Qual foi o custo da
construção de Brasília? Eis uma estimativa:
Construir Brasília em um período tão curto foi custoso, embora
seja difícil determinar um preço exato, dado que muitas etapas
burocráticas foram suprimidas em prol da celeridade, segundo Ronaldo
Costa Couto. Mas isso não significa que as pessoas não tenham
tentado calcular. O economista Eugênio Gudin calculou que custou
aproximadamente 1,5 bilhão de dólares em 1954 — ou cerca de 12,3
por cento do PIB do Brasil — para criar esta capital. Ajustado pela
inflação, isso equivale a 16 bilhões de dólares hoje. Outras
estimativas são muito maiores. Em 1996, o economista e jornalista Ib
Teixeira recalculou o custo, atento ao fato de que a construção em
Brasília continuou além da inauguração da cidade em 1960. Ele
encontrou um resultado de uma ordem de magnitude diferente: 155
bilhões de dólares na época, ou 316 bilhões de dólares ajustados
pela inflação.
Na ausência de condições de moradia adequadas, muitos
trabalhadores improvisaram, ocupando ilegalmente áreas fora da
cidade e construindo seus abrigos com quaisquer materiais que
estivessem disponíveis.
O transporte de materiais de construção foi responsável por
grande parte do custo da construção da cidade. Os únicos recursos
disponíveis no local eram pedra, areia e tijolos; o restante —
como telhas, vergalhões e vidro — teve que ser trazido de outros
lugares. No entanto, as rodovias só chegaram ao local em 1960, e a
ferrovia mais próxima ia apenas até Anápolis, a cerca de 145
quilômetros de distância. O governo não quis esperar pela
conclusão das obras rodoviárias para avançar com a inauguração
da cidade, por isso encontrou a solução mais cara possível: o
transporte aéreo. Para cobrir essa despesa, a administração
Kubitschek começou a imprimir mais dinheiro e a emitir títulos de
dívida pública, resultando em um legado de dívidas e inflação
que assolou o país nas décadas seguintes.
O custo humano da construção de Brasília também foi alto.
Dezenas de milhares de pessoas de outras regiões do país foram
enviadas a Brasília para trabalhar. Um censo de 1959 indicou que
havia aproximadamente 64.000 pessoas na área, das quais mais de
55.000 vieram de outros lugares e 54,5% eram trabalhadores da
construção civil. A maioria desses trabalhadores — conhecidos
como candangos — vivia em condições precárias. Os pedreiros
dormiam em quartos comunitários sem qualquer privacidade, segundo
Gustavo Lins Ribeiro. Eles comiam alimentos estragados que, por
vezes, levavam a infecções intestinais.
Alguns não tinham moradia alguma. Na ausência de condições de
vida adequadas, muitos trabalhadores improvisaram, ocupando
ilegalmente áreas fora da cidade e construindo seus próprios
abrigos com quaisquer materiais disponíveis. Um desses assentamentos
era chamado de Sacolândia; outro era a Lonalândia. Muitos desses
assentamentos perduraram mesmo após a conclusão da construção de
Brasília. O maior desses locais era a Vila do IAPI, assim chamada
devido ao Hospital do IAPI, em torno do qual se formou, na periferia
do canteiro de obras. Em 1971, o governo forçou a evacuação da
área e criou Ceilândia, uma cidade inteiramente nova para seus
moradores.
Os direitos trabalhistas eram rotineiramente ignorados. A prática
da "virada" — exceder os limites de horas extras — era
comum. Equipamentos de proteção também eram escassos, e os
acidentes de trabalho eram frequentes. Existem poucos registros sobre
o número total de mortes e ferimentos durante a construção. Em vez
disso, temos informações fragmentadas. Um dos registros disponíveis
é do Hospital do IAPI; ele tratou 10.927 acidentes relacionados à
construção em 1959, uma média de aproximadamente 30 acidentes por
dia. Em 1960, essa média explodiu para 170 acidentes por dia.
Para garantir a segurança pública — e reprimir quaisquer
protestos que pudessem surgir em relação às precárias condições
de trabalho — o governo destacou a GEB (Guarda Especial de
Brasília), forças de segurança pagas pela NOVACAP, para
supervisionar a construção. A GEB tornou-se conhecida por sua
brutalidade e falta de preparo. Ela participou do chamado Massacre de
Pacheco Fernandes, em 8 de fevereiro de 1959, quando trabalhadores da
construtora Pacheco Fernandes se revoltaram contra seus chefes devido
à comida estragada. Chamada para conter os operários, a GEB usou
munição real contra eles. Especialistas concordam com a sequência
de eventos até este ponto, mas surgem dúvidas quanto ao número de
mortes e ferimentos resultantes da ação. Enquanto a versão oficial
afirma 48 feridos e apenas uma morte, testemunhas e sobreviventes
dizem que dezenas foram mortos e seus corpos foram levados em
caminhões para um local desconhecido.