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22 dezembro 2025

As Empresas de Capital Aberto Devem Mudar para Relatórios Semestrais?

Do CPA Journal:


Em 15 de setembro de 2025, o Presidente Trump propôs que as empresas de capital aberto arquivem relatórios financeiros semestralmente, em vez de trimestralmente (N. Andrews e C. Driebusch, “Trump Calls for Ending Quarterly Earnings Reports,” Wall Street Journal, 15 de set. de 2025). Em 2018, Jamie Dimon e Warren Buffett opinaram que as pressões para atingir estimativas de lucros de curto prazo levaram a um menor número de ofertas de empresas públicas nos EUA nas últimas duas décadas (“Short-Termism is Harming the U.S. Economy,” 6 de jun. de 2018). A SEC solicitou comentários sobre o assunto na época, mas, devido à resistência dos investidores, decidiu não fazer alterações nos requisitos atuais. Com a relevância do tema voltando a subir, este é um momento oportuno para discutir as implicações potenciais da transição dos relatórios trimestrais para os semestrais. 

Considerando os Prós e Contras

Existem pontos positivos potenciais que poderiam ser alcançados com o relatório semestral:

  • Foco no Longo Prazo: O relatório semestral pode incentivar a gestão corporativa a focar em uma perspectiva de prazo mais longo. A Business Roundtable apoia divulgações de resultados menos frequentes, uma vez que as projeções de lucros muitas vezes levam a um foco doentio em lucros de curto prazo em detrimento da estratégia, crescimento e sustentabilidade de longo prazo.

  • Alinhamento Internacional: O relatório semestral alinharia melhor os Estados Unidos aos padrões de relatórios do Reino Unido e da União Europeia.

  • Redução da Volatilidade: Atingir ou não as expectativas trimestrais dos analistas financeiros frequentemente causa grandes oscilações nas ações para cima ou para baixo. O relatório semestral poderia reduzir essa volatilidade.

  • Redução de Custos: Divulgações públicas menos frequentes poderiam reduzir as taxas de auditoria.

Por outro lado, também existem pontos negativos:

  • Menor Transparência: Alguns acreditam que divulgações menos frequentes equivalem a menos transparência, pois até seis meses poderiam se passar antes que as empresas tivessem que relatar resultados financeiros negativos e relevantes.

  • Risco de Fraude: Uma fiscalização menos frequente poderia permitir que gestões antiéticas cometessem atividades fraudulentas.

  • Aumento da Volatilidade por Incerteza: Menos relatórios de lucros poderiam, na verdade, aumentar a volatilidade do mercado devido à falta de dados reportados.

  • Pressão Persistente: Mesmo sem a obrigatoriedade de relatórios trimestrais, muitas empresas dos EUA ainda podem enfrentar pressões significativas por desempenho de curto prazo.

O que dizem as pesquisas

Uma análise superficial das pesquisas sobre esta questão levanta outros pontos a serem considerados:

  • Busca por fontes alternativas: Kang descobriu que os usuários das demonstrações financeiras de empresas abertas dependem de canais de comunicação privados para complementar os relatórios financeiros disponíveis publicamente (“Financial Reporting Around Private Firms’ Securities Offerings,” Journal of Accounting Research, 2025). Isso implica que relatórios financeiros menos frequentes levariam os usuários a buscar outras fontes de informação.

  • Prejuízo ao investidor comum: Brannon e Jennings descobriram que relatórios de lucros frequentes beneficiam investidores experientes em detrimento de investidores menos sofisticados, devido ao excesso de ruído nos dados (“Too Much Information?”, Regulation, 2020). “Eventos isolados que afetam significativamente os lucros em um trimestre podem causar uma reação exagerada dos investidores”, criando mudanças manipuladas ou de curto prazo que reduzem os lucros de longo prazo para suavizar tais flutuações.

  • Impacto nulo em investimentos: Nallareddy, Pozen e Rajgopal descobriram que, quando o Reino Unido alterou a frequência exigida de relatórios públicos para empresas abertas, isso praticamente não afetou as decisões de investimento interno das empresas (“Consequences of More Frequent Reporting: The UK Experience,” Journal of Law, Finance, and Accounting, 2021).

    Uma Ruptura com a Tradição

    Agora que o relatório semestral para empresas de capital aberto está na pauta de discussões, os líderes de pensamento em gestão financeira e contabilidade devem se perguntar: o que aconteceria se algumas empresas continuassem a publicar voluntariamente resultados trimestrais, e como os investidores reagiriam a frequências de relatórios diferentes e incompatíveis?

    Alterar a prática atual, que vigora desde 1970, exigiria a aprovação da SEC — tradicionalmente um processo longo e burocrático. Consta que a SEC irá “priorizar” a proposta de Trump (NPR), mas qualquer mudança presumivelmente ainda exigirá muita consulta e debate. Sendo assim, uma mudança formal nas regras pode não se concretizar tão cedo.

    Alan Reinstein, DBA, CPA, CGMA, é Professor Aposentado de Contabilidade George R. Husband na Wayne State University, Detroit, Michigan. Natalie Tatiana Churyk, PhD, CPA, é Professora de Contabilidade PwC na Northern Illinois University, DeKalb, Illinois.

