeiros beneficiários da rodovia. Mas talvez este não seja o principal ponto de interesse para a história da contabilidade. Antes de prosseguir é bom lembrar que a primeira evidenciação contábil ocorrida no Brasil foi no período anterior à independência, conforme já mostramos anteriormente neste blog. As informações contábeis eram publicadas principalmente pelas entidades do terceiro setor, mostrando a destinação dos recursos originários de doações e loterias. A evidenciação de empresas não era muito comum antes e depois da independência. Em 1861 a Companhia União e Indústria faz algo diferente, ao divulgar um extenso relatório para assembleia geral dos acionistas. São 66 páginas que incluía não somente o balanço da empresa, mas também uma análise das obras da estrada que estava em construção, uma apuração do custo da légua (medida de distância, ainda hoje usada em alguns lugares do país), um detalhamento dos dois empréstimos decorrentes dos decretos citados anteriormente, uma apuração do resultado por trecho da estrada, entre outras informações. Ferreira Lage faz uma dissertação sobre a situação da empresa e das dificuldades encontradas na execução da obra.
O relatório da Companhia União e Indústria não apresenta algumas informações corriqueiras para os dias atuais, como o parecer do auditor, mutações do patrimônio ou assinatura do contador. Mas talvez seja um dos mais completos relatórios publicados no Brasil da metade do século XIX. Para os interessados, o relatório pode ser obtido na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional.
A estrada foi muito importante para o desenvolvimento da cidade mineira e representou a primeira rodovia que utilizou a técnica de pavimentação Macadame na América Latina. Para construir a estrada, Ferreira Lage contou com empréstimo externo (decreto 1.045 de 1859) e empréstimo externo (Decreto 2505. de 1859). Da estrada sobraram várias construções, incluindo pontes, viadutos e estações. A estrada faz parte dos sistemas rodoviários estaduais e federais: RJ 134, BR 393, RJ 131, RJ 151, MG 874, BR 267 e BR 040 (ex- BR3).
O projeto de financiamento do empreendimento incluía empréstimos externos, aportes do tesouro e obras executadas por fazendeiros beneficiários da rodovia. Mas talvez este não seja o principal ponto de interesse para a história da contabilidade. Antes de prosseguir é bom lembrar que a primeira evidenciação contábil ocorrida no Brasil foi no período anterior à independência, conforme já mostramos anteriormente neste blog. As informações contábeis eram publicadas principalmente pelas entidades do terceiro setor, mostrando a destinação dos recursos originários de doações e loterias. A evidenciação de empresas não era muito comum antes e depois da independência. Em 1861 a Companhia União e Indústria faz algo diferente, ao divulgar um extenso relatório para assembleia geral dos acionistas. São 66 páginas que incluía não somente o balanço da empresa, mas também uma análise das obras da estrada que estava em construção, uma apuração do custo da légua (medida de distância, ainda hoje usada em alguns lugares do país), um detalhamento dos dois empréstimos decorrentes dos decretos citados anteriormente, uma apuração do resultado por trecho da estrada, entre outras informações. Ferreira Lage faz uma dissertação sobre a situação da empresa e das dificuldades encontradas na execução da obra.
O relatório da Companhia União e Indústria não apresenta algumas informações corriqueiras para os dias atuais, como o parecer do auditor, mutações do patrimônio ou assinatura do contador. Mas talvez seja um dos mais completos relatórios publicados no Brasil da metade do século XIX. Para os interessados, o relatório pode ser obtido na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional.
18 dezembro 2016
Fato da Semana: Multa da Braskem
Fato: Braskem paga uma multa de 3 bilhões de reais
Data: 14 de dezembro de 2016
Histórico
2002 - A Braskem é formada através da junção das empresas Copene, OPP, Trikem, Nitrocarbono, Proppet e Polialden
2014 - Começa a operação Lava Jato, que investiga diversos esquemas de corrupção na empresa Petrobras, um dos acionistas da Braskem.
mar/15 - Numa das denúncias, um acordo de aquisição de produtos entre a Braskem e Petrobras foi colocado sob suspeita. A empresa divulga fato relevante negando as acusações.
Relevância
O acordo ficou bem abaixo do esperado pelo mercado. E uma estimativa do prejuízo provocado pela Braskem na Petrobras indicou que os benefícios da Braskem superaram substancialmente o valor da multa: 6 bilhões de vantagens obtidas versus uma multa de 3,1 bilhões.
