16 janeiro 2026
Propaganda ou ...
O resumo:
Analisamos mais de 27.000 transmissões ao vivo em redes sociais realizadas por fundos mútuos chineses para investigar se elas atingem o objetivo dos reguladores de melhorar as decisões de investimento dos investidores de varejo. Nossos resultados indicam que as transmissões geram entradas significativas de recursos, muitas vezes poucos minutos após o início. No entanto, em vez de educar os investidores, essas transmissões intensificam o comportamento de perseguição a retornos e antecipam quedas acentuadas no desempenho dos fundos. Investidores que compram em resposta às transmissões obteriam retornos mais elevados ao investir em fundos de índice ou mesmo ao manter recursos em caixa. Análises adicionais, utilizando algoritmos de aprendizado profundo, revelam que as transmissões são mais persuasivas quando os apresentadores são fisicamente mais atraentes, usam linguagem mais positiva e demonstram maior entusiasmo. Concluímos que as transmissões ao vivo funcionam principalmente como publicidade persuasiva e que os reguladores devem ser cautelosos em relação a iniciativas educacionais conduzidas por vendedores de produtos financeiros ao consumidor. Concluímos também que evidências anteriores sobre os benefícios do uso de redes sociais por empresas em mercados de ações não se estendem aos mercados de produtos financeiros nesse contexto.
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Wikipedia faz acordo com empresas de IA
A enciclopédia Wikipedia assinou acordos com diversas empresas que estão por trás de ferramentas de inteligência artificial, como Amazon, Microsoft, Meta e Perplexity. A enciclopédia possui mais de 65 milhões de artigos, e as empresas de desenvolvimento de IA terão acesso direto a essa coleção.
A enciclopédia é importante para essas empresas e para essa tecnologia, que dependem das informações do conteúdo da Wikipedia para operar. Para a Wikipedia, o cenário era o seguinte: houve uma redução no acesso ao seu conteúdo por usuários humanos desde o surgimento da IA, mas seus computadores passaram a trabalhar mais devido ao acesso intensivo dos modelos de IA.
Em termos contábeis, a parcela de custos aumentou sem que isso tivesse sido acompanhado por um aumento na receita da Wikipedia, que depende do interesse dos usuários em realizar doações. As empresas de tecnologia perceberam, então, que era muito importante manter a enciclopédia funcionando.
O acordo também é justo com os pequenos doadores. Segundo palavras de Wales, que está à frente da Wikipedia, eles não doam para subsidiar grandes companhias de IA. Recentemente, a enciclopédia cogitou usar IA para desenvolver conteúdo, mas a iniciativa enfrentou resistência de editores e escritores.
Fonte das informações: Frank Landymore, Futurism, 15 de jan de 2026
IA, pesquisa e interesse
Não é bem uma surpresa, mas, dos 10 artigos mais baixados do SSRN na área de finanças todos são de Inteligência Artificial.
O curioso é a listagem de instituições que mais fizeram downloads em cada artigo. Veja o exemplo a seguir, do artigo número 1 da lista:
Como se trata de uma pesquisa da Cornell a presença da universidade não é estranha. No entanto, as outras quatro instituições são instituições financeiras ou derivadas. O mercado está bastante atento ao que vem sendo produzido nas pesquisas acadêmicas sobre o tema.Parece também óbvia a predominância de países desenvolvidos. E isso se repete nos demais artigos que figuram entre os mais baixados.
15 janeiro 2026
Oracle processada
A Oracle é uma empresa multinacional de tecnologia, fundada em 1977 por Larry Ellison. É hoje uma das maiores empresas de software do mundo em termos de capitalização de mercado. Vende softwares de banco de dados, aplicativos de computação em nuvem e diversos outros produtos voltados ao segmento empresarial.
Tentando não perder espaço na área de inteligência artificial, a empresa assinou um contrato de cinco anos com a OpenAI. Para isso, emitiu títulos de dívida no valor de 18 bilhões de dólares. Algumas semanas depois, porém, voltou ao mercado para uma nova captação, de 38 bilhões de dólares, destinada à construção de dois data centers que seriam utilizados no acordo com a OpenAI.
Os compradores da primeira emissão não reagiram bem ao segundo empréstimo e alegam ter sofrido perdas em razão da falta de transparência quanto à situação financeira da empresa. Decidiram, então, processá-la por não ter divulgado que necessitaria de novos recursos. A omissão teria comprometido a adequada avaliação do risco dos títulos.
Irã e Contabilidade pública
Desde o final do ano, uma onda de protestos surgiu no Irã, com uma resposta violenta do governo. A questão econômica parece ter um papel importante na instabilidade. Um artigo na The National Interest chama a atenção para a crise hídrica do país, fruto de um problema ambiental.
Atualmente, o Irã atravessa uma das piores secas, com racionamento de água. Parece que parte da culpa é a construção de barragens e políticas agrícolas inadequadas. Em resposta, o governo acusa vizinhos e inimigos pelo problema, inclusive de manipular o clima. Mesmo sendo um país produtor de petróleo, a questão da água tem levado a apagões de energia.
Para contribuir, as sanções dos Estados Unidos forçou o Irã a buscar geração de receita, o que afetou o orçamento público. Em termos práticos, o governo tem usado o escambo para apoiar políticas de segurança, por exemplo. Explicando melhor, em lugar de transferir riais, a moeda local, para a defesa, o governo transfere barris de petróleo. Os recursos para armas só chegam depois de vender, de forma independente, esse petróleo.
A inflação tem aumentado, o que impacta no custo dos alimentos, no valor das pensões, nos salários e na instabilidade econômica.
Um notícia do Wall Street Journal acrescenta que uma instituição financeira, o Ayandeh Bank, apresentou US$5 bilhões de prejuízos com uma carteira de empréstimos. A quebra fez com que o governo incorporasse a instituição e imprimisse dinheiro para encobrir o rombo.
A newsletter de Noah Smith de 14 janeiro é uma boa fonte dessa discussão. Não posso deixar de citar a importância da qualidade contábil nas nações do mundo, conforme a análise de Jacob Soll, que já citamos aqui.
Um boa notícia: uma nova bolsa no Brasil
O fundo soberano Mubadala Capital, de Abu Dhabi, está lançando uma bolsa de valores no Brasil. A previsão de lançamento é para o final deste ano ou início de 2027. A Base Exchange poderá trazer, finalmente, concorrência ao mercado brasileiro. A sede será no Rio de Janeiro e as operações dependem das aprovações finais da CVM e do Banco Central.
A notícia é bem-vinda quando analisamos os dados do mercado acionário, especialmente o baixo número de empresas de capital aberto. Esse volume é reduzido e incomoda o fato de a "única" bolsa ser também uma empresa que depende de taxas elevadas para compor seu resultado. Essa estrutura sempre pareceu incoerente; o mercado de capitais poderia evoluir muito mais se houvesse concorrência para atrair empresas com custos menores de administração e transação.






