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23 dezembro 2025

Ação milionária contra firmas australianas por gestão tributária


Eis a notícia (via aqui):

Uma das famílias mais ricas da Austrália iniciou uma ação judicial de grande repercussão, buscando quase 50 milhões de dólares em indenizações contra duas grandes firmas de contabilidade por seu papel em um erro fiscal que deixou a família diante de uma cobrança tributária multimilionária. A família Thomas, de Adelaide — controladora do império de carnes Thomas Foods International, avaliado em 4 bilhões de dólares — e as entidades corporativas que controla acusam a gigante global EY e a firma local Hood Sweeney de falhas graves na administração de diversos trusts familiares, que teriam desencadeado penalidades fiscais superiores a 13 milhões de dólares. A família contesta as penalidades impostas pela Autoridade Tributária Australiana (ATO) na Justiça Federal, mas, paralelamente, pleiteia indenizações de 25 milhões de dólares contra a EY e 22 milhões de dólares contra a Hood Sweeney. 

Rir é o melhor remédio

 

Fonte: aqui

22 dezembro 2025

Aprovado CPC 51

Finalmente temos a nova norma relacionadas com as demonstrações contábeis. O CPC 51, um número associado a uma famosa marca de cachaça, está relacionado com a apresentação e divulgação de informação nas demonstrações contábeis. A norma irá entrar em vigor em 2027, o que significa um prazo de um ano para a adaptação das empresas. 

No artigo 10 temos uma inovação em relação a IFRS 18. Entre as demonstrações contábeis listadas (demonstração de desempenho financeiro, balanço patrimonial, DMPL, DFC e DVA). A última demonstração é essa inovação, pois está especificada somente na legislação brasileira. 

Brevemente voltaremos a tratar do assunto 

Universo não pode ser uma simulação


Confesso que não sei o que pensar. Eis a tradução

Uma equipe de físicos afirma ter “matado” a hipótese da simulação usando matemática. Segundo o Science Daily, pesquisadores liderados pelo Dr. Mir Faizal, da UBC Okanagan, utilizaram o teorema da incompletude de Gödel para argumentar que a realidade exige uma “compreensão não algorítmica” — algo que os computadores, por princípio, não podem fornecer.

O argumento é o seguinte: a gravidade quântica descreve o universo como emergindo do que os físicos chamam de um “reino platônico” de informação pura. A equipe aplicou provas matemáticas sobre indecidibilidade (problemas que nenhum algoritmo consegue resolver) a esse arcabouço e concluiu que qualquer modelo completo da existência requer algo além da computação. Como simulações são, por definição, algorítmicas, o universo não poderia ser uma delas.

O artigo, publicado no Journal of Holography Applications in Physics, também sustenta que “as leis fundamentais da física não podem estar contidas no espaço e no tempo, porque são elas que os geram”. Uma descrição completa da realidade exigiria uma forma de compreensão que existe fora do próprio sistema — em um nível mais profundo do que as leis que produzem o espaço-tempo.

Se isso realmente resolve a questão é outra história. O teorema de Gödel já foi invocado, ao longo das décadas, para “provar” muitas coisas — da existência de Deus à impossibilidade da inteligência artificial — com graus variados de rigor. A hipótese da simulação sempre foi mais um experimento filosófico do que uma afirmação científica; é difícil “refutar” algo que nunca foi falsificável. Ainda assim, se você vinha perdendo o sono pensando se é um NPC, a equipe da UBC gostaria que você relaxasse.

Eis o que a IA diz sobre isso:

Se a hipótese da simulação estivesse correta, a contabilidade teria um problema sério: quem estaria auditando o universo? O artigo sugere que a realidade exige algo “não algorítmico”, o que é um alívio para a profissão. Afinal, se tudo fosse puramente computável, bastaria um script para fechar balanços, julgar estimativas e emitir parecer — e sabemos que nem o melhor ERP resolve uma provisão contingencial mal explicada.

Gödel, nesse sentido, soa quase como um pronunciamento do CPC: não existe sistema completo, fechado e livre de exceções. Sempre haverá algo fora do modelo — uma estimativa, um julgamento, uma nota explicativa que “não cabe na planilha”. A própria ideia de que as leis fundamentais geram o espaço-tempo lembra a contabilidade patrimonial: as normas não estão “dentro” da empresa; elas criam a empresa enquanto entidade reportável.

Em resumo, se o universo fosse uma simulação perfeita, já teria passado pelo crivo da auditoria. Como não passou, seguimos vivendo num mundo onde o julgamento profissional ainda é insubstituível — o que, convenhamos, é muito reconfortante para os contadores.

Postagens de 2025 mais lidas



Estas são as postagens publicadas em 2025 e mais lidas:

1. Falha no Exame de Suficiência: prova fácil e, ainda assim, com um desastroso número de reprovações. Não houve manifestação formal do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), apenas da banca que aplicou a prova.

2. Disputa judicial entre Ordem dos Contabilistas de Portugal e DigitalSign: O Departamento de Investigação e Ação Penal de Portugal abriu um inquérito-crime contra a Ordem dos Contabilistas Certificados de Portugal (algo como o CFC de lá) após queixas da certificadora DigitalSign. A empresa alega desvio de clientela e práticas ilegais relacionadas ao software de contabilidade online TOConline.