Além disto, como a Petrobras possui parte das ações da Braskem.
A ação coletiva nos Estados Unidos continua e a empresa, nesta ação, não nega o pagamento de propina, que provavelmente ocorreu.
Notícia boa para contabilidade?
Novamente a questão de controles internos merece uma discussão nas grandes empresas brasileiras. A forma de fazer negócios no país, baseado em acordos "privados", precisa mudar e a contabilidade deveria ter um papel relevante na mudança.
Desdobramentos
O fato do acordo aparentemente ser vantajoso para Braskem pode colocar em questionamento o acordo no futuro. Mas as mudanças ocorridas nos últimos anos podem ser cruciais para a redução estrutural da corrupção no país.
Mas a semana só teve isto? Sim.
Data: 14 de dezembro de 2016
Histórico
2002 - A Braskem é formada através da junção das empresas Copene, OPP, Trikem, Nitrocarbono, Proppet e Polialden
2014 - Começa a operação Lava Jato, que investiga diversos esquemas de corrupção na empresa Petrobras, um dos acionistas da Braskem.
mar/15 - Numa das denúncias, um acordo de aquisição de produtos entre a Braskem e Petrobras foi colocado sob suspeita. A empresa divulga fato relevante negando as acusações.
Relevância
O acordo ficou bem abaixo do esperado pelo mercado. E uma estimativa do prejuízo provocado pela Braskem na Petrobras indicou que os benefícios da Braskem superaram substancialmente o valor da multa: 6 bilhões de vantagens obtidas versus uma multa de 3,1 bilhões.
Além disto, como a Petrobras possui parte das ações da Braskem.
A ação coletiva nos Estados Unidos continua e a empresa, nesta ação, não nega o pagamento de propina, que provavelmente ocorreu.
Notícia boa para contabilidade?
Novamente a questão de controles internos merece uma discussão nas grandes empresas brasileiras. A forma de fazer negócios no país, baseado em acordos "privados", precisa mudar e a contabilidade deveria ter um papel relevante na mudança.
Desdobramentos
O fato do acordo aparentemente ser vantajoso para Braskem pode colocar em questionamento o acordo no futuro. Mas as mudanças ocorridas nos últimos anos podem ser cruciais para a redução estrutural da corrupção no país.
Mas a semana só teve isto? Sim.
15 dezembro 2016
Links
Tipo de carro e característica do gestor de fundos
Alguns dos melhores cartazes de filmes de 2016 (foto)
CVM condena diretores do Banco do Brasil (inclusive Pizzolato)
(E amanhã julga Eike)
Braskem fecha acordo e vai pagar mais de 3 bilhões de reais
Quais as motivações para o crime do colarinho branco?
Alguns dos melhores cartazes de filmes de 2016 (foto)
CVM condena diretores do Banco do Brasil (inclusive Pizzolato)
(E amanhã julga Eike)
Braskem fecha acordo e vai pagar mais de 3 bilhões de reais
Quais as motivações para o crime do colarinho branco?
14 dezembro 2016
Punido por não ter escrituração
A CVM puniu a empresa Ativos Brasileiros S.A. (olha aí a ironia do nome) por "não manter escrituração contábil" o que levou a entrega incompleta do formulário de referência. E outra empresa, Cerâmicas Chiarelli, também foi punida por não ter feito as demonstrações contábeis. Finalmente, a Intercosmetic, também não tinha escrituração contábil.
Deloitte, novamente
A Deloitte foi novamente punida pelo PCAOB. Depois da filial brasileira pagar uma multa recorde e logo após a filial do México também ser punida, agora é a vez da filial da Holanda. Em 2012 o executivo principal da filial no país europeu renunciou inesperadamente, alguns meses depois de ser promovido. O motivo foi a violação da independência da empresa. A besteira foi a seguinte: Piet Hein Meeter foi promovido; sua esposa, no entanto, fazia parte do conselho de administração de uma família que investia na RBS Holdings NV e Reed Elsevier NV quando a Deloitte auditava as empresas.
A Deloitte não percebeu o conflito de interesses que poderia colocar em dúvida a qualidade da auditoria.
A Deloitte não percebeu o conflito de interesses que poderia colocar em dúvida a qualidade da auditoria.
