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02 agosto 2022

Primeiro experimento da história


Talvez não seja o primeiro experimento, mas um dos mais antigos narrados. Do livro de Daniel, da Bíblia, no reinado de Nabucodonosor. Este rei que deu ordem ao chefe dos eunucos cuidar da alimentação dos judeus, com uma dieta e vinho:

Daniel tomou a resolução de não se contaminar com os alimentos do rei com seu vinho. Pediu ao chefe dos eunucos para dês se abster [de animais impuros e de vinho]. Este, graças a Deus, tomado de benevolência para com Daniel, atendeu-o de boa vontade, mas disse-lhe: 

"Temo que o rei, meu senhor, que estabeleceu vossa alimentação e vossa bebida, venha a notar vossas fisionomias mais abatidas do que as dos outros jovens de vossa idade, e que por vossa causa eu me exponha a uma repreensão da parte do rei". 

Mas Daniel disse ao dispenseiro a quem o chefe dos eunucos havia confiado o cuidado de Daniel, Ananias, Misael e Azarias: 

"Rogo-te, faze uma experiência de dez dias com teus servos: que só nos sejam dados legumes a comer e água a beber.  Depois então compararás nossos semblantes com os dos jovens que se alimentam com as iguarias da mesa real e farás com teus servos segundo o que terás observado". 

O dispenseiro concordou com esta proposta e os submeteu a prova durante dez dias. No final deste prazo, averiguou-se que tinham melhor aparência e estavam mais gordos do que todos os jovens que comiam das iguarias da mesa real. 

O experimento é uma técnica bastante usada na ciência. No exemplo, temos um típico experimento, onde um grupo recebe um tratamento e outro mantém com a melhor alternativa considerada então disponível. Se o resultado for favorável ao grupo submetido ao experimento, a nova técnica deve ser adotada. Há algumas nuances que consideramos no dias atuais, como a randomização da amostra. Mas isto é um pequeno detalhe da história.

O texto foi citado no excelente livro Ciência Picareta, de Ben Goldacre, na página 55. Imagem: aqui

10 abril 2021

Outro experimento questionado


Outro experimento, na área da psicologia, está sendo questionado.  David Rosenhan (1929-2012, foto) é um pesquisador que conduziu um experimento que ficou conhecido com o seu nome. Este estudo foi dividido em duas partes. A primeira, usou pessoas sadias (pseudopacientes) que simularam comportamentos para serem admitidos em hospitais psiquiátricos em diversos locais nos Estados Unidos. Neste caso, ninguém foi barrado.

Na segunda parte, foi solicitado as instituições que tentassem localizar estes pacientes. E muitos pacientes reais foram catalogados na listagem. O experimento foi realizado entre 1969 a 1972 com oito pessoas saudáveis. Com base nos resultados, um artigo foi publicado na Science em 1973. O artigo possui mais de 4 mil citações, segundo o Scholar, e questionou a psiquiatria, sendo muito citado. Como lançava dúvida sobre os pareceres na área, os depoimentos dos profissionais em tribunais ficaram fragilizados. 

Uma das pessoas que foram influenciadas pela pesquisa foi a jornalista Susannah Cahalan. Ela decidiu investigar a pesquisa e teve acesso aos arquivos de Rosenhan. Mesmo com a documentação, Cahalan não conseguiu identificar os pacientes, mesmo entrevistando pessoas que conheceram Rosenhan e até olhando os registros de quem ela suspeitou que pudesse estar envolvido no experimento. 

Cahalan escreveu um livro contando sua investigação, chamado The Great Pretender (ou o Grande Farsante). Há um resumo da sua história aqui

11 março 2021

Conclusões de experimentos são válidas


Um dos principais métodos de pesquisa em finanças comportamentais, o experimento, teve sua validade testada e aprovada.  Um artigo do American Economic Review deste ano (vol. 111, n. 2, fevereiro, 2021) Erik Snowberg e Leeat Yariv verificaram se experimentos possuem validade. Para isto, eles testaram o comportamento humano de alunos versus outras populações e a conclusão é que os resultados são confiáveis. 

Os experimentos de laboratório têm algumas vantagens importantes, permitindo aos pesquisadores coletar grandes quantidades de dados em um ambiente totalmente controlado pelos pesquisadores. Mas os críticos argumentaram que as pessoas no final da adolescência e início dos 20 anos provavelmente fazem escolhas diferentes da população em geral. Além disso, há dúvidas sobre se os participantes do laboratório se comportam de maneira diferente no laboratório do que em outros ambientes e se há algum viés de seleção com os alunos que se inscrevem para esses estudos. (...)

