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06 abril 2026

Impacto do uso da IFRS na Índia


O resumo Abacus:

Este estudo investiga se a implementação das International Financial Reporting Standards (IFRS) tem impacto sobre o valor para os acionistas e a participação de investidores institucionais estrangeiros no mercado acionário doméstico da Índia. O estudo explora especificamente o contexto da delimitação regulatória na implementação das IFRS com base em um limiar de patrimônio líquido das empresas e emprega uma abordagem de estudo de eventos, combinada com um desenho de diferença-em-diferenças, para elucidar os efeitos das IFRS. Os resultados revelam uma reação positiva do mercado aos anúncios relacionados às IFRS, levando a um aumento expressivo de 4,26% no preço das ações das empresas obrigadas a adotar esse padrão contábil. Notavelmente, em termos de valor para os acionistas, observa-se um aumento sustentado de longo prazo apenas para as empresas que migraram para as IFRS. Esse incremento reforça a valorização proporcionada pelas IFRS no mercado indiano. Além disso, o estudo também encontra evidências convincentes de um aumento significativo na participação acionária de investidores institucionais estrangeiros em empresas em conformidade com as IFRS após a implementação. De modo geral, o estudo enfatiza a importância dos frameworks IFRS tanto para investidores domésticos quanto estrangeiros e produz implicações relevantes para diversos stakeholders envolvidos no processo de divulgação corporativa, incluindo empresas, órgãos reguladores e normatizadores contábeis.

Saravanan, R. and Firoz, M. (2026), Does IFRS Matter in the Indian Capital Market? A Domestic and Foreign Investor Perspective. Abacus. https://doi.org/10.1111/abac.70036 

Isso parece de acordo com as pesquisas recentes sobre o uso de normas internacionais de contabilidade pelo padrão IFRS quando o país tem uma qualidade contábil inferior aos padrões.  

Rir é o melhor remédio

Todos no mesmo barco


 

05 abril 2026

Apocalipse do Software como um serviço afeta a Microsoft


O termo SaaSpcalypse é a junção de SaaS (sofware as a service) com apocalypse. É um termo muito novo, desse ano ainda, e mostra o medo de que a IA reduza o valor das empresas tradicionais de software por assinatura. 

Antes da IA, as empresas pagavam por ferramentas SaaS para executar certas tarefas. Mas os investidores estão entendendo que a IA consegue fazer esse trabalho, o que irá reduzir preço e margens dos softwares existentes. E uma das empresas que poderia com esse apocalipse seria a Microsoft. E as ações da empresa recentemente sofreram impacto com essa crença, mesmo com o crescimento das receitas. 

Como a Microsoft vende o Copilot, um produto que ainda não compete com outras ferramentas de IA. E a Microsoft deixa de ter produtos vendáveis para seus clientes, que agora estariam usando os concorrentes GPT, Claude e outros. Para compensar, a empresa precisa de grandes gastos em infraestrutura. A responsabilidade do Copilot é manter os clientes na Microsoft. 

Com o mercado ansioso, a queda no preço das ações.

03 abril 2026

Análise custo-benefício de plantar árvore em São Paulo


E se o prefeito da cidade de São Paulo resolvesse plantar 3 milhões de árvores? Há um custo na tarefa e manutenção que pode atingir 5,4 bilhões de dólares, ou cerca de 1.800 dólares por árvore. Só que esse custo seria distribuído ao longo do tempo, tornando o investimento de aproximadamente 245 dólares por residente mais suportável para o contribuinte.  

Plantar árvores significa melhorar as condições de vida, combater as ilhas de calor que causam até 70% da mortalidade em ondas de calor na capital, melhorar a saúde e reduzir mortes. Temos um custo, mas precisamos entender o que significam, em termos numéricos, os benefícios. 

 Há uma métrica chamada Valor de uma Vida Estatística (VSL) para determinar se um investimento tão elevado vale a pena. Para São Paulo, o VSL é estimado em 2,035 milhões de dólares por vida. Considerando um horizonte de 20 anos, isso corresponde a um retorno econômico de 11,4 bilhões de dólares, baseado na estimativa de que 280 vidas seriam salvas anualmente com essa ação. Assim, embora o custo per capita seja relevante, os benefícios totais seriam superiores ao dobro do investimento.  

A lógica originou-se de uma análise comparativa global feita pelo Claude e os detalhes do cálculo para outras cidades do mundo estão documentados.


 

Alucinação de referência

Da Nature


Uma análise exclusiva realizada pela equipe de notícias da Nature sugere que pelo menos dezenas de milhares de publicações de 2025, incluindo jornais e livros, bem como anais de conferências, provavelmente contêm referências que foram “alucinadas” pela inteligência artificial. Vários editores acadêmicos estão explorando o uso de ferramentas de IA para detectar essas referências inválidas após o envio, mas alguns pesquisadores estão preocupados que o problema tenha atingido um ponto de inflexão. Com tantas referências falsas já por aí, os editores agora devem lutar com o problema do que fazer sobre isso.

Mega IPO da Space X terá banco brasileiro


A SpaceX está trabalhando com pelo menos 21 bancos em sua aguardada oferta pública inicial, disseram fontes familiarizadas com o assunto na terça-feira, formando um dos maiores consórcios de subscrição reunidos nos últimos anos.

A listagem, cujo codinome interno é Projeto Apex, deverá estar entre as estreias no mercado de ações mais observadas em Wall Street. Estima-se que a oferta pública, prevista para junho, avalie a empresa de foguetes controlada pelo fundador e presidente-executivo Elon Musk em US$1,75 trilhão.

O Morgan Stanley, o Goldman Sachs, o JPMorgan Chase, o Bank of America e o Citigroup estão atuando como ‘bookrunners’ ativos, ou seja, os principais bancos que administram o negócio, disseram as fontes, pedindo para não serem identificadas porque o processo não é público. Outros 16 bancos assinaram contrato em funções menores, acrescentaram.

Cerca de metade dos nomes dos bancos não haviam sido divulgados anteriormente. O tamanho do sindicato ressalta a escala e a complexidade da oferta planejada.

Os bancos, além dos bookrunners ativos, incluem: Allen & Co, Barclay, BTG Pactual do Brasil, Deutsche Bank, ING Groep, Macquarie, Mizuho, Needham & Co, Raymond James, Royal Bank of Canada, Société Générale, Banco Santander, Stifel, UBS, Wells Fargo e William Blair.

Espera-se que os bancos assumam funções nos canais de investidores institucionais, de alto patrimônio líquido e de varejo, bem como em diferentes regiões geográficas, informou a Reuters anteriormente. O plano está sujeito a mudanças e outros bancos ainda podem ser acrescentados, disseram as fontes.

Fonte aqui, grifo nosso.  

Como as pessoas usam o GPT?

