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12 janeiro 2026

Educação e neocolonialismo no Paquistão

O resumo 


 Pesquisas têm demonstrado como a contabilidade constitui uma ferramenta importante no arsenal dos poderes coloniais e neocoloniais. No entanto, sabe-se menos sobre como a educação contábil pode funcionar como um meio de garantir a reprodução silenciosa de valores e prioridades ocidentais. Este estudo explora a relação entre os arranjos atuais do ensino universitário de contabilidade no Paquistão e o neocolonialismo. O artigo baseia-se em entrevistas com três categorias principais de atores que influenciam o ensino superior — formuladores de políticas contábeis, docentes e estudantes — e adota a compreensão de hegemonia de Gramsci e do papel dos intelectuais na sociedade. Os formuladores de políticas, que mantêm fortes vínculos com grandes corporações multinacionais, influenciam, por meio de mecanismos de acreditação, os significados e os conteúdos da educação contábil, os quais são posteriormente transmitidos pelos docentes aos estudantes, alterando assim seu “senso comum”. De forma consistente, muitos estudantes são influenciados por crenças como a primazia do Ocidente e de suas práticas “neutras”, bem como pela necessidade de abraçar a internacionalização. Ainda assim, outros rejeitam essas premissas naturalizadas e atuam como potenciais “intelectuais orgânicos”, capazes de impulsionar a criação de novos entendimentos sobre o papel e o conteúdo da educação contábil em países em desenvolvimento.

Fonte: Waksh Awais, Michele Bigoni, Accounting education and neocolonialism in Pakistan: A Gramscian perspective, Critical Perspectives on Accounting, Volume 103, 2026,