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17 setembro 2017

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Coquetéis mais vendidos do mundo

Fotografa brasileira capta imagens de mulheres poderosas com um iphone

Justiça nega abertura de informações sobre o quadro societária da JBS - afinal, qual é o segredo?

Receita da Deloitte internacional aumentou 5,5%

No México, Braskem nega ter relação com a Odebrecht na corrupção

Equipes de futebol mais valiosas


A empresa de consultoria suíça CIES Football Observatory listou as equipes de futebol mais valiosas do mundo. Os valores estão em milhões de euros e corresponde ao valor de mercado dos jogadores. Assim, Ronaldo, com um valor de 102 milhões de euros, tem um valor menor que Hazard, embora isto não signifique dizer que seja pior que o jogador do Chelsea. 

Um aspecto curioso da lista é que o jogador mais valioso para sua equipe é Griezmann. Seu valor é maior que os demais jogadores do seu time, o Atletico de Madrid. O jovem goleiro Gianluigi Donnarumma, de 18 anos, tem um elevado valor de 69 milhões de euros. A idade e a possível qualidade do atleta influencia no seu valor. 

Reconhecimento da receita de incorporadoras

Esta semana, numa série de reportagens, Fernando Torres acompanhou, no jornal Valor Econômico, a decisão do Iasb referente ao reconhecimento da receita por parte das empresas incorporadoras de imóveis (aqui, aqui e aqui)

Com a adoção das normas internacionais de contabilidade, o Brasil deveria passar a reconhecer a receita conforme os critérios estabelecidos pelo Iasb. Entretanto, a CVM optou por permitir que as incorporadoras passassem a usar o critério baseado no andamento da obra, denominado de POC. A partir daí, algumas empresas de auditoria colocaram no relatório que o reconhecimento da receita não obedecia as normas internacionais. O que era, de certa forma, injusto com as empresas. A CVM bem que tentou, encaminhando uma defesa do procedimento adotado no Brasil.

Dois aspectos prévios precisam ser considerados sobre a filosofia do processo de interpretação. Para casos onde a aplicação das normas apresentem dúvidas, como seria este caso, existe um comitê de “interpretação”. De certa forma, a existência de um comitê com este escopo é, de certa forma, uma incoerência. Como o Iasb é baseado em princípios, como a entidade insiste em anunciar, o “espírito” da norma deveria estar claro no seu enunciado. Ao colocar em debate a questão da receita na situação brasileira, o comitê teria o papel de interpretar uma situação prática. Isto pode significar que a norma de reconhecimento da receita não foi clara o suficiente nos seus princípios. Em defesa da entidade reguladora é possível imaginar a grande dificuldade em fazer uma norma que seja suficientemente clara para não existir dúvidas em aplicações específicas, como é o caso da questão das incorporadoras.

Outro aspecto refere-se a quem deveria fazer a interpretação da norma. Sendo específica, os reguladores nacionais não estariam mais aptos a fazerem a interpretação? Em defesa da existência de um comitê de interpretação centralizado no Iasb temos duas desvantagens: a existência de dúvidas sobre a norma é um poderoso feedback para o regulador sobre a qualidade das normas e a necessidade da sua expansão; e a interpretação pode desvirtuar o espírito do padrão.

O caso também conduz a questão política da regulação contábil e um processo de convergência. Este aspecto político foi de grande importância para o recuo dos Estados Unidos em aderir as normas do Iasb, muito embora não seja o único fator. Mas o mercado de capitais desse país é muito mais forte e sua estrutura conceitual certamente é mais tradicional, e talvez de melhor qualidade, que àquela emanada pelo Iasb. Não é o caso do Brasil, onde a opção por usar as normas do Iasb talvez tenha melhorado a qualidade da contabilidade brasileira. Mas um dos preços cobrados pela opção é que o país tem que se sujeitar as normas criadas pelo Iasb. Este seria um dos custos da adoção. Obviamente que a CVM poderia insistir em continuar o critério atual, discordando do regulador internacional. Mas seria coerente e politicamente adequado ir contra o comitê de interpretação, depois de apresentar sua posição? Provavelmente não

A questão contábil decorre do fato do ciclo de produção das empresas serem elevados. O POC permite o reconhecimento ao longo da construção. Pela nova interpretação do Iasb, o reconhecimento da receita será feito na entrega das chaves, num único momento. Isto pode provocar alteração no resultado das empresas no curto e médio prazo. E fazer como que o resultado seja mais volátil.

