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Mostrando postagens com marcador poluição. Mostrar todas as postagens
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17 outubro 2022

Exportação da poluição

À primeira vista, parece que os esforços do governo dos EUA para reduzir a poluição por chumbo foram um sucesso retumbante. A concentração de chumbo no ar caiu mais de 90% entre 1980 e 2016, em grande parte proibindo gasolina e tinta com chumbo.

Mas alguns dos esforços para reduzir o chumbo no ar por meio de padrões mais rígidos de qualidade do ar podem ter apenas deslocado o problema, de acordo com uma pesquisa na American Economic Review.

Os autores Shinsuke Tanaka, Kensuke Teshima, e Eric Verhoogen dizem que os padrões mais altos nos Estados Unidos resultaram em algumas das indústrias de reciclagem de baterias de chumbo-ácido se mudando para o México, levando consigo a poluição.

Os resultados fornecem evidências diretas de que o aperto das regulamentações ambientais pode deslocar as atividades poluentes, através do comércio, dos países mais ricos para os países mais pobres com regulamentações mais fracas - um fenômeno conhecido como “efeitos do paraíso da poluição”."

Em 2009, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) revisou seus padrões de qualidade do ar para chumbo, reforçando-os por um fator de dez. Embora existam tecnologias para reduzir as emissões de chumbo das usinas de reciclagem de baterias, os custos são altos. Como resultado, as exportações de baterias de chumbo usadas para o México aumentaram após as reformas, como visto na Figura 2 do artigo dos autores. (acima)

Cada ponto do gráfico indica exportações mais importantes em milhões de baterias de usuários dos Estados Unidos para o México (azul) e o resto do mundo (vermelho). Uma lista vertical mais para os pais que em um EPA emita um Aviso Antecipado da Proposta de Regra sobre os direitos mais ricos de qualidade do para o chumbo. Uma mídia vertical indica quando o padre revisado foi assinado e um linha vertical mais uma direita indica quando o novo padre é implementado.

No geral, as exportações de baterias de chumbo usadas quadruplicaram entre janeiro de 2009 e o final de 2014.

fonte: aqui

A história ensina que devemos pensar na questão da poluição como um problema global. 

10 agosto 2022

Clima e a política da vergonha


A divulgação recente de que celebridades usavam seus jatos de maneira excessiva trouxe a tona a possibilidade de usar a imagem como uma forma de coibir que algumas pessoas contribuam para o aquecimento global. 

Uma pesquisadora calculou que os bilionários, famosos por seu estilo de vida glamoroso, estavam contribuindo com uma grande quantidade de emissão de carbono. Especificamente, a pesquisa mostrou que 20 destes bilionários emitiam, em média, 8.194 toneladas métricas de CO2 na atmosfera, por ano. Uma pessoa média emite menos de 5 toneladas. Isto parece não se justo. 

Esse desequilíbrio é injusto, especialmente enquanto o resto da população está deprimida e se sente culpada por sua reciclagem desleixada ou por dirigir um SUV. Pior ainda, enquanto os super-ricos têm pegadas gigantes de carbono, sua riqueza também lhes permite evitar as terríveis consequências da mudança climática. Eles podem pegar um jato particular para fugir de inundações ou furações e só veem fome e pobreza pelas janelas de suas limusines blindadas.

Uma potencial solução é a "vergonha do carbono", lembrando os super poluidores e forçando uma mudança de atitude. Esta é a opinião da pesquisadora.

Na contabilidade parece que isto não funciona completamente. As empresas de auditoria deveria fazer seu trabalho e o principal incentivo seria a reputação. Mas muitos escândalos contábeis, como colar na prova de ética para continuar seu trabalho, parece indicar o contrário

22 dezembro 2020

Poluir compensa?


Shapira e Zingales (2017) usam o caso da DuPont (discutido abaixo) para mostrar que uma decisão de poluir tem valor presente líquido positivo para os acionistas por causa do descompasso de tempo entre o momento em que a poluição ocorreu e a remediação. (...)

