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24 dezembro 2025

Correios, provisões, passivo

Eis a notícia 

Os Correios reduziram de maneira irregular um passivo judicial trabalhista de R$ 1 bilhão para apenas R$ 18 no balanço de 2023, de acordo com auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU). 


A CGU constatou que a prática confrontou princípios e normas contábeis. “Tal procedimento resultou em um registro contábil que não reflete com fidelidade a obrigação presente da entidade, descumprindo os critérios de reconhecimento, mensuração e evidenciação contábil”, diz o relatório da auditoria. 

O órgão de fiscalização fez uma auditoria nas demonstrações contábeis de 2023 dos Correios. A empresa passa por uma crise financeira com prejuízos crescentes e agora terá um empréstimo de R$ 12 bilhões de cinco bancos com garantia da União. 

Os passivos trabalhistas na Justiça afetam negativamente o resultado contábil da empresa. As provisões, como são chamadas tecnicamente, atingiram R$ 3,4 bilhões nos Correios em 2023, segundo a CGU. Além disso, havia “passivos contingentes”, ou seja, riscos judiciais com possibilidade de perda, que não são registrados contabilmente, mas podem virar passivos reais no futuro, no montante de R$ 4,8 bilhões. 

As ações judiciais dizem respeito ao pagamento do Adicional de Atividade de Distribuição e Coleta (AADC) com o Adicional de Periculosidade (AP) aos carteiros motorizados. Em fevereiro de 2024, os Correios reduziram o saldo trabalhista dessas ações nas demonstrações contábeis do ano anterior. Até então, o custo de cada ação variava de R$ 199,7 mil até R$ 362,9 milhões no balanço, conforme o tamanho do grupo de funcionários e o Estado de origem. Eram 18 ações no total e todas tiveram o custo reduzido a R$ 1,00 cada. 

A empresa adotou uma manobra contábil baseada na tese jurídica da compensação, segundo a CGU, aplicando um entendimento que poderia abater os débitos com valores a receber de outra ação judicial movida pelos Correios. É como se uma dívida fosse considerada paga por causa de um pagamento futuro que a empresa teria direito a receber. Nesta última ação, os Correios obtiveram uma decisão liminar, em janeiro de 2024, que suspendeu os efeitos de uma portaria do Ministério do Trabalho que regulamentava o Adicional de Periculosidade. Segundo a estatal, essa vitória na Justiça reduziu os valores devidos pela empresa. A companhia usou então essa decisão favorável para gerar “créditos” no balanço e compensar o passivo relacionado à ação trabalhista movida pelos carteiros, de acordo com a CGU. Os auditores identificaram que a estatal efetivou a compensação “baseada em eventos futuros com nível de incerteza, o que é vedado pelas normas contábeis.” 

Em resposta à própria CGU no âmbito da auditoria, os Correios afirmaram que reduziram o valor para refletir “a melhor estimativa com base em fatos novos e evidências objetivas”. A empresa justificou que atendeu as normas legais e que não houve compensação indevida entre ativos e passivos, seguindo “um processo decisório técnico e documentalmente suportado, com validação interna e externa”. Ainda segundo os Correios, a redução “não se configura como compensação indevida, mas como revisão legítima da estimativa contábil.” 

Os argumentos dos Correios, porém, não convenceram os auditores da CGU. Os técnicos observam que a redução do passivo se deu na expectativa de vitória em um processo judicial que questiona a portaria do Ministério do Trabalho, que reduziria os valores pagos pela estatal a título de adicional de periculosidade. 

“Embora a unidade afirme que essa tese foi acolhida pelo TST em decisão específica, o fato é que se trata de teses jurídicas pendentes de julgamento definitivo, cuja efetiva materialização depende do trânsito em julgado dessas ações, o que caracteriza incerteza relevante”, diz a auditoria. Conforme a CGU, os Correios classificaram a vitória na Justiça como “não contingenciável”, ou seja, seus efeitos não deveriam ser refletidos diretamente na mensuração de passivos ou ativos, na medida em que não há, até o momento, “geração de um recurso econômico presente, certo e controlável pela entidade”. 

A CGU recomendou aos Correios ajustes nos registros contábeis e a reapresentação do balanço em relação às ações judiciais, considerando as normas contábeis vigentes. Além disso, será preciso revisar a memória de cálculo das compensações para demonstrar o saldo de cada empregado de forma individualizada, garantindo que os valores adotados na liquidação das obrigações e na compensação sejam correspondentes.

Esqueceram de mim

Luis Batalha reassistiu a Esqueceram de Mim e se perguntou: quão plausível seria a premissa de que a família de Kevin acordou atrasada e o deixou para trás?

Ele estabelece a ambientação: uma queda de energia durante a noite desativa os alarmes da casa, fazendo com que a família acorde apenas às 8h da manhã, quando a empresa de transporte toca a campainha. Esse atraso desencadeia uma corrida desorganizada contra o tempo rumo ao aeroporto, na qual, em meio ao caos, Kevin acaba sendo esquecido.