Rir é o melhor remédio

Antes e depois do tratamento. O comentário: "como biólogo, meu primeiro pensamento é que seu produto faz a pessoa ficar infértil"

16 setembro 2017

Enquanto isto, em Narcos...



Enquanto, no episódio 8, da terceira temporada de Narcos...

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Uma economia centralizada na era do Big Data 

Atividade física no mundo (mapa)

Um robô conduziu uma orquestra 

Como o contador é apresentado nos filmes recentes

Quanto mais complexa a empresa, melhor a governança

Relação inversa entre elisão e valor da empresa no Brasil


Ensino de Contabilidade Pública

Silva e Oliveira, em A História da disciplina de Contabilidade Pública no Ensino Contábil Brasileiro traçam um perfil desta disciplina, desde as Aulas do Comércio, com a vinda da família real, até o advento do ensino superior, em 1945. O texto é bastante interessante. Em termos históricos, o foco do ensino contábil era o comércio. Conforme os autores do Centro Universitário Moura Lacerda destacam, existiu muita influencia de ideias estrangeiras neste período.

Entretanto, o controle das finanças do Estado é um assunto muito relevante. Soll, em The Reckoning, relacionou este tema com as ascensão e queda de impérios. Quando Valentim Bouças atuou na área pública seu trabalho era banal: controlar as dívidas do país, já que não existia nenhuma informação sobre o que foi pago ou não. E muitas vezes o Brasil pagou a mesma dívida mais de uma vez.

A pesquisa delimita a questão do ensino em sala de aula. Mas devemos lembrar que o processo de ensino também ocorre no local de trabalho. É bem verdade que isto dificultaria enormemente uma pesquisa deste tipo, mas a lembrança dos encontros dos secretários de fazenda na primeira metade do século XX mostra a relevância deste tema.

Rir é o melhor remédio

Onde tudo começou...

15 setembro 2017

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É possível salvar o peer review?

Pescador queria indenização da CHESF por falta de peixes no São Francisco

TCU condena ex-gestores da Petrobras pela compra de Pasadena e finalmente irá fazer auditoria no Sistema S

40% das formigas, símbolo do trabalho, não fazem nada

Seu app está deixando você miserável (gráfico)

Compra de autoria

O site Retraction Watch divulgou que alguns periódicos estão vendendo autoria em artigos por um valor. Numa pesquisa feita por Pravin Bolshete, o escritor perguntou a centenas de periódicos se concordariam em adicionar um autor num artigo. 16% dizeram que sim.

Um dos e-mails enviados por Bolshete era assim:

Devido à minha agenda ocupada e à sobrecarga de trabalho, não consigo escrever / publicar nenhum artigo, mas agora isso é necessário para minha promoção. Um dos meus colegas me disse que sua revista pode me ajudar com isso. Ficarei feliz se você puder me adicionar como co-autor em qualquer artigo relacionado com medicamentos ou se alguém escrevesse um artigo em meu nome e me ajudasse na publicação de alguns artigos.

Um dos periódicos não somente respondeu como convidou para ser membro do corpo editorial.

Resenha: Hit Makers

Um livro de divulgação científica, como é o caso deste Hit Makers, geralmente parte de uma ideia central, usa algumas boas histórias, tenta enquadrar tudo na ideia apresentada e termina com algumas dicas para o leitor. Que já leu Malcom Gladwell, Ariely, Freakonomics e outros sabe como isto funciona.