Primeiro, vemos que as decisões de poluir podem ter valor presente líquido positivo em comparação com o custo de redução. Em segundo lugar, as empresas podem se beneficiar de melhorias de reputação, separando-se das atividades poluidoras. Terceiro, a administração que conclui uma cisão tem oportunidade de ganhos, evitando perdas patrimoniais (...). Quarto, as assimetrias informacionais limitam a capacidade dos acionistas de precificar com precisão os passivos. Quinto, o estatuto de limitações sobre transporte fraudulento apresenta o potencial de que reservas inadequadas não serão descobertas até que tenha expirado.

Fonte: aqui

30 novembro 2020

Reduzindo a zero a pegada de carbono do Brasil


Em um momento que se discute a questão ambiental, um artigo de opinião de David Fickling para Bloomberg destaca a posição brasileira. A tese central é que o Brasil estaria em uma posição excelente, entre as grandes economias, para ter uma "pegada de carbono" zero. Se isto fosse a vontade do governo. 

A possibilidade do Brasil zerar suas emissões "seria muito mais fácil do que a maioria". Para isto, o país conta com uma geração de energia principalmente de origem hidrelétrica: 64% da nossa energia é proveniente de barragens.  Energia eólica, solar e nuclear respondem por 21% do total. Os combustíveis fósseis são responsáveis por 15%. Esta matriz energética foi construída há muitos anos. 

O artigo é longo, mas vale uma leitura. Onde o país pode melhorar? Fickling lembra que nossas exportações agrícolas possuem problemas ambientais, mas que podem ser corrigidos com uma melhoria na produtividade. 

A carne bovina brasileira é uma das mais intensivas em carbono do planeta. Cada quilo de gado brasileiro criado em terras recém desmatadas adiciona até 726 quilos (1.600 libras) de emissões de carbono equivalente para a atmosfera, de acordo com um estudo de 2011 . Em partes mais estabelecidas do país, ele requer apenas cerca de 22 quilos de CO2, e fazendas em outros países exigem metade disso, com alguns números chegando a 3 quilos .

Ou seja, se o país corrigir a baixa produtividade da pecuária, isto pode reduzir o desmatamento e a emissão do metano proveniente do gado. 

Contabilidade - uma forma de "incentivar" o problema ambiental seria com o aumento da produtividade da pecuária. Nós temos algumas grandes empresas processadoras de proteína (como gostam de serem chamadas) na bolsa de valores. Obrigar a relatar as emissões de carbono pode ser um caminho para esta melhoria. 

Imagem: aqui



14 abril 2020

Covid-19 e a poluição

O comparativo entre a imagem de diversas cidades no mundo em 2019 e 2020. Mapas mais escuros é sinal de poluição. Em alguns caso o efeito é bem nítido.

14 março 2020

Efeitos positivos do Covid19

Além dos efeitos maléficos, o COVID-19 pode ter um efeito positivo: a interrupção da atividade econômica pode ter reduzido a poluição do ar na China, com efeito positivo não somente para China, mas para outros países do mundo. Eis um mapa que ajuda a explicar o que está ocorrendo:


Do lado esquerdo, a poluição antes da doença e do lado direito o que está ocorrendo agora. A redução da atividade econômica não significa a redução de toda poluição, mas em algumas áreas os efeitos são notáveis. Como existe uma grande evidência de que a poluição é prejudicial a saúde, o número de vidas salvas por este efeito colateral da doença pode ser maior que o número de mortos com o COVID-19.

É muito difícil dizer com certeza se isto é verdadeiro. Descobrir o número de vidas salvas pela redução da poluição é um exercício de suposições. Mas uma postagem do G-Feed usou os dados médios diários da poluição nos últimos anos e fez uma comparação com a poluição nos dois primeiros meses de 2020.

A comparação é entre a linha azul e a linha vermelha dos gráficos. A diferença entre os valores é estatisticamente significativa. Após isto, é necessário calcular como a redução da poluição afetou a taxa de mortalidade. Também é um cálculo complicado e baseado em suposições. Mas o GeFeed usou dados de pesquisas anteriores que mostraram os efeitos da redução da poluição sobre a taxa de mortalidade. E usaram uma abordagem conservadora, assim como o total de pessoas que foram afetadas pela mudança na poluição do ar. Com estes números, chegou-se a uma redução de 1.400 vidas de crianças com menos de cinco anos e 51.700, para pessoas acima de 70 anos. Isto equivale a 20 vezes o número de vidas do COVID-19.


