Haverá alguma ligação entre conhecer bem um assunto e ser uma pessoa questionadora? Nos últimos anos parece que cresceu o número que questionam verdades simples, como o fato da Terra não ser plana. Essas pessoas acreditam realmente nessas coisas, mesmo diante de inúmeras constatações. Mas afirmar com convicção que nosso planeta é plano deveria exigir conhecimento e especialização, que muitas vezes faltam as incrédulos.
Mas parece que pessoas que questionam as verdades provadas pela ciência são menos informadas. Um artigo (via aqui) fez recentemente uma ligação interessante para investigar se a oposição ao consenso estaria relacionada com o excesso de confiança no próprio conhecimento.
Os pesquisadores fizeram uma série de perguntas sobre temas que estão consolidados pela ciência. Em uma das questões eles perguntaram se o centro da Terra é muito quente. O entrevistado tinha que dizer sim ou não e, nesse caso, a resposta é sim. Ao final, os cientistas tinha uma visão clara do grau de conhecimento do entrevistado. Na outra fase da pesquisa, tentou-se medir o grau de confiança nas respostas. E as pessoas com baixa pontuação na primeira parte tendem a expressar mais confiança na segunda parte da pesquisa.
Ou seja, as pessoas com menor conhecimento objetivo acreditam que sabem mais. Quem respondeu que o centro da Terra não é muito quente acreditava realmente nisso, mesmo não sendo especialista. Mais do que isso, estão dispostos a apostar nas suas respostas.
Para essas pessoas, fornecer mais informação não parece funcionar com essas pessoas. E agora chegamos finalmente na contabilidade. Um pressuposto de um regulador contábil (Iasb, Fasb etc) que é podemos ajudar as pessoas fornecendo mais informação. O problema aqui não é a existência ou não da informação, mas a confiança excessiva no conhecimento do próprio usuário.
Uma alternativa é usar normas sociais e figuras reconhecidas - um influenciador (aqui) seria o caso (?) , aliado a um contexto institucional.

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