O objetivo do livro é tentar entender o segredo de alguns produtos que as pessoas gostam, como uma música, um filme ou um livro, e a razão de ideias similares falharem. A resposta, segundo o autor, é uma mistura de situações conhecidas recheadas de algumas novidades. Pegue o exemplo do filme Star Wars. O roteiro do filme foi muito inspirado em lendas; assim, para o espectador, o filme tem algo de familiar, um roteiro que ele sabe que já viu anteriormente. Mas também tem novidades: lenda com uma guerra espacial. Nas palavras do autor, neofílico e neofóbico. O primeiro termo é o interesse pelo novo; o segundo, é o pavor as inovações. Parece contraditório, mas o autor afirma que não.

O objetivo é interessante e a teoria parece acreditável. Falta rechear isto com casos. E o livro conta alguns interessantes. A história do pintor Caillebotte, um impressionista que sem querer fez a fama de Monet, Renoir, Degas, Cézanne, Manet, Pissaro e Sisley. Mas como Caillebotte era rico e não precisava da pintura para viver, produziu pouco,não importando em “vender” sua arte, ao contrário dos pintores citados. Caillebotte é um ótimo pintor, mas é pouco conhecido. A seguir, a história da música e dos compositores atuais, que “parece” que descobriram a fórmula do sucesso. O caso da televisão também é interessante, já que o autor faz um vínculo com a internet.

E assim, de caso em caso, o autor tenta provar sua teoria sobre o que leva um “produto” ou “ideia” ser um campeão: a playlist do Spotify, das pesquisas de Gallup sobre audiência, do Facebook, da MacDonald´s, etc.

Vale a pena? - O interessado em entender a razão do sucesso de Karl Martin (quem?) pode achar interessante o livro. Que gosta de algumas boas histórias também. Mas honestamente não fiquei muito convencido que a resposta do autor é ampla o suficiente para explicar todos os casos de sucesso.

Defesa de mestrado



Estudante da África do Sul não deixa bandidos tomarem sua bolsa com a única cópia da dissertação de mestrado

Isso porque, Ntusi carregava na bolsa um HD externo com sua tese de mestrado. Se tivesse a bolsa roubada, a estudante levaria mais um ano para reescrever a tese.

Ela, que é pesquisadora do Serviço Laboratorial de Saúde Nacional, em Joanesburgo, cursa uma especialização em zoologia molecular. Ntusi informou que depois do susto irá fazer mais cópias de seu trabalho.

Rir é o melhor remédio


14 setembro 2017

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Fotos do satélite do efeito do Irma

Presidente da Comunidade Europeia esquece de Portugal: "Da Espanha à Bulgária"

Governo dos EUA está proibindo o uso do antivírus Kaspersky

JP Morgan diz que Bitcoin é uma fraude


Só para os cientistas: "Eu não tenho ideia..."

Rotten Tomatoes não afeta as bilheterias 

Luta pela materialidade

O International Accounting Standards Board (IASB), entidade que normatiza a contabilidade em mais de 100 países, emitiu orientações no sentido de reduzir o volume das demonstrações contábeis. Segundo afirmou a vice-presidente da entidade, Sue Lloyd, as empresas deverão divulgar o que interessa aos investidores e deixar de lado os pormenores. Ela citou um exemplo:

"Se eu sou um banco, as pessoas realmente se preocupam com minha propriedade, planta e equipamento?"

Ocorrendo isto, muitas páginas deixarão de serem divulgadas. O objetivo é fazer com que os relatórios anuais sejam mais concisos. E isto passa por uma mudança comportamental, afirmou Lloyd.