Parece claramente incorreto e imprudente concluir que as pandemias são boas para a saúde. Novamente, enfatizo que os efeitos calculados acima são apenas os benefícios para a saúde das mudanças na poluição do ar e não respondem por muitas outras conseqüências negativas a curto ou longo prazo da interrupção social e econômica na saúde ou em outros resultados; esses danos podem exceder qualquer benefício à saúde da redução da poluição do ar. Mas o cálculo talvez seja um lembrete útil das conseqüências muitas vezes escondidas do status quo para a saúde, ou seja, os custos substanciais que nossa maneira atual de fazer as coisas exacta em nossa saúde e meios de subsistência.

Conforme os autores lembram, talvez o impacto ainda será estudado em outras pesquisas futuras. Mas o lembrete foi dado. Um comentário do blog lembrou algo também interessante: talvez a pandemia promova uma mudança de hábitos que possam salvar vidas no futuro (lavar as mãos, reduzir o número de viagens, não cumprimentar as pessoas com aperto de mãos, etc). Outro leitor lembrou que algumas das medidas pode reduzir a renda de uma parcela da população, como os locais turísticos. E isto tem consequência sobre o número de vidas da pandemia.

24 fevereiro 2019

Poluição e evidenciação

O que explica a evidenciação de empresas poluidoras no Brasil? Segundo a uma pesquisa com empresas com ações negociadas na Bolsa, com 182 empresas, o tamanho, a lucratividade, a internacionalização, endividamento e o relatório de sustentabilidade da empresa são fatores explicativos desta evidenciação.

Eis o abstract:

This research aims at identifying explanatory factors of the environmental disclosure of potentially polluting Brazilian companies listed on the São Paulo Security, Commodities, and Futures Exchange (BM&FBOVESPA), from 2005 to 2015. Financial and environmental disclosure information of 182 Brazilian companies of the high-, medium-, and low-polluting potential sectors were collected. Data were analyzed through content analysis of documents and Regression with Panel Data. Results indicate that the company’s size, profitability, internationalization, and sustainability report are explanatory factors of the disclosure of environmental information, while indebtedness presents an inverse relationship. This study concludes that the explanatory factors of environmental disclosure of potentially polluting Brazilian companies are, with a higher weight, the publication of the sustainability report and stock market internationalization and, with lower weight, size, indebtedness, and profitability. This study discusses the relevance of environmental disclosure to companies that perform potentially polluting activities to provide support for different agents linked to these companies they may have access. It presents as theoretical contribution the explanatory variables for environmental disclosure of potentially polluting companies, an analysis not yet carried out in the literature. The practical contribution is to present information to interested users that potentially polluting companies, larger in size, internationalized, and with more profitability, disclose their environmental information.

08 janeiro 2019

Inglaterra reduz a emissão de CO2

Em postagem recente, mostramos 99 coisas boas que ocorreram em 2018. Chama a atenção na lista os ganhos com o ambiente. Os dois gráficos abaixo estão nesta linha:
 O primeiro gráfico mostra a emissão de CO2 na Inglaterra, desde o início da Revolução Industrial. O destaque começa no ano de 1890, quando começa a utilização do carvão nas fábricas. Existem alguns pontos de redução na emissão em decorrência de crise financeira e greve nas minas. A tendência crescente após a segunda guerra é interrompida e a emissão começa a cair. Em 2017 o nível de emissão total era equivalente a emissão de 1890, quando o carvão começou a ser usado.
O gráfico seguinte é a emissão per capita. Levando em consideração a população, o nível de emissão hoje, na Inglaterra, é menor que aquele existente antes da Revolução Industrial. O autor do estudo (e dos gráficos) afirma ser possível promover a redução da poluição através de uma política do clima eficaz. O uso de energia alternativa, como a solar, pode ajudar neste sentido, já que substitui o carvão e outras fontes de energia poluidoras.

