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01 janeiro 2026

Laços fracos de amizade


Um texto da Forbes explica que “laços fracos” — conexões menos íntimas, como conhecidos distantes — podem ser mais valiosos para sua carreira do que amizades próximas, porque circulam em ambientes diferentes, trazendo novas oportunidades e informações que o seu círculo íntimo não oferece. Estudos clássicos e recentes mostram que a maioria das pessoas encontra vagas de emprego e oportunidades profissionais por meio desses conhecidos, e que laços moderadamente fracos tendem a gerar mais mobilidade de carreira do que relações fortes. Além disso, esses vínculos ampliam sua perspectiva e aumentam a sensação de pertencimento, complementando o suporte emocional dos laços próximos com acesso a redes e ideias diversas. 

A ideia é de Mark Granovetter (foto), um sociólogo recentemente aposentado, que chamou de A Força dos Laços Fracos

Rir é o melhor remédio

 

Fonte: aqui

Mais um caso com um pesquisa


Durante 25 anos, um estudo científico afirmava que o Roundup, um herbicida da Monsanto, não apresentava consequências adversas para os seres humanos. Agora, a pesquisa foi retirada do periódico Regulatory Toxicology and Pharmacology. A retirada de um artigo é uma notícia que indica a existência de problemas relevantes na pesquisa e que ela não pode mais ser citada como referência válida para fins científicos.

No caso específico, há indícios de que parte do texto tenha sido escrita pela própria Monsanto, fabricante do herbicida. E-mails internos da empresa revelaram essa prática, considerada eticamente inadequada. O problema é que agências reguladoras utilizaram o estudo como base para suas políticas e aprovaram o uso do produto. A retirada do artigo não implica, automaticamente, a proibição do herbicida, mas enfraquece seu respaldo científico. Mas pode ter consequências em termos de uma medida futura contra a empresa, como a retirada do produto do mercado ou uma potencial punição. 

Por que as tarifas não esmagaram a economia dos EUA

Talvez a grande discussão econômica do ano passado tenha sido o aumento nas tarifas de importação por parte da maior economia do mundo. No início do ano, diversos analistas indicaram os efeitos ruins para os Estados Unidos. Mas parece que nada ocorreu. 

Na newsletter de Noah Smith há uma resposta para essa questão. Eis  o texto:

3. Por que as tarifas não esmagaram a economia dos EUA

Muitas pessoas estão se perguntando por que a economia dos Estados Unidos tem sido tão resiliente diante das tarifas impostas por Trump. Os efeitos das tarifas são visíveis — os preços das importações estão subindo, a indústria manufatureira sofre com insumos mais caros, e isso pode estar por trás de um aumento gradual do desemprego. Ainda assim, no conjunto, apesar de os consumidores americanos se mostrarem extremamente pessimistas nas pesquisas, o crescimento permanece sólido e o nível de emprego continua elevado. O que está acontecendo? Os economistas erraram ao alertar sobre os perigos das tarifas? E, se não erraram, onde está a calamidade econômica que nos foi prometida?

Uma parte importante do quebra-cabeça é que as tarifas efetivamente cobradas são muito mais baixas do que as alíquotas oficiais anunciadas pela administração Trump (sem falar nas tarifas ainda mais altas que Trump chegou a ameaçar impor em abril). A alíquota tarifária legal, calculada com base na composição das exportações antes das tarifas, era de 27,5% em setembro, mas a alíquota efetivamente paga pelos importadores americanos era de apenas 14%.

Esse gráfico é de Gopinath e Neiman (2025), que explicam que a administração Trump utilizou um grande número de exceções e dispensas (carve-outs) para reduzir a dor econômica causada por sua própria política:

Produtos específicos — ou até empresas específicas (por exemplo, aquelas que se comprometem a construir fábricas nos Estados Unidos) — receberam isenções tarifárias. Por exemplo, diversos semicondutores obtiveram isenção das tarifas recíprocas anunciadas pelos Estados Unidos no início de abril de 2025. Como resultado, os semicondutores passaram a ter uma tarifa efetiva de apenas 9%, apesar de uma tarifa legal muito maior, de 24%. Essa mesma isenção também explica a diferença entre a tarifa legal de 28% aplicada a Taiwan e a tarifa efetiva de apenas 8%…

[Outro] fator-chave por trás dessa diferença é o cumprimento do USMCA, o acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá que substituiu o NAFTA em 2020. Se uma parcela suficiente do valor de uma remessa tiver sido adicionada dentro dessas três economias — em vez de importada de fora do bloco —, o importador pode, em geral, declarar os bens como compatíveis com o USMCA e, assim, evitar em grande medida as tarifas.