O ambiente em que a pesquisa foi administrada também não pareceu importar. Yariv e Snowberg convidaram quase 100 alunos do Caltech para responder à pesquisa novamente, mas desta vez em um laboratório. Novamente, suas respostas foram virtualmente idênticas às fornecidas fora do laboratório.

06 dezembro 2020

Experimentos sociais ou propaganda - 1

Em muitas propagandas, o anunciante aproveita para fazer um especie de experimento social. Existem alguns exemplos interessantes. A cerveja Carlsberg encheu um cinema de "bad boys", pessoas com uma "aparência" feia, exceto dois lugares. Casais entravam no cinema e olhavam a plateia. Alguns saíram, ficaram incomodados com aquele ambiente. Outros, "corajosos", sentaram nos assentos disponíveis. Aparência importa?
Este filme já teve mais de 22 milhões de visualizações

26 setembro 2018

Impacto da informação

Uma forma de determinar a influência de uma nova informação é usar o mercado de capitais. Este método tem sido a base dos estudos de eventos. Outra maneira é trabalhar com experimentos. Alguns deles são realizados em situações reais. Um exemplo encontra-se em uma pesquisa para tentar determinar se a informação da quantidade de calorias pode influenciar as escolhas das pessoas em um restaurante. Trata-se de um experimento de campo. Usando dois restaurantes, os pesquisadores receberam menus típicos, mas para um grupo existia a contagem de caloria.

Estimamos que os rótulos resultaram em uma redução de 3,0% nas calorias encomendadas, com a redução ocorrendo em aperitivos e entradas, mas não bebidas ou sobremesas.

07 julho 2018

Experimento da prisão foi teatro?

Uma das pesquisas comportamentais mais famosas foi colocada em dúvida. Segundo um artigo (via aqui) que ainda será publicado, de autoria de Alex Haslam e colaboradores, o experimento da prisão de Stanford pode ter sido uma forma de teatro.

Em 1971 o psicólogo Philip Zimbardo (ao lado) e equipe distribuiu alunos em dois grupos. O primeiro seriam os prisioneiros; os segundos, guardas. O que seria uma simulação, tornou-se uma realidade muito próxima ao que ocorrida em uma prisão verdadeira. Os guardas voluntários começaram a ter uma postura tirânica e começaram a maltratar os prisioneiros fictícios. O experimento mostraria que as pessoas se transformam quando assumem um papel, uma vestimenta, de “guarda” ou “prisioneiro”.

Os críticos do experimento de Stanford afirmam que a equipe de Zimbardo não foi isenta e participou ativamente do que ocorreu. Haslam e colaboradores analisaram uma gravação de uma conversa entre um “guarda” e um membro da equipe de Zimbardo, David Jaffe, que seria o diretor da prisão do estudo. Na conversa, o diretor tenta influenciar o guarda a comportar de maneira mais tirânica e o voluntário reluta em assumir esta postura. Este fato, e outros já conhecidos, são contraditórios com a meneira como Zimbardo retratou o experimento, como se os fatos tivessem ocorrido naturalmente:

Parece mais correto ver o Stanford Prison Experiment como um exemplo convincente de teatro improvisado semi-roteirizado, em vez de pesquisa científica objetiva. 

03 julho 2018

Valor da discriminação

No ano passado foi divulgado um estudo que mediu o valor / preço da dor. Usando outra metodologia, com uma amostra menor, um estudo dinamarquês mediu o preço da discriminação no trabalho.

O estudo foi publicado no American Economic Journal: Applied Economics e envolveu um experimento. Tradicionalmente os estudos de discriminação são realizados através da análise dos currículos por parte dos empregadores e a chance de um nome usado em pessoas de raça negra, por exemplo Benedito, ser convidado para entrevista (vide Gneezy e List, Lo que importa es el porqué, por exemplo, onde os autores mostram o que ocorreu com List após a conclusão do seu doutorado). Este tipo de estudo tradicional de discriminação tem um grande problema: não é possível mensurar o preço da discriminação.

Usando adolescentes dinamarqueses, dois cientistas propuseram uma tarefa, que seria realizada em etapas. Em um primeiro momento, os jovens trabalhariam sozinhos, sendo possível medir a produtividade de cada um deles. Na segunda etapa, os jovens podiam escolher um parceiro, já que o trabalho seria em grupo. E o pagamento desta segunda etapa seria com base na produtividade da equipe. A informação sobre a produtividade individual era fornecida, assim como o nome do potencial parceiro. Alguns nomes eram tipicamente dinamarqueses e outros muçulmanos.