Em termos práticos, a proposta do Iasb passa por um guia sobre materialidade. A entidade está encorajando as empresas a aplicar julgamento, em lugar de um checklist. A entidade afirmou que “o conceito de materialidade é importante na preparação das demonstrações financeiras, pois ajuda as empresas a determinar que informação incluir ou excluir dos relatórios”. Isto também diz respeito a apresentação, reconhecimento e mensuração. Para isto, a entidade reguladora preparou o guia prático, com exemplos, para ajudar na decisão. E preparou também uma emenda ao IAS 1 e IAS 8, que ficará como minuta até janeiro de 2018.

Outro lado - A iniciativa do Iasb possui quatro grandes problemas, além do aspecto comportamental, citado por Lloyd. Em primeiro lugar, o guia prático não é obrigatório e não altera em nada as normas existentes. Por razões óbvias, as empresas possuem uma cultura legalista e a decisão do que evidenciar é sempre difícil na prática. Isto faz com que a abordagem do checklist é muito mais fácil e prática para o preparador da informação.

O segundo grande problema é que a decisão do que evidenciar passa a ser do preparador da informação. De certa forma é isto que ocorre. Mas temos que relembrar que a contabilidade é um sistema de comunicação e o Iasb está dizendo que o emissor da informação deve selecionar o que dizer. Parece ser muito mais razoável que a decisão do que gostaria de ler seja do usuário, não do preparador. Mas este poder de selecionar o que divulgar é uma tarefa inglória para o preparador, que exige poderes para que este profissional tome esta decisão.
O Iasb talvez tenha esquecido que nos últimos anos o custo de produzir e reproduzir uma informação caiu substancialmente. Assim, divulgar a forma de depreciação num banco tem um custo muito pequeno para uma instituição financeira. Os dois custos mais relevantes na contabilidade moderna são: (1) da publicação em jornais, que ainda é obrigatória em alguns países, e (2) do excesso da informação e dos seus efeitos colaterais, que o Iasb tenta combater com a “não divulgação”. Para o nosso terceiro problema existem alternativas, como focar na divulgação concisa de certas informações, com a possibilidade de um detalhamento para aqueles que desejarem.

O quarto problema é que muito do excesso de informação encontra-se nas próprias normas emitidas pelo Iasb. Por um lado, o regulador diz para reduzir a divulgação com baixa materialidade. De outro lado, emite uma norma do recuperabilidade onde recomenda uma evidenciação detalhada dos parâmetros usados. A conciliação entre os opostos deveria ser feita como lição de casa pelo regulador, antes de descentralizar a responsabilidade pelo problema para as empresas.

Comportamental - Sob a ótica do preparador da informação é muito difícil classificar o que seria material. Veja o exemplo do Instituto Ronald MacDonalds, que divulga suas ações em demonstrações financeiras concisas e bem produzidas. Talvez a maioria dos usuários aprove as informações divulgadas. Mas esta entidade não evidencia os números da contabilidade ou quando faz é de forma parcial. Isto sob o olhar complascente do auditor, que assina e aprova as demonstrações publicadas no site da entidade. Para um usuário as informações divulgadas estão adequadas; para outros, não.

No mundo digital, o usuário já possui ferramentas para selecionar o que é relevante. E existem intermediários que podem fazer esta análise. Qual o sentido de deixar para o preparador a decisão de fazer esta seleção? Se um pesquisador pretende estudar a taxa de depreciação utilizada pelas empresas, saber sobre o tratamento para uma instituição financeira pode ser importante para sua pesquisa.

Apesar de parecer uma medida adequada, focar a atenção na materialidade parece pouco produtivo. As normas estão cada vez mais longas e detalhadas. Permitir que o preparador escolha o que é material talvez traga mais problemas do que soluções.

P/L cai nos últimos anos no mercado brasileiro

Existe uma relação entre o índice P/L e o retorno do mercado. Se um P/L for de 9,47 isto significaria uma média de retornos de 10,56% ou o inverso do P/L. Este, por sinal, foi o índice mediano para o ano de 2012. Nos anos seguintes, o P/L mediano sempre apresentou tendência de queda: 9,40; 8,04; 5,93; e 5,77, na ordem para 2013 a 2016.

