Translate

03 maio 2022

Criptomoedas segundo o EFRAG


O IASPlus lembra o documento do EFRAG sobre criptomoedas:

In July 2020, the European Financial Reporting Advisory Group (EFRAG) published a discussion paper (DP) 'Accounting for Crypto-Assets (Liabilities): Holder and Issuer Perspective'. The DP provided possible approaches to address the gaps in crypto-assets (liabilities) requirements. EFRAG has now reviewed the feedback received and derives recommendations for the IASB.

Based on the feedback received, EFRAG recommends clarifying or amending existing standards using a two-step approach. As a first step, EFRAG recommends addressing the accounting requirements for holders of crypto-assets by amending IAS 38 Intangible Assets to allow measuring crypto-assets or other intangibles within the scope of the standard at fair value through profit and loss and to develop disclosure requirements for issuers. As a second step EFRAG considers that it is important to also address issuer accounting in more detail and determine the appropriate accounting requirements for issuers, given the challenges that arise from the ambiguity on the nature of rights and obligations associated with the issuance of the novel and fast-moving crypto transactions.

O documento, de 41 páginas, pode ser encontrado aqui

02 maio 2022

A nova Governança Corporativa

 Resumo:

In the last few years, there has been a dramatic increase in shareholder engagement on environmental and social issues. In some cases shareholders are pushing companies to take actions that may reduce market value. It is hard to understand this behavior using the dominant corporate governance paradigm based on shareholder value maximization. We explain how jurisprudence has sustained this criterion in spite of its economic weaknesses. To overcome these weaknesses we propose the criterion of shareholder welfare maximization and argue that it can better explain observed behavior. Finally, we outline how shareholder welfare maximization can be implemented in practice. 


The New Corporate Governance . Oliver D. Hart and Luigi ZingalesApril 2022 




Rir é o melhor remédio

 


01 maio 2022

Volta ao trabalho


Qual a razão de estar sendo tão difícil de voltar ao trabalho? Antes da pandemia, eu ficava na minha sala na universidade o dia inteiro. Gostava dos meus poucos metros, onde podia trabalhar, tomar café e ler. 

No início de junho terei que voltar as minhas atividades na universidade. Em dois anos, estive uma vez na minha sala, há duas semanas. Confesso que não senti muita saudade. Uma pesquisa de 2010 ajuda a entender a razão da dificuldade que temos em voltar para nosso espaço no local de trabalho. Tim Harford resumiu esta pesquisa no seu blog:

Em 2010, os psicólogos Alex Haslam e Craig Knight montaram um experimento no qual os participantes foram solicitados a executar tarefas administrativas simples em vários espaços de escritórios. Eles testaram quatro layouts de escritório diferentes. Um foi despojado: mesa nua, cadeira giratória, lápis, papel, nada mais. O segundo layout foi suavizado com plantas de vaso e imagens florais quase abstratas. Os trabalhadores desfrutaram desse layout mais do que o minimalista e fizeram um trabalho melhor lá.

O terceiro e o quarto layouts foram superficialmente semelhantes, mas produziram resultados dramaticamente diferentes. Em cada um, os trabalhadores foram convidados a usar as mesmas plantas e imagens para decorar o espaço, antes de começarem a trabalhar, se assim o desejarem. Mas em um deles, o pesquisador entrou depois que o sujeito terminou de decorar e depois reorganizou algo. A diferença física foi trivial, mas o impacto na produtividade e na satisfação no trabalho foi dramático. Quando os trabalhadores tiveram o poder de moldar seu próprio espaço, eles fizeram mais e melhor trabalho e sentiram muito mais conteúdo. Quando os trabalhadores foram deliberadamente destituídos, seu trabalho sofreu e, é claro, eles o odiavam. "Eu queria bater em você", admitiu um participante mais tarde.

Não era o ambiente em si que era estressante ou perturbador - era a falta de controle.

Em nossa casa temos uma percepção de controle maior. O espaço que trabalho é quase do mesmo tamanho da minha sala na universidade. Mas posso trazer uma cadeira de outro local, ir ao banheiro sem topar com um desconhecido ou ter que escutar o discurso que sai de um carro.

Foto: Nick Morrison

Emissão de carbono e IFAC

 O IFAC - entidade que congrega os profissionais contábeis mundiais - publicou o relatório da pegada de carbono. 