Assim, Batalha divertidamente tece alguns parâmetros e estima que a probabilidade de quatro adultos não acordarem antes das 8h na ausência de um alarme seja de aproximadamente 0,13%. O autor acrescenta que outras variáveis poderiam reduzir ainda mais essa chance, como crianças que acordam mais cedo, ansiedade pré-viagem, adultos dormindo em casais, que pode ocasionar sono mais fragmentado. 
Observações adicionais que cooperaram para que o Kevin fosse esquecido:

Na noite anterior, a passagem e o passaporte do Kevin foram acidentalmente jogados no lixo, quando o pai limpou uma bagunça na mesa de jantar.

Nas vans de transporte, a irmã do Kevin o confundiu um vizinho durante a contagem de passageiros antes do embarque.

Ou seja, para que esse clássico natalino desse certo, muita coisa precisou dar errado. Conforme concluiu Batalha: improvável, porém não impossível.

Rir, o melhor remédio

Fonte aqui
 

23 dezembro 2025

Modo de aplicação de uma pesquisa importa

 O modo de aplicação da pesquisa é uma consideração crítica em estudos de bem-estar que utilizam o Global Flourishing Study (GFS), realizado em 22 países. Identificamos diferenças significativas nas respostas às questões de bem-estar quando elas são obtidas por meio de entrevistas telefônicas com entrevistador (CATI) ou por questionários online (CAWI). Em quinze países do GFS, ambos os modos são utilizados; em sete dos países mais avançados, apenas o CAWI é empregado. As respostas de bem-estar diferem de forma marcante entre os modos dentro dos países que utilizam ambos, bem como em comparação com os países que utilizam apenas CAWI. Em média, o CATI tende a produzir escores de bem-estar mais elevados. Não considerar essas diferenças de amostragem gera viés nos resultados. Isso ocorre em vinte e três estudos anteriores que utilizaram o GFS sem levar em conta o modo de pesquisa. Examinamos cada um desses estudos e demonstramos que seus achados variam conforme o modo de coleta. Em conjunto com a presença de outros fatores de confusão não observáveis em nível nacional, as diferenças entre modos de pesquisa enfraquecem substancialmente a validade interna das comparações entre países e das meta-análises com efeitos aleatórios conduzidas com o GFS.

Fonte: aqui 

O valor invisível do cuidado com adultos


Um texto do Nada es Gratis discute como o cuidado informal a adultos — prestado por familiares e amigos sem remuneração — representa a principal forma de apoio às pessoas com dependência em muitos países europeus, mas seu valor econômico costuma ser ignorado nas estatísticas oficiais

Há diversos métodos para estimar esse valor, incluindo o custo de oportunidade e abordagens baseadas no bem-estar subjetivo dos cuidadores, que capturam tanto custos tangíveis quanto intangíveis como estresse e sacrifícios pessoais. 

A contabilidade já tem tratado de alguns métodos de mensuração, como custo de oportunidade, mas parece ser pouco para reconhecer o impacto na contabilidade pública, por exemplo. Algo que precisa ser considerado. 

As postagens mais lidas em 2025



Anualmente publicamos duas listas: (i) postagens do ano mais acessadas, referente ao que foi postado naquele e teve maior quantidade de acessos; e (ii) as mais lidas do ano, que se referem aos acessos como um todo, de toda a biblioteca do Blog.

A lista de postagens de 2025 mais acessadas foi publicada ontem. Hoje o foco é o 2º bloco: as mais lidas em 2025.

Conforme os dados disponibilizados pelo Google Analytics, as nossas postagens mais acessadas em um ano refletem o que é buscado em mecanismos como o Google e o Bing. Em 2025, temos a estreia do ChatGPT como uma das ferramentas que referenciou o blog e, portanto, trouxe acessos diretos.

Outra alteração interessante que temos observado é que há alguns anos as nossas postagens mais acessadas eram relacionadas à análise econômico-financeira (CCL, giro do ativo, margem operacional). Esse foi o foco de interesse do público que nos encontrava por anos a fio. Porém, houve uma atualização de preferências, possivelmente relacionada aos critérios de indexação das plataformas de busca e, atualmente, as postagens mais acessadas estão mais voltadas a orientações para trabalhos acadêmicos.

1. A ordem dos autores num trabalho acadêmico

2. Rir é o melhor remédio (sobre trabalho de conclusão de curso)

3. 7 regras para sua vida financeira

4. Como fazer uma tabela

5. O que deve conter um resumo?

6. Teoria na Era do Big Data

7. Os Cinco Pecados da “Essência e Forma” em Trabalhos Acadêmicos

8. Gráficos em trabalhos acadêmicos

9. Correlação espúria

10. Correlação espúria

Ação milionária contra firmas australianas por gestão tributária


Eis a notícia (via aqui):

Uma das famílias mais ricas da Austrália iniciou uma ação judicial de grande repercussão, buscando quase 50 milhões de dólares em indenizações contra duas grandes firmas de contabilidade por seu papel em um erro fiscal que deixou a família diante de uma cobrança tributária multimilionária. A família Thomas, de Adelaide — controladora do império de carnes Thomas Foods International, avaliado em 4 bilhões de dólares — e as entidades corporativas que controla acusam a gigante global EY e a firma local Hood Sweeney de falhas graves na administração de diversos trusts familiares, que teriam desencadeado penalidades fiscais superiores a 13 milhões de dólares. A família contesta as penalidades impostas pela Autoridade Tributária Australiana (ATO) na Justiça Federal, mas, paralelamente, pleiteia indenizações de 25 milhões de dólares contra a EY e 22 milhões de dólares contra a Hood Sweeney.