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04 fevereiro 2026

A erosão do poder disciplinar e pastoral nas empresas de contabilidade

Eis o resumo:


As firmas de contabilidade tradicionalmente operaram como instituições ao mesmo tempo elitizadas e reinventivas, que oferecem uma trajetória profissional estruturada e prestigiosa e impõem um processo de socialização profundamente transformador para os auditores. No entanto, mudanças recentes no mercado de trabalho e a evolução das preferências profissionais estão desafiando esse regime de poder, com implicações significativas para as firmas e seus empregados. Com base em 31 entrevistas semiestruturadas com auditores no Canadá, nosso estudo examina como essas transformações estão remodelando as dinâmicas de poder dentro das firmas de contabilidade.  Primeiro, constatamos que as firmas estão cada vez mais tendo dificuldade em definir e produzir o auditor ideal. Em vez disso, como destacamos, observa-se a emergência do auditor “padrão” (*default auditor*), um profissional moldado mais por restrições do mercado de trabalho e por um engajamento transacional do que pelos mecanismos tradicionais de seleção e disciplina conduzidos pelas firmas.  Segundo, analisamos a erosão do poder pastoral (isto é, um poder fundamentado na orientação e no cuidado) dentro das firmas, à medida que auditores de nível júnior passam a priorizar o cuidado de si, enquanto sócios e gerentes (P&Ms) enfrentam crescentes dificuldades para estabelecer e sustentar relações pastorais com seus subordinados. Como resultado dessa erosão, P&Ms oscilam entre a autossacrifício (assumindo responsabilidades adicionais para compensar o desengajamento dos auditores) e um crescente sentimento de injustiça (a percepção de que estão dando demais e recebendo pouco em troca).  Para capturar esse impasse crescente, desenvolvemos o conceito de paralisia disciplinar e pastoral — um estado em que P&Ms não podem mais recorrer aos mecanismos tradicionais de disciplina e punição para impor normas de conduta profissional, mas também têm dificuldade em reinventar novas formas de poder pastoral. Examinamos as implicações dessa perda de controle, questionando se ela representa uma mudança temporária ou uma transformação mais permanente. Por fim, discutimos as consequências mais amplas de as firmas de contabilidade se tornarem menos parecidas com instituições normalizadoras e mais semelhantes a organizações “comuns”.

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