30 janeiro 2018

Experimentos de montadoras alemãs: cheirar diesel

Recentemente a indústria automobilística teve que confessar que manipulava os dados de emissão de gás carbônico. Agora outro escândalo: algumas empresas da Alemanha financiaram estudos “científicos” em seres humanos e macacos sobre a inalação de gases emitidos por veículos à diesel. As empresas queriam conhecer os efeitos da inalação na circulação sanguínea e no sistema respiratório.

O estudo foi financiado por três grandes empresas: Volkswagen, Mercedes e BMW e envolveu 19 homens e 6 mulheres, além de 10 macacos. O local o experimento foi em Aachen, Alemanha, e em Albuquerque, Estados Unidos. Um dos objetivos era contestar uma decisão da Organização Mundial de Saúde, que considerou o diesel como cancerígeno.

A Volks anunciou mudanças nos seus executivos, incluindo o relações públicas do grupo.

07 março 2014

Chevron

Uma das questões ambientais mais controversas sofreu uma reviravolta esta semana. Trata-se do caso da Chevron e a poluição de uma região da Amazônia equatoriana. Um juiz de Nova Iorque considerou que parte das provas contra a empresa foi obtida de maneira fraudulenta pelo advogado que fez a acusação. Este advogado teria subornado o juiz que anteriormente deu uma sentença contra a empresa. Isto não anularia, por enquanto, uma indenização de 9,5 bilhões contra a empresa, mas evita que a sentença tenha efeito onde a empresa possui ativos. Ou seja, Canadá, Brasil e Argentina.

Em 1993 um advogado entrou com ação na justiça de Nova Iorque em nome dos índios que vivem no Lago Agrio, Equador, exigindo dinheiro da Texaco por poluir as águas da região no período de 1964 a 1992. Como a Texaco foi adquirida pela Chevron em 2001, esta empresa herdou este passivo. Em 2011 a empresa foi condenada a pagar 19 bilhões de dólares; o valor foi reduzido para 9,5 bilhões.

Leia Mais aqui

23 janeiro 2014

Luz Solar Virtual


A poluição em Pequim (ou Beijin) é tão forte que grandes telas digitais estão lembrando o nascer do sol para seus habitantes. Na fotografia abaixo, turista tira fotos na Praça Tiananmen no dia 16 de janeiro de 2014:


21 janeiro 2014

Listas: 10 lugares mais poluídos do mundo

Os moradores de São Paulo sabem uma coisa ou duas sobre poluição, é verdade, mas – ainda bem! – estão longe das situações extremas encontradas em locais em que a poluição é resultante de problemas que vão desde a crescente quantidade de lixo eletrônico produzido até a produção de armas químicas. Em parceria com a Cruz Verde Internacional, o Instituto Blacksmith estudou a situação de mais de 2 mil focos de poluição em 49 países na última década – e o que descobriram não é nada legal: a poluição tóxica ameaça a saúde de mais de 200 milhões de pessoas no planeta e poluentes industriais já afetam mais pessoas do que a malária.

Os dados levantados pela instituição também apontam para outro fato importante: apesar dos dez lugares mais poluídos não se encontrarem em nações ricas, elas não estão livre da culpa. Isso porque grande parte da poluição encontrada em países pobres está ligada ao estilo de vida dos mais ricos – uma fábrica em Bangladesh, por exemplo, fornece couro para calçados feitos na Itália e vendidos em Nova York ou Zurique; em Agbogbloshie, Gana, os moradores sofrem com o impacto do lixo eletrônico dos aparelhos eletrônicos usados em países do ocidente. A população local nessas áreas “está muitas vezes poluindo o ambiente não por que acham divertido, mas por uma questão de sobrevivência”, apontou Stephan Robinson, da Cruz Verde Suíça, durante a conferência de apresentação dos dados levantados.