    Imagem aqui 

Suicídio global

 Uma boa notícia (via aqui): o número de suicídio por habitante tem reduzido em todas as regiões do mundo:

(isso parece uma surpresa, dado a acusação que se faz a mídia social e a saúde mental)
 

Pentagono e a auditoria


Eis um resumo da notícia:

O Pentágono falhou em sua auditoria financeira pelo oitavo ano consecutivo em 2025, permanecendo como a única grande agência federal dos EUA que nunca conseguiu um parecer favorável. Com ativos e passivos estimados em cerca de US$ 4,7 trilhões cada, os auditores identificaram 26 "fraquezas materiais" nos controles internos.

Um dos problemas críticos envolveu o programa F-35 Joint Strike Fighter, onde o Departamento de Defesa não conseguiu rastrear adequadamente o estoque de peças sobressalentes. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o departamento está comprometido com a transparência, mantendo a meta de alcançar uma auditoria limpa até 2028, apesar dos desafios sistêmicos acumulados por décadas.

 

Valor público

Eis o resumo: 

O valor público é um conceito bem estabelecido, utilizado em várias disciplinas,
incluindo na gestão pública, administração pública e políticas públicas. No contexto
da contabilidade, a investigação sobre a contabilidade do valor público tem-se
concentrado principalmente nos seus aspetos instrumentais – especificamente,
como medir, controlar, relatar e gerir o valor público. No entanto, tem havido
relativamente poucos esforços para avançar os fundamentos teóricos da contabilidade do valor público ou para explorar de que forma a adoção de uma perspetiva de valor público pode reconfigurar a conceptualização e a prática da contabilidade no setor público. O objetivo deste artigo é propor um quadro conceptual para compreender a contabilidade e a prestação de contas do setor público através da lente do valor público. Ao fazê-lo, procura fornecer uma base tanto para futuras investigações académicas como para aplicações práticas. O estudo adota uma abordagem de investigação abdutiva. Primeiro, conceptualiza os elementos centrais da contabilidade do valor público, com base na literatura relevante sobre contabilidade, gestão pública e administração pública. Em segundo lugar, aplica a estrutura proposta por meio de uma análise documental do Ministério da Universidade e Investigação de Itália. Este artigo procura contribuir para o desenvolvimento teórico da contabilidade do valor público nos serviços públicos, com o objetivo de estimular novas pesquisas e informar a prática neste campo em evolução.

O artigo é de autoria de Eugenio Bracci (Public sector accounting and accountability: a public value(s) perspective). Ao final, um agradecimento para o Congresso da UnB de 2024:

The paper is based on a key-note speech held at the University of Brasilia (Brazil),
Department of Accounting, during the 10th UnB Conference on Accounting and
Governance, September, 25th to 27th, 2024. A special thank to the Conference
organizers and the participants for inviting me and giving me the opportunity to
develop this topic.
 

21 dezembro 2025

Caríssimo imperador


Um trecho do livro de Molina, de 2015. História dos jornais no Brasil: Da era colonial à regência (1500–1840), p. 317

Em mais de meio século de jornalismo panfletário, o imperador do Brasil foi o alvo predileto de Antonio Borges da Fonseca [redator de O Republico], um "liberal exaltado". Ele dizia que D. Pedro I era "carissimo", não por ser amado pelo povo, mas pelo que custava ao erário. 

Acho possível trocar D. Pedro I por muito político moderno, não? 

Prestígio do executivo e auditoria


O resumo de um artigo publicado na Abacus:

Este estudo investiga como a reputação do CEO influencia os honorários de auditoria das empresas. Utilizando prêmios empresariais de prestígio como medida de choques positivos na reputação do CEO, as evidências empíricas mostram que empresas cujos CEOs são reconhecidos nacionalmente apresentam reduções significativas nos honorários de auditoria externa em comparação com empresas semelhantes. Os resultados se mantêm sob diversos testes de robustez. Além disso, observa-se uma relação negativa mais pronunciada entre reputação do CEO e honorários de auditoria em empresas com governança interna mais fraca, CEOs que recebem prêmios mais prestigiados, empresas com CEOs mais bem remunerados e empresas com maior cobertura de analistas. Por fim, constata-se que a reputação do CEO afeta o risco do cliente — mensurado pela volatilidade dos retornos, qualidade contábil e fragilidades nos controles internos — o que, por sua vez, influencia os honorários de auditoria. Em conjunto, os resultados indicam que a reputação do CEO afeta o risco de auditoria e sua precificação. 

Foto: Peter Drucker 

Resenha A Contadora

 


Freida McFadden, famosa pelo sucesso A Empregada, entrega em A Contadora (2024) um suspense ambientado no mundo corporativo. A trama gira em torno da rivalidade implícita entre Natalie, a vendedora estrela da empresa Vixed, e Dawn, a metódica e peculiar contadora. Quando Dawn desaparece subitamente, a polícia entra em cena e segredos começam a emergir.

Embora o título original seja apenas The Coworker, a edição nacional optou por destacar a profissão da protagonista. É um livro de ritmo ágil, perfeito para viagens ou momentos de lazer, capaz de manter o leitor intrigado para descobrir quem realmente está dizendo a verdade. Recomendado para quem busca um entretenimento envolvente e rápido.