Para 2021, o Ifac, em parceria com a ClimatePartner mediram a Corporate Carbon Footprint (CCF) da empresa. A medida foi baseada no Greenhouse Gas Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard (GHG Protocol).

O principal resultado encontra-se a seguir

30 abril 2022

Morte da economia comportamental?

 


Jason Hreha escreveu um artigo com o chamativo título de “The death of behavioral economics” (A morte da economia comportamental) O principal ponto considerado por Hreha é o fato de que a aversão a perda está sendo “questionado” por pesquisas mais recentes.

Parte do debate conduzido por Hreha está no método empregado pelos criadores/divulgadores do conceito. Hreha questiona fortemente as referências usadas por Kahneman e Tversky, assim como a forma como fizeram a pesquisa. Há uma boa resposta a estas acusações no Astral Codex e minha sugestão é a leitura https://astralcodexten.substack.com/p/on-hreha-on-behavioral-economics dos argumentos apresentados no longo texto existente lá. Como Hreha cita uma pesquisa de Gal e Rucker recente, Scott Alexander, do Astral, rebate com alguns bons argumentos. A pesquisa de Gal e Rucker parece indicar que a aversão a perda seria consequência de outros viéses, especialmente o efeito propriedade (ou efeito dotação) e o status quo. Mas os pesquisadores não dizem que a aversão não existe, mas somente que talvez não seja a principal explicação para o que ocorre na prática.

Você não pode usar este artigo (Gal e Rucker) para argumentar que “a economia comportamental está morta”. Na melhor das hipóteses, o artigo prova que a aversão à perda é melhor explicada por outros conceitos econômicos comportamentais. Mas você não pode se livrar completamente da economia comportamental.

Mesmo as críticas que indicam que os experimentos foram realizados com estudantes de graduação, foram rebatidos por outros experimentos, realizados com pessoas que possuem elevada renda e mesmo assim possuem aversão a perder pequenas quantias.

O outro ataque de Hreha é sobre as cutucadas. O foco é o fato de que as cutucadas possuem um efeito pequeno, de 1,5%. Alexander argumenta que 1,5% pode ser pequeno em certas situações, mas quando o Uber usa as cutucadas, 1,5% sobre 10 bilhões significa 100 milhões, o que é muito dinheiro. Quando você considera 1,5% sobre 90 milhões de pessoas que não querem vacinar ou são preguiçosos demais, são 1,4 milhão de vacinados.

É normal que críticas irão surgir contra os conhecimentos que temos hoje da economia comportamental (ou das finanças comportamentais). Mas é necessário distinguir entre uma crítica sem fundamento, de uma revisão científica bem feita. Parece não ser o caso das considerações de Hreha.

Competições de debate ajudam a entender o radicalismo

Como entender um pouco o radicalismo de nossas redes sociais? Uma pesquisa realizada nas competições de debates, onde os debatedores recebem a posição, a favor ou contra, sobre um assunto e precisam defender sua posição, pode dar uma pista sobre o assunto. Um resumo acessível pode ser encontrado aqui.

A pesquisa acompanhou as competições em diferentes fases. Quando a pesquisa começa, acredita-se que exista uma posição de equilíbrio sobre um determinado tema. Por exemplo, a favor ou contra entregar celular para uma criança. Quando o assunto é divulgado e feito o sorteio, há um tempo de preparação - de 15 minutos. Logo a seguir, os pesquisadores entrevistaram os participantes. Veja no gráfico que os pontos vermelhos distanciam dos pontos azuis, indicando que cada lado acredita na sua posição. (No gráfico, os pontos vermelhos representam quem é a favor da posição debatida, estando como "defensores"; os pontos azuis é quem é a favor da posição debatida, estando como "opositores") 

Após uma hora de debate, novamente os pesquisadores investigam as crenças, as confianças e as atitudes (as três partes do gráfico), revelando que ocorreram mudanças durante a competição. O ato de debater - mesmo antes do debate - faz com que as pessoas assumam sua posição de forma mais forte. É como se as pessoas "vestissem a camisa" do seu lado. 

Uma possibilidade de evitar o radicalismo é fazer algo que muitas pessoas já sabem: não entrem na discussão, pois isto aumenta a polarização. É algo que me faz lembrar a razão pela qual os ingleses gostam de falar sobre o tempo; ao contrário da política e do futebol, é muito difícil polarizar quando discutimos se amanhã irá chover ou se a temperatura está agradável.