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25 dezembro 2025

Podemos substituir LLM por humanos em pesquisa?


Imagem aqui 

Parece loucura isso. Pesquisas usando IA no lugar de seres humanos. Eis um trecho da discussão

No início deste ano, comecei a prestar atenção em propostas que sugerem o uso de LLMs para simular participantes em surveys e experimentos comportamentais. A ideia é que os LLMs possam ser instruídos por meio de prompts que incluam as instruções do experimento ou do questionário e uma persona de participante (por exemplo, uma descrição demográfica), tornando possível simular amostras humanas-alvo sem os custos e as dificuldades de recrutar pessoas reais. Diversos artigos têm apontado resultados promissores — como situações em que os resultados obtidos com LLMs apresentam correlação moderada a alta com os resultados de estudos com humanos — para argumentar que essa abordagem poderia transformar as ciências comportamentais: aumentando tamanhos amostrais, gerando contrafactuais ausentes, permitindo aprender sobre populações de difícil acesso ou sobre situações eticamente sensíveis, entre outros benefícios.

O elefante óbvio na sala é a validação: como estabelecer que conclusões sobre o comportamento humano, derivadas de análises que substituem ou complementam dados humanos com saídas de LLMs, são válidas? Em outras palavras, como garantir que o uso de LLMs não introduz vieses sistemáticos na estimação do parâmetro humano de interesse (efeitos médios, coeficientes de regressão etc.)? Muitos artigos sobre esse tema lidam com essa questão de maneira frouxa e heurística. Por exemplo, os autores demonstram uma replicação parcial de alguns resultados humanos com LLMs e, em seguida, passam a argumentar que os LLMs poderiam ser usados para aproximar o comportamento humano de forma mais ampla naquele domínio. Alguns trabalhos tentam formalizar esse tipo de validação heurística.

Então decidimos escrever algo especificamente sobre a validação de participantes de estudos baseados em LLMs: como é o panorama das abordagens que vêm sendo adotadas e, dentre elas, quais atendem aos requisitos mínimos para produzir estimativas válidas de parâmetros em análises posteriores. 

O texto completo pode ser encontrado aqui. Em resumo, devemos ter cuidado (feito pelo GPT):

O uso de LLMs para substituir participantes humanos não é, em geral, válido quando o objetivo é produzir inferências confiáveis sobre o comportamento humano. Embora LLMs possam reproduzir padrões aparentes de respostas humanas e apresentar correlações elevadas com dados reais, isso não garante validade inferencial. A principal limitação está no risco de vieses sistemáticos: erros dos LLMs podem estar correlacionados com variáveis de interesse, comprometendo estimativas de médias, efeitos causais ou coeficientes de regressão, mesmo quando o viés médio parece pequeno.

O uso de LLMs pode ser aceitável em contextos exploratórios, como geração de hipóteses, testes preliminares de desenho experimental ou identificação de possíveis efeitos, desde que haja cautela na interpretação dos resultados. Para pesquisas confirmatórias, a substituição direta de humanos por LLMs só seria defensável se acompanhada de procedimentos rigorosos de validação e calibração estatística, com dados humanos auxiliares e ajustes explícitos para vieses residuais. Sem isso, LLMs devem ser vistos como ferramentas complementares — e não substitutos — da pesquisa com participantes humanos.

Senhas de 4 dígitos

Há 10 mil combinações possíveis em uma senha de 4 (0-9). Para avaliar as mais comuns, o cientista de dados Nick Berry elaborou um estudo com base em vazamento de dados e o Information is Beautiful elaborou um belo e interessantíssimo gráfico.

Além das mais óbvias, 1234 (11%) e 1111 (6%) liderando o ranking, as datas de nascimento, combinações com “19”, são as mais frequentes, mostrando que valorizamos mais a memória que a segurança.


 

Publicamos anteriormente outro gráfico relacionado a senhas publicado pelo Information is Beautiful: aqui.

Rir é o melhor remédio

 

Fonte: aqui

24 dezembro 2025

Prefeito quer cobrar por acesso a atração turística


Os turistas que quiserem chegar perto da Fontana di Trevi, em Roma, em breve terão que pagar uma taxa de dois euros (US$ 2,34) (R$ 12,92), disse o prefeito da cidade na sexta-feira, enquanto autoridades buscam lucrar com as atrações da Itália.