Como o índice P/L é resultado da divisão de dois valores monetários, a inflação não atrapalha a comparação. (Na realidade, pode atrapalhar, mas em situações extremas) Além disto, quando afirmo que o preço é 5,77 vezes o lucro por ação, estou também dizendo que serão necessários 5,77 exercícios sociais para recuperar o valor pago na compra da ação. Seria um tempo de recuperação do investimento. Nos períodos onde o mercado está ruim, o P/L tende a reduzir substancialmente, como ocorreu de 2012 para 2016. Para os investidores, o índice pode ser visto como um termômetro para verificar se o mercado está aquecido ou não.

Agora vamos aos problemas. Em primeiro lugar, o P/L é um índice do passado. Mas muitos analistas usam como um índice do futuro, o que é um erro.

Segundo, o P/L do mercado é muito difícil de ser calculado. Os valores que apresentei correspondem a mediana. A razão de usar a mediana é que a média ficaria afetada pelos valores extremos. Compare: 36,12; 24,60; 8,25; -45,15 e -11,37 para os anos de 2012 a 2016. São valores muito complicados. Mas mesmo a mediana talvez não seja a melhor solução, já que neste caso, cada ação é comparada de maneira igual. Assim, o P/L da Petrobras de 12 em 2012 tem o mesmo peso do P/L de 191,8 da Locamerica.

Terceiro, o índice funciona se assumir que a empresa fará distribuição dos lucros. Existindo retenção em volume elevado, o índice perde parte da sua utilidade.

Que vença o melhor

Em geral as competições esportivas possuem dois formatos. O campeonato, onde cada time ou esportista compete com outro. Ao final de uma série de confrontos, aquele que conquistar maior número de vitórias ou maior número de pontos é considerado o vencedor. Um exemplo do campeonato é o de futebol. A grande desvantagem do campeonato é o número de confrontos. Para declarar um campeão brasileiro de futebol são necessárias 38 partidas para cada time, ao longo de muitos meses.

Uma segunda forma de competição é através de um esquema conhecido como “mata-mata”. São sorteados os confrontos e o vencedor leva tudo. Uma competição de tênis geralmente possui este formato. Sua vantagem é a redução do número de jogos para apontar o vencedor. Em Wimbledon são 128 competidores, mas somente seis rodadas para chegar ao campeão.

(Também existem as competições mistas, com parte no formato de campeonato e parte de copa. É o caso da "Copa" do Mundo, onde a primeira fase tem o estilo de campeonato, já que em cada grupo, todos jogam contra todos)

A rapidez com que o formato de mata-mata aponta o campeão parece possuir uma grande desvantagem: a possibilidade de competidor de pior nível ganhar o torneio. No tênis masculino isto parece não ocorrer com muita frequência, já que os torneios, nos últimos anos, foram dominados por Nadal-Federer-Djoko-Murray. Mas isto não ocorre no feminino, onde existe um revezamento nas conquistas. Em alguns esportes, onde se têm um sistema de ranqueamento, é possível afirmar com certeza que um jogador ou um time é pior do que outro. Isto ocorre no tênis: quando Federer perde para Belucci, por exemplo, sabemos que é uma zebra, já que Federer é um dos melhores do mundo e Belucci não está entre os Top 20.

