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01 agosto 2022

Escrita científica piorou?


A linguagem científica deveria ter pouco adjetivo e advérbio. Mas parece que isto não aconteceu, entre 1969 a 2019. 

Writing in a clear and simple language is critical for scientific communications. Previous studies argued that the use of adjectives and adverbs cluttered writing and made scientific text less readable. The present study aims to investigate if the articles in life sciences have become more cluttered and less readable across the past 50 years in terms of the use of adjectives and adverbs. The data that were used in the study were a large dataset of 775,456 scientific texts published between 1969 and 2019 in 123 scientific journals. Results showed that an increasing number of adjectives and adverbs were used and the readability of scientific texts have decreased in the examined years. More importantly, the use of emotion adjectives and adverbs also demonstrated an upward trend while that of nonemotion adjectives and adverbs did not increase. To our knowledge, this is probably the first large scale diachronic study on the use of adjectives and adverbs in scientific writing. Possible explanations to these findings were discussed.

(via aqui)

Poderia argumentar que é a língua inglesa, mas hoje quase todas as ciências produzem nesta língua. 

Foto: aqui

07 outubro 2021

Linguagem complexa esconde o odor dos resultados

 Do e-mail diário da  Bloomberg:

Como este boletim informativo é escrito em uma linguagem simples o suficiente para um aluno grogue do segundo ano entender, você pode pensar que seu redator também é simplório. Mas o que pode parecer um jargão sem sentido é, na verdade, criado para construir a confiança de você, leitor. Essa é a minha história, e vou mantê-la, especialmente agora que há ciência para apoiá-la. 

Um estudo mostrou que a linguagem complexa sobre as conferências de lucros corporativos está associada a retornos de investimento menos do que excelentes, escreve John Authers. Ora, é quase como se as pessoas usassem conversas floridas para encobrir o odor de seus resultados reais.

A coluna de John é ótima, e você deve ler tudo e também ter cuidado com os líderes corporativos que respondem a perguntas simples, dizendo coisas como: "Uma química é realizada para que uma reação química ocorra e gere um sinal da interação química com a amostra , que é traduzido em um resultado, que é então revisado por pessoal de laboratório certificado.” Você adivinha quem disse isso? (Dica: rima com “Shmelizabeth Shmolmes.”) 

 Mas você também tem que experimentar este site que os pesquisadores fornecem, que permite inserir texto e medir onde ele se encaixa no Gunning Fog Index, que é o melhor nome do índice. Os dois primeiros parágrafos deste boletim informativo, por exemplo, foram um pouco mais complicados do que o discurso inaugural de Donald Trump. QED.

17 fevereiro 2021

Linguagem e desempenho: duas pesquisas

 


Dois artigos interessantes. O primeiro estabelece uma relação entre legibilidade e custo do capital. Eis o abstract:

Using a large panel of U.S. public firms, we examine the relation between annual report readability and cost of equity capital. We hypothesize that complex textual reporting deters investors' ability to process and interpret annual reports, leading to higher information risk, and thus higher cost of equity financing. Consistent with our prediction, we find that greater textual complexity is associated with higher cost of equity capital. Our results are robust to a battery of sensitivity checks, including use of multiple estimation methods, alternative proxies of annual report readability and cost of equity capital measures, and potential endogeneity concerns. In addition, we hypothesize and test whether the nature of the relation between readability and cost of capital depends on the tone of 10-K filings. Our results show that the effect of annual report complexity on cost of equity is greater when disclosure tone is more negative or more ambiguous. We also find that the effect of annual report readability on cost of equity capital depends on the degree of stock market competition, level of institutional investors' ownership, and analyst coverage.

No mesmo periódico, um artigo que analisa a relação entre a linguagem positiva e o retorno do acionista. A conclusão é importante: que exagera na linguagem positiva não entrega resultado. Eis o abstract: 

We examine S&P 500 firms over 1999–2014 that characterize their annual performance with extreme positive language. Only 18% of such firms increase shareholder value, while over 80% have either negative or insignificant abnormal returns. Our evidence suggests that firms often base their claims of extreme positive performance on high raw returns or strong relative accounting performance. In comparison to firms that generate positive abnormal returns without boasting, our sample firms tend to have superior accounting performance. We conclude that boasting about performance is rarely associated with value creation and is more consistent with an emphasis on accounting metrics.

Imagem aqui

10 abril 2015

Frase

Hoje, as pessoas são capazes de comunicar-se rapidamente através de uma variedade de mídias - e talvez nenhum desenvolvimento linguístico melhor indica mudanças nas maneiras de comunicar que o onipresente emoticon.

[Este é um texto que vale a leitura. Viva o Emoticon! Viva a linguagem moderna!]