Confira quais são os 10 lugares mais poluídos do mundo, segundo levantamento do Instituto Blacksmith:

1. Agbogbloshie (Gana)


Agbogbloshie é a segunda maior área de processamento de lixo eletrônico da África Ocidental, chegando a importar cerca de 215 mil toneladas de resíduos oriundos da Europa. Por lá, a situação é séria: devido à composição heterogênea dos materiais coletados, reciclá-los de forma segura é um processo complexo que requer grande habilidade e tecnologia adequada – coisas que não são aplicadas no aterro. São várias as atividades irregulares que causam impacto ambiental na região – em uma das etapas mais nocivas, por exemplo, os recicladores queimam o plástico que envolve fios de cobre, muitas vezes usando isopor. O resultado é a liberação de metais pesados presentes nos cabos, que contaminam as residências e o solo. Amostras recolhidas nas redondezas do local de despejo, onde vivem mais de 40 mil pessoas, indicaram níveis de chumbo superiores a 18 partes por milhão – 45 vezes mais que o limite de contaminação estabelecido pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Além disso, amostras de sangue dos trabalhadores chegaram a indicar presença de metais pesados até 17 vezes superior aos padrões internacionais.

2. Chernobyl (Ucrânia)

[via Reactor 4]
A cidade de Chernobyl, na Ucrânia, ainda está longe de se recuperar da tragédia ocorrida em 25 de abril de 1986 – na ocasião, um dos piores acidentes nucleares da história, a explosão de reatores liberou 100 vezes mais radioatividade que as bombas que atingiram Hiroshima e Nagasaki, afetando uma área de 150 mil quilômetros quadrados. O acidente é considerado responsável por mais de 4 mil casos de câncer de tireóide, e a estimativa é de que a radioatividade ainda presente na área coloque em risco entre 5 e 10 milhões de pessoas na Ucrânia, Rússia, Moldávia e Belarus.

3. Rio Citarum (Indonésia)

[via]
Cobrindo uma área de cerca de 13 milhões de quilômetros, o Rio Citarum fornece 80% da água consumida pela população local, irriga fazendas que produzem cerca de 5% do arroz cultivado no país e atende 2 mil fábricas da região. Estaria tudo certo não fosse por um “detalhe”: o Citarum está contaminado por dejetos industriais e domésticos e, em testes realizados pelo Instituto Blacksmith, foram encontrados níveis de chumbo mil vezes maiores que o aceito internacionalmente, e níveis de magnésio quatro vezes superiores ao recomendado. Ao longo dos próximos 15 anos, o governo indonésio pretende investir cerca de 3,5 bilhões de dólares na revitalização do rio com o qual 9 milhões de pessoas têm contato.

4. Dzerzhinsk (Rússia)


Em 2007, o Livro Guinness de Recordes citou Dzerzhinsk como a cidade mais poluída do mundo. A menção estava longe de ser gratuita: amostragens de água coletadas na cidade apresentaram níveis de dioxinas e de fenol mil vezes acima do recomendado. A alta concentração de toxinas causou o aumento de doenças como câncer dos olhos, pulmões e rins e fez a expectativa de vida na região cair drasticamente – em 2006, a esperança média de vida em Dzerzhinsk era 47 anos para as mulheres e apenas de 42 para os homens. A contaminação tem origem antiga: durante todo o período soviético, Dzerzhinsk foi responsável pela maior parte da fabricação de produtos químicos, incluindo armas. Entre 1930 e 1998, cerca de 300 mil toneladas de resíduos foram despejados incorretamente na cidade, contaminando os lençóis freáticos com mais de 190 substâncias. Atualmente, a região ainda é um centro significativo da indústria química russa, mas, ao longo dos últimos anos, esforços têm sido feitos para fechar instalações obsoletas e recuperar o solo contaminado.