Esta ocorrendo agora na Georgia um torneio de xadrez no estilo Copa. Cento e vinte e oito jogadores começaram a disputar o troféu e a possibilidade de participar da disputa para ser o desafiante do atual campeão do mundo. O xadrez é um esporte onde é possível saber com bastante precisão que um jogador com um ranking de 2830 não deve perder para outro com um ranking de 2700. Mas o que a Copa do Mundo de Xadrez mostra é que o formato de mata-mata é injusto e talvez não selecione o melhor jogador. Veja a figura a seguir. Trata-se do ranking dos melhores jogadores do mundo. Como as regras do ranking são de conhecimento de todos, é possível saber a influencia na pontuação de um jogo que acabou de ser realizado. Este ranking foi obtido na quarta, de noite, já com os resultados da rodada da Copa do Mundo. Dos 27 melhores jogadores do mundo, somente 5 não perderam pontos no ranking. Ou seja, 22 jogadores tiveram um desempenho abaixo do esperado para sua pontuação.
Na verdade este resultado é pior. Dos cinco que não perderam pontos, dois não estão jogando a Copa do Mundo. Assim, de 25 jogadores entre os melhores do mundo, somente 3 (ou 12%) estão fazendo a sua parte. O primeiro do ranking fez quatro jogos nas duas primeiras rodadas e obteve quatro vitórias; na etapa seguinte, contra um jogador de 2700 de ranking, Carlsen perdeu o primeiro jogo e empatou o segundo. No total saiu do torneio com 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota. E menos 1 ponto no ranking.

Este resultado é interessante já que o xadrez permite que uma partida tenha as vezes mais de seis horas de duração e os jogadores são vistos como nerds, frios e calculistas. Não são, como pode ser provado pelo desempenho dos melhores entre os melhores. Alguns deles, como Anand, que perdeu 11 pontos, participam de torneios deste tipo há anos.

Saindo um pouco da situação atual, a desvantagem do formato "mata-mata" é evidente se você olhar a lista dos campeões mundiais de xadrez. É possível perceber a presença de Khalifman, Ponomariov e Kazimdzhanov. Os três não estão/estavam entre os grandes jogadores de todos os tempos, mas venceram uma Copa, num momento que o campeão era definido por este sistema. O primeiro era número 44 do mundo quando se sagrou campeão; Ponomariov era sétimo e Kazim era número 54. (fonte: aqui).

Quando uma disputa esportiva tiver o formato de Copa, talvez não seja possível dizer: “que vença o melhor”.

13 setembro 2017

Mais um Batista preso

Hoje a Polícia Federal prendeu o empresário Wesley Batista. A acusação é manipulação do mercado financeiro. A origem foi um inquérito aberto na Comissão de Valores Mobiliários sobre transações que foram feitas pelo grupo JBS antes da divulgação da notícia sobre a possível delação dos irmãos que comandam a empresa. Em maio, o país ficou sabendo de algumas transações realizadas pelos empresários envolvendo pagamento à políticos e outros crimes. Isto provocou um aumento no preço do dólar. Logo depois a CVM desconfiou da venda de ações da empresa e da compra de dólar. Tudo apontava para uma manipulação do mercado, com o uso de informação confidencial, o que é proibido pelas normas.

Em resumo, os irmãos tiveram

ganhos extraordinários no mercado de compra e venda de dólares e ações do grupo quando o teor das delações dos executivos estava na iminência de ser conhecido. Em 22 de maio, controladores venderam 682.600 ações à cotação de R$ 7,81. O declínio do papel nesse pregão foi de 31,34%, a R$ 5,98.
Em 29 de maio, eles venderam 7.004.100 ações, ao preço de R$ 7,86. O papel encerrou a sessão com queda leve de 0,13%, a R$ 7,70.
Em 30 de maio, foram vendidas 2.220.000 ações, à cotação de R$ 7,64. O papel caiu 3,90%, a R$ 7,4.
Por fim, em 31 de maio, os controladores se desfizeram de 4.109.100 ações, à cotação de R$ 8, sendo que o papel subiu 9,05%, a R$ 8,07. Conforme antecipou o Broadcast, em abril os acionistas controladores venderam R$ 328,5 milhões em ações da empresa.

(...) a empresa teria adquirido entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão antes da deflagração da nova crise no País como consequência de gravações feitas pelos donos da empresa, os irmãos Joesley e Wesley Batista.