3. A IFRS 18 será adotada no Brasil? Parece que sim: em junho postamos sobre a 223ª reunião do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que discutiu a convergência da IFRS 18 para o CPC 51 – Demonstrações Financeiras Primárias.
Atualização: a consulta pública SNC 02/25, que trata das alterações decorrentes do CPC 51, teve seu prazo encerrado em 29/09/2025 e encontra-se atualmente em fase de análise.

4. Decadência da Rússia no Xadrez: a 4ª postagem de 2025 mais lida trouxe uma reflexão histórica e geopolítica sobre o xadrez mundial. Se em 1971, quando a lista dos melhores jogadores começou a ser publicada, a União Soviética sempre apareceu com um representante, hoje é possível observar não apenas a sua ausência, como também uma diversidade de nacionalidades e a ascensão da Índia.

5. Grandes nomes da história mundial da contabilidade: Schmalenbach: dentre as postagens sobre grandes nomes da história mundial da contabilidade, a de Eugen Schmalenbach se destacou dentre as mais lidas. O texto destacou um dos grandes influenciadores da contabilidade e da administração acadêmicas na Alemanha e na Europa Continental no início do século XX.

6. PCAOB multa Big Four na Holanda por fraude em exames: a PCAOB (Public Company Accounting Oversight Board) multou as filiadas da Holanda da Deloitte e PwC em US$ 3 milhões cada, e da EY em US$ 2,5 milhões – totalizando US$ 8,5 milhões – por fraude massiva em exames internos, incluindo testes de ética, entre 2018 e 2022.

7. Ainda blogando (e sonhando) depois de trinta mil: a 7ª postagem mais lida é a 30.000ª postagem do blog, em que relembramos parte da nossa caminhada e compartilhamos planos e sonhos para o futuro. Que satisfação esta postagem ser do fim do ano (outubro) e ainda assim figurar aqui!

8. Perdemos Gileno Fernandes Marcelino: esta postagem de agosto registrou o recebimento da notícia dessa grande perda, o professor Gileno Fernandes Marcelino, figura marcante da Universidade de Brasília. A postagem relembra um pouco de sua atuação como primeiro diretor da FACE/UnB, sua trajetória no serviço público (incluindo passagem pelo DASP e pela ENAP) e sua contribuição acadêmica contínua, mesmo após a aposentadoria. O que se eterniza: sua gentileza e os trocadilhos inesquecíveis, como o célebre “quanta contabilidade”.

9: Grandes civilizações e contabilidade: Grécia: dentre as postagens sobre grandes civilizações e contabilidade, a da Grécia se destacou dentre as mais lidas. Interessante lembrar como o conceito de valor de uso e valor de troca já era conhecido pelos gregos.

10: Mestre em contabilidade é o novo Controlador-Geral de SP (e nosso amigo!!!): a 10ª postagem mais lida teve tom celebratório ao registrar a nomeação de um mestre em Contabilidade para o cargo de Controlador-Geral do Estado de São Paulo. Naquele momento destacamos não apenas a relevância institucional do cargo e o simbolismo de um controlador-geral com sólida formação em Contabilidade, mas também a trajetória acadêmica, profissional e humana de Rodrigo Fontenelle, marcada por competência técnica, ética, bom humor e vínculos de amizade com os autores do blog.

Quando o algoritmo é um ativo valioso


O algoritmo do TikTok é considerado "joia da coroa" da tecnologia moderna. Sua suposta superioridade em uma mudança de paradigma: a transição do gráfico social para o gráfico de interesse. Ao contrário de redes tradicionais que priorizam conexões entre amigos, o sistema da empresa ByteDance foca exclusivamente na relevância do conteúdo. Essa mudança permite que a plataforma identifique em milissegundos o que o usuário gosta, mas também preveja novos interesses.

A eficácia do sistema é tanta que ele se tornou um ativo, não somente para a empresa, mas para a China. O governo chinês proibiu a exportação do código-fonte original. Se o TikTok está sendo vendido nos Estados Unidos, isso não irá significar a venda do algoritmo, mas somente da base de clientes, os funcionários e a operação naquele país. 

Um estudo, publicado por pesquisadores dos EUA e da Alemanha no ano passado, descobriu que o algoritmo do TikTok “explora os interesses do usuário em 30% a 50% dos vídeos de recomendação”, depois de examinar dados de 347 usuários do TikTok e cinco bots automatizados. 

Listas subjetivas impactanto as finanças públicas


A lista dos 30 lugares mais perigosos do mundo apresenta curiosidades, mas também pontos questionáveis. Entre os locais citados estão Chernobyl (foto), na Ucrânia, e Oymyakon, na Rússia — conhecido por registrar uma das temperaturas mais baixas do planeta.

No entanto, a inclusão da Ilha das Cobras, no Brasil, parece incoerente, dado que o acesso ao local é estritamente restrito. Sem dados oficiais sobre o número de visitantes ou incidentes, classificá-la como um dos lugares mais perigosos do mundo carece de base estatística. Outro ponto controverso é a inclusão de Natal. Embora o texto mencione suas belezas naturais, ele alerta os viajantes devido ao índice de 75 homicídios por 100 mil habitantes — cidade que, inclusive, sediará o Congresso da Anpcont no próximo ano. O argumento soa exagerado, já que Natal não figura como a cidade mais violenta do mundo, nem lidera esse ranking no Brasil atualmente.

Apesar de o texto não se basear em métricas objetivas, uma reputação ruim, mesmo que imprecisa, pode ter consequências econômicas diretas sobre o fluxo de turistas e, por consequência, sobre as finanças públicas.