Caso um dinamarquês escolhesse um colega menos produtivo, mas com nome dinamarquês, isto seria um sinal que estaria disposto a abrir mão de dinheiro por conta da discriminação. A pesquisa descobriu que o valor da discriminação chegava a 8% dos ganhos. Assim, este seria o valor para trabalhar com alguém da mesma etnia. Um ponto importante é que a pesquisa descobriu que a discriminação ocorria tanto entre aqueles com nomes dinamarqueses, quanto com aqueles com nomes mulçumanos. Mas existe um limite: quando o custo é muito alto, os jovens aceitavam trabalhar com alguém de outra etnia.

Dois aspectos importantes da pesquisa: (1) um experimento não precisa ser invalidado se o mesmo é feito com uma pequena parcela da população (estudantes dinamarqueses); (2) não é o tamanho da amostra que determina a qualidade da pesquisa.

08 fevereiro 2018

Experimento natural

Um dos métodos mais interessantes em utilização por parte dos economistas é o chamado “experimento natural” (ou “experimento acidental”). Basicamente o pesquisador descobre um evento que permite comparar a situação antes e depois deste fato. Com as informações existentes, procura-se determinar se o evento/fato/acidente provocou algum efeito sobre a economia/sociedade. De certa forma, o experimento se aproxima do estudo de caso, pois geralmente trata-se de uma situação única, onde a generalização é mais difícil. Mas a grande quantidade de dados e a possibilidade de comparar o antes e o depois podem trazer conclusões muito mais sólidas que o estudo de caso. Além disto, possui uma grande vantagem sobre o experimento em laboratório, como o questionário (1), onde o pesquisador simplifica a realidade.

O grande problema do experimento acidental é descobrir este evento/fato/acidente. Nem sempre ele está disponível para o pesquisador usar em um determinado assunto.

Eis um caso muito interessante sobre os efeitos da prostituição sobre a sociedade (via aqui). Em um determinado período, a prostituição deixou de ser ilegal em Rhode Island (vide aqui um verbete da Wikipedia). Com isto, dois pesquisadores compararam as estatísticas existentes antes e depois da medida e descobriram que o mercado de trabalho aumentou (isto é uma conclusão fácil, já que não existe mais a figura do crime), mas reduziram as estatísticas de estupro, assim como a incidência de doença sexualmente transmissível. O percentual de redução deste dois últimos pontos foi bastante expressivo: 30% e mais de 40% .

Com o experimento acidental foi possível determinar um benefício para a descriminalização da prostituição para sociedade, algo que talvez não fosse possível com outro método de pesquisa.

(1) No livro Comportamento Inadequado, Richard Thaler faz uma interessante defesa do questionário como método de estudo na área de ciências sociais.

30 janeiro 2018

Experimentos de montadoras alemãs: cheirar diesel

Recentemente a indústria automobilística teve que confessar que manipulava os dados de emissão de gás carbônico. Agora outro escândalo: algumas empresas da Alemanha financiaram estudos “científicos” em seres humanos e macacos sobre a inalação de gases emitidos por veículos à diesel. As empresas queriam conhecer os efeitos da inalação na circulação sanguínea e no sistema respiratório.

O estudo foi financiado por três grandes empresas: Volkswagen, Mercedes e BMW e envolveu 19 homens e 6 mulheres, além de 10 macacos. O local o experimento foi em Aachen, Alemanha, e em Albuquerque, Estados Unidos. Um dos objetivos era contestar uma decisão da Organização Mundial de Saúde, que considerou o diesel como cancerígeno.

A Volks anunciou mudanças nos seus executivos, incluindo o relações públicas do grupo.

08 agosto 2017

Resenha: Everybody lies - What the Internet Can Tell Us About Who We Really Are

No passado tivemos Freakonomics, de Levitt e Dubner, e Predictably Irrational, de Dan Ariely. O livro de 2017 é Everybody Lies. A tese central do livro de Seth Stephens-Davidowitz é que as pessoas mentem, mas não quando estão diante do computador, fazendo uma pesquisa no Google. O ser humano revela-se lindo, feliz e realizado numa rede social, mas faz pesquisa no Google sobre os seus segredos mais íntimos. Por isto o subtítulo do livro: o que a internet pode contar sobre o que nós realmente somos.

