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25 fevereiro 2026

Riscos ambientais e remuneração do auditor


O resumo:

Este estudo investiga o impacto dos riscos ambientais sobre os honorários de auditoria, explorando a criação de tribunais ambientais na China como um choque exógeno. Utilizando uma amostra de empresas listadas na China, constatamos que os auditores cobram honorários significativamente mais elevados após a instalação de tribunais ambientais nas prefeituras onde seus clientes estão sediados. Esse efeito é atenuado quando as empresas clientes possuem conexões políticas ou quando o governo local está sob maior pressão em relação ao desenvolvimento econômico. Também identificamos riscos de litígio, riscos financeiros e riscos reputacionais como três canais principais que explicam o impacto dos riscos ambientais sobre os honorários de auditoria. Nossos principais resultados são amplificados para empresas auditadas por firmas Big 10 ou por auditores especializados em setores poluentes. Por fim, as firmas de auditoria alocam mais especialistas ambientais a clientes expostos a maiores riscos ambientais. Em conjunto, os resultados sugerem que os riscos ambientais são incorporados na precificação dos honorários de auditoria. 

Link aqui 

Kahneman e colaboração adversarial


Uma vez, ao ler uma obra de Gerd Gigerenzer, era possível perceber que o alemão não gostava muito da obra de Kahneman e Tversky. Foi uma surpresa ver, no blog de Al Roth, palavras elogiosas de Gigerenzer sobre os israelense: 

Permita-me concluir com o que pode ser o legado mais importante de Kahneman: sua disposição de se engajar no que ele chamou de “colaboração adversarial”. É difícil superestimar o desgaste emocional que isso lhe causava. Sua abertura ao debate começou com as três palestras conjuntas que fizemos no início da década de 1990 e continuou por meio das colaborações adversariais que ele iniciou com vários de seus críticos.

“Aprender a separar o pessoal do intelectual — debater uma questão sem presumir intenções maliciosas do outro lado — é uma das conquistas mais virtuosas e difíceis na ciência. A história da ciência está repleta de relatos daqueles que falharam em fazê-lo. Matemáticos do Renascimento chegaram a duelar por soluções de equações cúbicas, e Newton famosamente partiu o coração de Leibniz em sua disputa sobre quem inventou o cálculo. O fato de que rivais tenham eventualmente aprendido a dialogar com respeito, e até a cooperar, é um desenvolvimento relativamente recente nas ciências (Daston 2023).” 

O original está em  GERD GIGERENZER    Erasmus Journal for Philosophy and Economics,Volume 18, Issue 1,Summer 2025, pp. 28–61https://doi.org/10.23941/ejpe.v18i1.1075

24 fevereiro 2026

Tendências de pesquisa em contabilidade verde

 


Desafios ambientais globais, incluindo mudança climática, escassez de água e perda de biodiversidade, representam riscos significativos tanto para a sociedade quanto para os ecossistemas. A contabilidade verde oferece uma abordagem abrangente para promover a sustentabilidade nas dimensões econômica, ambiental e social. No entanto, ainda não existe um arcabouço teórico unificado para a pesquisa em contabilidade verde. Este estudo analisou sistematicamente 833 artigos da base de dados Scopus para suprir essa lacuna. Foi desenvolvido um arcabouço refinado de responsabilidade ambiental e contabilidade sustentável com o objetivo de aprimorar as teorias existentes. A análise destaca fortes conexões entre as tendências de pesquisa em contabilidade verde, identifica áreas-chave e temas emergentes, e confirma metodologias amplamente aceitas. Além disso, os resultados validam a análise bibliométrica dentro do arcabouço construído. O estudo oferece uma base teórica sólida para o avanço da teoria da contabilidade verde, incentivando a inovação metodológica e aprimorando aplicações práticas. Ao fortalecer sua fundamentação teórica, a contabilidade verde pode desempenhar um papel crucial na consolidação de práticas empresariais sustentáveis e no desenvolvimento de políticas públicas.
 

