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24 março 2026

Relatório do FSB


Enquanto aguardamos o relatório anual da Fundação IFRS, o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) divulgou o seu de 2025. No texto, o destaque para os trabalhos em promover a resiliência do sistema financeiro global em situação de aumento da dívida soberana, presença da volatilidade dos criptoativos e na presença da intermediação financeira não bancária. 

Noruega muda sua maneira de fazer normas

O jeito viking de fazer normas

A organização norueguesa responsável pela definição de normas, Norsk RegnskapsStiftelse (NRS), lançou uma consulta pública sobre uma proposta de nova estratégia para a elaboração de normas contábeis na instituição. O contexto dessa consulta é o fato de que a NRS foi, pela primeira vez, incluída no orçamento nacional, recebendo uma subvenção de quatro milhões de coroas norueguesas para fortalecer seu trabalho em normas nacionais de contabilidade e escrituração.

Este recurso permite que a NRS retome, de forma mais ativa, o trabalho de normatização. Em 2015, o Ministério das Finanças da Noruega publicou uma minuta de uma nova Lei de Contabilidade e sugeriu a substituição das atuais normas norueguesas por requisitos baseados no IFRS para PMEs. No entanto, em 2017, o governo recuou desse plano ambicioso e, desde então, foram feitas apenas as atualizações mínimas necessárias. Diversas normas existentes precisam urgentemente de atualização, e certas áreas carecem totalmente de regulamentação, incluindo reconhecimento de receita, ativos imobilizados e a distinção entre capital próprio e dívida.

A nova estratégia sugerida agora não foca no IFRS para PMEs, mas sim na busca por possíveis soluções para questões contábeis dentro das IFRS completas. A consulta sugere os três pilares a seguir para a atualização das normas existentes e o desenvolvimento de novos padrões de relatórios financeiros:

  • Garantir a conformidade com os marcos legais e as práticas norueguesas;

  • Avaliar soluções internacionais reconhecidas (IFRS);

  • Equilibrar a necessidade de relatórios financeiros de alta qualidade com os custos de conformidade.

A NRS planeja começar com tarefas que exijam recursos moderados (normas finais com necessidade limitada de atualização), ao mesmo tempo em que lançará pelo menos um novo projeto em 2026.

Imagem: Wikipedia

23 março 2026

Meta anuncia o fim do Metaverso


Devo confessar solenemente minha ignorância: nunca entendi direito para que usar o Metaverso da Meta. O anúncio do encerramento do projeto, que projetava um bilhão de usuários, significou uma queima de 80 bilhões de dólares. 

O número de usuários ficou muito distante da promessa e a parte gráfica sempre foi muito criticada. E muitos rejeitaram ou ignoraram. Os óculos de realidade virtual eram desconfortáveis. 

O que terminou com a experiência foi a IA. Diante desse novo mundo, a Meta decidiu priorizar seus recursos para o desenvolvimento e incorporação da inteligência artificial nos seus produtos. Nem a mudança de nome funcionou

Leia mais aqui, aqui e aqui  

Normas do Setor Público publicadas no Diário Oficial


O Conselho Federal de Contabilidade publicou, na semana passada, no Diário Oficial da União, 31 normas aplicadas ao setor público. Ainda que aprovadas recentemente, diversas delas já passaram por revisões, em consonância com os Handbooks 2024 e 2025 do IPSASB.

Chama atenção, contudo, o intervalo entre aprovação e oficialização: aprovadas entre meados de novembro e dezembro, as normas somente foram publicadas no DOU cerca de três meses depois. Em um ambiente que demanda tempestividade normativa, esse hiato merece reflexão.

Observa-se, ainda, a ausência da Estrutura Conceitual no conjunto divulgado. Considerando que a publicação ocorreu de forma dispersa, seria oportuno que o CFC organizasse uma edição consolidada em PDF, à semelhança do que faz o IPSASB, facilitando o acesso e a aplicação das normas.

O link das normas pode ser encontrado aqui 

IA será CEO da Meta?


Parece loucura, mas a fonte é o The Wall Street Journal (via aqui). O presidente executivo da Meta (leia-se Instagram e Whatsapp), Mark Zuckerberg, estaria construindo uma IA de si próprio, ou seja um clone digital de Zuckerberg, para ajudá-lo no trabalho. 

A IA ajudaria o executivo a obter informações mais rapidamente e tudo leva a crer que ele acredita no projeto a ponto de lhe delegar algumas funções. Recentemente, a empresa Meta reconheceu que a construção do Metaverso foi um grande fracasso e que perdeu 80 bilhões de dólares com o projeto. Podemos então imaginar a IA cometendo erros desse tamanho nas suas decisões. 

Obviamente, a proposta também visa reduzir os 78 mil empregados da empresa. 

Um estudo de 43 anos chega a conclusão que café faz bem para saúde.


Um estudo de 43 anos chegou a conclusão que a dose diária de cafeína tem efeitos comprovados no cérebro. Os pesquisadores do estudo acompanhou 130 mil pessoas e descobriram que as pessoas que consumiam com regularidade doses moderadas de café ou de chá cafeinado tinham um risco 18% menor de desenvolver demência. 

