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12 janeiro 2026

Educação e neocolonialismo no Paquistão

O resumo 


 Pesquisas têm demonstrado como a contabilidade constitui uma ferramenta importante no arsenal dos poderes coloniais e neocoloniais. No entanto, sabe-se menos sobre como a educação contábil pode funcionar como um meio de garantir a reprodução silenciosa de valores e prioridades ocidentais. Este estudo explora a relação entre os arranjos atuais do ensino universitário de contabilidade no Paquistão e o neocolonialismo. O artigo baseia-se em entrevistas com três categorias principais de atores que influenciam o ensino superior — formuladores de políticas contábeis, docentes e estudantes — e adota a compreensão de hegemonia de Gramsci e do papel dos intelectuais na sociedade. Os formuladores de políticas, que mantêm fortes vínculos com grandes corporações multinacionais, influenciam, por meio de mecanismos de acreditação, os significados e os conteúdos da educação contábil, os quais são posteriormente transmitidos pelos docentes aos estudantes, alterando assim seu “senso comum”. De forma consistente, muitos estudantes são influenciados por crenças como a primazia do Ocidente e de suas práticas “neutras”, bem como pela necessidade de abraçar a internacionalização. Ainda assim, outros rejeitam essas premissas naturalizadas e atuam como potenciais “intelectuais orgânicos”, capazes de impulsionar a criação de novos entendimentos sobre o papel e o conteúdo da educação contábil em países em desenvolvimento.

Fonte: Waksh Awais, Michele Bigoni, Accounting education and neocolonialism in Pakistan: A Gramscian perspective, Critical Perspectives on Accounting, Volume 103, 2026,

11 janeiro 2026

Mercosul e União Europeia avançam na área de livre comércio


Mais de 25 de negociação e parece que o acordo histórico de livre comércio entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e União Europeia está sendo concretizado.  Pelo acordo, haverá eliminação gradual de mais de 90% das tarifas ao longo de 15 anos, o que abrirá mercados para os dois lados. 

Segundo o site Politico entre os vencedores estão indústrias europeias e exportadores da América do Sul. Os perdedores seriam agricultores europeus, devido a competição dos produtos daqui, e críticos ambientais. O site também cita Macron, Trump e China como perdedores. E Ursula von der Leyen, a indústria alemã de automóveis e Giorgia Meloni

A próxima etapa seria a aprovação dos parlamentares europeus e dos países do Mercosul. 

Chocolate de Dubai e a bolha financeira


O que se pode dizer sobre os mercados financeiros atuais é que, estejam ou não em uma bolha, eles continuam flertando com o surreal. Ativos financeiros tradicionais, como títulos ou ações, vêm acompanhados da expectativa de fluxos de caixa futuros. Os operadores compram e vendem esses ativos porque têm visões diferentes sobre o tamanho desses pagamentos ou sobre como avaliar determinado fluxo de caixa futuro. Há aqui um toque de magia: uma soma desconhecida amanhã transforma-se em um valor muito específico hoje. Essa magia é o pão de cada dia das finanças.

Mas essa é uma narrativa bastante antiquada. A economia do surreal nos oferece criptomoedas como Bitcoin, DogeCoin e outras — além das ações meme, como GameStop em 2021 e Krispy Kreme neste verão. Tudo isso já se tornou tão familiar que é fácil perder de vista o quão surreal realmente é. Ações meme até têm fluxos de caixa, mas poucos fingem que eles sejam relevantes; em vez disso, seus preços são impulsionados por investidores de varejo que se incentivam mutuamente nas redes sociais a comprar. 