16 outubro 2014

Linguagem nas resenhas

O estudo da linguagem escrita tem apresentado pesquisas surpreendentes. Recentemente o New York Times apresentou um estudo de Dan Jurafsky sobre comentários sobre restaurantes:

Num estudo com mais de um milhão de resenhas Yelp de restaurantes, o senhor Jurafsky ea equipe de Carnegie Mellon descobriram que comentários com quatro estrelas tendem a usar uma faixa mais vaga de poucas palavras positivas, enquanto comentários com uma estrela tinha um vocabulário mais variado. Os comentários com uma estrela também tiveram uma maior incidência de pretérito, pronomes (especialmente pronomes no plural) e outros marcadores sutis que os linguistas já encontraram nas discussões sobre a morte da princesa Diana e posts escritos nos meses após o 11 de setembro .

Em suma, disse o senhor Jurafsky que autores com comentários de uma estrela inconscientemente usam a mesma linguagem que as pessoas usam em situações de trauma coletivo. (...)

Outra constatação: Comentários de restaurantes caros são mais propensos a usar metáforas sexuais, enquanto a comida em restaurantes mais baratos tende a ser comparado com drogas.


Fonte: via Aqui

28 janeiro 2014

Nossa Língua Portuguesa: Você sabe bem por quê.

Uso do Porque | Por que | Porquê | Por quê


FormaQuando usarExemplo
Por que
Nas perguntas ou quando estiverem presentes (mesmo que não explícitas) as palavras “razão” e “motivo”.
Por que você não aceitou o convite?
Todos sabem por que motivo ele recusou a proposta. Ela contou por que (motivo, razão) estava magoada.
Por quêNos finais de frases.Por quê? Você sabe bem por quê.
PorqueQuando corresponder a uma explicação ou a uma causa.“Não, Bentinho; digo isto porque é realmente assim, creio...” (M. Assis, Dom Casmurro). Comprei este sapato porque é mais barato.
PorquêQuando é substantivado e substitui “motivo” ou “razão”.Não sabemos o porquê de ela ter agido assim. É uma menina cheia de porquês.

E um vídeo rápido com uma professora super fofa:





Fonte: Aqui, aqui e aqui.

25 novembro 2013

Hetain Patel: Quem sou eu? Pense de novo

Como decidimos quem somos? A surpreendente apresentação de Hetain Patel brinca com identidade, linguagem e sotaque -- e te desafia a pensar mais a fundo, além das aparências superficiais. Uma encantadora meditação do ser, com a artista Yuyu Rau e inspirada por Bruce Lee.

19 março 2013

Comportamento e línguas

Inúmeras pesquisas comprovaram que o comportamento das pessoas é afetado por diversas variáveis. Uma pesquisa recente mostrou que a língua também tem seu papel em decisões como economizar, fazer exercícios, fumar e usar camisinha. No início do mês postamos um vídeo do TED talks sobre Keith Chen. Falemos mais sobre o assunto...

Keith Chen, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, investigou como as diferentes línguas fazem distinção entre eventos presentes e futuros. Enquanto no inglês, ao se mencionar uma chuva amanhã, você diz “It will rain tomorrow”, no alemão a mesma frase é “morgen regnet” (algo como 'chuva amanhã'). Há diferença entre as duas formas. O inglês exige, para compor a frase, o uso do verbo “will”, que indica que a ação irá ocorrer no futuro. Assim, a distinção entre o evento no futuro é mais forte na língua inglesa que na alemã.

Chen se questionou se esta distinção, que ocorre entre várias línguas, pode influenciar as chamadas “escolhas intertemporais”. Estas escolhas estão presentes na vida diária de cada um de nós: a escolha, por exemplo, de assistir televisão ao invés de fazer exercício físico numa manhã de terça-feira. Quando eu decido fazer uma atividade mais saudável, a opção terá diversos reflexos no futuro.

O estudo partiu da suposição que quando a língua faz uma grande distinção entre as ações do presente e do futuro, poderá afetar as escolhas intertemporais. Nas línguas nas quais a distinção entre presente e futuro não é forte, as pessoas seriam mais econômicas? E teriam mais hábitos saudáveis?

Chen encontrou que esta distinção afeta sim muitas decisões. Ele utilizou uma base de dados ampla sobre o comportamento das pessoas em diversos países e relacionou à presença (ou ausência) de uma referência ao tempo futuro (FTR, na abreviatura do autor). A comparação levou em consideração as características idênticas de renda, educação, família, entre outras. Pessoas com fraca FTR, como é o caso dos alemães, são mais econômicos (31% a mais), guardam mais dinheiro para aposentadoria (39% a mais), provavelmente fumam menos (24%), fazem mais atividade física (29% a mais) e são menos propensos a obesidade (13% a menos).

Mesmo em países que usam mais de uma língua, como é o caso da Suíça, a diferença persiste. E os países que possuem fraca FTR economizam, em média, 6% a mais do PIB por ano. Na conclusão da pesquisa, Chen diz acreditar que os resultados encontrados indicam que a língua pode ser a causa, não o reflexo, de algumas das diferenças.

