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02 janeiro 2026

Transferência em dinheiro e transferência em espécie


Eis o resumo de uma pesquisa importante para as políticas públicas: 

Estimamos e comparamos os impactos de transferências em dinheiro e transferências em espécie sobre o consumo de bens de tentação na mesma população e exploramos as implicações normativas desses efeitos. Utilizamos duas décadas de dados da Carolina do Sul sobre benefícios em dinheiro do Supplemental Security Income (SSI) e benefícios em espécie do Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP), vinculados a dados detalhados sobre o uso de serviços de saúde por adultos. Nossa estratégia empírica examina mudanças nos resultados nos dias imediatamente posteriores ao pagamento mensal programado de cada transferência. As visitas a prontos socorros por uso de drogas e álcool aumentam entre 20% e 30% após o recebimento do SSI, mas não reagem ao recebimento do SNAP. O preenchimento de prescrições médicas para novas enfermidades também aumenta após o recebimento do SSI, mas não responde ao SNAP. Motivados por esses resultados de não fungibilidade, desenvolvemos um modelo de um planejador social paternalista que escolhe a combinação entre transferências em dinheiro e SNAP em um programa de transferências com orçamento fixo, quando os consumidores apresentam problemas de autocontrole e podem recorrer à contabilidade mental. Mostramos que a participação ótima do SNAP é estritamente positiva e fracamente crescente à medida que o autocontrole piora. Além disso, na presença de heterogeneidade em autocontrole e contabilidade mental, o planejador pode optar por utilizar o SNAP mesmo quando dispõe de um imposto pigouviano uniforme sobre o bem de tentação. 

Isso é interessante, pois tinha a sensação que transferência em dinheiro promovia flexibilidade na decisão do gasto, sendo mais interessante para fins de políticas públicas. O debate recente do uso do dinheiro do bolsa família poderia incorporar a questão, tomando o devido cuidado de lembrar que benefícios em espécie tem problemas de desvio, corrupção e superfaturamento.  

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