Lista das empresas que não divulgam a remuneração dos executivos
O Blog da Governança fez a lista das empresas que não divulgam as remunerações dos seus executivos. As empresas são:
Alpargatas
B2W
Bradesco
Bradespar
Braskem
BRMalls (só divulga do CAdm)
BTG
CCR
Cielo
Cosan
CPFL
CSN
Duratex
Embraer
Even
Fibria
Gerdau
Gol
Iguatemi
Itau Unibanco
Itausa
Kroton
Lojas Americanas
Met Gerdau
Minerva
Multiplus
Oi
Pão de Açúcar
Rumo Log
Santander
Suzano
Telefonica
TIM
Vale
Via Varejo
É interessante notar que várias delas envolvidas em confusão nos últimos meses: Bradesco, Braskem, Gerdau, Gol, Met Gerdau e Oi.
Alpargatas
B2W
Bradesco
Bradespar
Braskem
BRMalls (só divulga do CAdm)
BTG
CCR
Cielo
Cosan
CPFL
CSN
Duratex
Embraer
Even
Fibria
Gerdau
Gol
Iguatemi
Itau Unibanco
Itausa
Kroton
Lojas Americanas
Met Gerdau
Minerva
Multiplus
Oi
Pão de Açúcar
Rumo Log
Santander
Suzano
Telefonica
TIM
Vale
Via Varejo
É interessante notar que várias delas envolvidas em confusão nos últimos meses: Bradesco, Braskem, Gerdau, Gol, Met Gerdau e Oi.
Links
Extrapolative expectations pode ajudar a explicar bolhas e até ciclos econômicos
PhD Comics: Número de autores por área (Contábeis é um das áreas com menor número de coautores).
Para saber o preço de um imóvel
Na Copa do Brasil é mais vantajoso jogar a primeira em casa?
Fatos interessantes sobre cada país (vídeo))
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Para saber o preço de um imóvel
Na Copa do Brasil é mais vantajoso jogar a primeira em casa?
Fatos interessantes sobre cada país (vídeo))
Computador ou livro?
Para fins educacionais qual seria o mais vantajoso: livros ou computadores? Usando um estudo em escolas do ensino fundamental em Honduras, onde alguns livros foram substituídos por computadores, quatro pesquisadores (Rosangela Bando, Francisco Gallego, Paul Gertler e Dario Romero) mostraram que a substituição não faz diferença significativa no aprendizado dos alunos. Se por um lado os computadores podem oferecer ferramentas computacionais, comunicação e grande oportunidade de armazenar informações, por outro lado pode ser uma fonte de distração.
Alem disto, uma análise do custo e benefício mostrou favorável ao material digital. Assim, "a substituição livro por laptops pode ser uma maneira de baixo custo para fornecer conteúdo de aprendizagem em sala de aula."
Alem disto, uma análise do custo e benefício mostrou favorável ao material digital. Assim, "a substituição livro por laptops pode ser uma maneira de baixo custo para fornecer conteúdo de aprendizagem em sala de aula."
13 dezembro 2016
Thomas Schelling
Faleceu o Nobel de Economia de 2005, Thomas Schelling. Com 95 anos, Schelling estudou a teoria dos jogos. Aqui uma breve citação da aplicação da sua obra.
Ironia
Os escândalos contábeis não são novidade no Brasil. Sua ex-presidente, Dilma Rousseff, foi acusada em agosto por cozinhar os livros de seu governo. Os patrões das maiores empresas de construção foram para detrás das grades para contratos com a Petrobras, a estatal petrolífera. A piada dos gurus da governança, todos os casos levaram as empresas a substituir o que as pessoas costumavam chamar departamentos de corrupção por escritórios de conformidade. Como é irônico, então, que o mais recente caso do Brasil envolva uma empresa que se destina a garantir que as empresas permaneçam na linha. (The Economist)
Ainda Deloitte
Francine McKenna (em At Deloitte, the problems with audit quality and professionalism start at the top) analisa a multa imposta pelo PCAOB a Deloitte Brasil, no valor de 8 milhões de dólares. A empresa de auditoria encerrou as acusações de publicar relatórios falsos de auditoria e encobrir os problemas falsificando documentos e prestando depoimentos falsos. Trata-se da maior multa aplicada pelo PCAOB, que é a entidade que fiscaliza as empresas de auditoria nos Estados Unidos. Além da “honra duvidosa”, conforme McKenna, nunca antes uma empresa de auditoria global tinha sido acusada deste tipo de comportamento.