O prefeito Roberto Gualtieri disse a jornalistas que o novo sistema de pagamento deve começar em 1º de fevereiro, acrescentando que a medida deve arrecadar 6,5 milhões de euros por ano.

“Dois euros não é muito… e levará a fluxos turísticos menos caóticos”, disse Gualtieri, enfatizando que cidadãos de Roma continuarão a ter acesso gratuito à fonte.

Os turistas terão que pagar se quiserem subir nos degraus de pedra que cercam a bacia da fonte, enquanto a pequena praça ao redor, que oferece uma vista do imponente monumento, permanecerá aberta para todos.

A Fontana di Trevi, onde a tradição determina que se jogue uma moeda na água para garantir seu retorno a Roma, há muito tempo é uma grande atração turística, até mesmo para líderes mundiais em visita.

Concluído em 1762, o monumento é uma obra-prima do barroco tardio que retrata Oceanus, o deus de todas as águas, e simboliza os diferentes estados de espírito dos mares e rios do mundo.

Ele recebeu nove milhões de visitantes até o momento neste ano, disse Gualtieri.

Pessoas que visitavam o ponto turístico nesta sexta-feira disseram que estariam dispostos a pagar se o dinheiro fosse bem utilizado.

Gualtieri disse que cinco outros locais relativamente desconhecidos em Roma, atualmente gratuitos, começarão a cobrar cinco euros pelo acesso a partir de fevereiro, dando continuidade à tendência recente de obter lucro a partir do patrimônio cultural da Itália.

Em 2023, foi introduzida uma taxa de entrada de cinco euros para o antigo Panteão de Roma. Como resultado, a praça do lado de fora costuma ficar lotada de pessoas esperando sua vez de pagar e entrar.

Veneza introduziu um sistema de taxa de entrada para turistas durante a alta temporada, enquanto Verona começou a cobrar neste mês pelo acesso à sacada na cidade do norte da Itália associada à peça “Romeu e Julieta”, de Shakespeare.

Fonte: Forbes 

Pagamento de atração turística pode ser interessante para arrecadar fundos para manutenção do ativo patrimonial. Mas também, como uma consequência não programada, permitir uma mensuração do seu real valor. 

A desvantagem é que cria uma expectativa de ser uma atração diferenciada.  

Compensa não ter governança

No meio da disputa entre a Paramount e a Netflix, um fato parece que passou desapercebido. No final da história, o executivo David Zaslav (foto) irá receber uma indenização de 567 milhões de dólares ao deixar a Warner Bros. Discovery.  Zaslav tem sido considerado um executivo incompetente, mas irá receber um pacote generoso em dinheiro e ações. 

Em sua gestão, a Warner perdeu valor de mercado, aumentou o passivo, cortou projetos e foi inconstante com marca histórica. Decisões de corte de custos, demissões e outras prejudicaram a empresa.  

A explicação entre o dinheiro que ele vai receber e o seu desempenho está, obviamente, na governança corporativa fracassada. 

Correios, provisões, passivo

Eis a notícia 

Os Correios reduziram de maneira irregular um passivo judicial trabalhista de R$ 1 bilhão para apenas R$ 18 no balanço de 2023, de acordo com auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU). 


A CGU constatou que a prática confrontou princípios e normas contábeis. “Tal procedimento resultou em um registro contábil que não reflete com fidelidade a obrigação presente da entidade, descumprindo os critérios de reconhecimento, mensuração e evidenciação contábil”, diz o relatório da auditoria. 

O órgão de fiscalização fez uma auditoria nas demonstrações contábeis de 2023 dos Correios. A empresa passa por uma crise financeira com prejuízos crescentes e agora terá um empréstimo de R$ 12 bilhões de cinco bancos com garantia da União. 

Os passivos trabalhistas na Justiça afetam negativamente o resultado contábil da empresa. As provisões, como são chamadas tecnicamente, atingiram R$ 3,4 bilhões nos Correios em 2023, segundo a CGU. Além disso, havia “passivos contingentes”, ou seja, riscos judiciais com possibilidade de perda, que não são registrados contabilmente, mas podem virar passivos reais no futuro, no montante de R$ 4,8 bilhões. 

As ações judiciais dizem respeito ao pagamento do Adicional de Atividade de Distribuição e Coleta (AADC) com o Adicional de Periculosidade (AP) aos carteiros motorizados. Em fevereiro de 2024, os Correios reduziram o saldo trabalhista dessas ações nas demonstrações contábeis do ano anterior. Até então, o custo de cada ação variava de R$ 199,7 mil até R$ 362,9 milhões no balanço, conforme o tamanho do grupo de funcionários e o Estado de origem. Eram 18 ações no total e todas tiveram o custo reduzido a R$ 1,00 cada. 