Os adeptos do café obtiveram pontuações melhores em testes cognitivos e informaram que tinham menos queixas de lapsos de memória.  O importante é o consumo constante e moderado, cerca de duas a três xícaras por dia. 

A pesquisa destaca que não há prova de causa e efeito, mas um padrão observado. Há algumas possíveis explicações, incluindo fatores externos. Mas um estudo longitudinal e um grupo tão grande de pessoas tem um grau de confiança bem maior que uma pesquisa realizada com um pequeno grupo, por um período de tempo limitado. Viva o café!

19 março 2026

Custo de Brasília


Qual foi o custo da construção de Brasília? Eis uma estimativa: 

Construir Brasília em um período tão curto foi custoso, embora seja difícil determinar um preço exato, dado que muitas etapas burocráticas foram suprimidas em prol da celeridade, segundo Ronaldo Costa Couto. Mas isso não significa que as pessoas não tenham tentado calcular. O economista Eugênio Gudin calculou que custou aproximadamente 1,5 bilhão de dólares em 1954 — ou cerca de 12,3 por cento do PIB do Brasil — para criar esta capital. Ajustado pela inflação, isso equivale a 16 bilhões de dólares hoje. Outras estimativas são muito maiores. Em 1996, o economista e jornalista Ib Teixeira recalculou o custo, atento ao fato de que a construção em Brasília continuou além da inauguração da cidade em 1960. Ele encontrou um resultado de uma ordem de magnitude diferente: 155 bilhões de dólares na época, ou 316 bilhões de dólares ajustados pela inflação.

Na ausência de condições de moradia adequadas, muitos trabalhadores improvisaram, ocupando ilegalmente áreas fora da cidade e construindo seus abrigos com quaisquer materiais que estivessem disponíveis.

O transporte de materiais de construção foi responsável por grande parte do custo da construção da cidade. Os únicos recursos disponíveis no local eram pedra, areia e tijolos; o restante — como telhas, vergalhões e vidro — teve que ser trazido de outros lugares. No entanto, as rodovias só chegaram ao local em 1960, e a ferrovia mais próxima ia apenas até Anápolis, a cerca de 145 quilômetros de distância. O governo não quis esperar pela conclusão das obras rodoviárias para avançar com a inauguração da cidade, por isso encontrou a solução mais cara possível: o transporte aéreo. Para cobrir essa despesa, a administração Kubitschek começou a imprimir mais dinheiro e a emitir títulos de dívida pública, resultando em um legado de dívidas e inflação que assolou o país nas décadas seguintes.

O custo humano da construção de Brasília também foi alto. Dezenas de milhares de pessoas de outras regiões do país foram enviadas a Brasília para trabalhar. Um censo de 1959 indicou que havia aproximadamente 64.000 pessoas na área, das quais mais de 55.000 vieram de outros lugares e 54,5% eram trabalhadores da construção civil. A maioria desses trabalhadores — conhecidos como candangos — vivia em condições precárias. Os pedreiros dormiam em quartos comunitários sem qualquer privacidade, segundo Gustavo Lins Ribeiro. Eles comiam alimentos estragados que, por vezes, levavam a infecções intestinais.

Alguns não tinham moradia alguma. Na ausência de condições de vida adequadas, muitos trabalhadores improvisaram, ocupando ilegalmente áreas fora da cidade e construindo seus próprios abrigos com quaisquer materiais disponíveis. Um desses assentamentos era chamado de Sacolândia; outro era a Lonalândia. Muitos desses assentamentos perduraram mesmo após a conclusão da construção de Brasília. O maior desses locais era a Vila do IAPI, assim chamada devido ao Hospital do IAPI, em torno do qual se formou, na periferia do canteiro de obras. Em 1971, o governo forçou a evacuação da área e criou Ceilândia, uma cidade inteiramente nova para seus moradores.

Os direitos trabalhistas eram rotineiramente ignorados. A prática da "virada" — exceder os limites de horas extras — era comum. Equipamentos de proteção também eram escassos, e os acidentes de trabalho eram frequentes. Existem poucos registros sobre o número total de mortes e ferimentos durante a construção. Em vez disso, temos informações fragmentadas. Um dos registros disponíveis é do Hospital do IAPI; ele tratou 10.927 acidentes relacionados à construção em 1959, uma média de aproximadamente 30 acidentes por dia. Em 1960, essa média explodiu para 170 acidentes por dia.

Para garantir a segurança pública — e reprimir quaisquer protestos que pudessem surgir em relação às precárias condições de trabalho — o governo destacou a GEB (Guarda Especial de Brasília), forças de segurança pagas pela NOVACAP, para supervisionar a construção. A GEB tornou-se conhecida por sua brutalidade e falta de preparo. Ela participou do chamado Massacre de Pacheco Fernandes, em 8 de fevereiro de 1959, quando trabalhadores da construtora Pacheco Fernandes se revoltaram contra seus chefes devido à comida estragada. Chamada para conter os operários, a GEB usou munição real contra eles. Especialistas concordam com a sequência de eventos até este ponto, mas surgem dúvidas quanto ao número de mortes e ferimentos resultantes da ação. Enquanto a versão oficial afirma 48 feridos e apenas uma morte, testemunhas e sobreviventes dizem que dezenas foram mortos e seus corpos foram levados em caminhões para um local desconhecido.