O interessante no texto de McKenna é lembrar a participação de Wanderley Olivetti. Em 2002 este funcionário da Deloitte chamou a atenção para as transações pouco usuais entre a Parmalat brasileira e uma subsidiária das Ilhas Cayman, Bonlat. Aparentemente Olivetti teve um comportamento adequado no escândalo da Parmalat, já que um executivo da empresa escreveu que não gostaria de ter contato com um auditor. Um elogio diante da fraude da empresa. Entretanto, os documentos também revelaram que Olivetti, em maio de 2002, concordou em suavizar o seu parecer para que o mesmo não fosse negativo, afirma McKenna.
O Valor Econômico de hoje qualifica Olivetti como um profissional “sério, capacitado e até rigoroso demais em determinados casos” (grifo nosso). Mas em 2012 Olivetti fez um acordo com a CVM, juntamente com Michael Morrel e a Deloitte, pagando R$400 mil por não terem atuado adequadamente no caso Parmalat.
Em 2011 Olivetti e sua Deloitte esteve envolvido em outro problema com a CVM, agora relacionado com a Saraiva. A Saraiva não considerou que operações com derivativos fossem dignas de registro, mas posteriormente corrigiu as informações. A Deloitte era responsável pela auditoria e deveria ter emitido uma ressalva. Na época Olivetti declarou: "O valor em questão é totalmente imaterial e estou surpreso de receber esse questionamento. E mais surpreso ainda de receber um processo por uma situação totalmente imaterial (de valor não relevante)". Segundo o Estado de S Paulo, “Olivetti alega ainda que não faz parte das funções do auditor revisar e confirmar esse tipo de informação num relatório trimestral. Segundo o executivo, as obrigações do auditoria são mais restritas no relatório trimestral do que no relatório anual.”
O interessante no texto de McKenna é lembrar a participação de Wanderley Olivetti. Em 2002 este funcionário da Deloitte chamou a atenção para as transações pouco usuais entre a Parmalat brasileira e uma subsidiária das Ilhas Cayman, Bonlat. Aparentemente Olivetti teve um comportamento adequado no escândalo da Parmalat, já que um executivo da empresa escreveu que não gostaria de ter contato com um auditor. Um elogio diante da fraude da empresa. Entretanto, os documentos também revelaram que Olivetti, em maio de 2002, concordou em suavizar o seu parecer para que o mesmo não fosse negativo, afirma McKenna.
O Valor Econômico de hoje qualifica Olivetti como um profissional “sério, capacitado e até rigoroso demais em determinados casos” (grifo nosso). Mas em 2012 Olivetti fez um acordo com a CVM, juntamente com Michael Morrel e a Deloitte, pagando R$400 mil por não terem atuado adequadamente no caso Parmalat.
Em 2011 Olivetti e sua Deloitte esteve envolvido em outro problema com a CVM, agora relacionado com a Saraiva. A Saraiva não considerou que operações com derivativos fossem dignas de registro, mas posteriormente corrigiu as informações. A Deloitte era responsável pela auditoria e deveria ter emitido uma ressalva. Na época Olivetti declarou: "O valor em questão é totalmente imaterial e estou surpreso de receber esse questionamento. E mais surpreso ainda de receber um processo por uma situação totalmente imaterial (de valor não relevante)". Segundo o Estado de S Paulo, “Olivetti alega ainda que não faz parte das funções do auditor revisar e confirmar esse tipo de informação num relatório trimestral. Segundo o executivo, as obrigações do auditoria são mais restritas no relatório trimestral do que no relatório anual.”
12 dezembro 2016
Falha num software da PwC pode permitir alteração na contabilidade
Uma falha crítica em uma ferramenta de segurança construída para sistemas SAP pela PricewaterhouseCoopers pode permitir que hackers manipulem dados contábeis e financeiros dos clientes, uma pesquisa recente afirmou.
Conforme a notícia, publicada no IB Times, o problema pode permitir que um invasor altere a contabilidade. Apesar de não afirmar que a falha já foi explorada, o problema poderia manipular, por exemplo, o pagamento de recursos humanos. A PwC negou a falha e disse que o código não está na versão atual disponibilizada para os clientes. Inicialmente a empresa de auditoria não respondeu a investigação, mas depois encaminhou uma carta através dos seus advogados.