Diante dos problemas ocasionados pela denúncia, o grupo JBS começou um processo de venda de empresas, para fazer caixa e reduzir o endividamento. Recentemente, o mais famoso dos irmãos, Joesley, foi preso.

Insider - A prisão de Wesley possui um aspecto de ineditismo no Brasil: é a primeira vez que alguém é preso por usar informação confidencial no mercado de capitais. Nem Eike Batista e Nahas, no passado, tiveram este destino. E na ausência de Joesley, era Wesley que era administrando o grupo. Além disto, Wesley estava negociando o alongamento das dívidas e a venda de empresas

Entretanto, aparentemente, o mercado não sentiu o problema. Veja abaixo o comportamento das ações da JBS nos últimos dias:

Portugal e a tempestade perfeita

“Apesar de ter escapado ao desastre de ser atirado para fora da zona euro, Portugal não concretizou reformas suficientes para assegurar sucesso económica e orçamental financeiro”. A posição é defendida pelo jornal britânico de referência Financial Times, num artigo intitulado “Reformas em Portugal não foram suficientemente longe para garantir a sustentabilidade financeira”.

Depois de três anos de um programa de ajuda externa no valor de 78 mil milhões de euros, Portugal reemergiu em maio de 2014. No entanto, o país continua a ter razões para ser cauteloso, segundo o FT.

“Portugal está no centro de uma tempestade perfeita de fraco crescimento económico, queda do investimento, baixa competitividade, défices orçamentais persistentes e um setor bancário subcapitalizado que detém muita da estratosférica dívida pública da nação”, salienta o artigo.


Via Jornal Econômico

Exxon e o aquecimento

Há décadas a empresa ExxonMobil enfrenta uma grande polêmica sobre o impacto das atividades de empresas petrolíferas na mudança do clima. Na década de setenta, a empresa chegou a patrocinar pesquisas sobre o assunto. Mas somente em 2014 chegou a reconhecer o risco da mudança do clima, de maneira tímida. A empresa, no entanto, se opôs ao protocolo de Quioto e tentou influenciar medidas sobre o assunto. Pelo contrário, a ExxonMobil fundou um grupo de pressão, colocou dinheiro para pressionar contra as medidas favoráveis a questão ambiental e usou táticas de desinformação.
Al Capone: preso por fraude fiscal

Ao divulgar um relatório com seus resultados, uma empresa deve informar os riscos existentes. Este é o grande problema da empresa, conforme destacamos anteriormente. A ExxonMobil não reconhece o risco potencial de não ter condições de explorar suas reservas em razão da pressão pública contra a emissão provocada pelo petróleo. Isto significa que seu ativo, neste caso as reservas de petróleo, estão superestimadas. Ou seja, a empresa deveria amortizar parte destas reservas. Em março de 2016 a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, determinou que a empresa incluísse a informação de como a rentabilidade seria afetada pela mudança no clima. Ao mesmo tempo, iniciou-se uma investigação; a empresa afirma que isto tem motivos políticos.

Um artigo, publicado em agosto de 2017, confirmou que a empresa apresentou informações de baixa qualidade sobre o aquecimento global. Os pesquisadores estudaram 187 documentos e afirmaram que desde 1979 os cientistas da empresa já sabiam da relação entre a queima de petróleo e o aquecimento global.

A empresa tenta-se defender, mas o cerco cresce. O procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman, solicitou informações. E está analisando se os investidores foram induzidos ao erro em razão dos ativos superestimados. O processo também deve respingar no auditor, a PwC. O foco tem sido a análise e mensuração dos ativos da empresa, assim como as projeções dos preços e dos custos. Schneiderman usou o termo “fraude” ao falar do assunto. A empresa e a PwC recusaram comentar para a Bloomberg. Para o procurador, a empresa usou dois dados, um público e outro secreto, para determinar o impacto do aquecimento global nas reservas.