U


m estudo da OpenAI, em parceria com a Duke e Harvard, tenta responder a questão. Abaixo o resumo: 

Apesar da rápida adoção de chatbots baseados em LLM, pouco se sabe sobre como eles são utilizados. Documentamos o crescimento do produto de consumo do ChatGPT desde seu lançamento em novembro de 2022 até julho de 2025, quando já havia sido adotado por cerca de 10% da população adulta mundial. Os primeiros usuários eram desproporcionalmente homens, mas essa diferença de gênero diminuiu significativamente, e observamos taxas de crescimento mais altas em países de menor renda. Utilizando um pipeline automatizado com preservação de privacidade, classificamos padrões de uso em uma amostra representativa de conversas do ChatGPT. Encontramos crescimento constante nas mensagens relacionadas ao trabalho, mas um crescimento ainda mais rápido nas mensagens não relacionadas ao trabalho, que passaram de 53% para mais de 70% do uso total. O uso profissional é mais comum entre usuários com maior escolaridade e em ocupações bem remuneradas. Classificamos as mensagens por tema e identificamos que “Orientação Prática”, “Busca de Informação” e “Escrita” são os três tópicos mais frequentes, somando quase 80% de todas as conversas. A escrita domina as tarefas relacionadas ao trabalho, destacando a capacidade única dos chatbots de gerar conteúdos digitais em comparação aos mecanismos de busca tradicionais. Programação e autoexpressão representam parcelas relativamente pequenas do uso. De modo geral, concluímos que o ChatGPT gera valor econômico por meio do suporte à tomada de decisões, especialmente em atividades intensivas em conhecimento.

A extração do texto a partir da imagem acima e sua tradução foram feitos com o GPT.  

Observe que o estudo foi publicado em setembro de 2025. Mas as conclusões parecem razoáveis.  

02 abril 2026

Óculos e a cola com IA

Eis alguns trechos 


O mercado de óculos com IA na China está crescendo, impulsionado por subsídios governamentais e por gigantes da tecnologia como Xiaomi e Alibaba, que estão integrando modelos de linguagem (LLMs) em óculos do dia a dia. (...)
  

Os óculos escaneiam as questões e exibem as respostas nas lentes. “Em qualquer matéria em que eu possa ir mal”, disse ela, pedindo para usar um pseudônimo para falar livremente. Alguns colegas já alugaram seus óculos para usar em exames.

Óculos inteligentes com IA se tornaram uma indústria multibilionária. Os dispositivos, com preços que variam de US$270 a mais de US$1.000, geralmente vêm equipados com câmeras e recursos de áudio, alimentados por grandes modelos de linguagem. Aqueles com telas conseguem exibir textos ou imagens com efeitos de realidade aumentada. (...)

Grandes exames na China, como o vestibular nacional e concursos públicos, já proibiram explicitamente o uso de óculos inteligentes. Ainda assim, estudantes afirmam que muitos professores não conseguem identificar esses dispositivos durante provas escolares regulares.

BRB adia publicação


Já vimos um roteiro parecido antes. O Banco BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, irá postergar a publicação das demonstrações financeiras do terceiro e do quarto trimestres de 2025. Partindo de um banco estatal, é um fato importante que deixa muito claro o momento difícil.

Segundo o comunicado, é necessária a conclusão dos trabalhos da auditoria forense e a avaliação, pela administração e pelo auditor, dos impactos. Durante anos, a instituição tomou decisões inadequadas e arriscadas, sem que fosse possível notar a existência de uma governança corporativa mínima. A instituição financeira começou a abrir agências fora do Distrito Federal, muitas delas, “coincidentemente”, no estado de origem do ex-governador. Passou também a investir muito dinheiro em um clube de futebol, onde teve prejuízos elevados em razão de valores incobráveis.

E, mais recentemente, fez transações nebulosas com o Master, uma instituição de elevado risco no mercado financeiro. Dois futuros esperam o BRB: ser absorvido por uma instituição federal ou receber aporte do governo do Distrito Federal. Obviamente, os políticos que comandam e comandaram a política local desejam o segundo, mas está difícil encontrar os recursos.

Redes sociais x Chatbots e posição política


As redes sociais recompensam a indignação porque a indignação gera engajamento. Essa tem sido a lógica dos últimos quinze anos, e produziu resultados previsíveis: mais extremismo, mais crença em teorias da conspiração, mais polarização. Isso deu origem, como argumento, a empreendedores da raiva. 

A nova análise de John Burn-Murdoch, do FT, sugere que chatbots de IA fazem o oposto. Ele testou os quatro principais LLMs com base em 61 questões sobre políticas e valores, utilizando usuários simulados ao longo de todo o espectro ideológico. Todos os modelos tenderam a deslocar as respostas em direção ao centro. 

O Grok puxou para o centro-direita; GPT, Gemini e DeepSeek puxaram para o centro-esquerda. Os quatro afastaram as respostas de posições extremas, independentemente do ponto de partida dos usuários. Crenças conspiratórias, que são super-representadas entre usuários de redes sociais, estão praticamente ausentes nas respostas de IA. A razão é estrutural. As empresas de redes sociais lucram com engajamento, atenção e cliques, de modo que conteúdos inflamatórios são amplificados. Já os modelos de IA são treinados com grandes volumes de dados que tendem a privilegiar textos publicados, editados e inteligíveis para especialistas — o que os leva, inevitavelmente, a se aproximarem do consenso dominante, independentemente da intenção de qualquer empresa. 

Há ressalvas. Trata-se de apenas um estudo, os modelos vão mudar, e direcionar as pessoas ao consenso especializado só é claramente positivo quando esse consenso realmente vale a pena. Além disso, nada impede que modelos sejam treinados com conteúdos absurdos e inflamatórios, passando, assim, a produzir mais do mesmo.

Fonte: aqui 

Provisão da EY no Reino Unido sinaliza


Quando uma empresa aumenta os valores provisionados para processos judiciais, está informando ao usuário que espera mais ações judiciais e mais derrotas nesses processos.

Isso aconteceu agora com a EY do Reino Unido. Essa grande empresa de auditoria reservou 188 milhões de libras esterlinas para disputas legais, bem acima dos 44 milhões do ano anterior.

Sua rival KPMG chegou a destinar 179 milhões em 2022, quando foi questionada sobre seu trabalho na empresa Carillion, um grande escândalo contábil na terra do Rei Carlos III.

No caso da EY, o aumento decorre de problemas com a empresa de saúde NMC Health. Não foi feita uma ligação direta entre o caso da NMC e o aumento para 188 milhões, mas tudo leva a crer que exista uma relação. Outro fator é o aumento do risco jurídico das empresas de auditoria. Antigamente, a alegação — hoje considerada absurda — de que uma auditoria não investigava a existência de fraude era aceita, algo que se torna cada vez mais difícil de imaginar nos dias atuais.

Wikipedia somente por humanos


A Wikipedia proibiu o uso de modelos de linguagem LLM para produzir conteúdo para a enciclopedia, mas irá permitir que a IA possa ser usada para a tradução de um artigo completo, mas existindo supervisão humana. 

A medida decorre da confiabilidade das informações, já que as ferramentas de IA podem alucinar ou alterar o conteúdo ou cometer outros erros. E a quantidade de lixo gerado por IA estaria sobrecarregando os editores. 

De certa forma, os gestores da Wikipedia atenderam os editores, que reclamaram quando a organização sinalizou um possível uso de IA.  