Conforme a notícia, publicada no IB Times, o problema pode permitir que um invasor altere a contabilidade. Apesar de não afirmar que a falha já foi explorada, o problema poderia manipular, por exemplo, o pagamento de recursos humanos. A PwC negou a falha e disse que o código não está na versão atual disponibilizada para os clientes. Inicialmente a empresa de auditoria não respondeu a investigação, mas depois encaminhou uma carta através dos seus advogados. O primeiro nome
A figura apresenta uma tábua administrativa da cidade de Uruk.
"Aparentemente registra um total de 29.086 medidas de cevada recebido por Kushim ao longo de 37 meses. "Kushim" pode ser o título genérico de um funcionário público ou o nome de um indivíduo em particular. Se Kushim foi mesmo uma pessoa, talvez seja o primeiro indivíduo da história cujo nome conhecemos! Todos os nomes usados nos estágios antigos da história humana - os neandertais, os natufianos, a caverna de Chauvet, Gobeldi Tepe - são invenções modernas. Não temos ideia de como os construtores de Gobeldi Tepe batizaram o lugar. Com o surgimento da escrita, começamos a ouvir a história da boca de seus protagonistas. Ao designá-lo, os vizinhos de Kushim podem ter na verdade gritado "Kushim". É revelador que o primeiro nome registrado na história pertença a um contador, e não a um profeta, poeta ou grande conquistador."
(Hariri, Yuval Noah. Sapiens, p. 131, grifo nosso)
11 dezembro 2016
História da Contabilidade: Um caso de falência em 1862
Na metade do segundo império, o governo aprovou uma série de medidas legais para regulamentar as atividades comerciais. Isto inclui uma legislação sobre a destinação dos ativos de um falecido assim como um código comercial, inspirado nas normas europeias. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da economia e as crises decorrentes dos produtos agrícolas que o país exportava gerou um grande movimento falimentar. As normas editadas pelo governo ajudaram a julgar estes processos de falência. Alguns processos de falência já foram estudados pelos historiadores. A maioria deles foi esquecido, seja por falta de documentos, por falta de interesse ou por ambos.
Um dos processos que possui alguma documentação é o da sociedade em comandita Amorim, Fragoso, Santos e C., que tinha sede em Recife, Pernambuco. Começando suas operações em 1º de março de 1860, tratava-se de uma entidade financeira tendo como sócios o Comendador Antonio Marques d´Amorim, o gerente João Baptista Fragoso (que residia na sede da empresa) e o gerente José Antonio dos Santos Azevedo Junior (1), que tinha a função de caixa e escriturário. A entidade parecia ter um bom nome nos primeiros meses de funcionamento. Mas em 18 de junho de 1862, um pouco mais de dois anos de funcionamento, numa assembleia convocada para esclarecer a suspensão de pagamentos da entidade, o gerente Fragoso denuncia a falência da mesma. O sócio Amorim estranhamente não estava presente. Passa-se a investigar a situação da entidade para tentar entender como uma empresa que meses antes apresentou um balanço saudável, chegava a situação de falência. A investigação promovida por curadores indicou problemas graves na contabilidade, com livro caixa viciado, borrões nos lançamentos, ativos de qualidade duvidosa, lançamentos estranhos antes da falência, entre outros aspectos (2).
A falência foi justificada pela desordem geral das finanças do país (3). Este fato teria sido reconhecido pelo próprio governo, que suspendeu trechos do recente código comercial. Além da estranha ausência de Amorim na assembleia de junho de 1862, a suspensão de pagamentos indica que a situação da empresa não era boa. O fato do caixa também ser o escriturário, indicando a não separação de funções, mostra problemas de controle interno na sociedade.
Dois fatos curiosos para os dias de hoje. Em primeiro lugar, num processo de falência era necessário apurar os ativos, que eram definidos na legislação através de uma lista de itens, e as dívidas. Na legislação brasileira da época isto representava o cabedal apurado, que segundo a defesa do sócio Amorim, era diferente do termo capital apurado. Assim, o cabedal apurado da entidade era positivo. Em segundo lugar, não foram incluídos na apuração do cabedal, os bens dos gerentes, o que garantiria um valor muito mais expressivo do que aquele determinado pelos curadores (5). Deste modo, não fazia sentido a “denuncia” de falência feita, de forma precipitada, por Fragoso. O cabedal (4) era suficiente.