Ao ler o texto fiquei pensando como é importante que pesquisas ousadas sejam realizadas na academia. Para um leigo, seria difícil imaginar a relação entre decisões econômicas e efeito da língua. Mas a criatividade de um pesquisador permitiu que se pudessem entender um pouco melhor escolhas intertemporais.

CHEN, M. Keith. The Effect of Language on Economic Behavior: evidence from savings rates, health behaviors, and retirement assets. American Economic Review, vol. 103, n. 2, 2013 (a ser publicado brevemente). Aqui uma versão preliminar do texto.

03 março 2013

Influência do idioma na propensão à poupança


Keith Chen, professor associado da escola de negócios de Yale, testa a hipótese que as diferenças entre os idiomas em relação a construção de estruturas gramaticais para o presente e futuro afetam a taxa de poupança dos falantes de cada língua. Abaixo o resumo da pesquisa que será publicada na American Economic Review:

Languages differ widely in the ways they encode time. I test the hypothesis that languages that grammatically associate the future and the present, foster future-oriented behavior. This prediction arises naturally when well-documented effects of language structure are merged with models of intertemporal choice. Empirically, I find that speakers of such languages: save more, retire with more wealth, smoke less, practice safer sex, and are less obese. This holds both across countries and within countries when comparing demographically similar native households. The evidence does not support the most obvious forms of common causation. I discuss implications for theories of intertemporal choice.

11 janeiro 2012

O case da galinha


(...) Dan Pallottta, que mantém um blog no website da revista de negócios Harvard Business Review, declarou recentemente que em aproximadamente metade de suas conversas sobre negócios não tem a mínima ideia do que seus interlocutores estão falando. Confessa que, quando jovem, sentia-se tolo por não entender o que as outras pessoas diziam, mas que agora suspeita que a "tolice" seja de seus interlocutores, por não conseguirem se fazer entender.


O autor identifica algumas manifestações curiosas do fenômeno. Uma delas é o “abstracionismo”, a prática de substituir palavras simples e de domínio público por expressões empoladas e complicadas. Por exemplo, uma simples maçaneta pode ser transformada em uma “inovação em acesso residencial” e um investimento duvidoso pode ser magicamente transmutado em uma “aplicação estruturada em derivativos de perfil agressivo”. Outra manifestação é a proliferação de expressões de grande efeito e pouco significado, tais como “pensar fora da caixa”, “quebrar paradigmas”, “provocar inovações de ruptura”, “adotar a estratégia do oceano azul” [??] e “encantar os clientes”.

O fenômeno descrito por Pallotta conta mais de três décadas. Desde os anos 1980, o mundo corporativo vem desenvolvendo dialetos peculiares. A origem tem base comum, mas suas manifestações parecem ter se multiplicado. Primeiro, vieram os consultores, apropriando-se inventivamente do vernáculo para embalar velhas ideias com novos significados. Sua criatividade oral foi retratada com exemplar ironia em uma anedota, popular nos anos 1990, na qual é perguntado a um consultor por que, afinal, uma galinha atravessa a rua, ao que o profissional responde:

“A desregulamentação da economia estava ameaçando sua posição dominante no negócio. A galinha teve de enfrentar desafios para criar e desenvolver as competências essenciais para o novo mercado competitivo. Nossa consultoria orientou a galinha a repensar sua estratégia. Usando um Modelo Galináceo Integrado (MGI), a consultoria ajudou a galinha a usar seu capital social para alinhar os recursos dentro de um framework de classe mundial. Um programa de sete passos foi realizado para alavancar seu capital intelectual, tanto tácito quanto explícito, e possibilitar um aumento da sinergia para agregar valor à cadeia produtiva. Tudo foi conduzido em direção à criação de uma solução holística e sustentável. Em suma: a consultoria ajudou a galinha a tornar-se uma galinha de sucesso”.

Em tempo, a resposta certa seria: para chegar ao outro lado da rua.

Fonte: Os herméticos - Thomaz Wood Jr

08 agosto 2011

Como prever crises

Os cientistas da computação também analisaram a freqüência dos termos positivos e negativos e descobriram que num mercado normal há uma mistura da linguagem positiva e negativa. Logo antes de uma bolha, no entanto, há um salto em linguagem positiva. Quando o Dow Jones Industrial Average subia até 2007, por exemplo, "ascensão", "outono", "fechar" e "ganho" foram os verbos mais popular, chegando a semana de 12 de outubro, depois que o crash começou. O uso de termos negativos atingiu o pico em janeiro de 2009, dois meses antes da Dow atingiu seu ponto mais baixo. Economistas desenvolveram várias medidas para prever bolhas principalmente com base em preços, mas uma revisão da linguagem oferece outra maneira de avaliar o que as pessoas estão dizendo e pensando sobre o mercado, oferecendo pistas sobre onde a economia está indo. 

Thinking Cap: Predicting Bubbles and Crashes - Patricia Cohen - New York Times - 2 Ago 2011