01 abril 2026

Clonagem e a necessidade de correção

Eis a notícia


Em 2005, uma dupla de marido e mulher do instituto japonês RIKEN realizou um experimento com um camundongo: cloná-lo, depois clonar o clone, depois clonar esse novo clone — e assim sucessivamente. Teruhiko Wakayama e Sayaka Wakayama mantiveram o experimento por 20 anos — atravessando mudanças de laboratório, o terremoto de 2011 e a pandemia — exigindo 30.947 tentativas de clonagem para produzir 58 gerações sucessivas, conforme resumido pela Metacelsus.

Por um tempo, tudo correu bem. Um relatório intermediário de 2013 mostrou 25 gerações saudáveis, sem queda na eficiência da clonagem ou na saúde dos animais. No entanto, mutações estavam se acumulando silenciosamente. Na geração 57, os camundongos apresentavam mais de 3.400 alterações pontuais no DNA em comparação com o original — uma taxa de mutação 3,1 vezes maior do que na reprodução natural da mesma linhagem. Animais que se reproduzem sexualmente conseguem eliminar mutações prejudiciais por meio da recombinação, quando os cromossomos se reorganizam e cópias defeituosas são descartadas. Clones não possuem esse mecanismo, então cada erro permanece.

Os problemas mais graves foram estruturais. Entre as gerações 25 e 45, um cromossomo X inteiro desapareceu e nunca foi recuperado. Deleções, inversões e translocações cromossômicas se acumularam junto às mutações pontuais. Na geração 58, as células já não conseguiam produzir clones viáveis, e o projeto foi encerrado. Os camundongos nascidos em cada etapa tiveram vidas normais — o processo não gerou animais doentes, mas sim um DNA progressivamente mais frágil, que acabou incapaz de suportar o próprio processo de clonagem. 

Que diabos isso tem relação com a contabilidade? Veja, a natureza é sábia e criou um mecanismo que ajusta as mutações, o que não temos na clonagem. A nossa sobrevivência depende do mecanismo de correção, como governança corporativa, alterações nos sistemas contábeis, entre outras coisas. 

Sistemas que apenas replicam o passado, sem mecanismos de correção e confronto externo, inevitavelmente acumulam distorções até colapsarem. 

O refrescante poder da discordia

Eis mais uma reflexão de Harford


Um dos experimentos mais famosos da psicologia social ocorreu no início dos anos 1950. Solomon Asch, professor do Swarthmore College, reuniu grupos de jovens para o que lhes disse ser um experimento de “julgamento visual”. Não era nada disso.

O que aconteceu ficou conhecido como o “experimento de conformidade”, mas esse rótulo é enganoso para um estudo frequentemente mal compreendido. Asch conduziu várias variações do experimento, e a lição mais surpreendente e poderosa não é sobre o poder da conformidade, mas sobre o poder do desacordo. A abordagem básica de Asch consistia em mostrar dois cartões a um grupo de cerca de oito pessoas. Um cartão tinha uma única linha: a linha de referência. O outro mostrava três linhas de comprimentos diferentes. A tarefa era simples, de múltipla escolha: identificar qual linha tinha o mesmo comprimento da linha de referência. Isso não era difícil; quando as pessoas faziam essa tarefa sozinhas, quase nunca erravam.

No entanto, Asch não pedia que realizassem a tarefa isoladamente, mas como membros de um grupo. Os participantes eram solicitados, um a um, a dizer sua resposta para o restante do grupo. Isso abria espaço para que os indivíduos fossem guiados não pelos próprios olhos, mas pelas opiniões dos outros. Os grupos repetiam a tarefa 18 vezes, mas Asch tinha um truque. Todos no grupo eram cúmplices trabalhando para ele, exceto um único participante real e desavisado. Esse participante ficava perto do final da fila. Os cúmplices tinham instruções para acertar as duas primeiras perguntas e, em seguida, concordar unanimemente em respostas erradas na maioria das rodadas seguintes. Imagine o choque e a ansiedade do participante ao ver uma pessoa após a outra contradizer a evidência dos próprios olhos. As pessoas sentiam uma pressão real para se conformar, com mais de um terço das respostas coincidindo com a ilusão do grupo, e não com a verdade evidente.

Por quê? Quando questionadas após o experimento, algumas pessoas disseram que haviam mudado de ideia, concluindo que o grupo devia estar certo. Outras afirmaram que não mudaram de opinião, mas mudaram suas respostas, por não quererem atrapalhar o experimento. Ainda outras foram firmemente independentes, dizendo que presumiam que o grupo estivesse certo e elas erradas, mas sentiam o dever de responder conforme viam.

O que mais me fascina no experimento de Asch é o que aconteceu quando um dos cúmplices foi instruído a discordar do grupo e dar a resposta correta. O resultado: o feitiço da conformidade foi quebrado. As pessoas cometeram apenas um quarto dos erros, com a taxa caindo para menos de 10%. A pressão do grupo perdeu grande parte de sua força.

Ainda mais brilhante foi outra variação, em que Asch novamente instruiu um cúmplice a discordar do grupo. Desta vez, porém, ele era um “dissidente extremista”, dando uma resposta ainda mais errada que o consenso da maioria. O resultado? Os participantes, em geral, deram a resposta correta; a taxa de erro permaneceu abaixo de 10%.

Asch demonstrou três coisas. Primeiro, as pessoas podem ir contra a evidência dos próprios olhos quando confrontadas por um grupo unânime. Segundo, a pressão do grupo é muito mais fraca quando ao menos uma pessoa ousa discordar. Terceiro, e mais notável: não importa se o dissidente está errado; o simples ato de discordar rompe a pressão do grupo. As pessoas se sentem livres para dizer o que pensam, não porque o dissidente diga a verdade, mas porque ele mostra que discordar é possível.

Pensei em Solomon Asch ao conhecer um livro de receitas de Julia Child e Jacques Pépin, Julia and Jacques Cooking at Home. Ele reúne pratos clássicos, mas apresenta duas versões diferentes de cada receita — uma de Julia e outra de Jacques. Nas margens, cada um oferece explicações bem-humoradas sobre o que o outro fez “errado”, por que tomou decisões diferentes e quais os efeitos disso no prato final. Como escreve o filósofo C. Thi Nguyen, é “o registro de uma discussão — uma conversa animada entre amigos”.

Isso importa porque, assim como no experimento engenhoso de Asch, mostra que a discordância é possível. Os dois casos parecem muito diferentes — até porque há apenas uma resposta correta no teste visual de Asch, enquanto existem várias formas de preparar um peixe. Ainda assim, a discordância é valiosa em ambos os casos, pois nos dá permissão para pensar por conta própria. Muitos anos atrás, estive envolvido em um processo de planejamento de cenários para a empresa de petróleo Shell. Sempre foi um exercício fascinante, mas hoje percebo que uma de suas forças mais importantes raramente era discutida: sempre havia pelo menos dois cenários, e todos tinham o mesmo status. Era como Cooking at Home aplicado à estratégia corporativa: a premissa fundamental era que existia mais de um futuro plausível, e uma conversa animada sobre essas possibilidades abria espaço para novas formas de pensar.

