Escrevendo sobre o uso de relógios fitness, Tim Harford observa:
Ainda assim, como muitas métricas de desempenho, o relógio também pode me levar a atividades contraproducentes, como treinar em excesso até o ponto de lesão. A função de monitoramento do sono tenta muitas pessoas a pensar demais sobre o sono, o que é justamente o tipo de coisa que dificulta pegar no sono. Há até um termo técnico para isso: “orthosomnia”. Significa que você está perdendo sono porque está preocupado que seu rastreador de sono esteja julgando você.
Há outro efeito sutil em ação, algo chamado “fixação pela quantificação”. Um estudo publicado no ano passado pelos cientistas comportamentais Linda Chang, Erika Kirgios, Sendhil Mullainathan e Katherine Milkman convidou participantes a escolher entre uma série de duas opções, como destinos de férias ou candidatos a emprego. Chang e seus colegas descobriram que as pessoas levavam números mais a sério do que palavras ou símbolos. Ao decidir entre um hotel barato e caindo aos pedaços ou um caro e luxuoso, ou entre um estagiário com fortes habilidades de gestão ou outro com fortes habilidades em cálculo, os participantes do experimento favoreceram sistematicamente a característica que vinha acompanhada de um número, em vez de uma descrição como “excelente” ou “provável”. Os números podem nos fixar.
“Uma implicação central de nossos achados”, escrevem os pesquisadores, “é que, ao tomar decisões, as pessoas são sistematicamente enviesadas a favorecer opções que dominam em dimensões quantificadas. E trade-offs que colocam informações quantitativas contra qualitativas estão por toda parte.”

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