(1) Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Provincia de Pernambuco, 1862, p. 182.
(2) Aurora Cearense, ano I, n. 18 e 19, diversas páginas. Trata-se da defesa do comendador perante o juiz criminal de Recife, feita por José Bento da Cunha Figueiredo e publicada no jornal. Este trecho específico encontra-se no número 19, p. 3.
(3) Aurora Cearense, ano I, n. 18, p. 3.
(4) Cabedal, no dicionário, refere-se a um conjunto de bens que representa a sua riqueza.
(5) Não existia a entidade.
Um dos processos que possui alguma documentação é o da sociedade em comandita Amorim, Fragoso, Santos e C., que tinha sede em Recife, Pernambuco. Começando suas operações em 1º de março de 1860, tratava-se de uma entidade financeira tendo como sócios o Comendador Antonio Marques d´Amorim, o gerente João Baptista Fragoso (que residia na sede da empresa) e o gerente José Antonio dos Santos Azevedo Junior (1), que tinha a função de caixa e escriturário. A entidade parecia ter um bom nome nos primeiros meses de funcionamento. Mas em 18 de junho de 1862, um pouco mais de dois anos de funcionamento, numa assembleia convocada para esclarecer a suspensão de pagamentos da entidade, o gerente Fragoso denuncia a falência da mesma. O sócio Amorim estranhamente não estava presente. Passa-se a investigar a situação da entidade para tentar entender como uma empresa que meses antes apresentou um balanço saudável, chegava a situação de falência. A investigação promovida por curadores indicou problemas graves na contabilidade, com livro caixa viciado, borrões nos lançamentos, ativos de qualidade duvidosa, lançamentos estranhos antes da falência, entre outros aspectos (2).
A falência foi justificada pela desordem geral das finanças do país (3). Este fato teria sido reconhecido pelo próprio governo, que suspendeu trechos do recente código comercial. Além da estranha ausência de Amorim na assembleia de junho de 1862, a suspensão de pagamentos indica que a situação da empresa não era boa. O fato do caixa também ser o escriturário, indicando a não separação de funções, mostra problemas de controle interno na sociedade.
Dois fatos curiosos para os dias de hoje. Em primeiro lugar, num processo de falência era necessário apurar os ativos, que eram definidos na legislação através de uma lista de itens, e as dívidas. Na legislação brasileira da época isto representava o cabedal apurado, que segundo a defesa do sócio Amorim, era diferente do termo capital apurado. Assim, o cabedal apurado da entidade era positivo. Em segundo lugar, não foram incluídos na apuração do cabedal, os bens dos gerentes, o que garantiria um valor muito mais expressivo do que aquele determinado pelos curadores (5). Deste modo, não fazia sentido a “denuncia” de falência feita, de forma precipitada, por Fragoso. O cabedal (4) era suficiente.
(1) Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Provincia de Pernambuco, 1862, p. 182.
(2) Aurora Cearense, ano I, n. 18 e 19, diversas páginas. Trata-se da defesa do comendador perante o juiz criminal de Recife, feita por José Bento da Cunha Figueiredo e publicada no jornal. Este trecho específico encontra-se no número 19, p. 3.
(3) Aurora Cearense, ano I, n. 18, p. 3.
(4) Cabedal, no dicionário, refere-se a um conjunto de bens que representa a sua riqueza.
(5) Não existia a entidade.
10 dezembro 2016
Fato da Semana: Deloitte do Brasil é multada
Fato: Deloitte do Brasil é punida pelo PCAOB
Data: 5 dezembro de 2016
Histórico
2011 = A Deloitte faz auditoria do balanço da Gol. A empresa tinha encontrado alguns problemas, mas mesmo assim deu um parecer limpo.
2012 = O PCAOB faz uma fiscalização de rotina, analisando o trabalho dos auditores. Funcionários da Deloitte do Brasil começam a alterar muitos documentos para ocultar os problemas encontrados. Um deles, que buscava uma progressão dentro da empresa, tinha interesse em não deixar transparecer os problemas.
2016 = PCAOB divulga o resultado, incluindo uma multa pesada para a Deloitte do Brasil, recorde da história da entidade de fiscalização. Consta também a proibição de tomar novos clientes.
