Eis uma história que ilustra como a questão da padronização pode ser importante e necessária em determinados contextos globais. Trata-se de uma lição útil para a discussão sobre a possibilidade de padronizar procedimentos contábeis entre diferentes nações.
O engenheiro Sandford Fleming perdeu um trem em 1876 ao confundir o horário impresso no bilhete em relação aos termos AM e PM. A partir dessa experiência, Fleming passou a defender a adoção de um horário uniforme, organizado em um sistema de 24 horas. Além disso, propôs que a Terra fosse dividida em 24 fusos horários de 15 graus cada — ou seja, 24 × 15 = 360 graus.
Uma influência decisiva para essa mudança veio da atividade econômica, em especial das ferrovias. Sem padronização, cada cidade podia adotar seu próprio horário local. Em alguns casos, um trem saía da cidade A às nove horas da manhã e chegava à cidade B, poucos quilômetros adiante, às oito e trinta. As empresas de transporte tinham interesse direto na padronização, que acabou sendo implementada alguns anos depois de Fleming ter perdido seu trem.
O horário padrão e os fusos horários foram instituídos logo em seguida e, gradualmente, incorporados pelos diferentes países ao longo do tempo.
O movimento de padronização do tempo antecedeu movimento semelhante na contabilidade. As empresas ferroviárias foram, em certo sentido, substituídas por corporações multinacionais e grandes firmas de auditoria como atores centrais nesse processo. Contudo, na contabilidade, a padronização é mais complexa e demorada. O caso aqui relatado mostra que interesses econômicos são fortes impulsionadores para a criação e imposição de padrões.

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