Translate

23 janeiro 2026

Detecção de plágio


O surgimento da inteligência artificial fez com que sua aplicação passasse a ser usada, e muito, no ambiente acadêmico. Tive a experiência de receber um trabalho em que, ao final do texto, havia uma frase do tipo: “Se você deseja um detalhamento maior, posso ajudá-lo...”. Claramente, o aluno usou IA para fazer o trabalho. Em outro, surgiram cinco citações cujo texto original não consegui localizar, indicando também que o trabalho deve ter sido feito pela ferramenta.

Mas, em outros casos, tive sérias dúvidas sobre a autoria, embora não pudesse comprovar, com certeza, o problema ético. Muitas vezes recebo e-mails em que tipicamente foi usada a IA para a redação. Isso é, de fato, um problema.

Na contabilidade, tivemos um caso na Austrália em que uma empresa de auditoria, contratada pelo governo para realizar um trabalho, usou — comprovadamente — IA. Teve que devolver o dinheiro recebido pelo serviço contratado. E os exemplos prosseguem.

Mas há uma consequência interessante desse mundo moderno. Assim como existe inteligência artificial para fazer trabalhos acadêmicos, os softwares de plágio começaram a vender soluções para detectar o uso de IA. Recentemente, minha universidade disponibilizou uma dessas ferramentas, o Turnitin, com essa função.

O grande problema é que as ferramentas de detecção não funcionam como anunciam. Por desconfiar disso, resolvi não pedir mais trabalhos científicos na disciplina de graduação. Além de dar muito trabalho ler duas vezes a peça, não tinha segurança sobre como o aluno havia avançado nisso.

E, infelizmente, algumas instituições estão levando essas ferramentas a sério e até punindo alunos. Há o caso de uma universidade da Austrália que usou o Turnitin para detectar o uso de IA. Seis mil estudantes foram acusados, e muitos deles não fizeram nada de errado. As empresas de software advertem para que os resultados sejam usados com cautela, mas essa universidade não o fez. Depois disso, a universidade resolveu desligar a ferramenta.

Rir é o melhor remédio

 

Fonte de todo o conhecimento.
Torneira de insights ocasionais.
Balde de trivialidades inúteis.
Aspersor de fatos duvidosos.
Poça de estatísticas enganosas.

Fonte: aqui 

Quantificação em excesso


Escrevendo sobre o uso de relógios fitness, Tim Harford observa

Ainda assim, como muitas métricas de desempenho, o relógio também pode me levar a atividades contraproducentes, como treinar em excesso até o ponto de lesão. A função de monitoramento do sono tenta muitas pessoas a pensar demais sobre o sono, o que é justamente o tipo de coisa que dificulta pegar no sono. Há até um termo técnico para isso: “orthosomnia”. Significa que você está perdendo sono porque está preocupado que seu rastreador de sono esteja julgando você.

Há outro efeito sutil em ação, algo chamado “fixação pela quantificação”. Um estudo publicado no ano passado pelos cientistas comportamentais Linda Chang, Erika Kirgios, Sendhil Mullainathan e Katherine Milkman convidou participantes a escolher entre uma série de duas opções, como destinos de férias ou candidatos a emprego. Chang e seus colegas descobriram que as pessoas levavam números mais a sério do que palavras ou símbolos. Ao decidir entre um hotel barato e caindo aos pedaços ou um caro e luxuoso, ou entre um estagiário com fortes habilidades de gestão ou outro com fortes habilidades em cálculo, os participantes do experimento favoreceram sistematicamente a característica que vinha acompanhada de um número, em vez de uma descrição como “excelente” ou “provável”. Os números podem nos fixar.

“Uma implicação central de nossos achados”, escrevem os pesquisadores, “é que, ao tomar decisões, as pessoas são sistematicamente enviesadas a favorecer opções que dominam em dimensões quantificadas. E trade-offs que colocam informações quantitativas contra qualitativas estão por toda parte.” 

Paper mills


(...) É uma entre muitas “paper mills” que surgiram por toda a Ásia e Europa Oriental nas últimas duas décadas. As paper mills têm obtido um sucesso notável ao vender dezenas de milhares de artigos falsos para periódicos acadêmicos e posições de autoria a pesquisadores universitários e da área médica que buscam inflar seus currículos em campos altamente competitivos.

Essas organizações sofisticadas também recorrem a artimanhas para conseguir publicar artigos, infiltrando periódicos com seus próprios editores e revisores e até mesmo recorrendo a subornos, segundo investigadores e um white paper da Wiley, editora sediada em Nova Jersey. A escala da fraude é impressionante: uma subsidiária da Wiley, a Hindawi, retratou mais de 8.000 artigos há dois anos por suspeita de envolvimento de paper mills.

Você pode continuar lendo aqui 

22 janeiro 2026

Fasb x IFRS

A EY soltou o documento síntese que traz a diferença entre as normas internacionais de contabilidade e as normas dos Estados Unidos. O documento é bastante completo. Um documento para quem se interessa sobre o assunto.


 

Trilema empresarial


O resumo:

A tese deste artigo é que o movimento ESG foi prejudicado pela falha em compreender um trilema: não é possível ter governança responsiva, ações líquidas e um compromisso crível com uma missão social simultaneamente. O artigo apresenta um novo relato descritivo sobre o propósito corporativo e desenvolve uma explicação baseada em custos de transação para o problema de ação coletiva enfrentado por investidores pró-sociais.

O texto identifica soluções institucionais — e suas respectivas compensações (trade-offs) — para fundadores e investidores que preferem estabelecer negócios pró-sociais. A análise justifica a aplicação da regra de julgamento empresarial (business judgment rule) na revisão de disputas sobre o propósito corporativo e gera insights contraintuitivos sobre questões de governança corporativa.

The corporate governance trilemma - Patrick Corrigan - Journal of Legal Analysis, 2025, Pages 141-165 Via aqui

Imagem aqui

Experiência educacional da Coréia do Sul


No ano passado, o governo da ex-presidente Yoon Suk Yeol, da Coréia do Sul, aprovou o produto de doze editores correspondente a um livro didático digital. Os livros continham material de matemática, inglês e ciência da computação. O livro poderia personalizar a aprendizagem, tentando melhorar a qualidade do ensino. 

O problema foi a qualidade do material, com erros. Mas também teve problemas técnicos, já o lançamento foi antecipado em seis meses, que incluía falhas de sistema e falhas no software. Algumas pessoas reclamaram do tempo de tela adicional e a questão da privacidade.