Charlan Nemeth, psicóloga e autora de No! The Power of Disagreement in a World that Wants to Get Along, alerta contra a dissidência “artificial” — como a tradição católica do “advogado do diabo”, que argumenta contra a canonização de um possível santo. Em teoria, isso parece útil, mas, na prática, há pouco ganho quando a discordância é apenas encenada. Todos sabem que o papel é performático, o que reduz o esforço real de persuasão. Como escreve Nemeth, “encenar papéis não produz os efeitos estimulantes da dissidência autêntica”.

Ainda assim, algumas formas de “artificialidade” são melhores que outras. Nemeth elogia uma firma de investimentos que só toma decisões após considerar argumentos sólidos tanto a favor quanto contra uma posição. O diferencial talvez esteja no fato de que esses argumentos contrários não são um jogo, mas apresentados com seriedade genuína.

Outra prática é o chamado red teaming — atribuir a um grupo a tarefa de criticar profundamente uma ideia antes de sua adoção. Isso pode ser um ritual vazio ou uma prática rigorosa, dependendo da intenção de quem participa.

A dissidência encenada é melhor do que nenhuma, especialmente quando levada a sério. Mas a forma mais valiosa de discordância é a autêntica — mesmo que seja teimosa e corajosa. Não há substituto para pessoas que sentem o dever de dizer o que realmente veem.

Na contabilidade queremos tanto a "comparabilidade" que não admitimos uma segunda abordagem. Esperamos que os reguladores indiquem a alternativa permitida. Há algumas exceções notáveis, como a avaliação dos estoques, mas no geral buscamos a harmonização ou padronização, palavras que exprimem nosso desejo de não ter caminhos alternativos.  

Imagem: Diego Rivera 

IFRS 20 e a data de implementação


A EFRAG solicitou ao IASB o adiamento de um ano na vigência da futura IFRS 20 sobre regulação tarifária, de 1º de janeiro de 2029 para 2030, citando dificuldades de preparação por parte das empresas. O IASB havia debatido datas entre 2028 e 2029, equilibrando urgência e qualidade de implementação. Com divisão igual entre os membros, o presidente decidiu por mais prazo, visando garantir adoção adequada e consistente entre jurisdições. 

Recentemente a norma foi discutida em um webcast, mas a solicitação do Efrag tem grande chance de ser aprovada. 

Aprimoramento das normas SASB


Ontem, ao comentar sobre o relatório de 2025 da Fundação IFRS, afirmei que o ISSB fez pouco desde que foi criado. É bem verdade que a entidade está "aprimorando" as normas SASB para ajudar na aplicação da IFRS S1. Anteriormente, nove normas SASB tiveram a minuta divulgada em julho de 2025. E há poucos dias, mais três normas SASB foram disponibilizadas para discussão: ‘Agricultural Products’, ‘Meat, Poultry & Dairy’ e ‘Electric Utilities & Power Generators’. O período para comentários se encerra em 24 de julho de 2026.

Imagem aqui 

Todos modelos são (estão) errados, mas alguns são uteis

 


Uma das citações de um dos meus estatísticos favoritos é a observação do estatístico britânico George Box de que:

“Todos os modelos estão errados, mas alguns são úteis.”

— George Box

O ponto dele, como eu entendo, é simplesmente que qualquer modelo é, por natureza, uma simplificação e uma aproximação da realidade. Ele nunca conseguirá capturar a realidade em sua totalidade.

Isso se aplica à sua fórmula de receitas e despesas esperadas que você arrasta pelas células de uma planilha. E se aplica também aos nossos maiores e extremamente complexos modelos meteorológicos e climáticos, com milhões de variáveis e pontos de dados. Eles nunca podem ser completos. E, embora devamos ter isso em mente ao considerar as limitações de todos os nossos modelos, previsões, estimativas e explicações, isso não impede que eles sejam, muitas vezes, úteis.

Embora seja possível — e muitas pessoas o fazem — argumentar contra a ideia de que modelos são “errados”, eu gosto dessa citação porque ela me lembra de ser humilde e devidamente cético em relação a qualquer modelo que eu leia ou construa. Embora sua precisão varie enormemente, todos são falíveis.

Ela também me lembra que todo modelo tem um propósito — enfatizando certos aspectos da realidade e ignorando outros.

Sobre Mapas

Embora um mapa não seja um modelo no sentido estatístico que George Box provavelmente tinha em mente ao formular essa frase, considero que mapas são um ótimo exemplo de foco seletivo.

No esboço, é possível ver a complexidade caótica do mundo, o mapa tradicional em que edifícios e ruas se tornam marcas no papel, e a simplificação das paradas sequenciais de uma linha de ônibus.

Em outros casos, os mapas podem focar em:

  • Geografia humana: ruas, edifícios, lojas

  • Atrações turísticas

  • Relevo, elevação e características geográficas

  • Cursos d’água e bacias hidrográficas

  • Trânsito e tempos de deslocamento

  • Fronteiras políticas

E muitos outros aspectos. Todos são modelos que representam alguns elementos com mais precisão em detrimento de outros. Como diz o ditado: “O mapa não é o território.”

Outros Exemplos

Alguns outros exemplos de modelos simplificados, mas ainda assim úteis:

  • Clima: imagine tentar condensar toda a complexidade do clima de um dia no Reino Unido em um único ícone. Não é simples. Ainda assim, isso pode ajudar você a decidir se deve levar um guarda-chuva ou adiar um passeio de barco.
  • Projeção de Mercator: útil para navegadores, mas altamente distorcida em altas latitudes.
  • Regra de Naismith: para estimar o tempo de caminhada em montanhas com base na distância e na elevação.
  • Desenho ortográfico de uma casa ou produto: pode destacar aspectos relevantes para a construção — fiação, encanamento, integridade estrutural — enquanto ignora texturas, cores, imperfeições ou custo.
  • Modelo atômico de Bohr: elétrons orbitando como planetas ao redor do núcleo. Imperfeito, mas útil.
  • Distribuições normais: como as observadas na altura das pessoas, raramente são perfeitamente normais, mas ainda assim podem ser aproximações úteis.
  • Curvas de oferta e demanda: aproximam o comportamento de compradores e fornecedores, assumindo racionalidade e disponibilidade de informação.
  • Mapa do metrô de Londres: simplificado em linhas perpendiculares e angulares, facilita a navegação no metrô, mas pode distorcer a percepção das distâncias a pé.

Um modelo é uma ferramenta, e sua utilidade depende do que você está tentando fazer. Se você está traçando rotas em um mapa plano, a projeção de Mercator é extremamente útil. Se quer entender o tamanho da Groenlândia em comparação com outros países, ela pode ser enganosa.

Box defende o uso de modelos econômicos (no sentido de simples), que nos permitam analisar a prática mantendo a consciência de onde eles podem estar significativamente errados.

Não me escapa que eu apresento muitos modelos mais simples do que a realidade no Sketchplanations. Acho que isso acontece porque, quando reconhecemos conscientemente suas imperfeições e limitações, um bom modelo — assim como um bom framework — pode ser extremamente útil. Como disse Larry Keeley: “Construir um bom framework é como cortar cubos a partir da névoa.”