Fonte: Bibliometric insights into green accounting research: analysing trends, impact, and theoretical foundations 

O melhor livro já escrito


Os leitores do site de livros Goodreads elegeram Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, como o melhor livro já escrito. Como a escolha foi feita por votação, a escolha não significa, necessariamente, qualidade na escrita de Collins, mas o fato da obra ser agradável na sua leitura. (Como não li a obra, essa é uma suposição minha)

O livro foi lançado em 2008 e ficou mais de 100 semanas na lista do jornal New York Times. 

Hernando de Soto é o novo primeiro ministro do Peru


O novo primeiro ministro do Peru é um conhecido dos leitores do blog. Hernando de Soto - que referimos no passado como Hernan - é um economista famoso por sua tese sobre os direitos de propriedade. 

Aqui um comentário sobre esse tema e crise. Aqui sobre a importância de medir. Também falamos dele em uma postagem sobre corrupção e pobreza. E outra sobre mais mercado.

O verbete da Wikipedia em português é ruim, mas em inglês destaca bem suas contribuições. Há pelo menos dois livros traduzidos dele. 

Diamante não é para sempre


Durante décadas, essa empresa viveu um mundo de sonho: era quase monopólio de um produto que as pessoas compravam para demonstrar status e riqueza. Com isso, podia impor preços e controlar gostos.

Os últimos anos trouxeram um banho de realidade. O presente e o futuro não serão iguais aos anos dourados. Tudo isso em razão de uma série de fatores estratégicos e, especialmente, de uma mudança tecnológica.

Um diamante não é mais para sempre, e a De Beers está vivendo essa fase. Entre os fatores estratégicos, destaca-se a redução do mercado de luxo na China, além da situação da Índia, onde os diamantes são negociados e lapidados, que tem sofrido a pressão dos Estados Unidos. Mas o ponto crucial é uma inovação tecnológica que permitiu que a produção de pedras passe a ser feita em laboratório, com qualidade bastante aceitável.

No cenário atual, a situação exige a revisão dos valores que constam no balanço da Anglo American, que detém a unidade De Beers. Em termos contábeis, faz-se necessário que o teste de recuperabilidade reflita esse ambiente. E a Anglo American acaba de anunciar uma baixa de 2,3 bilhões de dólares, com consequência no resultado da empresa: prejuízo líquido de 3,7 bilhões.

Antes disso, a empresa buscou diversificação. Os negócios hoje estão voltados para o cobre e o ferro. Há também um plano de vender a De Beers a sócios, incluindo governos de dois países africanos.

OpenAI e a queima de caixa

 

Empresas em fase de crescimento geralmente captam recursos de financiamento, próprio e de terceiros, investem muito e não conseguem ter caixa das operações. Esse padrão já é bastante conhecido no mundo. Somente com a maturidade é que as empresas conseguem gerar caixa operacional. 

O gráfico mostra quatro empresas onde isso ocorreu: Uber, Tesla, Netflix e OpenAI. A informação é do fluxo de caixa livre, uma junção do caixa operacional com investimento. Esses valores precisam ser cobertos com captação de recursos ou fluxo de financiamento. Em vermelho, quando esse valor é negativo. No caso, a queima de caixa pode durar anos. 

Mas é notório, visualmente, que o volume de caixa queimado pela OpenAI é muito diferente do que ocorreu com as outras três empresas. E as estimativas são gigantescas. Segundo o The Information, as projeções para a empresa são de um queima de caixa de 218 bilhões de dólares entre 2026 e 2029 — cerca de 111 bilhões a mais do que as projeções internas da empresa feitas apenas dois trimestres atrás. Ou 23 vezes o que a Tesla queimou entre 2007 e 2018.

As apostas são elevadas, mas o fruto esperado pode ser bem maior. O produto base da empresa, o GPT, tem um crescimento muito mais rápido que o serviço de transporte, o veículo elétrico ou os filmes.  O valor corresponde ao PIB da Ucrânia, para se ter uma dimensão do que significa.