O que se pode dizer sobre os mercados financeiros atuais é que, estejam ou não em uma bolha, eles continuam flertando com o surreal. Ativos financeiros tradicionais, como títulos ou ações, vêm acompanhados da expectativa de fluxos de caixa futuros. Os operadores compram e vendem esses ativos porque têm visões diferentes sobre o tamanho desses pagamentos ou sobre como avaliar determinado fluxo de caixa futuro. Há aqui um toque de magia: uma soma desconhecida amanhã transforma-se em um valor muito específico hoje. Essa magia é o pão de cada dia das finanças.
Mas essa é uma narrativa bastante antiquada. A economia do surreal nos oferece criptomoedas como Bitcoin, DogeCoin e outras — além das ações meme, como GameStop em 2021 e Krispy Kreme neste verão. Tudo isso já se tornou tão familiar que é fácil perder de vista o quão surreal realmente é. Ações meme até têm fluxos de caixa, mas poucos fingem que eles sejam relevantes; em vez disso, seus preços são impulsionados por investidores de varejo que se incentivam mutuamente nas redes sociais a comprar.
Mais adiante, o autor cita o chocolate de Dubai com um exemplo desse aspecto surreal:
Isso é o equivalente financeiro do chocolate de Dubai. Charles Spence, professor de psicologia experimental da Universidade de Oxford, comentou recentemente sobre a popularidade repentina do chocolate de Dubai — aquele com pistache e massa filo desfiada. Spence argumenta que o chocolate de Dubai se beneficia de três atributos: parece exótico; o recheio crocante leva influenciadores do TikTok a fazer expressões faciais interessantes enquanto o comem; e, acima de tudo, o contraste entre o recheio verde-vivo e a cobertura marrom de chocolate fica ótimo na câmera. O que conecta esses três elementos? Superficialidade. Vivemos em um mundo de aparências. Pelo menos o chocolate de Dubai é uma barra de chocolate. Não tenho certeza se a DogeCoin é alguma coisa.

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