Uma pequena nota: o GPT traduziu "todos modelos estão" mas confesso que fiquei na dúvida se o melhor não seria "são".  O texto original pode ser obtido aqui, no Sketchplanations.

9% do New York Times foram gerados pela IA

Eis um trecho:

A autora da coluna [Modern Love, do New York Times], Kate Gilgan, disse à revista que não havia copiado e colado trechos de um modelo de IA, mas que “utilizou IA como ferramenta”, incluindo chatbots como ChatGPT, Claude e Gemini, para buscar “inspiração, orientação e correção”.

“Usei a IA como um editor colaborativo, e não como um gerador de conteúdo”, insistiu Gilgan.

(...) E a escala pode ser significativa. Controvérsias como a envolvendo a coluna de Gilgan levaram vários pesquisadores de IA a investigar quanto conteúdo gerado por IA já se infiltrou nos jornais americanos.

Utilizando uma ferramenta de detecção de IA da startup Pangram Labs, seus achados, publicados como um estudo preliminar em outubro, são preocupantes. Eles sugerem que 9% dos artigos recém-publicados são parcial ou totalmente gerados por IA, principalmente em veículos menores e locais.
 

É preciso tomar muito cuidado com a estimativa, uma vez que as ferramentas de detecção de uso de IA cometem falhas. Mas o fato da famosa coluna Modern Love ser escrita com ajuda já é uma reconhecimento importante. 

31 março 2026

Fundação IFRS e doações brasileiras

Eis o volume de doações oriundos do Brasil. Não é pequena demais? Qual o sentido da falta de apoio do Conselho Federal de Contabilidade?
 

Fundação IFRS: Salários em questão

A gestão de uma entidade sem fins lucrativos que dita as regras do capitalismo global exige um equilíbrio delicado entre austeridade e a necessidade de atrair talentos de primeira linha. Nas demonstrações financeiras de 2025, um ponto que merece ser considerado é o custo da cúpula diretiva em um momento de cortes operacionais.

Em 2025, a remuneração dos líderes da Fundação permaneceu em patamares elevados. O Chair do IASB (Andreas Barckow) e o Chair do ISSB (Emmanuel Faber) receberam, cada um, aproximadamente £610.500 anuais. Somando-se a eles os Vice-Chairs (cerca de £523.500 cada) e os membros dos Boards em tempo integral (£485.400), o gasto total com da direção atingiu £12,3 milhões. É bom lembrar que a receita foi de 51 milhões. 

Para o mercado de executivos de alto padrão em Londres ou Nova York, esses valores podem parecer competitivos. Entretanto, para uma fundação que sobrevive de doações e que reduziu seu quadro de funcionários de 369 para 321 pessoas em um ano para transformar um déficit em superávit, esses salários representam uma parcela rígida e significativa dos custos totais de remuneração.

A escolha de sedes reflete diretamente na pressão salarial. Ao manter sua base principal em Londres, uma das cidades mais caras do mundo, a Fundação IFRS se obriga a pagar salários inflacionados pelo custo de vida local. O contraste com o seu equivalente americano, o FASB, é notável: sediado em Norwalk, Connecticut, o órgão dos EUA opera em uma cidade menor, com custos operacionais e de vida inferiores aos de um centro financeiro global.

Além do custo fixo em Londres, o ISSB trouxe uma nova complexidade financeira: o compromisso de manter escritórios em locais como Frankfurt, Montreal, Pequim e Tóquio. Embora essa presença global seja politicamente necessária, ela cria uma estrutura cara.

O relatório confirma que a Fundação pretende manter a disciplina de custos, e há discussões sobre a otimização do tamanho dos Boards para o futuro, visando maior agilidade. Contudo, enquanto a cúpula mantiver salários de padrão corporativo e uma estrutura geográfica tão ampla, o desafio será provar aos doadores que cada libra investida está indo para a produção técnica, e não apenas para sustentar uma máquina administrativa pesada.

Fundação IFRS: Fit mesmo?

A publicação das demonstrações financeiras de 2025 da Fundação IFRS traz, à primeira vista, números que inspiram confiança. O superávit de £1,5 milhão e a robusta posição de caixa de £43,6 milhões parece indicar uma instituição financeiramente saudável. Mais do que isso: o relatório foi produzido sob o pressuposto da continuidade operacional (going concern), endossado sem ressalvas pelo parecer dos auditores independentes. O tom da gestão é de otimismo, celebrando as conquistas.

Contudo, o otimismo de curto prazo não deve ocultar os desafios de médio e longo prazo. Recentemente, autoridades reguladoras nos EUA insinuaram que a questão financeira da Fundação — e especificamente do seu braço de sustentabilidade, o ISSB — exige atenção.

É preciso contextualizar aqui: o ISSB nasceu sob um modelo de seed funding (financiamento semente), garantido por doadores e jurisdições para os primeiros anos de operação. Esse financiamento está chegando ao fim. Embora o relatório destaque a conquista de novas promessas, sendo "prudente", como gosta de escrever a Fundação, podemos afirmar que isso não garante o futuro do projeto ISSB.

O ISSB precisa provar que pode ser sustentável quanto o IASB. Até agora, o conselho oriundo da COP entregou duas normas principais (IFRS S1 e S2). Embora o relatório aponte trabalhos em andamento, a produção normativa — que gera receita por meio de licenciamento de dados e publicações — ainda é tímida se comparada ao IASB.

A "vibe" da sustentabilidade, que impulsionou o mercado há poucos anos, enfrenta hoje resistência. Isso expõe uma vulnerabilidade que sempre esteve presente no orçamento da Fundação: a alta concentração de doadores. Enquanto a Europa continua sendo o aliado de peso, parceiros como China e Japão mantêm uma amizade cordial, porém cautelosa, e os EUA preservam uma distância respeitosa que impede uma adesão financeira em larga escala. Os outros países, como o Brasil, são, sem qualquer pudor, "caronas" do esforço realizado pela Fundação.

Há o problema da rigidez das despesas. Apesar dos cortes recentes que reduziram o quadro para 321 funcionários, a Fundação quase dobrou de tamanho nos últimos anos para acomodar a nova estrutura e em diferentes lugares. Grande parte dessas despesas é fixa, composta por salários de alto nível da cúpula e especialistas técnicos.

Sem um novo aliado de peso ou uma adesão global massiva que transforme o ISSB em uma máquina de receita recorrente, a Fundação IFRS terá que equilibrar uma estrutura de custos pesada com um financiamento que ainda depende da boa vontade de poucos. A continuidade imediata está garantida; a sustentabilidade do modelo, no entanto, permanece em questão.

Fundação IFRS e os números de 2025

A Fundação IFRS publicou hoje suas demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025, revelando um cenário de recuperação e ajustes estratégicos. Vamos para os números contábeis nessa postagem. O relatório anual, intitulado "Fit for the Future" (Preparada para o Futuro), mostra como a instituição lidou para tentar garantir a viabilidade de seus dois conselhos emissores de normas: o IASB e o ISSB.