Usando dados de pesquisa no Google, Seth descobriu que as pessoas da costa do Atlântico dos Estados Unidos tinha um ranço conservador que não estava sendo evidenciado nas pesquisas de opinião pública. Estas pessoas pesquisavam, por exemplo, endereços com piadas sobre negros no Google. Seth comparou isto com os resultados da reeleição de Obama e verificou que as projeções eleitorais superestimaram os resultados do ex-presidente. Na costa do Pacífico aconteceu o inverso. Com base nestes resultados, Seth considerou que os habitantes da costa do Atlântico eram mais conservadores do que apareceriam nas pesquisas. Isto também ocorreu na eleição seguinte, quando o candidato republicano surpreendeu as projeções e venceu as eleições. O efeito que Seth descobriu trouxe a surpreendente vitória de Trump.

Com base no que a Internet diz, Seth apresenta alguns fatos interessantes:

* a principal pesquisa do homem sobre sexo refere-se ao tamanho; as mulheres pesquisam, na internet, o cheiro.
* a idade dos oito a dez anos é a mais importante para definir qual equipe um garoto irá torcer. É a idade que irá definir o time do coração de um ser humano. O mesmo é válido para a política: uma pessoa se tornar mais pró-democrata ou pró-republicano conforme a popularidade do presidente na idade de 18 anos.
* alguns aspectos são decisivos na “produção” de pessoas famosas numa determinada região: a presença de uma grande universidade é uma delas. Imigração é outra.
* a população homossexual corresponde a 5% do total e este valor “parece” ser universal (ou seja, o percentual é aproximadamente o mesmo na Rússia, em São Francisco ou no Irã).
* mais de 90% dos leitores de Kahneman (Thinking, Fast and Slow) e Pikerty (Capital) não chegaram ao fim do livro. Já um livro de Donna Tartt, 90% dos leitores foram até o final.
* existe uma relação entre o usuário jogar “spider solitarie” e a taxa de desemprego nos EUA* nos dias que antecedem a um furacão, o morango vende sete vezes mais do que nos dias normais
* pesquisa sobre sobrepeso de uma filha é duas vezes mais comum que pesquisa referente a sobrepeso de um filho e
* filmes violentos não geram violência.

Vale a pena? Sim! Apesar de alguns pontos polêmicos, a obra de Seth chama atenção para a análise de dados. Num determinado trecho, Seth afirma que o próximo Freud/Foulcat será um cientista de dados. Ao chamar a atenção para a necessidade de buscar dados, Seth mostra a direção da ciência para os próximos anos. Além disto, o autor indica que a origem destes dados pode ser pouco usual: digitação de pesquisa no Google, percentual de leitura realizado por cada usuário de livro eletrônico, as informações de rede social, entre outras.

03 fevereiro 2016

Resenha: Experimentos

No início da década de sessenta o cientista social Stanley Milgram recrutou diversas pessoas para um experimento: era solicitado ao indivíduo punir um falso aluno com choques elétricos a cada resposta errada. E quanto mais o aluno errava, mais intensidade tinha o choque. Milgram criou uma situação na qual induzia as pessoas a aplicar um castigo, mesmo sendo uma punição cruel.

Naquele instante, Israel tinha localizado na Argentina o criminoso de guerra Adolf Eichmann, responsável pela execução dos judeus durante a Segunda Guerra. Diante da possibilidade de fuga ou proteção por parte do governo argentino, Israel sequestra Eichman para ser julgado. O julgamento foi controverso e gerou um livro de Arendt denominado Um Relato sobre a Banalidade do Mal.

Arendt teorizou sobre o mal; Milgram mostrou que qualquer ser humano comum seria um Eichman em potencial.

Em suas pesquisas, Milgram demonstrou que sendo “incentivado” por uma autoridade (um cientista, no caso), uma pessoa comum é capaz de dar choques elétricos num desconhecido. Obviamente que Milgram teve o cuidado de não fazer uma tortura real, mas os resultados causaram polêmica e ele foi investigado por comitês de ética e muito criticado.

Milgram foi um dos pioneiros na pesquisa experimental. Trata-se de um ramo da ciência na qual tentamos replicar uma situação do mundo real, para comprovar as teorias. Numa rua movimentada, algumas pessoas, contratadas por Milgram, olham para o céu; as outras pessoas que passam também começam a fazer a mesma coisa, mesmo não existindo nada de anormal acontecendo.