Tim Harford 

Mais adiante, o autor cita o chocolate de Dubai com um exemplo desse aspecto surreal: 

Isso é o equivalente financeiro do chocolate de Dubai. Charles Spence, professor de psicologia experimental da Universidade de Oxford, comentou recentemente sobre a popularidade repentina do chocolate de Dubai — aquele com pistache e massa filo desfiada. Spence argumenta que o chocolate de Dubai se beneficia de três atributos: parece exótico; o recheio crocante leva influenciadores do TikTok a fazer expressões faciais interessantes enquanto o comem; e, acima de tudo, o contraste entre o recheio verde-vivo e a cobertura marrom de chocolate fica ótimo na câmera. O que conecta esses três elementos? Superficialidade. Vivemos em um mundo de aparências. Pelo menos o chocolate de Dubai é uma barra de chocolate. Não tenho certeza se a DogeCoin é alguma coisa. 

 

Pizzometro volta a atuar

 De uma postagem do blog, de 14 de junho de 2025:

Um texto do El Economista aborda o curioso fenômeno chamado "Pizzómetro", uma ferramenta informal que se popularizou por prever possíveis crises globais a partir da movimentação nas pizzarias próximas ao Pentágono, nos Estados Unidos. A lógica é simples: quando ocorrem reuniões emergenciais ou operações militares secretas, os funcionários do Departamento de Defesa costumam trabalhar até tarde, o que gera um aumento significativo nos pedidos de pizza na região. Esse indicador surgiu ainda na Guerra Fria, quando os soviéticos, atentos a qualquer sinal da movimentação americana, passaram a observar o volume de entregas de pizza como possível sinal de crise.  

Eis o que ocorreu na semana passada:

Parece que o índice funcionou novamente
 

Viva o Excel!


Na década de 1990, alguns jogos de computador tinham uma “tecla de chefe” (boss key), que permitia aos funcionários abrir rapidamente uma planilha do Excel caso precisassem parecer que estavam trabalhando.

Hoje, chefes podem torcer o nariz ao flagrar um funcionário mergulhado em uma planilha. O Excel, pertencente à Microsoft, tem 40 anos e, para alguns líderes de tecnologia, é visto, na melhor das hipóteses, como um obstáculo a fluxos digitais mais eficientes e à adoção de IA e, na pior, como um acidente à espera de acontecer.

Ainda assim, o Excel é inegavelmente onipresente no mundo corporativo. Segundo uma pesquisa da Acuity Training, dois terços dos trabalhadores de escritório usam o Excel ao menos uma vez por hora.

A persistência do Excel deve-se em parte ao fato de ele permanecer enraizado na educação em tecnologia, ao lado do Word e do PowerPoint, afirma Tom Wilkie, diretor de tecnologia da empresa de visualização de dados Grafana.

O Excel é simplesmente uma ferramenta muito boa. Se você quer analisar um conjunto pequeno de dados, testar uma ideia ou criar rapidamente um gráfico para uma apresentação, não há nada melhor para uma análise rápida e simples”, diz ele.

De um artigo da BBC (Excel: The software that's hard to quit, Joe Fay), que constata que ainda hoje o Excel é uma ferramenta amplamente usada e difícil de abandonar. O texto critica os limites da planilha, o que inclui riscos de erros. O texto destaca a vantagem da flexibilidade e fato de ser dominada por profissionais de várias áreas. 

Como alguém que viu o nascimento das planilhas eletrônicas, sempre é bom lembrar que Excel apareceu depois do SuperCalc e Lotus123. E que hoje temos diversos produtos similares e talvez melhor que o Excel. 

Dois aspectos complementares, um presente no texto e outro não. O Excel ainda será usado por muitos anos e parece claro que texto. Mas é bom lembrar que sua origem ocorreu nas corporações que precisavam de um instrumento computacional para fazer o controle financeiro e contabilidade.  

Rir é o melhor remédio

 

Fonte aqui

Mais dados é igual a melhores decisões? Damodaran não é tão confiante


O especialista em valuation Aswath Damodaran alerta que a explosão de dados impulsionada pela inteligência artificial não garante decisões de investimento melhores. Ele adverte contra a falsa precisão e o excesso de confiança, enfatizando que a verdadeira vantagem competitiva está na interpretação e no julgamento, e não apenas no acesso aos dados.

A reportagem foi publicada no Economic Times, da Índia.