O balanço apresenta que a Fundação registrou um superávit de £1,5 milhão, recuperando-se do déficit de £1,7 milhão do ano anterior. A receita total cresceu para £51,3 milhões, impulsionada por um aumento nas contribuições jurisdicionais e receitas de publicações.

Um dos pontos mais sólidos da Fundação é a posição de liquidez. A geração de caixa operacional foi positiva, permitindo que a Fundação encerrasse o ano com £43,6 milhões em caixa e equivalentes (versus £35,5 milhões do exercício anterior). Além disso, a estrutura de capital permanece conservadora, operando com recursos próprios.

O relatório traz um ponto interessante, ao contemplar números separados do Iasb e do Issb. O Iasb é o pilar de estabilidade, com receitas consolidadas provenientes de contribuições voluntárias de longo prazo e licenciamento de dados. O conselho de sustentabilidade ainda vive uma fase de transição, apesar de ter alguns números mais significativos que seu irmão mais velho. 

30 março 2026

Contador de Epstein não viu nada de impróprio


O depoimento de Richard Kahn, antigo contabilista e gestor de confiança de Jeffrey Epstein, revela a complexa estrutura financeira que sustentava as atividades do falecido financista. Kahn, que atuou como co-executor do espólio, afirmou em tribunal nunca ter presenciado qualquer atividade imprópria ou ilegal durante os anos em que geriu as contas e as empresas de Epstein.

É bom lembrar que o criminoso Epstein deixou, no seu testamento, parte do dinheiro para Kahn.  

IFRS 16, IA e Iasb


 Eis o texto do excelente Iasplus

Este relato detalha uma iniciativa pioneira do IASB (International Accounting Standards Board): o uso de Inteligência Artificial (IA) para analisar as práticas de divulgação contábil de 753 empresas sobre arrendamentos (IFRS 16) em 2024.

O resumo destaca os seguintes pontos:

Metodologia e Abordagem

A equipe técnica treinou a IA para examinar as demonstrações financeiras consolidadas, incluindo a tradução automática para o inglês de relatórios publicados em outros idiomas. O objetivo foi medir a prevalência de certas informações e avaliar a qualidade das divulgações dos arrendatários.

Design e Validação

Houve uma fase piloto com 50 entidades para refinar os prompts (comandos). A equipe realizou verificação manual de uma amostra dos resultados e exigiu que a IA fornecesse referências diretas (excertos e números de páginas) para garantir a rastreabilidade dos dados.

Limitações Identificadas

O IASB foi transparente sobre os desafios da ferramenta:

  • Formatação e Terminologia: A IA é sensível a variações de estilo e termos sinônimos, o que pode gerar falsos negativos ou positivos.

  • Confiabilidade: Perguntas "fechadas" (Sim/Não) mostraram-se muito mais eficazes do que análises abertas.

  • Margem de Erro: Devido ao volume de dados, não foi possível validar 100% das respostas, portanto os resultados são indicativos, não determinativos.

Conclusão

Apesar das limitações, a IA permitiu processar uma quantidade massiva de dados em tempo recorde, fornecendo insights valiosos que seriam inviáveis através de uma revisão puramente humana.


Parabéns pela divulgação do método. Nem sempre uma organização possui uma evidência clara que está usando a IA para fazer o trabalho mais eficiente. Mas creio que no relatório divulgado poderia ter um link para os arquivos com os resultados. O público externo poderia verificar cada caso e ajudar na qualidade do trabalho. 

Novas minutas GRI

A Global Reporting Initiative (GRI) publicou minutas de exposição (exposure drafts - EDs) para as normas GRI com o objetivo de fortalecer o relato e a gestão da poluição. As EDs estão abertas para comentários até 8 de junho de 2026.

As seguintes minutas de exposição foram publicadas:

ED Poluição do Ar: Nesta minuta, a GRI propõe uma nova norma sobre poluição do ar que, em comparação com as normas existentes, inclui requisitos de divulgação mais amplos e profundos sobre:

  • A gestão dos impactos da poluição do ar;

  • Metas de redução de emissões de poluentes atmosféricos e o progresso em direção a essas metas;

  • A extensão das emissões de poluentes atmosféricos; e

  • Incidentes relacionados a emissões de poluentes atmosféricos.

ED Poluição do Solo: Nesta minuta, a GRI propõe uma nova norma sobre poluição do solo que inclui divulgações sobre a gestão dos impactos da poluição do solo, a extensão dos poluentes liberados no solo e incidentes relacionados à poluição do solo.

ED Incidentes Críticos: Nesta minuta, a GRI propõe uma nova norma sobre incidentes críticos que, em comparação com as normas atuais, amplia o escopo de "vazamentos significativos" para todos os incidentes críticos e traz novas divulgações sobre:

  • Informações sobre prevenção, preparação e resposta a incidentes críticos, bem como os planos estabelecidos;

  • Incidentes críticos registrados; e

  • O tipo e a quantidade de vazamentos, incluindo o material derramado.

 Para aqueles que acham que sustentabilidade começar e termina no ISSB. Fonte: Iasplus

Tesouro holandês sofre ataque cibernético

Eis um trecho 

O Ministério das Finanças da Holanda informou os membros do Parlamento, em uma carta nesta segunda-feira, sobre um "acesso não autorizado" a vários de seus sistemas bancários, incluindo o portal digital de gestão bancária do Tesouro.

"Devido à investigação forense em andamento e por razões de segurança, diversos sistemas foram temporariamente retirados do ar, incluindo o portal digital de gestão bancária do Tesouro", escreveu o Ministro das Finanças, Eelco Heinen, na carta.

Heinen alertou que o ciberataque resultou em "cerca de 1.600 instituições públicas que mantêm seus fundos no Ministério das Finanças" estando "atualmente impossibilitadas de visualizar digitalmente o saldo de suas contas no Tesouro".

Ele continuou: "Os participantes da gestão bancária do Tesouro incluem, entre outros, ministérios, agências, entidades jurídicas com atribuições estatutárias, instituições de ensino, fundos sociais e governos descentralizados".

"Também não é possível, temporariamente, que os participantes solicitem empréstimos, depósitos ou facilidades de crédito através do portal, alterem o limite intradiário ou gerem relatórios", alertou Heinen. (...)

IA no setor público: uma reflexão necessária

Um texto do Tech Policy Press discute o uso de inteligência artificial por parte do governo. Como em algumas situações, a IA está tomando decisão e estruturando a forma como o governo exerce sua autoridade, os problemas são importantes. Em diversos casos, não há um supervisão adequada ou um mecanismo de recurso para as pessoas que são afetadas. 

O caso dos Correios no Reino Unido é um alerta sobre a confiança cega em sistemas de controle financeiro. Ao implementar o software Horizon (da Fujitsu), a agência ignorou bugs que apontavam faltas de caixa inexistentes. Relatórios contábeis falhos foram usados como prova para punir e prender funcionários inocentes. A tragédia só foi interrompida quando a escala dos erros evidenciou a baixíssima qualidade tecnológica e a falta de mecanismos de controle e governança da própria agência.ue 

Esse é o primeiro ponto: a dificuldade de auditar decisões tomadas por sistemas que impacto os usuários dos serviços. O segundo aspecto é que a legislação atual não acompanha a velocidade do serviço. E nada garante que a IA irá decidir de forma justa, ou simplesmente irá reproduzir os vícios e erros das decisões passadas. 