Uma tarifa de 14% não é uma alíquota extraordinariamente alta. Trata-se de um imposto muito ineficiente, pois incide sobre bens intermediários, e não sobre bens finais. Ainda assim, não é uma taxa tão elevada. Além disso, as importações não representam uma parcela tão grande da economia dos EUA — cerca de 14% em 2024. Quatorze por cento de 14% corresponde a apenas cerca de 2%.

Elevar a carga tributária da economia americana em 2 pontos percentuais, mesmo por meio de um imposto extremamente ineficiente, dificilmente seria suficiente para derrubar a economia — mesmo quando os americanos arcam com a maior parte do ônus tributário, como argumentam Gopinath e Neiman. Além disso, a economia dos EUA também tem sido favorecida pelo boom dos data centers, que provavelmente está compensando uma parcela significativa da destruição de demanda provocada pelo pessimismo induzido pelas tarifas.

Dito isso, o impacto negativo das tarifas pode simplesmente demorar algum tempo para se manifestar. Via Marginal Revolution, vejo que Besten e Känzig publicaram um novo artigo que estuda o impacto macroeconômico histórico das tarifas nos Estados Unidos. Os autores analisam anúncios históricos de políticas tarifárias e alimentam esses “choques” em um modelo da economia. Trata-se de uma forma bastante imperfeita de estudar o efeito das tarifas, já que o modelo pode estar errado e os “choques” podem estar respondendo a condições econômicas de maneiras que os autores não consideram. Ainda assim, o principal resultado do exercício é que a maior parte do impacto das tarifas sobre variáveis como o PIB ocorre apenas após um ou dois anos. 

 

Como se passaram apenas oito meses desde o “Dia da Libertação”, provavelmente voltaremos a este tema daqui a um ano.

Rir é o melhor remédio

 

Fonte: aqui

31 dezembro 2025

Um poema de 1981 sobre IA

Seu dever de casa sai, rápido e limpo, como pode ser.
Aqui está — “nove mais quatro?” e a resposta é “três”.
Três?
Ah, meu Deus…
Acho que não é tão perfeito
quanto eu pensava que seria.

Shel Silverstein - Homework Machine 

Via aqui (com tradução de uma IA) (grande ironia, não?)

 

Busca de um avião, receita e despesa


Eis uma situação real e um bom caso para discutir a questão da probabilidade no resultado contábil. O voo MH370 desapareceu em 2014. Até hoje não se sabe o que ocorreu, com hipóteses variando desde atentado aéreo até suicídio do piloto. A notícia de agora:

Uma nova busca conduzida pela Ocean Infinity, empresa de robótica marítima com sede no Reino Unido e nos Estados Unidos, havia começado no início deste ano, mas foi interrompida em abril devido ao mau tempo. O Ministério dos Transportes da Malásia anunciou neste mês que a busca no fundo do mar será realizada de forma intermitente ao longo de 55 dias, a partir de 30 de dezembro. A Ocean Infinity firmou com a Malásia um contrato do tipo “no find, no fee” (sem descoberta, sem pagamento), segundo o qual a empresa irá vasculhar uma nova área oceânica de 5800 milhas quadradas (15000 km²) e receberá 70 milhões de dólares (£52 milhões) apenas se destroços forem encontrados. A empresa se recusou a comentar sobre a busca mais recente. 

A questão da incerteza está presente tanto nas receitas quanto nas despesas. Caso o avião seja encontrado, a empresa receberá pelo resultado, mas isso também poderá gerar um goodwill relevante, na forma de receitas futuras e ganho de imagem. A receita, contudo, só deveria ser reconhecida ao longo das buscas se houver um grau elevado de certeza quanto ao desfecho positivo.

Já as despesas dependem do princípio da confrontação. Na ausência de receita — caso a busca fracasse —, a despesa deve ser reconhecida imediatamente no resultado. O contador, porém, precisa efetuar o lançamento da despesa no momento em que ela ocorre, não podendo condicioná-lo a um resultado que pode se materializar apenas meses à frente. Nessas situações, a prudência mostra-se útil: reconhecer a despesa de imediato pode ser uma solução adequada. Ou não?