5. Hazaribagh (Bangladesh)


Do total de 270 curtumes registrados em Bangladesh, quase 90% estão localizados em Hazaribagh e empregam mais de 10 mil trabalhadores, que são expostos a condições de trabalho extremamente perigosas: todos os dias, as fábricas descartam 22 mil litros cúbicos de resíduos tóxicos cancerígenos. O resultado você já pode imaginar: além de câncer, a população enfrenta uma série de problemas de saúde, como doenças respiratórias, queimaduras ácidas, erupções cutâneas, dores, tonturas e náuseas. Para piorar, as casas dos trabalhadores estão localizadas ao lado de córregos, lagoas e canais contaminados. A indústria do couro ainda provoca outros impactos na região: recicladores informais queimam restos de couro para produzir uma série de produtos de consumo, contribuindo também para poluição do ar.

6. Kabwe (Zâmbia)


Em 1902, ricas jazidas de chumbo foram descobertas em Kabwe. De lá pra cá, foram mais de 90 anos de operações de mineração e fundição executadas na área sem cuidados para evitar a contaminação e garantir a segurança dos trabalhadores e da comunidade. O resultado não poderia ser outro: um estudo realizado em 2006 descobriu que os níveis de chumbo no sangue das crianças excedia quase dez vezes os níveis recomendados. A mina hoje está fechada, mas atividades artesanais continuam sendo realizados – e a pilha de rejeitos contaminados só aumenta.

7. Kalimantan (Indonésia)
Para 43 mil residentes de Kalimantan, porção indonésia da Ilha de Bornéu, a renda mensal depende da extração de ouro artesanal, feita com mercúrio e de forma rudimentar. A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) estima que mais de 1.000 toneladas de mercúrio sejam liberados no meio ambiente todos os anos por este processo. Parte dos dejetos da atividade é lançada nos cursos d’água, onde acabam se acumulando nos peixes do Rio Kahayan, que apresenta taxas de mercúrio que correspondem ao dobro do recomendado. O governo da Indonésia vem tentando contornar a situação, trabalhando para mitigar os lançamentos de dejetos e a exposição às substâncias tóxicas.

8. Matanza-Riachuelo (Argentina)
Cerca de 20 mil pessoas vivem na bacia do rio Matanza-Riachuelo, que corta 14 municípios em Buenos Aires. Suas águas estão longe de ser limpinhas: seus 60 quilômetros recebem resíduos vindos de mais de 15 mil indústrias, que incluem fabricantes de produtos químicos (responsáveis por um terço de toda poluição). E o problema não está só no lado de dentro: estudo realizado em 2008 revelou que o solo nas margens do rio continha zinco, chumbo, cobre, níquel e crômio, todos acima dos níveis recomendados. Cerca de 60% das pessoas que residem perto do curso d’água vivem em condições impróprias para a habitação humana – situação que se torna ainda mais complicada devido aos assentamentos irregulares, onde moradores não tem acesso à água potável.

9. Rio Níger (Nigéria)


Com mais de 70 mil quilômetros quadrados, o Rio Níger ocupa quase 8% da área total da Nigéria. Não é pouca coisa. Também não é pouca a poluição presente no curso d’água: desde o final dos anos 1950, o local concentra a maior parte das operações de extração de petróleo do país. Apenas entre 1976 e 2001, foram registrados 7 mil incidentes envolvendo derrames de petróleo; anualmente, são mais de 240 mil barris de petróleo derramados no delta do rio. Os vazamentos contaminam não apenas a superfície e as águas subterrâneas, mas também o ar, devastando comunidades aquáticas e agrícolas. Os acidentes têm afetado a saúde da população local: artigo publicado no Nigerian Medical Journal, em 2013, indicou que a poluição poderia ser responsável pelo aumento de 24% de desnutrição infantil. Além disso, o petróleo bruto pode causar infertilidade e câncer.

10. Norilsk (Rússia)
Fundada em 1935, Norilsk é uma cidade industrial, lar de um dos maiores complexos de fundição de metais pesados do mundo. Anualmente, cerca de 500 toneladas de óxidos de cobre e níquel e 2 milhões de toneladas de dióxido de enxofre são liberados no ar, o que faz com que a expectativa de vida na cidade seja 10 anos abaixo da média russa. Estima-se que mais de 130 mil moradores da região sejam expostos a partículas de metais pesados e foi observado na área um aumento nos níveis de doenças respiratórias e câncer de pulmão e do sistema digestivo. Apesar de investimentos para a redução de emissões ambientais, a área circundante continua seriamente contaminada, com altas concentrações de cobre e níquel no solo dentro de um raio de 60 quilômetros da cidade.