Relevância: Trata-se da maior multa já aplicada pelo PCAOB por problemas com um trabalho de auditoria. A punição ocorreu após diversos funcionários terem prestado juramento falso, com alteração de documentos sobre um trabalho realizado no passado e tentativa de obstrução de investigação. A empresa foi condenada não somente pelo que não fez (parecer limpo, quando deveria ser com ressalva), como pelo que fez. O recorde é algo bem triste e mostra como a notícia é relevante.
Notícia boa para contabilidade? São contadores brasileiros, com registros nos conselhos de classe e que ainda estão no mercado.
Desdobramentos - A empresa pagou para encerrar o caso. Reconheceu o mérito da questão. Mas os profissionais serão punidos? Neste tópico tentamos imaginar o que irá ocorrer e não existem razões para acreditar que registros serão cassados, demissões ocorreram e investigações serão conduzidas.
Mas a semana só teve isto? Sim.
Data: 5 dezembro de 2016
Histórico
2011 = A Deloitte faz auditoria do balanço da Gol. A empresa tinha encontrado alguns problemas, mas mesmo assim deu um parecer limpo.
2012 = O PCAOB faz uma fiscalização de rotina, analisando o trabalho dos auditores. Funcionários da Deloitte do Brasil começam a alterar muitos documentos para ocultar os problemas encontrados. Um deles, que buscava uma progressão dentro da empresa, tinha interesse em não deixar transparecer os problemas.
2016 = PCAOB divulga o resultado, incluindo uma multa pesada para a Deloitte do Brasil, recorde da história da entidade de fiscalização. Consta também a proibição de tomar novos clientes.
Relevância: Trata-se da maior multa já aplicada pelo PCAOB por problemas com um trabalho de auditoria. A punição ocorreu após diversos funcionários terem prestado juramento falso, com alteração de documentos sobre um trabalho realizado no passado e tentativa de obstrução de investigação. A empresa foi condenada não somente pelo que não fez (parecer limpo, quando deveria ser com ressalva), como pelo que fez. O recorde é algo bem triste e mostra como a notícia é relevante.
Notícia boa para contabilidade? São contadores brasileiros, com registros nos conselhos de classe e que ainda estão no mercado.
Desdobramentos - A empresa pagou para encerrar o caso. Reconheceu o mérito da questão. Mas os profissionais serão punidos? Neste tópico tentamos imaginar o que irá ocorrer e não existem razões para acreditar que registros serão cassados, demissões ocorreram e investigações serão conduzidas.
Mas a semana só teve isto? Sim.
09 dezembro 2016
08 dezembro 2016
07 dezembro 2016
Política e Convergência
Recentemente o Reino Unido decidiu sair da União Europeia e os EUA escolheram Trump. Segundo o presidente do Iasb, Hans Hoogervorst, estas decisões políticas não tiveram efeito sobre as normas contábeis internacionais, declarou ao Journal of Accountancy.
"É claro que é muito cedo para dizer, mas por enquanto não vemos consequências imediatas"
Apesar disto, reconheceu que no longo prazo os acontecimentos políticos podem ter efeito. Mesmo assim, as empresas multinacionais continuariam negociando e os investidores aplicando seus recursos em todo o mundo.
"Enquanto o Reino Unido decidiu deixar a UE, não decidiu deixar o mundo"
O presidente do Iasb disse que o relacionamento com o Fasb é cordial. E que acredita que Trump tem outras preocupações mais relevantes que as normas contábeis.
"É claro que é muito cedo para dizer, mas por enquanto não vemos consequências imediatas"
Apesar disto, reconheceu que no longo prazo os acontecimentos políticos podem ter efeito. Mesmo assim, as empresas multinacionais continuariam negociando e os investidores aplicando seus recursos em todo o mundo.
"Enquanto o Reino Unido decidiu deixar a UE, não decidiu deixar o mundo"
O presidente do Iasb disse que o relacionamento com o Fasb é cordial. E que acredita que Trump tem outras preocupações mais relevantes que as normas contábeis.
06 dezembro 2016
Frase
"Esta é a má conduta mais séria que descobrimos. É encobrimento em cima de encobrimento em cima de encobrimento" (Claudius Modesti, diretor de Fiscalização do PCAOB, sobre a Deloitte do Brasil e o balanço da Gol, segundo Valor Econômico)
Nacionalismo contábil
O Wall Street Journal (via aqui) informou que o chefe de contabilidade da SEC afirmou que as normas contábeis dos Estados Unidos (leia-se Fasb) serão adotadas pelo país no futuro previsível.