A empresa adotou uma manobra contábil baseada na tese jurídica da compensação, segundo a CGU, aplicando um entendimento que poderia abater os débitos com valores a receber de outra ação judicial movida pelos Correios. É como se uma dívida fosse considerada paga por causa de um pagamento futuro que a empresa teria direito a receber. Nesta última ação, os Correios obtiveram uma decisão liminar, em janeiro de 2024, que suspendeu os efeitos de uma portaria do Ministério do Trabalho que regulamentava o Adicional de Periculosidade. Segundo a estatal, essa vitória na Justiça reduziu os valores devidos pela empresa. A companhia usou então essa decisão favorável para gerar “créditos” no balanço e compensar o passivo relacionado à ação trabalhista movida pelos carteiros, de acordo com a CGU. Os auditores identificaram que a estatal efetivou a compensação “baseada em eventos futuros com nível de incerteza, o que é vedado pelas normas contábeis.” 

Em resposta à própria CGU no âmbito da auditoria, os Correios afirmaram que reduziram o valor para refletir “a melhor estimativa com base em fatos novos e evidências objetivas”. A empresa justificou que atendeu as normas legais e que não houve compensação indevida entre ativos e passivos, seguindo “um processo decisório técnico e documentalmente suportado, com validação interna e externa”. Ainda segundo os Correios, a redução “não se configura como compensação indevida, mas como revisão legítima da estimativa contábil.” 

Os argumentos dos Correios, porém, não convenceram os auditores da CGU. Os técnicos observam que a redução do passivo se deu na expectativa de vitória em um processo judicial que questiona a portaria do Ministério do Trabalho, que reduziria os valores pagos pela estatal a título de adicional de periculosidade. 

“Embora a unidade afirme que essa tese foi acolhida pelo TST em decisão específica, o fato é que se trata de teses jurídicas pendentes de julgamento definitivo, cuja efetiva materialização depende do trânsito em julgado dessas ações, o que caracteriza incerteza relevante”, diz a auditoria. Conforme a CGU, os Correios classificaram a vitória na Justiça como “não contingenciável”, ou seja, seus efeitos não deveriam ser refletidos diretamente na mensuração de passivos ou ativos, na medida em que não há, até o momento, “geração de um recurso econômico presente, certo e controlável pela entidade”. 

A CGU recomendou aos Correios ajustes nos registros contábeis e a reapresentação do balanço em relação às ações judiciais, considerando as normas contábeis vigentes. Além disso, será preciso revisar a memória de cálculo das compensações para demonstrar o saldo de cada empregado de forma individualizada, garantindo que os valores adotados na liquidação das obrigações e na compensação sejam correspondentes.

Esqueceram de mim

Luis Batalha reassistiu a Esqueceram de Mim e se perguntou: quão plausível seria a premissa de que a família de Kevin acordou atrasada e o deixou para trás?

Ele estabelece a ambientação: uma queda de energia durante a noite desativa os alarmes da casa, fazendo com que a família acorde apenas às 8h da manhã, quando a empresa de transporte toca a campainha. Esse atraso desencadeia uma corrida desorganizada contra o tempo rumo ao aeroporto, na qual, em meio ao caos, Kevin acaba sendo esquecido.

Assim, Batalha divertidamente tece alguns parâmetros e estima que a probabilidade de quatro adultos não acordarem antes das 8h na ausência de um alarme seja de aproximadamente 0,13%. O autor acrescenta que outras variáveis poderiam reduzir ainda mais essa chance, como crianças que acordam mais cedo, ansiedade pré-viagem, adultos dormindo em casais, que pode ocasionar sono mais fragmentado. 
Observações adicionais que cooperaram para que o Kevin fosse esquecido:

Na noite anterior, a passagem e o passaporte do Kevin foram acidentalmente jogados no lixo, quando o pai limpou uma bagunça na mesa de jantar.

Nas vans de transporte, a irmã do Kevin o confundiu um vizinho durante a contagem de passageiros antes do embarque.

Ou seja, para que esse clássico natalino desse certo, muita coisa precisou dar errado. Conforme concluiu Batalha: improvável, porém não impossível.