Se uma pessoa revisa os resultados, aprova recomendações ou retém a autoridade para intervir, presume-se que a responsabilidade permanece humana. Esse modelo fazia sentido quando sistemas automatizados apoiavam decisões isoladas. Mas os sistemas de IA contemporâneos podem aprender com dados, atualizar modelos internos e otimizar múltiplas variáveis sem instrução humana explícita em cada etapa. Sistemas agentes vão além, executando processos contínuos e estabelecendo objetivos intermediários. Eles estruturam como o julgamento é exercido, em vez de meramente informar escolhas. Nesse ambiente, é cada vez mais inadequado assumir que a revisão na ponta final possa sustentar uma responsabilidade pública significativa.

Essa mudança não é mais teórica. Governos estaduais e locais já estão utilizando sistemas que moldam decisões ao longo do tempo e entre domínios. (...)

29 março 2026

Origens da Escola de Comércio de São Paulo


Eis o resumo:

O artigo examina as relações institucionais entre a Faculdade de Direito de São Paulo (FDSP) e a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) entre 1902 e 1932, duas instituições de destaque localizadas no Largo de São Francisco, em São Paulo. A pesquisa é relevante em função da importância histórica de ambas as entidades para o desenvolvimento local, regional e nacional, especialmente no início do século XX, período caracterizado pelo crescimento da produção cafeeira e pela transformação econômica, política e social de São Paulo. O objetivo central do estudo é reconstituir as conexões institucionais entre FDSP e FECAP, com ênfase nas interações entre seus professores, funcionários e alunos. Para isso, realizamos uma análise documental baseada em fontes primárias, como arquivos e periódicos da época, além de fontes secundárias, como obras comemorativas e bibliografia especializada. Como resultado, apontamos que após três décadas de funcionamento, as relações consolidaram-se não apenas pela proximidade geográfica, mas também pelo crescente vínculo entre as duas instituições. 

AS RELAÇÕES ENTRE A FACULDADE DE DIREITO DE SÃO PAULO E A FUNDAÇÃO ESCOLA DE COMÉRCIO ÁLVARES PENTEADO (1902-1932) -
ARIEL ENGEL PESSO

É importante que o curso da Fecap foi um dos pioneiros. O texto que a criação da Escola de Comércio, em 1902, estava voltada para negócios do setor cafeeiro, enquanto a Faculdade de Direito formava para o Estado. 


Vários professores da Faculdade de Direito participaram a criação da Escola de Comércio. Existia até uma proximidade física dos prédios, além de disciplinas iguais para ambos os cursos. Para completar, mesmos professores trabalharam em ambas instituições. 

Frase

 

Fonte: Estado de S Paulo, 29 de março de 2026

GPS de aplicativo de corrida revelou a posição de um porta-aviões francês


Vários exércitos do mundo proíbem que militares que estejam em bases secretas ou em missões utilizem aplicativos de saúde com GPS ativado. A razão é que os dados podem revelar a localização do militar.

Parece uma norma que deveria ser amplamente divulgada, mas não na Marinha Francesa. Um oficial francês registrou uma corrida no meio do Mediterrâneo. Ele estava no porta-aviões Charles de Gaulle, a 100 km da costa da Turquia, com seu GPS ativado. 

Nem sempre evidenciação é algo desejável.  

28 março 2026

Reino Unido e novas normas


Quando ocorreu o Brexit, a saída dos britânicos da Comunidade Europeia, o fato provocou um dilema sobre a adoção de normas internacionais: antes, a decisão da Comunidade era adotada imediatamente; agora, tornou-se necessário adotar um procedimento para que isso ocorresse.

E, logo depois, alguns escândalos contábeis, como Carillion, pioraram a situação. O tema chegou ao Legislativo e iniciou-se um caminho longo para mudar o processo de regulação contábil. Isso contemplava, inclusive, a possibilidade de quebrar o oligopólio das empresas de auditoria.

As promessas de mudanças ficaram em banho-maria e parece que nada irá acontecer de novo nos próximos anos. Enquanto isso, a estrutura antiga continua a trabalhar. A entidade-chave no processo, o Financial Reporting Council, acabou de alterar normas contábeis, numeradas como FRS 102 e 105, com mudanças para um futuro próximo.

As normas estão baseadas nas normas internacionais, divulgadas pelo International Accounting Standards Board, assim como ocorre em outros países. As mudanças irão contemplar o reconhecimento de receita, os arrendamentos, o valor justo e outros tópicos — todos assuntos tratados recentemente pelo normatizador, que, por coincidência, tem sede administrativa em Londres.

Inspirado aqui 

Terceirizando a decisão para uma IA

(...) Conforme detalhado em um novo artigo, o pesquisador de pós-doutorado da Universidade da Pensilvânia Steven Shaw e o professor de marketing Gideon Nave descobriram que, em uma série de experimentos, os usuários tendiam a aceitar as respostas do ChatGPT sem questionamento, mesmo quando estavam incorretas.

Ao longo de uma série de experimentos, os participantes foram solicitados a responder a uma variedade de perguntas baseadas em raciocínio e conhecimento. Apesar de o uso do ChatGPT ser opcional, mais de 50 por cento deles optaram por utilizar o chatbot para responder às perguntas.

Os pesquisadores estavam testando uma teoria central: se os usuários estariam dispostos a acreditar no que a IA lhes dizia independentemente da precisão, no que denominaram uma “rendição cognitiva”, que efetivamente sobrepunha sua intuição e seu processo de deliberação.

No experimento mais marcante, envolvendo 359 participantes, os participantes seguiram o conselho correto da IA em 92,7 por cento das vezes — e, ainda assim, em expressivos 79,8 por cento das vezes quando a IA forneceu a resposta errada.

“Embora as taxas de sobreposição tenham sido substancialmente mais altas nos testes com IA falha do que nos testes com IA precisa, os participantes seguiram recomendações incorretas da IA em aproximadamente quatro de cada cinco interações com o chatbot”, escreveram os pesquisadores.


A pesquisa aponta para uma mudança muito mais ampla na forma como percebemos o mundo ao nosso redor e em como estamos permitindo que a IA influencie a maneira como tomamos decisões.

“Nós sentimos que a capacidade de realmente terceirizar o pensamento ainda não havia sido propriamente estudada. É uma ideia, de certa forma, profunda”, disse Shaw durante uma participação em um podcast da UPenn no mês passado. “Eu diria que é um pouco provocativa, no artigo, a ideia de que, com essas ferramentas de IA disponíveis, elas estão tão enraizadas em nossas vidas cotidianas e nos processos de decisão que agora temos a opção ou a capacidade de terceirizar o próprio pensamento.”