Links
GM (Jogadores de xadrez ) por pessoas
Cristiano Ronaldo e o paraíso fiscal: 60 milhões de euros não declarados
O que cada país tem de melhor (mapa. Brasil = açúcar)
Nomes de meninos e meninas mais populares em 2016
Cristiano Ronaldo e o paraíso fiscal: 60 milhões de euros não declarados
O que cada país tem de melhor (mapa. Brasil = açúcar)
Nomes de meninos e meninas mais populares em 2016
05 dezembro 2016
Dois gráficos
Dois gráficos da Gol:
O primeiro, a cotação da ação caiu 3,65% no dia de hoje. O segundo, a linha do resultado líquido de 2002 até o terceiro trimestre de 2016. Destaque para os anos de 2010. centro da polêmica entre a Deloitte, que auditava, e o PCAOB, que puniu a auditoria brasileira com multa recorde.
O primeiro, a cotação da ação caiu 3,65% no dia de hoje. O segundo, a linha do resultado líquido de 2002 até o terceiro trimestre de 2016. Destaque para os anos de 2010. centro da polêmica entre a Deloitte, que auditava, e o PCAOB, que puniu a auditoria brasileira com multa recorde.
Links
15 anos depois, Enron ainda importa (é uma das palavras mais citadas no verbete Accounting)
Mais evidenciação sobre risco de sustentabilidade, mas ainda não como queremos
Clima e eficiência do mercado
A competição nas eleições e a corrupção: nem muita, nem pouca competição
XKCD: Crítica a significância estatística (ao lado, clique para ler)
Mais evidenciação sobre risco de sustentabilidade, mas ainda não como queremos
Clima e eficiência do mercado
A competição nas eleições e a corrupção: nem muita, nem pouca competição
XKCD: Crítica a significância estatística (ao lado, clique para ler)
Deloitte do Brasil é punida pelo PCAOB
O PCAOB, responsável pela supervisão dos auditores dos Estados Unidos, puniu a Deloitte do Brasil com uma multa de 8 milhões de dólares. Trata-se da maior multa aplicada pelo PCAOB, informou o Valor Econômico. A empresa de auditoria foi condenada por problemas de qualidade no seu trabalho e por não ter cooperado com as investigações. Também foram multados 12 ex-sócios e outros funcionários. O PCAOB, através do diretor da divisão de investigação, afirmou que se trata de um dos "mais sérios erros de conduta" descobertos pela entidade.
O problema ocorre com um parecer com afirmações falsas sobre o balanço da Gol:
antes de ele iniciar sua fiscalização sobre o caso, em 2012, a Deloitte ordenou que um de seus funcionários alterasse os documentos da auditoria do balanço de 2010 para ocultar as deficiências encontradas
Os documentos falsos foram apresentados para os inspetores do PCAOB. Alguns funcionários da empresa de auditoria deram informações falsas sob juramento. O nome dos punidos pode ser encontrados aqui.
O problema ocorre com um parecer com afirmações falsas sobre o balanço da Gol:
antes de ele iniciar sua fiscalização sobre o caso, em 2012, a Deloitte ordenou que um de seus funcionários alterasse os documentos da auditoria do balanço de 2010 para ocultar as deficiências encontradas
Os documentos falsos foram apresentados para os inspetores do PCAOB. Alguns funcionários da empresa de auditoria deram informações falsas sob juramento. O nome dos punidos pode ser encontrados aqui.
CRC na Política
O Conselho Regional de Contabilidade divulgou um comunicado político assinado pelo seu presidente através do Facebook (dica de Alexandre Alcantara, grato). Podemos até concordar com a opinião do presidente, mas não será a posição expressa no comunicado exagerada? A afirmação de que o "congresso nacional não pode mais ser aceito como representante do povo brasileiro" é uma opinião que pode dar ensejo a diversas interpretações. Concluir com um "não dá mais para aceitar (...)" pode induzir sugestões inadequadas a uma democracia. Abranger "os deputados federais" é negar que as decisões do legislativo são majoritárias, com direito a divergências. (Além disto, no parágrafo seguinte o presidente inclui todo o "Congresso Nacional"; somente para lembrar, o congresso é composto dos deputados e dos senadores, indicando um erro básico da legislação brasileira).
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