Notícia do início do mês, mas com algumas atualizações importantes do caso Itau x Broedel:
O Banco Central do Brasil abriu um processo sancionador contra
Alexsandro Broedel Lopes, executivo do Santander acusado de envolvimento
em um suposto esquema de fraude enquanto atuava no Itaú Unibanco,
informou o Financial Times nesta sexta-feira (5). A abertura do procedimento ocorreu em outubro, segundo documento obtido pelo jornal.
Broedel,
ex-CFO do Itaú, ingressou no Santander no ano passado. O banco
planejava torná-lo chefe global de contabilidade e membro do conselho de
administração, mas recuou em junho após o surgimento das acusações.
Mesmo assim, ele permaneceu na instituição e, em setembro, foi nomeado
vice-presidente executivo na área de estratégia. Uma fonte ouvida pelo FT afirmou que o executivo foi deslocado para uma função “não crítica”.
As
acusações foram feitas pelo Itaú, que afirma que Broedel desviou
recursos por meio de um arranjo com um consultor externo contratado em
nome do banco. O Ministério Público pediu a abertura de uma investigação criminal, que segue em andamento, segundo pessoa familiarizada com o caso ouvida pelo FT.
O
processo sancionador do BC é aberto quando há indícios de violações
legais ou regulatórias por pessoas físicas ou instituições financeiras.
As possíveis punições incluem advertência, multas e impedimento para
atuar no setor.
O Santander não explicou por que desistiu da
nomeação de Broedel para o cargo de contador-chefe, mas manteve o
executivo no quadro. Uma pessoa próxima ao processo de recrutamento
disse ao FT que o banco tinha obrigação contratual enquanto as acusações “permanecem alegações”.
A
defesa de Broedel afirmou ao jornal que ele “nega veementemente todas
as alegações feitas pelo Itaú Unibanco” e que move uma outra ação contra
o ex-empregador. Também destacou que a abertura do processo
administrativo “não implica presunção de responsabilidade” e que o BC
agiu com base em “alegações não comprovadas”.
Broedel havia
recebido todas as aprovações necessárias para assumir o posto senior no
Santander, incluindo o teste de idoneidade do Banco Central Europeu.
Segundo o FT, as acusações só vieram à tona depois de sua contratação.
Procurado pelo FT, o Santander disse que não comentaria o caso.