Fontes: Aqui, aqui, aqui e aqui.

24 novembro 2013

As empresas poluidoras

Existe um mantra na contabilidade que associa a mensuração com a gestão. Este mantra afirma que só conseguimos gerenciar o que podemos medir.

Uma das áreas de maior desafio em obter mensuração refere-se ao meio ambiente.  E geral usamos como principal unidade a quantidade de gás carbônico emitido por cada país. Sabemos que a emissão deste gás tem aumentado ao longo dos últimos anos, estando concentrada nos países mais industrializados. Por consequência, desde 1854, quando se tornou possível medir a emissão do gás carbônico, os Estados Unidos é o campeão da poluição. Mas quando analisa o último ano, 2012, a China foi o principal em termos de poluição.

Uma pesquisa realizada pelo Climate Accountability Institute mudou um pouco esta maneira de medir a poluição. Em lugar dos países, concentrou-se nas empresas. E o resultado é assustador. A empresa que mais poluiu na história da humanidade é a Chevron e respondeu por 3,52% de toda emissão no período de 1751 a 2010. As vinte empresas com maior emissão respondem por quase 30%. As noventa maiores entidades são responsáveis por 63% das emissões no período.

Leia mais em Heede, Richard. Tracing anthropogenic carbon dioxide and methane emissions to fossil fuel and cement producers, 1854–2010. ClimaticChange.

07 novembro 2013

Caminhar pode poluir mais que carro

Which is more polluting—driving a mile to work or walking that mile? The easy answer is, of course, driving. Cars have tailpipes; people don't. Far more energy is needed to push a 3,000-pound car along the road than is needed to move a 150- to 250-pound body along a sidewalk. Walking seems like the green thing to do.

But appearances can be deceiving, making easy answers dead wrong. That's the case here when the calories expended in walking are replaced.

Counting the Ways Energy Is Consumed in the Food-Supply Chain
The primary reason that walking to work can be more polluting than driving is that growing crops and raising animals so that they can be consumed and digested by humans involves a food-supply chain that now extends to all corners of the Earth and uses a lot of energy. An unavoidable byproduct of this energy use is greenhouse gas emissions. 

[...]

Concluding Comment
When it comes to energy use and greenhouse gases emitted, appearances can be grossly deceiving. Granted, people who drive everywhere are energy users and polluters. But walkers also use fossil fuels through the food they eat to replace the calories burned while walking. Of course, driving can be more polluting under some circumstances, such as when large SUVs are the preferred vehicles or when drivers insist on doing wheelies at every stoplight. Bicycling the distance can also be less polluting than driving. Dunn-Rankin sums up the central, largely counterintuitive, point of this commentary: "Driving a small [or moderate-size] car and not having to replace burned calories saves more energy (and greenhouse gases) than walking when the extra calories expended are replaced."
Fonte: aqui

28 setembro 2011

Poluição


Pesquisa da OMS revela as cidades mais poluídas do mundo. Em primeiro lugar, Ahwaz, no Irã, com um índice de poluição correspondente a 372. O segundo é para capital da Mongólia, Ulaanbaatar, com 279. Depois Sanandaj (Irã), Ludhiana (Índia) e Quetta (Paquistão).

A cidade com maior poluição no Brasil é o Rio de Janeiro, com 64 de índice.  Ocupa a 144º. Lugar na lista. Depois Cubatão (48 e 204ª.), Região de Campinas (39, 267ª.) e São Paulo (38 (268º.).

Leia mais aqui. Foto: Ahwaz.

28 setembro 2010

Poluição Global


O mapa indica o nível de poluição por região. Quanto mais azulada a figura, menos poluída. Mais vermelha, mais poluída. Os maiores níveis de poluição estão na China e, surpreendentemente, no Saara. O Brasil, Canadá, África do Sul e Austrália possuem pouca poluição. Fonte: Boingboing