Os resultados sugerem que os usuários estão dispostos a abrir mão de sua própria agência quando a IA lhes apresenta direções falsas, porém plausíveis.
“Observamos que, mesmo quando a rendição cognitiva é ativada, as pessoas adotam essas respostas e ficam mais confiantes nelas”, explicou Shaw durante o episódio do podcast.

Os experimentos também sugerem que podemos estar perdendo nossa capacidade de nos engajar criticamente com a informação, algo que pesquisas anteriores também já haviam identificado.

“A capacidade de pensar criticamente, a capacidade de verificar o que a IA está fornecendo, tornou-se cada vez mais importante ao longo do tempo”, disse Nave. “Isso é uma espécie de músculo que temos, e esperamos não perdê-lo com o tempo.”

Fonte: aqui 

Data center e Aumento na Temperatura


Um novo preprint de pesquisadores de Cambridge, NTU e NUS utiliza medições por satélite das temperaturas próximas a locais de hyperscalers de IA em todo o mundo e encontra um efeito consistente e acentuado: dentro de um mês após a entrada em operação de um data center, as temperaturas da superfície terrestre na área ao redor aumentam, em média, 2°C — e permanecem nesse nível. A variação entre as instalações vai de 0,3°C a 9,1°C. O efeito de ilha de calor se estende por até 10 km a partir da instalação e permanece acima de 1°C até uma distância de 4,5 km.

Fonte; aqui

27 março 2026

Executivos dizem mais Inteligência Artificial do que Lucro

Que IA é o tema do momento, todos sabemos. O gráfico é mais uma comprovação disso. Conforme informação da Bloomberg, nas apresentações dos resultados, a tecnologia com duas letras, de inteligência artificial, tem sido hoje mais pronunciada que "lucro". 

BTS e a continuidade

Eis a notícia do newsletter 1440: 

A banda de K-pop BTS voltou aos palcos no último fim de semana para seu primeiro show em quase três anos e meio. O concerto gratuito, realizado na Gwanghwamun Square, em Seul, reuniu dezenas de milhares de participantes e foi transmitido ao vivo pela Netflix.


O BTS (sigla para “Bangtan Sonyeondan”, que significa “Escoteiros à Prova de Balas” em coreano) estreou em 2013 e desde então se tornou a banda mais bem-sucedida da Coreia do Sul. O grupo é o primeiro desde os The Beatles a ter três álbuns alcançando o primeiro lugar nos EUA em um único ano (2018–19). O BTS também detém o recorde de maior número de visualizações de um videoclipe no YouTube em 24 horas (108,2 milhões de visualizações) com o sucesso “Butter”, de 2021.

A banda estava em hiato desde 2022, enquanto seus integrantes cumpriam o serviço militar obrigatório, com períodos entre 18 e 21 meses. Agora, eles lançaram seu quinto álbum de estúdio e iniciaram uma turnê mundial com 82 datas, que analistas estimam poder arrecadar pelo menos US$ 1,9 bilhão, aproximando-se do recorde de US$ 2,2 bilhões da turnê The Eras Tour, de Taylor Swift. 

Há alguns anos, uma aluna da graduação discutiu o caso do BTS na minha disciplina. Apesar de não se tratar de um caso de descontinuidade — já que não houve liquidação nem venda substancial de ativos —, ocorreu uma suspensão planejada das atividades do grupo musical. Durante os últimos meses, a empresa dona do grupo teve queda de receita, com alguma entrada residual proveniente de obras anteriores. Com o retorno, observa-se uma forte reativação dos fluxos de caixa futuros.

No passado, algo semelhante ocorreu com Elvis Presley, que precisou servir no exército, na Alemanha, enquanto o famoso Colonel Tom Parker gerenciava sua carreira mesmo diante dessa limitação.

Imagem aqui 

Regra dos 20 anos do vestuário

As tendências de vestuário vêm e vão, mas, em alguns casos, não ficam longe por muito tempo. Durante décadas, tanto a indústria da moda quanto seus entusiastas referiram-se à chamada "regra dos 20 anos", que sugere que a sociedade tende a ver certos estilos retornarem em intervalos semirregulares. No entanto, sem dados concretos para sustentar a afirmação, essa "regra" permaneceu por muito tempo como apenas uma hipótese.

Isso está mudando graças a uma análise recente de matemáticos da Northwestern University. Após examinarem quase 160 anos de vestuário feminino, uma equipe de pesquisa interdisciplinar confirmou que as tendências de moda frequentemente ressurgem a cada 20 anos, aproximadamente.(...)

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores primeiro compilaram um conjunto de dados de cerca de 37.000 peças de roupa, combinando o Arquivo de Moldes Comerciais da Universidade de Rhode Island com gerações de imagens de coleções de desfiles que remontam a 1869. 

Eles então decomporam as roupas com base em características específicas, incluindo:
 Bainha (comprimento da saia)
 Posicionamento da cintura
 Decote

Ao avaliar cada exemplo em termos numéricos e mensuráveis, eles construíram um novo modelo matemático para analisar a tensão entre designs de moda inéditos e aqueles mais reconhecíveis. Segundo Zajdela e seus colegas, as evidências mostram claramente que a indústria da moda recicla rotineiramente certos temas e designs a cada duas décadas.

A Oscilação entre o Novo e o Tradicional
Basicamente, a indústria da moda flutua constantemente entre a originalidade e a tradição. Quando um estilo de roupa se torna popular demais, os designers começam a alterar suas novas peças apenas o suficiente para se destacarem, mantendo-se desejáveis para os potenciais usuários.

"Com o tempo, esse impulso constante de ser diferente do passado recente faz com que os estilos oscilem de um lado para o outro. O sistema quer intrinsecamente oscilar, e vemos esses ciclos nos dados", explicou Daniel Abrams, matemático aplicado e coautor do estudo.

O exemplo mais óbvio desse padrão é a bainha. Por mais de um século, a moda das saias oscilou entre estilos curtos e longos:
1.  Anos 1920: Vestidos flapper com bainhas curtas eram a sensação.
2.  Anos 1940 e 50: Deram lugar a designs mais longos.
3.  Anos 1960: A tendência retornou para opções ainda mais curtas, como a minissaia.

O Fim da Regra?
Apesar do suporte matemático, a regra dos 20 anos pode não durar muito mais tempo. A partir da década de 1980, a dicotomia saia curta/longa começou a se desfazer, pois ambas as opções permaneceram populares simultaneamente.

"No passado, havia duas opções — vestidos curtos e vestidos longos. Nos anos mais recentes, há mais opções: vestidos muito curtos, vestidos longos até o chão e vestidos midi", disse Zajdela. "Há um aumento na variância ao longo do tempo e menos conformidade."

Apenas o tempo dirá se a regra dos 20 anos continuará em vigor. Até lá, provavelmente é melhor guardar aquela peça de roupa antiga por mais um tempinho. Não é bom apenas para o seu guarda-roupa — é bom para o meio ambiente. 


fonte: aqui 

Uma regra como essa, tão simplória, é de grande valia para o gestor de estoque de uma empresa de varejo ou uma indústria de roupas. Há muita moda que induz o administrador a investir pesadamente e que depois termina no lançamento de uma baixa contábil.