Em outra pesquisa muito relevante para os dias de hoje, Milgram deixou correspondências espalhadas por diversos locais com a recomendação de que quem achasse, tentasse encaminhar para uma pessoa desconhecida, morador de outra cidade. Muitos fizeram a recomendação da pesquisa e Milgram conseguiu rastrear a maneira como as pessoas se esforçaram para entregar a correspondência. Mesmo não conhecendo o destinatário, muitos foram aqueles que atingiram o objetivo. Milgram calculou que em média a correspondência passou entre cinco a seis pessoas antes de chegar ao desconhecido. Este é um número “mágico” que mostra o elo existente entre dois desconhecidos: entre cinco a seis pessoas, independente da distância física existente entre eles. Lembra as redes sociais de hoje.

Vale a pena? O filme é a descrição da vida e obra de Stanley Milgram. É muito didático e destaca os principais feitos do psicólogo. Talvez não seja uma obra de arte (a nota no IMDB é somente 6,6), mas consegue mostrar, sem muita violência, as suas principais realizações. Para quem deseja conhecer um pouco sobre o método experimento ou sobre rede social ou sobre a origem do mal é muito indicado. Com Peter Sarsgaard no papel de Milgram e Winona Ryder como esposa do cientista.

21 julho 2015

Rodízio de Auditores e Ceticismo

Uma das características relevantes do trabalho do auditor é o ceticismo. O profissional que verifica as contas de uma empresa deve questionar sempre, duvidando de todas as informações. Somente assim poderemos ter uma auditoria mais confiável. Acredita-se que um auditor que trabalhe durante anos com uma empresa perca esta característica; por outro lado, um novo auditor será mais cético com respeito aos números apresentados.

Mas parece que isto não é verdadeiro. Uma reportagem da CFO (Auditor Rotation May Actually Inhibit Skepticism) teve acesso a uma pesquisa acadêmica que será publicada no próximo número da prestigiosa Accouting Review. Os autores concluíram que o rodízio dos auditores pode reduzir o ceticismo, não aumentá-lo. Isto é muito importante, pois contraria o senso comum.

Os autores usaram um experimento, reproduzindo a relação entre auditor e executivo da empresa. Para isto, contaram com a ajuda de estudantes de graduação. (Para quem ainda não acredita na pesquisa experimental com estudantes, será que a publicação irá mudar de ideia?) O efeito é comportamental:

“Rotating auditors, aware that they will not be in a long-term relationship, will … likely perceive themselves to be less competent in evaluating the honesty or dishonesty of the [corporate] manager relative to auditors who do not rotate,” write authors Kendall Bowlin of the University of Mississippi, Jessen Hobson of the University of Illinois at Urbana-Champaign, and M. David Piercey of the University of Massachusetts Amherst. As a result, “rotating auditors would find it difficult to garner psychological support for the probability of manager dishonesty, leading them to be less likely to choose high levels of audit effort than non-rotating auditors.”

21 agosto 2013

Remuneração desigual de macacos

Frans de Waal, professor de comportamento de primatas da Universidade de Emory, mostra o que acontece quando dois macacos-prego são pagos de forma desigual. Depois de receber uma pedra como pagamento o macaco do lado esquerdo é dado um pepino, mas quando ele vê o macaco sobre o direito a ser pago em uvas, ele fica irado e rejeita o pagamento.
Dica de Humor Inteligente.

12 novembro 2012

Evidenciação: Precificação de Ações

Os gestores conhecem mais sobre o desempenho da organização do que os investidores, o que torna a divulgação de informações uma possível estratégia de diferenciação competitiva, minimizando a seleção adversa. Este trabalho tem como principal objetivo analisar se o nível de divulgação de informações de uma entidade pode impactar a percepção de risco dos indivíduos e o processo de avaliação de suas ações. A pesquisa foi realizada em um estudo experimental por meio de um mercado de capitais simulado com 456 participantes, sendo 353 no experimento principal e 103 no experimento modificado. Investigou-se a precificação das ações de duas empresas com diferentes níveis de divulgação de informação em quatros momentos distintos. A cada momento, informações adicionais sobre o desempenho eram apresentadas aos participantes. A análise dos resultados evidenciou que, mantendo outras variáveis constantes, o nível de divulgação de informações de uma entidade pode impactar as expectativas dos indivíduos e o processo de avaliação de suas ações. Maior nível de divulgação apresentado por uma entidade impactou tanto o valor de sua ação quanto o da outra empresa.

Impacto do Nível de Evidenciação de Informações Contábeis sobre a Precificação de Ações no Contexto de Seleção Adversa: uma pesquisa experimental
Diogo Henrique Silva de Lima, Jomar Miranda Rodrigues, César Augusto Tibúrcio Silva, José Dionísio Gomes da Silva
Revista Brasileira de Gestão de Negócios, v. 14, n. 43, 2012.